Obrigado, obrigado, obrigado

Diz que devemos agradecer ao Universo por aquilo que nos concede tentando sempre descortinar o lado positivo mesmo quando o cenário parece catastrófico. Pelo que, quero aqui fazer a minha parte e realizar alguns agradecimentos relativos a eventos recentes.

Obrigado ao nosso Presidente da República que demonstra o impacto e influência que o seu cargo não executivo pode ter sobre quem está em exercício de funções, ora dando uma no cravo, ora dando outra na ferradura, ora sendo acelerador, ora sendo travão de ideias geringonças. Depois de retiradas as silvas o jardim de Belém parece agora florescer.

Obrigado aos chineses que nos ajudaram a trafulhar seus conterrâneos. Claro que o pagaremos caro, com juros, mas como bom povo mediterrâneo sabemos aproveitar ao máximo o sol de pouca dura antes da chegada de novo Outono-Inverno.

Obrigado à América por nos demonstrar a sua democracia vanguardista onde o embate político se tornou um misto de entretenimento e reality show ao estilo da “Casa Branca dos Segredos”. Mais importante do que ideias é saber que tipo de uso dá um candidato à sua genitália. Mérito ao primeiro a reconhecê-lo em Portugal, José António Saraiva.

Obrigado a Maria Leal por confirmar a qualidade dos curadores de artes performativas que apenas dão visibilidade e oportunidade a grandes valores artísticos.

Obrigado aos taxistas por com a sua manifestação nos fazerem esquecer por um dia a qualidade dos nossos transportes públicos, muito bem pensados à medida do orçamento possível.

Obrigado à Assembleia Geral da ONU por escolher um imaculado e verdadeiramente bem intencionado António Guterres para seu secretário geral. Também eu gosto e acredito na nossa picareta falante que tanto cresceu durante o seu mandato de 10 anos como alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados, ou por outras palavras como responsável pela gestão de danos sociais causados pelas guerras mundiais. Foram 10 anos de forte crescimento onde mesmo assim se conseguiram milagres a nível orçamental gerindo-se a crise humanitária sem que fossem levantadas grandes ondas em termos mediáticos (só mais para o final a coisa se tornou um pouco viral mas rapidamente voltou a sair de cena). Desconfio que para os grandes líderes mundiais Guterres seja um género de picareta de São João, colorida e sonora mas que apenas dá pancadinhas de amor, em teoria fácil de aturar portanto. Agora com as rédeas de uma organização poderosa, com maior abrangência da sua área de influência e intervenção, espero que saia um pouco mais da casca procurando atravessar a fronteira da contenção em direcção à verdadeira resolução dos graves problemas mundiais. Se faz favor faça-se ouvir e aponte o dedo, doa a quem doer. Em último recurso não se embarace de trair alguns princípios e defender a capacitação dos refugiados para o reconquistar de tudo o que lhes foi tirado.

Finalmente obrigado ao PC e ao BE por se manterem fiéis ao PS garantindo assim uma estabilidade de pedra e cal que nos proporcionarão a todos um muito melhor Natal junto de nossos pais e avós um pouco mais sorridentes.

Tu és lindo Universo!

obrigado

Taxi Driver

Cientes que a cidade de Lisboa seria hoje alvo de repérage  para um eventual remake do original de Martin Scorsese, os taxistas da capital apostaram numa mega manifestação contra a concorrência desleal. Compreende-se, quatro décadas depois, a nova versão do filme poderia vir a chamar-se Uber Driver. É a revolução tecnológica pois então. O original, Taxi Driver, relata-nos a história de um jovem indignado com o mundo que o rodeia, manietado por licenciamentos e obrigações várias, revolta-se contra a libertinagem em geral e a pouca vergonha em particular. Na verdade perde as estribeiras e descamba. A intenção inicial, virtuosa que fosse, resvala para o disparate. Perde a empatia de todos, mesmo daqueles que com a sua causa poderiam concordar.

