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Quo Vadis
O nosso “Nero Cláudio César Augusto Germânico” ateou fogo à “pacificamente revoltada” sociedade portuguesa. Pretende arrasar a economia. Não por inspiração artística, mas por uma espectral crença em modelos e dogmas. Das cinzas erguer-se-ão pujantes e competitivas empresas de exportação. Essa reconstrução não será financiada pela cunhagem de moedas “ajustadas“. Nero, enganou o povo de Roma. Desvalorizou a moeda. Gaspar não fará uso do mesmo expediente. A Alemanha não deixa. Não será a porção de ouro que será reduzida à função de revestimento da moeda. Nem pensar. Gaspar não engana o povo, desvaloriza-o, mas mantêm o valor da moeda intacto. “Terra queimada” é estratégia útil a quem não quer pagar, não a quem diz querer. Resultou quando o corso Bonaparte tentou invadir a vasta Rússia, e voltou a servir bem o Grande Urso aquando da operação Barbarossa. No nosso caso é contraditório. Pagar é objectivo ou desculpa?
Nero massacrou assistências com as suas prestações artísticas, desprovidas de sentido do ridículo, ignorando que não detinha um pingo de aptidão artística. Gaspar brinda-nos com a sua excelente dicção, adequada a tradutores simultâneos ou intérpretes de linguagem gestual, mas profundamente desgastante para quem não desiste e assiste. Lamento que por vezes se esqueça do rigor técnico que o caracteriza, como quando aborda as “poupanças nas PPP”. Ignora a relação entre o relevante valor que anuncia e o prazo a que se refere a poupança. A aptidão artística é manifestamente fraca.
A sacrossanta Troika avaliou. O Governo garantiu o seu álibi por mais um ano, graças à “benevolente” extensão do prazo. O primeiro memorando não foi negociado em função das necessidades, mas sim em função das eleições Alemãs, em 2013, numa típica e tristemente frequente estratégia de “empurrar com a barriga“, tentando a sorte de uma eventual (ainda que pouco provável) mudança de fundo na Europa. Abdicar da nossa soberania por mais um ano em troca de nada, absolutamente nada, não resolve a falta de liquidez e garante o rumo do ajustamento incendiário e liquidatário. O actual Governo diz ter conseguido novas metas? Mas quais metas? Aquelas que os Gregos nunca cumpriram mas que nunca os privaram de receber o dinheiro da “ajuda”? Porquê? Porque o dito dinheiro visa respeitar as maturidades dos títulos de divida detidos pela banca (sobretudo Alemã e Francesa), e dessa forma tranquilizar os mercados. Mas como, se os mercados sabem que não há dinheiro no mundo que pague as imparidades do sistema financeiro? É esse conhecimento que explica a “histeria” nos mercados.
Perto do seu fim, Nero disse “Que artista falece comigo!” Que dirá Gaspar?
VCCNM
Teimam em continuar na ordem do dia os “não assuntos”, com cursos á moda do Speedy Gonzalez, e um punhado de duas dúzias de mãos de” não pessoas” ao estilo do tio Patinhas, a conseguir “não cargos” que permitem amealhar “não fortunas”.
Submarinos que quando submergem, afundam apenas uns, permitindo ao mesmo tempo a cómoda flutuabilidade de outros, equilibrando-se em cima do periscópio almejando certamente horizontes longínquos, ao mesmo tempo que administradores da saúde leiloam viaturas e passam a custear eles próprios as suas comunicações.
Ilustres com provas dadas por esse mundo, fazendo futurologia, mais se assemelhando com recados encomendados para levantar poeira, provocando ao invés de remodelações governamentais, substituições ajeitadas em instituições.
Austeridade desmedida, cega, alvitrando o equilíbrio das contas que teimosamente continuam em manter-se desajustadas, contracenando com investimentos avultados, que vão ser necessários para os famosos corta fitas, mesmo que os por ora anunciadores de tais maravilhas, sejam depois apenas convidados de honra do detentor da tesoura á data.
As esperanças que algo mude e finalmente o rumo certo seja traçado, vão degenerando, devido a vivências perlongadas de um certo anarquismo generalizado e ao facto de cada vez mais nos considerarmos uns VCCNM (*)
Existe até tempo para um autarca ser chamado á casa da justiça, presente a um magistrado, para alegadamente informar se gosta ou não de popós, ou se é efectivamente um FdP, de Fora do Porto, bem entendido.
