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Esmola aos Ricos
A Europa pediu esmola às economias emergentes. Estas, claro está, mandaram-na passear. Surpreendida, a matriarca de pronto vaticinou uma recuperação com a duração de uma década. Sem negócio da China, nem ouro do Brasil, o súper-marco está em apuros. Tal como muitos europeus, os germânicos não perceberam a quem confiaram o seu rumo. Terão pensado que o pedido foi feito em nome do mal comportado Sul. Como estão enganados. Não compreendem a situação da poderosa Alemanha. A desgraça a Sul tem ocupado o espaço mediático, e a sua ancestral soberba moral tem feito o resto. Os indisciplinados merecem ser punidos, pensam.
Um povo que valoriza o trabalho, o rigor e a disciplina não pode pensar de outra forma. Porém, a competitividade dos produtos alemães não resulta apenas da qualidade do trabalho. O risco está presente, e em grandes proporções. De um ponto de vista financeiro, o investimento no desenvolvimento de novos produtos é muito arriscado. O principal mérito da Industria alemã é a sua capacidade de inovar. O anterior deve tornar-se obsoleto face ao novo. É este conteúdo inovador que gera o desejo de compra. Quando um novo produto substitui outro em fim de ciclo de vida, o tempo para amortização do investimento no seu desenvolvimento será menor. Atendendo a que o seu custo de desenvolvimento foi significativamente maior, o risco financeiro cresceu de forma exponencial.
Quando comparado com o produto que substitui, cada novo produto terá que vender mais e em menos tempo, para permitir a recuperação do montante investido no seu desenvolvimento, com o necessário lucro. Parte significativa deste lucro será reinvestido em novos produtos, por sua vez mais caros de desenvolver, e os quais estarão à venda durante um período de tempo ainda mais curto. O ciclo repete-se indefinidamente. Este sucesso sobre o tabuleiro da competitividade é mérito da gestão alemã, a qual tem sem dúvida o engenho necessário para conjugar capitais, recursos humanos e meios de produção.
Contudo, a prosperidade da indústria alemã não se deve apenas ao conteúdo inovador dos seus produtos, mas também à exportação de capitais, com os quais o mundo lhes compra os óptimos produtos que fabricam, com juros. Tal coloca-os numa condição de risco inversamente proposicional ao prazo. Mínimo a curto prazo, máximo a médio longo prazo. Ao contrário do que nos é dito, a vaga de austeridade não visa o longo, mas sim o curto prazo. Manter o status quo é o único objectivo. Simplesmente impossível.
O virtuoso povo alemão parece alianado destes factos. Talvez por isso não pretenda desvalorizar a moeda unica, nem tão pouco por em causa o 123º artigo do tratado “porreiro pá” de Lisboa. Há que os ilucidar, de os alertar. Opto por um formato informal, a chamada abordagem por “tu”:
Se te dever uns quantos euros e não tiver dinheiro para te pagar, preocupado, não durmo. Se a divida for de uns milhares de euros, preocupados, nenhum de nós dorme. Mas quando a divida são muitos milhões de euros, quem não dorme és tu!
Um palerma disfarçado de Astérix
Disfarçado de Astérix, o palerma dos tacões altos anunciou com satisfação que o G20 decidiu acabar com os paraísos fiscais.
Diz-nos que serão todos banidos da comunidade internacional, caso não acabem com a pouca vergonha. Até mesmo o ordeiro e disciplinado Liechtenstein está sob pressão para uma rápida conformidade com as novas normas, o mesmo acontecendo com o membro neutral das nações unidas, a Suíça.
Suspeito que com estas boas notícias, prepara a terra da Liberdade, Igualdade e Fraternidade para algum ajuste, daqueles que nós já começamos a perceber como são feitos.
Já os Gauleses não suspeitam, logo não se preparam. Em breve os gauleses compreenderão que vivem num Inferno fiscal, pelo que o fim dos paraísos não lhes trará qualquer benefício.
Enquanto esse momento de clarividência não chega, o falso Astérix avança uma nova ideia, o chamado Núcleo Duro, ou seja construir um muro, uma barreira que divida o Euro de primeira do Euro de segunda. Brilhante chico-espertismo. Nada como declarar a Gália rica, antes que os Romanos a provem pobre.