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Hoje por cá, talvez procurando atrair os produtores da nova versão deste clássico do cinema, os donos dos táxis e das respectivas (caríssimas!) licenças promoveram aquilo que chamaram uma Manifestação de Taxistas. Alguma imprensa chamou-lhe “greve dos táxis”, o que é estranho, pois os condutores ou são empresários, pelo que o conceito de greve não se aplica, ou são funcionários e como tal estão a trabalhar no protesto, sem prémio de desempenho. Na verdade é uma acção de protesto, uma demonstração de força. Contudo, o bloqueio da cidade dificilmente atrairá simpatia dos habitantes, leia-se, potenciais clientes. Talvez fosse altura de mudar de estratégia, por exemplo procurando aliados em vez de entrar em guerra contra tudo e todos. Esta força que hoje procuraram demonstrar será a (curto) prazo a sua maior fraqueza.

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Jabba the Guterres

Eis-nos de volta aos clássicos do cinema e à grande saga “Guerra das Estrelas”. A personagem de hoje está no pedestal da adoração nacional. Devotos de sempre e detractores de outrora, todos, unidos em uníssono elogiam o mestre do dialogo, Jabba the Guterres. O momento festivo resulta da sua nomeação pelo Conselho de Segurança para Secretário-geral das Nações Unidas. Jabba, ex-chefe do executivo desta pequena nação à beira mar plantada nos confins do continente Europeu, será o próximo líder das Nações Unidas. Não, não é ficção cientifica. Deixou a concorrência para tras e ganhou.

Curioso contraste este entre o percurso dos ex-primeiros que nos deixaram a meio do mandando. Um fugiu do pântano, terá um dos mais ingratos e exigentes cargos do mundo, o outro, aquele que encontrou uma nação de tanga, é “consultor” do banco de investimento mais poderoso do mundo. É giro!

A vitória é sem duvida um tónico poderoso, capaz de elevar uma picareta falante ao papel de ídolo nacional, uma unanimidade praticamente inédita. Bem, talvez não seja absolutamente inédita, a aclamação do futebolista Éderzito tem sem duvida semelhanças. De vergonha ao orgulho em segundos. Fantástico! Talvez venha desfilar pela capital abordo de um autocarro de dois andares, acenando à multidão entusiástica e no fim discursar na Alameda Dom Afonso Henriques, bem em frente ao Instituto que o formou, o Superior Técnico e no palanque proferir um patriótico e sucinto discurso enaltecendo a vitória e invocando o Cesto da Gávea, numa clara alusão à nossa tradição marítima…

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Smart Silva

Anos a fio, a áurea de homem sério foi quanto baste para se manter a salvo de toda e qualquer acusação. Uma vez invocado o autoproclamado estatuto, aqui e ali adornado com uma ou outra alusão subtil (nunca concretizada) a campanhas orquestradas contra si, todas as suspeitas foram esquecidas, relegadas ao eterno esquecimento. Porém, numa época dominada pela tributação dos imóveis, qual fénix renascida, ressurge a polémica da Gaivota Azul. Ao invés da reacção tradicional, desta feita, nada. Nem sim, nem não. Zero, silencio total.

Noutros tempos teríamos já sido brindados com um categórico e sucinto comunicado desmentido tudo, provavelmente reiterando sound bites do passado, conclusivas singelas e curtas, “por vezes” auto-elogios mas sempre, sempre compatíveis com a persona construída, como a celebre tirada sobre seriedade na qual garantiu ser tanta a sua que para qualquer um de nós ir a meças, teria de nascer mais uma vez. Um conceito complexo, mas seja como for, a moral é simples, diz-se sério.

Parece contudo, a fazer fé em noticias vindas a publico recentemente, que nenhum de nós terá de voltar a nascer para com ele ombrear em seriedade. Já não é preciso, basta ser esperto. Mesmo tendo duvidas, o que hoje é verdadeiramente relevante é a esperteza. Sinal dos tempos, talvez apenas uma manifestação do processo de aculturação em curso, influenciada pela maior e mais liberal economia do mundo, mas parece que actualmente pagar menos impostos é sinal de esperteza. Quem não a tem paga, quem tem paga menos. Muito menos.

