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O regresso do RUMPELSTILTSKIN
Insistentemente adormecidos pela fábula que nos iam contando, teimávamos em manter a conta com saldo positivo, pedindo cada vez mais palha a passando noites em claro até á exaustão. Acontece que o duende foi-se vangloriando e aos poucos desvendando o seu nome. O ignorante foi descoberto e… Caput! Zangou-se, desapareceu e não mais haveria a fértil prestidigitação.
Assim diz a fábula dos irmãos Grimm onde tudo se torna possível, transportando-nos para um conto de fadas, de gnomos, de duendes, enfim de magia. Mas só nelas funciona assim.
Eis se não quando, surge saltitante por entre a obscura floresta de gabinetes salvaguardo já por outros mestres em produzir ilusões o Rumpelstiltskin, informando vagarosamente para que todos percebam que não tendo voltado atrás, reconsiderou, afinal saberem o seu nome não tem assim grande importância, podendo dar-lhe até notoriedade.
Ironicamente, bem ao seu estilo desvendará como se tornará novamente possível, transformar mais palha em ouro.
Vivêssemos nós num conto de fadas e tudo seria diferente, infelizmente a realidade é outra, nem uma dúzia de duendes nos salvará devido á quantidade de palha necessária.
Por mais noites que as filhas casadoiras do reino passassem a fiar na sua companhia, não iriam conseguir o tão almejado matrimónio, pois deixou apenas de ser o rei a ter de ser sustentado. A emergente fidalguia está sedenta e nem todas as planícies douradas do nosso Alentejo juntas chagariam para satisfazer as suas necessidades.
O escoadouro do vil metal é de tal forma gigantesco que por mais que se inventem novas medidas extractivas, não serão alternativa por um único motivo, o cultivo.
A seara está a secar, fruto de insolações constantes e de um sistema de irrigação outrora de grande capacidade utilizado somente para encharcar restritos canteiros, substituído posteriormente por um inábil sistema de gotejamento.
Inteligentemente o mágico indica a alguns, cultivos mais agrestes ao estilo de Trás os Montes, adestrando os que teimam em não se “pirar” optando antes por manter a sobrevivência junto às suas raízes, ocultando porém que por lá existem zonas onde, “são nove meses de inverno e três de inferno”.
A cooptação involuntária certamente continuará mas como já elucidado noutra fábula, são precisas cautelas, não vá matar-se a galinha dos ovos de ouro.
Optimist
Julgando-se comandante de um Galeão da carreira das Índias, declama “Os Lusíadas“. As analogias náuticas que se seguiram à assustadora prova de sensibilidade e cultura, são igualmente mobilizadoras, plenas de emotividade e sonolência. Não encanta, nem navega. Estamos perante um petiz, um aprendiz de Optmist. Explica as crenças de Agosto, mas deixa-nos a dúvida se detêm carta de marinheiro. Não sabe onde fica o cabo das tormentas, mas repete à exaustão a mitológica ameaça do Adamastor. Não camba, clama vela cheia, por isso caça a grande. São as talas que lhe criam a ilusão, mas o aprendiz ignora. Emerso, abraçado à âncora da solução única afoga-se o tripulante, o contribuinte. Estamos sem patrão de alto-mar ou mesmo de costa, e mesmo assim rumamos ao oceano sem içar a âncora. Queimamos as amarras para que se calem os velhos do Restelo, enquanto o comando contínua a alijar a economia. Alguém lhe explique que o chicote é apenas a extremidade de um cabo!
O Fio que Desencanta
Sobre o fio aguarda a carcaça que pacientemente se fez abutre. Não caçou. Jogou pelo seguro e esperou. Lançada a flecha incendiária da TSU, manifestada a inabalável devoção indígena ao consumo, surge finalmente a oportunidade.
