Star Wars – Salacious B. Crumb
A principal característica da saga Star Wars é a sofisticação dos efeitos especiais. Mas na verdade são os pequenos detalhes que tornam o todo mais verosímil. Algumas mega produções são por vezes descredibilizadas por pequenas falhas de guarda-roupa ou de adereços. São precisamente estes últimos que fazem a diferença nos filmes de ficção científica. Credibilizam a narrativa e dão cor ao enredo.
Sem prejuízo de num futuro próximo regressarmos às personagens, vamos hoje apresentar um pequeno grande detalhe desta saga, um adereço, um animal de estimação, um bichinho-come-cascas – o malvado Salacious Bruno Crumb. Muito embora o seu desprezível papel se resuma a brevíssimos segundos de aparição ao longo de toda a saga, não é parvo. Surge quase sempre rodeado de caras bonitas. A qualidade de manipulação deste adereço é lendária. Chega a parecer de carne e osso, graças a uma natural e muito fluida linguagem corporal. Ficará para sempre famoso pela assertividade das suas conclusivas no Twitter…
Star Wars – Droid C3PO
Porque dos pequenos também reza a história, chegou hoje a vez do primeiro dos Droids. A personagem em si pouco acresce aos destinos da Galáxia, não fora ele um mero Droid de protocolo. Tantas vezes desprezado, Jorge C3PO Xavier de seu nome, entende que o entretenimento é uma forma de cultura. Talvez por isso desempenhe tantas vezes a importante missão de oferecer algum humor ao enredo.
Este robot humanóide adora desafios, por isso aceitou o cargo de secretário. É tradutor, domina mais de 6 milhões de formas de comunicação. Assume portanto a importante missão de traduzir os desígnios dos sacrossantos mercados a quem de direito, à cultura lusitana. Nação recente de um planeta longínquo, nem 9 séculos de existência. Coisa pouca, nada que justifique o custo de um Ministério da Cultura. Ele aceita. Concorda com tudo que o amo lhe ordene, não contesta, não discute. Reabriu museus e rentabilizou acervos. Uma máquina!
Star Wars – Princesa Rebelde
Senhora de um dos mais emblemáticos e inconfundíveis penteados da indústria cinematográfica, a personagem de hoje é a líder da resistência ao Império Galáctico. Outrora fragmentada na Força, a resistência rebelde uniu-se e em bloco conseguiu entrar na Assembleia da República. Por lá andam há uns anos, sempre do contra. Liderados pela Princesa Leia Martins. a Aliança ganhou novo folgo, uma nova Força. Natural de Alderaan, a Princesa Rebelde foi subestimada por todos os Siths e Jedis.
Face à devastação provocada pela Estrela da Morte no planeta Grécia, previa-se o desaparecimento da Aliança Rebelde, mas o bloco reforçou-se. Talvez seja o fim da alternância, mas mesmo que seja apenas o início de uma nova alternância, refresca o panorama, renova o ar. Quando nada muda, até a ilusão do render das moscas agrada aos nativos rebeldes.
Parece que quem quer resistir não se importa com os credores e não teme o fulminante raio da Estrela da Morte. Que se lixem os levantamentos! Abaixo o Império. Pelo menos assim disse na campanha. Faltou explicar aos nativos que só a Autarcia pode substituir a alternativa única. Estranho quando os extremos ideológicos se tocam, mas resistir é sempre romântico.
Star Wars – Imperador de Naboo
Dando sequência à apresentação das principais personagens da saga Star Wars, dedico hoje algumas linhas a Palpatine, o despretensioso político que um dia foi a Buarcos comer Raia Pitau e aproveitou a ocasião para fazer a rodagem à sua pequena nave espacial de modelo BX. Quis então o destino iniciar a sua ascensão ao topo do aparelho de estado de Naboo. Deixaram-no trabalhar, escavacou a influência dos Jedis e fez-se chefe supremo do Império Galáctico.
Os nativos, embora o critiquem, gostam dele. De outra forma não o teriam eleito e reeleito tantas vezes. Ele, o mais poderoso dos Siths, faz do silêncio a sua maior arma. Todos o temem pois a qualquer um pode matar de tédio quando bota discurso. Assim fará hoje. Dir-nos-á tudo quanto já tinha decidido sobre o nosso futuro, mas que ontem lamentavelmente não teve tempo para nos contar. A galáxia dá-lhe muito que fazer, mas o Imperador nunca esquecerá as suas origens. É um Naboo perfeito.
Star Wars – Moral da História
