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FIMFA: Infiltração na Governação
Estava-se mesmo a ver que isto ia acontecer.
Neste momento joga-se o tudo ou nada num legitimidade da indigitação de um governo de continuidade desta coligação vs golpe de secretaria de um homem com ambição desmedida para ser primeiro-ministro.
Por princípio, e por tudo o que representam em termos de passado, não votei em nenhum dos dois partidos mais votados mas não posso ficar indiferente às opções de governação para as quais António Costa parece estar disponível. Esta disponibilidade para um casamento com BE e/ou CDU demonstra que, ao contrário da minha percepção inicial, António Costa pode realmente não ser mais um fantoche do sistema. Um homem do sistema jamais correria o risco de infiltrar a ‘extrema-esquerda’ e os ‘comunas’ no circuito de informações e decisões privilegiadas do estado. Um homem do sistema não cometeria a loucura de colocar em risco o sistema através de uma injecção de gente aguerrida com ideais e convicções de justiça e igualdade, gente com a mania da transparência que pode mandar por terra a opacidade que tanto tempo levou a contruir, gente capaz de colocar em causa as competências das nomeações certeiras em cargos cimeiros de agentes de confiança.
António Costa é um homem inteligente e ciente do que implica uma aliança mais à esquerda. Neste momento está debaixo de fogo, sob a pressão opressora do sistema, inclusive a partir do interior do seu próprio partido. Não creio que esteja a fazer bluff pois qualquer repentina simpatia pela PàF e o PS corre o risco de fazer PUF!
António Costa sabe perfeitamente que o BE e CDU não aparentam ser ‘domesticáveis’ e terá de estar preparado para levar uma ou outra mordidela na mão com que pensa alimentá-los. Por outro lado terá ali os seus cães de caça ferozes, feras que poderá soltar sempre que conveniente para farejar e sacrificar alguns dos interesses instalados no nosso delicado ecossistema. Mais não seja para fazer alguma limpeza à casa sem sujar as mãos do PS directamente.
Apesar de não necessariamente voluntária, ou expectável à partida, esta seria uma cabal prova de uma mudança de mentalidade e de acção política. Algo que certamente seria muito bem recebido pelos mais de 50% de eleitores portugueses votantes que escolheram uma viragem à esquerda.
Claro que posso estar enganado, talvez o BE e CDU, uma vez infiltrados no sistema, sejam na verdade seduzidos por este e se tornem novas máfias a quem é ofertado um quinhão exclusivo da exploração de Portugal. Caso isso aconteça nas próximas eleições lá teremos de dar mais ouvidos, e quiçá oportunidade de execução literal das suas ideias, aos que os tratam por putedo e gritam sem pudor “Morte aos Traidores!”
Espero sinceramente que em breve se faça história política e que no final de todo este jogo de sedução e traição não se revele somente como mais uma fantochada inconsequente.
Procuro um Álibi
O Revivalismo está na moda. O Kitsch é o novo Clássico e hoje todos clássicos são Pop. São ciclos, ora virtuosos, ora viciosos. Recordo hoje essa grande artista portuguesa, esse vulto da lusitanidade que é Manuela Passos Guedes. Vinda da terra das matrafonas chegou à ribalta como locutora de continuidade na televisão, mas também foi radialista, jornalista, deputada e até comentadora. Multifacetada, cedo revelou talento para cantar. Foi em 1979 que lançou o seu primeiro disco, o single – “Conversa Fiada”. Premonitório, ou não, a sua carreira musical não ficou por aqui. Teve o seu zénite poucos anos mais tarde, em 1982, com o álbum – “Álibi”. Uma obra-prima em doze temas, um LP que fica para a história. Quem poderá esquecer cantigas como “A Hora do Lobo” e “Prova Oral”, ou a mais imortal de todas as odes – “Foram Cardos, Foram Prosas”?
