Author Archives: Gonçalo Moura da Silva
Um palerma disfarçado de Astérix
Disfarçado de Astérix, o palerma dos tacões altos anunciou com satisfação que o G20 decidiu acabar com os paraísos fiscais.
Diz-nos que serão todos banidos da comunidade internacional, caso não acabem com a pouca vergonha. Até mesmo o ordeiro e disciplinado Liechtenstein está sob pressão para uma rápida conformidade com as novas normas, o mesmo acontecendo com o membro neutral das nações unidas, a Suíça.
Suspeito que com estas boas notícias, prepara a terra da Liberdade, Igualdade e Fraternidade para algum ajuste, daqueles que nós já começamos a perceber como são feitos.
Já os Gauleses não suspeitam, logo não se preparam. Em breve os gauleses compreenderão que vivem num Inferno fiscal, pelo que o fim dos paraísos não lhes trará qualquer benefício.
Enquanto esse momento de clarividência não chega, o falso Astérix avança uma nova ideia, o chamado Núcleo Duro, ou seja construir um muro, uma barreira que divida o Euro de primeira do Euro de segunda. Brilhante chico-espertismo. Nada como declarar a Gália rica, antes que os Romanos a provem pobre.
O Português mais importante do Mundo
Corre o rumor que o Português mais influente no mundo, terá desta feita comprometido a sua imparcialidade em prol de um motivo patriótico. A sua discreta acção de bastidores terá permitido o agendamento da visita do chefe de estado Português, Prof. Aníbal Cavaco Silva à Casa Branca no próximo dia 9 de Novembro deste ano.
A agenda de trabalhos não foi revelada, mas são conhecidas as preocupações do presidente norte-americano Barack Obama com o futuro da zona franca da Madeira, com as filas de espera nos pastéis de Belém e com o assoreamento da Ria Formosa, mesmo em frente à casa onde o democrata John Carry por vezes passa férias.
Preocupações obviamente partilhadas pelo seu homólogo Português, o qual tem sobre os temas proferido os seus clássicos avisos.
Está prevista ainda uma sessão fotográfica nos jardins da Casa Branca, durante a qual o presidente Português agraciará Bo, o Cão-de-água Português da família Obama, com a ordem honorífica do Mérito, em reconhecimento da sua abnegação em favor da colectividade Lusitana, nomeadamente a promoção da visita a Washington, DC.
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Heathcliff e Marmaduke
O sucesso está garantido a todo o enredo que tenha como personagens um cão e um gato. Heathcliff & Marmaduke, não são obviamente excepção.
A monotonia em tempos apontada a esta Banda Desenhada, é manifestamente injustificada. Um breve olhar sobre os jornais dos últimos dias confirma em absoluto a sua vitalidade. Vibrante e até apaixonante!
Celebrado o acordo de salvação, com altruísta perdão associado, ao virar a página surge a surpresa: De um lado, Marmaduke, o Grand Danois celebre pelas suas insólitas capacidades caninas. Do outro, o gato rafeiro Heathcliff.
Este último, movido pelo seu instinto felino anuncia um referendo. “Um referendo?” Exclama Marmaduke. Pressiona, avisando “não alteraremos as condições do perdão”.
Heathcliff justifica-se e classifica a iniciativa como preventiva, dando como prova a antecipação da substituição das chefias militares. Ao que parece, o golpe militar é temido no seu domicílio.
Marmaduke confessa-se surpreendido, pois tinha como adquirida a perca de soberania doméstica de Heathcliff.
Perigosa presunção, que a todos deixa em suspense até ao próximo livro, “O Ultimato da torneira fechada”.
Não o perca, até porque não pode!
Back to the Future IV
Mais de duas décadas após o ultimo filme da trilogia “Back to the Future”, foi recentemente anunciado o quarto filme da saga.
Aquela que será a última sequela, antes da próxima, explora mais uma vez a fraternal relação entre o genial cientista do tempo, o Doutor Emmett Lathrop Brown e o seu voluntarioso amigo Marty McFly.
