Author Archives: Nuno Faria

Banco Yin Yang

Good Bank vs Bad BankNão havendo muito mais a acrescentar em termos de opiniões do caso BES e/ou GES arrisco-me a aventurar por caminhos alternativos de pensamento. Faço-o porque não acredito na separação plena do bem e do mal, o equilíbrio dá-se na harmoniosa convivência de ambos. Além de que não basta separar donos, marcas, activos e passivos.

No seio do BES continuarão empregadas muitas pessoas envolvidas nas decisões ou na sua execução. Pessoas que terão tido contacto directo com o refogado, que podiam ter ligado ao 112 para alguém desligar o lume antes que se desse a queima do repasto e mesmo o estragar do tacho. Se a sua mentalidade e obediência se mantiver a recorrência é possível e provável.

Olhando para o balanço consolidado do BES vê-se que realmente o rombo dos milhares de milhões de euros falados arrebenta com todos os rácios de solvabilidade só que isso não invalida que esteja ainda ali muito dinheiro, mais de 36 mil milhões em depósitos, mais de 45 mil milhões de créditos a clientes e pelo outro lado mais de 16 mil milhões de dívida a credores.

Dodd-Frank Falls Short on ‘Too Big to Fail’ BailoutsQuando falam em “too big to fail” vêm-me à cabeça os perto de 10 mil milhões de euros acumulados que o estado utilizou para tapar os buracos BPN, BPP e agora BES. Esses 10 mil milhões não seriam suficientes para remendar as rupturas que pudessem surgir? Num cenário de queda de um banco como o BES seria natural que os penalizados directos fossem os seus accionistas e investidores, os depósitos deveriam ser salvaguardos na integridade pois é essa a natureza de um instrumento financeiro de poupança com baixa rentabilidade, aos credores caberia a divisão dos despojos remanescentes. Ou seja, a queda de um banco só deveria provocar prejuízos em quem tem com ele uma relação com risco associado. É quem nele investe e quem lhe dá crédito que deve exigir boa gestão, avaliação e regulação independente. Já aos clientes de crédito sairia um género de jackpot pois na prática a entidade credora deixaria de existir. E com isto o verdadeiro prejuízo ficava ao nível das baleias da alta finança. Na economia teríamos até uma injecção de capital indirecta pois todos aqueles que deixavam de cumprir com as suas obrigações de crédito passavam a dispôr do valor dessas prestações para investir e consumir. O dinheiro continuaria a fluir mas de outra forma.

Fala-se na fraca regulação estatal, ou de entidades centrais, que deixam passar estes casos complexos sendo que essa displacência, apesar de criticada, acaba por ser aceite de ânimo leve porque os credores do banco que quase cai são tendencialmente protegidos. Os planos de revitalização de um banco em dificuldades são feitos sobretudo para que este consiga cumprir com as suas obrigações de endividamento e não propriamente para salvaguardar interesses dos seus clientes ou accionistas.

Não me parece que seja penalizando a concorrência nacional do seu sector de actividade que a coisa fica melhor composta. A melhor forma de apertar as malhas e recursos dedicados à fiscalização e regularização é precisamente deixar que as consequências subam as cascatas de capital, como um salmão que vai desovar um caviar pútrido na bandeja dos lambões dos juros sobre empréstimos de alto volume.

Na minha óptica o cerne do problema é precisamente o estancar do propagar das consequências, pelo que a melhor forma de rapidamente reformular toda a monitorização e regulação dos mercados financeiros seria com medidas como:

  • “Even giants may fail” – na queda de um banco todos os depósitos seriam garantidos, os créditos a clientes seriam dado como fundo perdido (total ou parcial em função do montante ainda em dívida vs montante inicial), os credores dividiram activos remanescentes, accionistas e investidores assumiriam por inteiro o risco e a má gestão. Desta maneira iriam surgir organicamente muito mais condicionantes ao surgimento dos gigantes bem como mecanismos de supervisão sobre a sua gestão;
  • “Offshore? Of course!” – toda e qualquer entidade que utilize mecanismos offshore para suavizar as suas contas teria de pagar um imposto especial de prevenção à fraude económica. Uma tributação significativa e variável em função do número de empresas e offshores por si constituídas vs volume de negócio da entidade. A intenção não será propriamente o seu fim mas proporcionar meios para que o que nelas se passa seja muito mais transparente;
  • Maior responsabilidade a gestores de 2ª linha e executores de planos de gestão fraudulenta – incomodar os cabecilhas não basta, é preciso que também os seus crentes e fiéis executantes, que tenham um nível de know-how sufiente para perceber no que estão envolvidos, sejam indiciados como membros activos da concretização da gestão danosa. Eles devem ser a primeira linha da garantia de consciência e rectidão de gestão;
  • Recompensa indexada ao valor da fraude – criar mecanismos que permitam a denúncia com protecção de anonimato e que recompense os denunciantes com um valor monetário indexado ao volume da fraude. Para compensar a honestidade e também para que os possíveis ganhos com o envolvimento no esquema de fraude tenham concorrência forte para os mais susceptíveis ao untar de mãos para pautar a sua acção e consciência;

Este seria um novo ambiente que não seria presunçoso ao ponto de se achar capaz de dizer qual é/será o banco bom e o banco mau do momento. Um sistema onde todos os bancos são Yin Yang, capazes do melhor e do pior, alternadamente, em perfeito equilíbrio e auto-correcção.

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Isolofobia: Orgulhosamente juntos

How to Be DifferentHá dois dias ouvi uma comunicação do nosso primeiro ministro, relativa à adesão da Guiné Equatorial à CPLP, que me transtornou bastante pois representa bem a génese de uma certa forma de estar portuguesa: a isolofobia

Nem vou aqui discutir se a Guiné Equatorial deve ou não deve aceder à CPLP, se lá estivemos uns séculos  provavelmente fizemos estragos suficientes para que nos mereçam essa consideração, até porque a bem dizer já temos na caderneta uns quantos cromos raros de oligarquias e ditaduras mais ou menos disfarçadas. É um género de Karma e por outro lado acredito que os bons valores se passam pela convivência condicionada e não pela ostracização. Desde que seja a democracia a contaminar a ditadura e não o contrário parece-me bem.

Voltando ao ponto de partida, que trauma será este que demonstramos continuamente, o de não querermos ficar só e isolados mesmo que em defesa de valores legítimos e íntegros? Desde empresários, banqueiros e investidores que embarcam juntos em esquemas obscuros de alta rentabilidade para não ficarem sozinhos com os instrumentos financeiros de média e baixa rentabilidade, políticos que se anulam para manter a paz e o grupo unido evitando uma liderança isolada, no mundo laboral e autárquico proliferam nomeações para criar um ambiente de trabalho mais coeso e acolhedor afastando a solidão, e por fim até os comuns cidadãos que compactuam com pequenas trafulhices, não porque concordem com a sua justiça mas sim porque todos os outros o fazem e não o fazer é ser estúpido, sozinho.

Oliveira e Costa promete revelações no ParlamentoIronicamente na ponta oposta temos homens capazes de assumir as culpas sozinhos, mesmo que existam muitos outros culpados com quem andaram de mãos dadas. Julgo que este mecanismo de convicção própria, plena, independente e sobretudo pessoal e intransmissível  só é despoletada por um complexo processo que conduz ao “tenho quase tudo perdido… resta-me apenas lucrar com o evitar da perdição de outros, assumindo as culpas integralmente e só”.

Num passado não muito distante o “orgulhosamente sós” foi um lema de regime mas também uma forma de estar de muitos portugueses que de forma quase isolada enfrentavam o regime em pequenas insurgências pessoais, que cumpriam solitária por sozinhos desafiarem o sistema, que tomavam a decisão de contra tudo e contra todos desertar de guerras ultra-marinas que não lhes faziam sentido. Apesar da conotação negativa que foi dada a essa expressão, pelo seu uso em discurso de Salazar, a verdade é que estar orgulhosamente só é uma característica essencial para despoletar grandes mudanças de forma eticamente admirável.

