Category Archives: Teorias da Conspiração
Difamação pura, dura e absurda, sensacionalista sempre que possível, mas genericamente acéfala e desprovida de respeito por credos, espiritualismos, ambientalismos, etc… Enfim, os “ismos” em geral e a parvoíce em particular.
Pombos sem Asas
Esperámos pacientemente, aguardámos mais de dois mil e duzentos anos, mas valeu a pena. O “Plano de Acessibilidade Pedonal” da capital gerou mais uma conveniente polémica. Não se debate o plano, apenas os pavimentos. Compreende-se, é coisa nossa. Os corvos que adornam o Brasão de Armas de Lisboa assumem posições. Dividida, a tripulação da Barca Negra debate a calçada. Só os debates inconsequentes nos despertam tamanha paixão. Na proa os críticos, na popa os apoiantes. Estão ao Leme, pelo que o rumo está traçado. Nem a coerência cromática com a bandeira de São Vicente salvará a arte-do-calcário-e-basalto. Será progressivo, levará o seu tempo. Três anos. Não é muito. Aguentamos. Já diz a flâmula: “Mui Nobre e Sempre Leal Cidade de Lisboa”…
Como sempre, os estudos demonstram tudo. Afinal, a pedra está cara, e pior, a estatística demonstra-a perigosa, escorregadia e traiçoeira. Um perigo! Nada de novo. São más práticas antigas, do tempo em que os habitantes desta cidade estavam isentos do pagamento de impostos. É verdade, foi em 200 a.C. Estavam então os Romanos ao leme da Barca Negra. Chamavam-lhe “Olisippo”. Imagine-se que se lembraram de usar pedra para pavimentar estradas e caminhos. Até construíram impérios, mas convém aqui lembrar que a esperança média de vida era então inferior aos 50 anos. A tradição nunca foi o que é, e a palavra “isenção” não é hoje conjugável com a palavra “cidadão”.
Enquanto esperamos pelos resultados dos estudos relativos aos perigos nas zonas verdes, congratulamo-nos com a decisão tomada por unanimidade. Aqui há negócio, acusam os mais cépticos. Jura? Mais uma clara demonstração de representatividade. Abundam na “democracia self-service após eleição”, que convenhamos, já cansa. Por mais nobre o princípio, por mais inclusiva e benemérita a iniciativa, desconfiamos. Em casa sem pão, todos ralham, porque todos têm razão. E o que é que isto interessa ao caso? Nada! Nada? Então siga! Sim, SIGA – Sistema de Informação Geográfica para Gestão da Acessibilidade. Haja modernidade. Avancemos para outra teoria da conspiração.
Não terá a iniciativa camarária um objectivo oculto? Talvez mais obvio, mais simples e mundano? Governar é prever, está bom de ver, antever: Não vá a próxima “ajuda” externa exaltar o munícipe, ou não vá um futuro governo “mais amigo” dos contribuintes, os decepcione logo após tomar posse. Não estará a Câmara Municipal de Lisboa a tentar desactivar tanta e tão disponível munição? Julgo que sim! Por este motivo, e apenas por este, lanço o meu apelo: Salvem os Pombos sem Asas!
Portugal: analogia de um crime
No final de Janeiro assaltaram-me a casa. Foi evento de estreia.
Como não há muito a fazer acabo por digerir a coisa fazendo um exercício de analogia entre o sucedido e o cenário em Portugal.
Os sinais eram evidentes. Assaltos a casas em redor durante semanas. Apesar de tudo nunca coloquei em causa também eu ser um alvo possível. Até porque tenho três cães de guarda. Tinha algum dinheiro em casa que estava na primeira gaveta da cómoda do quarto sem qualquer tipo de camuflagem.
Os ladrões aproveitaram um dia de intempérie, com muita turbulência e chuva torrencial, para executarem o roubo. Dominaram os cães à pedrada e com spray atordoante. Tentaram arrombar a porta até que rapidamente detectaram uma janela com trinco avariado, entraram, foram directos ao quarto, encontraram o dinheiro e sairam sem mais demora. Um trabalho limpo e rápido sem grandes desarrumos.