No dia da República Galáctica, antigo feriado da Velha República, relembro a mais fantástica saga do cinema, a épica luta do bem contra o mal, a revolta dos virtuosos contra a alternativa única. A saga que há gerações alimenta os sonhos de miúdos e graúdos, trouxe fama e fortuna ao seu criador – George Lucas. Ainda hoje vende milhões em traquitana do Universo Expandido. Está para breve o sétimo episódio. Deve estrear antes do Natal. Assim, e porque ainda temos tempo, vou tentar enquadrar as novas gerações no contexto desta saga. Torna-se difícil sintetizar toda a narrativa num único artigo, até porque os filmes não foram lançados pela ordem cronológica, mas aqui fica a minha vã tentativa:
Numa galáxia longínqua, uns tipos fixes, quais monges de Shaolin chamados Jedis, treinam e meditam para controlar uns bicharocos chamados midi-clorians os quais geram a energia mais prodigiosa lá do sitio – a Força. Nem todos os Jedis são bonzinhos. Alguns, começam por ser beras, tomam-lhe o gosto, ganham embalo e chegam a maus. Depois, os dois melhores piores tornam-se Siths, o mestre e o discípulo. Todos os Jedis, bem como os malvados Siths, lutam com um sabre de luz. Ah! Há naves, bichos, humanóides e robôs. É colorido e a banda sonora é poderosa. Demonstra aos mais distraídos a magnificência de uma orquestra sinfónica.
Feita a síntese, as personagens. Começo pelo mestre dos mestres Jedis, o Yoda Costa. Ele não corta, poupa! Brandiu o seu sabre rosa, mas a Força não esteve com ele. Fugiu-lhe. Yoda não percebeu que os seres vivos lá do sítio não acreditam numa coisa e no seu exacto contrário. Treta por treta, é melhor aquela que conhecem. O Império não contra-ataca porque não precisa.
Laranja Mecânica
Um dos grandes clássicos da 7ª arte, provavelmente a obra-prima de Stanley Kubrick – A Clockwork Orange, relata as aventuras do anti-herói, o jovem Pedro o Grande. A narrativa, narrada pelo próprio, descreve um quotidiano pouco convencional. A crise parece perpétua. Sem o menor escrúpulo exclama “que se lixem…”. Nem o mais zeloso dos tutores o mantém na linha. Pedro, adepto de ultra-violência e incondicional amante de boa música, partilha com o seu selecto grupo de amigos momentos da mais intensa porradosca.
PaF, a trupe sempre pronta para o acompanhar em novos e grandiosos desafios, prepara-se entusiasmada para mais uma das suas travessuras. Contudo, a inveja espreita. Pedro será traído em plena brincadeira. Preso, é submetido à mais dura e desumana das torturas. Obrigado a ver horas infindáveis da mais pura brutalidade, vive momentos de prazer e êxtase, mas sucumbe à terapia de choque quando os carrascos descobrem o efeito devastador que a obra de Ludwig van Beethoven tem sobre os seus instintos, especialmente a derradeira sinfonia, a 9ª.
Em sofrimento, contesta, argumenta que o grande compositor apenas criou música maravilhosa, mas sem sucesso. A metamorfose acontece. Outrora um terrível malvado é desde então uma vítima, impossibilitado de perpetrar qualquer acto de violência. A mera tentativa o conduz à agonia. Na demonstração que culminará com a sua libertação, é incapaz de tocar a bela e desnuda miudósca que perante si é colocada. Está mudado, profundamente transformado. É outro! Entoa agora a Ode à Amizade. Diz-se focado no combate às desigualdades. Será verdade?
O Voto Útil
O voto útil não é temente à projecção de cenários catastróficos.
O voto útil não é permeável à influência de sondagens manhosas.
O voto útil é sereno.
O voto útil é voluntário.
O voto útil é corajoso.
O voto útil não é fiel. A esquerdas, a direitas, a partidos nem a personalidades.
O voto útil tem memória.
O voto útil não premeia culpados.
O voto útil é feito em consciência. Do estado da sua vida pessoal, do estado da vida dos que lhe são próximos, do estado da vida dos demais.
O voto útil é altruísta.
O voto útil muda o destino do país.
O voto útil é uma simples cruz certeira. Arma derradeira contra a tríade do voto cego, voto egoísta e voto do compadrio.
O voto útil é uma espécie rara, em vias de extinção.
O voto útil é o meu.
E o seu?
Escolha! Opções não faltam!
Da direita à esquerda, não se ouve outra coisa, não estivéssemos nós em recta final da campanha eleitoral, senão o apelo ao voto útil! Parece que, de repente, poderemos ser todos úteis, quando no resto do tempo não temos qualquer utilidade.
Poderemos ser úteis para derrotar a direita, votando no PS.