SPREAD THE WORD ABOUT THE TIANANMEN SQUARE MASSACRE!

Como seu expoente máximo temos Ghandi e Mandela que a partir da sua recusa pessoal, em aceitar o sistema vingente, geraram movimentos de multidões imparáveis. E tem uma tal força que a sua demonstração pública sem pudor, mesmo que a fundo perdido, é capaz de inspirar gerações futuras a lutar pelos seus ideais de justiça.

Ontem Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho poderão ter caído numa armadilha diplomática, quando Obiang irrompeu pela sala como membro efectivo da CPLP antes de qualquer discussão e votação que o oficializasse, ficarão nessa fotografia incomóda cuja imagem é indelével. Só lhes ficaria bem compensar a situação erguendo a sua voz, a voz de Portugal, contra toda e qualquer situação de violação da democracia dos direitos humanos por parte do novo e de qualquer dos membros da CPLP.

Chamem-me fascista, chamem-me antiquado, mas admito preferir sentir fazer parte de um Portugal ostensivo de um incómodo “Orgulhosamente Sós!” do que de um resignado e submisso “…orgulhosamente…juntos…”

Aristides de Sousa Mendes

*** PROGRAMA DA TROIKA ***

*** BEM-VINDO À INSTALAÇÃO DO PROGRAMA DA TROIKA ***

Antes de mais queira saber que lamentamos ter chegado ao ponto de ser necessária a nossa intervenção para recuperar a operacionalidade total dos seus recursos disponíveis. Provavelmente terá descurado a administração de sistemas ou sofrido da infecção por viroses que desviam e absorvem toda a energia produtiva via sugadouros obscuros.

Felizmente tomou a decisão acertada ao recorrer ao nosso programa para correcção de erros e recuperação de danos causados pela sua desleixada gestão autónoma. Beneficie de décadas de experiência acumulada onde temos crescido com os nossos próprios erros.

Contudo devemos preveni-lo que trabalhamos em baixo nível, usando um low profile de sistema e executando mudanças estruturais muito para além do ponto de restauro de segurança. Existem riscos e eventos inesperados que podem levar este programa a danificar o seu sistema.

Tem a certeza que quer instalar este programa?
> Sim_

Detectamos a execução de firewalls e antivirus. Para evitar falsos alertas o Programa da Troika terá de desligar todo o tipo de programas de regulação, monitorização e protecção contra ameças externas. Deseja continuar a instalação?
> Sim_

Desinstalando todo o tipo de Firewalls e Antí-Virus existentes no sistema……. OK

A Troika está a analisar os seus recursos………. !!! ………. ??? ………. €€€ …….

Detectamos uma série de pastas escondidas que ocupam um grande número de recursos disponíveis. Pretende
[1] tornar essas pastas visíveis para análise e histórico do desperdício em termos de volume e autores do seu consumo
[2] remover pastas sem manutenção de histórico impossibilitando apuramento de acontecimentos e responsabilidades
> 2_
Removendo pastas invisíveis……………….. OK
A Troika está a analisar os seus recursos…………………… recursos insuficientes para a instalação!

Para garantir o sucesso da instalação será necessária a remoção de parte ou da totalidade dos seus ficheiro pessoais e essenciais sem garantias de backup. Deseja continuar a instalação?
> Sim_

Obrigado pela solícita autorização expressa para a instalação do Programa da Troika!
Por precaução e para evitar a contaminação do novo sistema procederemos a uma formatação total do sistema actual.