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Wirtschaftsnachrichten

O canal televisivo SAT.1 acaba de anunciar a contratação de um dos maiores especialistas económicos nacionais, quiçá o mais valioso activo (“asset” em “economês”) da comunicação nacional, José Gomes Ferreira, aceitou o convite da estação privada alemã para liderar uma rubrica de comentário e notícias de negócios. As extraordinárias competências do nosso concidadão não passaram despercebidas aos germânicos e nem a barreira linguística parece ter demovido os responsáveis. A convicção com que apresenta números e multiplicadores é tal que a linguagem corporal valerá por si. A direcção de programas da estação explica num sucinto comunicado que os dotes argumentativos e o domínio dos modelos matemáticos por parte do nosso Zé, muito embora ponderados, não foram os factores decisivos para a escolha, mas sim a sua prestação na explicação à população nacional portuguesa sobre a robustez do extinto BES. Está também prevista a edição de um inédito e despretensioso livro intitulado “mein Regierungsprogramm“…

Os rumores sobre as dificuldades do Deutsche Bank terão igualmente contribuído para justificar as alterações ao critério editorial da estação, nomeadamente a necessidade de preparar as mentes não só dos contribuintes germânicos, mas igualmente dos futuros lesados do Deutsche, tarefa para a qual o perfil do nosso compatriota constituiu garantia para uma resposta de excelência.

Tal como cá, a guerra pelas audiências é implacável, e ao que consta a estação rival, a RTL já terá sondado um tal de Camilo Lourenço para responder à altura. Muito embora até ao momento não se conheçam quaisquer desenvolvimentos, diz-se que não será piegas.

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Paraquedista

Como quando o Cristiano Ronaldo é candidato a um qualquer prémio internacional, o país sustem a respiração até ao anúncio da vitória. Há como uma partilha, uma redistribuição do mérito e do prestígio conquistado. Na política também. Foi assim quando Diogo Freitas do Amaral foi nomeado Presidente da assembleia geral das Nações Unidas. Depois lá percebemos que a nós pouco beneficiou tal cargo. Mal seria. Esta ideia peregrina que os compatriotas em cargos internacionais nos vão favorecer é absurda. Quanto muito não nos prejudicariam deliberadamente, mas nem a primeira nem a segunda fazem sentido. Apenas a isenção é desejável. O favorecimento de alguns será sempre em prejuízo de outros, logo tudo o que devemos esperar é a equidistância. O percurso do anterior Presidente da comissão europeia deveria ter-nos ensinado qualquer coisa…

A nomeação que se segue é a de secretário-geral das Nações Unidas. Haverá organização internacional mais importante? Certamente que não. E nós, como estamos nesse campeonato? Estamos bem, temos candidato. Não é muito forte em aritmética, mas já venceu 5 das votações preliminares. Tudo corria bem para as nossas cores, mas eis senão quando a organização que procurava ser mais transparente e credível vê o processo de eleição tomado de assalto por uma (já há muito preparada) candidatura: Apoiada pela matriarca alemã, a búlgara Kristalina Georgieva entra na corrida a meio. Deixa a vice-presidência da união europeia e salta destemida para o centro da contenda. Entre nós há algum desconforto contido, entre dentes diz-se que há batota, chamam-lhe até paraquedista…

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Caça ao guito

“Temos de perder a vergonha de ir buscar a quem está a acumular dinheiro” terá sido porventura uma das frases mais infelizes da politiquice recente. A sua autora entretanto já  deu mil e uma explicações que procuram aliviar o peso da literalidade desta frase, no entanto, em seu redor, orbitam outros pequenos acontecimentos que só podem deixar inquietos estes privilegiados acumuladores.

O argumentos populistas mais utilizados pela esquerda são dois. Um é o de que o leque de contribuintes nestes segmentos é reduzido e tem de contribuir mais porque, hipoteticamente, se consegue acumular tanta riqueza deve-o a algum tipo de exploração (do sistema fiscal, da lei ou de pessoas). O outro é que com a nova receita se poderá por exemplo aumentar 5 € a todas as pensões abaixo de 500 €.

Estas medidas não são mais do que demonstração de fragilidades governamentais que resultam no explorar do elo mais fraco. Preferem rotular todos os acumuladores de riqueza como suspeitos a penalizar (porque em teoria lhes custará menos) ao invés de criar medidas, futuras ou mesmo retro-activas, que consigam acabar com a riqueza indevidamente acumulada por aqueles que verdadeiramente ludibriam o sistema, ou ter a coragem de cessar ou diminuir certas coutadas fiscais sobre quem explora o mercado português.

Mais, com este tipo de discurso e acção, cultiva na sociedade um confronto de classes, em que quem está longe dos patamares falados diz um “Apoiado!” com a convicção de que se o têm é porque são uns porcos capitalistas, no outro lado milhares dos abrangidos pelo estatudo de “acumulador de riqueza” sentem-se insultados por cumprir com as suas obrigações fiscais e ainda virem a ser penalizados por ter tido um comportamento de poupança mesmo no tempo de bonança.

Se existe tão grande clivagem entre determinados segmentos da população a culpa não será maioritariamente dos que estão em melhor situação mas sim dos que legislam e gerem orçamentos por forma a criar as condições laborais e sociais que conduzem à desigualdade.

Todo o princípio de caça à receita através da penalização dos mais abastados, que já cumprem um regime fiscal progressivo, torna-se ridículo a partir de certo ponto. E o argumento da distribuição da riqueza não pega, faria muito mais sentido que ao invés de se proporem a aumentar 5 € em todas as pensões até 500 €, pelo mesmo custo aumentassem 12 € em todas as pensões até 200 € e que concentrassem futuros aumentos de pensões apenas em escalões inferiores para que estes beneficiários abandonem a precariedade mais rapidamente.

Por fim recomendo também que no exercício da caça ao guito a esquerda se foque também naquela que é pretensamente a sua especialidade, a solidariedade social, sim porque para além da acumulação também a distribuição/desperdício de riqueza acumulada por outros (mais de mil milhões de € por ano para as IPSS) deve ser alvo de escrutínio apertado e quiçá seu redireccionamento para outros pontos de maior controlo e eficácia no combate pela igualdade.

A justiça e equidade social também deve ser exercida na governação, sem penalizar em demasia certos grupos a favor de outros, nem que apenas por princípio. Impeça-se o enriquecimento ‘sujo’ mas respeite-se o enriquecimento ‘limpo’ que já é devidamente taxado quando gerado e gasto. Caso contrário iremos caminhar num progressivo nivelar por baixo, em que quem está num percentil acima da média seja sempre visto como a próxima presa a abater para alimentar aqueles que, por desgoverno do país, desesperam e proliferam no limiar da pobreza.

caca-ao-guito

Nadar com Porcos

As Bahamas, um arquipélago de ilhas paradisíacas e terra natal do povo Taíno, são deste a chegada de Colombo em 1492 um território condenado à patifaria. Logo no inicio do século XVI toda a população indígena foi escravizada e enviada para outras paragens. Extraída a mão-de-obra, os espanhóis partiram, deixando o arquipélago completamente deserto durante mais de um século.

Os britânicos começaram a chegar na segunda metade do século XVII, mas só em 1718 as ilhas se tornaram uma colonia britânica. De entre os súbitos de sua majestade, provavelmente o mais celebre de todos os colonos foi Edward Teach, um famoso empreendedor que ficou conhecido como Barba Negra, o pirata.

A independência chegou no século XX, no excelente ano de 1973. Foi em Janeiro desse ano, graças a uma acção de “sedução, roubo e fotocópia” (digna de um filme do 007), a autoridade fiscal norte-americana conseguiu obter de um imprudente funcionário bancário uma lista com o nome de mais de 300 cidadãos americanos. A estes cobrou coercivamente mais de 50 milhões de dólares em impostos não pagos. As quatro décadas seguintes foram absolutamente tranquilas.