Desta feita, ‘Doc’ regressa à actualidade com notícias de 2014. Com ele traz importantes dados do futuro. Entre outros factos científicos, a descoberta que o ano tem 12 meses. Tão só e apenas.
Enquanto McFly se debate com as tabelas de retenção na fonte concebidas para 14 vencimentos, ´Doc’ pede que não se confundam as coisas. Temporárias são apenas as tabelas, tudo o resto é definitivo.
Marty sabe no seu íntimo que a majoração da retenção de IRS esperada para a função pública em 2012 não é acidental. Nada como minimizar a perca de receita provocada pelo corte na despesa.
Sem que seja necessário perguntar ao seu amigo ‘Doc’, sabe que as tabelas serão revistas em breve, e oportunamente aplicáveis também ao sector privado.
A ficha foi desligada da tomada, a todos sem excepção.
Ainda sem data de estreia, será seguramente um êxito de bilheteira. As previsões de vendas em merchandising e home cinema (DVD e Blu-Ray) são igualmente animadoras.
“Dictadura” Democrática
Com o modesto propósito de tudo solucionar, propomos a Dictadura. Desde já alertamos quanto à diferença para Ditadura. Não propomos um regime autoritário, nem fazemos trocadilhos com acordo ortográfico. É Latim.
Na Republica Romana, o Dictator era nomeado pelo poder executivo, com o aval do senado. Esta magistratura extraordinária tinha de facto uma base democrática, e visava enfrentar adversidades igualmente extraordinárias, como crises económicas ou ameaças militares.
A presente proposta difere do modelo Romano num pequeno detalhe. Dictador não será uma pessoa, será um acto, o Voto. Tornar-se-ia obrigatório, por forma a estabelecer um princípio de equidade entre direitos e deveres dos cidadãos, isto é, a garantia de direitos estará condicionada ao cumprimento de deveres, nomeadamente Votar.

Para além de uma mudança de mentalidades, permitirá a aplicação de um princípio de proporcionalidade entre legitimidade e poder de decisão dos eleitos, ou seja, abstenção, votos nulos ou brancos implicam cadeiras vazias no parlamento. Os governos assim formados teriam a sua acção limitada à sua capacidade de mobilização dos votantes.
Colocam-se então duas questões: 1) O voto obrigatório representa perca de liberdades, como o direito à indignação? 2) A estagnação não seria o resultado da sucessão de governos “interinos”?
Cada cidadão pode manifestar a sua indignação votando em branco (ou mesmo nulo), responsabilizando cada um com a opção tomada. Estamos a assumir as consequências dos actos dos governos que elegemos, mesmo quando nos abstemos, pois a omissão do dever de voto tem como consequência a formação de maiorias não proposicionais. Independentemente de nos termos abstido ou não, estamos todos a pagar a crise. Perdemos soberania, logo perdemos liberdade. A culpa é nossa. Quem o nega perpétua as causas dos problemas que vivemos.
Quanto ao perigo de estagnação por acção de governo sem verdadeiro poder executivo, julgamos um mal necessário. Face ao resultado da governação dos últimos trinta anos, seria na realidade uma vantagem, sobretudo porque teria impedido a serventia a clientelas. Se por um lado, os cidadãos são chamados a assumir os custos dos erros de governação, então os governos devem assumir os custos dos erros de avaliação dos cidadãos.
A “Dictadura” Democrática, ou voto obrigatório, promoverá a mais relevante das mudanças, a das mentalidades. Sem ela não abandonaremos a actual lógica bipolar, ou o tradicional lamento e indignação inconsequente.
Meia Prenda – O Natal Ortodoxo
A imprensa alemã noticiou ontem a antecipação do Natal Ortodoxo.
A medida tem vindo a ser estudada em Paris e Berlim, por governos e bancos. A mais recente cimeira Franco-Alemã terá proporcionado um dos mais acalorados encontros entre líderes.
