Dia das Mentiras
A origem do Dia das Mentiras está relacionada com a história do calendário, mais concretamente com a chegada do ano novo, o qual era celebrado desde o equinócio da Primavera até ao primeiro dia de Abril. Para nós ocidentais, o ciclo anual não coincidia então com o movimento de Translação da Terra, ou seja, o calendário estava desfasado do ano solar. As mudanças de estação ocorriam em alturas diferentes a cada ano, ora num mês, ora noutro, pelo que a celebração do ano novo era naturalmente imprecisa.
Foi Júlio César quem primeiro se propôs resolver este problema. Começou por decretar o ano da confusão, em 46 a.C., que com os seus 15 meses e 455 dias permitiu acertar o calendário ao tempo natural. No ano seguinte, 45 a.C., foi então implementado o Calendário Juliano, com os seus 12 meses e 365 dias. Mesmo assim, todos os anos sobravam 6 horas, sendo esta a razão para os anos bissextos. De quatro em quatro anos, o mês de Fevereiro tem mais um dia para compensar as 6 horas adicionais dos 4 anos anteriores. Corrigido o problema, as celebrações do ano novo decorreram com exactidão até ao primeiro dia de Abril. Assim foi até 1564, ano em que o Rei Carlos IX de França mandou publicar o decreto “Edict of Roussillon“, o qual está na origem da tradição do dia das mentiras, ao determinar que o ano novo começava a 1 de Janeiro. Desde então que aos tolos se reservam convites para festas que não vão acontecer…
Nascera a tradição do dia de hoje, mas o calendário Juliano continha um problema eclesiástico, pois gerava o desfasamento com o calendário litúrgico, nomeadamente com a celebração da Páscoa. Foi para corrigir este problema que o Papa Gregório XIII promulgou em 1582 a bula “Inter Gravissima”, instituindo o calendário Gregoriano, o qual se manteve em vigor até 1964, ano em que foi implementado o Calendário dos nossos dias, o calendário Pirelli, o qual como sabemos, não tem qualquer problema ou questão. É perfeito!
Sandokan Costa
Finda a sua carreira na marinha mercante, o escritor Emilio Salgari criou várias personagens inspiradas nas suas viagens pela costa asiática. Um destes heróis navais, foi o famosíssimo Sandokan, o pirata do século XIX. Na realidade o “Tigre da Malásia” nasceu em Verona. Foi um verdadeiro precursor do género Western Spaghetti. Entre nós, celebrizou-se na década de 70 do século passado, quando a televisão estatal passou a produção da sua congénere transalpina. A geração à qual pertenço recordar-se-á facilmente da musica desta série, mais provavelmente da versão em português, infantil e algo brejeira, de rima fácil em torno de roupa interior de senhora…
O saudosismo é um dos negócios dos nossos dias. Hoje, qualquer sucesso do passado tem direito a um novo começo. Seja detergente, filme, série televisiva ou modelo automóvel. Basta a embalagem ser parecida. Resulta! Há quem compre!
Assistimos há já alguns meses às novas aventuras do pirata António Sandokan Costa. Comanda o navio sem nome, a que alguns chamaram “Gerigonça”. Negoceia, manobra no fio da navalha entre a bonança e a tempestade. A primeira lição da navegação à vela é sobre uma singela palavra, a paciência. Até aqui tudo bem, ou pelo menos, menos mal, mas eis senão quando começam as garantias. Sensação déjà vu! São este tipo de certezas que têm precedido as inevitabilidades, os novos bancos e as soluções in extremis que prejudicam apenas e sempre os mesmos, nós, os contribuintes. Sabemos que a declaração de indubitável solidez do sistema antecede a sua falha, geralmente catastrófica.
O Tempo da Denise
Paulo Portas desertou, vai dedicar-se aos negócios e reúne elogios lá fora, nos negócios estrangeiros, pasta conseguida após várias tentativas governativas.
Segue-lhe Assunção Denise Cristas, lufada de ar fresco e mudança, dizem, porque é mulher! Como se a condição de género fosse por si só etiqueta de qualidade! Mantém-se tudo, incluindo a condição de irrevogável, não se tivesse demitido Assunção Denise Cristas juntamente com Mota Cocas Soares na sequência da birrinha de Paulo Portas, para depois ter voltado atrás.