Os aficionados e a lide
Anunciada que está a intenção da Alemanha aliviar a carga fiscal dos Germânicos, talvez agora se comece a perceber como algumas coisas funcionam.
Basta recuar na história e relembrar que o BCE, criado por todos nós, cidadãos da União Europeia, na proporção da riqueza de cada país, onde mesmo os que não aderiram ao Euro foram participantes, tinha por função ajudar toda a Europa. Em boa verdade com uma contribuição maioritária da Alemanha, inerente á sua posição em relação aos demais.
Existe ainda muita gente que não percebeu, porque é que se foram enviados capitais para o Banco Central Europeu, quando precisamos deles, temos de recorrer a outros bancos. Sabendo que esses que por sua vez vão á fonte do banco central, ou seja vão buscar o nosso dinheiro para nos emprestar taxando-o para ganhar com isso.
Nem Steve Wynn se terá lembrado duma ideia destas, quando inaugurou o Bellagio. O famoso casino do Ocean’s Eleven.
Com umas agências de rating á mistura, dando o seu contributo para majorar essas taxas, baixando as classificações dos países, tentando proporcionar maiores ganhos aos accionistas das instituições envolvidas no processo, deu num descalabro que já obrigou a perdoar metade da divida da Grécia.
Ora os que mais contribuíram, mas que por sinal esperariam ser os que mais ganhariam, estão descontentes pois são eles também participantes dos bancos que agora perderam e muito, do seu capital.
Apesar de não ser possível, pelo menos para já, quase dois terços dos Alemães já tencionavam aderir ao modelo de referendo para questões relacionadas com a moeda única, e com pressões arteriais altas há que tentar acalmar os ânimos. Os donos da praça tentam desta forma que as barreiras não sejam transpostas.
Para esta epopeia serão precisos verdadeiros forcados habituados às lides, que enfrentam o bicho de frente, os aficionados não aplaudem mais artistas sem formação tauromáquica, que tentam apenas as pegas de cernelha deixando o animal, embora mais lento, seguir o seu caminho.
Versão para iPod, iPad e iPhone
O G20, terá acordado publicitar, (entenda-se gratuitamente) sistematicamente a lista dos países que não fazem o que é preciso para abandonar um comportamento inadmissível, traduzido para os mais distraídos, os paraísos fiscais.
Para estarem actualizados, em cada cimeira irá ser divulgada a relação de países que são ou têm dentro deles, locais paradisíacos. Uma boa acção por parte dos donos do Mundo, mas paralelamente uma ferramenta destinada a baralhar.
Falta saber se constará da listagem a georreferenciação, útil para os ilustres das Nações desenvolvidas, decorrem já negociações para que esteja disponível para as mais variadas aplicações informáticas, quanto aos outros terão de procurar nos velhinhos atlas de folhas já amareladas pelo tempo que passaram nos sótãos.
Isto sim é solidariedade, o tempo é dinheiro e saber em primeira mão onde se encontram os locais onde o numerário pode ser ocultado da cobiça alheia é fundamental.
Até agora gastavam-se fortunas com gabinetes de advogados e especialistas na matéria, para que estes analisassem á lupa as leis, garantindo os melhores locais onde os gigantescos montantes poderiam descansar tranquilamente, doravante para ficar esclarecido basta marcarem presença na cimeira.
O dever da informação impõe-se, aqui ficam os participantes com lugar já garantido na competição, os chamados locais seguros.
Estão no campeonato, porque não adoptaram o quadro jurídico, Antígua e Barbuda, Barbados, Botswana, Brunei, Panamá, Seychelles, Trinidad e Tobago, Uruguai e Vanuatu.
Á fase de eliminatórias porque ainda não se qualificaram como países que aceitaram este quadro, estão a Suíça e o Liechtenstein. Jersey terá lugar honorário, pelo seu desempenho.
Um dos presentes na cimeira afirmou mesmo que há três anos tinha ameaçado deixar os demais ao desamparo se esta lista não fosse gerada, não estaria porventura disposto a fazer má figura por às escuras sobre o assunto.