Poderemos ser úteis para evitar outra vez a Troika, votando PáF (PSD & CDS).
Podemos ser úteis em dar mais um, um voto, para a necessária maioria absoluta, votando no PS ou no PaF.

Podemos ser úteis votando apenas PS e PÁF, não desperdiçando votos em pequenos partidos, não representativos pois claro!


Vai-se votar CDU, BE, MRPP, AGIR, Livre, PAN, para que? Não vão ganhar, não vão governar, vai-se desperdiçar um voto neles?

Voto útil é votar no Costa contra o Passos e o Portas! Voto útil é votar no Passos e no Portas contra a ingerência do PS!

Chegou aquele momento em que para o PS, o PSD e o CDS, os cidadãos, contra quem governam, podem ser-lhes úteis. Úteis na pertectuação do seu poder, úteis em dar maiorias absolutas, porque essa é a garantia de estabilidade. Sem uma maioria é impossível governar, dizem eles, e nós sabemos! Sem uma maioria não existe política! Sem uma maioria não há acordos possíveis. Somos úteis, somos necessários! Não existe democracia sem uma maioria, absoluta, claro!

PS, CDS e PSD têm governado contra a Nação, cometendo crimes de lesa a pátria. Traíram o seu povo (a quem agora pedem votos!), traíram a Nação. 40 anos de traição!

PS PSD e CDS dividem o poder. Dividem os cargos, dividem as parcerias publico-privadas, dividem politicas que atacam direitos sociais. Cortam em pensões, aumentam impostos, entregam a segurança social para ela financiar as empresas e engrossarem os lucros. PS PSd e CDS no poder autárquico dão obras publicas a quem lhes lava as mãos, em estradas, hospitais, pontes, e tudo quanto são obras públicas.
PS PSD e CDS estão prontos para acabar com a segurança social e com o Serviço Nacional de Saúde!

PS PSD e CDS são os responsáveis por 3 intervenções do FMI!

PS PSD e CDS são submissos a Bruxelas, à União Europeia e a Berlim, que esmagam as nações mediterrâneas!
PS PSD e CDS são federalistas, são liberais e são de direita!
PS PSD e CDS são pelo Tratado Transatlântico!
Útil é não votar PS PSD e CDS! Útil é correr com esta gente!
Útil é mobilizar um amigo, um familiar! Útil é combater a abstenção que se estima! Útil é combater PS, PSD e CDS!
TODOS ÀS URNAS! VAMOS CORRER COM ESTA GENTE!
Das Auto…
Conduzi um automóvel pela primeira vez em 1983. Já lá vão mais de trinta anos, mas lembro-me como se fosse hoje. Recordo-me até do padrão do forro da almofada que o meu avô materno me colocava nas costas, pois de outra forma não chegava aos pedais. Com saudade e muita ternura aqui relato essas tardes bem passadas, num antigo campo de treino da Carris que então existia na margem direita do rio Tejo, precisamente onde hoje estão os pilares da ponte Vasco da Gama. Foi um segredo que guardamos a três durante largos meses. O terceiro cúmplice era um Carocha 1200, Branco-Frigorífico, 100% alemão, construído na fábrica de Wolfsburg em 1959. Ostentava o brasão da cidade que o viu nascer, símbolo que a par do logótipo do fabricante, faz parte do meu universo dos afectos. Era “muito” potente, 36 cv imagine-se! Suportou toda a minha falta de perícia. Dele era a única matrícula que até hoje memorizei: LC-57-47. À época não me preocupava por ai além com o ambiente. As preocupações ambientais de então estavam relacionadas com o civismo básico. Bastava colocar o lixo nos locais apropriados. Não se falava de aquecimento global e muito menos de pegada ecológica.