Assunção Denise Cristas é, ao contrário do que uma aparente mudança de visual para melhor possa parecer, a continuidade, uma mudança na embalagem mas com o mesmo conteúdo. Cristas incorpora toda a condição de classe do CDS. Mãe enquanto ministra, família numerosa, passou uma imagem paternalista enquanto ministra, foi vista junto dos pescadores e agricultores, a pisar a uva, com as mãos na terra e no trabalho duro.
Tem no entanto a enormíssima responsabilidade politica da actual lei das rendas, e de ter transformado o mau em péssimo. Foi uma das suas primeiras obras , e a Grande Obra, enquanto ministra. Era, na altura urgente, mexer o mais rapidamente possível numa das lei mais odiadas pelas burguesia urbana proprietária em Portugal. A Lei das Rendas anterior era injusta e responsável por muitos prédios devolutos. A Lei das Rendas actual é responsável por prédios vazios e pelo ainda maior esvaziamento do centro da cidade. Os custos sociais desta lei ainda estão por apurar, mas aqui e ali vamos vendo o seu resultado. Na baixa lisboeta e por outras partes da cidade, a vida difícil dos comerciantes, tornou-se impossível de continuar mediante acções de despejo. Fecha loja abre hotel. Fecha loja abre grupo franshizado. Fecha cultura, fecha pedaço identitário de todos nós, abre espaço homogéneo em todo o mundo: Mac Gordo, Gelados XPTO, Hamburgueria da Tia, Trapos Daqui, Cueca Dali… E assim se faz o turismo, que Portugal está na moda, os portugueses é que não! E dos prédios arrendados, exército de gente que saiu, para a terra, para o subúrbio a 30 quilómetros…
Não será porém isso que lhe criará mácula. Existem feridas que são ignoradas em Portugal, e não sendo faladas, não tendo visibilidade suficiente na comunicação social, é como senão existissem.
Mota Cocas Soares, outro actor do governo CDS, é também rosto que fica responsável por esta nova era, assim como Nuno Melo, depois da saída sempre estratégica do mestre Portas.
A pastinha de Mota Cocas Soares não poderia ter sido melhor: Trabalho e Segurança Social. Em período de crise, de desemprego e de insegurança social, Mota Cocas Soares tinha a pasta da impossível ajuda social e da ferramenta de combate às desigualdades. Mas ele não se atrapalhou, tornou tudo ainda pior e subsidiou salários através da Segurança Social, praticamente criminalizou o desemprego com as presenças regulares nas juntas de freguesia, e juntamente com a retirada de apoio a milhares de desempregados, e o apoio a tantos outros empregados, ajudou os patrões a empregarem por um lado e a desempregarem por outro.
Acho portanto que estão ambos preparados para esta empreitada de oposição a um governo PS apoiado nas esquerdas radicais. Experientes nas trocas e baldrocas, vão-se mostrar daqui para a frente dispostos a tudo para minorar os danos colaterais que essas esquerdas radicais possam causar, estando ao serviço da Nação para facilitar a vidinha ao Costa “naquelas coisas” em que essas tais forças de esquerda radicais teimam em ser desagradáveis e pouco flexíveis.
Europageddon – O Efeito Borboleta
Aparentemente o efeito borboleta da crise económica e social continua a propagar-se pela Europa. O tempo passa a correr, já lá vão 5 duros anos de retrocesso económico e social sem fim à vista. De momento, por cá, existe uma sensação de mudança de ciclo com novo governo, nova distribuição de forças parlamentares e novo presidente da república. O foco continua a ser a resolução da situação nacional com grande preocupação em agradar ao portugueses e aos nossos credores com uma complexa teia de devoluções de rendimento e reajustamentos de impostos existentes.
Entretanto o mundo continua a girar. Cada vez mais analistas alertam para um 2016 potencialmente catastrófico ao invés de um ano de recuperação económica, o Reino Unido arrisca abanar a União Europeia, nos USA Trump afirma-se como um sério candidato à vitória, Rússia e China demonstram querer assumir um papel de peso na política internacional pondo em causa vários aspectos da até agora dominante visão ocidental do que é melhor para o mundo, mundo este que entretanto entrou em nova corrida de rearmamento silencioso.
Tanta da recente conversa política nacional tem sido sobre o tema de nos mantermos ou sermos empurrados para fora Europa assumindo-se que a Europa foi, é e será sempre a nossa bóia de salvação. E se a maré se inverter ou a bóia furar? Saberemos manter-nos à tona de água, capazes de chegar a terra firme?