Voltando ás tradições antigas, relembrando a justiça de Fafe, o autarca se era porventura culpado de algo, teve já direito a julgamento sumário, com penitência executada quando lhe foi puxada uma orelha em público, rapidez na justiça a custos muito baixos, transito em julgado na hora, e
pena cumprida no momento. Isto sim é um caso fechado e não prescrito…
Os média, com a devida função que lhes vai no sangue de informar todos, de assuntos e não assuntos, lá vão nos conseguindo entorpecer as massas encefálicas, dando a estas questões o devido realce, como se o Tristiano fosse o impulsionador da exportação dos pastéis de Belém.
A imaginação está num período fértil por falta de melhores prespectivas, assuntos que só servem para mais umas conversas de café, ao estilo” foi o tio da irmã da outra…” ou eventualmente terá sido mesmo um FdP qualquer…
Mas nem tudo é mau, estamos em quarto lugar Mundial, sim em quarto, não me enganei, em infraestruturas rodoviárias, embora muitas delas vazias por causa das gaiolas taxadoras ou do preço dos combustíveis, acredite também que alcançamos quase o “top ten” das energias, telecomunicações e transportes.
Mas porque fazem relatórios com tantos países (144), chatice, assim ficamos a saber que o sistema judicial é altamente influenciável ao ponto de nos colocar quase no meio da tabela, e que os nossos governantes são dos que mais desperdiçam dinheiro, raios, podiam ser só 130 os países a ser escortinados e o resultado seria bem melhor…
(*) velhinho comó car… nesta merda.
Borda d’Alegoria
Ausentei-me por uns tempos. Caminhei pelo Alentejo e desliguei de tudo o que são notícias. Ao segundo dia já não havia crise. Havia o pulsar de um país à medida das possibilidades sem queixumes. Sem o mediatismo do zum-zum constante que ecoa no abismo infernal, do qual nos abeiramos, rapidamente olhamos para os acontecimentos locais simplesmente como modos de vida. Vive-se o que se pode, como se pode, sem pensar no que poderia ou poderá. Como a velhota de 80s que à porta da mercearia disse que ia ao velório do compadre, não me lembra o nome, para ver o compadre, que também não me lembra o nome, porque, pasme-se, achava que o homem não ia durar muito mais e para o ano já não estava entre nós. Mas como pode ela estar tão confiante que estará entre nós!?
Voltei para a cidade. Ouvi o circo mediático mas já imune à sua anestesia. Que se foda, pá. Se não morrer hei-de sobreviver de alguma forma até ter de matar quem de direito se preciso fôr. Caia lá esta merda toda para ver se é tão mau como predizem os que não souberam ler o passado para salvaguardar o presente.
E eis que no meio da contínua tempestade e desgraça social, política e económica vislumbro um vendedor do Borda d’Água que tentava vender o almanaque a um pai com uma filha pequena, que o ignorou, e para quem ficou a olhar enquanto dizia: “Se faz favor, posso-lhe fazer uma pergunta? Se faz favor…” Predispus-me à sua frente como cliente. Olhou para mim atónito. Não me abordou. Disse-lhe eu que queria um, por favor. Desconfiado passou-mo para a mão. Passei-lhe os 2 € sem que me dirigisse a palavra. Quando me inclinei para seguir o meu caminho ganha coragem e pergunta-me se não lhe posso arranjar um emprego. Fez-me sentir desajeitado por não ser um patrão… apesar de ser verdade, ao contrário de algumas vezes em que digo sem remorsos não ter moeda. Respondi-lhe que trabalhava por conta de outrem e não podia dar empregos, nem conhecia quem os estivesse a dar. Senti-me estúpido.
Refugiei-me no Borda d’Água e olhando para a capa diria que até aqui temos um Sr. Dr., como que a dizer que estudou muito, com sapiência divina para prever com exactidão todos os acontecimentos naturais, astronómicos e meteorológicos com influência sobre o nosso querido Portugal. (há 2013!)
Folheei-o e tem uma grande lacuna. Não fala nem uma única vez em relvas. Toda a gente sabe que Portugal tem o clima e condições apropriadas para a produção de relvas. Temos relvas específicas que se desenvolvem em terrenos onde se meta muita água e onde seja abundante o estrume e o lodo. Misturando-se esses elementos, num grande caldeirão, obtém-se a poção mágica que dá força e vigor a essas relvas. O pasto é imenso e pode sustentar muitos bois que a mantêm rente. Suficiente para se perceber que existe, insuficiente para estorvar as movimentações aleatórias e desorientadas dos líderes da manada. Depois de algum tempo de sustento os bois ficam bem nutridos e partem para os seus tachos respectivos. E as relvas crescem sem ninguém para as comer. Porque o meter água, o lodo e o estrume não param de jorrar. Chegando ao ponto em que passam o ponto de pasto e se tornam altas e vigorosas formando uma barreira viçosa e nebulosa. Nesse ponto quem dela cuidou já não se arrisca a cortá-las. Porque sabem perfeitamente que o que se esconde por debaixo será revelado se as relvas se forem.
