Praguejemos

multiplicacaoOs bolsos estão vazios, os cofres estão cheios!

Não praticamos o milagre da divisão, somos especialistas no milagre da retenção e multiplicação, juramos.

Esquecei as condições ideais de sistemas judicial, de educação e de saúde funcionais. Arriscai a cópula ao natural, esforçai-vos e sereis recompensados.

Crescei e multiplicai-vos!

Pagai os impostos e não votais!

Tornai-vos roda dentada da máquina fiscal, emigrai se vos tornais um peso social,  depois retornai e trazei convosco vossa riqueza.

Tenho muito orgulho em vós portugueses, dos poucos capazes de sobreviver ao holocausto das condições de vida para não VIPs.

Crescei e multiplicai-vos!

Afinal Portugal é o povo e o povo sois vós!

Schindler’s List

preNuncio

Schindler’s List é um filme sobre mais de mil polacos salvos por um empresário nazi durante o holocausto. Realizado por Steven Spielberg em 1993, foi um enorme sucesso de bilheteira. Preto no branco, relata como a ganância deu lugar à compaixão e ao amor ao próximo.

O comandante Amon Goeth desconhece a existência de qualquer lista. Questiona – Lista?! Qual lista? Não existe nenhuma lista. Todos os contribuintes são iguais, não há trabalhadores especializados, quanto mais lista. O inquérito não faz sentido.

Outros discordam, garantem que existe, é VIP. Está na origem de umas dezenas de processos por consulta a despropósito. Qual preNúncio de males maiores, não fosse um homem invulgar dar subitamente lugar a alguém tão falível e vulgar como os demais. Prevenção pois então.

De uma vez por todas, há ou não há lista? Não, há procedimentos. Semântica? Não, nunca. Não há lista, não há culpa, mas o Director-Geral demite-se. Os americanos chamam-lhe “Fall Guy“, o duplo, aquele que arrisca o pêlo para que a estrela não o faça. Porque haveria deste filme ser diferente?

Programa Espacial Português

O desígnio da nação é o Mar, porém outros vectores de desenvolvimento são há muito perspectivados pelos lideres nacionais. O Programa Espacial Português é disto bom exemplo. Após várias décadas de secretismo, o nosso Programa Espacial tornou-se publico a 25 de Setembro de 1993, aquando do lançamento do nosso primeiro satélite. Foi giro. Na falta de um von Broun ou de um Korolev, liderou o simpatiquíssimo Prof. Carvalho Rodrigues. Já lá vão quase 22 anos. Após esta importante demonstração de poderio tecnológico, o Programa Espacial Português regressou ao secretismo de estado.

Assim ficou até 2011, ano em que o actual executivo relançou publicamente a iniciativa através do apelo ao êxodo. Um sucesso, mas o verdadeiro objectivo não foi então revelado. O alcance da expressão “zona de conforto” não foi à época verdadeiramente entendido. Ninguém compreendeu qual a Gravidade que estava em causa. Lamentável, pois tudo teria sido explicado no briefing que não chegou a realizar-se. Uma pena. O porta-voz submeteu-se a um ambicioso treino durante largos meses. Ninguém o viu ou ouviu. Foi duro e rigoroso, mas valeu a pena.

Apresentou-se na passada semana como o primeiro Vácuonauta – Será esta a designação do viajante espacial português, rejeitando assim as nomenclaturas vigentes: Astronauta (EUA); e Cosmonauta (Rússia). O Vácuonauta está finalmente certificado para todo o tipo de missão. Anunciou também a celebração de uma parceria com a Roscosmos para a utilização da nave Soyuz nas 49 reentradas previstas (o que explica o desaparecimento do líder russo durante os últimos 12 dias. Estava entre nós a negociar ao mais alto nível. Secretamente, claro).