Mas é outra a canção que hoje interpreta com mais sentimento, com mais emoção – “Procuro um Álibi”. É essa a aposta. Senhora de uma rara extensão vocal, de soprano a baixo, a artista prepara a próxima digressão com empenho e amor: Após meses de esperança e boas noticias, os indicadores económicos vão murchar. Será o “Equinócio De Outono”. A culpa, claro está, não será do executivo anterior, será isso sim, de quem o novo não viabilizar. É este o isco, o Álibi perfeito, a “Flor Sonhada”, porque “Fortuna é…” uma nova e absoluta maioria. Descansem os fãs, a “Cruela” campanha vai continuar…
TTIP – Chega de Notícias!
Como consumidor televisivo compulsivo que sou, sobretudo durante dias de mau tempo, estou profundamente indignado. Julgo merecer melhor serviço informativo. Pelo menos mais diversificado, menos repetitivo. A guerra pelas audiências provoca muitas vezes a exaustão de temas. Os exemplos dos incêndios no Verão ou mais recentemente das migrações de refugiados, ilustram bem a causa da minha revolta. Digamos que cansa. Deixa de ser notícia para passar a ser castigo. Muitas vezes me questiono qual terá sido a travessura que fizemos para merecer tal punição. Pior é constatar a ineficácia deste tipo de correctivo. No caso dos incêndios florestais parece que merecemos a advertência ano após ano. Reincidimos, parece.
Não compreendo no entanto, que mal fizemos nós este ultimo fim-de-semana para merecer este massacre a propósito de uma arruada em Berlim: Telejornais, canais informativos, programas de opinião e comentário não falaram de outra coisa! Foi terrível! Sempre, constantemente, segundo a segundo, repetindo que cerca de um quarto de milhão de pessoas saiu à rua na capital da Alemanha para se manifestar contra o acordo transatlântico TTIP. Foi no Sabado. Diz quem se manifestou que algo está a ser feito nas nossas costas, que os dirigentes europeus não estão mandatados para fechar tal acordo.
Mas se nós por cá, bem comportados como sempre, nada temos a opor, por que motivo havemos de ser massacrados com isto? Não teremos nós direito a conhecer mais pormenores sobre a vida privada dos jogadores ou treinadores de futebol nacionais? E na falta de noticias sobre desporto, não existirão factos da nossa política doméstica ainda por noticiar? De tudo isto somos privados devido à monopolização do tempo informativo pela manifestação anti-TTIP. Uma vergonha.
Estamos perante mais um nítido caso de excesso informativo, pois com certeza que o tema é irrelevante… Chega, parem de dar a mesma noticia!
Star Wars – Salacious B. Crumb
A principal característica da saga Star Wars é a sofisticação dos efeitos especiais. Mas na verdade são os pequenos detalhes que tornam o todo mais verosímil. Algumas mega produções são por vezes descredibilizadas por pequenas falhas de guarda-roupa ou de adereços. São precisamente estes últimos que fazem a diferença nos filmes de ficção científica. Credibilizam a narrativa e dão cor ao enredo.
Sem prejuízo de num futuro próximo regressarmos às personagens, vamos hoje apresentar um pequeno grande detalhe desta saga, um adereço, um animal de estimação, um bichinho-come-cascas – o malvado Salacious Bruno Crumb. Muito embora o seu desprezível papel se resuma a brevíssimos segundos de aparição ao longo de toda a saga, não é parvo. Surge quase sempre rodeado de caras bonitas. A qualidade de manipulação deste adereço é lendária. Chega a parecer de carne e osso, graças a uma natural e muito fluida linguagem corporal. Ficará para sempre famoso pela assertividade das suas conclusivas no Twitter…
Star Wars – Droid C3PO
Porque dos pequenos também reza a história, chegou hoje a vez do primeiro dos Droids. A personagem em si pouco acresce aos destinos da Galáxia, não fora ele um mero Droid de protocolo. Tantas vezes desprezado, Jorge C3PO Xavier de seu nome, entende que o entretenimento é uma forma de cultura. Talvez por isso desempenhe tantas vezes a importante missão de oferecer algum humor ao enredo.
