Category Archives: Ideias para o País
Por mais absurda a ideia acreditamos nela e no País!
A Vós, e a todos os Outros
Meus amigos, e amigas, pretéritos, presentes e futuros; porque, a todos acolho como correligionários nesta ocasião.
Fala-vos, um sonho.
Consultadas a avisada esquerda, a envolvente direita, o Altíssimo para que uma luz transcendente me alumie, e as profundezas do ser para um pingo de vergonha neste corrupio infernal, venho a vós para que saibais das minhas demarches para este fim-de-semana, que, prevejo atribulado e trabalhoso, mas, sem dor, porque para vosso bem.
É do vosso conhecimento a minha dificuldade para formar governo. Sei-vos apreensivos.
Para os muitos que pensam ser simples a tarefa de vos governar, está explicada a razão porque tão raros são os candidatos a tão nobre, mas árduo, encargo. Porque não se trata dum trabalho, tão pouco duma profissão, mas antes, dum sacerdócio de responsabilidade. Uma chama da vida.
Feito o intróito, e porque vos quero sempre informados dos nossos destinos e vossas escolhas maiores; faço-vos saber que estarei reunido nos próximos dois dias com a maior fatia da oposição, de forma a chegarmos a um entendimento sobre o que fazemos e faremos aqui.
A Nação tem sido acusada de não dar importância ao movimento que, num crescendo, ano após ano, de eleição em eleição, década a década, se tem visto ostracizado pelas estruturas e até!, pasme-se o querido compatriota!, pela própria Constituição da República que, não respeitando o querer da maioria significativa da população vivente e ausente, lhe desrespeita o querer de mudança. A sua soberana escolha.
Falo-vos do Movimento Abstencionista, essa mole humana de gente crente em que, um dia, se lhe pergunte: – Porquê?!, com ou sem exclamação mas, com o interrogatório interesse em saber a razão, ou as várias, que demovem esta pobre gente sem voz, sem outra forma de luta, sem representatividade líder ou porta-voz, do habitual cortejo à urna. É vê-los refugiados na esplanada, sob o jugo do calor, no shopping apreçando o improvável, na praia, esse refrigério do Estio, no estádio, libertando as tensões do viver, no cinema, espairecendo no sonho alheio, nos parques confabulando com os iguais a inclemência das medidas, nas suas humildes casas aguardando, faça Sol, chuva ou nevoeiro, que alguém lhes traga, como uma esmola, o pão nosso de cada dia prometido por quem, cala-te boca, lhes oferece durante quinze dias insistentemente, e quatro anos, compassadamente, a glória da sua escolha e governo. Tende pena cidadãos!
Os números são relevantes e dignos dum estudo académico para posterior responsabilização da Pátria pelo “estado a que isto chegou”. Não se admite.
Chamados à acção em 1975 com 8,34% da preferência da população, foi-se construindo o crescendo sólido e consistente, atingindo os dois dígitos no ano seguinte e, passadas as duas dezenas nos anos oitenta, as três dezenas nos anos noventa e as quatro dezenas no final da primeira década do século XXI. Com esta progressão, creio, atingirá a maioria absoluta ainda esta década. É obra!
Apontem-me, amigas e amigos, Portuguesas e Portugueses, partido, facção, querer ou protesto, que tenha crescido tanto em intenções como a que aqui apresento como alternativa e para governo.
Volto aos números para esclarecer que, os apresentados, se referem apenas a Eleições Legislativas e que, estas, as últimas, revelaram, embora em abrandamento, um crescimento de 1,77%, sendo, no entanto, o maior resultado de sempre.
Para presidenciais já uma vez ultrapassou os 50% (2011) e, só não deu à luz um presidente, porque já era gente nada.
Para as Europeias, nem é bom falar… 66,10% nas últimas (2013)… Bem se vê que a Europa não interessa a “ninguém”.
E porquê chamar à liça dos destinos da Nação esta força em crescendo se temos tantas alternativas, e cada vez mais?
É que, apurados (quase) todos os votos à data em que discorro, e deixando para a maturidade os restantes porque pequenos (cresçam, e apareçam!), restam-me quatro pobres alternativas para formar governo e ter quórum, a saber:
PàF – porque foi a mais votada,
PS – porque se fez o maior da oposição,
BE – porque foi a revelação,
CDU – porque ganhou mais uma vez.
Quanto ao PSD, sabemos, foi quem trouxe o descontentamento e a desgraça ao país nestes últimos quatro longos anos; por isso, o povo não o quer. Sabemo-lo pela larga contestação, incómodas greves e manifestações de rua. É um facto.
Sobre o PS, valha-o Deus e as almas santas, não acerta com os cartazes, com as contas, com as amizades, com os candidatos a presidente; vejam bem que nem para almoçar aparecem todos (se é que “todos” foram convidados…). Não falo aqui em contas antigas senão, teria que meter na mesma urna o mais votado e ninguém quer ter nada a ver com semelhante. É um facto.
O BE, o terceiro mais votado (embora isso hoje não tenha importância nenhuma), está de parabéns por ser o primeiro partido feminino da nossa querida República. Não estou a chamar-lhe feminista; conhece-lhe algum homem com funções de relevo e a dizer coisa-com-coisa? Eu também não. Podendo vir a ser violentamente criticado por estar a relevar o género, digo-vos que, foi uma agradável surpresa. Mas, a verdade, é que não sabe muito bem o que se está a passar nem como há-de ser… É um facto.
Resta-me o PCP (esqueçamos por momentos a sua coligação que, como outra que cá sabemos, quem vai a reboque há-de dizer sempre que sim). E aqui, tenho um problema capital. É que, embora em quarenta anos tenha sempre falado pelo povo, o povo não lhe dá importância nenhuma, não lhe liga pevide. Noventa e dois por cento (92%) dos eleitores, não votou nele. Parece mentira, não parece? Tal é o alarido. E, o máximo que conseguiu foi, no longínquo 1983, se bem me lembro, 18%, vindo a decrescer sempre e consistentemente até aos nossos dias, que são hoje. É um facto.
Mas, contra factos há argumentos. E assim se faz política.
Nós, reuniremos afincadamente, e por vós! Temos hora marcada e já sabemos a ementa.
O Voto Útil
O voto útil não é temente à projecção de cenários catastróficos.
O voto útil não é permeável à influência de sondagens manhosas.
O voto útil é sereno.
O voto útil é voluntário.
O voto útil é corajoso.
O voto útil não é fiel. A esquerdas, a direitas, a partidos nem a personalidades.
O voto útil tem memória.
O voto útil não premeia culpados.
O voto útil é feito em consciência. Do estado da sua vida pessoal, do estado da vida dos que lhe são próximos, do estado da vida dos demais.
O voto útil é altruísta.
O voto útil muda o destino do país.
O voto útil é uma simples cruz certeira. Arma derradeira contra a tríade do voto cego, voto egoísta e voto do compadrio.
O voto útil é uma espécie rara, em vias de extinção.
O voto útil é o meu.
E o seu?
Escolha! Opções não faltam!
Da direita à esquerda, não se ouve outra coisa, não estivéssemos nós em recta final da campanha eleitoral, senão o apelo ao voto útil! Parece que, de repente, poderemos ser todos úteis, quando no resto do tempo não temos qualquer utilidade.
Poderemos ser úteis para derrotar a direita, votando no PS.