Enjeitam-se culpas no ninho governativo. Inegável prova de Patriotismo sem limites, abnegada disputa pelo papel de Vítima. Entre eles, quem perder, ganha. Os falcões liberais de outrora, modelam agora intenções. Não falam. Mandam Moedas dar a cara. Não há coroa. Provam agora o seu próprio remédio. Os abutres do pack4 serão as carcaças do próximo Orçamento de Estado. A conta será paga pelos índios. Continuaremos à mercê dos irmãos Dalton, pois claro. Do topo do poste que suporta o fio, Unlucky Cavaco Luke da Silva tem a palavra. Convoca ao saloon os bravos do Oeste. Especula-se sobre uma nova liderança de salvação nacional, na linha da ancestral metodologia dos “paninhos quentes“. “Nunca” avisa o novo abutre. Acrescenta: “tributaremos as PPP’s”. É para isso que ali está, no alto, sobre o fio. Alguns precipitam-se e exclamam: “Bravo!”. Há muito que entre os Peles Vermelhas se perdeu a arte de ler os sinais de fumo: A certeza de justiça nesta distribuição dos sacrifícios é infundada. O prometedor imposto extraordinário garante que nem uma virgula será alterada nos contratos. Reluz, mas não é ouro. Mais do mesmo, com o proveito de sempre: Nenhum.
Quo Vadis
O nosso “Nero Cláudio César Augusto Germânico” ateou fogo à “pacificamente revoltada” sociedade portuguesa. Pretende arrasar a economia. Não por inspiração artística, mas por uma espectral crença em modelos e dogmas. Das cinzas erguer-se-ão pujantes e competitivas empresas de exportação. Essa reconstrução não será financiada pela cunhagem de moedas “ajustadas“. Nero, enganou o povo de Roma. Desvalorizou a moeda. Gaspar não fará uso do mesmo expediente. A Alemanha não deixa. Não será a porção de ouro que será reduzida à função de revestimento da moeda. Nem pensar. Gaspar não engana o povo, desvaloriza-o, mas mantêm o valor da moeda intacto. “Terra queimada” é estratégia útil a quem não quer pagar, não a quem diz querer. Resultou quando o corso Bonaparte tentou invadir a vasta Rússia, e voltou a servir bem o Grande Urso aquando da operação Barbarossa. No nosso caso é contraditório. Pagar é objectivo ou desculpa?
Nero massacrou assistências com as suas prestações artísticas, desprovidas de sentido do ridículo, ignorando que não detinha um pingo de aptidão artística. Gaspar brinda-nos com a sua excelente dicção, adequada a tradutores simultâneos ou intérpretes de linguagem gestual, mas profundamente desgastante para quem não desiste e assiste. Lamento que por vezes se esqueça do rigor técnico que o caracteriza, como quando aborda as “poupanças nas PPP”. Ignora a relação entre o relevante valor que anuncia e o prazo a que se refere a poupança. A aptidão artística é manifestamente fraca.
A sacrossanta Troika avaliou. O Governo garantiu o seu álibi por mais um ano, graças à “benevolente” extensão do prazo. O primeiro memorando não foi negociado em função das necessidades, mas sim em função das eleições Alemãs, em 2013, numa típica e tristemente frequente estratégia de “empurrar com a barriga“, tentando a sorte de uma eventual (ainda que pouco provável) mudança de fundo na Europa. Abdicar da nossa soberania por mais um ano em troca de nada, absolutamente nada, não resolve a falta de liquidez e garante o rumo do ajustamento incendiário e liquidatário. O actual Governo diz ter conseguido novas metas? Mas quais metas? Aquelas que os Gregos nunca cumpriram mas que nunca os privaram de receber o dinheiro da “ajuda”? Porquê? Porque o dito dinheiro visa respeitar as maturidades dos títulos de divida detidos pela banca (sobretudo Alemã e Francesa), e dessa forma tranquilizar os mercados. Mas como, se os mercados sabem que não há dinheiro no mundo que pague as imparidades do sistema financeiro? É esse conhecimento que explica a “histeria” nos mercados.
Perto do seu fim, Nero disse “Que artista falece comigo!” Que dirá Gaspar?
