Category Archives: Escárnio e mal-dizer
Don’t Look Up
Neste regresso aos nossos clássicos do cinema, focamos o projector num sucesso recente: recuamos apenas uma mão-cheia de anos até ao filme Don’t Look Up. A obra de 2021, então simultaneamente classificada como comédia e drama, hoje poderá parecer sátira política, mas, na minha modesta opinião, sempre foi um ensaio sobre a estupidez cósmica. Questiona, sob múltiplos ângulos, quão fúteis conseguimos ser, sem dúvidas ou remorsos. Como espécie, munidos dos mais sofisticados meios tecnológicos, estamos no pináculo da nossa cegueira.
A história do filme, realizado por Adam McKay e protagonizado por uma verdadeira constelação de estrelas, relata-nos a forma como sociedades e governos lidam com a perspetiva da extinção — leia-se, o fim de algo tão precioso e raro como a vida dita inteligente. O absurdo governa o mundo, mantém-se inabalável mesmo quando a agenda entra em rota de colisão com os acontecimentos, ignorando que nenhum poder é infinito. A realidade, essa, quando adversa, é posta de lado. Vivemos num circo global e mediático, onde a ignorância extrema é valorizada e o conhecimento galacticamente ignorado. Não há risco, só certezas. Lançam retórica como se a sua vontade fosse lei da física, como se o universo se vergasse ao seu desejo.
A bravata perante o fim trágico — mesmo diante da possibilidade de extinção — alerta-nos, ou deveria alertar, para quão frágil a nossa existência é. Perante o cometa em rota de colisão com o planeta, mantemo-nos focados no umbigo, esse buraco negro da compaixão, onde toda a empatia se extingue no horizonte do ego. É precisamente aí que estamos centrados, sentadinhos ora no sofá, ora no carro, enquanto aguardamos na fila para abastecer, como se, de facto, o preço dos combustíveis fosse o verdadeiro problema. Não é. O problema é bem mais profundo e pode, caprichosamente, ser revelado pela superficialidade daqueles que se julgam senhores do cosmos. A sua envergadura é pequena, pequenina, e por isso se esforçam tanto para parecer grandes figuras. Nós, expectantes, assistimos à performance, ignorando que estes protagonistas poderão mesmo ficar para a história como os figurões de uma estória que ninguém ficará para contar.
Mais do que a dificuldade em agir decisivamente perante ameaças reais, o perigo reside hoje na incapacidade de agir racionalmente quando a realidade não vai ao encontro do desfecho súbito e definitivo, tal como idealizado. Aqueles que se julgam no Olimpo, perante a adversidade, não se contentam com o recurso à censura e à manipulação dos factos. Uma vez desmascarados da sua ilusão de invencibilidade, movidos pela sua fútil vaidade, vão, uma vez mais, provar que a arma dos fracos é a força — poderão, em breve, recorrer ao engenho dito tático, numa terceira demonstração do poder escondido dentro do átomo. Ao fazê-lo, dir-nos-ão que o poder destrutivo estava escondido, enriquecido pelo inimigo, e assim tentarão legitimar a ação tomada. Ante este plano de ação da fraqueza e dissimulação, agiremos como no filme: mesmo perante um perigo desta magnitude, continuaremos a discutir versões da realidade, cada qual confortável com aquela que convém à sua tribo. No entanto, a devastação neste cenário, não reconhecerá fronteiras. Tal como no filme, não existe abrigo ideológico nem refúgio geográfico. O imparável cometa, somos nós, crentes na dicotomia do “nós contra eles”, incapazes de compreender que partilhamos o mesmo planeta e como tal, o mesmo destino.
Recordistas?
O vencedor obteve a maior votação de sempre! Recordista histórico ou haverá ainda mais por explorar nesta verdade, neste feito legitimador de uma estória em detrimento da outra? Poderá alguma das narrativas em contenda, afinal, clamar triunfo? A comparação entre as eleições presidenciais de 1986 e as deste ano é, a vários níveis, inevitável: desde a óbvia e rara segunda volta, até ao arregimentar, mais ou menos tímido, de votos em torno de candidatos ditos «não naturais» aos diferentes contextos partidários. Quatro décadas volvidas, do século passado para os nossos dias, muito mudou — nem tudo para melhor — mas, em rigor, prosperámos e crescemos em população eleitoral, de 7,6 para 10,9 milhões de eleitores inscritos!