Poderemos ser úteis para evitar outra vez a Troika, votando PáF (PSD & CDS).
Podemos ser úteis em dar mais um, um voto, para a necessária maioria absoluta, votando no PS ou no PaF.

Podemos ser úteis votando apenas PS e PÁF, não desperdiçando votos em pequenos partidos, não representativos pois claro!


Vai-se votar CDU, BE, MRPP, AGIR, Livre, PAN, para que? Não vão ganhar, não vão governar, vai-se desperdiçar um voto neles?

Voto útil é votar no Costa contra o Passos e o Portas! Voto útil é votar no Passos e no Portas contra a ingerência do PS!

Chegou aquele momento em que para o PS, o PSD e o CDS, os cidadãos, contra quem governam, podem ser-lhes úteis. Úteis na pertectuação do seu poder, úteis em dar maiorias absolutas, porque essa é a garantia de estabilidade. Sem uma maioria é impossível governar, dizem eles, e nós sabemos! Sem uma maioria não existe política! Sem uma maioria não há acordos possíveis. Somos úteis, somos necessários! Não existe democracia sem uma maioria, absoluta, claro!

PS, CDS e PSD têm governado contra a Nação, cometendo crimes de lesa a pátria. Traíram o seu povo (a quem agora pedem votos!), traíram a Nação. 40 anos de traição!