Formatando………. OK
Alocando recursos necessários para execução do sistema operativo….. OK
Estabelecendo novas políticas e regras de funcionamento….. OK
Instalando agentes necessários para monitorização…….. OK

Parabens! O seu novo sistema operativo está devidamente instalado! Para garantir o seu correcto funcionamento não terá permissões para instalar qualquer outro tipo de programa.
> abrir pasta pessoal_
ERRO: Pasta não existente!
> abrir rede social_
ERRO: Pasta não existente!
> criar pasta pessoal_
ERRO: não tem permissões para criar pastas pessoais
> criar pasta qualquer_
ERRO: não tem permissões para criar pastas quaisquer
> help_
ERRO: comando não reconhecido
> uninstall_
Confirma que pretende a saída do Programa da Troika?
> Sim_

Removendo ficheiros do programa da Troika………OK
Preparando sistema para facilitar futura instalação do programa da Troika……OK
O programa da Troika terminou a sua saída limpa.
Após o reiniciar proceda à instalação de novo sistema operativo.

Loading…………
ERRO: não existe um sistema operativo instalado!
> D:\luzfundotunel\install.exe_

*** BEM-VINDO À INSTALAÇÃO DA LUZ AO FUNDO DO TÚNEL ***
O sistema operativo Luz ao Fundo do Túnel é um software gratuito construído por todos para todos. Garantimos governação e operacionalidade sem custos externos nem desperdício de recursos.

Estamos a analisar os seus recursos……………………………………………………
ERRO: Insuficiência de recursos ou recursos existentes irremediavelmente danificados!

> D:\programatroika\reinstall.exe_

Dança com Antónios

Antes de mais um mea culpa.

Não tenho cumprido com o meu dever de agitar das águas na tentativa de limpeza do convés.

Não sei que vos diga. São baldes de água fria a mais para dias de verão a menos.

Uma equipa de futebol que decide suar a camisola da selecção tanto como o trabalhador médio Português sua a camisola da sua empresa, um grande grupo económico que usa Angola como território ‘aceitável’ para execução de fraudes e tráfico de influências ‘inaceitáveis’, um governo sombra de si próprio num auto-eclipse que dura há meses e por fim uma luta fraternal pelo lugar de capitão da tripulação alternativa.

Parece não haver escapatória, nem moratória, mesmo reconhecendo-se ser o mais sensato.

Vamos pagar, vamos mirrar, vamos tolerar.

Mal ou bem continuaremos fiéis a esta forma de ser Portugal.

Mas foquemo-nos no bailarico. O PS assume-se como a melhor escola de dança do país. Se queres dançar e não tens par chama o António, se queres dançar e não tens pernas chama os Antónios. Os Antónios são assim tipo gémeos siameses separados ao sufrágio. Apesar de partilharem o mesmo útero suspeita-se que tenham paternidades diferentes, isto se tivermos por base apenas as suas tezes, porque geneticamente é difícil apontar-lhes diferenças. Um aguentou à tona a jangada socialista, o outro refugiou-se em terra firme e diz-se agora mais qualificado para abordagem ao galeão nacional. Os sábios corsários de outrora apoiam agora o homem vindo da Costa, estando o aprendiz de pirata dependente, mas Seguro, do apoio popular que optou por convocar.

E são estas primárias que me dão alguma esperança. A esperança de que surja alguém inesperado, alguém que seja globalmente vilipendiado, alguém que com aparente destrambelho, suba ao pulpito, discurse o não dito pelos adversários e, sem saber bem como, acabe por vencer desmontando o aparelho. Porque estes dois, estes dois são coelhos de uma mesma cartola, meros acessórios dos mesmos ilusionistas que criaram esta falácia estatal.

Estranhamente, apercebo-me que a solução para quebra de ciclo poderá passar por um género de fenómeno Cavaco Silva à socialista.

E agora vou vomitar.

http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/delito-de-opiniao-6136475

 

Pensar em grande, votar em pequenos

Aqui há dois dias fui surpreendido pela compreensão choque de que as eleições europeias são já este Domingo! Uma campanha que não se sente na rua, que não tem expressão nos media, praticamente inexistente. Claro que o ciclo se renova e agora o PS pede um castigo dos partidos no poder, coisa que as sondagens prevêm acontecer qb. Tal como muitos não tenho ainda firmado onde recairá o meu voto e chego a recorrer à bruxa para encontrar o caminho.

