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Pombos sem Asas
Esperámos pacientemente, aguardámos mais de dois mil e duzentos anos, mas valeu a pena. O “Plano de Acessibilidade Pedonal” da capital gerou mais uma conveniente polémica. Não se debate o plano, apenas os pavimentos. Compreende-se, é coisa nossa. Os corvos que adornam o Brasão de Armas de Lisboa assumem posições. Dividida, a tripulação da Barca Negra debate a calçada. Só os debates inconsequentes nos despertam tamanha paixão. Na proa os críticos, na popa os apoiantes. Estão ao Leme, pelo que o rumo está traçado. Nem a coerência cromática com a bandeira de São Vicente salvará a arte-do-calcário-e-basalto. Será progressivo, levará o seu tempo. Três anos. Não é muito. Aguentamos. Já diz a flâmula: “Mui Nobre e Sempre Leal Cidade de Lisboa”…
Como sempre, os estudos demonstram tudo. Afinal, a pedra está cara, e pior, a estatística demonstra-a perigosa, escorregadia e traiçoeira. Um perigo! Nada de novo. São más práticas antigas, do tempo em que os habitantes desta cidade estavam isentos do pagamento de impostos. É verdade, foi em 200 a.C. Estavam então os Romanos ao leme da Barca Negra. Chamavam-lhe “Olisippo”. Imagine-se que se lembraram de usar pedra para pavimentar estradas e caminhos. Até construíram impérios, mas convém aqui lembrar que a esperança média de vida era então inferior aos 50 anos. A tradição nunca foi o que é, e a palavra “isenção” não é hoje conjugável com a palavra “cidadão”.
Enquanto esperamos pelos resultados dos estudos relativos aos perigos nas zonas verdes, congratulamo-nos com a decisão tomada por unanimidade. Aqui há negócio, acusam os mais cépticos. Jura? Mais uma clara demonstração de representatividade. Abundam na “democracia self-service após eleição”, que convenhamos, já cansa. Por mais nobre o princípio, por mais inclusiva e benemérita a iniciativa, desconfiamos. Em casa sem pão, todos ralham, porque todos têm razão. E o que é que isto interessa ao caso? Nada! Nada? Então siga! Sim, SIGA – Sistema de Informação Geográfica para Gestão da Acessibilidade. Haja modernidade. Avancemos para outra teoria da conspiração.
Não terá a iniciativa camarária um objectivo oculto? Talvez mais obvio, mais simples e mundano? Governar é prever, está bom de ver, antever: Não vá a próxima “ajuda” externa exaltar o munícipe, ou não vá um futuro governo “mais amigo” dos contribuintes, os decepcione logo após tomar posse. Não estará a Câmara Municipal de Lisboa a tentar desactivar tanta e tão disponível munição? Julgo que sim! Por este motivo, e apenas por este, lanço o meu apelo: Salvem os Pombos sem Asas!
Portugal: analogia de um crime
No final de Janeiro assaltaram-me a casa. Foi evento de estreia.
Como não há muito a fazer acabo por digerir a coisa fazendo um exercício de analogia entre o sucedido e o cenário em Portugal.
Os sinais eram evidentes. Assaltos a casas em redor durante semanas. Apesar de tudo nunca coloquei em causa também eu ser um alvo possível. Até porque tenho três cães de guarda. Tinha algum dinheiro em casa que estava na primeira gaveta da cómoda do quarto sem qualquer tipo de camuflagem.
Os ladrões aproveitaram um dia de intempérie, com muita turbulência e chuva torrencial, para executarem o roubo. Dominaram os cães à pedrada e com spray atordoante. Tentaram arrombar a porta até que rapidamente detectaram uma janela com trinco avariado, entraram, foram directos ao quarto, encontraram o dinheiro e sairam sem mais demora. Um trabalho limpo e rápido sem grandes desarrumos.
Ao chegar a casa tinha vizinhos / testemunhas que viram tudo quando a chuva amainou. Estavam três no meu terreno, dois no carro de apoio à fuga, aparentemente ciganos. Um vizinho que por eles passou lado a lado disse-me que eram assim escuros, com um ar de deliquentes, pensou serem amigos meus que estaria a receber em casa.
Chamei a polícia, na minha zona sou servido pela GNR, e chega um grupo de agentes que posteriormente chama a brigada de investigação pois haviam indícios que podiam ajudar numa investigação em curso. Quando dei por mim tinha 5 polícias em mini-comício no corredor discutindo o roubo das suas condições feito pelo estado e a necessidade de agir com manifestações de larga escala.
