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O combustível hoje aumentou! – Lado B da Vida

Já não há pachorra para as notícias agressivas sobre todas as medidas opressoras da confiança, optimismo e felicidade. Por isso hoje para variar comento o aumento dos combustíveis de forma ligeira, irónica e bem-disposta. No final deste artigo não vão perceber a gravidade da situação mas ao menos terão um rasgado sorriso que dará férias à cara sorumbática plantada pelos normais noticiários.

 

Preço dos Combustíveis = Retorno das charrettes?

Depois de um burro ter vencido um Ferrari numa corrida no IC-19 em hora de ponta eis que agora começa a ser mais barato sustentar um cavalo do que um automóvel. O mercado de carroças e equídeos prepara-se para a procura que se avizinha.

Perguntámos a Paula Bobone o que acharia do retorno das charrettes e dos cavalos ao que nos respondeu:

– “Não deixaria de trazer um certo glamour às ruas de Portugal e o revivalismo está na moda. Poderiam alimentá-los apenas a arranjos florais para que os seus cócós perfumassem a cidade.”

Já José Castelo Branco foi mais comedido dizendo:

– “Seguramente algo que envolva cavalos e a minha pessoa tem que envolver também uns charrettes porque para acontecer eu teria que estar drogado, D-R-O-G-A-D-O, para não me lembrar de nada do que se passou naquela quinta com o garanhão  chamado Frota.”

 

Empresas de Transportes preocupadas com nível da Matemática em Portugal

Com o novo aumento dos preços, e o perigo do retorno das charrettes, as empresas de transportes desafiam os Portugueses em acções de marketing com problemas matemáticos de nível básico como:
“Se encher o depósito custa 70 € e gasta dois depósitos por mês no percurso casa-trabalho. Quanto gasta por mês? É mais caro ou mais barato do que o passe de transportes de 50 € por mês? E se adicionar o custo do parqueamento?”

Para espanto dos marketeers a grande maioria dos Portugueses não consegue encontrar as variáveis nem fazer as contas e não chega a qualquer resultado. Por este motivo as empresas de transportes exigem mais e melhor Matemática ao Ministério de Educação.

 

Governo cria condições para baixar preços de combustíveis

Derivado à falta de orçamento para investir em políticas de educação o governo,  preocupado com a situação no mercado pretrolífero e o grande impacto social dos preços dos combustíveis, reuniu de emergência com as petrolíferas e gasolineiras nacionais para concertar esforços no sentido de proporcionar períodos de baixa de preços que aliviem os Portugueses.

A negociação não foi pacífica mas chegou-se ao consenso e a partir de agora os preços dos combustíveis terão 10 casas decimais. Hoje o preço poderá estar a 1,6999999999 mas amanhã poderá estar a 1,6999999998 e no dia seguinte a 1,6999999997 e assim sucessivamente até que progressivamente os preços normalizem para valores razoáveis.

A Europa aplaude atitude do governo e pondera criação da moeda de 0,0000000001 € para facilitar trocos.

 

Victor Gaspar critica aumento dos combustiveis em Portugal

Apesar do desafio de fazer projeções de receitas exatas à décima casa decimal o Ministro das Finanças está indignado com o novo aumento dos combustíveis. Isto porque inviabilizam a subida do ISP e IVA que em conjunto representam apenas pouco mais de 50% do preço da gasolina.

Segundo planos do próprio os Portugueses são capazes de ser austerizados até aos 1,999 € por litro desde que 80% desse valor fosse para os cofres do estado. É incompreensível que cheguemos em breve a esse valor devido a ação das petrolíferas e não à ação direta do governo. Depois da Troika deveria ser o governo e não o sector privado a gerir a economia nacional. “E agora aumento o quê?” disse um desapontado Victor Gaspar.

 

Comunidade de Xuning protesta contra aumento dos combustiveis

Já não bastava a crise a limitar a capacidade de evolução contínua dos nossos veículos motorizados e eis que agora o aumento de combustíveis condiciona também a liberdade de expressão na comunicação via raters, roncos e vibratos de tubos de escape.

Um peidinho ou bufa motorizada está ao preço do ouro e não há quem consiga manter a contínua demonstração sonora das capacidades da sua máquina.