Até as putas como eu têm sentimentos
Serei o único a sentir-me uma puta gasta com as palavras chegadas da Madeira? Sinto-me como que explorado por um proxeneta que chula ao máximo os descontos do Continente, com esquemas que mais nenhum pelintra conseguiu magicar. Abala-me a realidade de que um pulha suficientemente criativo, que debocha daqueles que dão o cu e sete tostões para ajudar a cuidar e governar de uma parte do nosso território, aparentemente não possa ser derrubado e reduzido à insignificância de que nunca deveria ter saído. Nunca precisa de nós, excepto quando está a arder, ou quando lhe rebentam as águas, resultado do serviço mal feito, com culpa atribuída à bebedeira de noites passadas que a tantas más decisões levou.
É moço desinibido e prá frentex capaz de se deitar com quem mais conveniente lhe seja para a sua sobrevivência. Até tem um gostinho especial se a coisa se der à bruta.
E agora que se descobriu que a maçã dourada do Atlântico também vai um bocadinho para o podre, quer LIBERDADE! E com um simples referendo ter a legitimidade para o executar. Referendo onde os votantes seriam a mesma manada que habilmente conduziu durante décadas. Uma jogada segura. Mais um choradinho inconveniente para ver o que pinga.
Mas ao contrário do que brada aos céus, e aos mares, o Continente injetou muitos milhões naquele pequeno pedaço de terra. Grande parte dele escoado pelo buraco negro galáctico por si gerado. As tetas destas putas não deitam mais leite mas não penses que te vais com as jóias da coroa sem pagares o que deves. Sei que já são décadas de paraíso off-shore mas a mama acabou. E aqui para os lados do Continente estamos mortinhos para te devolver o amor e carinho com que nos brindaste todo este tempo.
O segredo dos canudos
Steve Jobs, Bill Gates, Mark Zuckerberg, Joe Berardo, Américo Amorim, Rui Nabeiro e muitos outros tornaram-se empresários de sucesso sem terem um canudo. Enveredaram no mundos dos negócios por uma aproximação de ‘mãos na massa’ sem ‘perder tempo’ a construir uma carreira académica que lhes garantisse um título e um certificado de habilitações e competência.
É próprio da mentalidade tuga perseguir o canudo só porque faz parte das etapas da vida.
Temos a mão de obra desempregada mais qualificada de sempre! Mas esta é história antiga…
Aspirantes a governantes a perseguirem canudos a todo custo deve-se por isso à necessidade de dar resposta a este respeito cego que nós Portugueses temos pelos Sr.s Dr.s da vida.
Um incompetente sem canudo é apontado como usurpador de um cargo que exige mais habilitações. Um beneficiado por favores ocultos que passou injustamente à frente de muitos outros com canudo. Pode ser posto em causa mesmo antes de cometer qualquer erro. Simplesmente por não ser um Sr. Dr.
Já um incompetente com canudo é um Sr. Dr. a quem a vida correu mal. Ele tem um canudo, ele sabe o que faz, só teve azar, coitado. É dar tempo ao tempo e a coisa compõe-se… Um canudo é sobretudo garantia de um maior tempo de vida e do benefício da dúvida.
Por isso temos Sr.s Dr.s altamente competentes como Vitor Constâncio, Alberto João Jardim, Dias Loureiro e muitos outros a quem são desculpados pequenos erros, omissões e falhas técnicas porque é garantido, pelas suas habilitações académicas, que apenas procuravam fazer o melhor possível e com o máximo de boa fé. (convido-vos desde já a deixar na zona dos comentários nomes de licenciados que, tal como estes, deram grande contributo ao país na nossa história recente)
E que dizer do altamente qualificado ministro das finanças que se anda a surpreender com a discrepância entre as estimativas e a realidade dos números? Se tivesse um canudo da farinha Amparo seria imediatamente mais um incompetente. Mas não. Ele é doutorado. Por isso pode dar-se ao luxo de não arrepiar caminho. De continuar com a política que tanto o está a surpreender. Entusiasmado executor/observador de um ensaio fascinante, num laboratório real chamado Portugal, que lhe dará matéria suficiente para no futuro escrever um livro fenomenal baseado na experiência adquirida.
