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A Chusma
Peripécias várias, tropelias múltiplas, a embarcação manteve o rumo. O vento e as marés alteraram muitas vezes a rota, mas a experiência de cabotagem do comando providenciou as correcções necessárias. Haja quem enfrente os problemas e sem receios ou subterfúgios diga qual a solução.
A Chusma da Galera moderna e competitiva quer-se magra. Sem gorduras. Linda até morrer!
De acordo com a tradição, a Chusma da Galera portuguesa é composta por três tipos diferentes de contribuinte: Os escravos, os condenados e os livres. Como o padre Fernando Oliveira nos ensinou no seu livro “Arte da Guerra do Mar“, a Chusma não deve ser constituída apenas por escravos e condenados. Não é prudente. Assim aconselha a experiência. Quando não são livres, os remadores tendem a combater pelo inimigo sempre que a Galera é abordada, pois “o inimigo do meu inimigo, meu amigo é”. Eis porque desde o séc. XVI, a maioria dos remadores das nossas Galeras é livre, isto é, remunerado pelo seu trabalho. É este o verdadeiro problema! É Chusma, mas não é abundância, é custo.
Na verdade, apenas os condenados e os escravos são competitivos: remam a troco de nada, um pouco de pão e água. Os livres, esses privilegiados, apenas necessitam de remar a primeira metade do ano para pagar os impostos sobre o trabalho. Na outra metade, tudo que ganham é para si e para as obrigações fiscais que restem, sejam taxas, coimas ou até mesmo contribuições por empatia…
A Chusma quer-se treinada, síncrona na voga, submissa e disciplinada. A Chusma aceita o seu karma porque há equidade nos deveres e direitos. Correntes e grilhões para todos, chicotadas para os mandriões. Vida dura, mas nenhum contribuinte é piegas. Não pode.
Cofres Atestados
Os cofres estão atestados, mas de quê? Com Diamantes? De barras Ouro? De lingotes de Prata? Não. Então? De Euros, de dinheiro! Mas como, fabricámos? Não, não podemos. As impressoras foram desligadas quando aderimos ao Euro. Mas porquê, estavam velhas? Estavam, mas não foi por isso. Foi por causa da inflação, esse perigoso flagelo, tão justamente temido pelos nossos amigos alemães. Está explicado. Não se cria moeda e pronto. Muito bem, haja rigor, haja disciplina. E a Criação monetária pelo Sistema de Reserva Fraccionada? Isso são contos para crianças, um não-assunto, uma palermice. Esclarecidos? Óptimo.
Estamos preparados, estamos aptos para resistir a qualquer investida especulativa sobre a nossa divida soberana. O dinheiro ficará nos cofres para cumprir todas as obrigações a tempo e horas, sem falhas. Nessa altura voltam a ficar vazios? Não, se os juros se mantiverem baixos, não. E se subirem? Não sobem porque o BCE não deixa. Podemos ficar descansados. Tranquilidade é a palavra de ordem. O problema nunca foi a divida, essa está boa e recomenda-se, o problema foi a falta de liquidez, a falta de guito. Havendo, está tudo bem, mesmo que se queime algum, está tudo bem, é apenas dinheiro.
Não sei explicar, mas enquanto escrevo isto, não consigo deixar de pensar no principio dos vasos comunicantes. Provavelmente estou só a meter água.
Schindler’s List
Schindler’s List é um filme sobre mais de mil polacos salvos por um empresário nazi durante o holocausto. Realizado por Steven Spielberg em 1993, foi um enorme sucesso de bilheteira. Preto no branco, relata como a ganância deu lugar à compaixão e ao amor ao próximo.
O comandante Amon Goeth desconhece a existência de qualquer lista. Questiona – Lista?! Qual lista? Não existe nenhuma lista. Todos os contribuintes são iguais, não há trabalhadores especializados, quanto mais lista. O inquérito não faz sentido.
Outros discordam, garantem que existe, é VIP. Está na origem de umas dezenas de processos por consulta a despropósito. Qual preNúncio de males maiores, não fosse um homem invulgar dar subitamente lugar a alguém tão falível e vulgar como os demais. Prevenção pois então.