Um lugar no parlamento europeu, para além da suposta representatividade dos interesses de Portugal, representa uma vida cómoda do ponto de vista financeiro. Em adenda quando se dê a saída do parlamento europeu existe um subsídio de apoio à reintegração na vida activa ao estilo de subsídio de desemprego igualmente chorudo. Tal como no parlamento português existe uma panóplia de famílias políticas com a união de esquerdas, união de centristas, união de direitas, etc. E tal como nele existe uma tendencial flutuação entre uma maior representatividade do centro-esquerda e uma maior representatividade do centro-direita, existindo depois outras facções mais marginais.

Pus-me a matutar em acções de ‘terrorismo’ eleitoral que pudessem dar uma pedrada no charco e vim parar ao facto da abstenção nas eleições europeias (>60%) ser bem mais alta do que a abstenção nas eleições nacionais (>40%). O que só beneficia os candidatos dos maiores partidos pois a proporção de votos dos seus fiéis e crentes eleitores aumenta em muito o seu peso face ao diminuído universo de votantes.

Contudo estes 20% de diferencial na abstenção dão-me esperança para a possibilidade de usar estas eleições como real arma política. Se apenas estes 20% decidirem votar podem ter grande influência na configuração da representação portuguesa!

Compreendo que nas eleições nacionais exista um maior receio de delegar o voto, que não se quer dar aos ‘grandes’ do costume, num pequeno partido. O refúgio acaba por ser um voto nulo, em branco ou mesmo a abstenção. Acabando mais uma vez por só fortalecer o peso dos chamados ‘grandes’.

Para evitar essa rasteira auto-infligida, faço aqui uma proposta criativa para a tentativa de geração de uma onda de manifestação de insatisfação para com os aparelhos partidários responsáveis pela nossa situação: o voto válido num pequeno partido!

E de que forma votar num pequeno partido nestas eleições europeias pode ajudar a mudar algo? Provavelmente não mudará nada no imediato mas serviria de um grande sinal de alerta e sobretudo de meio de preparação de melhores políticos. Se a predominância dos votos nas europeias fosse distribuída pelos pequenos partidos estaríamos a:

  • Levar para o parlamento europeu ideias e argumentos alternativos aliados à tenacidade destes novos agentes do nosso tecido político. Mostraríamos assim que nós, Portugueses, estamos saturados de ser manipulados pelos amigos ?do alheio? do costume, estando a atingir o ponto de ruptura para com o status quo instalado sem receio do desconhecido;
  • Dar aos políticos emergentes, com menos holofotes e  presença em palco, uma experiência internacional permitindo-lhes contacto com formas de trabalho e correntes de pensamento díspares para que retornem mais fortes e mais capazes;
  • Permitir aos pequenos peixes nutrir-se do fitoplâncton europeu passando a um regime de dieta os actuais tubarões e baleias do nosso panorama político. Por outras palavras os deputados europeus destes pequenos partidos poderão amealhar uma quantia simpática que podem colocar ao serviço dos seus partidos para maior financiamento autónomo de campanhas em futuras eleições nacionais;
  • Assustar realmente os partidos nacionais tradicionalmente mais votados com esta demonstração de desbloqueio mental no acto do voto, criando assim um cenário imprevísivel para o resultado das próximas eleições para a Assembleia da República;

O mais importante seria ganhar a coragem de votar num pequeno partido sem provas dadas, com ideias inovadoras e fracturantes, com o qual apenas simpatizamos mas ainda não confiamos plenamente. Chamem-lhe um salto de fé ou um benefício da dúvida. Durante um ano poderíamos avaliar o seu desempenho no Parlamento Europeu e a sua evolução. Mesmo que não tenhamos a coragem de lhes atribuir voto nas eleições em 2015 teríamos mais 3 anos de levedação e a partir de 2018 saberíamos se valeu ou não a pena o investimento.

Corro o risco de estar a pensar demais, isto seria uma coisa em grande, sendo o meu único consolo o facto de apesar de tudo ainda ter a capacidade de sonhar. E vocês?

5 PEQUENOS PARTIDOS A CONSIDERAR NESTAS ELEIÇÕES> Saber mais sobre 5 Pequenos Partidos a Considerar nestas Eleições <

Pontuação dos valores de Abril

A Troika, deveras admirada pelo meigo apego demonstrado pelos Portugueses, perguntou a Passos Coelho quantos zeros à esquerda possuem os tão falados valores de Abril.

Passos, indignado, responde que à esquerda não existem quaisquer zeros que sejam um valor Seguro, o futuro está nos zeros à direita!

No acumular de pequenas fracções irrisórias que geram milhares de milhões de euros em receitas. O segredo está na gestão da revelação da soma adicional de cada uma destas parcelas por forma a que a balança, cega, não dê pelo ultrapassar do limite de excesso de carga.

E sobretudo ter o cuidado de não fazer com que o povo deixe de virgular e passe a pontuar. Tal como na conveniente interpretação da legislação a continuidade do poder e governação alicerça-se na ínfima e grandiosa vírgula. Há que eliminar do raciocínio do povo a capacidade de exprimir qualquer pontuação.

O ponto de exclamação é o mais fácil. Basta ao melhor estilo Português lançar sucessivos boatos incendiários e/ou de corte e costura pelos canais oficiais não oficiais. Uns diz que disse, uns exageros, umas hipóteses no cimo da mesa, algo escandaloso como “cada Português terá de contribuir com um lingote de ouro no porão para lastrar o país” Algo que possa ser prontamente rebatido com contra-informação correctiva que introduza medidas retrácteis como “cada Português terá de contribuir com 1/100 de um lingote de ouro no porão para lastrar o país” Que mesmo sendo muito duras são uma grande melhoria vs o inferno que seria o primeiramente anunciado.  Com o passar do tempo esse 1/100 poderá caminhar para 1/10 ou mesmo 1/1 sem que exista manifestação de espanto e repúdio devido à saturação com os enredos da novela governativa.

O ponto de interrogação exige mais coragem. Demonstração de uma firmeza rudimentar, de um quero posso e mando, em que um “Porque sim” ou “Sou o único capaz de indicar o caminho pois só eu detenho o conhecimento total sobre todo o cenário” são as respostas a todas e quaisquer questões pertinentes ou impertinentes. Esta é a forma de melhor instalar o “Não quero saber” ou “Não vale a pena” permitindo a tão desejada indiferença e desinteresse para com as decisões governativas. Perguntar para quê se a resposta é a cassete do costume?

O ponto final é o mais perigoso. Felizmente só pode ocorrer de 4 em 4 anos pelo que pode ser o foco total da atenção no último ano da garantia eleitoral, até porque obriga à anulação das medidas acima tomadas. Apesar de aparentemente antagónico, para evitar o ponto final, há que recuperar os níveis mínimos de pontos de exclamação e interrogação. A arte está em recuperar apenas aqueles que dão jeito! Para que então sejam ouvidos, compreendidos e aceites. Como efeitos colaterais podem surgir exclamações e interrogações relativas à escandalosa redescoberta da audição, compreensão e aceitação da voz do povo. A tentação para aplicar a receita, mais atrás prescrita, para a sua extinção será muito grande e deve ser evitada a todo o custo. A manutenção do virgular exige contenção nesta fase. Se tudo correr bem é evitado o ponto final e uma nova vírgula abre um novo e longo capítulo onde se pode respirar tranquilamente o renovado período de garantia governativa com a receita do costume.

No fundo, apesar dos cortes na área da Cultura, o nosso governo sabe que a boa vida é como a fusão de uma longa à la Manoel de Oliveira com um guião escrito ao estilo de José Saramago,

Oxford comma

Revolução para um Novo Estado Corporativo

25 DE AMOR LIBERDADE

Nos 40 anos de 25 de Abril indiscutivelmente poderemos celebrar a liberdade e a democracia. Esta última existindo como uma ferramenta que não é culpada do uso inadequado que lhe é dado pelos executores da governação. Quanto a justiça e igualdade há ainda muito a fazer.

