Category Archives: Escárnio e mal-dizer
Nada como uma boa troça visando quem o merece. Por vezes hipérboles, alegorias e metáforas conduzem a um certo enfabulamento mas muitas vezes a acutilância mordaz mais não faz do que realçar o ridículo da realidade.
Artur Virgílio
Após conturbados processos de privatização e posterior renacionalização, a TAP está finalmente a renovar a sua frota. No longo curso, não contará com modernices ou excentricidades do tipo Airbus A350, nada disso! Eficiência é a palavra de ordem. A aposta será em material com provas dadas. Já chegou o primeiro, um Airbus A330-243. Anteriormente registado como PR-AIY (AZUL Linhas Aéreas Brasileiras), e antes disso como VH-XFA (Virgin Blue/Virgin Australia), que por sua vez foi precedido pelo registo A6-EAB (Emirates Airline) e que ainda assim não foi o primeiro, pois no século passado, a 25 de Outubro de 2000, aquando do voo inaugural, foi registado pelo fabricante como F-WWKB. É novo, como atesta o Curriculum Vitae da aeronave. Em breve chegará outra com idade e trajecto semelhante, já registada CS-TOT, mas deixemos os atrasos para outra ocasião…
Foquemo-nos no novo avião, aquele que já chegou. Embora tenha praticamente o dobro da idade média dos restantes catorze A330 da frota da TAP, é o único que ainda não foi baptizado. Tradicionalmente, os aviões da TAP são baptizados em homenagem a grandes personalidades da nossa história. Mesmo sem nome, coube ao novo avião a grande honra de inaugurar a nova rota para Boston, com o presidente da TAP a bordo e tudo. A chegada foi apoteótica mas parece que o regresso se atrasou. Quanto ao nome para baptismo, julgo que a personalidade cujo perfil e obra mais se adequa à novíssima aeronave, bem como às circunstâncias da companhia, é a de Artur Virgílio Alves dos Reis.
Nada a Temer
Até à estreia da selecção no Europeu de Futebol, a nação estará num imperturbável estado de graça. Grande é a esperança! Défice só em polémica, daquela boa e inconsequente. Apenas uma pequena diferença de opinião quanto às necessidades de capitalização do banco público e a reedição do convite à emigração dos docentes, parecem trazer algum sal a estes dias insonsos. Somente a constituição do onze para mais logo interessa! O nosso oponente, aquele que por mais de uma vez se bateu pela sua Zona Económica Exclusiva, e pelo direito de nela decidir quem pesca, diz-se preparado. Compreende-se. Não uma, nem duas, mas por três vezes travou a Guerra do Bacalhau, fazendo frente ao nosso velho aliado, vencendo sempre, mesmo quando aos britânicos se juntaram belgas e alemães. Nada ficou em águas de bacalhau, o que significa que connosco tem apenas uma afinidade, o apreço ao fiel amigo.
Perante tamanha tranquilidade, para exercer a minha sátira, sou forçado à travessia transatlântica. Recorro ao contraste. Os nossos irmãos brasileiros estão com o moral em baixo. Foram ontem eliminados da Copa América, prova congénere áquela onde hoje nos estreamos. Com a agravante de o golo que ditou a eliminação ter sido marcado com o braço. Como uma tragédia nunca vem só, a economia mantém a trajectória descendente e o panorama político continua negro. Qualquer ditadura parece inclusiva por comparação. Como grandes importadores da ficção brasileira, não conseguimos imaginar a realidade que por lá se vive. Somos levados a crer que não há nada a Temer…
Isto está lento, está!
Decididamente, o nosso sistema educativo, público ou privado, necessita de ser revisto e repensado com urgência. É decisivo que o façamos, sob pena de arcarmos com consequências bem mais penosas que as mais recentes e virais polémicas. Bem sei que a tragicomédia é um dos pilares da lusitanidade, mas julgo que o humor negro se quer mais ágil, muito rápido e instantâneo, senão perde-se o gáudio. Haja pelo menos um prazo de validade! Bem sei, e concordo, que quem não se sente não é filho de boa gente, mas quiçá haverá algo mais além do óbvio. Talvez um contexto próprio. Será? Averiguemos com o rigor que o momento e a circunstância exigem. Vamos aos factos.