Ao chegar a casa tinha vizinhos / testemunhas que viram tudo quando a chuva amainou. Estavam três no meu terreno, dois no carro de apoio à fuga, aparentemente ciganos. Um vizinho que por eles passou lado a lado disse-me que eram assim escuros, com um ar de deliquentes, pensou serem amigos meus que estaria a receber em casa.
Chamei a polícia, na minha zona sou servido pela GNR, e chega um grupo de agentes que posteriormente chama a brigada de investigação pois haviam indícios que podiam ajudar numa investigação em curso. Quando dei por mim tinha 5 polícias em mini-comício no corredor discutindo o roubo das suas condições feito pelo estado e a necessidade de agir com manifestações de larga escala.
Posteriormente os investigadores foram falar com todos os vizinhos / testemunhas e qual não é o meu espanto quando quase todos os relatos minuciosos sobre a forma de agir e aspecto dos ladrões se reduzem a uns “não vi muito bem porque estava ao longe”, por vezes com testemunhos precedidos de um “não me envolva no processo que não quero ter nada a ver com isso! Não quero perder tempo nem gastar dinheiro para ir a tribunal!”. Um dos vizinhos que tinha passado pelo carro dos ladrões disse que não podia deslocar-se ao posto da GNR no dia seguinte para olhar para umas viaturas porque era desempregado e não podia suportar a deslocação.
No relatório da GNR, que fui assinar no FDS seguinte, relatavam que tinha sido assaltado por dois indíviduos segundo relato de vizinha que não pôde ser identificada. Quando coloquei em causa o relato, uma vez que eram cinco e que só não identificaram quem não quiseram, lembraram-se que tinha lá estado a brigada de investigação logo não fazia mal a discrepância. Eles só têm de relatar as coisas mais ou menos como aconteceram. Os investigadores é que são os especialistas. Além do mais se forem apanhados, e seguirem para tribunal, são soltos antes sequer do agente acabar de preencher a papelada protocular.
O que tem isto a ver com Portugal?
Este relato transpira o tradicional ser Português. A vida corre-nos bem porque raio nos devemos preocupar com os sinais de degradação do ‘ecossistema’ que ocorrem em nosso redor? Tal como aconteceu na era de bonança em que o crescendo generalizado das condições de vida nos cegou para a hecatombe que haveria de vir.
As nossas mais valias são por vezes desbaratadas estando à mão de semear daqueles que as cobiçam secretamente, aguardando a oportunidade ideal para as tomar facilmente. Ao estilo das recentes privatizações. Aparentemente a culpa é dos políticos e decisores locais, no entanto os beneficiários são organizações mundiais organizadas peritas em pilhagem legal.
Em teoria as nossas forças armadas estão de prontidão preparados para o que der e vier. No entanto há o real risco de o equipamento ser inadequado, desiludindo quando posto à prova por uma situação real.
Tal como nós, os com pele mais ‘tonificada’, os políticos são todos iguais, todos a mesma escumalha. E desta forma preferimos não participar em actos eleitorais, ao invés de arriscar dar oportunidade a ideias menos usuais defendidas por outros políticos. Ironicamente com o voto em branco ou abstenção acabam por dar ainda mais força aos partidos históricos da nossa democracia.
“Não me pagam para isto!” Um clássico para justificar o laxismo e a incúria. Entra-se em pescada de rabo na boca. No imediato não se trabalha o que se deve porque não nos pagam o que é justo, no longo prazo dá-se o vice-versa e a razão perdeu-se pelo meio. Até nas manifestações há filhos e enteados e aparentemente a indignação de uns suplanta-se à de outros.
Os portugueses são lestos a exigir justiça ao mesmo tempo que vemos, toleramos e compactuamos com injustiças. Todos prestamos e usufruimos dos nossos pequenos compadrios, sem ponderar que independentemente do valor do favor estamos a minar os alicerces da imparcialidade e igualdade. Aparentemente a justiça dá demasiado trabalho, demasiadas dores de cabeça, tendo muito pouco retorno. Pelo que nos damos por contentes em ladrar e rosnar enquanto o saque trespassa.
Nós olhamos mas não vemos, temos os dados todos ao nosso dispôr mas não pensamos nem planeamos. Fiamo-nos nos especialistas internacionais que disso se ocupam a tempo inteiro. Homens zelosos pela manutenção da democracia e soberania em cada estado membro, desde que os números o permitam.
Dá para concluir alguma coisa desta confusão?