O Xuning silencioso não é Xuning. É meio caminho andado para a degradação desta forma de arte para o estatuto de decoração pirosa só ao alcance de alguns bimbos sem tusto

 

 

Se esboçaste um sorriso que seja faz um like pá. É de borla! (por enquanto)

Este Blog é Desenhado em Portugal, Fabricado em Portugal, Emprega 0 Portugueses e é Livre de Impostos

Os Portugueses têm memória curta e têm algum preguiça em esforçar-se para defender o que é seu.  É sabido e provado pela história da nossa democracia, pela dança de cadeiras ocupadas por muitas caras envolvidas em negociatas de cariz duvidoso, que metem em causa a sua honestidade e carácter em passado não tão longíquo.

Uma das melhores maneiras de proteger a nossa economia é com os nossos hábitos de consumo. A defesa da produção, emprego e sistema fiscal nacionais pode e deve ser cultivada pelos mundanos hábitos de consumo. Há povos que o fazem por cultura e hábitos passados de geração em geração. Consomem produtos dos seus países, mesmo que mais caros que os idênticos de marcas de outros países. O povo alemão é um deles por exemplo.

Mas hoje olhamos para as prateleiras e já não reconhecemos todas marcas e nem sequer temos ideia do real contributo que aquelas que conhecemos dão à nossa economia. Com tantos artifícios de boa gestão focada na fuga aos impostos e redução de custos para aumentos dos lucros, haverá marcas muito consumidas que pouco ou nada contribuem para a nossa economia para além do IVA.

Já somos desinteressados por natureza mas quando não temos qualquer apoio à decisão refugiamo-nos simplesmente no mais barato ou no que mais gostamos ignorando tudo o resto. É por isso que sugiro aqui um sistema de etiquetagem ou rotulagem de marcas, serviços e/ou produtos que indique explicitamente:

  1. Designed By: em que país foi desenhado;
  2. Made In: em que pais foi produzido;
  3. Supplied By: %s de matérias primas utilizadas para a sua produção por área geográfica com indicação pelo menos relativa ao país onde está a ser feita a venda;
  4. Workforce: em que indica quantos trabalhadores emprega por área geográfica com indicação pelo menos relativa ao país onde está a ser feita a venda;
  5. Taxed In: que indica as %s de taxação sobre os lucros por área geográfica com indicação pelo menos relativa ao país onde está a ser feita a venda;

Com estes dados bastaria olhar para o rótulo ou etiqueta e perceber claramente se esta  marca, serviço ou produto está ou não a contribuir, e em que medida, para o emprego, para a produção, para os impostos e consequentemente para a economia nacional. A existir seria certamente um fator decisor na escolha dos consumidores e estaria tão à mão que só não usaria a informação quem não tenha pinga de estima pelo seu país.

Politicamente não é europeísta defender um favorecimento à produção nacional mas a melhoria desta situação não precisa de acção política. Precisa de Marketeers que entendam que esta informação pode ser um bónus para aumentar as suas vendas e penalizar concorrentes que não sejam tão ‘nacionalistas’ nas várias componentes da sua gestão. Claro que para muitas marcas esta transparência pode ser nociva mas se alguém o começar a fazer a opacidade, com a falta de informação, fará mais dano do que a revelação de dados menos ‘simpáticos’ nesta matéria.

Nós os consumidores queremos ajudar a levantar Portugal mas não nos obriguem a trabalhos ciclópicos de investigação para destrinçar quais as marcas supostamente Portuguesas que mais não são do que correios de Euros para sistemas fiscais offshore.

Faróis sobre o que é verdadeiramente “nacional é bom” precisam-se!

 

E se parte da solução fôr mandar tudo pelos ares?

Com tantos indicadores contraditórios os desempregados já não sabem se hão-de emigrar para um estrangeiro longíquo, com economias emergentes, ou se hão-de por cá permanecer e enveredar pelo caminho mágico do empreendedorismo (que no passado deu azo a muitas PMEs que hoje são alvo da política de saneamento das ‘más’ empresas que contaminam a nossa economia como já foi dito por agentes do actual governo, inclusive pelo nosso Primeiro Ministro).