Certamente que esta falha poderá ser corrigida nas próximas edições do almanaque. Já na contra-capa encontrei um texto que resumidamente diz que de 2013 não podemos esperar grandes melhoras. Excepto em duas linhas que nos relembram que a esperança deve sempre ser a última a morrer. Mais descansado no FDS, para descomprimir, fui cortar a relva.
O segredo dos canudos
Steve Jobs, Bill Gates, Mark Zuckerberg, Joe Berardo, Américo Amorim, Rui Nabeiro e muitos outros tornaram-se empresários de sucesso sem terem um canudo. Enveredaram no mundos dos negócios por uma aproximação de ‘mãos na massa’ sem ‘perder tempo’ a construir uma carreira académica que lhes garantisse um título e um certificado de habilitações e competência.
É próprio da mentalidade tuga perseguir o canudo só porque faz parte das etapas da vida.
Temos a mão de obra desempregada mais qualificada de sempre! Mas esta é história antiga…
Aspirantes a governantes a perseguirem canudos a todo custo deve-se por isso à necessidade de dar resposta a este respeito cego que nós Portugueses temos pelos Sr.s Dr.s da vida.
Um incompetente sem canudo é apontado como usurpador de um cargo que exige mais habilitações. Um beneficiado por favores ocultos que passou injustamente à frente de muitos outros com canudo. Pode ser posto em causa mesmo antes de cometer qualquer erro. Simplesmente por não ser um Sr. Dr.
Já um incompetente com canudo é um Sr. Dr. a quem a vida correu mal. Ele tem um canudo, ele sabe o que faz, só teve azar, coitado. É dar tempo ao tempo e a coisa compõe-se… Um canudo é sobretudo garantia de um maior tempo de vida e do benefício da dúvida.
Por isso temos Sr.s Dr.s altamente competentes como Vitor Constâncio, Alberto João Jardim, Dias Loureiro e muitos outros a quem são desculpados pequenos erros, omissões e falhas técnicas porque é garantido, pelas suas habilitações académicas, que apenas procuravam fazer o melhor possível e com o máximo de boa fé. (convido-vos desde já a deixar na zona dos comentários nomes de licenciados que, tal como estes, deram grande contributo ao país na nossa história recente)
E que dizer do altamente qualificado ministro das finanças que se anda a surpreender com a discrepância entre as estimativas e a realidade dos números? Se tivesse um canudo da farinha Amparo seria imediatamente mais um incompetente. Mas não. Ele é doutorado. Por isso pode dar-se ao luxo de não arrepiar caminho. De continuar com a política que tanto o está a surpreender. Entusiasmado executor/observador de um ensaio fascinante, num laboratório real chamado Portugal, que lhe dará matéria suficiente para no futuro escrever um livro fenomenal baseado na experiência adquirida.
Nós os Portugueses idolatramos canudos porque os vemos como anuladores de incompetência, motivo válido de isenção da responsabilização por actos lesivos tomados em processos de decisão complexos.
Sem canudo somos responsáveis pelas decisões tomadas porque derivam da nossa experiência e aprendizagem de vida. Se somos professores de nós próprios somos imputáveis!
Com canudo somos meros veículos das melhores práticas e metodologias lecionadas academicamente. Quem está errado são os ensinamentos aceites e difundidos globalmente e não a nossa avaliação e decisão a nível individual que foi castrada e despida de valores éticos e morais durante o prestigiante percurso académico.
Se não concordas com isto, achas que um curso apenas dá as bases necessárias a uma evolução profissional e não é garantia de posto nem de competência, é porque deves estar de calças na mão, no desemprego ou na vida activa empresarial, acabadinho de perceber que os subsídios de férias e de natal desapareceram de vez e para todos.
Tem mais ambição! Filia-te num partido e rapidamente terás este post como uma referência no manual de sobrevivência política. Encanuda-te antes que vás pelo cano!
Ou então deixa de avaliar competência em função dos canudos e títulos apresentados. Aviso que esta opção é bastante mais complicada. Está-nos nos sangue lusitano e suas caganças!
PS – consegui escrever isto sem mencionar os nomes de Miguel Relvas ou José Sócrates!