Quiçá brevemente estará disponível no “ao leme” um kit com o “Modus Operandi” se ainda existirem vertebrados com maquias a transferir, certamente terá um atlas pois somos mais dados á aventura.
O Português mais importante do Mundo
Corre o rumor que o Português mais influente no mundo, terá desta feita comprometido a sua imparcialidade em prol de um motivo patriótico. A sua discreta acção de bastidores terá permitido o agendamento da visita do chefe de estado Português, Prof. Aníbal Cavaco Silva à Casa Branca no próximo dia 9 de Novembro deste ano.
A agenda de trabalhos não foi revelada, mas são conhecidas as preocupações do presidente norte-americano Barack Obama com o futuro da zona franca da Madeira, com as filas de espera nos pastéis de Belém e com o assoreamento da Ria Formosa, mesmo em frente à casa onde o democrata John Carry por vezes passa férias.
Preocupações obviamente partilhadas pelo seu homólogo Português, o qual tem sobre os temas proferido os seus clássicos avisos.
Está prevista ainda uma sessão fotográfica nos jardins da Casa Branca, durante a qual o presidente Português agraciará Bo, o Cão-de-água Português da família Obama, com a ordem honorífica do Mérito, em reconhecimento da sua abnegação em favor da colectividade Lusitana, nomeadamente a promoção da visita a Washington, DC.
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Heathcliff e Marmaduke
O sucesso está garantido a todo o enredo que tenha como personagens um cão e um gato. Heathcliff & Marmaduke, não são obviamente excepção.
A monotonia em tempos apontada a esta Banda Desenhada, é manifestamente injustificada. Um breve olhar sobre os jornais dos últimos dias confirma em absoluto a sua vitalidade. Vibrante e até apaixonante!
Celebrado o acordo de salvação, com altruísta perdão associado, ao virar a página surge a surpresa: De um lado, Marmaduke, o Grand Danois celebre pelas suas insólitas capacidades caninas. Do outro, o gato rafeiro Heathcliff.
Este último, movido pelo seu instinto felino anuncia um referendo. “Um referendo?” Exclama Marmaduke. Pressiona, avisando “não alteraremos as condições do perdão”.
Heathcliff justifica-se e classifica a iniciativa como preventiva, dando como prova a antecipação da substituição das chefias militares. Ao que parece, o golpe militar é temido no seu domicílio.
Marmaduke confessa-se surpreendido, pois tinha como adquirida a perca de soberania doméstica de Heathcliff.
Perigosa presunção, que a todos deixa em suspense até ao próximo livro, “O Ultimato da torneira fechada”.
Não o perca, até porque não pode!
Procurando a “Agulha de Marear”
Decorria já longa a faina do arrasto, nesta época ordenados por uma pretensa a lobo-do-mar ao estilo Capitão Haddock, os embarcadiços audazes esperavam encher porões com todos os tipos de peixe que pudessem apanhar nesta técnica que traz tudo na malha. Nestas correntes mesmo as espécies que ninguém aprecia têm a sua experiencia de vida, nadando como de salmões na época da desova se tratassem.
A Longas milhas dum porto seguro, com ventos contrários, o inesperado acontece, soa o alarme e algo ainda desconhecido vai enfraquecendo os comandos da embarcação. Reunida de emergência a tripulação afecta á ponte, conseguem adivinhar um problema no sistema hidráulico.
Capitã e seu imediato ordenam para que se estanque a fuga, remetem a função aos oficias de máquinas para que dêem fim ao incidente. Entretanto pairavam já á deriva, á mercê da ondulação agitada.
A cadeia de comando na secção do convés funcionou na perfeição, pensavam já na rápida continuidade da viagem, mas surge precipitado o mecânico de bordo qual Super Mário, informando que apenas dispõe de pequenos artefactos destinados às fugas.
Sempre se disse que, “quem vai ao mar avia-se em terra” mas para surpresa dos anfitriões, esta viagem antevia forçosamente uma história diferente. Decide-se então reunir toda a tripulação com a intenção de saberem qual a melhor solução, mas esta já nada quer além de continuar a sua labuta.