Posteriormente os investigadores foram falar com todos os vizinhos / testemunhas e qual não é o meu espanto quando quase todos os relatos minuciosos sobre a forma de agir e aspecto dos ladrões se reduzem a uns “não vi muito bem porque estava ao longe”, por vezes com testemunhos precedidos de um “não me envolva no processo que não quero ter nada a ver com isso! Não quero perder tempo nem gastar dinheiro para ir a tribunal!”. Um dos vizinhos que tinha passado pelo carro dos ladrões disse que não podia deslocar-se ao posto da GNR no dia seguinte para olhar para umas viaturas porque era desempregado e não podia suportar a deslocação.
No relatório da GNR, que fui assinar no FDS seguinte, relatavam que tinha sido assaltado por dois indíviduos segundo relato de vizinha que não pôde ser identificada. Quando coloquei em causa o relato, uma vez que eram cinco e que só não identificaram quem não quiseram, lembraram-se que tinha lá estado a brigada de investigação logo não fazia mal a discrepância. Eles só têm de relatar as coisas mais ou menos como aconteceram. Os investigadores é que são os especialistas. Além do mais se forem apanhados, e seguirem para tribunal, são soltos antes sequer do agente acabar de preencher a papelada protocular.
O que tem isto a ver com Portugal?
Este relato transpira o tradicional ser Português. A vida corre-nos bem porque raio nos devemos preocupar com os sinais de degradação do ‘ecossistema’ que ocorrem em nosso redor? Tal como aconteceu na era de bonança em que o crescendo generalizado das condições de vida nos cegou para a hecatombe que haveria de vir.
As nossas mais valias são por vezes desbaratadas estando à mão de semear daqueles que as cobiçam secretamente, aguardando a oportunidade ideal para as tomar facilmente. Ao estilo das recentes privatizações. Aparentemente a culpa é dos políticos e decisores locais, no entanto os beneficiários são organizações mundiais organizadas peritas em pilhagem legal.
Em teoria as nossas forças armadas estão de prontidão preparados para o que der e vier. No entanto há o real risco de o equipamento ser inadequado, desiludindo quando posto à prova por uma situação real.
Tal como nós, os com pele mais ‘tonificada’, os políticos são todos iguais, todos a mesma escumalha. E desta forma preferimos não participar em actos eleitorais, ao invés de arriscar dar oportunidade a ideias menos usuais defendidas por outros políticos. Ironicamente com o voto em branco ou abstenção acabam por dar ainda mais força aos partidos históricos da nossa democracia.
“Não me pagam para isto!” Um clássico para justificar o laxismo e a incúria. Entra-se em pescada de rabo na boca. No imediato não se trabalha o que se deve porque não nos pagam o que é justo, no longo prazo dá-se o vice-versa e a razão perdeu-se pelo meio. Até nas manifestações há filhos e enteados e aparentemente a indignação de uns suplanta-se à de outros.
Os portugueses são lestos a exigir justiça ao mesmo tempo que vemos, toleramos e compactuamos com injustiças. Todos prestamos e usufruimos dos nossos pequenos compadrios, sem ponderar que independentemente do valor do favor estamos a minar os alicerces da imparcialidade e igualdade. Aparentemente a justiça dá demasiado trabalho, demasiadas dores de cabeça, tendo muito pouco retorno. Pelo que nos damos por contentes em ladrar e rosnar enquanto o saque trespassa.
Nós olhamos mas não vemos, temos os dados todos ao nosso dispôr mas não pensamos nem planeamos. Fiamo-nos nos especialistas internacionais que disso se ocupam a tempo inteiro. Homens zelosos pela manutenção da democracia e soberania em cada estado membro, desde que os números o permitam.
Dá para concluir alguma coisa desta confusão?
A solução para ambas as situações começa a caminhar para o sujar de mãos. Se queremos tirar os bandidos do poleiro talvez a solução seja um tiro certeiro. Diferentes pessoas de diferentes meios e diferentes classes sociais cada vez mais expressam o seu desabafo em forma de
“Isto só lá vai quando alguns gatunos aparecerem esticados no meio da rua…”
O que quer dizer que o sistema poderá voltar-se contra ele próprio. Apesar de artilhado para desencorajar os mais audazes ele começa a fraquejar. Se as forças de protecção têm meios cada vez mais inadequados, se todos embrutecemos iguais, se as testemunhas caminham para cegas, surdas e mudas desinteressadas, se não vale a pena planear o futuro martirizando-nos com a austeridade presente, em breve surgirá alguém, anónimo, invisível, sem nada a perder que num acesso espontâneo de loucura, transfigurada de clareza iluminada, deixe um ou dois estendidos no meio da rua.