Portugal pode realmente beneficiar do empreendedorismo levado a cabo pelas centenas de milhares de jovens desempregados com muito sangue na guelra e muita formação qualificada. Num país reconhecido internacionalmente como tendo tendência de early-adopter em várias inovações tecnológicas, um país onde existem mais telemóveis que habitantes,  temos ainda um grande calcanhar de Aquiles comparativamente a outros países. O estado da Internet gratuita via Wi-Fi em espaços públicos e comerciais.

Em Portugal a conectividade móvel está predominantemente associada a hot-spots e planos tarifários que afastam muitos dos potenciais utentes, que possuem os terminais capazes para o acesso à Internet, mas sem € nos bolsos que lhes permitam tornar o acesso móvel à Internet como algo trivial no seu quotidiano. Existe actualmente uma vincada preocupação com custos e seu impacto no actualmente parco orçamento pessoal.

Lá fora, em muita Europa, USA e Ásia é já corriqueira a existência de pontos de acesso à Internet gratuitos suportados por estabelecimentos comerciais ou entidades públicas. Seja dentro de estabelecimentos comerciais seja em espaços públicos é possível ligarmo-nos à Internet sem pagar.

Num mundo em que cada vez mais o online deixa de ser conotado com o virtual, assumindo-se como uma extensão do social e profissional, estar conetado sem custos a todo e qualquer momento é um potenciador de relacionamento, criatividade e ideias com aplicações comerciais. Se não há volume de consumidores móveis será mais difícil surgirem projetos portugueses que assentem em serviços online que dependem da mobilidade e acesso fácil à Internet a partir de qualquer ponto.

É por isso que o governo deveria encorajar os proprietários de estabelecimentos comerciais a investirem em equipamentos que providenciem Internet gratuita aos seus clientes, e as autarquias a dotarem de Wi-Fi gratuito os espaços públicos com grande afluência. Afinal 4 em cada 5 pessoas considera este acesso um direito fundamental.

Trabalhemos para que os comportamentos de acesso móvel à Internet sejam independentes de custos e surgirão empreendedores capazes de explorar esse nicho. Bem sei que isto afectará uma fatia de facturação de muitas centenas de milhões de euros em 2011 mas quem precise mesmo de melhor qualidade de serviço continua disposto a pagar mais por isso. Além de que em 2011 houve uma quebra de 6% neste tipo de facturação relativamente aos quartos trimestres de 2010 e 2011. Sinal claro de que o custo inibe a utilização?

Os jovens anseiam por isso e criam online registos das agulhas no palheiro que lhes permitem navegar gratuitamente na extensão online da sua vida. Perguntam em fóruns online e criam páginas como esta com um mapa dos locais com Wi-Fi gratuito em Lisboa.

Fomentar o empreendedorismo passa também por criar mais dificuldades a quem tem alguns tipos de negócios garantidos. Será mais penalizante para a sociedade e economia do país não termos esta facilidade de acesso à Internet (para Portugueses e Turistas) ou arriscar prejudicar os operadores que controlam quem tem direito a esse acesso com planos tarifários por si controlados?

Eu mandaria tudo pelos ares. Doesse a quem doesse.

Plano Companhia Mercearia

Foi recentemente lançada uma nova campanha de acefalia em massa. Refiro-me obviamente ao Plano EDP Continente. A sonae capitaliza notoriedade benemérita. A filantropia não tem fim naquela casa. Depois das acções com os heróis da pequenada Pópóta e Leopoldina, chega-nos agora o plano para os mais crescidos. Desta feita, ao invés de algum anónimo necessitado, ajudamo-nos a nós próprios. Finda a época natalícia, a caridade perdeu adeptos. Regressamos à expressão “já demos” e ao foco no umbigo. É para ele que o Plano aponta. Os tempos são de crise, e nenhuma outra mensagem tem tanto impacto como a empatia: Compreendemos a dificuldade e propomos ajudar. Valha-nos a publicidade! Sem ela estaríamos condenados à depressão, pois a média entregou-se à trilogia do momento: crise, divida e medo, muito medo. A mais pequena migalha de esperança é bem recebida, sobretudo quando aparenta compensar o recente aumento do IVA sobre a electricidade.