PS PSD e CDS dividem o poder. Dividem os cargos, dividem as parcerias publico-privadas, dividem politicas que atacam direitos sociais. Cortam em pensões, aumentam impostos, entregam a segurança social para ela financiar as empresas e engrossarem os lucros. PS PSd e CDS no poder autárquico dão obras publicas a quem lhes lava as mãos, em estradas, hospitais, pontes, e tudo quanto são obras públicas.
PS PSD e CDS estão prontos para acabar com a segurança social e com o Serviço Nacional de Saúde!

PS PSD e CDS são os responsáveis por 3 intervenções do FMI!

PS PSD e CDS são submissos a Bruxelas, à União Europeia e a Berlim, que esmagam as nações mediterrâneas!
PS PSD e CDS são federalistas, são liberais e são de direita!
PS PSD e CDS são pelo Tratado Transatlântico!
Útil é não votar PS PSD e CDS! Útil é correr com esta gente!
Útil é mobilizar um amigo, um familiar! Útil é combater a abstenção que se estima! Útil é combater PS, PSD e CDS!
TODOS ÀS URNAS! VAMOS CORRER COM ESTA GENTE!
Refugiados: o Tuga explicou

Sobre a vaga de refugiados, tema central e quente que se arrasta há várias semanas há quem explique e não se faça entender, há quem tente explicar e não consiga, há quem já nem tente explicar e imponha, há quem insulte, há quem grite, há quem clame e declame, há quem se manifeste, há quem negue, há quem chore, há quem escreva, há quem fotografe, há quem tente informar, há quem desinforme, há ainda os que tentam dominar, há quem veio de trás e se tenha colocado à frente e haverá quem tenha encabeçado tudo isto e se vá deixando ficar para trás e talvez um dia venha dizer “não era para nada disto!”.
Mas houve quem falasse e dissesse muito. E para isso tinha que ser um português! E não, não foi o bom do Guterres, que esse a gente já sabe, desde os anos 90, que guerra e refugiados é com ele! Mas eis que essa pessoa veio das fileiras que menos se espera neste momento, da alta finança!, da supervisão! que falhou…, do BPN, do Banco Privado e até do BES, mas nessa altura o Dono Disto Tudo ainda era o Dono Disto Tudo ou o Ex Dono Disto Tudo. Vítor Constâncio, homem do Banco de Portugal, cujo colapso financeiro português da altura (achávamos nós, inocentes, antes do BES), lhe valeu a promoção no BCE, tal não foi meritório o seu valor.

Mas estava eu a dizer, que teve que ser um português a desenrascar a explicação. Nós nisso não há como negar, somos bons, e como bom português, o Vítor não podia deixar de ser desbocado (é só pena não ter sido desbocado à cerca da supervisão!). Sobre o fogo dos refugiados que já não sabemos se são refugiados ou imigrantes, mas provavelmente são o segundo com o pretexto do primeiro, diz o Vítor no momento certo, que “A imigração é necessária ao crescimento económico do continente”. Mas o Expresso clarifica: “Constâncio explica que o potencial de crescimento económico da Europa foi fraco, devido a factores que incluem um mercado de trabalho em retracção”. O Expresso clarifica ainda que “Para o vice-presidente do BCE, a elevada taxa de desemprego na Europa explica a forte reacção contra a imigração, acrescentando que essa percentagem tão alta de pessoas desempregadas está a “desestabilizar o continente””.
Ora, vejamos assim só por alto, que mesmo não sequenciais, as afirmações são discordantes entre si. A Europa está envelhecida e precisa de mão-de-obra, logo há emprego/trabalho e prevê-se falta de mão-de-obra, mas a taxa de desemprego é muito elevada, logo já há excesso de mão-de-obra porque a economia está em retracção e o potencial de crescimento europeu é baixo, e havendo desemprego a Europa não cresce não é por falta de mão-de-obra, porque afinal ela até é excedentária. O Vítor é um excelente embaixador do nosso povo, mas é impressionante como tem em si vincados tantos dos nossos defeitos: é um trapalhão.