Inato Repúdio
As Guerras Púnicas foram travadas entre as cidades de Roma e de Cartago. A primeira, de 264 a 241ac, começou pela disputa da cidade e estreito sicilianos de Messina, confronto ao qual se seguiu a maior batalha naval da antiguidade, Ecnomus em 256ac. Os posteriores avanços e reveses ditados por tempestades obrigaram o Imperio Romano a construir grandes frotas, navios com os quais a cidade destronou Cartago como a maior potência naval do mediterrâneo. Após os combates no norte de África, o conflito regressa à Sicilia, pelo que o medo precipitou o senado a nomear o primeiro dictador Romano, Aulo Atílio Calatino. O desfecho da batalha das Ilhas Aegates ditou a vitória Romana.

A primeira Guerra Púnica teve custos elevadíssimos para as cidades beligerantes, arrasando ambas as economias. Os termos do armistício visaram a rápida recuperação económica de Roma, pelo que foram especialmente penalizadoras para Cartago. As indemnizações pagas a Roma foram de tal forma elevadas que a economia de Cartago não disponha dos recursos necessários. Tal ditou a necessidade de Cartago intensificar e endurecer a tomada de povoações na Hispânia, territórios aos quais extorquiu toda a riqueza com o fito de cumprir os termos da paz com Roma. Curiosas, ou talvez não, são as consequências desta austeridade. Tal como os termos do tratado de Versalhes no sec. XX ditaram a inevitabilidade da segunda guerra mundial, as condições impostas por Roma a Cartago, não só não evitaram novo conflito, como foram a causa da barbárie praticada contra os povos da península ibérica. As crises económicas não se resolvem, deslocam-se…
Inevitável que foi, a segunda guerra púnica deu a conhecer ao mundo um dos melhores estrategas militares de todos os tempos, o General Aníbal. A sua derrota, ofereceu grande prestígio a quem o venceu na Batalha de Zama em 202 ac, o general Romano Cipião Africano – o Velho. Este prestigio foi manchado pela suspeita de suborno por parte de quem acolheu Anibal após a derrota de Cartago, o rei Antíoco III Magno, descendente de Diádoco de Alexandre – o Grande e herdeiro do Império Seleuco. Indignado com a suspeita, Cipião exilou-se até ao final da vida na Hispânia, onde terá ditado o seu epitáfio “Minha pátria ingrata não terá meus ossos”.
A terceira e derradeira guerra púnica resultou do temor Romano, e do velado desejo do seu senado ver a cidade de Cartago arrasada. A missão foi atribuída ao neto adoptivo de Cipião Africano – O velho. Homónimo de seu avô, o general romano Cipião Africano – o Jovem, pôs fim à contenda em 146ac, ano em que sob o seu comando a legião Romana destruiu a cidade de Cartago.
Extinta a ameaça externa, o império Romano concentrou-se na gestão das suas províncias. Muitas batalhas foram travadas na Hispânia, do Ebro ao Douro. Os povos Celtas aí residentes, muitos deles migrados da Lusitânia, foram protagonistas de uma longa e dura luta contra o império Romano na Península Ibérica. Nomeado pelo senado e aclamado pelo povo de Roma, Cipião Africano – o Jovem foi o homem escolhido para “pacificar” definitivamente as províncias romanas. Decorreria uma década até concretizar este objectivo de ajustamento.
As oppidas (oppidum), povoações fortificadas da idade do ferro estiveram no centro da estratégia dos Celtibéricos na luta contra os Romanos. Entre elas, Numância destacou-se pela resistência a um prolongado cerco. Não por um desfecho vitorioso, mas sim pela lenda em torno da sua total e definitiva derrota. Reza a lenda que em 133 ac, a maioria dos habitantes de Numância cometeu suicídio, preferindo morrer livre a servir Roma como escravo. O vitorioso General Cipião Africano – O Jovem não colheu qualquer glória em Numância.
O romantismo da lenda esconde práticas tão decadentes como o canibalismo, mas relembra-nos da mais inata características dos povos ibéricos: Acolhemos todas as culturas, mas nunca nos subjugámos aos imperios!
Os cães, os gatos e os lares no Euro 2012 e na Crise
Desde finais de 2011 que várias ONGs relacionadas com a defesa dos direitos dos animais vêm alertando para o massacre de cães e gatos em território Ucraniano. Isso circulou sobretudo em blogs e nas redes sociais não tendo grande cobertura por parte dos media. Agora, uma vez consumado, vários media decidiram então abordar o assunto em tons de polémica.