“Conte com a nossa Energia, 10% da Electricidade volta em compras”. Apelativo, é certo, mas como sempre a realidade fica aquém da expectativa gerada. Parece que o desconto será directo sobre o valor da factura da EDP, mas não é bem assim. Observadas as condições, constatamos que o desconto não pode incidir sobre os impostos, daí “10% da Electricidade” e não “10% do valor da factura”. São uns malandros estes Publicitários Ocidentais, dirão os novos accionistas da EDP. Ternurenta a ingenuidade asiática. As referidas condições são igualmente profícuas no que toca a alertas e a esclarecimentos adicionais, nomeadamente a cristalina informação que o plano não trará vantagem a quem tenha um “consumo em vazio inferior a 44%”. Seja qual for o significado da expressão, ou respectiva quantificação, é meu dever enaltecer a iniciativa em clarificar a oferta. Assim se mantêm a tradição de comunicação transparente da companhia. Tenho alguma reserva quanto à duração da mesma: o desconto sobre o valor da electricidade consumida, em função da potência contratada, apenas estará em vigor até ao final deste ano, leia-se Dezembro de 2012. O que é bom não dura para sempre, dirão os parceiros da iniciativa…

Ao engano do desconto em cartão, ou cupão, acresce o abandono voluntário do mercado regulado, onde uma entidade supostamente reguladora, define o valor das tarifas de electricidade. Quem o fizer, fá-lo-á de forma irreversível. Para além de aderir ao financiamento do negócio da mercearia, antecipa a adesão ao mercado liberalizado. Este mercado liberalizado de concorrência permitiria, pelo menos teoricamente, a livre escolha do fornecedor de electricidade, em função da competitividade da oferta, ou seja, o melhor preço, o melhor serviço ou a melhor relação entre ambas. Tudo óptimo. Tudo desejável. Um problema: Não existe verdadeira opção à companhia, logo a liberalização será apenas dos preços. Tal como ocorreu no mercado de combustíveis, onde existem diversas marcas na distribuição, mas há apenas um refinador (por acaso também é distribuidor). Por mais que a entidade reguladora nos diga que não há “cartelização” de preços, na prática há um monopólio no sector, e consequentemente não existe a desejável guerra de preços. Talvez por isso, a galp invista milhões em patrocínios às selecções Nacionais, esforçando-se para nos convencer que de alguma forma é “nossa” e não dos seus accionistas.

Em troca de um pouco de ânimo na comunicação, o Plano Companhia Mercearia tenta criar um monopólio onde ele não existe (hipermercados), e ao mesmo tempo antecipa a liberalização dos preços num mercado monopolizado. Bem sei que durante o ano de 2012, a tarifa será igual em ambos os mercados de energia eléctrica, mas exactamente por isso, questiono: Se há défice tarifário na tarifa normal (mercado regulado), como é possível a companhia suportar o desconto adicional? Será que a energia tem custos de produção diferentes em função do tipo de contrato com o cliente final?

Se a tudo isto acrescentarmos a obrigatoriedade do débito directo em conta como método de pagamento à companhia, julgo apropriada a classificação do Plano como um roubo com consentimento da vítima.

Prefiro não fiar ao continente e permanecer no mercado regulado.

Censurem-me!

Não há pastel…

O governo tenta agora a mensagem positiva, a chamada boa nova. Fraca atenção ao detalhe, ou estratégia deliberada? O raio do logótipo dos pastéis de Belém tem lá escrito “desde 1837”. Na verdade, já em Novembro do ano passado Barack Obama manifestou preocupação sobre a temática do Pastel, ou da falta dele… A revolta dos pastéis de nata está iminente, mas de fazer propaganda não podemos acusar o nosso primeiro. Nem de mau gosto, porque os pastéis são divinais!

Do além chegou-nos também o acordo de concertação social. O Álvaro de pronto falou aos mercados, mas nem tratado por tu os mercados o querem. A empatia não acontece. Contudo, lá ganhou a guerra perdendo a batalha. No movimento sindical não se lê Sun Tzu, nem se aprecia pugilismo… Pena.

Quem terá sido o espertalhão que avançou o isco da meia hora? Terá sido o Relvas, ou foi mesmo obra do Álvaro?…

Os truques do Downsizing

Aumento da taxação de impostos, retenção de subsídios durante dois anos no estado, empresas públicas e similares, aumento das taxas moderadoras sobre serviços de saúde, encerramento de unidades de saúde pouco rentáveis, diminuição de participação em medicamentos, fim das SCUTS, diminuição de montante e/ou prazo de pagamento de reformas e outros tipos de subsidiação (entre outros o do desemprego), privatizações de empresas estatais monopolistas que fornecem serviços básicos à população,  etc. Tudo isto para quê?