Realismo é a palavra de ordem. O orçamento do Programa Espacial Português não está acima das nossas possibilidades. Se nem a NASA tem dinheiro para manter o programa dos Vai-e-Vem, não seremos nós a faze-lo. Negativo. Entre nós a ida é por conta de quem vai. Apenas o regresso interessa à governação. Não nos podemos dar ao luxo de deixar em orbita geoestacionária os nossos compatriotas mais capazes e empreendedores. Esperemos que consigam sobreviver à reentrada!

PEP2015

A Sucessão

Cartaz

Cedo ou tarde em cada reinado, surge a questão da sucessão. Quando o soberano não tem filho varão, isto é, herdeiro natural, procura designar em vida o seu sucessor. É saudável que assim seja. O nosso bom e velho reino não é excepção à regra. A sofisticação do sec XXI permite-nos encarar estes problemas com optimismo. Vantagens da democracia. Já ninguém se lembra o que foi o absolutismo. Nenhum povo vive hoje oprimido na Europa. Soberanos há que até conseguem tornar obsoleto o acto de votar. A elevada abstenção está ai para o provar. Votar é até uma maçada, um aborrecimento, um dia perdido com um acto inconsequente.

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Bons monarcas reforçam esta convicção abstencionista. É o caso do “nosso”. Com empenho e dedicação, muito trabalho e afinco conseguiu de facto preparar toda uma população para viver sem soberano. A sua acção, sempre discreta, oferece essa garantia a todos os seus súbitos. Não há altruísmo maior do que o rei que voluntariamente se torna irrelevante. É a prova maior de emancipação do seu povo.

Ao contrário de alguns (não muitos), vi com bons olhos o traçar do perfil para o novo monarca. Sim, acho útil e subscrevo a teoria do “mais do mesmo”. Bem sei que pode parecer que o actual monarca tem preferidos entre os seus súbitos, mas tenho a firme convicção que a todos nos ama por igual. E o contrário também é verdade, nós amamos o nosso soberano e respectiva consorte. Todos.

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A desconstrução do género no dia da mulher

Hoje, no dia da mulher, gostaria de trazer uma das mulheres que mais admiro e de certo modo, até invejo, a Judith Butler.

A inveja é em mim um sentimento extremamente raro, e por isso, para mim, estranho. A Judith Butler é a autora que nos anos 90 surge com uma nova proposta de género, absolutamente revolucionária e que ultrapassava os esquemas categóricos que dominavam todo o pensamento de género até à altura. Com a obra “Gender Trouble” ela rompe com tudo o que as feministas da primeira e segunda vaga disseram, abrindo assim caminho ao Feminismo de Terceira Vaga. O que vos trago hoje é, resumidamente, o essencial do contributo de Butler para o feminismo e para todo o pensamento de género.

Butler criticou a incapacidade demonstrada pelas feministas de 2ª vaga em romper com a concepção normativa de género, binária, entre homem e mulher, ignorando aquilo que realmente incomodava, a total ausência, como se não existisse, uma ausência surda e que estava na essência da manutenção deste esquema de pensamento: a transsexualidade.

Por outro lado Butler vem chamar as vozes das mulheres que não tiveram voz no feminismo, as mulheres excluídas, porque inseridas em grupos também eles excluídos: as mulheres negras, a voz das mulheres colonizadas, as mulheres do Terceiro Mundo, as mulheres trabalhadores das classes mais baixas. Fez assim uma forte crítica ao elitismo dos feminismos anteriores, de mulheres brancas burguesas, que analisaram somente a condição das mulheres da classe a que elas próprias pertenciam. Butler vem então romper com o feminismo de classe, feito não só pela burguesia mas também pelo feminismo das correntes socialistas.

Judith Butler vem então romper com a dicotomia entre homem e mulher e com o essencialismo em que muitas feministas caíram assim como os estudos femininos e masculinos. Ao afirmar a pluralidade gigantesca de mulheres sem que as mesmas constituam um grupo homogéneo, invalida-se as teorias feitas até então face à sua representatividade das verdadeiras condições das mulheres, mas apenas a condição de algumas mulheres. Butler pretende acabar com esta ilusória universalidade, trazendo à tona conflitos que estiveram presentes na construção da identidade da mulher representada no movimento feminista, e que mais não era do que o estabelecimento do centro através das margens.