Vencedor recordista? Curto e grosso: sim. A votação no vencedor é recordista, correspondendo a um incremento de cerca de 15,7% em relação ao vencedor em 1986. Contudo, o universo de inscritos cresceu 43,8%, o que dá que pensar. Observemos a realidade crua dos números: hoje somos mais 3,3 milhões de eleitores e, paradoxalmente, o número de votantes diminuiu em relação a 1986. Sim, mais inscritos, menos 7,6% de votantes! O contraste aumenta quando nos focamos no universo do «não gosto de nenhum»: daqueles que, indo ou não exercer o seu direito, rejeitam todas as hipóteses. É flagrante: o «não voto» cresceu para mais do triplo! Quem diria que, na era da informação na ponta dos dedos, dos máximos históricos de escolaridade, o número dos que decidem não decidir mais que triplicou? Os números são avassaladores: 1,7 milhões em 1986 versus 5,7 milhões em 2026. São mais 4 milhões, um crescimento superior ao aumento do número de eleitores inscritos e talvez mais preocupante, superior ao número de eleitores que elegeram o vencedor. Mais um record.
Nos dias em que o mau tempo passou a ter nome próprio, em que o substantivo é reiterado na comunicação social, embora as datas não, pergunto-me: que vitória foi esta? Que miserável festejo foi este, que deixou de fora quem não só teve o infortúnio de sofrer as pesadas consequências do mau tempo — privado de electricidade, água, telecomunicações e transportes — como ficou à mercê de um Estado que o relega para formulários online aos quais não pode aceder, numa (infelizmente) típica manifestação de soberba, que nenhuma ignorância ou incompetência pode justificar? E, como se tudo isto não bastasse, ainda lhe dizem — numa eleição já decidida, e a única sem círculos eleitorais — «venha votar para a semana: votar é um dever». Ser, é, mas cada vez mais sentimos que estamos apenas a eleger delegados de turma: os mais populares entre nós, mas que, no concreto e no relevante, nada fazem. Absolutamente nada. Nem triunfo, nem vitória, tal como na escola, tudo não passou de um exercício, um mero procedimento. Recorde? Só de inconsequência.

O boicote é livre
Os poderes governativos julgam estarmos reféns de aspectos legais e constitucionais. Primeiro-ministo e presidente da república em funções, têm o poder de despoletar os mecanismos legais que permitem um adiamento eleitoral. Optaram conscientemente por não o fazer, alargando o leque de erros cometidos na antecipação e reacção às calamidades ocorridas um pouco por todo o país.
Neste momento temos pessoas desalojadas, ou em condições precárias, agravamento no FDS das condições metereológicas e de crise para grande parte do território, pessoas deslocando-se dos seus concelhos de residência para acudir a família/amigos ou defender propriedades que tenham em zonas de risco, sendo certo o reforço do justificado trauma colectivo que assola o nosso país. Muitos não sabem o que será o dia seguinte e certamente as eleições estão no fundo da sua lista de prioridades.
Um dos candidatos teve a audácia de sugerir o adiamento das eleições e isso tornou-se um momento marcante na definição do estilo de presidência que cada um pode oferecer. Ventura, goste-se ou desgoste-se, teve um acto de bom senso e respeito para com os portugueses afectados. Seguro revelou-se aquilo de que Ventura o acusa. De ser um político táctico, preso aos limites de jogo definidos pelo sistema, remetendo para os árbitros a decisão de adiar, apresentando atabalhoadas soluções de eleições por etapas à medida que os concelhos vão tendo condições para exercicío do direito de voto, caindo no rídiculo de insinuar que pode perder a eleição se esta não acontecer no Domingo, com adesão em massa, e que se isso acontecesse seria um golpe sujo que defraudaria a nação.