O primeiro abafo foi o simples afastar do tempo de antena, este segundo abafo já é um abafo orgãnico. Falou-se disso intervalado com o frenesim à volta dos jogos do Euro. E como facto consumado. Não há nada a fazer a não ser condenar o que já está feito. Até dá a sensação de ter sido um mal necessário para se fazer a festa.
O governo Ucraniano optou por uma resolução rápida e ‘eficaz’ que passou por incentivar grupos de população a caçar e exterminar os animais (por exemplo os caçadores tiveram autorização para os abater a tiro). Tanto a população como os agentes desportivos envolvidos no evento do Euro 2012 pareceram viver bem com a solução, desde que tudo estivesse pronto para a festa em 2012. Nem jogadores, nem seleções, nem países se insurgiram veementemente contra estes métodos bárbaros de resolução de uma crise.
No seu conjunto Polónia e Ucrânia têm uma população de mais de 80 milhões de pessoas, sendo que esta última tem mais de 45 milhões de habitantes. Sendo conservadores podemos dividir este número por quatro e obtemos mais de 10 milhões de lares. Uma campanha alicerçada em vedetas internacionais a promover a adopção e esterilização de animais poderia ter salvo dezenas de milhares de vidas e sido muito mais positiva.
Estranhamente pode traçar-se uma analogia com o que se passou com a crise económica internacional.
Os primeiros sinais, de há anos atrás, foram afastados do tempo de antena. Sobraram uns loucos em blogs e redes sociais. Depois de consumada a desgraça deu-se então destaque a todos os erros do passado que levaram à calamidade actual. Tudo como consumado. Não há nada a fazer, para além de condenar. E agora para chegar à salvação há a política do sangramento. O crédito desenfreado é como a Ucrânia. Os endividados são como os cães e gatos que esta deixou crescer sem controlo durante anos e anos.

Agora há que injetar dinheiro em pontos nevralgicos e poupar dinheiro através de cortes violentos ASAP. Temos bancos, temos estados e temos pessoas. Estes dois primeiros fizeram parte do motor e da carruagem que nos trouxe até este fim de linha. As últimas eram simples passageiros que compraram bilhete com confiança e deslumbramento fabricados pelos media e marketeers que enfabulavam a segurança e maravilhas da viagem.
Resgatar bancos e estados é o que está a acontecer. Com todas as repercussões conhecidas para as pessoas. Aumento de desemprego, pobreza, menor apoio social, suicidios. Os milhões entram e tapam os buracos de bancos e estados. Mas ninguém tapa os buracos das famílias. Que foram também escavados em tríade.
Uma estranha solução alternativa? Que tal injetar o dinheiro diretamente nas famílias? O dinheiro entraria pelas famílias saldando indiretamente a dívida aos bancos. Os bancos receberiam os mesmos milhares de milhões de euros mas a famílias teriam as suas dívidas saldadas. Seria um completo reset ao sistema financeiro. O fim dos actuais créditos em vigência. Ninguém perderia casas mesmo perdendo o emprego e apoio social. E aqueles que mantivessem o emprego teriam dinheiro extra suficiente para dinamizar o consumo. E com isso dinamizar o emprego. Esta seria uma terapia de choque mas aplicada diretamente nas fábricas de ninhadas. Os cães e gatos esses teriam todos o lar assegurado.
Mas esta é apenas a ideia de mais um louco num blog mentecapto.
Seguindo a lógica actual de resolução de problemas diria que uma solução certa para a fome contínua em alguns países africanos seria simplesmente exterminar essas populações. Sairia barato e seria relativamente rápido. Mas há focos de esperança. Há políticos que estão preocupados com o que se passa em África. Que apenas não injetaram no passado milhões suficientes, a fundo perdido, na ajuda em África porque têm um dedo mindinho que adivinhava que em breve seriam necessárias centenas de milhares de milhões de euros a juros simpáticos para salvar bancos e estados europeus de uma teia especulativa por eles tolerada. Mas os juros suportam-se bem porque em união todos os liquidaremos através do pagamento suado dos nossos justos impostos.
E uma solução certa para diminuir a diferença entre realidades de 1º e 3º Mundo é seguramente fazer crescer a fatia de países a viver em 2º Mundo. Imagino que este exista apesar de nunca ter visto uma citação sobre si. E quando não falam sobre ele nos media normalmente é porque é muito mau ou muito bom. Sou optimista. Creio que é bom. Vamos?
Dupond e Dupont

Fez hoje exactamente um mês que Dupond e Dupont dividiram tarefas. Conciliaram valores antagônicos e cumpriram as suas obrigações morais na íntegra. Dupond foi à luta. Dupont foi às compras. Com a preciosa ajuda da média, o país dividiu-se. Condenou e Apoiou. Suprema ironia, Dupond e Dupont estiveram de acordo. Diria mesmo mais, não desconcordaram.