Passados apenas meia dúzia de anos, uma inaudita entrevista do líder sindical dos roqueiros a um canal de paródia televisiva, despertou uma intempestiva reacção. Não há disco de platina que o proteja, nem longevidade de carreira que o salvaguarde. Nem pensar! O artista que outrora despudoradamente se despiu para ilustrar uma das suas múltiplas obras, está hoje no centro do maior problema inter-regional das últimas décadas. Não haverá nem apelo nem agravo. Já nos bastam os tópicos em fila de espera, tudo aquilo que aguarda processamento colectivo, sejam eles portáteis para as criancinhas ou gorduras do estado. São tantas as prometedoras soluções cujo fracasso tarda em gerar reacções. Curiosa assimetria esta, entre orgulho local e mentira nacional.
Avancemos para a conclusão. Vamos às culpas! Não sei se os supracitados fenómenos sociais são resultantes de compreensão lenta ou de memória curta generalizadas, mas não hesito em responsabilizar o sistema de ensino pelo categórico falhanço – A população não está preparada para este nível de exigência cognitiva. Nem com cábulas vamos além da graçola simples e brejeira sobre a alegada preguiça alentejana. Regionalização pois então… Ou talvez não!
Bovinos Alados
A Nação comemora hoje o seu octingentésimo trigésimo sétimo aniversário, graça da bula “Manifestis Probatum” e de quem a outorgou, o Papa Alexandre III. Parabéns a nós, os portugueses, pitorescos habitantes do Sudoeste Europeu. A festa será rija, especialmente agora que já não há impossíveis! Entre nós, até as vacas tem asas! Eis o símbolo da mudança, do optimismo crónico e por vezes irritante. Na verdade já todos sabíamos que muitas eram sagradas, mas que afinal têm asas é algo absolutamente novo. A tantos outros predicados e virtudes para a atrair turistas, juntam-se agora as maravilhosas imagens das manadas aladas, voando ao por do sol, quais gaivotas leiteiras. Afogar-se-ão ao amarar?
Sem Minotauros, Sereias ou Centauros a mitologia lusitana tem tido no Adamastor a sua personagem central. Ora a pretexto do défice, ora a pretexto dos mercados, é diariamente recordado! O desastre que sempre espreita, a inevitável consequência da soberania hipotecada à obra feita para inglês ver e português votar. Tanto betão, tanto alcatrão que hoje aguarda por utilizador-pagador que lhe dê propósito.
Entre nós basta apresentar uma causa para que todo o efeito se justifique. Assim foi, assim é, manda quem pode, obedece quem deve, pois claro! E a coragem de outrora? A motivação, o ânimo, por onde andam? Adormecidos pelo quotidiano, adiados entre prestações das coisas, úteis ou supérfluas que comprámos. Cada qual no seu bote, ruma ao Cabo das Tormentas, encolhe os ombros e pensa: Paciência, para o mês que vem é que vai ser. Por vezes é…
André Lava o Jato
No Brasil o calor continua… mas ainda que soprem ventos quentes Portugal continua pouco animado pelo escaldão brasileiro. Eles gritam, eles sambam, eles rezam, mas eles acima de tudo gamam.
E por falar em Gamar, verbo político também desta nossa nação, sopra o vento quente brasileiro ao PSD de que o director das campanhas de marketing esteja envolvido no Lava Jato.
Não é a primeira vez que o Lava Jato lança uns jatos para Portugal. Foram identificados subornos na construção da barragem Baixo Sabor em Bragança num total de 750 mil euros (coisa pouca numa barragem orçamentada em 680 Milhões) construída em parceira entre o Grupo Lena e a Odebrecht e aprovada pelo nosso Marquês Sócrates.
Marquês Sócrates nega, diz que a Barragem Baixo Sabor não está no sabor do Plano Nacional de Barragens e culpa Durão Barroso pelo Baixo Sabor.
Na Barragem, cujo sabor ascendeu a 680 Milhões, a EDP orgulha-se de já ter investido 10 Milhões e de vir a investir nos 75 anos da concessão mais 60 Milhões, ou seja 933 mil euros por ano, possivelmente em investimento de substituição.
Mas agora o visado é o Director de campanha do PSD, cujo irmão já foi detido para prestar declarações no Brasil, e que agora tem o nome nos jornais: André Lava o Jato. De assinalar que se trata de um vencedor, director das campanhas do PSD desde 2011, conseguiu 2 vitórias para Passos Coelho. É verdade que a vitória do Portugal à Frente foi vencido no parlamento pela Maioria de Esquerda, mas não se pode exigir tudo, afinal o brasileiro André Lava o Jato ainda não é deputado português. Será de Passos Coelho ponderar isso, porque a sua atitude de vitima não o está a ajudar! Mas André Lava o Jato, publicitário, vai continuar a aconselhar Passos Coelho sobre a estratégica política e de comunicação. Mais do que nunca, Passos e o PSD precisam de lavar os jatos esquerdistas desta nação, entregue a um governo bolchevique, apoiado na esquerda radical e nos terroristas dos sindicatos.