Independentemente dos jogos políticos, de forma fria, vejo um candidato supostamente sem hipóteses de ganhar a optar por manifestar empatia e mostrar-se disposto a moldar as regras do jogo para melhor servir a população, outro de vitória garantida a optar por manter-nos dentro dos limites definidos, apelando ao esforço e sacrifício para combater um terrível “inimigo” comum. Seguro perdeu o chão, a cara e a imagem sem que Ventura tenha necessariamente feito a sua conquista para si.
Em 2021 tivemos um pico de 60% de taxa de abstenção nas presidenciais. O nível de abstenção não anula umas eleições mas coloca mais ou menos legitimidade no seu resultado. Uma grande demonstração da vontade e força do povo seria neste momento a desvalorização das eleições através do seu boicote. Essa é uma linguagem política clara que fragiliza quem quer que seja que vença as próximas eleições. Se a data das eleições se mantém inadiável, terei todo o gosto em demonstrar o meu descontentamento à desvalorização dada ao momento que o país atravessa, através de uma clara abstenção solidária.
Há momentos em que para estarmos seguros é necessária uma clara definição de prioridades. Este FDS votar em nada contribui para isso. Relembro que sermos ingovernáveis no momento certo é meio caminho andado para a construção de uma governação justa, competente e de bom-senso.
Rembrandt van Vieira
Inquestionavelmente um dos mais talentosos, prestigiados e famosos mestres do período Barroco, Rembrandt ficou conhecido como o pintor da luz e da sombra, um artista que fez do realismo das suas obras uma constante. Este amor à verdade, esta capacidade genial de captar a essência — subtil ou grosseira — foi persistente ao longo de toda a sua vida artística. Traduz-se numa obra ímpar, não isenta de crítica. Alguns, sobretudo os classicistas, acusaram-no de preferir a fealdade à beleza, pois então, tal como hoje, o recurso a filtros, maquilhagem ou efeitos especiais disfarçava verrugas, cicatrizes ou rugas. Pessoalmente, alinho com David Hume: considero que a beleza reside nos olhos de quem vê, especialmente nos auto-retratos.
Hoje, vésperas de mais um acto eleitoral, somos confrontados com mais uma escolha difícil, marcada pela escassez de opções mobilizadoras. Seremos chamados a indicar quem sucederá aos afectos no cargo de maior magistrado da República deste — quase nonocentenário — Estado-nação, este cantinho à beira-mar plantado que chamamos casa.
De um lado, os típicos representantes de si próprios, das suas causas, interesses e vaidades; do outro, Rembrandt van Vieira, personagem-auto-retrato de todos nós: ridiculamente sonhadores e infinitamente capazes de sofrer e sorrir perante o absurdo. Ao contrário dos demais, é romântico na causa, simples nos processos e muito, muitíssimo generoso naquilo que de si dá. Indignados, alguns consideram a sua candidatura uma afronta, um acto de total descaramento e falta de vergonha. “Não se brinca com coisas sérias”, clamam. “O absurdo não tem lugar na democracia”, afirmam. Tenho dúvidas. Contraponho que nenhuma outra candidatura está isenta de descaramento ou absurdo, com uma única e decisiva diferença: todas se levam a sério, embora aquilo que nos propõem seja apenas mais do mesmo — e isso, todos sabemos, não resulta!
Estou grato a Vieira pela sua obra; foi sempre ar fresco em dias abafados. Perante a indignação que a situação exige, o Candidato é a única alternativa viável à abstenção — uma rara oportunidade para manifestar desagrado mantendo a esperança. Num acto de consciência e indignação, Vieira ergue-se contra o conformismo e a rotina eleitoral. Terá o meu voto, ambos ilibados pelo inaudito e desarmante slogan: “Só desisto se ganhar”.
Alerta de Pompa Nuclear
Em plena ameaça virulenta, potencial de terceira guerra mundial iniciada a leste, ou oriente, crise energética em construção e angústia face a inevitabilidade do catastrofismo climático eis que, do nada, assistimos a um revivalismo atômico.
É este o poder do medo e do stress. Quando aparentemente estamos face a face com um mal cruel e hediondo, eis que qualquer mal menor nos parece uma sensata solução paladina. O importante é que a culpa, das decisões políticas nacionais, sejam atribuídas a uma conveniente besta estrangeira.