Incrédulos mas ainda sedentos do seu quinhão no final da faina, quase provocam um motim, as vozes dividem-se e as culpas multiplicam-se, a solução porém não tem fim á vista porque antes de zarpar não foram tidas as devidas cautelas.
O lubrificante que faz girar a engrenagem está a derramar-se, foi esquecida a manutenção e ele não chega ao seu destino, para que tudo funcione.
Numa tentativa de escapar á humilhação e às prováveis destituições, oficial e seu imediato, tentam estancar a fuga, sentindo os olhares atentos da tripulação, sabedores que nas artes de marear, esquecimentos destes podem dar direito a serem arrastados para o fundo.
Toda a restante frota mais nervosa que nunca, pede aos comandantes que exortem no sentido de conseguirem uma real união, em que todos arregacem as mangas.
Em terra firme está toda uma indústria esperançosa que a apanha resista, podendo assim ter mais uns tempos de alimento.
Um Dízimo da Responsabilidade
Tenho pena. Tenho pena do Vitor Gaspar, do Passos Coelho, do Sócrates e de todos os outros que arcam com todas as culpas dos orçamentos e PECs. Na verdade a culpa é nossa, dos eleitores, que nos deixamos levar pelas melodias de Hamelin tão bem executadas pelas suas máquinas de marketing e propaganda. Nada seria mais justo do que ter a capacidade de assumir diretamente parte da culpa, e da malapata, dos orçamentos de estado.
Como é meu apanágio não choro apenas para derramar lágrimas ao solo. Olhando para as poças salínicas vi que transformaram o chão em barro. Enchi a mão e joguei-o à parede para ver o que pegava. E o resultado é surpreendente. Segundo as borras na parede é possível aliviar a carga da culpa, que atola os nossos governantes, se fosse dada a autonomia, a quem assim o entendesse, para a distribuição de 10% do seu IRS. E para aumentar a parada podia ser dada essa benesse apenas a quem exercesse o seu direito de voto!
No final da declaração de IRS teríamos uma lista com as rubricas de Orçamento (Finanças, Saúde, Educação e Ciência, Solidariedade e Segurança Social, Defesa Nacional, Justiça, Agricultura, Cultura,etc) passíveis de serem afectas. Cada um dos eleitores que disseram presentes poderiam distribuir 100% de 10% do seu IRS, numa única ou em múltiplas rubricas. Isto sim seria um verdadeiro Orçamento Participativo com empenho cívico.
Desta forma distribuiamos ao povo 10% da culpa e apenas correríamos o risco de ser enganados em 90% do orçamento do país. Claro que sem os magalhães, e a sua famosa inteligência artificial capaz de nos conduzir à Venezuela utilizando navios made in Portugal via acordos por cumprir perpetuamente renovados, teremos de voltar a recorrer a métodos de cálculo arcaicos para definir as parcelas que queremos para cada rubrica. Poderemos falhar e escolher as rubricas que menos falta fazem desenvolver em Portugal. Poderemos apostar na Cultura quando são a Educação e Saúde que precisavam dos nossos 10% por inteiro. Não faz mal. Daremos mais valor a quem erra hoje 100% a nosso mandato, pegaremos numa cadeira e enfrentaremos o castigo de peito feito com a certeza de desta vez termos realmente participado no encher do balde de merda.
Back to the Future IV
Mais de duas décadas após o ultimo filme da trilogia “Back to the Future”, foi recentemente anunciado o quarto filme da saga.
Aquela que será a última sequela, antes da próxima, explora mais uma vez a fraternal relação entre o genial cientista do tempo, o Doutor Emmett Lathrop Brown e o seu voluntarioso amigo Marty McFly.
Desta feita, ‘Doc’ regressa à actualidade com notícias de 2014. Com ele traz importantes dados do futuro. Entre outros factos científicos, a descoberta que o ano tem 12 meses. Tão só e apenas.
Enquanto McFly se debate com as tabelas de retenção na fonte concebidas para 14 vencimentos, ´Doc’ pede que não se confundam as coisas. Temporárias são apenas as tabelas, tudo o resto é definitivo.