A solução para ambas as situações começa a caminhar para o sujar de mãos. Se queremos tirar os bandidos do poleiro talvez a solução seja um tiro certeiro. Diferentes pessoas de diferentes meios e diferentes classes sociais cada vez mais expressam o seu desabafo em forma de
“Isto só lá vai quando alguns gatunos aparecerem esticados no meio da rua…”
O que quer dizer que o sistema poderá voltar-se contra ele próprio. Apesar de artilhado para desencorajar os mais audazes ele começa a fraquejar. Se as forças de protecção têm meios cada vez mais inadequados, se todos embrutecemos iguais, se as testemunhas caminham para cegas, surdas e mudas desinteressadas, se não vale a pena planear o futuro martirizando-nos com a austeridade presente, em breve surgirá alguém, anónimo, invisível, sem nada a perder que num acesso espontâneo de loucura, transfigurada de clareza iluminada, deixe um ou dois estendidos no meio da rua.
E talvez aí todos vejamos o quão estamos errados.
Gira-gira giro Portugal
20 de Janeiro e nada. 20 dias de 2014 em que praticamente só se falou de intempéries, de morte e consagração no futebol. Eis que quando as nuvens se dissipavam, parecendo haver abertura para voltar a anunciar e discutir as medidas políticas em curso, sai da cartola um referendo que volta a armar a tenda do circo mediático. Os spin doctors têm tido uma vida tranquila, com os eventos ‘cortina de fumo’ a eclodirem naturalmente, bastando agora atirar esta granada co-adoptada para queimar mais uns dias preciosos.
Ponderei abordar o tema do asqueroso pantanão nacional acabando por preferir cingir-me ao espremer de algumas das notícias mais levezinhas de 2014.
Arnaut na Goldman Sachs e Gaspar no FMI, é de certa forma assustador porque os ratos só abandonam o navio quando este deixa de ter provisões ou quando o naufrágio está iminente. Não me preocupa tanto que tenham passado para o covil dos vilões da crise, alerta-me para provavelmente não existirem mais jóais da coroa que mereçam a cobiça dos grandes players mundiais e que justifiquem a permanência de testas de ferro para grandes operações financeiras infiltradas.
Reduzir escolaridade obrigatória para o 9º ano vs 4 em cada 10 jovens sem dinheiro para estudar, a Juventude Popular podia ser a esperança de melhores políticos e assume-se como mais do mesmo ou pior. Acredito que para a despesa do estado retirar 3 anos de ensino obrigatório seria um corte simpático, por opção própria de jovens inconscientes, quiçá mesmo encorajados para tal porque o desemprego está repleto de diplomados. O ensino superior tornou-se inacessível para muitos e se não se pode nivelar por cima nivela-se por baixo, certo? Imagino que para os novos patrões, de vários sectores em Portugal, nove anos de escolaridade seja um indíce bastante satisfatório tendo em conta a média de escolaridade no seu território.
Temo que existam visionários a fazer contas, afinal já exportámos grande parte da mão de obra qualificada, outra parte significativa está desempregada e o mercado não terá capacidade da sua absorção tão cedo. Logo não se perde nada se as próximas gerações forem menos qualificadas. Alguém para quem um baixo salário seja uma benção, que saiba sobretudo consumir sem temores, sem consciência nem capacidade aritmética, uma nova manada ainda mais fácil de domesticar mediante futebol e lixo televisivo. Uma legião de clientes perfeitos para a nova economia emergente.
Miró’s quadros bónitos! Pela módica quantia de 35 M leve estas obras no valor de 150 M! Que este governo não quer saber da cultura já não é novidade sendo que aqui é simplesmente escandaloso aceitar tal desvalorização nos activos aceites para resolução do caso BPN. O povo está-se cagando, até parece que os quadros valem a estátua do Eusébio, cujo corpo o governo sabiamente anuiu em transladar para o panteão nacional ASAP. Ao estilo popularucho.