Em 2012 aumentam os preços de uma enorme gama de produtos alimentares, com IVA revisto, fala-se de aumentos de pelo menos 4% em gás, electricidade e água e os produtos petrolíferos encontram-se em nova espiral de subida de preços. Somando a isto o aumento do custo com portagens e o aumento das despesas de saúde para quem delas necessite, como quantificar a perda real do poder de compra tendo em conta todas estas variáveis? Para muitos Portugueses o orçamento familiar vai ser alvo de revisão forçada e será preciso escolher se se vai destapar os pés ou a cabeça.

Numa altura caracterizada por desemprego de longa duração a diminuição do período de apoio só irá aumentar o número de desempregados sem subsídio. Com a diminuição de serviços médicos e o aumento das listas de espera, que curiosamente estavam em contracção, quantas pessoas correm risco de vida ou prolongamento de vida sofrível porque os tempos não estão de feição? Quantos pensionistas deixarão de fazer medicação adequada com a reformulação em baixa da reforma e da comparticipação em medicamentos?

E o impacto das SCUTs terá sido bem avaliado? Foi estudada a dinâmica social e profissional dos seus utentes? A maioria não poderá suportar estes custos e voltará às velhinhas nacionais aumentando tempo de deslocação, acidentes e transferindo a despesa de manutenção de estradas para a já tão esburacada Estradas de Portugal. E os concessionários das SCUTs com menos tráfego e necessidades de manutenção terão o seu quinhão garantido com as compensações acordadas com o Estado para o caso do volume de utentes não ser o esperado. É como se pagássemos duas vezes sem ter o benefício da melhor solução de deslocação. Será que esta correlação será feita em análises futuras?

Diria que para um governo frio e calculista apenas o grupo dos desempregados poderá ser problemático. Porque é gente activa que fica sem ocupação, capaz de se indignar e ir para as ruas estrilhar. Os outros, pensionistas e utentes regulares do serviço nacional de saúde, a médio prazo têm grande probabilidade de deixar de fazer número. Afinal com menos 42 mil cirurgias entre Setembro e Novembro de 2011 vs Setembro e Novembro de 2012, diminuição de 20% da actividade cirurgica num ano e o bastonário da Ordem dos Médicos a alertar que se está a acumular mensalmente atrasos de semana e meia nas listas de espera, não devem haver muitos pacientes em espera capazes de sobreviver a tal austeridade. Pelo lado social e familiar é mau mas para os números do OE é coisa para ajudar bastante.

Quando uma pessoa está há demasiado tempo sem ter oportunidade de produzir começa a ficar irrequieta e capaz de se mobilizar, sobretudo porque não tem nada a perder para além de um certo anonimato. Talvez por isso o governo tenha emitido fortes sinais de que para os próximos tempos o melhor é mesmo emigrar, procurar soluções no exterior. Com um certo paternalismo, é certo, mas com o sincero desejo de que desta forma consigam diminuir despesas com estes ‘fardos’ e ao mesmo tempo manter uma certa aparência de satisfação e paz social.

Os empregados esses têm que se manter com juízo, comer o pão que o diabo amassa, tal é a pressão causada pelos largos milhares disponíveis para ocupar o seu lugar, ainda por cima a melhor preço, e a falta de outras opções. Dois anos sem subsídio são suficientes para criar esquecimento de que alguma vez existiram e gerar conformidade com as necessidades dos novos tempos.  E as horas de produtividade exigidas a mais hão-de vir de algum lado nem que seja das horas dedicadas à esfera familiar, social e pessoal. Talvez a mitológica, famosa e atribulada vida vestibular existente em ambientes hospitalares se comece a extender a outras áreas de actividade.

Os trabalhadores Portugueses assemelham-se neste momento a Lemmings enfileirados a caminho da falésia com a secreta esperança que após o sacrifício do pelotão da frente se chegue à conclusão que o equilibrio no ecossistema está restabelecido e afinal o seu sacrifício pode ser evitado. RIP e obrigado aos menos afortunados.