O ano passado o caso da Grécia demonstrou que não estava prevista uma saída controlada, seja coerciva, seja voluntária, de um estado membro. Pelo que seguramente não estará também previsto o que sucede em caso de implosão ou desmantelamento da União Europeia.
Parece-me assim urgente que sejam os próprios organismos da União Europeia a criar dossiers públicos para projecção e antevisão do impacto da saída de cada estado membro, com levantamento das implicações económicas, políticas e sociais para esse estado membro, para a Europa como um todo e para cada um dos outros estados membros. E um dossier “Armageddon” com o pior cenário possível, o fim da União Europeia, o que isso significa globalmente e para cada estado membro, criando-se um termómetro de exposição a essa eventualidade que permita a cada estado membro ajustar as suas políticas para evitar cair numa total Euro-dependência que lhe seria fatal neste cenário.
É chegada a altura de abrirmos bem os olhos, olharmos para além dos próximos 1 a 2 anos, de nos bastidores se iniciar a formulação e aplicação de antídotos secretos que evitem que pelo menos Portugal volte a ser ultrapassado, enrolado e afogado pelos acontecimentos.

Abstenção da coerência
Este foi um FDS de derby lisboeta com milhões alienados pela ‘grandiosidade’ do embate entre Sporting e Benfica e como sempre as bancadas abarrotadas, as audiências no pico.
A minha relação com o futebol passou por vários estágios. Até ao início da adolescência ignorei-o, depois joguei-o, tornei-me fã e sócio de um clube: o Glorioso. Cheguei a ter passe durante 2x ou 3x épocas não falhando um jogo. Depois deixei de ir ao estádio mas tentava não perder a transmissão dos seus jogos, até que progressivamente comecei a dar aquelas 3 horas por jogo (contando com o pré e pós) como perdidas. As coisas que eu poderia fazer nos dias acumulados que gastava a ver futebol. E cortei de vez com esse mundo de fantasia e idolatria. Num ápice libertei-me dos calendários de jogos, das novelas futebolísticas e de todo o entretenimento montado à sua volta. O bem que me fez e sem qualquer tipo de ressaca!
O que me surpreende nos dias de hoje é a falta de coerência de muitos milhares ?milhões? de adeptos portugueses que alegam não se interessar por política, não votar, porque os políticos são todos iguais, corruptos e mafiosos. Ou seja, a retaliação para com a máfia política é a ausência na participação consciente e activa no único acto que poderia afectar directamente essa máfia.
A incoerência vem do seu comportamento para com o futebol. Nos últimos anos foram revelados factos irrefutáveis de que o futebol é corrupto, é mafioso em todas as suas vertentes. Presidentes de clubes, agentes desportivos, árbitros, jogadores, em todas as camadas é gritante a existência de mais um sistema criminoso. No entanto no futebol não existe retaliação para com esta realidade. Ao invés da abstenção na ida aos estádios e no assistir aos jogos na verdade existe assiduidade e atenção tão segura que permite a assinatura de contratos milionários apenas para garantir direitos de transmissão.
Talvez do que Portugal precise seja da substituição dos agentes políticos pelos agentes futebolísticos. PS, PSD, CDS, etc, substituídos por uns superiormente representados SLB, SCP, FCP, etc. Seguramente que os apoiantes de cada partido/clube iriam querer demonstrar a sua supremacia sobre os eternos rivais rumando às urnas em grupos organizados, entoando cânticos entusiásticos, pelo que mesmo que isto nenhum benefício trouxesse ao país ao menos teríamos muito maior legitimidade para o empossar dos seus governantes. E assim teríamos presidentes de clubes a presidir a nação em simultâneo, comentadores desportivos como deputados em acesos debates parlamentares sobre estatísticas e falhas de execução das políticas do último defeso, misters e jornalistas a elaborar estudos de pormenor e projecções detalhadas sobre os próximos desafios, sempre que um banco fosse desfalcado prontamente se resolveria a situação com a contratação de grandes craques, e por fim os adeptos/eleitores atentos, interessados, com alto nível de exigência, levando ao rolar de cabeças quase imediato sempre que os resultados não apareçam.
Assim de repente parece-me um sistema funcional! Talvez até mais do que o de hoje! O melhor de tudo é que esta concentração de gente honrada, o uso de linguagem fácil e acessível, levaria ao aumento do interesse da população e a tal valorização do Canal Parlamento que acredito que viria a ser possível pagar a dívida externa só com a venda da exclusividade dos seus direitos de transmissão.