Nós os Portugueses idolatramos canudos porque os vemos como anuladores de incompetência, motivo válido de isenção da responsabilização por actos lesivos tomados em processos de decisão complexos.
Sem canudo somos responsáveis pelas decisões tomadas porque derivam da nossa experiência e aprendizagem de vida. Se somos professores de nós próprios somos imputáveis!
Com canudo somos meros veículos das melhores práticas e metodologias lecionadas academicamente. Quem está errado são os ensinamentos aceites e difundidos globalmente e não a nossa avaliação e decisão a nível individual que foi castrada e despida de valores éticos e morais durante o prestigiante percurso académico.
Se não concordas com isto, achas que um curso apenas dá as bases necessárias a uma evolução profissional e não é garantia de posto nem de competência, é porque deves estar de calças na mão, no desemprego ou na vida activa empresarial, acabadinho de perceber que os subsídios de férias e de natal desapareceram de vez e para todos.
Tem mais ambição! Filia-te num partido e rapidamente terás este post como uma referência no manual de sobrevivência política. Encanuda-te antes que vás pelo cano!
Ou então deixa de avaliar competência em função dos canudos e títulos apresentados. Aviso que esta opção é bastante mais complicada. Está-nos nos sangue lusitano e suas caganças!
PS – consegui escrever isto sem mencionar os nomes de Miguel Relvas ou José Sócrates!
Dupond e Dupont

Fez hoje exactamente um mês que Dupond e Dupont dividiram tarefas. Conciliaram valores antagônicos e cumpriram as suas obrigações morais na íntegra. Dupond foi à luta. Dupont foi às compras. Com a preciosa ajuda da média, o país dividiu-se. Condenou e Apoiou. Suprema ironia, Dupond e Dupont estiveram de acordo. Diria mesmo mais, não desconcordaram.
Foram nitidamente ajudados pela experiência adquirida no deserto há muitos anos atrás. Compreenderam que tal como eles à época, os Portugueses seguem hoje as próprias pegadas para encontrar a saída do deserto de esperança em que se encontram. Como sempre, os Policiais de Hergé descortinaram o óbvio. Já o Português não. Precipita-se, pois não quer perder a oportunidade de criticar o seu concidadão. É estrutural! Nunca a Nação sofreu de qualquer défice de culpados ou juízos morais ao próximo. Não sou excepção, pelo que há data classifiquei a dicotomia do “dia do trabalhador” vs “dia do consumo” como decadente. Dignificante, por certo que não foi, mas o principal alarme de decadência não suou.
O alvo do Pingo Doce mudou, porque o consumo mudou. Até aqui visava a classe media urbana, procurando diferenciação clara do seu concorrente directo, o benemérito “Continente”, posicionando-se um degrau acima na escada social. Contudo, a contracção do consumo neste segmento socioeconómico é muito significativo. Muito mais do que o desejado por sindicatos e confederações patronais. Quem tem maior poder de compra, ajusta os seus hábitos de consumo com relativa facilidade. A maior abundância de supérfluo no cabaz típico, facilita uma rápida redução do custo. É simples, compram-se menos (a nenhuns) pacotes bolachas ou refrigerantes. O Pingo Doce desceu um degrau.
É este o alarme que não se ouviu nos locais que o país elege para os debates decisivos (por vezes importantes), i.e., as esplanadas e os cafés. Apaixonamo-nos por polémicas, mas abstemo-nos nas decisões. Fazemos de Dupond e Dupont verdadeiros génios, brilhantes na análise e eficazes na acção. Nem Hergé o imaginou possível, destinados que estavam ao papel de palermas…
PPP Lusitânia
No início da Século XX, a famosa Cunard Line perdia a hegemonia comercial na rota transatlântica. Para além das companhias Alemãs, a entrada do magnata JP Morgan no negócio, motivou a fusão de vários concorrentes de menor dimensão, criando um gigante no sector. Sem meios financeiros, a privada Cunard estava impossibilitada de responder à altura das circunstâncias. É neste contexto que em 1904, o governo britânico decide apoiar a Cunard. Em época de preparação para aquela que viria a ser a primeira guerra mundial, o governo de sua majestade viu com bons olhos a possibilidade de no futuro requisitar novos e rápidos transatlânticos. Nascera uma Parceria Público Privada (PPP). Materializou-se no desenvolvimento e construção de novos navios, o primeiro dos quais foi providencialmente baptizado em memória da antiga província Romana, a Lusitânia.