E talvez aí todos vejamos o quão estamos errados.
C.E.P – 2013
A pedido da tripulação, estou de quarto à ponte. Prestes a entrar no novo ano reflicto sobre a rota percorrida ao longo dos últimos 12 meses. Verifico que a estabilidade é total! Prevalece o faz-de-conta. A Nau não tem estai nem mezena, deriva empurrada pela borrasca. Os arautos da verdade de outrora, são hoje os pantomineiros de serviço. Estão ao Leme com um desígnio: salvar o possível do status quo. Não são marinheiros, nem tão pouco líderes, são pastores. Conduzem o rebanho em círculos, para chegar a lado nenhum. Mas há propósito. Não podíamos, não queiramos ser os carrascos do Euro. Não fomos, nem seremos. Se morrer a culpa não será nossa. Cumprimos, sem cumprir, mas já não vivemos acima das possibilidades. Amem.
Honra a quem contribuiu. Nenhum voluntário é certo, mas ninguém passou por Tancos. Talvez por isso não seja relatado nenhum milagre na recruta. Somos o C.E.P – o Corpo Expiatório Português. Não fomos para as trincheiras da Flandres, mas é de lá que vêm as ordens. A guerra mudou, é mais civilizada, é económica. Os pergaminhos castrenses são contudo observados com rigor germânico. Erich von Ludendorff é amiúde citado. Eis-nos novamente confrontados com este General. A doutrina é simples: Der Totale Krieg! A paz é apenas o breve período entre as guerras.
A nós, Milhais que valemos por milhões, não está reservado nenhum premio nem louvor. Continuaremos pobres, mas ricos de espírito. Tal como há quase um século, a gloria será de outros, cabe-nos de novo a sapa. Felizmente que ainda ninguém nos metralhou por desobediência.
Assim foi 2013, fomos o C.E.P. do século XXI.
Mr. Magoo
Na ida década de 40 do século passado, nasceu Quincy Manuel Parente Chancerelle de Magoo. Não obstante a miopia, prosperou. A sua carreira vasta e diversificada, prova o quão inclusiva é a nossa sociedade. Portugal é uma terra de oportunidades. Em nenhum outro país do mundo é possível a um modesto advogado exercer tantos e tão exigentes cargos padecendo de uma cegueira quase total.
Esta pluralidade nas oportunidades é lamentavelmente acompanhada de um grande e terrível defeito – a inveja. Inexplicavelmente não suportamos o sucesso dos nossos concidadãos. O venerável Mr. Maggo
não é excepção! Revoltam-me todas as infundadas críticas que ao longo dos anos lhe foram dirigidas. Acho inacreditável a difamação de que é alvo sobre a condução da FLAD. Considero de um profundo mau gosto as parangonas a propósito do lapso sobre a propriedade de acções da SLN/BPN. Senti uma profunda indignação ao constatar a incompreensão dos portugueses perante as declarações à radio aquando da sua altruísta visita a Angola. Tudo uma inqualificável injustiça, que a inveja explica, mas não justifica. Mr. Magoo tem de facto produzido afirmações divergentes quer do guião para a reforma do estado, quer dos seus colegas do governo, mas como todos sabemos, Mr. Magoo não consegue ler. Tão simples quanto isto. O homem não vê. Já o sabemos há muito! É já altura de confiarmos no rumo que Mr. Magoo decide seguir. Afinal de contas, por mais próxima a desgraça, Mr. Magoo vence sempre. Sejamos humildes. Vai correr tudo bem!
Quem quer ser cobridor?
Aaaaaah, obrigado Tribunal Constitucional por lutares pela verdadeira democracia! Por muito que nos custe a democracia tem de ser defendida através da melhoria da formação e cultura dos eleitores e não com restrições às candidaturas. A corrupção e ditaduras locais não se combatem com este tipo de leis, meramente forçam a troca de caras.