Se nada disto vos fizer sentido experimentem passar por um ano de castidade futebolística e voltem a reler este post. Tenho a certeza que é post para golo, nem que seja um auto-golo ou mal anulado.
Sempre-em-pé
Aconteceu ontem, no País dos Brinquedos, a reeleição quase unânime. Sem Sonso ou Mafarrico a baralhar as contas, o processo foi claro, inócuo, mas simples. É assim que os brinquedos gostam. Abram Alas! A seu tempo trataremos do Noddy, o ingénuo mas muito leal e justo protagonista destas aventuras, mas para já vou adiar. Compreendam, tenho um trauma musical. Há temas assim, marcam pela violência como invadiram os nossos lares.
Como pai, sei que não estou só nesta minha profunda aversão à banda sonora, comum a muitos cuja prole ronda hoje os 15/16 anos de idade. Reconheço, é uma empatia impossível de explicar a quem não partilhou a vivência, por isso avanço para o herói do dia, o mestre dos não assuntos. Diz sempre o que não é, é o que não diz ser, e coerentemente fez sempre o contrário daquilo que prometera fazer. Refiro-me, obviamente ao Sr. Sempre-em-pé. Disse, e foi peremptório, não ser um sempre-em-pé, ou seja, é. Julgo ser esta a regra de desencriptação das suas mensagens. Como sempre, é à excepção que compete confirmar a regra.
Neste caso a excepção manifestou-se na incompreendida declaração da passada sexta-feira. Foi sincero, partilhou o seu entendimento sobre a ética aplicável aos ex-governantes. Disse que não podem ser uma “espécie de eunucos”. A forma mais simples de explicar esta frase obrigar-me-ia a recorrer ao vernáculo, o que recuso, por isso opto por uma explicação menos instantânea: O Sr. Sempre-em-pé entende que depois de mandatado para a prática do coito continuado, deve a população aceitar que o ex-governante mantenha intacto o privilégio de cópula após ter cessado funções.
O símbolo desse privilégio é o pin na lapela…
A Inexplicável Evolução
Hoje, ao sexagésimo quinto dia de 2016, o nosso blog ultrapassou o número de visitas recebidas durante todo o primeiro ano, 2011. Não sabemos se a evolução resulta de um trabalho bem feito ou se é mera consequência da propagação da demência pela população portuguesa. Embora a imodéstia nos empurre para a primeira, algures em nós persiste uma réstia de realismo que nos leva a suspeitar da segunda.
Amamos a nossa língua materna e muito embora a possamos mal tratar, fazemo-lo sempre por manifesta ignorância e nunca por velada vontade. Não obstante esta opção pela expressão numa só língua, a nossa, as visitas ao nosso blog são oriundas de um número crescente de países. Com excepção das regiões polares, chegamos a todos os continentes do planeta. Também desconhecemos a causa para esta disseminação à escala global. Ignoramos se é igualmente influenciada por razões do foro da saúde mental, ou se é mera manifestação da diáspora. Talvez ambas. São mais as dúvidas do que as certezas, por isso caro internauta, se anda perdido, não nos siga.
Apesar da inexplicabilidade dos motivos para os fenómenos acima relatados, não ficará mal o agradecimento. Estamos gratos a todos, aos que conosco partilham o rumo, mas igualmente aos outros, àqueles que ainda mantêm alguma sanidade, pelo menos a suficiente para não terem ainda embarcado na nossa deriva.
Obrigado! Bem-haja a todos.
Wonder Woman
Wonder woman, entre nós Mulher-Maravilha, é a heroína de hoje. Dotada de super saberes e invulgar agilidade argumentativa, possui um poderoso arsenal. A saber, são três as suas principais armas: O Laço Mágico de Afrodite, que subjuga o capturado a obedecer cegamente; As Irrevogáveis Braceletes, que absorvem o impacto de qualquer ataque; e a sua Tiara, a arma de arremesso de eleição. A Mulher-Maravilha é uma guerreira temida. Os adversários não perdem uma oportunidade para a atacar. O aproveitamento politico é recorrente, mas ela responde sempre, ponto por ponto. Explica bem explicadinho, no seu jeito sintético e definitivo que não há incompatibilidades porque a função é não executiva. Sejamos claros, “não executivo” é um eufemismo para inimputabilidade. Que não restem duvidas! Bem, se as houver, a imunidade parlamentar lá estará para garantir o futuro. Se fosse um cargo executivo, ainda vá, mas assim, com o prefixo “não” extinguem-se quaisquer possibilidades de incompatibilidade. É legal! Será Legitimo?