O que o Vitinho quer dizer é isto: A Europa está enfraquecida, as nações estão enfraquecidas, mas a União Europeia que quer ser forte e quer parecer forte está também ela enfraquecida. Mas ela não pode enfraquecer, porque ela é o meio pelo qual todo o campo de possibilidades do nosso futuro passa. Então aproveitando-se do enfraquecimento político, convém sob vários pretextos inundar as nações com migrantes. Assim, esmaga-se ainda mais o poder dos Países (estados, que agora já nem países somos!), esmaga-se o poder dos cidadãos e dos trabalhadores e dos sindicatos, que no curto prazo ficam perdidos com uma imensa massa de mão-de-obra barata e sem direitos. E acaba-se de vez (ficando só no papel) com o Estado Social, que desfraldado de contribuições devido ao financiamento dos privados, nomeadamente à banca, e devido à diminuição das contribuições por causa do aumento do desemprego, não será capaz de incluir uma imensa vaga de migrantes proporcionando-lhes as condições que todos os trabalhadores deveriam ter.
Esta vaga de migrantes possibilita ainda o retorno de industrias que se instalaram fora da Europa e com a instabilidade política lhes pode ser conveniente agora regressar, garantindo que aqui encontrarão mão-de-obra low cost. E sob esta perspectiva sim, existe falta de mão-de-obra na Europa!
Vítor Constâncio apenas traduz a ideologia dominante e que vigora na Europa e nos Países que compõe a União Europeia. Não sei se terão esquecido do resultado do ataque às nações e da reacção normal das populações: os extremistos dos nacionalismos. Quando se atacam as nações e os países, os naturais tendem a juntar-se e a ver os de fora como “os outros”, e “os outros” passam a ser os que lhes vieram roubar o lugar. Vários países, como Portugal, se vêm a braços com elevadas taxas de desemprego e crises sociais. Sem crescimento económico e sem criação de emprego, mais mão-de-obra é mais desemprego. Os populismos nasceram sempre com um fundo de razão, perdendo sempre a razão aquando do momento de encontrar os responsáveis.
Saberá, se for caso disso, este capitalismo capitalizar e ganhar com o ódio das nações, como em outros tempos?