O desenvolvimento e construção do RMS Lusitânia fizeram justiça à memória e tradição do nome de baptismo. Foram respeitados os valores e virtudes dos herdeiros de Viriato, a megalomania por exemplo: Com projecto ultramoderno, o novo transatlântico seria motorizado por turbinas a vapor. Tamanha inovação, qual via verde para o atlântico norte, ditou um processo de construção nada ortodoxo. A construção da popa do navio aguardou a conclusão dos desenvolvimentos das revolucionárias motorizações, enquanto a construção da proa prosseguiu a todo o vapor. O método tradicional deu lugar à nossa ancestral metodologia “em cima do joelho”. Qual portagem em scut.
Concluída a construção, múltiplas características imergiam como retumbantes provas da identidade Lusitana: era o maior e melhor navio do mundo, era o mais rápido e o mais faustoso. A decoração da primeira classe (estilo rococó) valeu-lhe a alcunha de Versalhes dos Mares. Menos majestosa, a decoração da segunda classe era ainda assim opulenta. Já na terceira classe, a madeira de pinho polida estava omnipresente, luxo a que os passageiros deste estrato socioeconómico não estavam habituados, pelo que lhe enalteciam a beleza
e a comodidade. A todo este estratificado conforto, estava também associada outra característica Lusitana, o defeito de fabrico: a alta velocidade a vibração gerava uma ressonância insuportável nos aposentos de segunda classe. Analisado o problema, encontrada a solução. O defeito foi declarado feitio, merecendo apenas ajustamentos: reforço de estrutura, adendas à decoração e está concluído. O último acto da Lusitanidade no berço não resolveu, mas abafou. Típico.
A viagem inaugural em 1907, decorreu sem glória ou desonra. Mediana sorte, obviamente Lusitana. O nevoeiro não permitiu a velocidade necessária para reclamar a “Blue Riband”, conquista apenas concretizada na segunda viagem transatlântica. O tesouro Britânico pagou, a Cunard explorou, milhares de passageiros usufruíram de rapidez e conforto. Ninguém perdeu. A PPP era um sucesso, ao navio faltava-lhe o Fado.
Com o início da primeira grande guerra, o Almirantado Britânico requisitou o navio em 1914, mas devido ao elevado consumo de combustível, foi devolvido ao uso civil. A PPP estava pela primeira vez em dúvida: tal como hoje por cá, o desvio face ao orçamentado foi uma enorme surpresa! Não obstante, a rota transatlântica foi retomada sob austeridade de meios humanos e materiais, o que amputou 30% da velocidade máxima do navio. Persistia contudo a necessidade de justificar a PPP. Foi por isso, com subtileza e descrição dignas do seu baptismo, que o RMS Lusitania começou a transportar munições no trajecto de Nova Iorque para Liverpool. Foi quanto baste para sobre ele atrair a atenção da troika que se opunha à Grã-Bretanha e seus aliados: o Império Alemão, o Império Austro-Húngaro e o Império Otomano. Sobre este último, julgado moribundo, foi planeado um vigoroso ataque naval ao estreito de Dardanelos.
A convicção de vitória era total entre os aliados. Visando partilhar a glória, a Republica Francesa fez questão em enviar os melhores navios da sua Marinha de Guerra, tentando assim ombrear com a maior e mais poderosa Marinha de Guerra da época, a Royal Navy. Curiosa esta tendência francesa para a grandeza a reboque da potência do momento. Mantém-se até aos dias de hoje. Tragicamente, o prognóstico de facilidade revelou-se um enorme erro de avaliação. Modestas minas navais e a poderosa artilharia Otomana impuseram uma pesadíssima derrota às marinhas aliadas. À derrota naval, seguiu-se o desastroso desembarque de Anzacs a 25 de Abril de 1915 nas colinas de Gallipoli. Falhou o objectivo de neutralizar a artilharia Otomana. A dimensão do desastre traduziu-se em mais de meio milhão de baixas registadas de ambos os lados.