Este relato prévio explica porque motivo sou suspeito para comentar a questão da viciação dos testes de emissões poluentes por parte da Volkswagen. Sinto-me até tentado a desenvolver uma coerente teoria da conspiração, talvez envolvendo engenheiros de nacionalidade grega ou lusitana. Os primeiros são famosos pela tendência para a adulteração de números e os segundos pela tendência para a pieguice e para o ócio. Mas mais importante que identificar culpados, talvez seja mais útil compreender as dinâmicas. Uma boa teoria da conspiração deve abraçar um espectro mais amplo, ter uma maior profundidade de campo. Resumido, é sabotagem. Houve sabotagem, não dos resultados, mas sim do segredo que até então foi mantido sobre a viciação dos testes. Todos os fabricantes o fazem. Será uma questão de semanas até que tal seja um facto comprovado. Julgo que o ataque não é a um fabricante em concreto, mas sim a um combustível, o gasóleo. Talvez seja até um contra-ataque da gasolina.
O “meu” adorável Carocha, poluía e envenenava porque usava gasolina com chumbo (essa extraordinária invenção de Thomas Midgley que entre outras “coisas boas” inventou os CFCs). Muito embora os efeitos do envenenamento com chumbo sejam conhecidos desde (pelo menos) o inicio do século XX, a gasolina sem chumbo só foi banida da sofisticada Europa no ano 2000. O cosmopolita estado Português fê-lo no ano anterior, 1999. A maior economia do mundo, os Estados Unidos da América, baniu o uso da gasolina com chumbo em 1996, muito embora os primeiros alertas para o risco de plumbismo tenham ocorrido mais de setenta anos antes. Bem vistas as coisas, estamos a melhorar e muito. As denúncias que outrora demoravam décadas a surtir efeito, têm hoje impacto ao fim de apenas alguns meses. São os mercados a operar livremente, os reguladores a regular e os consumidores a consumir, tudo é esclarecido e ninguém é enganado…
Quando o sonho comandava a vida

Sondagens recentes dão números na ordem dos 40% à PàF e dos 30% ao PS, parece que os últimos 40 anos não foram suficientes para que os portugueses façam uma análise imparcial e objectiva às suas políticas. Como se o cenário actual não fosse um resultado directo delas. Como se esses governantes, coitadinhos, tivessem feito o melhor que se podia perante as condições existentes.
Apesar de tudo estas sondagens têm o seu quê de interesse.
- A abstenção é tratada exactamente pelo seu peso político, zero, e nem merece menção no estudo;
- Dão a entender que votar nos 2x principais candidatos é, apesar de tudo, o mais sensato empurrando os indecisos para o seguir da manada;
- Deixam no ar a ideia de que a decisão, sobre a quem vamos entregar a responsabilidade de governação nos próximos 4x anos, é uma coisa volátil, ao ponto de se alterar significativamente de dia para dia, como se fosse esta ou aquela nova gaffe / revelação, que transitasse assim a opinião de alguém que hoje se diz apoiante ou oposição do partido X. Terão também as intenções de votos se tornado um acto irrevogável?
- A serem um retrato fiel do resultado das eleições ao momento então o medo de ?algo? pior seria o grande responsável pela preferência por um austero mas estável e conhecido mal menor. Assim pior não fica, não é?
Lembro-me de em criança me ser repetido o mote “as crianças de hoje são o futuro do nosso amanhã” e agora, vendo como as coisas estão, adulto que sou, tenho de reconhecer que algo falhou pelo caminho. O que terá acontecido ao sistema que pega em crianças cheias de potencial e as transforma em adultos que não sabem sequer entender a linguagem política, fazer uma análise de números, perceber o impacto de leis e orçamento do estado nas suas vidas? Perceber que o estado são elas, elas são o estado, e os governantes facínoras e/ou medíocres não são mais do que um reflexo do seu povo?
O pior de tudo é algures pelo caminho conseguirem a aniquilação da capacidade de sonhar, do ser destemido, do acreditar que bons ventos virão, do pôr os interesses comuns à frente de interesses pessoais. Foramos todos crianças e provavelmente ainda teríamos sonhos pelos quais lutaríamos com todas as nossas forças numa tentativa da sua concretização. Como por exemplo:
- Vivermos centrados na felicidade colectiva e não num egoísmo materialista! #1 #2 #3
- Banir todo o tipo de caça! #1
- Dar casa a todas pessoas sem abrigo! #1
- Viver de forma sustentável e usar apenas fontes de energia limpas e renováveis! #1 #2 #3
- Sermos governados por pessoas justas e íntegras! #1 #2
Infelizmente somos agora Portugueses adultos, bem cientes da realidade possível, com medo dos demónios e bichos-papões que habitam nos caminhos alternativos à continuidade. Ironicamente, vista de fora, a nossa segura realidade é interpretada como uma divertida fantasia surreal.
E assim, derrotados pelo terror de poder vir a ter uma vida ainda pior, deixámos de ter a capacidade de ser comandados pelo sonho de poder vir a ter uma vida melhor.