É portanto assumindo a multiplicidade de identidades que Butler parte para uma análise de género baseada na subordinação. Para ela o problema de género não é a desigualdade e a subordinação da mulher ao homem, mas antes as identidades de género que ocupam uma posição subordinada nas relações de poder, tal como a mulher, o gay, a lésbica, os transgéneros. Deste modo, Butler agarrou nas identidades de género masculinas e femininas e procurou desvincular as diferenças biológicas dos comportamentos esperados dos homens e das mulheres. Butler argumentou então que esses comportamentos não eram de ordem natural mas sim produto de regras sociais que determinam um conjunto de características e comportamentos que distinguem o masculino do feminino e reproduzem a diferença institucionalizada entre homens e mulheres. Esta visão estende-se também à interpretação dos estilos corporais, nomeadamente a forma de andar, de se vestir e de estar em sociedade. E é aqui que Butler justifica a dicotomia existente entre sexo-género, em que o género reproduz a identidade sexual visível dos corpos. Deste modo o processo de construção de género é limitado pelo sexo, ou seja, pelas características biológicas de uma suposta essência, à qual a cultura atribuiu significados simbolicamente imutáveis e inquestionáveis: o do masculino e do feminino, e toda a cultura gira em torno desta dicotomia. É na anatomia dos corpos que a dicotomia sexo-género encontra a estabilidade para se assumir como universal. Há a apropriação dos corpos como protutos culturais, dos quais se fazem interpretações também elas culturais das diferenças de género.

Contudo é na biologia que Butler se vai apoiar para combater exactamente aquilo que a sociedade afirma como biológico, o macho e a fêmea. Porque esta dicotomia não justifica a existência de intersexos, de homosessuxuais e transexuais. A heteronormatividade encaixa na dicotomia, explica provavelmente uma boa parte da realidade, mas não a total. De fora ficam todos aqueles que não se inserem nestas categorias: homem, mulher, heterossexual. Estas categorias, construídas pela diferença, produziram uma série de marginalizados que não se inserem no centro. Esta norma tem uma enorme força social, é uma construção cultural de comportamentos esperados, que são repetidos todos os dias numa tentativa dos sujeitos se adequarem à norma, ao centro, e que levam a mulher a ser “feminina” e o homem a ser “masculino”. Este comportamento não é, contudo, um acto inteiramente livre, mas um esforço para ir de encontro ao que a sociedade espera que as pessoas sejam. Há assim uma necessidade de se reafirmar a própria sexualidade, todos os dias, criando a ilusão da naturalidade do feminino e do masculino, pois a heterossexualidade é regra obrigatória da sexualidade, a regra da feminilidade e da masculinidade.

E assim nasce a famosa Teoria Queer, que incorpora três dimensões: sexo, género e sexualidade. Sexo enquanto identidade biológica, que não tem que ser binária, e com suporte da biologia, o sexo é uma variável contínua como outros atributos humanos, como a cor da pele, a gordura nas ancas, o tamanho dos seios ou a cor dos olhos. O género como representação de palco, repetidamente demonstrada pelos seres humanos. Sexualidade enquanto desejo sexual por outro. Butler encontra então, nas Drag Queen a resistência à performance feminina. Porque as Drag Queen são a representação da subversão, da imitação da artificialidade feminina socialmente fabricada, desconstruindo a identidade de género e a sexualidade, constituindo para Butler a “imitação e a insubordinação de género”.

