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Mr. Magoo

Na ida década de 40 do século passado, nasceu Quincy Manuel Parente Chancerelle de Magoo. Não obstante a miopia, prosperou. A sua carreira vasta e diversificada, prova o quão inclusiva é a nossa sociedade. Portugal é uma terra de oportunidades. Em nenhum outro país do mundo é possível a um modesto advogado exercer tantos e tão exigentes cargos padecendo de uma cegueira quase total.

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Esta pluralidade nas oportunidades é lamentavelmente acompanhada de um grande e terrível defeito – a inveja. Inexplicavelmente não suportamos o sucesso dos nossos concidadãos. O venerável Mr. Maggo magoo5não é excepção! Revoltam-me todas as infundadas críticas que ao longo dos anos lhe foram dirigidas. Acho inacreditável a difamação de que é alvo sobre a condução da FLAD. Considero de um profundo mau gosto as parangonas a propósito do lapso sobre a propriedade de acções da SLN/BPN. Senti uma profunda indignação ao constatar a incompreensão dos portugueses perante as declarações à radio aquando da sua altruísta visita a Angola. Tudo uma inqualificável injustiça, que a inveja explica, mas não justifica. Mr. Magoo tem de facto produzido afirmações divergentes quer do guião para a reforma do estado, quer dos seus colegas do governo, mas como todos sabemos, Mr. Magoo não consegue ler. Tão simples quanto isto. O homem não vê. Já o sabemos há muito! É já altura de confiarmos no rumo que Mr. Magoo decide seguir. Afinal de contas, por mais próxima a desgraça, Mr. Magoo vence sempre. Sejamos humildes. Vai correr tudo bem!

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O Monstro da Tasmânia

O desígnio da nação é o Mar. Ouvimos este pregão aos nossos governantes ao longo de décadas, mas não vemos nada. Cegueira nossa. Muito tem sido feito desde o início do sec XIX. Sim, são planos para futuro! O que fizemos? Importámos o monstro da Tasmânia. Desde então reproduz-se livremente no nosso país. Não há limites ao crescimento do seu habitat. O monstro da Tasmânia é aromático e pastoso. Cresce muito rapidamente, chegando aos 50 metros de altura em poucos anos. É perfeito para a construção naval e, imagine-se, é 100% à prova de fogo. Ao contrário das inflamáveis espécies autóctones, esta espécie nunca arde. Característica incomum que salvaguarda e protege os nossos soldados da paz. O monstro da Tasmânia é conhecido entre nós por Eucalipto, Eucalyptus Globulus para os mais eruditos.

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Somos a nação europeia com maior percentagem de eucalipto na sua floresta, e somos o país europeu com maior área de eucalipto em termos absolutos. Ninguém na Europa acarinha o monstro da Tasmânia como nós. Desertifica, destrói os solos, criticam. Nitidamente, os nossos parceiros não compreendem o potencial da espécie. O nexo de causalidade que escapa aos líderes europeus está apenas ao alcance dos nossos governantes: A Arábia Saudita é um deserto rico em petróleo, logo, quanto mais rápida a desertificação do país, melhor. É óbvio!

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Então e o mar? Está em marcha o plano: Após a concessão dos Estaleiro Navais de Viana do Castelo, o estado estará em condições de lançar o seu grande programa de construção naval. Abandonaremos as obsoletas técnicas de construção em aço para abraçar a modernidade. O futuro é a arquitectura naval Origami. Grandiosas frotas explorarão o potencial da nossa vasta zona económica exclusiva.

Quem quer ser cobridor?

Aaaaaah, obrigado Tribunal Constitucional por lutares pela verdadeira democracia! Por muito que nos custe a democracia tem de ser defendida através da melhoria da formação e cultura dos eleitores e não com restrições às candidaturas. A corrupção e ditaduras locais não se combatem com este tipo de leis, meramente forçam a troca de caras.

O problema é termos eleitores com conhecimento de actos lesivos a continuar a votar em quem os pratica porque até dão umas cenouras jeitosas. Os eleitores devem ter a possibilidade de ser governados por quem decidam mesmo que isso os deixe na merda por mais quatro anos. O importante é que em cada eleição estejam aptos a votar melhor. Trabalhemos para isso!

E nem de propósito em Setembro temos a decorrer campanhas autárquicas de lés a lés de Portugal, já não bastavam os incêndios. Só que este ano não será feita cobertura mediática televisiva. Menos um acontecimento importante que os muitos milhares de utentes da inovadora e óptima TDT não vão conseguir ver o que só vem reforçar a equidade  do serviço televisivo entre os Portugueses!