Começam a pedir para gerir bem o consumo energético, na iluminação, na água quente, na climatização, etc. Não apenas nos países directamente afectados, com dependência de energia russa, mas, por uma terna solidariedade, em todos os países da União Europeia, ao estilo de cadeia de queda em dominó.
Se já este Inverno aparenta vir a ser uma tribulação energética, que dizer do crescimento projectado e necessário para dar resposta a crescente automação, computação e transformação do sector dos transportes? Uma vez que a produção da verdadeira energia verde renovável (solar, eólica e maremotriz) carece de maturação, que soluções existem no curto prazo para garantir o abastecimento necessário? Manter centrais a carvão, gás e combustível? Atrasar alguns avanços tecnológicos? Impor confinamentos climáticos e controlo de geração individual de CO2?
Tudo está em aberto. Pelo sim, pelo não, abramos também a porta de mais uma fonte de radiaçãoenergia verde com o retorno da amigável, grandiosa e com renovada identidade de género, a espampanante energia nuclear!
Esqueçamos Chernobyl, Fukushima e outros, o desconforto criado na vizinhança, o facto de cada central ser também um potencial alvo militar, as vicissitudes e lixos desta tecnologia. Se nos vier à memória qualquer um desses temas, respiremos fundo, olhemos um pouco para a grande besta, apagões e/ou conta de electricidade por ela congeminada, já mais serenos façamos a nossa parte, aceitemos incondicionalmente o mal menor em prol do bem comum, mais uma vez sem nada questionar.
Se tudo correr bem em breve habitaremos cidades protegidas e funcionais, pelo bem do planeta, ligados à “Natureza” somente através dos vídeos inspiradores que passarão em gigantescos ecrãs ou serão transmitidos directamente para o nosso cérebro num maravilhoso misto entre realidade e metaverso que será muito mais do que suficiente.
Ensaios ao Atingir da Inumanidade de Grupo
Depois de descartada a via da imunidade natural, gorando-se cada vez mais a eficácia da protecção artificial, apesar da alta taxa de inoculação, a gestão pandémica vê-se agora condicionada a abandono total de muito do que tem sido defendido ou manter-se na cada vez mais estreita via da narrativa de restringir, isolar, confinar, (re)vacinar até ao zero de ocorrências diárias.
Manter o rumo até aos “zero casos” significa persuadir os não aderentes até que cedam à inoculação “voluntária” e promover a actualização daqueles cuja protecção atribuída caducou prazo de validade. Como o fazer? Aqui ficam alguns casos práticos em ensaio no palco internacional:
- Decreto de vacinação obrigatória progressiva, começando nos escalões etários mais altos, descendo progressivamente a faixa etária da obrigatoriedade, aplicando sanções monetárias cumulativas a quem não cumpra “a lei” (pex Áustria, Grécia, Itália);
- Cortar apoio financeiro a quem entre em isolamento profilático e/ou cobrar taxa agravada de despesas de saúde relacionadas com tratamento (pex Alemanha, Singapura);
- Criar brigada de fiscalização dedicada em exclusivo a este tema (pex Áustria);
- Remoção de acesso a filh@s pois o contacto é subversivo e contra os interesses da criança (pex Canadá);
- Simplesmente banir acesso de não aderentes a variados espaços e serviços “não essenciais”, incluindo expulsar crianças e jovens de estabelecimentos escolares (pex França, Itália, USA);
- Rotular os que ainda vacilam com termos depreciativos como anti-vaxxers, negacionistas, racistas, facistas, misóginos, etc, declarando-lhes total asco e intolerância (pex Canadá);
- Quem sabe restringir acesso a bens e serviços básicos, incluindo comida, para acelerar uma saudável mudança de opinião (pex Índia, Paquistão);
- Criar confinamentos agressivos, pelo bem comum, mesmo que sem condições logísticas para os manter em condições dignas (pex China);
Para sucesso da instalação destas iniciativas é necessária passividade e consentimento por parte de toda a sociedade, o desafio do Estado é esse, conquistar um nível de aceitação popular que permita tornar o absurdo e o atropelo de direitos individuais inalienáveis, como normas moralmente louvadas.