Mais do que diferenças entre mulheres e diferenças entre homens, o que é aqui proposto é uma diferença entre indivíduos e dentro dos próprios indivíduos. Entre os indivíduos porque cada um é diferente entre si, rompendo com as categorias per si, uma vez que o pensamento categorial não nos consegue explicar as verdadeiras diferenças, mas apenas as diferenças do centro em relação à margem, e sobre o que é o centro. Então, se o género não é um facto social imutável, toda a sociedade poderá ser questionada e pode ser vista como potenciando diferenças radicais. Romper com as categorias é romper com um esquema de pensamento que marginaliza, que não explica os factos, mas apenas a visão de algumas características por contraste da diferença. Esta é também uma proposta de género da diferença dentro dos indivíduos porque permite a “contradição”, permite uma compreensão mais profunda e mais real do que é o sexo, o género e a sexualidade, que não têm que coincidir. Uma pessoa pode ser um intersexual, mas assumir uma performance de género de uma mulher e sentir-se atraído por mulheres. Porque o sexo não tem que coincidir com o género e estes últimos não têm que ter a si associados um determinado desejo sexual.

Bacamarte – o novo LDG

Como sempre, a critica pela crítica, a maledicência infundada são regra entre nós. Já há quem critique a generosidade do nosso Ministério da Defesa Nacional. Inacreditável! Refiro-me obviamente à magnifica perspectiva de compra de um navio logístico, o Siroco. Este segundo e ultimo navio da classe Foudre é um prodígio da tecnologia. Apenas as mais modernas e sofisticadas Nações terão alguma vez acesso a este tipo de equipamentos –  A França que os vende, nós e o Chile. É realmente triste que os nossos concidadãos não consigam reconhecer uma boa oportunidade quando a têm perante os olhos.

Um sonho que se ajustou aos tempos, uma ideia que se comprovou válida. Senão não teríamos chegado a este solene momento. É indiscutível a importância estratégica desta opção. Seria um disparate investir no desenvolvimento de Corvetas para patrulhar a nossa Zona Económica Exclusiva, seria um absurdo dar continuidade aos programas de modernização das nossas Fragatas. Haja rumo.

Obviamente que o país necessita de um Porta-Aviões, mas como não podemos viver acima das nossas possibilidades, contentar-nos-íamos com um Navio de Assalto. Talvez um Mistral. Mas, até para sonhar é necessário responsabilidade e sentido de estado. Assim, e porque a Nação não pretende assaltar ninguém (no exterior), talvez seja melhor comprar um Navio Logístico. Além disso, o assalto aos portugueses não requer nenhum equipamento em especial. É consentido.

preços de mercado, um Mistral custa 600 milhões (€). Está certo que seria novo em folha, mas tinha o inconveniente dos manuais de instrução na língua de Tolstoi. É verdade que num Mistral sempre dava para operar os famosos EH-101 da FAP, mas esse é outro facto que me revolta na critica – a atenção a pormenores sem importância. Os Merlin não cabem no Siroco? Ok, não tem problema, não temos os Alouette III? Cabem perfeitamente!  (esqueçam lá os Sud Aviation PUMA, esses é para fingir que nunca existiram, ok?)

Apesar de a Marinha já não ter asas, tem os Super Lynx. Se as Fragatas vão ficar acostadas, já não necessitam de helicópteros para nada. Podemos até comprar, sei lá, F35B aos inquilinos das Lajes. E blindados? É verdade que podíamos também comprar uns blindados modernos, talvez austríacos, mas devemos ser realistas e dizer “Alto” – é um navio logístico, não é de assalto!

O Siroco pode ainda ser útil em acções de apoio humanitário. Por exemplo nas Ilhas Selvagens! De que outra forma poderíamos salvar as populações das Selvagens? Por fim, o derradeiro argumento: No ano passado, a Marinha abateu a ultima Lancha de Desembarque Grande (LDG), Bacamarte de seu nome. Eis o substituto.

Decididamente uma oportunidade a não perder. Apenas 80 milhões (€) por um navio que é de uma eficiência de custo inquestionável, cuja utilidade estratégica fala por si, e cujos benefícios para toda a população são tão evidentes (que se torna irrelevante referi-los), é pechincha! Deixemos as “más-línguas” entregues ao seu próprio veneno. Ignoremos a impertinente pergunta “porque é que a França o abateu ao efectivo?”. Não merece resposta.

