Category Archives: Ideias para o País
Por mais absurda a ideia acreditamos nela e no País!
E se parte da solução fôr mandar tudo pelos ares?
Com tantos indicadores contraditórios os desempregados já não sabem se hão-de emigrar para um estrangeiro longíquo, com economias emergentes, ou se hão-de por cá permanecer e enveredar pelo caminho mágico do empreendedorismo (que no passado deu azo a muitas PMEs que hoje são alvo da política de saneamento das ‘más’ empresas que contaminam a nossa economia como já foi dito por agentes do actual governo, inclusive pelo nosso Primeiro Ministro).
Portugal pode realmente beneficiar do empreendedorismo levado a cabo pelas centenas de milhares de jovens desempregados com muito sangue na guelra e muita formação qualificada. Num país reconhecido internacionalmente como tendo tendência de early-adopter em várias inovações tecnológicas, um país onde existem mais telemóveis que habitantes, temos ainda um grande calcanhar de Aquiles comparativamente a outros países. O estado da Internet gratuita via Wi-Fi em espaços públicos e comerciais.
Em Portugal a conectividade móvel está predominantemente associada a hot-spots e planos tarifários que afastam muitos dos potenciais utentes, que possuem os terminais capazes para o acesso à Internet, mas sem € nos bolsos que lhes permitam tornar o acesso móvel à Internet como algo trivial no seu quotidiano. Existe actualmente uma vincada preocupação com custos e seu impacto no actualmente parco orçamento pessoal.
Lá fora, em muita Europa, USA e Ásia é já corriqueira a existência de pontos de acesso à Internet gratuitos suportados por estabelecimentos comerciais ou entidades públicas. Seja dentro de estabelecimentos comerciais seja em espaços públicos é possível ligarmo-nos à Internet sem pagar.
Num mundo em que cada vez mais o online deixa de ser conotado com o virtual, assumindo-se como uma extensão do social e profissional, estar conetado sem custos a todo e qualquer momento é um potenciador de relacionamento, criatividade e ideias com aplicações comerciais. Se não há volume de consumidores móveis será mais difícil surgirem projetos portugueses que assentem em serviços online que dependem da mobilidade e acesso fácil à Internet a partir de qualquer ponto.
É por isso que o governo deveria encorajar os proprietários de estabelecimentos comerciais a investirem em equipamentos que providenciem Internet gratuita aos seus clientes, e as autarquias a dotarem de Wi-Fi gratuito os espaços públicos com grande afluência. Afinal 4 em cada 5 pessoas considera este acesso um direito fundamental.
Trabalhemos para que os comportamentos de acesso móvel à Internet sejam independentes de custos e surgirão empreendedores capazes de explorar esse nicho. Bem sei que isto afectará uma fatia de facturação de muitas centenas de milhões de euros em 2011 mas quem precise mesmo de melhor qualidade de serviço continua disposto a pagar mais por isso. Além de que em 2011 houve uma quebra de 6% neste tipo de facturação relativamente aos quartos trimestres de 2010 e 2011. Sinal claro de que o custo inibe a utilização?
Os jovens anseiam por isso e criam online registos das agulhas no palheiro que lhes permitem navegar gratuitamente na extensão online da sua vida. Perguntam em fóruns online e criam páginas como esta com um mapa dos locais com Wi-Fi gratuito em Lisboa.
Fomentar o empreendedorismo passa também por criar mais dificuldades a quem tem alguns tipos de negócios garantidos. Será mais penalizante para a sociedade e economia do país não termos esta facilidade de acesso à Internet (para Portugueses e Turistas) ou arriscar prejudicar os operadores que controlam quem tem direito a esse acesso com planos tarifários por si controlados?
Eu mandaria tudo pelos ares. Doesse a quem doesse.
Da Rua para a Presidência
Ligo a televisão e sobressai o fim dos feriados do 5 de Outubro e do 1 de Dezembro. Manuel Alegre a ressurgir comentando isso e o último episódio de Cavaco Silva. Parece que já há marcação de posição para a eventualidade de movimentos e petições como esta (com mais de 37 000 assinantes) levarem o Presidente da República a submeter-se a um voto de confiança por parte do eleitorado.
Sigo para a leitura da Visão da semana passada, a falta de tempo dá nisto, e leio que na Grécia são às centenas as crianças abandonadas pelos pais subnitridos que não têm condições de ficar com elas, que a taxa de suicídio aumentou 40% e que os pais se entristecem por ver os filhos com piores perspectivas de vida do que eles em 20 anos de ditadura. Com estes números a agitação social nas ruas até parece coisa pouca…
Depois vêm todas as medidas do diploma de concertação social que diminuem custos com desempregados e trabalho extra-ordinário bem como agilizam despedimentos. Logo depois entrevista a Carvalho da Silva da CGTP que está de saída. Diz que no documento original estava a frase depois retirada “o Estado deve servir as empresas na óptica do serviço ao cliente”. Começo a ler a sua entrevista, o seu percurso de vida e o que dizem amigos e inimigos e de repente cai-me a moeda.
Em vez de irmos para a rua manifestar-nos levemos a rua para o Palácio de Belém. Se o governo agora está tão focado para as empresas precisamos de um contra-balanço focado no cidadão / trabalhador. De certeza que teríamos diálogo e discursos constantes da mais alta figura do estado. E seria deveras interessante apimentar a vida política de Portugal com um pouco de contra-corrente para partir a loiça toda.
As agências de rating eram capazes de não gostar mas estamos a chegar ao momento em que isso começa a já não interessar. Era um pouco 8 ou 80. Mas desta vez passávamos austeridade a quem a anda a distribuir de bandeja sem o puxão de orelhas devido.
Não me levem a mal mas não estou a querer apoiar um futuro candidato. Apenas estou farto das opções do costume e a forçar-me a pensar out-of-the-box. Sempre é melhor do que ir para as ruas descarregar para depois ver que a cobertura nos media está suavizada, tem pouca dura e resolve pouco. Ao Carvalho da Silva vejo-o nas ruas há tanto tempo que seria um seu bom representante. Além de que me daria um certo prazer tê-lo a picar os miolos a quem anda a fazer picadinho de nós. Os homens da luta também seriam bons mas se não prestam para ganhar o festival da canção também não prestam para isto.
Como cai um Presidente da República?
O Primeiro Ministro de Singapura, Lee Hsien Loong, vai sofrer corte de 36% passando a ganhar 1,33 milhões de euros ano.
O Presidente de Singapura, Tony Tan, vai sofrer corte de 51% no salário passando a ganhar 907 mil euros ano.
Cavaco Silva, Presidente de Portugal, ganha 84 000 € ano.
Hu Jintao, Presidente da China, ganha 14 130 € ano.
Os dois primeiros ganham fortunas mas têm o seu salário indexado a indicadores económicos que são os seus objectivos como gestores da nação. Conseguiram um crescimento do PIB a quase 15% e uma taxa de desemprego a 2%.
O nosso Presidente não ganha para as despesas mas tem a sorte de viver actualmente num país classificado como lixo com muitas oportunidades de recorrer à coleta de bens deitados fora que podem ser reciclados como por exemplo um banco, parte de uma companhia de electricidade ou uma companhia das águas. Um rendimento extra garantido e bem apreciado.
O Presidente da China à proporção é um miserável, mas capaz de organizar umas poupanças para ir comprando umas pechinchas que um dia há-de voltar a vender banhadas a ouro e cravejadas de diamantes com alta percentagem de chumbo.
Nas últimas eleições presidenciais tinhamos um governo PS a preparar-se para driblar a nação com um conjunto de PECs, um nome diferente para pacotes ou medidas de austeridade. O nosso Presidente assanhou-se e deu indicadores que para um segundo mandato iria ser interventivo e moderador do impacto das medidas na vida dos seus Portugueses não facilitando a vida a José Sócrates. A alternativa era Manuel Alegre, um candidato independente da família socialista, que tinha um discurso mais agressivo e parecia ir chocalhar as águas políticas num momento de pré-crise, ou de crise camuflada, onde qualquer distúrbio poderia empurrar-nos para onde estamos hoje.
Em acréscimo, a tendência das últimas eleições diz que os Portugueses gostam de ver forças políticas distintas nas cadeiras de Primeiro Ministro e de Presidente da República. E assim naturalmente Cavaco Silva ganhou o seu segundo mandato.
Entretanto com o PS a entrar em contradição e a ser forçado à aplicação das medidas necessárias para corrigir as contas, surge um descontentamento social crescente e rapidamente reaprendemos como cai um governo com a concertação dos partidos da oposição que avaliaram ser aquela a hora H para reconquistar as rédeas do poder.
E de repente tudo mudou. Uma guinada à direita, sacudir o capote para a esquerda, fazer o contrário do prometido na campanha eleitoral, a soberania económica de fachada e o caos social instalado. Um retrocesso das condições de vida e do ânimo de viver para milhões. E um Presidente que mudou. Um Presidente que defendia o “deixem-me trabalhar” parece agora gozar com quem trabalha mais por menos. Um Presidente que prometia ser interventivo quanto baste, limita-se a avisar para a inconstitucionalidade e injustiça social de algumas medidas que aprova depois sem o mínimo burburinho, mais não seja que um vetinho estéril para português ver.
Sei que a capacidade de intervenção direta do Presidente é limitada mas os seus discursos podem ser galvanizadores daqueles que estão a ser acossados por medida atrás de medida. Que vinque que o carácter das medidas excepcionais deve ser temporário, que reflita em atos simbólicos as suas críticas prévias sobre as leis que lhe são entregue para aprovação. Parece que a única “força de bloqueio” actualmente em acção é a força das suas mandíbulas cerradas. Temo que tanta ausência de discurso prático o tenha feito perder o discernimento no discurso improvisado. Pior, temo que por improvisação saia o seu pensamento direto sem a censura dos seus acessores de comunicação.
Desculpei os ganhos em bolsa com o BPN, desculpei as giga-jogas com as escrituras da casa na santa terrinha, desculpei os ‘amigos’ envolvidos em casos de corrupção, desculpei um primeiro mandato de mudez mas neste momento não há mais margem de manobra para desculpas a não ser talvez para um Alegre, ou mesmo para um Nobre, que sendo menos politicamente corretos talvez fossem mais socialmente certeiros. Foda-se, pá! Votei em ti, merda! Mea culpa! Mas era para acossares o José Sócrates e não para andares com meninos da família ao colo! E que raio de vícios tens tu que não podem ser sustentados com 10 000 € mês?
Obrigaste-me a aprender como cai um Presidente da República. Aparentemente só é possível a sua destituição via uma de duas formas:
- Mediante Responsabilidade Criminal com condenação de crime praticado.
- Por Renúncia feita pelo próprio em mensagem dirigida à Assembleia da República.
A primeira está fora de questão mas esta segunda só depende do próprio. Haja uma suficientemente grande manifestação social para a sua destituição e acredito que sejas homem para o fazer. Pelo menos o Sócrates foi.
Plano Companhia Mercearia
Foi recentemente lançada uma nova campanha de acefalia em massa. Refiro-me obviamente ao Plano EDP Continente. A sonae capitaliza notoriedade benemérita. A filantropia não tem fim naquela casa. Depois das acções com os heróis da pequenada Pópóta e Leopoldina, chega-nos agora o plano para os mais crescidos. Desta feita, ao invés de algum anónimo necessitado, ajudamo-nos a nós próprios. Finda a época natalícia, a caridade perdeu adeptos. Regressamos à expressão “já demos” e ao foco no umbigo. É para ele que o Plano aponta. Os tempos são de crise, e nenhuma outra mensagem tem tanto impacto como a empatia: Compreendemos a dificuldade e propomos ajudar. Valha-nos a publicidade! Sem ela estaríamos condenados à depressão, pois a média entregou-se à trilogia do momento: crise, divida e medo, muito medo. A mais pequena migalha de esperança é bem recebida, sobretudo quando aparenta compensar o recente aumento do IVA sobre a electricidade.
“Conte com a nossa Energia, 10% da Electricidade volta em compras”. Apelativo, é certo, mas como sempre a realidade fica aquém da expectativa gerada. Parece que o desconto será directo sobre o valor da factura da EDP, mas não é bem assim. Observadas as condições, constatamos que o desconto não pode incidir sobre os impostos, daí “10% da Electricidade” e não “10% do valor da factura”. São uns malandros estes Publicitários Ocidentais, dirão os novos accionistas da EDP. Ternurenta a ingenuidade asiática. As referidas condições são igualmente profícuas no que toca a alertas e a esclarecimentos adicionais, nomeadamente a cristalina informação que o plano não trará vantagem a quem tenha um “consumo em vazio inferior a 44%”. Seja qual for o significado da expressão, ou respectiva quantificação, é meu dever enaltecer a iniciativa em clarificar a oferta. Assim se mantêm a tradição de comunicação transparente da companhia. Tenho alguma reserva quanto à duração da mesma: o desconto sobre o valor da electricidade consumida, em função da potência contratada, apenas estará em vigor até ao final deste ano, leia-se Dezembro de 2012. O que é bom não dura para sempre, dirão os parceiros da iniciativa…
Ao engano do desconto em cartão, ou cupão, acresce o abandono voluntário do mercado regulado, onde uma entidade supostamente reguladora, define o valor das tarifas de electricidade. Quem o fizer, fá-lo-á de forma irreversível. Para além de aderir ao financiamento do negócio da mercearia, antecipa a adesão ao mercado liberalizado. Este mercado liberalizado de concorrência permitiria, pelo menos teoricamente, a livre escolha do fornecedor de electricidade, em função da competitividade da oferta, ou seja, o melhor preço, o melhor serviço ou a melhor relação entre ambas. Tudo óptimo. Tudo desejável. Um problema: Não existe verdadeira opção à companhia, logo a liberalização será apenas dos preços. Tal como ocorreu no mercado de combustíveis, onde existem diversas marcas na distribuição, mas há apenas um refinador (por acaso também é distribuidor). Por mais que a entidade reguladora nos diga que não há “cartelização” de preços, na prática há um monopólio no sector, e consequentemente não existe a desejável guerra de preços. Talvez por isso, a galp invista milhões em patrocínios às selecções Nacionais, esforçando-se para nos convencer que de alguma forma é “nossa” e não dos seus accionistas.
Em troca de um pouco de ânimo na comunicação, o Plano Companhia Mercearia tenta criar um monopólio onde ele não existe (hipermercados), e ao mesmo tempo antecipa a liberalização dos preços num mercado monopolizado. Bem sei que durante o ano de 2012, a tarifa será igual em ambos os mercados de energia eléctrica, mas exactamente por isso, questiono: Se há défice tarifário na tarifa normal (mercado regulado), como é possível a companhia suportar o desconto adicional? Será que a energia tem custos de produção diferentes em função do tipo de contrato com o cliente final?
Se a tudo isto acrescentarmos a obrigatoriedade do débito directo em conta como método de pagamento à companhia, julgo apropriada a classificação do Plano como um roubo com consentimento da vítima.
Prefiro não fiar ao continente e permanecer no mercado regulado.
Censurem-me!
A Sedução Abrangente
Todos nós gostamos de ser seduzidos, de uma ou outra forma, já todos o tentamos pelo menos uma vez na vida, especialistas e estudiosos da matéria dispensam largos períodos da sua vida tentando descobrir novas técnicas e modelos, algumas são levadas ao extremo com consequências excepcionais para uns, podendo ser ao mesmo tempo nefastas para outros.
A economia de mercado dita as suas leis, estas muitas vezes, tal e qual as outras, limitam o direito de livre escolha de cada um, conseguindo mesmo, ser tanto mais persuasivas, quanto mais dependentes são os seus alvos.
As grandes máquinas de marketing, estão montadas para seduzir os consumidores, que afinal somos todos nós, diariamente somos confrontados com promoções em cadeia, descontos num sistema de pescadinha de rabo na boca, abasteça aqui e ganhe um brinde com os pontos, ou mesmo, compre aqui e utilize o ágio no abastecimento, depois volte cá com o cupão que lhe deram lá, tentando generalizar a indução ao consumismo desmesurado controlado muitas vezes pelas datas de caducidade dos benefícios.
Este mecanismo está baseado no princípio da meritocracia, pois ganhará a equipa que melhor souber aliciar o consumidor, práticas pensadas dentro dos grupos empresariais, tentando através da sua tenacidade, fidelizar uns quantos.
Eis que, indo ao encontro de ideologias recentes, em que muito bem, instigam ao cérebro empresarial Luso a ter uma visão global e até exportar os nossos famosos doces, é dado o momento em que é posta em prática, uma ideia muito mais abrangente.
Abarca-se de uma só vez, um número considerável de consumidores, com um desconto direccionado para um operador de mercado, grande ideia, nunca antes pensada, ou talvez sim, mas nunca antes permitida.
Quem sabe mesmo se estará para breve, campanha idêntica por outro qualquer operador, em que por cada passagem nas vias agora portajadas, dará imediato acesso a um benefício nas pipocas da próxima sessão de cinema.
Conscientes dos hipotéticos ganhos, a liberdade de escolha está causticamente condicionada a cada dia que passa, impelindo-nos, embora sub-repticiamente a ir ter onde não queremos, mas sim, onde quase somos obrigados.
Os mercados estão cada vez mais controlados pelos grandes “players”, que mantêm a sua força por inerência dos números que geram e/ou dos postos de trabalho que mantêm, mas certamente acompanhada pelo sentimento de um espírito de cleptocracia cada vez mais institucionalizado.
A apetência invejável de transferirem ilustres figuras das máquinas partidárias para as empresas e vice-versa, devia apenas ser equacionada com pretensão de trazer vantagem a todos, e não só a ambos, bastava somente aprender com estes métodos de dissuasão.
Deixando a minudência aos especialistas, imaginemos que por uma improvável ordem do acaso, o imensurável operador de mercado chamado Estado devolvia uma percentagem do total das despesas anuais com a restauração de um qualquer cidadão, em tikets de refeição, ou empregava método idêntico na saúde, ao estilo, traga o recibo e leve cheques dentista.
Medidas abrangentes e psicologicamente atractivas!
O Êxodo
Exausto com a abundante e infundada crítica ao filantrópico e mais que avisado conselho à nação, decidi agir. Movo-me, não em defesa do novo messias, nem tão pouco do apóstolo de Alarcão que o antecedeu na doutrina do Êxodo. Enalteço o conteúdo e borrifo-me na forma. A fuga dos Lusos da Europa é uma inevitabilidade e tem fundamento histórico. Quais judeus em fuga do Egipto e da escravatura. A analogia é tão óbvia quanto alucinada.
Não compreenderemos o Êxodo, sem abordar a Génesis da Europa Moderna. Tudo começou em 1948, na urbe que celebra a criança que despudoradamente urina ao vento, Bruxelas. Em 1951, desta feita em Paris, foram tratados o carvão e o aço. A Comunidade nasce em 1957 na cidade eterna, Roma. A fusão ocorreu no regresso a Bruxelas, em 1965. Até aqui, tudo bem, estávamos fora.
Em 1986, um ano após a adesão de Portugal, foi assinado o Acto Único Europeu em Haia e no Luxemburgo. Animados com os fundos estruturais, não ligamos. Aparentemente, já nesta altura a Holanda era um destino desejado. De Maastricht em 1992, partimos para a loucura de Amesterdão em 1997. Falamos, comentamos, mas na verdade continuamos a não ligar. Jorrava, logo, tudo corria de feição. Dividir para reinar foi o lema em Nice em 2001. Novo século, novos membros. Menos, mas ainda jorrava. Eis que chega o sétimo dia e ao invés do descanço, reunimos as hostes em Lisboa. Diz-se desse dia que foi porreiro, pá. Mas não foi, não foi mesmo nada porreiro. Não reparamos na altura, e em boa verdade só agora alguns de nós desconfiam.
Assim foi a Génesis. Desprovida de valores democráticos e de genuína representatividade das populações. Aos tristes exemplos dos referendos “até à resposta certa”, acrescem agora as nomeações de novas equipas executivas em Itália e na Grécia. O momento é de acção, não de eleição. Avassalador: voltamos aos métodos medievais. Tal como na idade das trevas, o medo é usado como arma de submissão, a cultura clássica é erradicada e toda a reflexão é relegada para o estatuto de luxo supérfluo.