Foram nitidamente ajudados pela experiência adquirida no deserto há muitos anos atrás. Compreenderam que tal como eles à época, os Portugueses seguem hoje as próprias pegadas para encontrar a saída do deserto de esperança em que se encontram. Como sempre, os Policiais de Hergé descortinaram o óbvio. Já o Português não. Precipita-se, pois não quer perder a oportunidade de criticar o seu concidadão. É estrutural! Nunca a Nação sofreu de qualquer défice de culpados ou juízos morais ao próximo. Não sou excepção, pelo que há data classifiquei a dicotomia do “dia do trabalhador” vs “dia do consumo” como decadente. Dignificante, por certo que não foi, mas o principal alarme de decadência não suou.
O alvo do Pingo Doce mudou, porque o consumo mudou. Até aqui visava a classe media urbana, procurando diferenciação clara do seu concorrente directo, o benemérito “Continente”, posicionando-se um degrau acima na escada social. Contudo, a contracção do consumo neste segmento socioeconómico é muito significativo. Muito mais do que o desejado por sindicatos e confederações patronais. Quem tem maior poder de compra, ajusta os seus hábitos de consumo com relativa facilidade. A maior abundância de supérfluo no cabaz típico, facilita uma rápida redução do custo. É simples, compram-se menos (a nenhuns) pacotes bolachas ou refrigerantes. O Pingo Doce desceu um degrau.
É este o alarme que não se ouviu nos locais que o país elege para os debates decisivos (por vezes importantes), i.e., as esplanadas e os cafés. Apaixonamo-nos por polémicas, mas abstemo-nos nas decisões. Fazemos de Dupond e Dupont verdadeiros génios, brilhantes na análise e eficazes na acção. Nem Hergé o imaginou possível, destinados que estavam ao papel de palermas…
Ser Europeu porque quero e não porque preciso
Um-dó-li-tá, a Grécia fica, a Grécia sai, Portugal logo se vê e quem fica ficará!
Por agora ninguém sabe muito bem e são tão corriqueiras as notícias contraditórias que ninguém quer saber. Que será, será. O projeto europeu era tão sólido que nem se lembraram de criar um guião para o abandono, ou mais concretamente para a expulsão, de um estado membro. O que acontece se um país sair da União Europeia? Nesse país, na União e nas relações entre ambos?
Aparentemente está tudo borrado. Um dos principais medos é a transição de moeda que provocará um impacto no país ‘desertor’ que ninguém consegue medir. O problema põe-se sobretudo a nível das exportações e importações. Se a moeda nacional fôr muito fraca em relação ao Euro o país não conseguirá manter o seu nível de importações actual. Se fôr muito forte os ainda estados membros não poderão manter o nível de importações de produtos fornecidos por ele. A curto-prazo será impossível dar resposta às necessárias transformações no export/import, a não ser que seja um cenário já previamente trabalhado em background. Para além da total reformulação da balança de importações e exportações haveria ainda a questão da gestão da dívida que não desapareceria como que por magia. Seria até mais complicado pois deixaria de haver tanto poder de influência política e de regime.
Este problema coloca-se sobretudo porque a União Europeia está alicerçada numa rede de interdependências em que vários países ‘destruiram’, a troco de subsídios, grande parte dos seus meios de produção em sectores de actividade específicos. Houve uma especialização e/ou quotização da produção nos vários estados membro para tentar criar uma economia fluída em que a necessidade e procura entre membros se complementasse. Mais do que as condições naturais locais era importante o cenário global para desenhar uma sustentabilidade mesmo que com medidas artificiais como subsídios de desincentivo à produção.
Agora, à beira da desagregação, há países em grande embrulhada porque a perspectiva de saída da União Europeia coloca-os numa posição de dependência externa de sectores basilares como a indústria e a produção alimentar. Se a torneira dos subsídios fechar perderam-se décadas de actividade. Máquinas, terras e população activa estão enferrujadas em muitos sectores precisando de anos para voltar a embalar. Num cenário de saída de um país ‘enfraquecido’ da União Europeia rapidamente as prateleiras dos supermercados ficariam vazias e com o motor da fome veríamos espectáculos como o da promoção dos 50% do Pingo Doce a acontecer nas despensas mais próxima.
Não me sinto confortável na coação para ser Europeu apenas porque o sistema está montado de forma a que se não o fôr terei de ser apenas um miserável e faminto Português. Cada país, cada região, cada localidade, deveria ter ao menos a capacidade de produção de alimentos que os tornassem relativamente independentes ao nível alimentar. Desta forma a política seria mais ideológica do que propriamente de subsistência como está a ocorrer hoje. E produzir é empregar.