Por fim até os escândalos amorosos de chefes de estado de outros países ocupam grande parte dos nossos media. Ainda por cima de um país tão liberal no que toca ao amour. Talvez faça sentido se considerarmos que a austeridade, tão em voga, foi sobretudo explorada e desenvolvida em França pelo Marquês de Sade. O que me apoquenta neste caso é que não me lembro na democracia Portuguesa de escândalos amorosos envolvendo governantes em funções. Será isso mais uma demonstração da fraqueza da nossa democracia e sociedade? Ou serão eles tão desinteressantes e obscenos ao ponto de nem surgirem candidatas a amantes reais ou interesseiras deslumbradas pelo poder? Outra hipótese plausível é que desde sempre os nossos políticos mal-interpretem a resposta “isso são brincadeiras de crianças“, que é dada pelos representantes de outros estados quando por eles questionados em privado “Isto de governar no vosso país dá para engatar gajas?”
E assim vai girando o nosso país nas mãos dos garotos.
Um Gesto Estrondoso
Por mais obvia a evidência, por mais clarividente a prova, duvidamos sempre da virtude Lusitana. Subestimamos, inexplicavelmente, as qualidades e envergadura moral de todos os nossos compatriotas, especialmente dos altos dignitários da nação. Incompreensível! Esta constatação autocrítica exulta o dever patriótico do exorcismo, por isso, reincido na denúncia deste complexo de inferioridade.
Interpelo todos os Compatriotas, simpatizantes, turistas e amigos da Lusofonia: Nunca duvidem da influência da nação Lusitana no mundo. Os factos permitem-me poupar nas palavras. Passemos aos exemplos: Desenvolvendo a sua prestigiada magistratura de influência, el Rey “considera a morte de Mandela o acontecimento mais marcante de sempre“. Alguns, nitidamente mal-intencionados, precipitaram-se ao concluir: Se a morte foi o momento mais marcante, a vida e obra não interessam ao supremo tecnocrata. Discordo desta interpretação. É tendenciosa e antí-dinástica. Ignoremos.
A coerência, a verticalidade, o elevado sentido de missão deste nosso estadista de eleição é prova inequívoca da sua virtude, mas dado o ancestral cepticismo, avanço mais um irrefutável exemplo: A cerimónia de homenagem a Nelson Mandela foi ensombrada pela polémica em torno da prestação do interprete de linguagem gestual, de seu nome Thamsanga Jantjie. O interprete diz-se qualificado, mas subitamente afectado por um enfermidade do foro psicológico.
Surdos de todo o mundo manifestaram a sua revolta, pois não compreenderam nenhuma das intervenções, com uma única excepção:
Qual primus inter pares, o nosso monarca foi o único líder mundial a quem o interprete gestual não se atreveu a boicotar o discurso. Gesticulou com precisão milimétrica, a mensagem passou na integra. Foi um gesto estrondoso!
Aguiar Branco, Estaleiro ao Fundo
Viana do Castelo está a agitar as águas. Novamente Aguiar Branco em grande forma no centro da polémica. Estranho a pressa em desfazer-se dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC). Justifica com condicionantes europeias que obrigam à circunstância. Já o presidente da câmara de Viana do Castelo deu hoje uma entrevista revelando ter falado com o comissário europeu para a concorrência e que este, embaraçado, lhe confessou não ter tido qualquer contato da parte do governo português sobre o tema.
A pressa é tal que se levantam dúvidas sobre a capacidade do vencedor da subconcessão em levar o estaleiro a bom porto. Por outro lado o vencedor traça um futuro brilhante e risonho aos ENVC sob a sua gestão. A Martifer garante ter garantias de contratos regulares e resolver o problema do Lusitânia imediatamente. Devem ter especialistas com fortes conhecimentos na área da advocacia, capazes de deitar por terra a argumentação utilizada para cancelamento do contrato, desatando o nó em falta nos nós da velocidade! Se assim for os estaleiros podem ser a bóia de salvação da Martifer e vice-versa! O mundo pode ser um local maravilhoso.
Os trabalhadores, indignados, gritam por injeção dos milhões previstos para a liquidação, sob a forma de investimento a fim de modernizar os meios de produção. Segundo eles a empresa tem viabilidade e só não estão a produzir mais porque a gestão assim não o quis ao longo dos anos.