Solidariedade por Cotas
Quando a pedagogia do exemplo é fugaz, quando as portas se escancaram num dia, para logo se fecharem com estrondo compreendemos que a solidariedade é apenas uma palavra, uma arma para impor aos outros a própria vontade. É egoísmo.
Concordo e saúdo que cada estado membro possa determinar aquilo que lhe convém. É justo. É soberania. Só lamento que entre a nossa união, apenas um país preserve esse direito. Está errado? Não, errados estão todos os outros.
Por todo o lado se promove a tomada de posição, contra ou a favor. Contudo, a migração está em curso. Acontece, independentemente das opiniões! Qual a relevância de ser contra? Zero! O mesmo afirmo em relação ao entusiasmo em receber. Os factos ultrapassam constantemente este estéril debate. Tomar posição é simplesmente uma forma de alijar preocupação. Soluções?
A esmagadora maioria dos migrantes pretende rumar ao centro, à mais pujante economia europeia. Pudera. Perante tal preferência, as cotas. Imponham-se as ditas! Critérios? Aliviar o centro. O problema é como disse, demasiado complexo e urgente. Carece de expediente. Proponho que as cotas sejam determinadas visando a equidade entre estados membros à luz de um único indicador económico, o PIB per capita, i.e., em função do rendimento médio anual por habitante. Cada país acolherá o número de migrantes que a sua economia pode suportar. Simples! Nem teremos de lavar roupa suja sobre quais os países que bombardearam outros países, quais os países que venderam armas ou quais os países que até hoje têm fingido que o problema nunca existiu.
Anti-Zombies #5: Armageddon Apolítico
Afinal que consequências práticas teria o ressuscitar de todos estes zombies inócuos?
Assumindo que os votos recuperados não seriam distribuídos pelos partidos da alternância ‘democrática’ dos últimos 40 anos, responsáveis pela maléfica proliferação de zombies, o mais provável cenário de final de votação seria o da incapacidade de formação de governo por parte de um único partido ou de uma coligação bi-partidária.
Só existiriam três cenários.
1) a conversação multi-partidária para a criação de um ‘governo de salvação nacional’ (finalmente a concretização do sonho do nosso PR);
2) a marcação de novas eleições, isto tendo em conta as vincadas incompatibilidades já manifestadas por vários dos líderes políticos com presença no nosso parlamento. Novo ciclo de eleições completamente diferente, com debates que reflectissem o novo peso político de cada partido, recentrados em linguagem simples e objectiva, verdade política, honestidade intelectual e realidade social, onde não existiriam quaisquer certezas quanto ao resultado final das votações;
3) a força dos ex-zombies provoca um terramoto político e delega em novos partidos e novas caras a responsabilidade da governação.
Seja como fôr nada seria como dantes. Seria a ruptura total para com o sistema vigente. Uma demonstração de coragem do povo português e punição directa dos responsáveis pelo estado da nação, começando pelo actual PR que ao invés de um final de mandato sereno teria de gerir todo este caos político e social.
A meu ver, ao contrário do ensaio sobre a lucidez de José Saramago, é a votação massiva que pode forçar a mudança do sistema. A nulidade só tem até hoje servido para o branqueamento e legitimação das decisões delapidares de património, cultura e sociedade.
Por tudo isto, pelo bem do nosso futuro, declaro aberta a temporada de caça aos zombies.
Boa sorte e boa pontaria!
Anti-Zombies #4: diáspora
Uma das maiores falanges de zombies, engordada recentemente, é enganadora quanto ao seu verdadeiro peso e força, pois lá diz o ditado que longe da vista, longe do coração. Só que há muito sangue luso a pulsar no coração desta diáspora! Se não sucumbirem à ratoeira da transformação em zombie estes PORTUGUESES adquiriram o distanciamento necessário e contacto com outras culturas, sociedades e políticas que lhes permite ter uma avaliação diferente do nível de democracia, sociedade e governação em Portugal.
Muito útil seria a votação em massa destes Portugueses emigrantes, mesmo os que saiem com ideia de não voltar estão destinados à lusitana saudade, pelo que os destinos de Portugal, apesar de não os afectarem no imediato, farão o seu impacto no momento do retorno.
Existem mecanismos para o recenseamento e voto no estrangeiro, que no entanto devem ser exercidos com muita cautela! Isto porque por vezes o zombie pode ser criado por aberrantes alquimias contra a vontade do próprio.
Se algo correr mal o último recurso anti-zombie será uma visita forçada a Portugal para um misto do matar de saudades e do exercer do direito de voto.
Mais uma vez um país interessado na defesa da sua democracia poderia tomar medidas que estimulassem o voto dos seus emigrantes, como por exemplo no período envolvente às eleições levar a TAP a promover campanhas de voos a preços low-cost a partir das capitais dos principais países de emigração. Para que a diáspora, que não activou os mecanismos de voto à distância, considere juntar o útil ao agradável, visitando o seu país e família exercendo ao mesmo tempo o seu direito de voto.
Como seria estonteante a adesão massiva dos nossos emigrados, apanhando de surpresa os políticos que se fiam no quem está fora não racha lenha.
Anti-Zombies #3: estudantes, migrados, doentes e reclusos
Há zombies com mais azar do que outros. Uns palmilham centenas de Km, só encontrando sustento muito longe do ponto de partida a que chamam de casa, outros estão debilitados fisicamente com dificuldades de locomoção, outros há que de tão mau comportamento em vida estão confinados a 4x paredes privados de liberdade.