O problema é termos eleitores com conhecimento de actos lesivos a continuar a votar em quem os pratica porque até dão umas cenouras jeitosas. Os eleitores devem ter a possibilidade de ser governados por quem decidam mesmo que isso os deixe na merda por mais quatro anos. O importante é que em cada eleição estejam aptos a votar melhor. Trabalhemos para isso!
E nem de propósito em Setembro temos a decorrer campanhas autárquicas de lés a lés de Portugal, já não bastavam os incêndios. Só que este ano não será feita cobertura mediática televisiva. Menos um acontecimento importante que os muitos milhares de utentes da inovadora e óptima TDT não vão conseguir ver o que só vem reforçar a equidade do serviço televisivo entre os Portugueses!
O que dizer destes períodos de campanhas eleitorais? Basicamente são o soltar das infernais máquinas de propaganda partidária. São aplicadas as mais actuais e agressivas táticas de Marketing e Comunicação com uma certeza quase absoluta: a vitória não se garante pelo conteúdo mas sim pela imagem e pelo número de brindes ofertados! E que prazer! E que alegria! De encher os bolsos e os aparadores dos mais variados brindes de encher o olho e a alma. Se tudo correr bem apesar da despesa a eleição da fava está garantida e a factura será paga por todos.
Cada vez mais os votos compram-se por quem dá a maior festa, o maior banquete, o maior fogo de vista, iscos de uma presença em comícios e actos de campanha. Os pequenos partidos e movimentos emergentes não conseguem competir com esta parafernália do entretenimento por forma a ter algum espaço mediático para serem ouvidos.
Isto sim é algo que deve ser combatido, esta monopolização da atenção dos eleitores, jogada com dinheiro verdadeiro, com quase todas as casas do jogo real excepto a carta “Vá para a prisão” e as próprias instalações da prisão. A bem da democracia os garrotes e as rédeas devem ser aqui aplicados para tentar garantir o ouvir da voz de todos os candidatos e todas as ideias. Forçar os eleitores a conhecer outros pontos de vista e desintoxicá-los-los do seu fanatismo político moldado pelas barreiras ao conhecimento total. Com boa ressaca se possível!
Como? Como quiserem sendo que para não me atirarem que apontar problemas é fácil, resolvê-los é que é complicado, deixo aqui minha proposta para tentar melhorar a qualidade e volume dos votos. Os pontos principais a explorar são:
- Em cada comício / evento partidário deveria passar a ser obrigatório o convite a todas as restantes forças políticas que teriam direito a um tempo de antena de 10 minutos cada um imediatamente antes do discurso final por parte do partido organizador do evento;
- Seriam realizados eventos pagos pelo erário público, em espaços públicos, onde cada força política exporia os seus argumentos com tempo de antena proporcional ao do seu actual peso político com duração mínima de 10 minutos. No final existiria tempo para questões e respostas entre público e oradores. Estes eventos públicos seriam gravados e colocados em formato digital online.
- A expensa do erário público no final da campanha seria elaborada uma publicação impressa onde cada força política teria duas páginas para apresentar conclusões e argumentos finais. Seria distribuída gratuitamente nas caixas de correio dos eleitores para maximizar o contacto deste com todos os pontos de vista e soluções apresentadas.
Desta forma existiria uma maior garantia das várias mensagens chegarem aos eleitores e o erário público estaria a financiar uma campanha com maior grau de equilibrio de forças sendo que os gastos seriam atenuados por diminuição de subvenções públicas para financiamento directo dos partidos políticos e obtenção de sponsors locais que iriam ficar positivamente associados ao esclarecimento da população e combate ao caciquismo.
Isto não é utópico e é muito mais justo e pró-democrático do que leis que procuram levar à extinção todo e qualquer tipo de dinossauros independentemente da sua natureza escandalosamente predatória ou não. Afinal não será a paisagem do tempo dos dinossauros também aquela que é representada no Éden?
És tão boa C’AGARRAva-te…
O problema está no coletivo, são notórias as diferenças.
Acabou para muitos a silly season, época de eleição para desviar atenções da generalidade, mas nela foram-se passando coisas importantes intra-gabinetes e ao estilo da maratona, lenta mas desgastante, desviada dos holofotes por picardias maioritariamente individuais.
Temos assistido a espetáculos degradantes, por exemplo no caso dos “swaps”, em que sabe-se á posteriori (sempre) que quando negociados para o coletivo (empresa e/ou estado) se podem tornar tóxicos e ruinosos, mas no que toca á sua negociação, ela foi feita e concluída por quem no individual negociou mais que bem as suas condições de prestação de serviço.