De uma vez por todas, há ou não há lista? Não, há procedimentos. Semântica? Não, nunca. Não há lista, não há culpa, mas o Director-Geral demite-se. Os americanos chamam-lhe “Fall Guy“, o duplo, aquele que arrisca o pêlo para que a estrela não o faça. Porque haveria deste filme ser diferente?
HSBC – Reportagem em directo
Formatado na BBC, pivô de noticiário televisivo há mais anos em actividade, o homem-sensação, aquele que em directo nos relatou a primeira guerra do golfo, mantém hoje intactas as qualidades de sempre.
Esteve na Grécia. Acompanhou as eleições, mas teve tempo para mais. Para muito mais. Sério, integro e vertical, trabalhou! Relatou as descobertas após intensa investigação. Descobriu paralíticos que andavam, corrupção diversa e o ócio generalizado. Não fica calado perante a verdade. Doa a quem doer. Nada teme. Escreve livros sobre tudo, mas não diz nada. Não obstante, como jornalista é um exemplo de seriedade.
Hoje está na Suíça. Consta que pernoitou junto à margem do rio Ródano, em plena doca “des Bergues”. O telespectador merece e corresponde ao espírito de sacrifício do jornalista. Aguardamos (todos!) com enorme expectativa o imparcial e rigoroso relato que esta noite nos fará sobre a criatividade helvética, bem como o nome dos nossos 200 concidadãos que se deixaram enganar pelos malandros de Genebra. Aposto que também nos falará dos perdões fiscais domésticos.
Decididamente um directo a não perder…
Die Zauberflöte

Mas que bela opereta esta. Já sabemos tudo, mas sempre com prefixo: Alegadamente. O Libretto está escrito há algum tempo. Diz-se que é obra maçónica. Teorias da conspiração não faltam, mas concreto, nada. O público vibra com emoção. Uns indignados outros em êxtase. A transformação dos estados de espírito é mágica. Será que ouvimos a Flauta Mágica?
Tamino e Papageno cumprem o ritual iniciático, o silêncio. Para uns o detido é Monostatos, para outros é Sarastro. Tenho dúvidas. E se a obra for outra? E se é ópera bufa? Nada sabemos.
Não estou certo que seja este o caminho da virtude, mas confesso que gostava de estar enganado. Temo precoce toda esta celebração da mudança. Tantos outros que vimos passar esta fase e que hoje se passeiam alegremente, impunes.
Entre nós, a Rainha da Noite vence sempre. Aguardemos pelo concreto.
Alerta contra um futuro de vale tudo
Após ausência prolongada do país reconheço que ao reentrar na realidade portuguesa a sensação com que fiquei foi a de que estamos muito pior do que a percepção que temos quando vivemos continuamente neste circuito de austeridade e desesperança. Muitos foram os acontecimentos estranhos no último mês, na justiça, na educação, ainda efeitos GES, etc. Incrédulo, apercebi-me que aparentemente não existe fundo do poço, o que não é muito problemático quando também não verte um pingo de vergonha!
Em relação à actualidade, um pormenor da reforma do IRS pôs-me a ruminar sobre a sua carga positiva e/ou negativa. Algo aparentemente positivo, os vales de educação para filhos até 25 anos com benefícios fiscais para empregador e empregado.
Mais um sistema de vales, à partida com vantagens para todos. A empresa paga menos impostos, o trabalhador não tem esses vales tributados. Assim de repente ocorre-me que já existem outros tipos de vales, vales de alimentação (ou cartões pré-pagos) , vales de combustível (ou cartões com plafond) e de certa forma vales de saúde (através de sistemas de seguros de saúde). Ou seja, no seu expoente máximo uma empresa pode introduzir como variáveis no salário de um trabalhador montantes fixos consignados à despesa em sectores como a alimentação, a energia, a saúde e agora também a educação.
A empresa poupa, o trabalhador ganha mais, certo? Só que as despesas nem sempre são lineares, o que significa que quando há picos de despesa numa área o trabalhador poderá compensar com o seu capital, quando tem períodos de baixo consumo dos sectores abrangidos pelos vales fica com capital empatado pois não o pode ‘resgatar’ para outros fins. Por vezes nem sequer lhe é permitido o acumular perdendo o que não consome mensalmente.