Sabem que mais, é tudo inveja, difamação infundada e torpe. Pois se até o novo patrão afirma que ela tem enorme experiência em cargos públicos, qual é o problema? Não é óbvio que apenas vai aconselhar? Começa na próxima segunda-feira. Por vezes fico chocado com a precipitação do juízo dos meus compatriotas. Senão vejamos. Poucos entre nós são tão sapientes em matéria de dívida como ela, seja a encher os cofres, seja a fazer contratos de permuta, vulgo swap.
Já alguém pensou que vai entrar divisa estrangeira? Será paga em Libras para aportar valor, não para trabalhar! Digam-me, não é este o sonho lusitano?
Oscars 2016
Por uma vez, que não sirva de exemplo, vou abordar um tema que verdadeiramente vos interessa. Algo importante, algo relevante – A Cerimónia de entrega dos Óscares 2016. Mais um ano passou, a espera foi longa, mas o momento alto da indústria cinematográfica será já no próximo domingo, madrugada dentro. Seguir-se-ão importantes e pertinentes apontamentos e notas sobre o desempenho dos artistas e convidados na celebre passadeira vermelha rumo ao Dolby Theatre. Qual o melhor vestido, qual o pior, as jóias, a falta delas… Nada, absolutamente nada escapará ao rigoroso escrutínio dos especialistas. Haverá algo mais relevante? Poderá o mundo avançar sem saber o preço dos vestidos? Obviamente que não. Uma vez sentados os artistas, começa o espectáculo. Nenhuma outra sala, nem mesmo a do planetário, reunirá tantas estrelas sob o mesmo tecto.
Todos assistiremos em êxtase, a maioria de nós adormecerá, mas alguns conseguirão mesmo ouvir todos os emocionantes discursos de agradecimento dos vencedores, puros momentos de improviso, plenos de autenticidade e emoção. Incrível como os profissionais da farsa e da dissimulação conseguem ser tão autênticos naquele momento de vitória. A graciosidade dos vencidos é igualmente marcante. Na verdade, ninguém perde pois todos os nomeados já são vencedores.
Embora há muito merecedores, nunca nenhum nosso compatriota venceu em qualquer das categorias. Este ano, suspeito que esta tremenda injustiça será finalmente corrigida. Acredito na vitória de uma, senão em todas as seguintes categorias: Melhor edição, Melhor Banda Sonora, Melhores Efeitos Visuais, Melhor filme de Animação e Melhor Figurino. Que ganhe o melhor!
Carranca Costa
Há milhares de anos que a superstição faz parte do quotidiano de qualquer marinheiro. Quando a vida fica à mercê da intempérie é natural que a crença menos convencional prevaleça. Mas por vezes tem explicação racional. Nunca pronunciar após embarque, sob nenhuma circunstância o apelido do ex-primeiro-ministro, é um dos exemplos. Coelho é aquele-que-não-deve-ser-nomeado, é animal maldito. Outra superstição perfeitamente sensata é aquela que exclui o embarque de flores e plantas, pois consomem um recurso valioso, a água doce. Já a moeda de prata sob o mastro tem uma explicação mais mística, remonta ao tempo dos romanos e visa pagar o trânsito das almas, evitando que se eternizem penadas em caso de tragédia. Monstros marinhos e criaturas mitológicas como as Sereias têm também o seu lugar neste universo tão povoado como misterioso, mas a figura mais proeminente é naturalmente a carranca, majestática à proa.
O Mar financeiro, deixado à sua sorte, tende para o equilíbrio. Dizem. Entre nós, povo marinheiro, a barca de supervisão chama-se Banco de Portugal. Independente, regula, previne e decide. Contudo, a cada afundamento, fica a ideia que alguém não fez o que era suposto, que ficou aquém do que devia. Ninguém explica que num sistema que funciona ao segundo, afirmar que os bancos centrais são Reguladores só pode ser uma piada de mau gosto. Perante tamanho eufemismo, alguns, mais mesquinhos, contestam as remunerações a bordo do Banco de Portugal, mas não é isso que me move. Negativo. Venho isso sim, lembrar porque é tão bem pago.
Passo a explicar: Carranca Costa, como qualquer antecessor ou sucessor, é útil para branquear problemas e falhas do sistema. Deu a cara, ilibou o anterior governo e agora é novamente útil como alvo do novo executivo. Singela e sucintamente, é pago para arcar com a culpa e ficar calado!