Esta pesada derrota aliada ditou a necessidade de envolver os Estados Unidos da América no conflito, sem o qual a vitória da Grã-Bretanha e seus aliados seria impossível. A forte convicção isolacionista do desejado aliado tornava esta tarefa muito difícil. Ao RMS Lusitânia estava reservado o papel principal neste processo, seria esse o seu Fado. O mérito do plano que concretizou o difícil objectivo, ninguém o reclamou, talvez por vergonha ou pudor, mas especula-se que Winston Churchill terá tido um papel determinante: Quer no montar do isco aos Alemães, quer no posterior branqueamento das responsabilidades do Almirantado Britânico (especialmente necessário após a derrota no Mar Egeu).
Desde o início da primeira grande guerra que a Grã-Bretanha impunha o bloqueio aos portos germânicos. A força dos números oferecia esta hipótese à Royal Navy. Apesar de a Kaiserliche Marine possuir navios tecnologicamente mais avançados que a generalidade dos britânicos, a prudência aconselhava evitar um confronto de larga escala. A alternativa estratégica recaiu sobre o uso de uma arma inovadora à época, o submarino. Actualmente, esta arma furtiva encontra paralelo nas agências de notação financeira, as quais torpedeiam as economias mais débeis causando pesadas baixas na guerra económica. O comportamento humano repete-se. As consequentes tragédias também, infelizmente.
Com efeito, após mais de duzentas travessias do Atlântico Norte, o RMS Lusitânia partiria uma última vez da doca da Cunard Line em Nova Iorque a 1 de Maio de 1915, sob o comando do Comodoro William Thomas Turner, com 1959 pessoas a bordo. Entre eles, muitos americanos que ignoraram o anúncio publicado pela embaixada imperial Alemã nos Jornais nova-iorquinos, o qual alertava os cidadãos americanos para os perigos de viajar a bordo de navios britânicos. Peões no xadrez da guerra, que valeram por Rei, Rainha, Bispos, Cavalos e Torres.
Efectivamente, a 7 de Maio de 1915, o isco foi mordido pelo submarino U-20, sob o comando de Walther Schwieger lançou um único torpedo sobre o RMS Lusitânia, que ao largo da costa Irlandesa se afundou em apenas dezoito minutos. Mil e duzentas pessoas perderam a vida. As causas e seus argumentos foram esgrimidos entre os intervenientes, com reciprocidade na atribuição de culpa, mas o facto relevante prevaleceu: Os EUA entraram no conflito ao lado da Grã-Bretanha e seus aliados, entre os quais estava a jovem Republica Portuguesa e a sua apetrechada Armada.
Os acontecimentos relatados demonstram que a globalização tem mais de um século. Nada é estanque, ou isento de consequências noutras latitudes. Ao colapso da banca de investimento Americana, seguiu-se a crise financeira na Europa. De pouco serviu a esta declarar-se imune ao colapso Americano. Meras palavras. A frota aliada que atacou o estreito de Dardanelos era à época tão infalível como o sistema financeiro mundial o é hoje. Os bancos de investimento americanos podem ser “demasiado grandes para falhar”, mas a verdade é que falharam de forma tão trágica como a frota aliada no Mar Egeu. Agora, como então, as populações não previram o efeito, da mesma forma que ainda não compreendem as causas. De forma premeditada, ou mero aproveitamento da oportunidade, o RMS Lusitânia foi instrumentalizado, e sua tragédia explorada no recrutamento para a guerra. Enganam-se aqueles que acreditam que este tipo de propaganda não existe nos dias de hoje. É simplesmente mais sofisticada.