Imagino que no futuro surjam mais vales que beneficiam ambas as partes: vales de telecomunicações, vales de entretenimento, vales de viagens, vales de roupas e acessórios, etc.
Levando a que no expoente máximo um trabalhador venha a ter na sua folha salarial uma parcela para cada um dos tipos de vales existentes.
Um belo e complexo sistema de vales que nos permite ganhar muito mais do que se apenas auferíssemos um simples salário plenamente tributável.
Temo que este seja um processo que se encontre a meio, onde somos, de forma muito subtil, condicionados e educados a distribuir a despesa de forma relativamente premeditada por sectores específicos da economia. Um conhecimento do volume de vales emitidos mensalmente permite estimar a despesa mensal em determinado sector. E desta forma afectar os nossos hábitos de consumo, forçando-nos ao consumo para esgotar o plafond uma vez que parado não rende nem pode ser utilizado para outros fins. Trabalha-se inerentemente para consumir. Os trabalhadores tornam-se meros veículos de capital em trânsito contínuo entre banca, empresas e comerciantes.
Já para não falar na complexidade acrescida à gestão contratual entre empregador e assalariado ao longo do tempo pois normalmente estas rúbricas podem ser alteradas ou eliminadas sem necessidade de consentimento prévio por parte do beneficiário. Relativamente aos vales de educação o que acontecerá automaticamente quando os filhos atingem os 25 anos? Desaparecem? São convertidos em salário bruto?
Admito que talvez esteja a ser alarmista, mais um teólogo das teorias da conspiração que alertam para a elite que pretende dominar a humanidade. Sinais de um tempo em que a política e economia do vale tudo me fazem temer que o pleno livre arbítrio no consumo talvez passe a um simples vale nada.
Baile de Máscaras
Em 1788, Gustav, o terceiro da Suécia não era particularmente adorado pelo seu povo. O soberano sofria de tédio. Talvez por isso se tenha empenhado tanto na promoção das artes plásticas e cénicas. Ia com frequência à Ópera. Afinal fora ele que a mandara construir – Os Despotas Esclarecidos tinham destas coisas. Chegado lá, lembrou-se de encomendar uns quantos uniformes do exercito russo da Imperatriz Yekaterina, a segunda. O pedido do soberano da Suécia não levantou suspeitas. Algum baile de mascaras, terão pensado as costureiras da Ópera Real. E foi mesmo…
Glória? O rei Gustav III queria a sua, mas estava constitucionalmente impedido de declarar guerra ofensiva. Podia apenas ordenar a mobilização militar defensiva. Talvez daí o enfado. Gustav III sonhava, cobiçava a Noruega, então parte da Dinamarca. Tentou um negócio com a Imperatriz Russa, mas esta recusou trair a sua aliança com a Dinamarca.
A beligerância era inevitável. Gustav decidiu tirar partido da oportunidade que a guerra entre o Império Russo e o Império Otomano lhe ofereceu. Nasceu o gabinete de gestão da divida externa. Estando os russos “entretidos” mais a sul, ordenou um ataque simulado a um posto fronteiriço na província de Puumala, na fronteira da Rússia com a Finlândia, então parte integrante da Suécia. Foi assim que suecos mascarados de russos atacaram suecos sem máscara. O baile, permitiu ao soberano sueco avançar contra o Império Russo. O resultado desta guerra não foi particularmente vantajoso para nenhuma das partes, tendo apenas retido recursos que outra forma teriam sido úteis noutros cenários. Assim se perderam 2 anos.
Assinada a paz com a Rússia, Gustav III celebrou o seu ultimo baile de mascaras na Ópera Real, a 16 de Março de 1792. Foi assassinado nessa noite às mãos dos seus súditos.
Com-Fisco ou Sem-Fisco?
Abro o jornal, e ouço falar do BES, do BPN, do BPP.
Mudo de canal e leio… BES, BPN, BPP.
Ligo o rádio (ou telefonia… enfim… ) e o que vejo? BES, BPN, BPP.
No porta moedas apalpo (!) 10.000.000.000. Dez Mil Milhões?!
