Ser Europeu porque quero e não porque preciso

Um-dó-li-tá, a Grécia fica, a Grécia sai, Portugal logo se vê e quem fica ficará!

Por agora ninguém sabe muito bem e são tão corriqueiras as notícias contraditórias que ninguém quer saber. Que será, será. O projeto europeu era tão sólido que nem se lembraram de criar um guião para o abandono, ou mais concretamente para a expulsão, de um estado membro. O que acontece se um país sair da União Europeia? Nesse país, na União e nas relações entre ambos?

Aparentemente está tudo borrado. Um dos principais medos é a transição de moeda que provocará um impacto no país ‘desertor’ que ninguém consegue medir. O problema põe-se sobretudo a nível das exportações e importações. Se a moeda nacional fôr muito fraca em relação ao Euro o país não conseguirá manter o seu nível de importações actual. Se fôr muito forte os ainda estados membros não poderão manter o nível de importações de produtos fornecidos por ele. A curto-prazo será impossível dar resposta às necessárias transformações no export/import, a não ser que seja um cenário já previamente trabalhado em background. Para além da total reformulação da balança de importações e exportações haveria ainda a questão da gestão da dívida que não desapareceria como que por magia. Seria até mais complicado pois deixaria de haver tanto poder de influência política e de regime.

Este problema coloca-se sobretudo porque a União Europeia está alicerçada numa rede de interdependências em que vários países ‘destruiram’, a troco de subsídios, grande parte dos seus meios de produção em sectores de actividade específicos. Houve uma especialização e/ou quotização da produção nos vários estados membro para tentar criar uma economia fluída em que a necessidade e procura entre membros se complementasse. Mais do que as condições naturais locais era importante o cenário global para desenhar uma sustentabilidade mesmo que com medidas artificiais como subsídios de desincentivo à produção.

Agora, à beira da desagregação, há países em grande embrulhada porque a perspectiva de saída da União Europeia coloca-os numa posição de dependência externa de sectores basilares como a indústria e a produção alimentar. Se a torneira dos subsídios fechar perderam-se décadas de actividade. Máquinas, terras e população activa estão enferrujadas em muitos sectores precisando de anos para voltar a embalar. Num cenário de saída de um país ‘enfraquecido’ da União Europeia rapidamente as prateleiras dos supermercados ficariam vazias e com o motor da fome veríamos espectáculos como o da promoção dos 50% do Pingo Doce a acontecer nas despensas mais próxima.

Não me sinto confortável na coação para ser Europeu apenas porque o sistema está montado de forma a que se não o fôr terei de ser apenas um miserável e faminto Português. Cada país, cada região, cada localidade, deveria ter ao menos a capacidade de produção de alimentos que os tornassem relativamente independentes ao nível alimentar. Desta forma a política seria mais ideológica do que propriamente de subsistência como está a ocorrer hoje. E produzir é empregar.

Todas as projeções de futuro apontam para o continuar do aumento dos preços dos alimentos o que representa um esforço cada vez maior para garantir os níveis de importação actuais. Se há coisa com que não se deve brincar é com comida. E aparentemente há algo a assustar o governo ao ponto de querer apressadamente recuperar as profissões pertencentes aos sectores primários da economia e o amanhar das terras.

Será a temível porta aberta com uma luz ao fundo do túnel que diz EXIT?

Anúncios

About Nuno Faria

Nascido em 1977, vegetariano desde 1997 (por convicção própria), com licenciatura de Sistemas de Informação na Faculdade de Ciências de Lisboa em 1995-1999. Desde 2000 que estou envolvido em projectos de ambiente web, sites, portais e aplicações residentes em Intranets. Em 2003 integrei a equipa da Imoportal.com, hoje absorvida pela Caixatec - Tecnologias de Comunicação SA, onde dei o meu contributo para transformar um site com 30 a 40 mil visitas mensais numa rede de sites que atinge o milhão de visitas mensais. A Internet faz parte da minha vida profissional mas sou também um seu utente. E como tal interessam-me particularmente os mecanismos e dinâmicas capazes de aliciar, convencer e fidelizar visitantes. Preocupo-me em pensar, escrever e criar variados conteúdos que disponibilizo online, como forma de contribuição para o contínuo crescimento da web, não me limitando a ser apenas um seu consumidor.

Posted on Maio 23, 2012, in Ideias para o País, Teorias da Conspiração and tagged , , , , , . Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: