Category Archives: Mentalidade Tuga

Ideologia de Natal

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Amanhã a esta hora, quem ainda acredita no Pai Natal estará feliz e ansioso pela chegada do momento alto do ano, a meia-noite. Convenhamos, todos abraçámos esta ideologia, algures no passado, pelo menos enquanto pudemos. Depois, acabámos derrotados pela realidade. A fantasia do Pai Natal apenas pode durar algum tempo nas nossas vidas, depois aparecem as facturas para pagar. Não há ideologia que resista aos duros factos da vida adulta, excepto se o adulto for agraciado pelo Sr. Silva, seja cozinheiro, artista, desportista, gestor ou ex-governante. Para estes o Natal chega mais cedo. O Grau esse, depende da grandiosidade dos feitos.

Na sua grande indulgência, sua excelência perdoa até aqueles que no passado lhe teceram grandes e ferozes críticas, mesmo aos da mesma família ideológica. À época, a crítica, até dava um certo jeito, ajudava a compor a ideia da independência, do supra partidarismo que hoje outros procuram replicar.

Enfim, adiante que a hora é do condecorado, o Grande, o Enorme, o inigualável Vice-Rei da Madeira, Porto Santo e arquipélago das Selvagens, Alberto João Jardim, o único político lusitano que não deixou um tostão de défice, apenas obra. E que obra! Nunca o seu record de inaugurações será batido, mesmo se à contagem forem deduzidas as cerimónias repetidas, o seu desempenho é imbatível! São homens (e mulheres) como Alberto João Jardim que nos fazem acreditar que afinal, o Pai Natal existe mesmo. Para alguns, não para todos, mas existe!

Acreditar à Força

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Unidos podemos tudo. Unidos pagamos tudo. Unidos na desgraça, divididos nos proveitos, mas sempre salvaguardados pelas robustas, ágeis e eficazes instituições que dão pelo nome de reguladores. São competentíssimos na velha arte do relatório forense. No sector bancário, chamar Regulador à entidade competente é tão absurdo como a considerar independente. São eufemismos. Nem com o maior dos sarcasmos lhes consigo achar graça. Eis derrotado o meu mais perverso sentido de humor negro. Não consigo rir. Afinal o que é que regula este regulador? Afinal é independente de quem? Ou de quê? Só me ocorre uma resposta: dos contribuintes. É o regulamento!

A saída era limpa, os cofres estavam cheios, mas afinal havia mesmo esqueletos no armário. Que bom, temos culpados. Calha bem a indignação, mas tal pouco importa, na verdade dá igual. Unidos, pagamos, tudo o mais é propaganda. Mas mentiram, descaradamente mentiram! É verdade, mas sempre o fizeram, porquê o choque? Unidos, quisemos acreditar. Tanto assim foi que continuamos na senda das crenças, se não todos, alguns: Há quem enalteça a coragem, há quem lhe louve a frontalidade, a verdade que o novo primeiro-ministro sucintamente nos relatou ontem. Sim, reconheço, a forma é bem diferente, mas o conteúdo é o de sempre. Nada mudou.

Unidos pagamos milhares de milhões, como se fossem tostões. O que é de todos não é de ninguém. Mais uma vez, temo não ser a última, unidos acreditamos à força que é desta que o sistema encontra o almejado equilíbrio, a prometida estabilidade. Quase virou rotina. Por aí virão comissões de inquérito, auditorias e muito debate inconsequente, e claro está, descobriremos que afinal será mais caro, mais dispendioso do que o previsto. Culpados muitos, tantos que já não será possível imputar responsabilidade seja a quem for. No fim, ninguém, absolutamente ninguém foi responsável e todos agiram com a melhor das intenções. Típico interesse nacional. Este tipo de assalto, por tão banal, até nos parece normal.

O Menu em Belém

Quem não gosta de ouvir um qualquer turista gabar a nossa gastronomia? Haverá maior garantia de sucesso da reportagem televisiva que a bela da entrevista ao turista? Ele há coisas que ditas por nós não têm valor, mas sempre que opina um estrangeiro, resulta. As perguntas são sempre as mesmas, as respostas insuspeitas de surpresa, mas nós gostamos. Apreciamos a previsibilidade e rejeitamos a mudança. Evoluir sim, mas só se tudo permanecer exactamente na mesma. Somos assim, saloios mas muito ternurentos. Numa palavra, acolhedores.

O Turismo, é preciso promover o turismo! Incansáveis e empreendedores, lançamo-nos sempre em voluntariosas iniciativas. Hoje começou mais um grande evento promocional na Assembleia da República – A feira do Melão e do Fumeiro. Encher-se-á muito chouriço! No fim, pagaremos a conta (como sempre!), mas não saciaremos o apetite. Portugal é assim, serve estas belas açordas. Após o manjar, a sobremesa. Fruta da época para uns, doçaria conventual para os outros. Não há meio-termo. Nunca evitaremos os amargos de boca, pois não há refeição que termine sem café.

Há quem diga que inovámos, que embora inédito no menu do Palácio de Belém, o sapo será servido. Eu duvido. Bem sei que faltam muitos dias, que muitos sábios serão ouvidos, que o bicho até é viscoso e hidrodinâmico, mas há uma limitação que os entusiastas não estão a considerar. É morfológico! O sapo não lhe cabe no goto.

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Escolha! Opções não faltam!

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Da direita à esquerda, não se ouve outra coisa, não estivéssemos nós em recta final da campanha eleitoral, senão o apelo ao voto útil! Parece que, de repente, poderemos ser todos úteis, quando no resto do tempo não temos qualquer utilidade.

Poderemos ser úteis para derrotar a direita, votando no PS.

Poderemos ser úteis para evitar outra vez a Troika, votando PáF (PSD & CDS).

Podemos ser úteis em dar mais um, um voto, para a necessária maioria absoluta, votando no PS ou no PaF.

Podemos ser úteis votando apenas PS e PÁF, não desperdiçando votos em pequenos partidos, não representativos pois claro!

Vai-se votar CDU, BE, MRPP, AGIR, Livre, PAN, para que? Não vão ganhar, não vão governar, vai-se desperdiçar um voto neles?

Voto útil é votar no Costa contra o Passos e o Portas! Voto útil é votar no Passos e no Portas contra a ingerência do PS!

Chegou aquele momento em que para o PS, o PSD e o CDS, os cidadãos, contra quem governam, podem ser-lhes úteis. Úteis na pertectuação do seu poder, úteis em dar maiorias absolutas, porque essa é a garantia de estabilidade. Sem uma maioria é impossível governar, dizem eles, e nós sabemos! Sem uma maioria não existe política! Sem uma maioria não há acordos possíveis. Somos úteis, somos necessários! Não existe democracia sem uma maioria, absoluta, claro!

PS, CDS e PSD têm governado contra a Nação, cometendo crimes de lesa a pátria. Traíram o seu povo (a quem agora pedem votos!), traíram a Nação. 40 anos de traição!

PS PSD e CDS dividem o poder. Dividem os cargos, dividem as parcerias publico-privadas, dividem politicas que atacam direitos sociais. Cortam em pensões, aumentam impostos, entregam a segurança social para ela financiar as empresas e engrossarem os lucros. PS PSd e CDS no poder autárquico dão obras publicas a quem lhes lava as mãos, em estradas, hospitais, pontes, e tudo quanto são obras públicas.

PS PSD e CDS estão prontos para acabar com a segurança social e com o Serviço Nacional de Saúde!

PS PSD e CDS são os responsáveis por 3 intervenções do FMI!

PS PSD e CDS são submissos a Bruxelas, à União Europeia e a Berlim, que esmagam as nações mediterrâneas!

PS PSD e CDS são federalistas, são liberais e são de direita!

PS PSD e CDS são pelo Tratado Transatlântico!

Útil é não votar PS PSD e CDS! Útil é correr com esta gente!

Útil é mobilizar um amigo, um familiar! Útil é combater a abstenção que se estima! Útil é combater PS, PSD e CDS!

TODOS ÀS URNAS! VAMOS CORRER COM ESTA GENTE!

Quando o sonho comandava a vida

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Sondagens recentes dão números na ordem dos 40% à PàF e dos 30% ao PS, parece que os últimos 40 anos não foram suficientes para que os portugueses façam uma análise imparcial e objectiva às suas políticas. Como se o cenário actual não fosse um resultado directo delas. Como se esses governantes, coitadinhos, tivessem feito o melhor que se podia perante as condições existentes.

Apesar de tudo estas sondagens têm o seu quê de interesse.

  1. A abstenção é tratada exactamente pelo seu peso político, zero, e nem merece menção no estudo;
  2. Dão a entender que votar nos 2x principais candidatos é, apesar de tudo, o mais sensato empurrando os indecisos para o seguir da manada;
  3. Deixam no ar a ideia de que a decisão, sobre a quem vamos entregar a responsabilidade de governação nos próximos 4x anos, é uma coisa volátil, ao ponto de se alterar significativamente de dia para dia, como se fosse esta ou aquela nova gaffe / revelação, que transitasse assim a opinião de alguém que hoje se diz apoiante ou oposição do partido X. Terão também as intenções de votos se tornado um acto irrevogável?
  4. A serem um retrato fiel do resultado das eleições ao momento então o medo de ?algo? pior seria o grande responsável pela preferência por um austero mas estável e conhecido mal menor. Assim pior não fica, não é?

Lembro-me de em criança me ser repetido o mote “as crianças de hoje são o futuro do nosso amanhã” e agora, vendo como as coisas estão, adulto que sou, tenho de reconhecer que algo falhou pelo caminho. O que terá acontecido ao sistema que pega em crianças cheias de potencial e as transforma em adultos que não sabem sequer entender a linguagem política, fazer uma análise de números, perceber o impacto de leis e orçamento do estado nas suas vidas? Perceber que o estado são elas, elas são o estado, e os governantes facínoras e/ou medíocres não são mais do que um reflexo do seu povo?
O pior de tudo é algures pelo caminho conseguirem a aniquilação da capacidade de sonhar, do ser destemido, do acreditar que bons ventos virão, do pôr os interesses comuns à frente de interesses pessoais. Foramos todos crianças e provavelmente ainda teríamos sonhos pelos quais lutaríamos com todas as nossas forças numa tentativa da sua concretização. Como por exemplo:

  • Vivermos centrados na felicidade colectiva e não num egoísmo materialista! #1 #2 #3
  • Banir todo o tipo de caça! #1
  • Dar casa a todas pessoas sem abrigo! #1
  • Viver de forma sustentável e usar apenas fontes de energia limpas e renováveis! #1 #2 #3
  • Sermos governados por pessoas justas e íntegras! #1 #2

Infelizmente somos agora Portugueses adultos, bem cientes da realidade possível, com medo dos demónios e bichos-papões que habitam nos caminhos alternativos à continuidade. Ironicamente, vista de  fora, a nossa segura realidade é interpretada como uma divertida fantasia surreal.

E assim, derrotados pelo terror de poder vir a ter uma vida ainda pior, deixámos de ter a capacidade de ser comandados pelo sonho de poder vir a ter uma vida melhor.

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Solidariedade por Cotas

Quando a pedagogia do exemplo é fugaz, quando as portas se escancaram num dia, para logo se fecharem com estrondo compreendemos que a solidariedade é apenas uma palavra, uma arma para impor aos outros a própria vontade. É egoísmo.

Concordo e saúdo que cada estado membro possa determinar aquilo que lhe convém. É justo. É soberania. Só lamento que entre a nossa união, apenas um país preserve esse direito. Está errado? Não, errados estão todos os outros.

Por todo o lado se promove a tomada de posição, contra ou a favor. Contudo, a migração está em curso. Acontece, independentemente das opiniões! Qual a relevância de ser contra? Zero! O mesmo afirmo em relação ao entusiasmo em receber. Os factos ultrapassam constantemente este estéril debate. Tomar posição é simplesmente uma forma de alijar preocupação. Soluções?

A esmagadora maioria dos migrantes pretende rumar ao centro, à mais pujante economia europeia. Pudera. Perante tal preferência, as cotas. Imponham-se as ditas! Critérios? Aliviar o centro. O problema é como disse, demasiado complexo e urgente. Carece de expediente. Proponho que as cotas sejam determinadas visando a equidade entre estados membros à luz de um único indicador económico, o PIB per capita, i.e., em função do rendimento médio anual por habitante. Cada país acolherá o número de migrantes que a sua economia pode suportar. Simples! Nem teremos de lavar roupa suja sobre quais os países que bombardearam outros países, quais os países que venderam armas ou quais os países que até hoje têm fingido que o problema nunca existiu.

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Anti-Zombies #5: Armageddon Apolítico

Afinal que consequências práticas teria o ressuscitar de todos estes zombies inócuos?

Assumindo que os votos recuperados não seriam distribuídos pelos partidos da alternância ‘democrática’ dos últimos 40 anos, responsáveis pela maléfica proliferação de zombies, o mais provável cenário de final de votação seria o da incapacidade de formação de governo por parte de um único partido ou de uma coligação bi-partidária.

Só existiriam três cenários.

1) a conversação multi-partidária para a criação de um ‘governo de salvação nacional’ (finalmente a concretização do sonho do nosso PR);

2) a marcação de novas eleições, isto tendo em conta as vincadas incompatibilidades já manifestadas por vários dos líderes políticos com presença no nosso parlamento. Novo ciclo de eleições completamente diferente, com debates que reflectissem o novo peso político de cada partido, recentrados em linguagem simples e objectiva, verdade política, honestidade intelectual e realidade social, onde não existiriam quaisquer certezas quanto ao resultado final das votações;

3) a força dos ex-zombies provoca um terramoto político e delega em novos partidos e novas caras a responsabilidade da governação.

Seja como fôr nada seria como dantes. Seria a ruptura total para com o sistema vigente. Uma demonstração de coragem do povo português e punição directa dos responsáveis pelo estado da nação, começando pelo actual PR que ao invés de um final de mandato sereno teria de gerir todo este caos político e social.

A meu ver, ao contrário do ensaio sobre a lucidez de José Saramago, é a votação massiva que pode forçar a mudança do sistema. A nulidade só tem até hoje servido para o branqueamento e legitimação das decisões delapidares de património, cultura e sociedade.

Por tudo isto, pelo bem do nosso futuro, declaro aberta a temporada de caça aos zombies.

Boa sorte e boa pontaria!

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Anti-Zombies #4: diáspora

Uma das maiores falanges de zombies, engordada recentemente, é enganadora quanto ao seu verdadeiro peso e força, pois lá diz o ditado que longe da vista, longe do coração. Só que há muito sangue luso a pulsar no coração desta diáspora! Se não sucumbirem à ratoeira da transformação em zombie estes PORTUGUESES adquiriram o distanciamento necessário e contacto com outras culturas, sociedades e políticas que lhes permite ter uma avaliação diferente do nível de democracia, sociedade e governação em Portugal.

Muito útil seria a votação em massa destes Portugueses emigrantes, mesmo os que saiem com ideia de não voltar estão destinados à lusitana saudade, pelo que os destinos de Portugal, apesar de não os afectarem no imediato, farão o seu impacto no momento do retorno.

Existem mecanismos para o recenseamento e voto no estrangeiro, que no entanto devem ser exercidos com muita cautela! Isto porque por vezes o zombie pode ser criado por aberrantes alquimias contra a vontade do próprio.

Se algo correr mal o último recurso anti-zombie será uma visita forçada a Portugal para um misto do matar de saudades e do exercer do direito de voto.

Mais uma vez um país interessado na defesa da sua democracia poderia tomar medidas que estimulassem o voto dos seus emigrantes, como por exemplo no período envolvente às eleições levar a TAP a promover campanhas de voos a preços low-cost a partir das capitais dos principais países de emigração. Para que a diáspora, que não activou os mecanismos de voto à distância, considere juntar o útil ao agradável, visitando o seu país e família  exercendo ao mesmo tempo o seu direito de voto.

Como seria estonteante a adesão massiva dos nossos emigrados, apanhando de surpresa os políticos que se fiam no quem está fora não racha lenha.

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Anti-Zombies #3: estudantes, migrados, doentes e reclusos

Há zombies com mais azar do que outros. Uns palmilham centenas de Km, só encontrando sustento muito longe do ponto de partida a que chamam de casa, outros estão debilitados fisicamente com dificuldades de locomoção, outros há que de tão mau comportamento em vida estão confinados a 4x paredes privados de liberdade.

Pois para cada um dos casos existe a fantástica possibilidade de voto antecipado e em alguns casos mesmo voto à distância. O que quer dizer que na prática, a distância ou condicionantes que impeçam a deslocação, apesar de obstáculos não são necessariamente bloqueadores do exercício de voto! Havendo vontade sempre é menos uma desculpa para se tornar mais um zombie inútil!

Também há aqueles que se desculpam pelo facto de estarem recenseados na freguesia onde cresceram, apesar de já viverem há décadas numa outra freguesia após saída de casa para vida indepente. A esses há que revelar que basta alterar a morada do cartão de cidadão para comodamente passarem a votar num local perto de si.

Mesmo assim há os que realmente estão deslocados temporariamente. Por isso, tendo em conta os altos níveis de abstencionismo,  diria que em prol da democracia se poderiam tomar medidas pró-voto como por exemplo:

  • abolição de portagens no FDS das eleições;
  • abolição ou redução drástica de custos de transportes inter-regionais no FDS das eleições (comboios e expressos);
  • obrigatoriedade de pelo menos um evento de campanha eleitoral em cada prisão do país com representação de todos os partidos a votos;
  • permitir o voto presencial em freguesias distintas que seria canalizado por via postal para a freguesia de recenseamento;

Desta forma o factor custo deixaria de ser uma barreira, como é hoje em dia para muita gente trabalhadora, permitindo a fusão entre o cumprir do seu dever de eleitor e uma visita barata à sua zona e aos seus.

Já o evento nas prisões faria parte de um processo de verdadeira inclusão, uma vez que os reclusos não tem facilidade de acesso a meios informativos, ajudando as prisões a cumprir com a sua missão de re-habilitação e re-integração.

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Anti-Zombies #2: os fantasmas

Fantasmas são todos aqueles que estão muito além do alcance das máquinas de propaganda e engodo do período de campanha eleitoral. Alguns deles foram zombies e continuam a estar-se a lixar para o governo do novo reino onde se encontram, outros foram acérrimos defensores da democracia, conquista ainda da sua época, e são agora almas penadas. Todos estes fantasmas vinculados a uma semi-existência terrena pelo constar do seu nome nos cadernos eleitorais.

Especulo que uma das razões para tal situação possa ter sido o frenesim de destruição do lápis azul ter também levado à extinção inadvertida dos meios correctores, como as únicas borrachas especiais capazes de apagar nomes de defuntos dos cadernos eleitorais.

Temos assim mais de um milhão de eleitores fantasmas que juntos representam no imediato cerca de 10% de abstenção. Fica aqui este alerta aos zombies ainda possuidores de um corpo, de que ao sê-lo poderão ter um sentimento de pertença de grupo, de comportamento de manada rebelde, que na verdade é etéreo apesar de ter implicações nefastas que se manifestam no mundo físico.

É realmente muito estranho que não existam mecanismos ágeis e automáticos para secar as listas eleitorais já que não só pode desvirtuar os números de abstenção como pode dar azo a uma utilização de documentos falsos para exercício de votos indevidos. Sem pensar muito porque não retirar imediatamente o direito de voto a todos aqueles que não se apresentem a votos em duas eleições legislativas? Quem quisesse voltar a ter direito de voto faria novo recenseamento. Quem estivesse morto poderia seguir viagem para o seu último destino.

Não existe risco de prejuízo para ninguém, afinal ser zombie ou fantasma equivale a uma certa não existência apesar de materializada num peculiar tipo de ser.

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