Pois para cada um dos casos existe a fantástica possibilidade de voto antecipado e em alguns casos mesmo voto à distância. O que quer dizer que na prática, a distância ou condicionantes que impeçam a deslocação, apesar de obstáculos não são necessariamente bloqueadores do exercício de voto! Havendo vontade sempre é menos uma desculpa para se tornar mais um zombie inútil!
Também há aqueles que se desculpam pelo facto de estarem recenseados na freguesia onde cresceram, apesar de já viverem há décadas numa outra freguesia após saída de casa para vida indepente. A esses há que revelar que basta alterar a morada do cartão de cidadão para comodamente passarem a votar num local perto de si.
Mesmo assim há os que realmente estão deslocados temporariamente. Por isso, tendo em conta os altos níveis de abstencionismo, diria que em prol da democracia se poderiam tomar medidas pró-voto como por exemplo:
- abolição de portagens no FDS das eleições;
- abolição ou redução drástica de custos de transportes inter-regionais no FDS das eleições (comboios e expressos);
- obrigatoriedade de pelo menos um evento de campanha eleitoral em cada prisão do país com representação de todos os partidos a votos;
- permitir o voto presencial em freguesias distintas que seria canalizado por via postal para a freguesia de recenseamento;
Desta forma o factor custo deixaria de ser uma barreira, como é hoje em dia para muita gente trabalhadora, permitindo a fusão entre o cumprir do seu dever de eleitor e uma visita barata à sua zona e aos seus.
Já o evento nas prisões faria parte de um processo de verdadeira inclusão, uma vez que os reclusos não tem facilidade de acesso a meios informativos, ajudando as prisões a cumprir com a sua missão de re-habilitação e re-integração.
Anti-Zombies #2: os fantasmas
Fantasmas são todos aqueles que estão muito além do alcance das máquinas de propaganda e engodo do período de campanha eleitoral. Alguns deles foram zombies e continuam a estar-se a lixar para o governo do novo reino onde se encontram, outros foram acérrimos defensores da democracia, conquista ainda da sua época, e são agora almas penadas. Todos estes fantasmas vinculados a uma semi-existência terrena pelo constar do seu nome nos cadernos eleitorais.
Especulo que uma das razões para tal situação possa ter sido o frenesim de destruição do lápis azul ter também levado à extinção inadvertida dos meios correctores, como as únicas borrachas especiais capazes de apagar nomes de defuntos dos cadernos eleitorais.
Temos assim mais de um milhão de eleitores fantasmas que juntos representam no imediato cerca de 10% de abstenção. Fica aqui este alerta aos zombies ainda possuidores de um corpo, de que ao sê-lo poderão ter um sentimento de pertença de grupo, de comportamento de manada rebelde, que na verdade é etéreo apesar de ter implicações nefastas que se manifestam no mundo físico.
É realmente muito estranho que não existam mecanismos ágeis e automáticos para secar as listas eleitorais já que não só pode desvirtuar os números de abstenção como pode dar azo a uma utilização de documentos falsos para exercício de votos indevidos. Sem pensar muito porque não retirar imediatamente o direito de voto a todos aqueles que não se apresentem a votos em duas eleições legislativas? Quem quisesse voltar a ter direito de voto faria novo recenseamento. Quem estivesse morto poderia seguir viagem para o seu último destino.
Não existe risco de prejuízo para ninguém, afinal ser zombie ou fantasma equivale a uma certa não existência apesar de materializada num peculiar tipo de ser.
Anti-Zombies #1 – Genesis
| zombie |zômbì| (palavra inglesa) substantivo de dois géneros mesmo que morto-vivo Plural: zombies |
mor·to·-vi·vo substantivo masculino 1. [Ocultismo] Cadáver que se crê ter voltado à vida por meios mágicos. 2. Indivíduo com aspecto de moribundo. 3. Indivíduo apático, sem ânimo ou capacidade de reacção. Plural: mortos-vivos |
Bem-vindos a Setembro, bem-vindos à campanha eleitoral, bem-vindos à nossa democracia.
Espero que as férias tenham sido excelentes para todos sem pensar em política nem nas agruras da vida causadas pela governação dos últimos anos.
Eis que é chegado o momento de fazer a diferença. Sim, é verdade, chegou aquela altura em que realmente contamos e podemos mudar o rumo do país. Ai estão elas! As fresquinhas e apetitosas legislativas de 2015!
Que relação tem esta reentré bloguista, e celebração, com a definição de zombies que a precede? Simples. Desde sensivelmente 2010 que realmente (sobre)viver é um terror para muita gente, aqui e ali se foi verificando muita acefalia, quer da parte de governantes, quer da parte de governados.
É este o princípio básico de um zombie, um ser moribundo, sem cérebro, que necessita do cérebro dos outros para continuar a existir. Assim são todos aqueles que não exercem o seu direito de voto. Os INCONSEQUENTES Zombies Abstencionistas e Zombies Nulos/Brancos. Que na prática delegam nos outros as decisões com impacto directo nas suas vidas.
Este movimento anti-zombies é uma medida preventiva contra os zombies eleitorais que pensam estar a marcar uma posição quando na verdade estão apenas a colocar mais um prego no seu, peço desculpa, no nosso, caixão.
Uma vez que o voto não é obrigatório procurarei também sugerir medidas e apresentar argumentos que possam estimular o cumprimento do nosso dever cívico, sobretudo em alturas como a actual. O primeiro de todos é o facto de existirem bem mais partidos do que aqueles que já exerceram governação ou se encontrama actualmente no parlamento. Ao invés de sucumbir ao estado zombie pode começar por ter a coragem de retirar poder aos grandes e dar espaço aos pequenos.