O combustível hoje aumentou! – Lado B da Vida
Já não há pachorra para as notícias agressivas sobre todas as medidas opressoras da confiança, optimismo e felicidade. Por isso hoje para variar comento o aumento dos combustíveis de forma ligeira, irónica e bem-disposta. No final deste artigo não vão perceber a gravidade da situação mas ao menos terão um rasgado sorriso que dará férias à cara sorumbática plantada pelos normais noticiários.
Preço dos Combustíveis = Retorno das charrettes?
Depois de um burro ter vencido um Ferrari numa corrida no IC-19 em hora de ponta eis que agora começa a ser mais barato sustentar um cavalo do que um automóvel. O mercado de carroças e equídeos prepara-se para a procura que se avizinha.
Perguntámos a Paula Bobone o que acharia do retorno das charrettes e dos cavalos ao que nos respondeu:
– “Não deixaria de trazer um certo glamour às ruas de Portugal e o revivalismo está na moda. Poderiam alimentá-los apenas a arranjos florais para que os seus cócós perfumassem a cidade.”
Já José Castelo Branco foi mais comedido dizendo:
– “Seguramente algo que envolva cavalos e a minha pessoa tem que envolver também uns charrettes porque para acontecer eu teria que estar drogado, D-R-O-G-A-D-O, para não me lembrar de nada do que se passou naquela quinta com o garanhão chamado Frota.”
Empresas de Transportes preocupadas com nível da Matemática em Portugal
Com o novo aumento dos preços, e o perigo do retorno das charrettes, as empresas de transportes desafiam os Portugueses em acções de marketing com problemas matemáticos de nível básico como:
“Se encher o depósito custa 70 € e gasta dois depósitos por mês no percurso casa-trabalho. Quanto gasta por mês? É mais caro ou mais barato do que o passe de transportes de 50 € por mês? E se adicionar o custo do parqueamento?”
Para espanto dos marketeers a grande maioria dos Portugueses não consegue encontrar as variáveis nem fazer as contas e não chega a qualquer resultado. Por este motivo as empresas de transportes exigem mais e melhor Matemática ao Ministério de Educação.
Governo cria condições para baixar preços de combustíveis
Derivado à falta de orçamento para investir em políticas de educação o governo, preocupado com a situação no mercado pretrolífero e o grande impacto social dos preços dos combustíveis, reuniu de emergência com as petrolíferas e gasolineiras nacionais para concertar esforços no sentido de proporcionar períodos de baixa de preços que aliviem os Portugueses.
A negociação não foi pacífica mas chegou-se ao consenso e a partir de agora os preços dos combustíveis terão 10 casas decimais. Hoje o preço poderá estar a 1,6999999999 mas amanhã poderá estar a 1,6999999998 e no dia seguinte a 1,6999999997 e assim sucessivamente até que progressivamente os preços normalizem para valores razoáveis.
A Europa aplaude atitude do governo e pondera criação da moeda de 0,0000000001 € para facilitar trocos.
Victor Gaspar critica aumento dos combustiveis em Portugal
Apesar do desafio de fazer projeções de receitas exatas à décima casa decimal o Ministro das Finanças está indignado com o novo aumento dos combustíveis. Isto porque inviabilizam a subida do ISP e IVA que em conjunto representam apenas pouco mais de 50% do preço da gasolina.
Segundo planos do próprio os Portugueses são capazes de ser austerizados até aos 1,999 € por litro desde que 80% desse valor fosse para os cofres do estado. É incompreensível que cheguemos em breve a esse valor devido a ação das petrolíferas e não à ação direta do governo. Depois da Troika deveria ser o governo e não o sector privado a gerir a economia nacional. “E agora aumento o quê?” disse um desapontado Victor Gaspar.
Comunidade de Xuning protesta contra aumento dos combustiveis
Já não bastava a crise a limitar a capacidade de evolução contínua dos nossos veículos motorizados e eis que agora o aumento de combustíveis condiciona também a liberdade de expressão na comunicação via raters, roncos e vibratos de tubos de escape.