O que dizer destes períodos de campanhas eleitorais? Basicamente são o soltar das infernais máquinas de propaganda partidária. São aplicadas as mais actuais e agressivas táticas de Marketing e Comunicação com uma certeza quase absoluta: a vitória não se garante pelo conteúdo mas sim pela imagem e pelo número de brindes ofertados! E que prazer! E que alegria! De encher os bolsos e os aparadores dos mais variados brindes de encher o olho e a alma. Se tudo correr bem apesar da despesa a eleição da fava está garantida e a factura será paga por todos.

Cada vez mais os votos compram-se por quem dá a maior festa, o maior banquete, o maior fogo de vista, iscos de uma presença em comícios e actos de campanha. Os pequenos partidos e movimentos emergentes não conseguem competir com esta parafernália do entretenimento por forma a ter algum espaço mediático para serem ouvidos.

Isto sim é algo que deve ser combatido, esta monopolização da atenção dos eleitores, jogada com dinheiro verdadeiro, com quase todas as casas do jogo real excepto a carta “Vá para a prisão” e as próprias instalações da prisão. A bem da democracia os garrotes e as rédeas devem ser aqui aplicados para tentar garantir o ouvir da voz de todos os candidatos e todas as ideias. Forçar os eleitores a conhecer outros pontos de vista e desintoxicá-los-los do seu fanatismo político moldado pelas barreiras ao conhecimento total. Com boa ressaca se possível!

Como? Como quiserem sendo que para não me atirarem que apontar problemas é fácil, resolvê-los é que é complicado, deixo aqui minha proposta para tentar melhorar a qualidade e volume dos votos. Os pontos principais a explorar são:

  • Em cada comício / evento partidário deveria passar a ser obrigatório o convite a todas as restantes forças políticas que teriam direito a um tempo de antena de 10 minutos cada um imediatamente antes do discurso final por parte do partido organizador do evento;
  • Seriam realizados eventos pagos pelo erário público, em espaços públicos, onde cada força política exporia os seus argumentos com tempo de antena proporcional ao do seu actual peso político com duração mínima de 10 minutos. No final existiria tempo para questões e respostas entre público e oradores. Estes eventos públicos seriam gravados e colocados em formato digital online.
  • A expensa do erário público no final da campanha seria elaborada uma publicação impressa onde cada força política teria duas páginas para apresentar conclusões e argumentos finais. Seria distribuída gratuitamente nas caixas de correio dos eleitores para maximizar o contacto deste com todos os pontos de vista e soluções apresentadas.

Desta forma existiria uma maior garantia das várias mensagens chegarem aos eleitores e o erário público estaria a financiar uma campanha com maior grau de equilibrio de forças sendo que os gastos seriam atenuados por diminuição de subvenções públicas para financiamento directo dos partidos políticos e obtenção de sponsors locais que iriam ficar positivamente associados ao esclarecimento da população e combate ao caciquismo.

Isto não é utópico e é muito mais justo e pró-democrático do que leis que procuram levar à extinção todo e qualquer tipo de dinossauros independentemente da sua natureza escandalosamente predatória ou não. Afinal não será a paisagem do tempo dos dinossauros também aquela que é representada no Éden?

O Foral de Boliqueime

RosaDosVentos_300x254pxA Nau Portugal perdeu o piloto-mor. Desembarcou e demitiu-se. Diz que falhou. Reconheceu e escreveu. Guardou no frio, até que o calor chegasse. Chegou e de pronto aprontou o cangalheiro das laranjas, jotas e barões, desclassificado ou professor. É conhecido o seu instinto. O defunto responde com pompa e circunstância, a sua única aptidão, o faz de conta. Contradiz-se e apela ao nacionalismo piegas. Diz seu o país. Abandonado não fica. Há negócios por concluir!

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A palavra a quem não quer falar: O tempo passou e El Rey de Boliqueime lá palrou, não sem antes todos ouvir. Reflectiu e ponderou. O foral publicou. A viva voz o leu a seus súbditos. Ninguém adormeceu. Explicou quem manda: os mercados. Obedecer é o desígnio. É solene o momento. El Rey decide não decidir. Apelou à anúduva dos partidos do regime. Decretou a primeira acção de fossado contra os eleitores. Tudo em nome da salvação, do regime, porque todos os outros estão condenados.

A Nau permanece à deriva. Ninguém ao leme. É a nortada que impõe o rumo.

 

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Buraco no Resbordo!