Este robot humanóide adora desafios, por isso aceitou o cargo de secretário. É tradutor, domina mais de 6 milhões de formas de comunicação. Assume portanto a importante missão de traduzir os desígnios dos sacrossantos mercados a quem de direito, à cultura lusitana. Nação recente de um planeta longínquo, nem 9 séculos de existência. Coisa pouca, nada que justifique o custo de um Ministério da Cultura. Ele aceita. Concorda com tudo que o amo lhe ordene, não contesta, não discute. Reabriu museus e rentabilizou acervos. Uma máquina!
Star Wars – Princesa Rebelde
Senhora de um dos mais emblemáticos e inconfundíveis penteados da indústria cinematográfica, a personagem de hoje é a líder da resistência ao Império Galáctico. Outrora fragmentada na Força, a resistência rebelde uniu-se e em bloco conseguiu entrar na Assembleia da República. Por lá andam há uns anos, sempre do contra. Liderados pela Princesa Leia Martins. a Aliança ganhou novo folgo, uma nova Força. Natural de Alderaan, a Princesa Rebelde foi subestimada por todos os Siths e Jedis.
Face à devastação provocada pela Estrela da Morte no planeta Grécia, previa-se o desaparecimento da Aliança Rebelde, mas o bloco reforçou-se. Talvez seja o fim da alternância, mas mesmo que seja apenas o início de uma nova alternância, refresca o panorama, renova o ar. Quando nada muda, até a ilusão do render das moscas agrada aos nativos rebeldes.
Parece que quem quer resistir não se importa com os credores e não teme o fulminante raio da Estrela da Morte. Que se lixem os levantamentos! Abaixo o Império. Pelo menos assim disse na campanha. Faltou explicar aos nativos que só a Autarcia pode substituir a alternativa única. Estranho quando os extremos ideológicos se tocam, mas resistir é sempre romântico.
Star Wars – Imperador de Naboo
Dando sequência à apresentação das principais personagens da saga Star Wars, dedico hoje algumas linhas a Palpatine, o despretensioso político que um dia foi a Buarcos comer Raia Pitau e aproveitou a ocasião para fazer a rodagem à sua pequena nave espacial de modelo BX. Quis então o destino iniciar a sua ascensão ao topo do aparelho de estado de Naboo. Deixaram-no trabalhar, escavacou a influência dos Jedis e fez-se chefe supremo do Império Galáctico.
Os nativos, embora o critiquem, gostam dele. De outra forma não o teriam eleito e reeleito tantas vezes. Ele, o mais poderoso dos Siths, faz do silêncio a sua maior arma. Todos o temem pois a qualquer um pode matar de tédio quando bota discurso. Assim fará hoje. Dir-nos-á tudo quanto já tinha decidido sobre o nosso futuro, mas que ontem lamentavelmente não teve tempo para nos contar. A galáxia dá-lhe muito que fazer, mas o Imperador nunca esquecerá as suas origens. É um Naboo perfeito.
Star Wars – Moral da História
No dia da República Galáctica, antigo feriado da Velha República, relembro a mais fantástica saga do cinema, a épica luta do bem contra o mal, a revolta dos virtuosos contra a alternativa única. A saga que há gerações alimenta os sonhos de miúdos e graúdos, trouxe fama e fortuna ao seu criador – George Lucas. Ainda hoje vende milhões em traquitana do Universo Expandido. Está para breve o sétimo episódio. Deve estrear antes do Natal. Assim, e porque ainda temos tempo, vou tentar enquadrar as novas gerações no contexto desta saga. Torna-se difícil sintetizar toda a narrativa num único artigo, até porque os filmes não foram lançados pela ordem cronológica, mas aqui fica a minha vã tentativa:
Numa galáxia longínqua, uns tipos fixes, quais monges de Shaolin chamados Jedis, treinam e meditam para controlar uns bicharocos chamados midi-clorians os quais geram a energia mais prodigiosa lá do sitio – a Força. Nem todos os Jedis são bonzinhos. Alguns, começam por ser beras, tomam-lhe o gosto, ganham embalo e chegam a maus. Depois, os dois melhores piores tornam-se Siths, o mestre e o discípulo. Todos os Jedis, bem como os malvados Siths, lutam com um sabre de luz. Ah! Há naves, bichos, humanóides e robôs. É colorido e a banda sonora é poderosa. Demonstra aos mais distraídos a magnificência de uma orquestra sinfónica.