É no entanto imprudente avançar com acusações ou sequer investigações. Aquilo no Brasil ferve e os papeis do Panamá incomodam algumas pessoas, e esta coisa de se estar sempre falar em dinheiro e corrupção e principalmente investigar sobre ela tornou-se na União Europeia uma coisa que pode sair cara e até pode dar prisão.
Fichas Novas
O grande Casino Europeu está finalmente a criar novas fichas de jogo. A delegação germânica inovou, criou uma nova ficha e deu-lhe um nome. Chamar-se-á “Planeta Terra“. Terá o valor facial de 5 Euros, mas além das ligas metálicas habituais, adicionou plástico azul! Sim, um bonito plástico azul que simboliza a atmosfera. Quanto custa? Bem, um pouco mais de 15 euros. Vale 5 mas custa 15? Afirmativo, serão mais de 22,5 milhões de receita, mas apenas 7,5 milhões em fichas a circular no salão do casino. Então e a inflação? Adiante… Seguir-se-á uma edição especial para coleccionadores, de igual valor facial, mas (apenas) 5 vezes mais cara. Nos Casinos, ganha sempre a casa.
Salvaguardada a devida distância e regra de proporcionalidade, a delegação portuguesa do grande Casino Europeu vai também proceder à cunhagem de novas fichas. Motivo? O Planeta? Não, a participação portuguesa nos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro. Duas emissões comemorativas. Uma para circular no Salão do Casino, como corrente comemorativa e a outra especial de corrida, apenas para coleccionadores. Olhando para elas fico baralhado. A primeira vale o que custa, é ficha corrente e terá o valor facial de 2 euros. A segunda custa 4 euros, é especial de corrida, artigo de colecção que terá um valor facial insólito, 2,5 Euros. Uma inspirada no Coração de Viana do Castelo, bem bonita por sinal, mas a outra nem por isso. Na verdade é bem feia e vulgar. À inspiração em filigrana opõem-se a inspiração na ordenha. Estranhei, na minha ignorância pensei que a preferência dos coleccionadores fosse pelo requinte…
Plástico de Cidadania
Fez ontem 30 anos que faleceu em Paris a escritora Simone de Beauvoir. Por cá, em Lisboa, o partido que se diz inteiro e em bloco, tentou homenagear a prestigiada intelectual, activista política e feminista convicta, mas não conseguiu. Acto falhado. Teria sido bonito, mas fracassou. Não foi uma questão de forma, correcta aliás, foi mesmo o conteúdo. Alguém anda com falta de ideias para temas fracturantes. A proposta é de tal forma oca que muitos duvidaram da sua autenticidade. Os outros, aqueles que acreditaram ser real e verdadeira, choraram. Comoção? Não, gargalhada.
Mas rir faz mal? Negativo! É até muito salutar! Faz bem, especialmente em dias cinzentos e chuvosos. Contudo, o progresso social é sobretudo um processo geracional, nada tem de instantâneo, nem mesmo juntando muita água. Há reivindicações que se tornam absurdas, por vezes ultrapassadas pelos próprios acontecimentos e hábitos. Afogam-se no idealismo. A Lei dos Piropos é disto bom exemplo, não por serem agradáveis, mas simplesmente porque estão em desuso. Nós, os jovens na quinta década de vida, não praticamos o lançamento do piropo. Sem a sua proibição, a nossa descendência nem saberia o que foi essa arte de outrora, entre o elegante elogio e a boçalidade. O pretenso simbolismo falha por falta de quem o contemple.
A proposta de ontem padece do mesmo tipo de excesso de sofisticação progressista, mas têm o seu mérito linguístico. Aponta o problema de género e apresenta uma solução. Porém, preciosismo por preciosismo, pois que o rigor seja imaculado. O documento em causa não é de cartão, é de plástico. Proceda-se em conformidade.
Yabba-Dabba-Do
Os pré-históricos Flintstones foram hoje à periferia da capital lusitana, mais concretamente à cidade da Amadora, inaugurar a nova estação de metropolitano da Reboleira. Vieram no seu automóvel, a conhecida Geringonça de tracção pedonal pelos ocupantes, veículo ecoeficiente e 100% reciclável. Salvem o planeta, reciclem! Nunca é cedo demais para mudar o que está mal, o que está errado. Culturalmente estamos conversados, o desporto vai pelo mesmo caminho e na defesa a coisa está negra, mas adiante que nem Willian Hanna nem Joseph Barbera tiveram imaginação que chegue para isto. Ninguém ousaria a tanto em tão pouco tempo. Avancemos que a agenda está cheia.