1Num mar de águas agitadas o inevitável naufrágio está a meio do seu percurso enquanto alguns…

Avisados de que não terão salvação insistem em permanecer a bordo, alegando que devem gozar a viagem de sonho até ao último minuto, até porque não foram eles que custearam a alucinante aventura.

É certo que nas leis que regem as artes de marear, o comandante deve ser o último a abandonar a embarcação e este tenta desesperadamente manter-se agarrado ao leme, já com as mãos trémulas.

Sabe pois, que contrariamente ao que aconteceria numa situação real, ele permanecerá com a cabeça á tona da água, expedito em nadar por entre as correntes, ora mergulhando mantendo-se quase imperceptível quando a conveniência do silêncio lhe é favorável, ora surgindo por breves momentos para encher os pulmões de ar aproveitando para apregoar a sua inolvidável sabedoria, enquanto vislumbra os outros a ficarem sem folego e á beira de um afogamento inevitável.

Assemelhando-se a um filho pródigo, o seu benjamim sempre agarrado a sua mão já trémula, vai dizendo que se tranquilize pois ele mesmo evitará a catástrofe, enquanto com a outra tenta irremediavelmente agarrar as calças que já desnudaram os glúteos, suportando aqueles que tentam desesperadamente um último folego antes de serem engolidos, para o fundo negro do oceano.??????????

Vendo ao longe os seus imediatos nadando calmamente sustentado á superfície, como se dum acto heroico se tratasse, as missivas demissionárias, garantindo o alcance não só da boia salvadora mas as embarcações onde a continuidade de progressão na carreira será garantida, almejando já a promoção imediata para postos menos sujeitos a serem achincalhados pelos que apresentam já uma calvície pronunciada provocada pelos sucessivos cortes.

Os acontecimentos dão-se muito perto da costa, por isso começaram já a avistar-se as aves de rapina famintas de mais um repasto, que passarão não tarde a criar lesões físicas, já que as psicológicas já se faziam sentir desde a entrada das primeiras águas pelo resbordo.

Lá se encontram igualmente os “experts” na matéria, esgrimindo opiniões sobre quem terá aberto o rombo na casco, opinando sobre a metodologia utilizada, tentando fazer prevalecer cada um deles a sua teoria, fazendo futurologia sobre os próximos acontecimentos.

A sustentabilidade das embarcações, há muito que é abrilhantada com casco duplo, mas por cá embora com uma incontornável história naval, a filosofia do “deixem-nos trabalhar” não permitiu olhar para o lado e aprender as novas técnicas.

Essas sim, de importância capital.

Fogos de Artifícios

Faz mais de um mês que não escrevo. Tenho estado a olhar entretido para os fogos de artifícios que invadiram os nossos media. O país está pausado. Nada avança, nada recua, nada se discute, nada se decide. Preciso de me situar. Estou em Portugal e estamos na merda!

Recapitulando, esta história começou há muito tempo com um conjunto de estudiosos das matérias prementes a chegarem-se à frente para solucionar os problemas do país. Progressivamente foram demonstrando afinal não ter estudado assim tão bem os dossiers e, sem tempo a perder,  optaram por recorrer ao facilitismo das soluções mais básicas e imediatas, sem análise de riscos nem projecções de impacto a médio-longo prazo.

O seu desrespeito, desprezo e desleixo levam-nos ao vício de formular leis anti-constitucionais, fiando-se no eterno vergar do Tribunal Constitucional às circustâncias da crise. A incompetência é demasiado evidente quando, após o chumbo previsto, não saltam da cartola planos B e C preparados para esta eventualidade. Entretanto durante todo este processo fizeram algum face-lifting, excisando a pustúla que habilmente inflacionaram com vista a um sacríficio para aplacar o descontentamento do povo. Para o seu lugar uma pessoa campeã do consenso que muitos duvidam ser alguém com senso.

E desde esse famoso chumbo que o país está praticamente anestesiado.

Salazar

A primeira quinzena de Maio foi praticamente ocupada pelos jogos  do Benfica. No FDS precedente ao 13 de Maio mais de 50% dos telejornais eram ocupados com Futebol e Fátima. Calhasse de alguma estação ter-se lembrado de juntar o Fado e corríamos o risco de Salazar se reerguer da sua campa com a força da sua fórmula mágica dos 3 Fs.

American Preppers NetworkTambém houve tempo para criar uma grande comoção ao obrigar os alunos do 4º ano, tipicamente crianças de 9 anos, a assinar um compromisso de honra em como não usariam telemóveis nos exames. Sinceramente acho que a inversão da ideia ajudaria bastante o país. Obrigar este governo a assinar um compromisso de honra em como usa cábulas e máquinas de calcular científicas quando faz as suas previsões.