Só a pressão social e judicial poderá causar recuos, tal como aconteceu em alguns dos países paladinos das restrições benfeitoras (pex Inglaterra, Irlanda, Israel, USA). Tudo isto em picos pandémicos, sem lógica sanitária de acordo com procedimentos impostos nos últimos dois anos…
Será que o valor da vida política se sobrepõe ao valor da vida humana? Talvez por isso tenhamos eleições em pico de casos positivos, com tolerância ao quebrar de isolamentos profiláticos apesar dos supostos grandes riscos que isso acarreta, a fim de permitir a incorporação atempada de um novo governo que depois certamente resolverá o que haja a resolver.
Ao nosso critério fica a ponderação sobre se é a concordância ou a discordância, para com as medidas aqui exemplificadas, que evidencia uma sociedade justa, democrática e inclusiva, sem perder de vista que talvez amanhã sejamos nós a não estar dispost@s a um enésimo reforço ou em inocular uma criança a nosso cargo. Bom exercícicio de inumanidade / humanidade de grupo!
2022: A Aurora Empírica
Uau! Que ciclo odisseico foram 2020 e 2021!
Como antevisto no início de 2020 foram criadas as condições necessárias para uma cisão progressiva da sociedade, do ponto de vista ideológico e mundano, que se aproxima agora de uma conclusão apoteótica.
Esta será uma revolução completa em torno do sol marcante para tod@s, com forçosa humilde transformação de muit@s, pautada pelas experiências vividas e evidências colectadas neste triénio 2020-2022.
Por esta altura parte considerável da população já passou pela praga, ou vice-versa, tendo agora um cunho pessoal na interpretação que faz da sua perigosidade, bem como da assertividade e real eficácia de tudo o que foi, é, será proposto para atingir a almejada invulnerabilidade.
Estranhamente este contacto directo, através de um positivo sem razão aparente ou de um negativo contraditório para com a positividade em seu redor, tem um efeito tranquilizador pois desconstrói o terror incutido num relativismo sanador. Para isso contribui a falta de rigor, ou mesmo ausência de orientações claras, relativamente a procedimentos de isolamento e rastreio de contactos, como se as próprias autoridades de saúde apenas se preocupassem muito com a possibilidade de contrair, despreocupando-se depois de de facto contraída.
Por via empírica muitas coisas começam a fazer menos sentido, a ser menos justificáveis, e limites começam a ser redifinidos por quem se entregou de boa fé às orientações e recomendações de emergência. É um despertar natural e orgânico, proporcionado pelas linhas tortas da própria Vida, a melhor professora da História.
É nas interacções presenciais e conversas da Vida que se sente tudo isto, que está em cena um enorme teatro de conformidade para com novas etiquetas sociais, furadas na mínima oportunidade, que se percebe que andam a ocorrer mal-estares súbitos, mortes estranhas e inesperadas por aí, nos círculos sociais e nas notícias. (vide pex situação anómala na alta competição e indicadores reportados por empresas de seguro)
Nas principais fontes de informação continua a conduzir-se a narrativa da forma que melhor serve o propósito definido: 1) abranger crianças e jovens; 2) aplicar dose de reforço; 3) conquistar @s que ainda não concederam a primeira inoculação. O mais curioso talvez seja o uso do termo “não vacinad@” abranger agora todos aqueles que tenham zero a menos uma dose do que o número de doses definido como tendo a vacinação completa (de momento 3 em Portugal), o que permite criar títulos como “a maioria dos hospitalizados são não vacinad@s” sem faltar à verdade, e traduzir à medida reportagens no estrangeiro como pex “the majority of the people in the ICU are not boosted” para “a maioria d@s internad@s nos cuidados intensivos são não vacinad@s”.
Auguro um 2022 muito profícuo na evolução da percepção e afirmação de quem somos, no esclarecer da estratificação limitada dos vários níveis de governação (local a mundial), na defesa e exercício de Direitos Universais.