Alguns conseguindo ainda catapultar-se individualmente, para um meio mais mediático, certamente antevendo mais uma vitória individual no mundo coletivo de uma qualquer empresa ou instituição. Tem sido assim e aos molhos… ás resmas.
Ficamos sempre desconfiados com as negociações, mesmo quando elas são individualizadas na pessoa indigitada para o pelouro ou ministério, interrogamo-nos sempre, por que razão o representante tinha tantas credenciais e provas dadas de sucesso e…, falhou.
Podemos sempre questionarmo-nos sobre as razões que levam a tais desfechos mas as conclusões são sempre envoltas numa névoa.
Até no mundo do Fantástico se vem agora questionar os ganhos do individual em detrimento do todo. Tudo não passará de uma Quimera? Veremos…
Até aqui já todos sabemos no individual, contudo avizinha-se mais um enorme desafio para o coletivo, mas…
Temos brevemente mais uma negociação para o todo, que deverá ser renhida pois os “nuestros hermanos” vieram novamente á carga sobre umas ilhas que devem ser rochas devido á sua importância geoestratégica e económica, tem-no feito esporadicamente por outras vias e criado imbróglios diplomáticos mas sem consequências de maior.
Aos olhos do Mundo estaremos novamente a ser escortinados e mais uma vez não será fácil. É do conhecimento que os decisores serão pressionados de muitas formas, embora sempre o neguem.
Serão analisadas até á exaustão uma infinidade de questões até que seja anunciado o veredito, tendo em conta um País a braços com uma crise generalizada em que a mais visível internacionalmente é a económica, mas com outras não menos importantes como o caso ainda quente dos incêndios.
Questionar-se-ão sobre as capacidades de gestão e fiscalização da que poderá vir a ser (imagine-se) a segunda maior plataforma Mundial, detida por uma Nação que não terá meios para a cuidar e muito dificilmente poderá tirar partido das suas capacidades económicas, nem atuar convenientemente em caso de uma catástrofe. Lá está o coletivo…
Pensarão eles, é o coletivo que não funciona?
Como podem tomar conta de tal área se por exemplo deixaram arder só este ano, mais de 93 mil hectares da sua superfície com os meios inicialmente anunciados como, calculados e suficientes.
Como podem fazer a vigilância de 4.000.000 Km², com parcos meios para a manutenção de uma frota por si só já diminuta
para tamanha quantidade de água.
Como poderão rentabilizar a enormidade de recursos existentes nessa área, sem frota pesqueira, etc.
Mas nós temos dado provas inequívocas no individual com
conquistas de relevância, como recentemente o Carlos Sá que entre outras vitórias, chegou á frente de todos numa das mais desgastantes provas do Mundo depois de correr 217 Kms, isso pode dar-nos uma ideia fabulosa de naturalizar irrevogavelmente a Diana Nyad, mesmo que depois da prova possa voltar a ser Americana e disputar a soberania com uma prova de natação, ela parte da madeira e um outro partirá das Canarias… Quem chegar primeiro fica com o troféu! Ela estará em desvantagem pela diferença na distância mas com um treino individual certamente conseguirá. Esta técnica já foi utilizada noutros ambientes desportivos mas lá está, eram de desportos coletivos e o resultado ficou aquém do esperado.
Talvez o importante mesmo, fosse começar por dar oportunidade a umas individualidades de explicarem ao coletivo a importância desta já famosa plataforma.
Nota:
O titulo nada tem que ver com a plataforma, apenas e só, porque mais uma vez se demonstra que o coletivo não funciona, preocupando-se até com a constitucionalidade dos piropos em vez de questões realmente importantes, enfim quem sabe mais uma busca de protagonismo individual e detrimento do… coletivo.
O Foral de Boliqueime
A Nau Portugal perdeu o piloto-mor. Desembarcou e demitiu-se. Diz que falhou. Reconheceu e escreveu. Guardou no frio, até que o calor chegasse. Chegou e de pronto aprontou o cangalheiro das laranjas, jotas e barões, desclassificado ou professor. É conhecido o seu instinto. O defunto responde com pompa e circunstância, a sua única aptidão, o faz de conta. Contradiz-se e apela ao nacionalismo piegas. Diz seu o país. Abandonado não fica. Há negócios por concluir!