Marty sabe no seu íntimo que a majoração da retenção de IRS esperada para a função pública em 2012 não é acidental. Nada como minimizar a perca de receita provocada pelo corte na despesa.
Sem que seja necessário perguntar ao seu amigo ‘Doc’, sabe que as tabelas serão revistas em breve, e oportunamente aplicáveis também ao sector privado.
A ficha foi desligada da tomada, a todos sem excepção.
Ainda sem data de estreia, será seguramente um êxito de bilheteira. As previsões de vendas em merchandising e home cinema (DVD e Blu-Ray) são igualmente animadoras.
Trabalhar mais por menos ou Trabalhar melhor por menos?
Diz que a crise para ser resolvida precisa de mais liquidez, de mais consumo e mais produtividade. Os nossos governantes desdobram-se em overtime e diretas, trabalhando dezenas de horas por dia, para encontrar as medidas austeras tão necessárias para a nossa salvação.
E no meio de todas essas noites mal dormidas chegaram à brilhante conclusão de que para aumentar a produtividade é essencial evoluir das 35 horas semanais para as 40 horas semanais. 35 horas semanais são apenas 7 horas por dia. Para quem se gaba frequentemente de trabalhar 10, 12, 14 ou mais horas por dia, em prol do bem comum este é até um número ofensivo. Vai daí surgiu a ideia luminosa de somar apenas +1 horinha por dia ao sacrificio de cada um.
Vá, vá, só mais uma e os ganhos são enormes. A produtividade vai crescer tal como se pretende e depois há de se resolver o problema do consumo.
Afinal que outras formas existem de mostrar serviço depois de brincar com a taxação até ao limite do aceitável? Apesar de totalmente solidário com todas as medidas apresentadas que seguramente nos vão fazer seguir em frente, seja nesta legislatura, seja numa próxima que anule muito do que está a ser feito nesta, não pude deixar de reflectir em soluções alternativas.
Como tenho tempo para isso? Simples. Uso aquela fatia de tempo que nem é considerado horário de vida profissional, nem horário de vida pessoal. Aquelas duas horinhas que levo a chegar de casa ao trabalho e vice-versa. Que transformam as 7 horas de trabalho em 9 e as futuras 8 em 10. São as chamadas horas do limbo que só servem para queimar tempo de trabalho e tempo de vida pessoal. Horas inimputáveis, onde tudo o que acontece não tem registo passível de consulta futura, que os elementos do círculo social consideram pertencentes ao horário do foro laboral e os elementos do círculo profissional consideram pertencer ao horário do foro pessoal.
Senhores do governo ide buscar as calculadoras, ou os abácos, com que mais gostais de trabalhar na matemática orgásmica que leva à flutuação cósmica dos nossos indíces económicos. Singrai comigo por estes números:
- 12% Taxa de Desemprego = Mais de 600 000 Desempregados
- 99,7% das Empresas são PME = Mais de 300 000 com média de 8 colaboradores cada.
As empresas querem mais produtividade mas não querem mais custos. Logo a ideia do aumento de ‘apenas’ mais uma hora por dia sem reflexo na folha salarial é algo que encaixa na perfeição do ponto de vista de uma gestão focada em números. Para o trabalhador em si o aumento dessa hora de trabalho não lhe traz qualquer benefício directo vindo até complicar a sua vida pessoal pois terá de reajustar horários para coisas mundanas como largar e apanhar miudos na escola, apanhar transportes, fazer as compras de mercearia, preparar jantar, etc. Fait-divers é certo, sem impacto no plano económico e mapas a entregar à Troika e Bruxelas.
Há quem diga que esta é uma medida cega que não tem em conta os níveis de felicidade e motivação das pessoas e que não terá os resultados esperados. Falam de um tal de índice de felicidade, um conceito terceiro mundista criado por gente parva que acredita na realização pessoal e espiritualidade para atingir a felicidade. Mas quem é que pode acreditar que a curva de produção de um individuo desce a partir de determinado número de horas de laboração e que a prazo esse ser humano está condenado à infelicidade pessoal e social devido aos laços que é obrigado a cortar para manter esse ritmo intenso de trabalho?