Como nota final deixo aqui um conjunto de ferramentas que poderão ajudar a ligar a intuição e conhecimento empírico recém-adquiridos a informações concretas e fiáveis.
- Motor de Busca DuckDuckGo – alternativa ao Google focado em privacidade e sem algoritmos de censura aplicados ao tema pandémico;
- Telegram – ferramenta de comunicação para troca de mensagens, grupos, subscrições etc, sem censura e com alto nível de privacidade. É aqui que estão concentradas muitas fontes de distribuição de informação depois de terem sido censuradas de Facebook, Twitter e afins;
- Um Bom Ponto de Situação – uma entrevista recente de grande impacto mundial que resume o que de mais relevante se tem passado;
Canais Telegram a seguir que distribuem informação muito pertinente sobre a evolução e vivência desta crise mundial:
- Dr. Robert W Malone – inventor da tecnologia mRNA, vacinado, mas que com base nos dados decidiu alertar o mundo para o que dizem os dados;
- Dr. Peter Mcullough – cardiologista de renome internacional;
- World Doctors Alliance – aliança independente, sem fins lucrativos, de profissionais de saúde que se uniram para partilhar experiências;
- Médicos pela Vida – alternativa ao acima para quem se sinta mais confortável com língua portuguesa. Apesar de contexto ser Brasil os conteúdos de esclarecimentos médicos e científicos são universais;
- Direitos na Pandemia – enquadramento legal das medidas tomadas e como com elas lidar em Portugal;
Existem muitos outros canais onde chegarão rapidamente se decidirem explorar o Telegram. Podem entrar e sair dos canais a qualquer momento em função de os considerarem úteis ou não. Existem alguns canais portugueses mas infelizmente os mais conhecidos, com os quais tive contacto, tornam-se pouco úteis devido a discussões estéreis completamente desenquadradas ao momento ou por serem nítidas rampas de lançamento de personalidades duvidosas. Também existem alguns grupos no Facebook, como por exemplo os Desmascarar e Pela Liberdade! Pela Verdade! mas devido a mecanismos de censura podem ser eliminados a qualquer momento além de a adesão ser utilizada para fins de perfilagem. Por estes motivo abstenho-me de os recomendar agradecendo que os leitores deste post o façam na área de comentários (para os que considerem úteis e imprescindíveis).
Já para quem prefira uma leitura consolidada, devidamente fundamentada, recomendo o livro demolidor, sucesso de vendas, “The Real Anthony Faucci” (disponível em PT no grupo Telegram “Biblioteca Antimatrix”. E também nós criámos um canal Telegram aoleme onde iremos realizar resumos periódicos sobre a situação nacional e internacional.
Depois da dureza do Inverno, ótima altura para consumir esta informação complementar à difundida por meios de comunicação principais, que consigamos vir a usufruir em pleno da Primavera numa regeneração vivaz e duradoura. Sem rótulos, estereótipos, estratos, nem certificados. Que estejamos junt@s, como nunca deveríamos ter deixado de estar, destronando os guardiões da “informação” e influencers/entertainers que nos têm privado do vislumbre e pleno desfrute desta grandiosa aurora empírica.
Prevenção do bullying institucional
Parece que a coisa está a correr bem, a população está a aderir em massa à campanha em curso. Estamos inclusive na luta pelo título de campeões mundiais na taxa de vacinação!
A grande maioria dos Portugueses confia plenamente, não colocando em causa o potencial perigo do desconhecido, quase que se poderia dizer que é demonstrativo da ancestral fibra dos exploradores de mares nunca dantes navegados, mas esses também enfrentavam de peito aberto potenciais doenças desconhecidas.
Apesar do sucesso da execução logística da inoculação surgem progressivamente indicadores estranhos, sinais alarmantes e descobertas surpreendentes que preconizam um Inverno preocupante.
Passando por cima de eventuais conflitos de interesses, o relevante a assinalar é que tanto patrões como escolas vão continuar a carregar no pedal do acelerador, mesmo que o façam conduzindo numa noite escura com os faróis fundidos.
Sensato e normal dizem uns, os que já orgulhosamente ostentam a App da medalha social, ignorando que poderão ter optado por uma via com menor eficácia, que só irá levar a uma continuidade do mesmo registo, e o correr atrás do selo de segurança cada vez mais exigente.