Entre todas as inconvenientes actividades humanas, a reflexão é sem duvida a menos oportuna. Exactamente por isso, imprescindivel! Façamo-lo então: Todos os dias, pelo menos cinco milhões de euros saem de Portugal, pelo que o Êxodo de capitais é um sucesso. O Êxodo de ex-primeiros-ministros é igualmente um sucesso. Só cá ficaram dois, um dos quais é Presidente da Republica. Concedo, este Êxodo é apenas um sucesso parcial, mas amplamente compensado pelo Êxodo das sedes fiscais das holdings, o que não sendo novidade, goza agora de grande notoriedade mediática. Aparentemente, e desta feita, constitui crime de lesa-pátria. Será que toda esta cidadania participativa e atenta questiona a frequência desta prática? E as suas causas?
Sejamos francos: O conselho é bom, pois os mandamentos só se aplicam a quem fica!
Um chavão à procura de rumo
A “Economia Politica” é um chavão muito utilizado, servindo de argumento desde pequenos textos a exuberantes palestras, assistimos porém a uma mistura explosiva na maior parte das ocasiões em que se juntam estas duas palavras.
Estes dois vocábulos, cada um com seu significado e a milhas de distância do outro, raramente se poderão juntar devido á sua essência. A prova disso é mais que conhecida, com falhanços constantes na política, por via da economia, ou vice-versa.
Se encontrar um mediano economista na política pode ser mais ou menos frequente, encontrar um bom político que o seja também, em economia, é mais transcendente que encontrar uma agulha num palheiro.
Um economista tem de equacionar uma series de factores e interliga-los de forma a atingir um único fim, dar benefício, requalificar algo que não o dá, e baseia-se nos cálculos numéricos, que em boa justiça lhe darão razão, ou não, mais tarde, enquanto um político tem como preocupação primordial fazer isso mesmo, politica, interagir bem com todos, mesmo com aqueles com que não partilha as ideias.
Nas empresas terão forçosamente de existir os dois, por forma, que todos andem satisfeitos e mesmo assim ela dê lucros, aí é que reside a eficácia, numa separação eficaz de valores.
Terá de ser um País, diferente?
Com um número significativo de jovens com excelsos cérebros, alguns deles noticiados como magníficos, no exterior e nas mais diversas áreas, poderiam eles ser “aproveitados” para gerir a nação. Ficariam exuberantes por tais préstimos e ainda por cima pagos, bem pagos, por isso.
Num cenário de convivência salutar em que os jovens gestores teriam prémios de desempenho unicamente na proporção dos ganhos, deixando as vénias e palmadinhas nas costas para desempoeirar os fatos, aos que amam a política.
Em tempos como o presente, em que dos é dito que temos de cortar com o passado e olhar em frente, será talvez a única salvação da tal famosa “economia politica” aliando duas palavras que nunca se deveriam ter juntado, ou melhor encararíamos isso como efectivo, pois a separação sempre foi evidente.
Melhor que anunciar ao jovens, o promissor destino da emigração é dar-lhes a oportunidade de mostrar o que valem a quem os ajudou a formar, dando-lhes o privilégio de poder retribuir os ensinamentos.
欢迎葡萄牙 – Investir na Educação para salvar o Turismo
A Europa está a bater no fundo e nem o turismo parece ser bóia de salvação em tempo de pregação da poupança. Esta dependência total da Europa é muito bonita quando o iceberg não se avista. Mas agora que encalhamos, e o sacana parece capaz de resistir até ao problema do aquecimento global, está na hora de pensar além fronteiras.
Olhando para os dados mais recentes relativos ao turismo, retirados do INE, vemos que a grande massa turística é proveniente de Espanha, Reino Unido, França e Alemanha. Juntos representam mais de 60% das entradas e receitas do turismo.
Ora os dois primeiros já estão sob regime de austeridade, o terceiro anda um bocado aos papéis a ver se percebe se está abaixo ou acima da linha de água, e o último por uma questão de pudor e rigor não poderá tão cedo vir aproveitar-se da pobreza e austeridade que nos aconselha a impôr para os próximos tempos.
Posto isto quem tem vontade e dinheiro para nos visitar, desfrutar dos nossos recursos, sentir o nosso life style, largando uma nota simpática que permita fazer do turismo uma âncora de emprego e dividendos? Essa é a questão que pode ser a nossa salvação. Afinal Portugal representa apenas 1,5% a 2% da Quota de Turismo Mundial. É ainda daquelas raras quotas em que estamos autorizados a investir para crescer não sendo subsidiados se nada fizermos para isso!