Nem me vou colocar a fazer contas sobre se o Estado é beneficiado ou prejudicado, tendo em conta os valores envolvidos e as consequências em termos sociais que terão de ser amparadas pelo Estado. Agora aquilo que rapidamente me vem à memória, apenas derivado de leituras corriqueiras de revistas de informação, é o seguinte:
- O Canal do Panamá vai ser alargado;
- A Europa procura promover o transporte fluvial;
- A Nicarágua projeta um novo canal a cortar a América do Sul;
- Estão a abrir novas rotas marítimas no Ártico;
- O setor dos Cruzeiros está em crescimento constante;
- O cluster do mar ainda está por explorar devidamente em Portugal;
- As exportações Portuguesas estão imparáveis;
- Quando a crise se desvanecer (está para breve, está para breve) será natural o crescimento das importações;
Tudo isto são fortes indicadores de que o sector naval estará em crescimento, não só em volume de navios como em envergadura dos mesmos e frequência de uso. Será inevitável o aumento de encomendas de construção a nível mundial bem como a procura de serviços de manutenção. (Falem com o nosso país irmão! Pode ser que caiam umas migalhas como sucedeu com nuestros hermanos.)

Portugal tem todas as condições, em termos de localização dos seus portos, para ser uma opção privilegiada na contratação destes tipos de serviços. Para tal apenas teremos de ter capacidade instalada disponível e know-how adequado. Ou seja, os ENVC não são uma pedra no sapato mas sim uma pérola para o futuro a médio prazo. Por exemplo caiu por terra o argumento que os ENVC assegurariam à Marinha de Guerra Portuguesa a capacidade instalada desactivada no Arsenal do Alfeite. Agora a Armada não tem capacidade, nem autonomia, transformando-se num cliente seguro a longo prazo.
Dá-me a sensação que nos últimos anos andaram a embaçar a pérola para ser vendida como bugiganga em condições vantajosas para o comprador. É inegável o valor e potencial dos estaleiros em si. O questionável será certamente a gestão dos mesmos ao longo destas décadas. Com muita influência política.
Pelo que, tendo em conta a pechincha que é ter dois ou três administradores dos ENVC, recomendaria talvez um volte-face surpreendente em que o estado roubaria à Martifer os dois ou três gestores que já desenharam a solução milagrosa e ficava o assunto arrumado. Desde que parte da solução não passe por esquemas manhosos como por exemplo:
- Despedir todos os trabalhadores dos ENVC e extinguir os mesmos;
- Criar nova empresa para recomeçar com registo limpo e realizar processo de recrutamento de 1/3 dos trabalhadores despedidos, beneficiando da concorrência directa de pessoas com o know-how necessário, desperadas e desorientadas pela perspectiva de perder emprego, estando mais receptivas à baixa considerável de salários;
- Beneficiar das várias condições de incentivo ao emprego ao recrutar colaboradores que se enquadram nos cenários definidos.
Porque isto para além de um excelente acto de gestão, engenharia financeira e reestruturação de recursos humanos seria um escandaloso cambalacho e chulanço aos parcos apoios sociais do estado.
E isso é coisa que o nosso governo certamente classificaria de intolerável, CERTO?
O Monstro da Tasmânia
O desígnio da nação é o Mar. Ouvimos este pregão aos nossos governantes ao longo de décadas, mas não vemos nada. Cegueira nossa. Muito tem sido feito desde o início do sec XIX. Sim, são planos para futuro! O que fizemos? Importámos o monstro da Tasmânia. Desde então reproduz-se livremente no nosso país. Não há limites ao crescimento do seu habitat. O monstro da Tasmânia é aromático e pastoso. Cresce muito rapidamente, chegando aos 50 metros de altura em poucos anos. É perfeito para a construção naval e, imagine-se, é 100% à prova de fogo. Ao contrário das inflamáveis espécies autóctones, esta espécie nunca arde. Característica incomum que salvaguarda e protege os nossos soldados da paz. O monstro da Tasmânia é conhecido entre nós por Eucalipto, Eucalyptus Globulus para os mais eruditos.
Somos a nação europeia com maior percentagem de eucalipto na sua floresta, e somos o país europeu com maior área de eucalipto em termos absolutos. Ninguém na Europa acarinha o monstro da Tasmânia como nós. Desertifica, destrói os solos, criticam. Nitidamente, os nossos parceiros não compreendem o potencial da espécie. O nexo de causalidade que escapa aos líderes europeus está apenas ao alcance dos nossos governantes: A Arábia Saudita é um deserto rico em petróleo, logo, quanto mais rápida a desertificação do país, melhor. É óbvio!