Portugal toma posição no meio dessa confusão fazendo-se de forte e um púdico esclarecido. Pena não ter a capacidade de digerir todo o contraditório que desconstrói conceitos relacionados com transmissão assintomática, uso de máscaras, uso de certificados, comportamentos em países com baixa taxa de vacinação e protecção das crianças.
Mas esqueçamos Portugal. O que aí vem é muito mais granular e pessoal. As escolas vão arrancar e será sentido o impacto de integrar tod@s os que optaram por não se vacinar, sendo provável inclusive surgirem quem não aceite testagem contínua nem mesmo o uso de máscara. Com apresentação da devida informação científica que permite fundamentá-lo e protecção legal que permite exigi-lo.
Será um momento de tensão em que os que por agora detém Apps com “via verde” serão tentados a considerar-se senhores da razão, porque se sujeitaram a algo, com O SEU devido consentimento (des)informado, não compreendendo como “cobardes negacionistas” podem colocar em causa o novo normal e ousar destruir o que foi por si conquistado no cumprimento do seu dever cívico.
É decisivo. Hoje são duas doses, amanhã 3, 4, 5 ou uma a cada X meses. Em idades cada vez mais precoces, mesmo antes do fim do ensaio clínico que esclareça efeitos a médio/longo prazo. Depois de amanhã poderá ser uma outra vacina, uma outra substância, não ter dívidas à segurança social, não ser sedentário, não ter sido insultuoso nas redes sociais, o que quer que seja definido como o mínimo exigido para o estatuto de se ser um cidadão exemplar, o único com acesso a plenos direitos e liberdades.
O que se está a passar extravasa a gestão de uma epidemia. Assistimos à instalação de uma ferramenta de controlo total da soberania, mobilidade e hábitos da população que, dormente, anui na boa fé, que, sem disso se aperceber, prescinde do pensamento crítico, do senso comum, do seu instinto, e da exigência de transparência e debate científico com contraditório. Estamos a reformatar as bases de uma sociedade saudável, em prole de um bem comum não mensurável implantado num imaginário mediático.
Que este embate inevitável recupere a tolerância e o respeito pelas incertezas uns dos outros, rejeitando mecanismos desenhados para que umas se sobreponham a outras via chantagem, descriminação e coacção encapotadas. Que boa escola e educação seria um espaço, pais e colegas que demonstrassem esta capacidade, acima de todos os seus medos. Um espaço onde se permita o diálogo, se ouçam e analisem as várias hipóteses, onde se permita o exercício da liberdade de escolha e o quebrar de fundamentos folclóricos que violam décadas de saber para criar uma ilusão placebo de maior segurança.

Bem aventuradas eleições!
Parece que sim, a lei é para cumprir, depois de uns gratificantes Natal e Ano Novo vamos lá celebrar neste Domingo a festa da democracia!
Suis generis campanhas presidenciais em que todos os candidatos foram nivelados pela mínima mobilidade comum. Ponto alto, como não se via há muito tempo, foram os duelos televisionados. Figuras centrais foram Marcelo Rebelo de Sousa, desafiado e confrontado por todos, e André Ventura, o agitador inconveniente.
Foi através de André Ventura que todos foram postos à prova e os portugueses assistiram-no atentamente, divididos por um conflito interno entre o desprezo e o fascínio. Através dele vimos como João Ferreira alternava entre o vendedor e a enguia da lota, assistimos à corrupção do poder, antes mesmo do assumir do poder, com Marisa Matias a jurar que jamais daria posse a um governo apoiado pelo Chega e Ana Gomes a prometer que a primeira coisa que faria seria tentar ilegalizar o Chega, já Marcelo foi levado ao limite, irritando-se em várias insinuações, acabando por justificar a opção política relativa à pena de morte como um grande ato de fé… Ventura conseguiu que todos saíssem do seu pedestal de suposta superioridade ética, política e moral, apesar de no início ter sido um corpo estranho rapidamente passou a ser muleta dos moderadores, apoiando-se em si para ousarem ir mais longe na exploração de temas polémicos junto dos mais consagrados. Por estas revelações inesperadas em situações limite, de carácter e ideológicas, há que mostrar algum agradecimento à impertinência deste recém-chegado diabrete.