Mais alguns números interessantes para a tomada de decisão:
- 180 Milhões de falantes de Alemão;
- 220 Milhões de falantes de Francês;
- 250 Milhões de falantes de Português;
- 500 Milhões de falantes de Espanhol;
- 1 000 Milhões de falantes de Mandarim;
- 500 Milhões a 1 900 Milhões de falantes de Inglês;
Portugueses somos nós, Espanhol portunhol desenrasca e nasce connosco e o Inglês é uma necessidade obrigatória já colmatada no nosso sistema de ensino. Boa, já temos uma resposta aceitável para um mercado potencial de uns milhares de milhões sem grande esforço. Valerá a pena investir no ensino de Francês e Alemão sendo que particularmente estes últimos dominam também o Inglês?
A Ásia, em particular a China, é uma potência emergente com mercado crescente e sedento de visitar a Europa. Há países mais apetecíveis que o nosso para visitar? Sim, claro. Mas recentemente visitei a Ásia e sentimo-nos completamente desorientados em zonas onde só se fala e escreve Mandarim. É difícil perceber e fazermo-nos perceber sendo até por vezes impeditivo ou limitativo da nossa mobilidade e sustentabilidade. Isto é o que sentem também os turistas desses países quando visitam a Europa sem dominar o Inglês. É por isso que viajam em grupos, com guias de carne e osso e rotas bem definidas. Não desfrutam de uma visita em verdadeira liberdade.
É aqui que podemos fazer a diferença, em 10 a 20 anos, se começarmos já a assumir o pelotão da frente. Tornemos o Mandarim uma língua de ensino obrigatório, pelo menos para estudantes na área de actividades turísticas, e traduzamos as placas públicas das principais zonas turísticas para terem orientações em Português, Inglês e Mandarim. Tornemos as nossas ruas navegáveis por orientais sem necessidade de constante acompanhamento. Vamos brindá-los com algumas conversas de ocasião na sua língua. Tornemo-nos nos perfeitos anfitriões para falantes de Mandarim e em pouco tempo seremos inundados por eles e salvos pelos seus Yuan. Por cada sorriso registado na câmara e postado numa rede social asiática com um “Uau! Eles aqui compreendem-nos! E são tão giros!” temos milhares de novos clientes a fazer booking no próximo minuto. Dica Bónus: aproveitar as próximas décadas de regime transitório de Macau para a China, onde ainda temos uma presença marcante, para divulgar e semear a nossa recém-adquirida capacidade linguística e dizer-lhes que temos muito mais do que casinos por muito menos.
Além de que eles já são donos de parte de nós e um dia poderemos ter de saber dizer “Yes, boss!” em Mandarim. Eu já ficaria contente se num futuro risonho uma minha netinha entrasse numa qualquer loja chinesa e dissesse “Mãos no ar! Isto é um assalto!” sem correr o risco de não se fazer entender. Sempre se poupava um tiro. Sim, um futuro risonho porque é bom sinal sonhar que ainda se podem sustentar mais duas gerações.
Alforriar, para conseguir Aforrar
A convivência com o papel-moeda é salutar e quanto mais cedo se incutir essa parceria nos mais novos melhor. Lembrem-se das horas passadas a jogar o célebre jogo do Monopólio com notas coloridas que se trocavam por casas e hotéis, tudo mudou e hoje esse mesmo jogo vem com uma máquina de ler cartões de crédito, retirando-nos a sensação de riqueza, já não guardamos debaixo das propriedades o maço do dinheiro, tornando-se muito inferior a sensação de perda.
Estando infinitamente provado que os hábitos dos adultos são o fruto da sua vivência enquanto crianças, no âmbito financeiro não é diferente. Urge por isso ensinar a poupar, tornando essa demonstração aliciante para os mais novos, o mealheiro deverá ser transparente e não como o porquinho que nós tivemos, para que se tenha a real motivação para o crescimento das economias.
Somos hoje netos de gentes de mãos calejadas, porventura sem tradição literária, os chamados incultos, mas com a escola da vida onde as aulas lhes foram administradas pela geada do campo e pelo calor das searas, mesmo assim, conseguiram aprender entre muitas outras coisas uma palavra que entretanto entrou em desuso, “aforrar”.