Começo a ficar baralhado… a sentir… coisas; pronto…
Bom dia também para si. Será bom dia? Dia?
Também anda a morrer gente que eu gosto. Frequentemente.
PS-A imagem imposta aqui, é de contribuição anónima.
Banco Yin Yang
Não havendo muito mais a acrescentar em termos de opiniões do caso BES e/ou GES arrisco-me a aventurar por caminhos alternativos de pensamento. Faço-o porque não acredito na separação plena do bem e do mal, o equilíbrio dá-se na harmoniosa convivência de ambos. Além de que não basta separar donos, marcas, activos e passivos.
No seio do BES continuarão empregadas muitas pessoas envolvidas nas decisões ou na sua execução. Pessoas que terão tido contacto directo com o refogado, que podiam ter ligado ao 112 para alguém desligar o lume antes que se desse a queima do repasto e mesmo o estragar do tacho. Se a sua mentalidade e obediência se mantiver a recorrência é possível e provável.
Olhando para o balanço consolidado do BES vê-se que realmente o rombo dos milhares de milhões de euros falados arrebenta com todos os rácios de solvabilidade só que isso não invalida que esteja ainda ali muito dinheiro, mais de 36 mil milhões em depósitos, mais de 45 mil milhões de créditos a clientes e pelo outro lado mais de 16 mil milhões de dívida a credores.
Quando falam em “too big to fail” vêm-me à cabeça os perto de 10 mil milhões de euros acumulados que o estado utilizou para tapar os buracos BPN, BPP e agora BES. Esses 10 mil milhões não seriam suficientes para remendar as rupturas que pudessem surgir? Num cenário de queda de um banco como o BES seria natural que os penalizados directos fossem os seus accionistas e investidores, os depósitos deveriam ser salvaguardos na integridade pois é essa a natureza de um instrumento financeiro de poupança com baixa rentabilidade, aos credores caberia a divisão dos despojos remanescentes. Ou seja, a queda de um banco só deveria provocar prejuízos em quem tem com ele uma relação com risco associado. É quem nele investe e quem lhe dá crédito que deve exigir boa gestão, avaliação e regulação independente. Já aos clientes de crédito sairia um género de jackpot pois na prática a entidade credora deixaria de existir. E com isto o verdadeiro prejuízo ficava ao nível das baleias da alta finança. Na economia teríamos até uma injecção de capital indirecta pois todos aqueles que deixavam de cumprir com as suas obrigações de crédito passavam a dispôr do valor dessas prestações para investir e consumir. O dinheiro continuaria a fluir mas de outra forma.
Fala-se na fraca regulação estatal, ou de entidades centrais, que deixam passar estes casos complexos sendo que essa displacência, apesar de criticada, acaba por ser aceite de ânimo leve porque os credores do banco que quase cai são tendencialmente protegidos. Os planos de revitalização de um banco em dificuldades são feitos sobretudo para que este consiga cumprir com as suas obrigações de endividamento e não propriamente para salvaguardar interesses dos seus clientes ou accionistas.
Não me parece que seja penalizando a concorrência nacional do seu sector de actividade que a coisa fica melhor composta. A melhor forma de apertar as malhas e recursos dedicados à fiscalização e regularização é precisamente deixar que as consequências subam as cascatas de capital, como um salmão que vai desovar um caviar pútrido na bandeja dos lambões dos juros sobre empréstimos de alto volume.