Todas as projeções de futuro apontam para o continuar do aumento dos preços dos alimentos o que representa um esforço cada vez maior para garantir os níveis de importação actuais. Se há coisa com que não se deve brincar é com comida. E aparentemente há algo a assustar o governo ao ponto de querer apressadamente recuperar as profissões pertencentes aos sectores primários da economia e o amanhar das terras.
Será a temível porta aberta com uma luz ao fundo do túnel que diz EXIT?
Guardar o cachecol, pegar na bandeira!
Numa altura em que os nossos líderes deveriam estar centrados no todo e não nas partes, continuam as guerrilhas de cachecóis, alimentando diariamente as disputas de forças políticas e de interesses, assemelhando-se a um eterno confronto clubístico.
O verdadeiro interesse Nacional parece que á muito deixou de fazer parte das cartilhas governativas, propiciando slogans publicitários, certamente pouco abonatórios mas, verdadeiros.
Ávidos nos cortes dos rendimentos de muitos, mas lentos no encolhimento na despesa, condicionados maioritariamente por “lobbies” instalados e necessidades partidárias a que todos querem ter acesso para saberem se estão no lado certo, permitindo um compasso de espera para o qual não existem condições.
Aparentemente movidos por uma panóplia de interesses, procurando a manutenção de poderes cada vez mais fragilizados, arremessando constantemente acusações desmedidas, perdendo tempo precioso com coisas fúteis, que apenas servem para atrasar decisões que deveriam ser urgentes.
Instâncias superiores suspensas, á espera de nomes ilustres que lhes deem confiança de obediência, para garantir uma Constituição á muito torpedeada, informações privilegiadas trocadas por cadeiras, ou cadeiras simplesmente trocadas, para dar assento a quem possui informações eventualmente comprometedoras ou estratégicas.
Comissões de inquérito que se querem sobrepor aos tribunais, tendo honras de aberturas de telejornais, para que depois fique mais ou menos provado isto e aquilo, sem seguimento prático, mas com muito tempo de antena garantido.
Documentos que ficam esquecidos, fragilizando e fomentando atritos desnecessários mas sempre oportunos á inquietação da salutar convivência, alvitrando comentários e pressões.
Inércia que deixa cair processos, mantendo para todo o sempre, a suspeita de corrupção sobre cidadãos que podem até não ser culpados, contrastando com a celeridade na condenação de situações de ocupações ilegais.
Uma panóplia de acontecimentos tornados mediáticos, alguns com a única finalidade de desviar as atenções do realmente importante.
Consequência certa de uma liderança fragmentada, estamos como que “pendurados”, quando deveríamos andar na alta velocidade para o crescimento e reposição de fundos alienados desmesuradamente por anteriores mandatários, que nunca serão verdadeiramente responsabilizados.
Tempos que fazem vir á memória o último líder que passou por estas ocidentais praias Lusitanas, que mesmo não sendo filho do reino, conseguiu com membros de vários quadrantes enfeitar Portugal com bandeiras e fazer esquecer temporariamente os bairrismos clubísticos em prol de uma única figura, a Nação.
Parece não se ter percebido ainda, que o que é preciso é hastear a Bandeira, com a ajuda de todos sem excepção, agarrar a corda para que ela alcance uma altitude tal que ninguém lhe possa tocar, provocando um olhar altivo, inabalável.
A época é de ventos cruzados vindos de outras paragens, águas turvas e revoltas mas se até o cabo das tormentas conseguimos transpor, porque não se consegue agora, mesmo que evocando novamente os audazes, colocar a mão firme no leme e remar todos juntos, mesmo contra a força das marés.
É tempo para cada uma das partes guarde na gaveta o cachecol para épocas futuras, quando houver condições para jogar novamente na primeira liga, até lá devemos fazer o que já vimos e soubemos alcançar como ninguém, noutras competições…
Olhar num só sentido!
Como sermos superiores na educação superior?
De há uns bons anos para cá o ingresso num estabelecimento público de ensino superior obriga ao pagamento de uma propina de valor variável. Em 2011 variou entre 630 € e 999 €. Não há isenções. Com um pouco de sorte podem ser atribuídas bolsas de estudo que no passado ajudavam ao pagamento de despesas de alimentação, alojamento e material de estudo mas que agora servem para ajudar no pagamento da propina.