Então e o mar? Está em marcha o plano: Após a concessão dos Estaleiro Navais de Viana do Castelo, o estado estará em condições de lançar o seu grande programa de construção naval. Abandonaremos as obsoletas técnicas de construção em aço para abraçar a modernidade. O futuro é a arquitectura naval Origami. Grandiosas frotas explorarão o potencial da nossa vasta zona económica exclusiva.
És tão boa C’AGARRAva-te…
O problema está no coletivo, são notórias as diferenças.
Acabou para muitos a silly season, época de eleição para desviar atenções da generalidade, mas nela foram-se passando coisas importantes intra-gabinetes e ao estilo da maratona, lenta mas desgastante, desviada dos holofotes por picardias maioritariamente individuais.
Temos assistido a espetáculos degradantes, por exemplo no caso dos “swaps”, em que sabe-se á posteriori (sempre) que quando negociados para o coletivo (empresa e/ou estado) se podem tornar tóxicos e ruinosos, mas no que toca á sua negociação, ela foi feita e concluída por quem no individual negociou mais que bem as suas condições de prestação de serviço.
Alguns conseguindo ainda catapultar-se individualmente, para um meio mais mediático, certamente antevendo mais uma vitória individual no mundo coletivo de uma qualquer empresa ou instituição. Tem sido assim e aos molhos… ás resmas.
Ficamos sempre desconfiados com as negociações, mesmo quando elas são individualizadas na pessoa indigitada para o pelouro ou ministério, interrogamo-nos sempre, por que razão o representante tinha tantas credenciais e provas dadas de sucesso e…, falhou.
Podemos sempre questionarmo-nos sobre as razões que levam a tais desfechos mas as conclusões são sempre envoltas numa névoa.
Até no mundo do Fantástico se vem agora questionar os ganhos do individual em detrimento do todo. Tudo não passará de uma Quimera? Veremos…
Até aqui já todos sabemos no individual, contudo avizinha-se mais um enorme desafio para o coletivo, mas…
Temos brevemente mais uma negociação para o todo, que deverá ser renhida pois os “nuestros hermanos” vieram novamente á carga sobre umas ilhas que devem ser rochas devido á sua importância geoestratégica e económica, tem-no feito esporadicamente por outras vias e criado imbróglios diplomáticos mas sem consequências de maior.
Aos olhos do Mundo estaremos novamente a ser escortinados e mais uma vez não será fácil. É do conhecimento que os decisores serão pressionados de muitas formas, embora sempre o neguem.
Serão analisadas até á exaustão uma infinidade de questões até que seja anunciado o veredito, tendo em conta um País a braços com uma crise generalizada em que a mais visível internacionalmente é a económica, mas com outras não menos importantes como o caso ainda quente dos incêndios.
Questionar-se-ão sobre as capacidades de gestão e fiscalização da que poderá vir a ser (imagine-se) a segunda maior plataforma Mundial, detida por uma Nação que não terá meios para a cuidar e muito dificilmente poderá tirar partido das suas capacidades económicas, nem atuar convenientemente em caso de uma catástrofe. Lá está o coletivo…
Pensarão eles, é o coletivo que não funciona?
Como podem tomar conta de tal área se por exemplo deixaram arder só este ano, mais de 93 mil hectares da sua superfície com os meios inicialmente anunciados como, calculados e suficientes.
Como podem fazer a vigilância de 4.000.000 Km², com parcos meios para a manutenção de uma frota por si só já diminuta
para tamanha quantidade de água.
Como poderão rentabilizar a enormidade de recursos existentes nessa área, sem frota pesqueira, etc.
Mas nós temos dado provas inequívocas no individual com
conquistas de relevância, como recentemente o Carlos Sá que entre outras vitórias, chegou á frente de todos numa das mais desgastantes provas do Mundo depois de correr 217 Kms, isso pode dar-nos uma ideia fabulosa de naturalizar irrevogavelmente a Diana Nyad, mesmo que depois da prova possa voltar a ser Americana e disputar a soberania com uma prova de natação, ela parte da madeira e um outro partirá das Canarias… Quem chegar primeiro fica com o troféu! Ela estará em desvantagem pela diferença na distância mas com um treino individual certamente conseguirá. Esta técnica já foi utilizada noutros ambientes desportivos mas lá está, eram de desportos coletivos e o resultado ficou aquém do esperado.