Quando eles nos diziam que tinham de fazer uma casinha para a reforma, quereriam porventura exprimir muito mais, mas fruto da inseparável irreverência juvenil teremos desvalorizado o assunto, mesmo quando nos ensinavam provérbios como “Pai rico, filho nobre, neto pobre”, proferido de um jeito que só eles sabem, não demos a devida atenção.
Somos hoje esses netos, e anos a fio essa palavra não entrou no nosso vocabulário, nem na escola, onde devem ensinar além da leitura e da matemática muitas outras coisas, nem fora dela. Os ciclos da história repetem-se e teremos forçosamente de iniciar mais um. Os jovens são sabedores já hoje do que lhes vai acontecer amanhã, por isso temos que dar início a essa tarefa, quanto mais cedo melhor.
Um Estado Social pensado num período específico e com dados ao tempo, com uma conjugação infindável de variáveis e projecções futuras baseadas em elementos que não se vieram a concretizar, um consumismo desmedido que nos foi incutido por um marketing violento, tiveram como resultado uma perca gradual e silenciosa de valores, monetários e consequentemente sociais. Alforriar os hábitos de consumo enraizados será uma tarefa difícil, mas iremos demonstrar que “grão a grão, enche a galinha o papo”.
Ainda recentemente divulgado que foi um estudo do ISCTE, demonstrou que os Portugueses estão insatisfeitos com os seus níveis de poupança, pois bem, o Banco de Portugal poderia lançar uma campanha Nacional sobre a poupança direccionada aos mais jovens, mandando o Alex e a Ana às escolas oferecer um livro educativo com o título:
Terminal de Declaração Automática
Há tantos tubarões e baleias no aquário que ninguém dá conta da arraia-míuda.
No meio das medidas de austeridade mais diretas e abrangentes há uma que não interessou muito ao público em geral e está agora a ser usada como importante batalha a vencer, para marcar presença e permitir à oposição sonhar que ainda vive e tem influência em tudo o que se está a passar. O belo do aumento do IVA sobre a Hotelaria e Restauração.
São só os setores onde tradicionalmente ocorre o maior volume da chamada economia paralela. É o mundo dos “Quer fatura?” que é como quem diz “Temos mesmo de declarar o consumo que acabou de fazer, incluindo o a taxa de IVA indicada no recibo, ou dá para mandarmos isto para a conta da contabilidade paralela?”. Não tenho pena nenhuma de que os “Quer fatura?” sejam forçados a pagar a fatura e passem a ser os “Tem aqui a fatura.” Mas a verdade é que isto apenas os assusta porque pode afugentar clientes que não estão dispostos a pagar mais pelos serviços ou produtos oferecidos. Porque em termos de economia paralela não há aqui nenhum combate à fraude, evasão e fuga de impostos. É mais um punhado de areia para os olhos da Troika e de quem anda a dormir.
Se o estado quer mesmo obter mais retorno através de IVA, e não apenas do relativo à Hotelaria e Restauração, tem de se focar em combater a economia paralela ainda existente. Pensando, inovando e tirando ideias da algibeira tão descabidas como o Terminal de Declaração Automática. Não interessa se seria um novo terminal ou se seria um software a viver em todos os TPA (terminais de pagamento automático) já omnipresentes em todos os estabelecimentos comerciais. O que interessa é que com esse simples dispositivo, ligado aos sistemas centrais de impostos, cada consumidor poderia exigir imediatamente a declaração do seu consumo para efeitos de garantia da sua taxação. Simples, fácil, usando por exemplo o cartão do cidadão.
Neste momento nós, os consumidores, queremos afugentar a crise para dentro do buraco de onde saiu. E para tal não nos importamos de ser fiscais, de obrigar os “Quer fatura?” a declarar o que já deviam declarar desde sempre. E como prémio deêm-nos algumas benesses como uma percentagem de desconto no IRS sobre a maquia que obrigámos os nossos fornecedores a declarar. Paguem-nos por fazermos o trabalho do Estado mesmo depois de lhe pagarmos através dos nossos impostos para o exercer proativamente e com competência.