Se isso fosse verdade, e estivesse provado por estudos laborais científicos pioneiros e estrategicamente ignorados, então o caminho a tomar seria completamente o inverso. Seria o de aumentar a produtividade e o emprego através da redução do horário de trabalho. Em vez de 35 horas semanais de trabalho teríamos apenas 30 horas que poderiam ser executadas em 5 dias de 6 horas ou 4 dias de 7 horas e meia. Num assolo de justiça social e profissional essa redução seria acompanhada por uma redução salarial do equivalente a 20 horas de trabalho, sensivelmente a remuneração de 3 dias úteis de trabalho, que seja.
Com isto conseguir-se-ia contribuir para a manutenção da sanidade mental, vigor e motivação dos trabalhadores portugueses, mesmo debaixo do fogo da taxação extra-ordinária, e permitir aos empresários, com devidas medidas de apoio, a contratação de mais um colaborador por cada 6 para compensar as horas de produtividade direta ‘perdidas’. Assim de rajada esta loucura utópica permitiria:
- A criação de dezenas a centenas de milhares de postos de trabalhos sem aumento dos custos directos para os empregadores (300 000 PMEs * 8 Colaboradores / 6 = número máximo de empregos gerados para absorver diminuição de horas);
- Aumentar os índices de consumo em função da renovada distribuição de rendimentos pela maior população activa;
- A adopção de semana de 4 dias de trabalho (que poderiam ser diferentes 2ª a 5ª para uns e 3ª a 6ª para outros) iria aliviar o número de acidentes na estrada, a emissão de CO2 e necessidades de manutenção das principais estradas que teriam uma carga de utilização menor;
- Redução do Absentismo e Aumento da Produtividade devido ao aumento da motivação e níveis de concentração;
- Aumento do Retorno da Taxação sobre Consumo e de IRS;
- Alívio Segurança Social com diminuição do Desemprego;
- Dar aos Portugueses a oportunidade de experimentar um novo estilo de vida com mais tempo para si e para os seus e ocupar os novos tempos livres para fazer algo do seu gosto pessoal que alivie a carga negativa da crise social e financeira e contribua para melhorar a sua saúde física e mental.
Tenho a perfeita noção de que esta não é uma solução blindada porque para os casos de administradores que acumulam funções em dezenas de empresas a perda desta hora poderia significar o descalabro em várias delas. Não faz sentido que as empresas sejam privadas do meio dia, ou mesmo dia integral, mensal que estes administradores investem na sua boa condução. Pelo que talvez para os administradores de empresas realmente deva ser aprovado o aumento de horas para quiçá conseguirem mesmo gerir centenas de empresas em simultâneo.
Por outro lado é uma incógnita que reacção teriam os Portugueses a esta quebra de horário e de rendimento. Estão tão habituados a ter apenas a quebra de rendimentos sem benesse social ou pessoal que há o risco de serem gerados graves distúrbios sociais senão mesmo a tão temida guerra social preconizada por muitos agentes políticos. Fomos educados ao longo do tempo para apertar o cinto e/ou baixar as calcinhas com mais ou menos choradinho. Isto é um género de troca de calças por calções que nem é carne nem peixe. Não saberiam se é bom ou é mau por isso o melhor seria partir para a violência por via da dúvida.
Estas são ideias progressistas que claramente só podem sair da cabeça de pessoas com tempo a mais para pensar em vez de estarem simplesmente a trabalhar. Espero que os nossos governantes continuem as suas jornadas de dezenas de horas diárias de laboração e não tenham tempo para ler estes disparates pois só assim chegámos até aqui e chegaremos lá longe ao fundo do túnel mais dia menos dia. Quero também relembrá-los que o limite máximo de horário semanal na União Europeia é de 48 horas pelo que se é para aumentar ainda têm bastante folga. Que sejamos primeiro num dos índices de actividade a nível europeu! Seja como os que mais trabalham ou como os que menos trabalham. Pelo menos no papel. Isso encher-nos-ia de um orgulho e felicidade imensa que seria meio caminho para vencer esta crise que nos assola.