Talvez o importante mesmo, fosse começar por dar oportunidade a umas individualidades de explicarem ao coletivo a importância desta já famosa plataforma.
Nota:
O titulo nada tem que ver com a plataforma, apenas e só, porque mais uma vez se demonstra que o coletivo não funciona, preocupando-se até com a constitucionalidade dos piropos em vez de questões realmente importantes, enfim quem sabe mais uma busca de protagonismo individual e detrimento do… coletivo.
O Foral de Boliqueime
A Nau Portugal perdeu o piloto-mor. Desembarcou e demitiu-se. Diz que falhou. Reconheceu e escreveu. Guardou no frio, até que o calor chegasse. Chegou e de pronto aprontou o cangalheiro das laranjas, jotas e barões, desclassificado ou professor. É conhecido o seu instinto. O defunto responde com pompa e circunstância, a sua única aptidão, o faz de conta. Contradiz-se e apela ao nacionalismo piegas. Diz seu o país. Abandonado não fica. Há negócios por concluir!
A palavra a quem não quer falar: O tempo passou e El Rey de Boliqueime lá palrou, não sem antes todos ouvir. Reflectiu e ponderou. O foral publicou. A viva voz o leu a seus súbditos. Ninguém adormeceu. Explicou quem manda: os mercados. Obedecer é o desígnio. É solene o momento. El Rey decide não decidir. Apelou à anúduva dos partidos do regime. Decretou a primeira acção de fossado contra os eleitores. Tudo em nome da salvação, do regime, porque todos os outros estão condenados.
A Nau permanece à deriva. Ninguém ao leme. É a nortada que impõe o rumo.
Buraco no Resbordo!
Num mar de águas agitadas o inevitável naufrágio está a meio do seu percurso enquanto alguns…
Avisados de que não terão salvação insistem em permanecer a bordo, alegando que devem gozar a viagem de sonho até ao último minuto, até porque não foram eles que custearam a alucinante aventura.
É certo que nas leis que regem as artes de marear, o comandante deve ser o último a abandonar a embarcação e este tenta desesperadamente manter-se agarrado ao leme, já com as mãos trémulas.
Sabe pois, que contrariamente ao que aconteceria numa situação real, ele permanecerá com a cabeça á tona da água, expedito em nadar por entre as correntes, ora mergulhando mantendo-se quase imperceptível quando a conveniência do silêncio lhe é favorável, ora surgindo por breves momentos para encher os pulmões de ar aproveitando para apregoar a sua inolvidável sabedoria, enquanto vislumbra os outros a ficarem sem folego e á beira de um afogamento inevitável.
Assemelhando-se a um filho pródigo, o seu benjamim sempre agarrado a sua mão já trémula, vai dizendo que se tranquilize pois ele mesmo evitará a catástrofe, enquanto com a outra tenta irremediavelmente agarrar as calças que já desnudaram os glúteos, suportando aqueles que tentam desesperadamente um último folego antes de serem engolidos, para o fundo negro do oceano.
Vendo ao longe os seus imediatos nadando calmamente sustentado á superfície, como se dum acto heroico se tratasse, as missivas demissionárias, garantindo o alcance não só da boia salvadora mas as embarcações onde a continuidade de progressão na carreira será garantida, almejando já a promoção imediata para postos menos sujeitos a serem achincalhados pelos que apresentam já uma calvície pronunciada provocada pelos sucessivos cortes.
Os acontecimentos dão-se muito perto da costa, por isso começaram já a avistar-se as aves de rapina famintas de mais um repasto, que passarão não tarde a criar lesões físicas, já que as psicológicas já se faziam sentir desde a entrada das primeiras águas pelo resbordo.
Lá se encontram igualmente os “experts” na matéria, esgrimindo opiniões sobre quem terá aberto o rombo na casco, opinando sobre a metodologia utilizada, tentando fazer prevalecer cada um deles a sua teoria, fazendo futurologia sobre os próximos acontecimentos.
A sustentabilidade das embarcações, há muito que é abrilhantada com casco duplo, mas por cá embora com uma incontornável história naval, a filosofia do “deixem-nos trabalhar” não permitiu olhar para o lado e aprender as novas técnicas.