A palavra a quem não quer falar: O tempo passou e El Rey de Boliqueime lá palrou, não sem antes todos ouvir. Reflectiu e ponderou. O foral publicou. A viva voz o leu a seus súbditos. Ninguém adormeceu. Explicou quem manda: os mercados. Obedecer é o desígnio. É solene o momento. El Rey decide não decidir. Apelou à anúduva dos partidos do regime. Decretou a primeira acção de fossado contra os eleitores. Tudo em nome da salvação, do regime, porque todos os outros estão condenados.
A Nau permanece à deriva. Ninguém ao leme. É a nortada que impõe o rumo.
Masters of the Universe
A acção desenrola-se no planeta Europa, no mítico lugar da Lusitânia. O príncipe Tozé protegia o legado do castelo do Rato. Quando em apuros, desembainhava a espada do poder e proferia as palavras mágicas “pelo poder de Grayskull, eu tenho o poder”, transformando-se assim no socialista mais poderoso do universo, o He-Man. A sua sagacidade é lendária. Farão escola as estratégias da “abstenção violenta”, ou a mais recente moção de censura que não visa derrubar o governo… Tudo corria de feição ao situacionismo. Contudo o perigo espreita, o mal espera sempre uma oportunidade: Dos confins do universo, da longínqua Paris, regressa Skeletor, o terrível engenheiro dominical.
A população não esqueceu as privações que passou às ordens do execrável Skeletor. Parece que nem a renovada sapiência atenua o desejo de o ver severamente castigado, isto é, calado. O filósofo de quarta-feira não é bem-vindo. Compreensível. Afinal tudo tem corrido tão bem com He-man.
A sofisticada cidadania participativa, que tanto nos caracteriza, nunca aceitará o regresso de Skaletor. É a história que o garante: No passado, outro malvado senhor, o mui sério Aníbal Cavaco Silva foi condenado à mesma pena.
Nunca mais se ouviu falar dele!
A Tourada
A 7ª corrida de avaliação será, à semelhança das anteriores, decisiva. Na tribuna a troika. À sombra, o delegado Etíope, ao sol os delegados Europeus. As corridas de avaliação são exclusivamente para turistas estrangeiros. Os veraneantes locais estarão na arena, entre barreiras e no curro, isto é, no seu devido lugar. Não faltarão Cortesias e Brindes à praça. Aplausos, chapéus e flores para os artistas, sal nas feridas para o touro.
O cartaz promete uma noite de triunfo. A tribuna aplaudirá de pé, a banda tocará o passo doble. Será um sucesso. Em Portugal não se matam touros na arena, mas cortar-se-ão orelhas. Tendo sobrevivido às 6 corridas anteriores, um único e magnífico exemplar da ganadaria Lusitana, um Almalho de seu nome “Povo”, será lidado por todos os artistas em cartaz: Dois cavaleiros, suas quadrilhas; dois grupos de forcados amadores; um picador e a estrela da corrida, o matador de touros Victor Gaspar, el Verdugo. Brindar-nos-á com os seus lances de muleta, ora Afarolado, ora Ajudado. A Faena habitual, sem Chicuelinas. Cortará um Rabo, e sairá em ombros. Na recolha, “Povo” acompanhará os Cabrestos. Aos turistas diremos que são vacas. Um dia quererão mugi-las. Nesse dia, sorriremos.
Driving Miss Daisy
Senhora do seu nariz, Miss Daisy conduzia o seu próprio automóvel. Por mais desconcertante a condução, acreditava em si própria, nunca ligando a buzinadelas ou às infundadas críticas dos outros automobilistas. Afinal, uma senhora é sempre uma senhora. Um dia, um pequeno acidente, foi a desculpa perfeita para o seu SEGURO cancelar a apólice. Foi um rude golpe na autonomia de Miss Daisy. Seus filhos socráticos, ávidos por restabelecer a alegria dos tempos idos, precipitaram uma solução: Miss Daisy teria um motorista, alguém que a conduzisse sem percalços. “Qual a pressa?” questionou Miss Daisy. Pragmática, decidiu fingir aceitar a vontade de sua prole. O voluntarioso Mr. Hoke Coleburn apresentou-se ao serviço. O desdém e antipatia inicial, foram teatralmente dando lugar à empatia e ao profundo respeito. Os múltiplos prémios e distinções atribuídos a este filme nunca ocultaram a singela verdade:
É uma monumental e inconsequente séca!



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