Feita a síntese, as personagens. Começo pelo mestre dos mestres Jedis, o Yoda Costa. Ele não corta, poupa! Brandiu o seu sabre rosa, mas a Força não esteve com ele. Fugiu-lhe. Yoda não percebeu que os seres vivos lá do sítio não acreditam numa coisa e no seu exacto contrário. Treta por treta, é melhor aquela que conhecem. O Império não contra-ataca porque não precisa.
Laranja Mecânica
Um dos grandes clássicos da 7ª arte, provavelmente a obra-prima de Stanley Kubrick – A Clockwork Orange, relata as aventuras do anti-herói, o jovem Pedro o Grande. A narrativa, narrada pelo próprio, descreve um quotidiano pouco convencional. A crise parece perpétua. Sem o menor escrúpulo exclama “que se lixem…”. Nem o mais zeloso dos tutores o mantém na linha. Pedro, adepto de ultra-violência e incondicional amante de boa música, partilha com o seu selecto grupo de amigos momentos da mais intensa porradosca.
PaF, a trupe sempre pronta para o acompanhar em novos e grandiosos desafios, prepara-se entusiasmada para mais uma das suas travessuras. Contudo, a inveja espreita. Pedro será traído em plena brincadeira. Preso, é submetido à mais dura e desumana das torturas. Obrigado a ver horas infindáveis da mais pura brutalidade, vive momentos de prazer e êxtase, mas sucumbe à terapia de choque quando os carrascos descobrem o efeito devastador que a obra de Ludwig van Beethoven tem sobre os seus instintos, especialmente a derradeira sinfonia, a 9ª.
Em sofrimento, contesta, argumenta que o grande compositor apenas criou música maravilhosa, mas sem sucesso. A metamorfose acontece. Outrora um terrível malvado é desde então uma vítima, impossibilitado de perpetrar qualquer acto de violência. A mera tentativa o conduz à agonia. Na demonstração que culminará com a sua libertação, é incapaz de tocar a bela e desnuda miudósca que perante si é colocada. Está mudado, profundamente transformado. É outro! Entoa agora a Ode à Amizade. Diz-se focado no combate às desigualdades. Será verdade?
A Game of Thrones

Na terra onde “os verões duram décadas e os invernos uma vida inteira” a paz foi quebrada pela morte do monarca. A unidade de outrora deu lugar à crise da sucessão. A promiscuidade da Rainha de todos os herdeiros fez bastardos. O Trono de Ferro, símbolo dos ciclos viciosos, da alternância e da eterna impunidade sob arco da governabilidade é deste então disputado. Eis a síntese do enredo deste grande sucesso televisivo. Baseada na colecção de livros “As Crónicas de Gelo e Fogo”, a série televisiva reproduz com grande sofisticação a fantasia épica brotada da alucinada imaginação do escritor GRRM.
Como em todos os grandes sucessos, há preferidos e preteridos, há populares e odiados. De entre as mais de mil personagens, destaca-se Luís Tyrion Lannister, o pródigo comentador e estrela da opinião uníssona e bem explicada. Palpita sobre tudo: nomeações, resoluções, debates ou sondagens. Um autêntico hipermercado da opinião, linear de ficção para consumo fácil e barato. Informado como ninguém, tudo sabe sobre todos os negócios e sociedades, excepto daquelas em que é sócio – Ai, nada, nada, nada… Padece de nanismo mas tal nunca lhe limitou a ambição. A todos ajuda em Westeros e em Essos. A norte, a antiquíssima barreira de gelo mantém à margem os Outros, todos que por enquanto se abstêm.
Um dia, os Outros compreenderão a ameaça que representam para a manutenção desta guerra de tronos. Um dia, quem sabe em breve, compreenderão a dança das cadeiras. Talvez então a barreira de gelo se derreta com o calor da perspicácia que os sete reinos julgam extinta.