Mas o pior ainda há-de estar para vir. O SOS China é uma bóia de salvação para o curto prazo mas sendo-lhes concedido suficiente poder de decisão, a médio prazo existe o real perigo substituição de fornecedores e da invasão de uma mão-de-obra barata não tão qualificada, não tão sindicalizada nem ciente dos seus direitos, mas que cumpre prazos e dá brilho aos orçamentos de obras.

Para o estado tudo vai bem. Menos despesas diretas com as SCUT, menos despesa com subsidição de desemprego (com menos inscritos nos centros de emprego), menos despesa com saúde (com transferência de muitos utentes em fila de espera para as estatísticas de óbitos), menos despesa com pensionistas, menos empresas públicas (inclusive as mais rentáveis e base de serviços essenciais à população) , na globalidade um gigantesco downsizing de sucesso para o livro de contas de 2012 e 2013.

Para os Portugueses em geral não se sabe bem. Vão encaixando downsizing atrás de downsizing aparentemente sem sentir grande necessidade para um achocalhante uprising capaz de retribuir um pouco da austeridade.

PS – Resisti ao ímpeto de aplicar downsizing ao tamanho deste post porque considerei que todos os parágrafos produzidos tinham direito à publicação independentemente de terem maior ou menor ROI em termos de leitura.

欢迎葡萄牙 – Investir na Educação para salvar o Turismo

A Europa está a bater no fundo e nem o turismo parece ser bóia de salvação em tempo de pregação da poupança. Esta dependência total da Europa é muito bonita quando o iceberg não se avista. Mas agora que encalhamos, e o sacana parece capaz de resistir até ao problema do aquecimento global, está na hora de pensar além fronteiras.

Olhando para os dados mais recentes relativos ao turismo, retirados do INE,  vemos que a grande massa turística é proveniente de Espanha, Reino Unido, França e Alemanha. Juntos representam mais de 60% das entradas e receitas do turismo.

Ora os dois primeiros já estão sob regime de austeridade, o terceiro anda um bocado aos papéis a ver se percebe se está abaixo ou acima da linha de água, e o último por uma questão de pudor e rigor não poderá tão cedo vir aproveitar-se da pobreza e austeridade que nos aconselha a impôr para os próximos tempos.

Posto isto quem tem vontade e dinheiro para nos visitar, desfrutar dos nossos recursos, sentir o nosso life style, largando uma nota simpática que permita fazer do turismo uma âncora de emprego e dividendos? Essa é a questão que pode ser a nossa salvação. Afinal Portugal representa apenas 1,5% a 2% da Quota de Turismo Mundial. É ainda daquelas raras quotas em que estamos autorizados a investir para crescer não sendo subsidiados se nada fizermos para isso!

Mais alguns números interessantes para a tomada de decisão:

  • 180 Milhões de falantes de Alemão;
  • 220 Milhões de falantes de Francês;
  • 250 Milhões de falantes de Português;
  • 500 Milhões de falantes de Espanhol;
  • 1 000 Milhões de falantes de Mandarim;
  • 500 Milhões a 1 900 Milhões de falantes de Inglês;

Portugueses somos nós, Espanhol portunhol desenrasca e nasce connosco e o Inglês é uma necessidade obrigatória já colmatada no nosso sistema de ensino. Boa, já temos uma resposta aceitável para um mercado potencial de uns milhares de milhões sem grande esforço. Valerá a pena investir no ensino de Francês e Alemão sendo que particularmente estes últimos dominam também o Inglês?

A Ásia, em particular a China, é uma potência emergente com mercado crescente e sedento de visitar a Europa. Há países mais apetecíveis que o nosso para visitar? Sim, claro. Mas recentemente visitei a Ásia e sentimo-nos completamente desorientados em zonas onde só se fala e escreve Mandarim. É difícil perceber e fazermo-nos perceber sendo até por vezes impeditivo ou limitativo da nossa mobilidade e sustentabilidade. Isto é o que sentem também os turistas desses países quando visitam a Europa sem dominar o Inglês. É por isso que viajam em grupos, com guias de carne e osso e rotas bem definidas. Não desfrutam de uma visita em verdadeira liberdade.