Um peidinho ou bufa motorizada está ao preço do ouro e não há quem consiga manter a contínua demonstração sonora das capacidades da sua máquina.
O Xuning silencioso não é Xuning. É meio caminho andado para a degradação desta forma de arte para o estatuto de decoração pirosa só ao alcance de alguns bimbos sem tusto
Se esboçaste um sorriso que seja faz um like pá. É de borla! (por enquanto)
Bacalhaus e Submarinos

Nascido “Elite”, ao bacalhau dedicado, dos Lusos foi o primeiro no arrasto. Decorria o ano de 1909. A Europa vivia dias de “Paz Armada”, um eufemismo para a corrida às armas. Não entrámos. Fomos à pesca por arrasto.
Em 1914, morto o arquiduque Francisco Ferdinando, precipitou-se a Guerra, das grandes a primeira. Entramos desta feita. Como nunca fomos piegas, não lamentámos a falta de preparação para a beligerância: do arrastão de pesca, fizemos um navio de patrulha oceânica. Para tal bastou à Armada requisitar a sofisticada embarcação ao seu dono, a Parceria Geral de Pescarias Lda. Engenho quanto baste, está feito: Canhão à proa, outro à popa. Óptimo. Não mexe.
Rebaptizado “NRP Augusto de Castilho”, assumiu funções como escoltador oceânico. Até ao derradeiro ano das hostilidades, 1918, o arrastão convertido em navio de guerra deu uso às suas armas. Atacou submarinos alemães, tendo registado importantes vitórias, obrigando por duas vezes o inimigo a submergir e partir em retirada.
Tal bravura não passou despercebida ao Almirantado da Kaiserliche Marine. O insolente navio Lusitano seria punido. A “missão” foi confiada a Lothar von Arnauld de la Perière, o às dos ases. Com ascendência Francesa, natural da (hoje) Polónia, Lothar era contudo bisneto de um General Prussiano, tendo dele herdado o inflexível código de conduta. Ao melhor comandante de submarinos de todos os tempos, foi confiado o comando do “U-139“. Simplesmente o maior e melhor submarido construido à data.
O inevitável embate ocorre a 14 de Outubro de 1918 (um mês antes do armistício de Novembro do mesmo ano). Em defesa do Vapor “N/T S. Miguel“, sob o comando do primeiro-tenente José Botelho de Carvalho Araújo, o “NRP Augusto de Castilho” atacou o “U-139“, acto com o qual garantiu a oportunidade de fuga do navio mercante. Contudo fatal. O combate vitimou o comandante e cinco elementos da guarnição. O caos resultante ditou a rendição e consequente ordem para abandonar o navio. Antes de ser desferido o golpe final, entrou em acção o código de conduta dos homens do mar. Aos sobreviventes, foi permitido regressar a bordo e resgatar botes salva-vidas nos quais chegaram à ilha que deu nome ao navio mercante por eles salvo, São Miguel. Esta benevolente iniciativa do comandante Lothar la Perière, foi certamente inspirada pela tradição militar prussiana. A ele, a minha sincera homenagem, pois ao seu gesto devo a minha modesta existência: Entre os sobreviventes que chegaram aos Açores a 19 de Outubro de 1918, estava o 2º Sargento Enfermeiro Acácio Alves de Moura, meu bisavô (ainda solteiro), avô materno de quem meus filhos são netos, senhor meu pai.

Observada a história, explicada a ligação pessoal, constato a analogia deste passado com o futuro da minha prole. Não é que um século depois continuarão à mercê do carácter Germânico? E se no lugar de um integro e vertical Prussiano nos calha um “Schettino” que por lá tenham por engano?
Incontornável é também o eterno desacerto Lusitano: Em 1909 necessitávamos de Navios de Guerra, mas compramos Navios de Pesca, os quais por necessidade convertemos em alvos para submarinos Alemães. Paradoxalmente, necessitamos hoje de Navios de Pesca, mas comprámos submarinos Alemães. Teremos nós o engenho necessário para inovar a arma o suficiente para com ela pescar por arrasto?