Na minha óptica o cerne do problema é precisamente o estancar do propagar das consequências, pelo que a melhor forma de rapidamente reformular toda a monitorização e regulação dos mercados financeiros seria com medidas como:
- “Even giants may fail” – na queda de um banco todos os depósitos seriam garantidos, os créditos a clientes seriam dado como fundo perdido (total ou parcial em função do montante ainda em dívida vs montante inicial), os credores dividiram activos remanescentes, accionistas e investidores assumiriam por inteiro o risco e a má gestão. Desta maneira iriam surgir organicamente muito mais condicionantes ao surgimento dos gigantes bem como mecanismos de supervisão sobre a sua gestão;
- “Offshore? Of course!” – toda e qualquer entidade que utilize mecanismos offshore para suavizar as suas contas teria de pagar um imposto especial de prevenção à fraude económica. Uma tributação significativa e variável em função do número de empresas e offshores por si constituídas vs volume de negócio da entidade. A intenção não será propriamente o seu fim mas proporcionar meios para que o que nelas se passa seja muito mais transparente;
- Maior responsabilidade a gestores de 2ª linha e executores de planos de gestão fraudulenta – incomodar os cabecilhas não basta, é preciso que também os seus crentes e fiéis executantes, que tenham um nível de know-how sufiente para perceber no que estão envolvidos, sejam indiciados como membros activos da concretização da gestão danosa. Eles devem ser a primeira linha da garantia de consciência e rectidão de gestão;
- Recompensa indexada ao valor da fraude – criar mecanismos que permitam a denúncia com protecção de anonimato e que recompense os denunciantes com um valor monetário indexado ao volume da fraude. Para compensar a honestidade e também para que os possíveis ganhos com o envolvimento no esquema de fraude tenham concorrência forte para os mais susceptíveis ao untar de mãos para pautar a sua acção e consciência;
Este seria um novo ambiente que não seria presunçoso ao ponto de se achar capaz de dizer qual é/será o banco bom e o banco mau do momento. Um sistema onde todos os bancos são Yin Yang, capazes do melhor e do pior, alternadamente, em perfeito equilíbrio e auto-correcção.
Está bom de Sal?
O caldo reduz em lume brando. Ingredientes? Os tradicionais. Nutrição, eis a questão. O segredo do caldo está na forma como é servido. Da panela para a terrina nada se perde, mas da terrina para o prato e da colher até à boca, tudo pode acontecer. A uns, poucos, calham nutritivas porções, aos outros, água, ou mesmo nada. Com sorte, mata-se a sede.

Então e a nutrição? É a que temos. Metade dos comensais, ilustres eleitores e contribuintes, contribui mas não vota. Paga, mas não opina. Essa “coisa” da distribuição dos rendimentos não lhes diz respeito. Ciclos viciosos? Promiscuidade entre politica e economia? Sim, claro que sim, mas votar nem pensar. Afinal quem rebate a famosa frase “são todos iguais, querem é tacho”? Ninguém! Como pode uma população ser simultaneamente tão sábia na análise e tão burra na acção. Não vota, entrega o tacho. Assim sendo, os tais bem nutridos, comem, repetem e ainda contemplam a nossa busca por migalhas enquanto saboreiam a sobremesa. Salgado sai, bem nutrido, entrega o tacho. Mas isto insonso não fica. Entram os profissionais, os tecnocratas. Parece que o amadorismo dos que saem não lhe correu particularmente mal. Há rumores sobre reformas um tudo-nada acima da media. Teremos novos “Chefs” da panela-de-pressão. Dizem que assim se garante a solidez do banco. Isso! Um grupo é um grupo, um banco é um banco. Mesmo que o primeiro se sente no segundo, ou vice-versa. Semelhanças só nas cores e no nome. De resto, qual parvalorem, o mal para um lado, o bem para o outro. Onde é que já vimos isto? É uma questão privada, logicamente, decidem os accionistas. Está certo. Soberanos na sua decisão, optam por imitar os chineses. Escolhem alguém que tenha recusado o
cargo de ministro das finanças, alguém sério e idóneo. Imparidades? Poucas, nada que os fundos públicos não possam cobrir, nem que seja pedindo emprestado.
E que outras iguarias se preparam neste grande concurso de cozinha tradicional? Um pouco de tudo, desde votar contra o cozinhado italiano sobre o pacto orçamental, passando pela adorável disputa ao lugar de alcaide do castelo do rato, até à privatização da Imprensa Nacional Casa da Moeda. Diz que dá lucro. Imagine-se a vergonha, uma empresa de capitais públicos que dá lucro! O que fazer? Vender! Que tal “a investidores institucionais”? Singelo eufemismo para “a quem mais nos convier”. Nada como agradar aos accionistas mesmo antes de estes o serem. Tudo legal, tudo legítimo, pois a posteriori saberão nomear as pessoas certas, os profissionais! Sal quanto baste para durar mais uma legislatura. Não votem, não atrapalhem os mestres da culinária.