Novo-Bacamarte

Todos diferentes, todos iguais

AS: Olá António, como vais companheiro? Vi-te na TV e fiquei perplexo quando disseste que Portugal estava melhor do que há uns tempos atrás…

AC: Olha! Ainda estás vivo meu homónimo? Estás como os outros!? Eu não disse que Portugal estava melhor! Atenção! Eu disse que Portugal estava DI-FE-REN-TE….

AS: Hum… quer dizer que está pior?

AC: Não, sendo franco pior também não está…

AS: Então!? Se está diferente tem de estar pior ou melhor, não? Caso contrário estaria igual!

AC: Não necessariamente. Sabes, para perceberes o meu ponto de vista vou-te contar algo íntimo. Quando eu era míudo havia aqueles que me tomavam por indiano e me chamavam monhé e havia aqueles que me tomavam por preto e me chamavam escarumba. Até que um dia tudo mudou com a campanha “Todos Diferentes, Todos Iguais”. De repente deixou de haver melhores e piores! Passei a ser em simultâneo diferente e igual! Pelo menos até ser reconhecido como um político igual aos outros e passar a ser chamado apenas de FDP… Em todo o caso tenho toda a coerência ao dizer que Portugal está diferente não estando nem pior nem melhor. Porque podemos estar diferentes estando iguais, percebes?

AS: Não, não percebo, mas sei o que é isso de ser chamado de FDP… e até de te chamar FDP… Só que há outro assunto que me faz confusão.

AC: Então?

AS: Foste enaltecer o apoio dos chineses!? Uma ditadura que alimenta oligarcas do partido e tritura os direitos dos seus trabalhadores, dos seus cidadãos! Vendeste-te!? Ou crês que o seu regime político e social é a fórmula de sucesso a aplicar em Portugal? Um Portugal mais chinês seria melhor?

AC: Não…nem pior… seria diferente!

AS: Oh valha-me Deus… és melhor cowboy de rodeos do que alguma vez fui!

AC: Isso é verdade. Em relação a tudo em comparação contigo sempre fui o melhor!

AS: Melhor não, nem pior, és diferente.

Costa e Seguro, duas faces da mesma moeda?

 

Lassie

Provavelmente o mais ternurento filme de todos os tempos, Lassie foi lançado em Technicolor pela Metro-Goldwyn-Mayer em 1943. Relata a história da amizade entre uma criança e uma cadela de raça Rough Collie. Na verdade era um cão travestido de cadela, de seu nome “amigo“. A acção desenrola-se em Baden-Württemberg, na casa da humilde mas mui séria família Schäuble. As dificuldades financeiras criadas pela crise obrigaram a família à mais dura medida de austeridade: vender o seu adorado animal de estimação. Foi um rude golpe para o mais jovem membro da família, o pequeno Wolfgang. O swap foi concretizado com o nobre Duque.

O novo dono nutria grande admiração pelo animal, mas não o mesmo afecto. Mantinha-a em cativeiro, presa no canil. Felizmente, a amizade foi sempre mais forte que o cativeiro. Lassie fugia regularmente para se encontrar com o pequeno Wolfgang à saída da escola. Escusado será dizer que estas manifestações de afecto não colhiam a simpatia do nobre Duque, o qual decidiu cortar o mal pela raiz. Enviou a Lassie para longe, para sua propriedade na região de Hamburgo. Contudo, a distancia e a saudade não matou a amizade.

Obstinada, Lassie percorreu milhares de quilómetros, passou fome, superou tempestades e até pessoas más, mas consegui regressar a casa. Nunca nenhum outro canino revelou tão apurado faro, tão determinado empenho, nem tão cega dedicação a seu dono. Uma enternecedora história de amor.

lassie

Detox Grego – Jogo limpo

Drug DetoxDe um lado temos os dealers que tentam proteger o valor de mercado do seu produto, do outro temos os toxicodependentes que decidiram iniciar um programa de desintoxicação. Uns querem continuar a emprestar e a decidir como deve ser gasto, outros querem continuar a receber empréstimos e passar a ter autonomia de decisão no seu gasto. Meus amigos, assim não vamos lá!