Pinóquio Paulo PortasDe seguida surge a batalha interna sobre a TSU dos pensionistas. Passos Coelho diz que é preciso, Portas diz nunca (“jamais” em Francês) e negoceiam a solução. A medida fica no documento apresentado à Troika como uma hipótese para corte de despesa mas o PSD garante ao CDS que não será aplicada. O CDS finge que não cede, o PSD finge que não é um compromisso, o CDS finge que acredita, a Troika finge que não vê a trapaça para passarmos a 7ª avaliação e continuarmos a fingir que estamos bem e no bom caminho. Só por isto sejam Portugueses e no final finjam que gostam deste post!

Cavaco “palhaço”: Miguel Sousa Tavares admite ter sido excessivo em relação a Cavaco Um dos maiores iluminados da nação vê mais além e dá a dica que uma vez que a aprovação ocorreu a 12/13 de Maio obviamente que foi obra da Virgem Maria. Ela já não aparece aos pastorinhos mas ainda faz uns biscates junto de banqueiros, economistas e políticos. Não será esta a tão falada Santíssima Trinidade?

Pouco depois chamam Palhaço ao senhor acima citado. Eu já conhecia a lei. Sou um insultador precavido. Sempre me referi a ele como Presidente. Felizmente como em todas as Leis Portuguesas é possível usar a rotunda para contornar a lei pela direita. A lei pode proibir-nos de chamar Palhaço ao Presidente mas não pode proibir-nos de chamar Presidente a um Palhaço.

Um brilhante exemplo de empreendedorismo, de um aluno dos Salesianos do EstorilJá com o mês na recta final aparece um puto reguila a usar serviços online para, desenrascado, vender umas t-shirts na escola. Qual não é o meu espanto quando é elevado à condição de empreendedor/herói num bate-boca em que afirma que mais vale ganhar o salário mínimo do que estar desempregado. Este é um dos momentos mais assustadores do mês porque revela que a escola do governo já está a surtir efeito. A postura aplaudida não é a de exigir tratamento digno mas sim o de lutar pelo agarrar da migalha maior. Martim, muito boa sorte para a tua Over It e para o teu lema “a ideia de ser superior, de estar em cima”. Espero não vir a assistir à mudança de branding para Game Over It.

Advogados estagiários acusam Marinho Pinto de Houve ainda tempo para agitar as águas com a questão da co-adopção que vai afectar um número infímo de casais homossexuais mas foi capaz de gerar uma polémica estéril antes do tempo já que ainda terá de retornar ao parlamento para nova apreciação. Vi o bastonário Marinho Pinto com tal dureza de corpo e mente que a polícia deveria substituir os bastões por bastonários. São muito melhores dissuasores de comportamentos e pensamentos antagónicos aos nossos.

Vitor Gaspar External contributorO mês acaba com Victor Gaspar a mostrar o seu lado humano e confessar que tem sofrido bastante com a tragédia do seu Benfica. Finalmente está descoberto o ponto fraco deste Colosso das finanças. Só peço a Jesus que o também meu clube perca com cabazadas todos os jogos da próxima época, numa derradeira tentativa de pôr fim à imortalidade deste super-ministro via uma morte por desgosto atroz.

Posto tudo isto, não há dúvidas que Portugal está assolado por um colossal fogo de artifício, cujos flashs e explosões lançam um denso nevoeiro que nos tolda os sentidos e nos impede de ver, ouvir e gritar por “Terra à Vista!”.

Aparentemente as águas estão calmas mas o que nos espera depois do nevoeiro dissipar?

What is Bonfire Night?

Masters of the Universe

Masters_He-man_400x339pxA acção desenrola-se no planeta Europa, no mítico lugar da Lusitânia. O príncipe Tozé protegia o legado do castelo do Rato. Quando em apuros, desembainhava a espada do poder e proferia as palavras mágicas “pelo poder de Grayskull, eu tenho o poder”, transformando-se assim no socialista mais poderoso do universo, o He-Man. A sua sagacidade é lendária. Farão escola as estratégias da “abstenção violenta”, ou a mais recente moção de censura que não visa derrubar o governo… Tudo corria de feição ao situacionismo. Contudo o perigo espreita, o mal espera sempre uma oportunidade: Dos confins do universo, da longínqua Paris, regressa Skeletor, o terrível engenheiro dominical.