O evento correu bem, os convidados compareceram, os protagonistas também. Houve discursos e bons concelhos, animação em geral e muita alegria em particular. Como se quer. Todos os bancos eram bons, excepto para quem viajou de pé. Ora, foi disto que nos falou Fred. Avisou. Eis chegado o momento de mudar, de transformar principescos hábitos em altruístas virtudes. Mais do que não abastecer em Espanha, mais do que não poluir, é saúde. Isso! Fred a Pé anunciou a imediata extinção dos nefastos automóveis das cidades nacionais.
Andar a pé faz bem, eu cá pratico e gosto, mas será que todos podem? Quantos moram perto do trabalho? Não muitos, não é verdade? Esta ideia de a todos enfiar no Metro é coisa de quem nele não passeia há muito. Com a euforia do dia confundiu a abertura de mais uma estação com uma verdadeira rede de transportes públicos, que na realidade não temos.

Incrível Hulk
Fruto da criatividade da dupla Stan Lee e Jack Kirby, a personagem de hoje destaca-se das demais criações dos mesmos autores pela fonte da inspiração, algo inédito e totalmente inovador: uma poderosa e explosiva mistura de dois livros, os famosos “Frankenstein” e “O Estranho Caso de Dr. Jekyll e Sr. Hyde”, da autoria de Mary Wollstonecraft Shelley e Robert Louis Stevenson respectivamente.
Esteve para ser cinzento, mas ditou o acaso que fosse verde, numa tonalidade imprevista pelos seus criadores mas que se impôs até hoje. Começou por ser noctívago, transformando-se apenas a coberto da noite, qual lobisomem ou transformista. Não tem penas, nem voa, mas quis o destino que abandonasse esta faceta mais recatada, dando asas ao seu lado selvagem, libertando-o para um quotidiano sem restrições ao mau feitio, revelando-se a qualquer hora do dia ou da noite. Eis como um pacato e tranquilo João Soares se transforma num temível e terrível monstro quando se irrita. Vira bicho! É esta a descrição mais sucinta deste herói da banda desenhada, ele próprio um clássico do cinema, o incrível Hulk, a outra faceta, consequência da exposição a raios gama na moleirinha, redes sociais à mistura e pronto, é quanto baste para que o super-herói da Marvel ameace os seus críticos.
Tanto que poderíamos dizer, tão pouco tempo (e espaço!) para o fazer, de filho pródigo a sobrevivente a desastre aéreo, de autarca a comentador, hoje ministro, um trajecto e pêras. Há quem diga diamantes, mas cuidado, não vá o matulão se enervar….
Lesados dos Offshore
O mundo mediático está ao rubro com a investigação jornalística aos documentos de uma sociedade de advogados no Panamá. A ansiedade é grande. Aguardamos por nomes, queremos sangue. Por enquanto, apenas um compatriota, um sexagenário que inspirado pelas pedras parideiras do concelho vizinho ao seu, vendeu à petrolífera brasileira um poço vazio. Só na Rússia o compreenderão, talvez por isso a personalidade que abre todos os noticiários, muito embora o seu nome não surja em nenhum documento, é do actual Czar. Parece que a afinidade basta. Acho bem, também por lá existem pedras parideiras.
Mais não temos, não nos dizem. Investigam, dizem, com grande rigor. Parece que afinal a livre circulação de capitais pode não ser a mais perfeita das invenções. Será a isto que eles chamam auto-regulação? Seja o que for, acontece. Falam em branqueamento de capitais, mas eu discordo. Para mim é escurecimento de capitais. Os lesados? Somos nós que resgatamos os bancos, bancos esses que concedem empréstimos sem garantias e que dão esses valores como perdidos. Há também quem lhes chame activos tóxicos.
Enfim, todo um mundo de subtis e sofisticados eufemismos, que apenas encobrem algo de muito simples: roubo. No fundo, já todos o sabíamos. Há contudo mais para além do óbvio. As denúncias nunca servem o interesse geral nem a justiça. Servem, isso sim, causas concretas. Será este sector do Offshore muito concorrencial? Compreendo que o mercado publicitário lhes esteja vedado, e que talvez por isso denegrir a oferta concorrente seja a estratégia do dia. Afinal, sem segredo, não há negócio.