É aqui que podemos fazer a diferença, em 10 a 20 anos, se começarmos já a assumir o pelotão da frente. Tornemos o Mandarim uma língua de ensino obrigatório, pelo menos para estudantes na área de actividades turísticas, e traduzamos as placas públicas das principais zonas turísticas para terem orientações em Português, Inglês e Mandarim. Tornemos as nossas ruas navegáveis por orientais sem necessidade de constante acompanhamento. Vamos brindá-los com algumas conversas de ocasião na sua língua. Tornemo-nos nos perfeitos anfitriões para falantes de Mandarim e em pouco tempo seremos inundados por eles e salvos pelos seus Yuan. Por cada sorriso registado na câmara e postado numa rede social asiática com um “Uau! Eles aqui compreendem-nos! E são tão giros!”  temos milhares de novos clientes a fazer booking no próximo minuto. Dica Bónus: aproveitar as próximas décadas de regime transitório de Macau para a China, onde ainda temos uma presença marcante, para divulgar e semear a nossa recém-adquirida capacidade linguística e dizer-lhes que temos muito mais do que casinos por muito menos.

Além de que eles já são donos de parte de nós e um dia poderemos ter de saber dizer “Yes, boss!” em Mandarim. Eu já ficaria contente se num futuro risonho uma minha netinha entrasse numa qualquer loja chinesa e dissesse “Mãos no ar! Isto é um assalto!” sem correr o risco de não se fazer entender. Sempre se poupava um tiro. Sim, um futuro risonho porque é bom sinal sonhar que ainda se podem sustentar mais duas gerações.

Alforriar, para conseguir Aforrar

MonopolyA convivência com o papel-moeda é salutar e quanto mais cedo se incutir essa parceria nos mais novos melhor. Lembrem-se das horas passadas a jogar o célebre jogo do Monopólio com notas coloridas que se trocavam por casas e hotéis, tudo mudou e hoje esse mesmo jogo vem com uma máquina de ler cartões de crédito, retirando-nos a sensação de riqueza, já não guardamos debaixo das propriedades o maço do dinheiro, tornando-se muito inferior a sensação de perda.

Estando infinitamente provado que os hábitos dos adultos são o fruto da sua vivência enquanto crianças, no âmbito financeiro não é diferente. Urge por isso ensinar a poupar, tornando essa demonstração aliciante para os mais novos, o mealheiro deverá ser transparente e não como o porquinho que nós tivemos, para que se tenha a real motivação para o crescimento das economias.Os ensinamentos

Somos hoje netos de gentes de mãos calejadas, porventura sem tradição literária, os chamados incultos, mas com a escola da vida onde as aulas lhes foram administradas pela geada do campo e pelo calor das searas, mesmo assim, conseguiram aprender entre muitas outras coisas uma palavra que entretanto entrou em desuso, “aforrar”.

Quando eles nos diziam que tinham de fazer uma casinha para a reforma, quereriam porventura exprimir muito mais, mas fruto da inseparável irreverência juvenil teremos desvalorizado o assunto, mesmo quando nos ensinavam provérbios como “Pai rico, filho nobre, neto pobre”, proferido de um jeito que só eles sabem, não demos a devida atenção.

Somos hoje esses netos, e anos a fio essa palavra não entrou no nosso vocabulário, nem na escola, onde devem ensinar além da leitura e da matemática muitas outras coisas, nem fora dela. Os ciclos da história repetem-se e teremos forçosamente de iniciar mais um. Os jovens são sabedores já hoje do que lhes vai acontecer amanhã, por isso temos que dar início a essa tarefa, quanto mais cedo melhor.

Um Estado Social pensado num período específico e com dados ao tempo, com uma conjugação infindável de variáveis e projecções futuras baseadas em elementos que não se vieram a concretizar, um consumismo desmedido que nos foi incutido por um marketing violento, tiveram como resultado uma perca gradual e silenciosa de valores, monetários e consequentemente sociais. Alforriar os hábitos de consumo enraizados será uma tarefa difícil, mas iremos demonstrar que “grão a grão, enche a galinha o papo”.