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A população não esqueceu as privações que passou às ordens do execrável Skeletor. Parece que nem a renovada sapiência atenua o desejo de o ver severamente castigado, isto é, calado. O filósofo de quarta-feira não é bem-vindo. Compreensível. Afinal tudo tem corrido tão bem com He-man.

A sofisticada cidadania participativa, que tanto nos caracteriza, nunca aceitará o regresso de Skaletor. É a história que o garante: No passado, outro malvado senhor, o mui sério Aníbal Cavaco Silva foi condenado à mesma pena.

Nunca mais se ouviu falar dele!

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A Tourada

A 7ª corrida de avaliação será, à semelhança das anteriores, decisiva. Na tribuna a troika. À sombra, o delegado Etíope, ao sol os delegados Europeus. As corridas de avaliação são exclusivamente para turistas estrangeiros. Os veraneantes locais estarão na arena, entre barreiras e no curro, isto é, no seu devido lugar. Não faltarão Cortesias e Brindes à praça. Aplausos, chapéus e flores para os artistas, sal nas feridas para o touro.

Cartaz 7ª avaliação da Troika

O cartaz promete uma noite de triunfo. A tribuna aplaudirá de pé, a banda tocará o passo doble. Será um sucesso. Em Portugal não se matam touros na arena, mas cortar-se-ão orelhas. Tendo sobrevivido às 6 corridas anteriores, um único e magnífico exemplar da ganadaria Lusitana, um Almalho de seu nome “Povo”, será lidado por todos os artistas em cartaz: Dois cavaleiros, suas quadrilhas; dois grupos de forcados amadores; um picador e a estrela da corrida, o matador de touros Victor Gaspar, el Verdugo. Brindar-nos-á com os seus lances de muleta, ora Afarolado, ora Ajudado. A Faena habitual, sem  Chicuelinas. Cortará um Rabo, e sairá em ombros. Na recolha, “Povo” acompanhará os Cabrestos. Aos turistas diremos que são vacas. Um dia quererão mugi-las. Nesse dia, sorriremos.

Victor Gaspar - el Verdugo

Driving Miss Daisy

DrivingMissDaisy_Seguro_CostaSenhora do seu nariz, Miss Daisy conduzia o seu próprio automóvel. Por mais desconcertante a condução, acreditava em si própria, nunca ligando a buzinadelas ou às infundadas críticas dos outros automobilistas. Afinal, uma senhora é sempre uma senhora. Um dia, um pequeno acidente, foi a desculpa  perfeita para o seu SEGURO cancelar a apólice. Foi um rude golpe na autonomia de Miss Daisy. Seus filhos socráticos, ávidos por restabelecer a alegria dos tempos idos, precipitaram uma solução: Miss Daisy teria um motorista, alguém que a conduzisse sem percalços. “Qual a pressa?” questionou Miss Daisy. Pragmática, decidiu fingir aceitar a vontade de sua prole. O voluntarioso Mr. Hoke Coleburn apresentou-se ao serviço. O desdém e antipatia inicial, foram teatralmente dando lugar à empatia e ao profundo respeito. Os múltiplos prémios e distinções atribuídos a este filme nunca ocultaram a singela verdade:

É uma monumental e inconsequente séca!

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The Matrix

Matrix à Portuguesa

Pedro Morpheus aceitou o destino que lhe fora revelado por Angela Oracle: Seria ele a encontrar o escolhido. Ao leme do hovercraft “Nebuchadnezzar”, Morpheus manobrava pelos esgotos em busca do salvador. A tripulação partilhava o empenho do seu comandante.OracleMerkel Contudo, Álvaro Cypher vivia descontente. Conhecia a verdade, mas sonhava voltar à ignorância. Trinity Portas, sorria em silêncio. Após uma longa busca, Morpheus encontrou Franquelim Neo, o predestinado. Cypher viu então a oportunidade para se pirar e exclamou: “a escolha é minha, o homem até ajudou a desmascarar o enredo insular”. Morpheus de pronto partilhou a responsabilidade na escolha, fazendo aquilo que dissera nunca fazer, comentar trocas de subalternos. Mas o momento era festivo, por isso abriu uma excepção.

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Agora sim, empreenderemos à séria. Nada, nem ninguém deterá o avanço dos salvadores de Zion. José, o Arquitecto não contesta, não questiona. Contempla a sua obra. Está tudo bem. Fica-nos a importante lição de Manuel, o rapaz da colher. “Não tentes dobrar a colher, isso é impossível. Tenta antes compreender a verdade: a colher não existe”.

Manuel Dias Loureiro