Tiago Myan foi a kryptonita de Ventura, por não ter ainda um passado que possa ser explorado, por ter ideias tão disruptoras, face aos modelos económico-sociais habitualmente propostos, que não permitem aos políticos tradicionais defini-los exatamente como extrema-esquerda ou extrema-direita como tanto desejariam. Foi como assistir a agentes da distopia vigente a acusá-lo de ser sonhador de uma utopia que na verdade tem como fim garantir o mesmo desenvolvimento económico e igualdade de condições defendido, e até ver inatingível, pelos primeiros, mesmo depois de décadas de governação ao seu grande estilo.
Vitorino Silva fez-me lembrar um pobre poeta de lugares comuns que não atrapalham nem acrescentam, um queimar desnecessário de tempo precioso com a sua pessoa que aqui não irei replicar.
Depois de um espaço televisivo em que todos conseguiram articular algumas das suas ideias de forma moderada e racional, chegou o período de campanha. Libertos de Ventura a maioria dos restantes puderam recuperar a sua popular elevação e estima, à parte de Mayan e Vitorino que se mantiveram iguais a si próprios. Já Ventura, liberto da presença dos seus adversários regrediu para os seus discursos sectários, punchlines carregadas de Mal para atrair os portugueses do Bem. Escorregando num estranho episódio em que tão ilustre benfiquista comete a gaffe de se revelar ser na verdade um anti-vermelho.
Não tenho ainda reunidas as sete bolas de cristal pelo que deixarei o meu desejo de futuro materializado no singular ato de votar. Com todas as medidas necessárias, como se fosse comprar produtos de mercearia neste novo normal.
Boa compra! (o primeiro item não vale a pena que está esgotado)
Updating…
Tipicamente, um dos mais entediantes e banais momentos dos nossos dias começa naquele instante em que o nosso computador, tablet ou telemóvel nos diz que necessita de uma actualização. Defraudados no nosso ímpeto de acesso, desapontados com esta faceta menos simpática da tecnologia, anuímos ao aborrecimento em troca da alegada melhoria, seja desempenho, segurança ou correcção de anomalia entretanto descoberta. Evolução a cada actualização, o equipamento torna-se mais rápido, mais capaz e seguro, mas não lhe é acrescentado valor, tão só uma sucessiva (nunca acabada) supressão de defeitos e fragilidades, desejavelmente ao ritmo que são detectadas, mas em rigor apenas e só à medida que a implementação se torna economicamente viável.
Ora, não obstante o nosso empenho em actualizar sistemas operativos, antivírus e firewalls, os nossos equipamentos nunca estarão 100% imunes. Por exemplo, neste preciso momento, a sua máquina pode já estar contaminada com um vírus “ainda sem nome”, cuja acção é imperceptível. Não sendo conhecido à data, não significa que não existe, apenas não foi detectado. Tão pouco se saberá como se transmite, consequentemente a forma como ocorreu o contágio. Terá entrado num email, numa actualização de um programa gratuito ou terá sido naquele site apagado do histórico de navegação?
Este mesmo vírus, sendo aparentemente inofensivo para a sua máquina, poderá criar problemas complicados, quiçá fatais, a equipamentos mais antigos ou frágeis, situações em que a derradeira falha será diagnosticada como o natural e expectável fim de ciclo de vida.
Contudo, o vírus “ainda sem nome” poderá entretanto manifestar-se num importante servidor central de uma qualquer organização relevante, dotada de poderosos recursos técnicos e para a qual possa constituir ameaça real. Nesse mesmo dia, o vírus será baptizado e classificado como “Novo”. Dias, senão horas depois, a sua definição constará de todos os antivírus deste mundo e consequentemente terá início uma vertiginosa contagem de infectados. Face ao aparente ritmo de contágio, assustados ou explorando uma oportunidade de negócio (qual bug do milénio), talvez seja declarada pandemia…