Ainda recentemente divulgado que foi um estudo do ISCTE, demonstrou que os Portugueses estão insatisfeitos com os seus níveis de poupança, pois bem, o Banco de Portugal poderia lançar uma campanha Nacional sobre a poupança direccionada aos mais jovens, mandando o Alex e a Ana às escolas oferecer um livro educativo com o título:

“O comer e o poupar, tudo vai de começar”.Mealheiro

Esmola aos Ricos

A Europa pediu esmola às economias emergentes. Estas, claro está, mandaram-na passear. Surpreendida, a matriarca de pronto vaticinou uma recuperação com a duração de uma década. Sem negócio da China, nem ouro do Brasil, o súper-marco está em apuros. Tal como muitos europeus, os germânicos não perceberam a quem confiaram o seu rumo. Terão pensado que o pedido foi feito em nome do mal comportado Sul. Como estão enganados. Não compreendem a situação da poderosa Alemanha. A desgraça a Sul tem ocupado o espaço mediático, e a sua ancestral soberba moral tem feito o resto. Os indisciplinados merecem ser punidos, pensam.

Um povo que valoriza o trabalho, o rigor e a disciplina não pode pensar de outra forma. Porém, a competitividade dos produtos alemães não resulta apenas da qualidade do trabalho. O risco está presente, e em grandes proporções. De um ponto de vista financeiro, o investimento no desenvolvimento de novos produtos é muito arriscado. O principal mérito da Industria alemã é a sua capacidade de inovar. O anterior deve tornar-se obsoleto face ao novo. É este conteúdo inovador que gera o desejo de compra. Quando um novo produto substitui outro em fim de ciclo de vida, o tempo para amortização do investimento no seu desenvolvimento será menor. Atendendo a que o seu custo de desenvolvimento foi significativamente maior, o risco financeiro cresceu de forma exponencial.

Quando comparado com o produto que substitui, cada novo produto terá que vender mais e em menos tempo, para permitir a recuperação do montante investido no seu desenvolvimento, com o necessário lucro. Parte significativa deste lucro será reinvestido em novos produtos, por sua vez mais caros de desenvolver, e os quais estarão à venda durante um período de tempo ainda mais curto. O ciclo repete-se indefinidamente. Este sucesso sobre o tabuleiro da competitividade é mérito da gestão alemã, a qual tem sem dúvida o engenho necessário para conjugar capitais, recursos humanos e meios de produção.

Contudo, a prosperidade da indústria alemã não se deve apenas ao conteúdo inovador dos seus produtos, mas também à exportação de capitais, com os quais o mundo lhes compra os óptimos produtos que fabricam, com juros. Tal coloca-os numa condição de risco inversamente proposicional ao prazo. Mínimo a curto prazo, máximo a médio longo prazo. Ao contrário do que nos é dito, a vaga de austeridade não visa o longo, mas sim o curto prazo. Manter o status quo é o único objectivo. Simplesmente impossível.

O virtuoso povo alemão parece alianado destes factos. Talvez por isso não pretenda desvalorizar a moeda unica, nem tão pouco por em causa o 123º artigo do tratado “porreiro pá” de Lisboa. Há que os ilucidar, de os alertar. Opto por um formato informal, a chamada abordagem por “tu”:

Se te dever uns quantos euros e não tiver dinheiro para te pagar, preocupado, não durmo. Se a divida for de uns milhares de euros, preocupados, nenhum de nós dorme. Mas quando a divida são muitos milhões de euros, quem não dorme és tu!

Quem deve a quem?

Um palerma disfarçado de Astérix

Disfarçado de Astérix, o palerma dos tacões altos anunciou com satisfação que o G20 decidiu acabar com os paraísos fiscais.

Diz-nos que serão todos banidos da comunidade internacional, caso não acabem com a pouca vergonha. Até mesmo o ordeiro e disciplinado Liechtenstein está sob pressão para uma rápida conformidade com as novas normas, o mesmo acontecendo com o membro neutral das nações unidas, a Suíça.

Suspeito que com estas boas notícias, prepara a terra da Liberdade, Igualdade e Fraternidade para algum ajuste, daqueles que nós já começamos a perceber como são feitos.

Já os Gauleses não suspeitam, logo não se preparam. Em breve os gauleses compreenderão que vivem num Inferno fiscal, pelo que o fim dos paraísos não lhes trará qualquer benefício.

Enquanto esse momento de clarividência não chega, o falso Astérix avança uma nova ideia, o chamado Núcleo Duro, ou seja construir um muro, uma barreira que divida o Euro de primeira do Euro de segunda. Brilhante chico-espertismo. Nada como declarar a Gália rica, antes que os Romanos a provem pobre.