Não é preciso pensar muito no assunto, apesar das recentes notícias de aumento de abandonos tanto em privadas como em públicas ajudarem a fazê-lo, para perceber que o acesso à educação superior está a tornar-se progressivamente inacessível em função de classe social e capacidade financeira em detrimento do mérito. O combate ao fator cunha, ao favorecimento, à displicência não se fará certamente com este tipo de limitação na raiz da preparação dos cidadãos que vão exercer vida ativa nos cargos mais ‘altos’ da vida ativa no mercado de trabalho nacional.
Com o sistema atual famílias sem posses são forçadas a decidir se trabalham para educar o(s) filho(s), gastando a totalidade ou parte considerável dos seus subsídios de férias e de Natal caso ainda subsistam, se contraiem crédito para suportar a educação ou se simplesmente assumem a sua incapacidade em comportar as despesas. Num país em que a educação é tendencialmente gratuita esperaria-se pelo menos que o valor mínimo de propina fosse um simbólico zero.
As despesas são enormes mas o impacto na sociedade do que se passa a este nível são também críticas. No cenário atual o músculo financeiro esmaga os pobres cérebros. Não existem oportunidades iguais. Escava-se ainda mais o fosso social entre classes. Será que não seria mais benéfico para o país perder algum dinheiro e formar melhores profissionais do que manter um equilibrio orçamental precário à custa de desperdício de potencial de recursos humanos?
Algumas ideias de como trazer mais justiça e também financiamento ao sistema de ensino superior público :
- Pagamento de propinas apenas exigido caso aluno não atinja níveis de desempenho aceitáveis. Ou seja só existe desperdício no investimento em educação nos casos em que os alunos não correspondem. Se o aluno tiver bons níveis de desempenho beneficia da regalia de isenção de propina. Forçaria desta forma um empenho contínuo dos alunos e um sentimento de recompensa por boa prestação. Em caso de chumbo um aluno só poderia inscrever-se no ano seguinte se pagasse a propina relativa ao ano findado/falhado. Na ocorrência de abandonos pelo menos teria sido dada uma oportunidade e feita uma prova de capacidade e mérito.
- Cobrança de taxa de propina nos salários dos recém-licenciados durante os X anos seguintes à licenciatura sempre que exerça funções / cargos a que só teve acesso graças à formação que recebeu. Voluntária ou forçada. O importante é deferir o pagamento que ocorre apenas nos casos de sucesso tanto do aluno como da adequação da licenciatura ao mercado de trabalho.
- Cobrança de taxas de recrutamento aos empregadores. Direta na contratação de recém-licenciados, com valor variável em função do valor demonstrado pelo aluno, ou indireta permitindo acesso privilegiado a CVs / Classificações dos alunos mediante ‘patrocínios’ às Universidades. A Universidade venderia o sucesso da sua formação aqueles que mais dele vão beneficiar no imediato.
- Patrocínio de Campus Universitário. Tal como vemos bancadas PT, Coca-cola, etc, poderíamos ver edifícios com nomes de marcas em vez de as vermos sobretudo associadas às festas universitárias.
- Trabalhos final curso incidirem sobre necessidades locais. Durante a sua formação os alunos iriam contribuir para a melhoria efetiva de aspectos da vida e sociedade do país. Há muitos projetos autárquicos e locais que não avançam por falta de verba e poderiam ser os alunos em final de curso os seus executantes desde que as necessidades fossem na sua área de formação. Não seria feito pagamento à Universidade mas existiria um retorno imediato da formação gratuita paga pelo estado.
- Venda de Serviços de Outsourcing. Já ocorre hoje sobretudo na área de investigação. Não me agrada muito a ideia pois acaba por roubar mercado a PMEs que o poderiam fazer dinamizando o emprego real.
Os maiores activos de uma Universidade são os seus alunos que infelizmente se estão a transformar num misto de clientes de um serviço e de fontes de rendimentos, garantias da sobrevivência da instituição de ensino. A Universidade deveria sobretudo trabalhar para formar recursos humanos de excelência que tragam valor às empresas e ao país. Privilegiando o mérito, esforço e capacidade no ingresso e leccionamento independentemente de classes sociais e capacidades financeiras.
Ao mesmo tempo todo o dinheiro que não seja gasto em propinas entraria na economia através de outras formas de consumo que incluem as despesas de alojamento, alimentação, transporte e materiais de estudo. E haveriam menos argumentos impeditivos de mobilidade na escolha da Universidade.
Ficaria mais esperançoso num futuro alicerçado na igualdade de oportunidades e na valorização do mérito mesmo que isso representasse despesa adicional no presente.