Permitam-me que me apresente. Nuno Faria, humilde benemérito mediador de imbróglios pessoais, nacionais e/ou internacionais. Apesar da magnitude da dívida este é um problema muito simples que pode ser resolvido com o habitual exercício de nos colocarmos nos sapatos dos outros para vermos a situação com outros olhos.

Utilizando uma simples metáfora circense o cenário é simples.

O Circo está montado!

O palhaço rico montou a sua grande tenda na Grécia, há cerca de 5 anos, emprestando dinheiro a jorros em troca, não apenas dos juros devidos, como do segurar firmemente as rédeas da governação. Foi como o alugar de um país inteiro para produzir um espectáculo circense assente em performances experimentais. Que quer manter em exibição por tempo indeterminado.

sad clown design by dmrottenPor sua vez o palhaço pobre, farto de tantos anos de austeridade, decide que é altura de mudar. Banir de vez este circo vampírico que ao invés de manter a alegria do seu povo lhe sugou toda a vitalidade e razões de viver. Com uma condição: o circo vai-se, libertando as rédeas da governação,  mas os empréstimos continuam se faz favor.

Como é perceptível as posições não são de todo compatíveis. Por um lado o rico não quer emprestar ao pobre se este deixa de estar alinhado com as suas orientações. Por outro o pobre não quer dar ouvidos às orientações do rico mas quer que este abra mão do seu dinheiro.

A solução? Porque não ser fiel à palavra ‘desintoxicação’ e aplicar uma mistura de privação e metadona? O rico seria privado do pagamento dos juros de empréstimos passados por período idêntico aquele em que teve grande influência sobre a governação da casa do pobre. O pobre seria privado de empréstimos por parte do rico durante esse mesmo período. Os montantes libertos não são suficientes para governação? Então seja autorizado o uso de metadona.

A Grécia teria assim esta legislatura para voltar a servir de laboratório, talvez mais arriscada, em que o próprio cientista se utiliza como cobaia. No final seriam avaliados os resultados. Em caso de sucesso na recuperação económica teríamos um novo case study de políticas e medidas de sucesso alternativas ao actual rumo de austeridade. Em caso de fracasso a Grécia teria de sucumbir às evidências da ressaca e submeter-se aos caprichos do rico que aparentemente teria toda a razão no formato da sua ajuda.

O irónico é que temos de um lado um palhaço, pobre e desesperado, disposto a arriscar tudo para encontrar a fórmula de sucesso. Do outro temos um palhaço, rico e abastado, temente do potencial sucesso de qualquer receita de tratamento que trilhe caminhos diferentes dos por si apontados.

Fico mesmo sem saber qual dos dois precisa de maior ajuda e atenção.

Felizmente, tal como todos os Europeus, eu tenho duas mãos.

Drug Detox – Alcohol, Opioid, Nicotine Detoxification

A ajuda de Xerxes

Trinta e dois súbitos apelaram ao Rei Xerxes por mais simpatia para com a Grécia. Soberano, Xerxes explicou o equívoco. Esclareceu os ignorantes que o Império Aqueménida é aquele que mais ajuda a Grécia. O esforço do império em prol dos gregos é em termos relativos o maior do mundo. Magnânimo, encerrou o assunto. Eis demonstrada a vantagem de quem tem acesso privilegiado à informação e ao saber. Infalível!

Ou não? Terá Xerxes cometido um erro? Uma não-verdade? Aposto que não. Por certo que a explicação existe. Humildemente, lanço o meu apelo: Ó grande Xerxes, tu que tanto tens reformado o estado, tu que estabeleceste os limites, tu que nunca nos mentiste, esclarece-nos com o teu conto para adultos.

xerxes