Alegadamente, o enternecedor momento terá facilitado a tomada de decisão. Ele quis, ela deixou, aconteceu.
Compete agora à banca encontrar forma de se animar do mesmo espírito. Perdoar é a mais nobre das atitudes Cristãs, mas ancestrais diferenças entre Católicos, Protestantes e Ortodoxos impõem limites a um possível perdão de divida. Cinquenta por cento será o objectivo.

As negociações estão já em curso. Ao leme da banca está, inevitavelmente, um imparcial suíço. Presidente do IIF – Institute of International Finance e director executivo do Deutsche Bank,
Josef Ackermann tem sobre os ombros a desvalorização da divida publica Grega. Falha-nos São Nicolau, patrono dos marinheiros e pai-natal Grego. O anúncio do Natal Ortodoxo, está “apenas” dependente das negociações do modelo de recapitalização da banca.
Após severo regime de ajustamento, dieta forçada e muito exercício físico, a população Grega ensaia já os seus tradicionais cânticos Natalícios, as “Kalanda”. Desvalorizado o trabalho, ajustada a economia, recebem agora o prémio do seu esforço, a prenda, o perdão de metade da divida. É justo, metade do rendimento, metade da divida. Tradicionalmente, entre os helenos, a troca de presentes ocorre no primeiro dia de cada ano.
Coincidência, ou talvez não, entre os Lusos não se cantam as “Janeiras”. Debate-se a oportunidade de uma similar prenda. Com o ajustamento no seu início, a perca de rendimento de quem trabalha ainda não foi a necessária. A par com o anúncio do Orçamento para 2012, a sólida promessa de não cortar mais nenhum subsídio. Esta inabalável garantia determina que a nossa prenda não poderá chegar antes do Natal de 2013. Pena, será que 20% não chegava?
A Bitola
A Bitola Ibérica foi criada com o objectivo de evitar novas invasões Francesas da Península. Durante a segunda guerra mundial, a rede ferroviária Ibérica voltou a afastar eventuais pretensões de ocupação Nazi.
Um inesperado aliado da Península, o Almirante Canaris, líder da Abwehr (Secreta Militar Nazi), foi determinante ao alertar para as limitações logísticas que a rede ferroviária Ibérica impunha à guerra relâmpago. A Velocidade Elevada, era já nesta altura, decisiva. Não a Alta, mas sim a Elevada. De ascendência transalpina, Wilhelm Franz Canaris julgava-se descendente Grego.
Talvez por isso tenha conspirado contra o regime nazi. Apesar de já se encontrar preso, Canaris foi acusado de estar envolvido no célebre atentado de 20 de Julho de 1944 contra a vida de Hitler, na Toca do lobo. Foi executado pelo reich perto do fim da guerra.
Outrora isolada por opção estratégica, a Península abraçou agora a Europa com convicção. Os potenciais invasores são actualmente os maiores aliados e parceiros de negócio. O avanço não é bélico, é desejado e monetário. Que bom foi obter dinheiro fácil e aparentemente barato. Que alegria imensa vivemos. Afinal, Canaris só atrapalhou, atrasou o maravilhoso progresso. Provavelmente mereceu morrer estrangulado. Se não tem interferido, não estaríamos a viver este brevíssimo período de austeridade. A crise teria sido superada com o Plano Marshall. Tudo estaria resolvido, e nem a Madeira se tinha portado mal.
Decidida que está a questão do TGV, perdão, da Velocidade Elevada, tranquilizados que estamos após o anúncio do orçamento para 2012, é hoje óbvio que o caminho é de ferro e a Bitola Grega.
A oportunidade – Won’t Snitch Bank
A Banca suíça está debaixo de fogo. A fuga ao fisco é crime grave nos Estados Unidos da América. A administração Obama, ameaçou retirar a licença ao maior banco Suíço, caso este não entregasse informação requerida pelo fisco Norte-Americano. Os princípios Helvéticos colidiram com os seus próprios interesses.
De um lado, mais de um terço da actividade do banco, do outro o sigilo bancário. Resultado, o banco entregou os nomes de cidadãos americanos suspeitos de fuga aos impostos (+de 200). Animada pelo sucesso da chantagem, a administração Obama, fez nova exigência: Os nomes de todos os americanos titulares de contas na suíça (+50.000). Os suíços cederam novamente.
Esta imperdoável falha, da outrora infalível hipocrisia Helvética, constitui a maior e melhor oportunidade para a descapitalizada banca nacional. Ajudemos os honestos cidadãos americanos na sua legítima fuga ao fisco. Aproveitemos a oportunidade para lançar a maior ofensiva da Banca Portuguesa em terras do tio Sam, através de um programa de rápida expansão da rede de balcões e de uma aguerrida campanha publicitária sob uma única marca, o WSB – Won’t Snitch Bank.
Obviamente sediada na zona franca da Madeira, esta joint venture da banca nacional será o motor para a recapitalização do nosso sector financeiro, e consequentemente viabilizar a continuidade do modelo de desenvolvimento suportado no crédito. Republica, Grandes, pequenas e médias empresas, autarquias e até os clubes de futebol voltarão à rotina abruptamente interrompido pela troika. Basta fazer justiça à nova marca, i.e., manter a nossa ancestral tradição de não delatar quem nos ajuda.
Muhammad Ali – O “spin doctor”
A pretexto da crise das dívidas soberanas, observámos as técnicas e estratégias de comunicação da generalidade dos líderes. Constamos que todos sem excepção cumprem com grande rigor as recomendações, os fundamentos, de Cassius Marcellus Clay Jr, concretamente: “Float like a butterfly, sting like a bee” (“Flutuar como uma borboleta, picar como uma abelha”).
Em que consiste? Pois bem, são três os fundamentos básicos: 1) Mexer muito as mãos; 2) Prometer muito; 3) Esquivar para se manter de pé. Liberal ou Progressista, a dinâmica é igualmente simples: Se destro, insiste no directo de esquerda. Quando é a direita que insiste, boxa um canhoto.
A técnica mantém hoje os níveis de eficácia da pré-história. Como é possível? Já todos sabemos que a insistência de golpes com um punho visa apenas baixar a guarda, para então com o outro punho, pleno de potência, desferir o derradeiro golpe.
Todos o sabemos no entanto funciona! Porquê? Numa palavra, incómoda. Incómoda-nos a agressão repetida. Por mais devastadora a consequência, não resistimos a baixar a guarda. Como que dizemos, já chega. Irónico, pois quando parece ter chegado o limite da resistência, dela é exigido mais.
A questão que se impõe à data é saber se a recente revelação das contas da colonia ultramarina da Madeira foi um golpe de esquerda, na expectativa de com isso esconder o verdadeiro golpe com a direita, ou se pelo contrário foi já ele proprio o golpe final?
Panoramix fez a barba
A aldeia compareceu em massa, pois o momento era solene. O único conhecedor do segredo da poção mágica exclamou: corte! O jovem barbeiro vacilou, mas cumpriu o protocolo.
A primeira visita à barbearia decorria com dignidade e distinção, quando o venerável druida declara inesperadamente: O céu pode cair-nos em cima da cabeça. Tudo depende da espartana possibilidade dos Helenos se safarem, acrescenta.
Confuso, o barbeiro questiona: Mas afinal o corte com tesoura não chega? A aldeia pressente a Foice, o druida confirma que é de Ouro. O corte prossegue à lâmina.
De barba feita, Panoramix a todos explica: Não há poção mágica. A sua preparação requer um ingrediente agora escasso. A esperança, ainda que ténue, reside na ajuda dos Godos. Observemos o seu apreço pelo rigor geométrico, é o seu derradeiro apelo. Mostrou a face, a aldeia pasma.