Essas sim, de importância capital.
O Equívoco
Piloto e cartógrafo da Casa da Índia, o navegador português João Dias de Solis fugiu para Espanha em 1506. Procurado pelo assassinato da sua mulher, não foi piegas, emigrou e consigo levou o Regimento do Astrolábio. Mudou de nome. Foi recebido de braços abertos. Detinha o desejado saber da arte de navegação. Não evitou polémicas, mas chegou a Piloto-Mor do reino de Espanha. Após uma década a leccionar, Juan Díaz de Solís comandou uma pequena frota de três navios numa expedição cartográfica à América do Sul. Em 1516, Solis foi o primeiro ocidental a contactar com os Querandis, os nativos do norte da Argentina, mas foi a sua tragédia pessoal a norte dessas paragens que o conduziu à glória póstuma. Foi-lhe atribuída a descoberta do Uruguai. Após o desembarque numa ilha situada num amplo estuário, Solis e oito dos seus homens efectuaram uma trágica incursão exploratória. Foram mortos à paulada por um bando de locais: os Charrua, nativos do actual Uruguai. Os exploradores sobreviventes regressaram a Espanha. Sem riquezas do novo mundo, apostaram no relato da barbárie dos indígenas. Mentiram quando lhes atribuíram a prática do canibalismo, pois o sensacionalismo da notícia ajudaria a camuflar o fracasso da expedição. Resultou. Ao rio chamaram “Rio Solis”. A ilha chama-se hoje “Martín García”.
Uma década depois, em 1526, chegado ao mesmo estuário, Sebastião Caboto, genovês ao serviço do reino de Espanha, atribuiu o nome de “Rio de La Plata”, pois os indígenas ostentavam vários objectos em prata. O entusiasmo inicial revelou-se infundado. Deu lugar à decepção. Rapidamente se constatou que o metal precioso fora importado, ou melhor, tomado a navegadores portugueses, que à época e à margem do tratado de Tratado de Tordesilhas, também exploravam a região.
O incumprimento de tratados e o perpétuo adiamento de metas é prática antiga entre os lusos.
A expansão colonial espanhola prosseguiria em busca de metais preciosos e de mão-de-obra barata, isto é, gratuita. No estuário do rio da prata nenhuma das duas seria encontrada. Os indígenas eram caçadores recolectores, dispersos por pequenos bandos sem hierarquia ou regras. Não forneciam alimentos aos colonos, e quando capturados recusavam-se a trabalhar para eles. A prata só existia muito mais a ocidente, nos Andes, nos territórios Incas.
O equívoco da prata daria ainda nome a um país, a Argentina, do latim Argentum, a prata.
Quase duas décadas após a morte de Solis, Pedro de Mendoza estabeleceu a primeira colónia espanhola na margem sul do estuário do rio da Prata em 1534. Fundou a cidade de “Buenos Aires”. Apesar dos bons ares que por ali se respiravam, as dificuldades mantinham-se, nomeadamente a fome. Os Querandis não colaboravam, recusando-se a fornecer qualquer ajuda aos colonos, atacando-os com paus, pedras e flechas. Explorar o novo mundo estava longe de ser vida fácil.
Em 1537, uma expedição liderada por Juan de Ayolas a montante do rio Paraná, estabelece contacto com um povo sedentário, os Guarani. Cultivavam o milho e a mandioca. Ao contrário dos Charruas e dos Querandis, eram numerosos e tinham uma sociedade hierarquizada. Muito mais relevante, a sua elite estava disposta a impor sacrifícios aos seus concidadãos, garantindo a manutenção dos seus privilégios, ou seja, Ajustaram. Foi pela primeira vez encontrada a mão-de-obra que os colonos Espanhóis necessitavam. Juan de Ayolas fundou a cidade de “Nuestra Señora de Santa María de la Asunción”, no local da actual capital do Paraguai, Assunción. Os fundadores da cidade de “Buenos Aires” mudaram-se para a nova cidade. A mão-de-obra disponível permitiria a criação de Encomiendas, a instituição económica que legalizou o Trabalho Forçado. Apesar das condições meteorológicas favoráveis, Buenos Aires é completamente abandonada em 1541. Permaneceria deserta até 1580. Tudo não passou de um equívoco.