Destino turístico de elite, detém uma oferta balnear única no mundo! Nas Bahamas, o turista ao invés de ir a banhos com cetáceos, pode nadar com suínos! Esta singular vivência raramente é partilhada pois os banhistas preferem o sigilo. São férias envoltas em secretismo, uma vez reveladas criam embaraço a quem as usufruiu. A ex-comissária europeia para a concorrência, a holandesa Neelie Kroes que o diga… Na União de Europeia de hoje, carenciada de novos e virtuosos exemplos, a omissão pode vir a custar-lhe a pensão de reforma, mas tal como o anterior episódio da saga “Papers“, a sensação do momento dará rapidamente lugar à inconsequência.

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Exterminador 2

Seria para a semana, mas já não vai acontecer. Lamentavelmente o futuro não será aquele que esperávamos. O dia da Apresentação não chegará. A Saraivada venderá, mas já sem o patrocínio do protagonista do segundo extermínio, o modelo T-1000. Vindo do futuro, o ultra moderno robô evoluiu em relação ao antecessor, uma nova geração com outro nível de plasticidade, inovação que lhe permite assumir qualquer forma inerte, vegetal ou humana. Apresenta-se normalmente na forma de policia vaticinador e tem na viscosidade da sua persona a maior e temível arma. Faz da humildade modo de vida e da boa educação uma marca pessoal – Diz “muito´brigado” como ninguém.

Bravateiro, amigo do seu amigo, nunca volta com a palavra atrás. É lá homem, perdão, robô para isso. Como boa máquina que é, processou primeiro o risco envolvido na ousada apresentação e ponderada a ameaça decidiu avançar, concluiu sem ler a obra que a amizade do autor o colocava ao fresco e que por isso não se queimaria naquele fogo onde outros são chamuscados ou mesmo torrados, mas enganou-se. Mesmo poupado na devassa publicada, foi gravemente atingido na cabeça quando manteve a postura implacável de quem corta a direito, de quem não cede e determinado reiterou no inicio da semana que não faltaria ao amigo naquela hora, mas os danos do episódio são tais que hoje “pediu ao autor, por motivos pessoais, para o desobrigar de estar presente na sessão de lançamento do livro“. Evento cancelado. Terá sido um murro no estômago do arquitecto?

 

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Saraivada

Há quase 27 anos, a revista “Semana Ilustrada” – um pasquim da época, fez capa com um escândalo protagonizado pelo arquitecto Tomás Taveira, figura que pelo carácter e obra nunca fora consensual, mas cuja intensa actividade laboral no escritório das Amoreiras se imortalizou. Quem nunca ouviu as sinceras palavras do arquitecto? Frases como “isto aqui está um inferno” ou “ai menina kookai” permanecem até hoje na nossa memória colectiva. Um raríssimo caso de longevidade num país onde qualquer discurso ou promessa eleitoral são rapidamente esquecidos. Talvez a solução para baixar a abstenção passe por recrutar mais arquitectos para a política, quem sabe…

Na falta de políticos licenciados em arquitectura, talvez os jornalistas com essa formação possam contribuir. Não há muitos, mas um em particular, José António Saraiva, tem vindo a dar o seu contributo, quer escrevendo, quer dirigindo importantes semanários. No auto-intitulado “Hipermercado da informação” foi director durante mais de 20 anos, lugar que mais tarde assumiu no concorrente directo até ao final do ano passado. Ao todo, três décadas a dirigir os principais jornais nacionais! Dirá isto mais sobre quem os detêm do que propriamente sobre o próprio.

Finda a carreira jornalística, e por certo procurando contribuir para ampliar a participação eleitoral dos seus concidadãos, o arquitecto Saraiva decidiu criar de uma assentada uma saraivada de novas “meninas kookai”. Lançará para a semana um livrito sobre a vida íntima dos políticos com quem conviveu, episódios que nunca teve oportunidade de contar, logo a nós, compatriotas que adoramos a devassa da vida privada.

saraivada