O sistema actual evidentemente está em colapso demonstrando cada vez mais ser uma fachada de interesses que procuram extrair a maior riqueza possível da sociedade e do planeta. Fizeram-no durante décadas, sem preocupação com danos colaterais, atigindo-se agora o limite do suportável em termos de sustentabilidade e tolerância. No passado a grande maioria dos estados já foram fortemente corporativos, característica comum a sistemas pouco democráticos onde ocorria a nacionalização monopolista da maioria da economia, tendo transitado para um liberalismo económico que procurava a distribuição da actividade económica sobre o maior número de indíviduos possível.

Social liberalism and economic inequality

Décadas depois parece que em alguns sectores essenciais o mercantilismo está de volta. Seja no mundo, seja em Portugal. Sectores básicos da economia são dominados por empresas corporativas (nacionais ou multi-nacionais) que exploram um filão de consumidores garantidos. Todas as pessoas no mundo têm necessidade de água, energia, comer, cuidados de saúde, transportes, comunicar e ferramentas de gestão financeira. Estes são bens ou serviços essenciais à vida que devem ter um fornecimento e custo justo garantido.

Actualmente vemos o Estado a privatizar completamente vários sectores essenciais argumentando que o seu principal papel deve ser o de regulador e não de agente económico. A experiência de regulação no passado demonstra que é muito mais reactiva do preventiva tendo ocorrido sucessivos abusos em vários sectores como a banca, os combustíveis, etc, fazendo-nos por vezes passar por uma República das Bananas.

Market monopoliesIronicamente, com o passar do tempo, verifica-se uma concentração do peso da economia nacional num pequeno número de grupos económicos, alguns detidos por famílias poderosas. Em alguns sectores o liberalismo deu lugar a um novo mercantilismo, com dois ou três grandes players a disputar um mercado de milhões de consumidores garantidos e milhares de milhões de euros, que pode ser considerado ‘legítimo’ pois a nova posição de poder foi conquistada a pulso. Felizmente alguns deram-se ao trabalho de escavar acabando por traçar o desenho da maior parte do nosso ecossistema político-económico evidenciando a sua falta de diluição em termos de principais agentes e decisores económicos.

O que me leva a perguntar para que queremos um Estado regulador incompentente se podemos ter um Estado regulador interveniente? Nada regula melhor o mercado do que um concorrente que proporcione serviços básicos a custo justo. Esse concorrente será sempre o patamar mínimo da qualidade de serviço que só poderá ser vencido por oferta de serviço de melhor qualidade ou pelo mesmo nível de serviço a menor custo.

O Estado pode e deve ser um agente económico activo nos sectores essenciais à vida e à sociedade. Deve ter capacidade de gestão de empresas estatais, geridas como empresas privadas, não deve ter pudor em beneficiar de lucros que obtenha dessa actividade que pode aplicar em investimento ou canalizar para suprimir a despesa do Estado. Existindo uma gestão adequada, e não politizada, é quase impossível o prejuízo em sectores com consumo garantido. Para um Estado Corporativo com preocupações sociais ter empresas que não gerem lucro, ou mesmo que tenham prejuízos ligeiros, podem ser comportáveis e justificáveis, desde que devidamente compensadas com outras mais lucrativas. A sustentabilidade não deve ser vista por empresa mas sim pelo Estado Corporativo global. Alguns exemplos de bens e serviços em que o Estado deveria estar ou manter-se presente e porquê:

  • Alimentação e Distribuição – pelo menos a nível da Agricultura o Estado deveria estar envolvido na dinamização e comercialização da produção nacional. Depois de aniquilados os pequenos mercados e praças locais temos hoje as grandes superfícies a praticar preços proibitivos nos chamados ‘frescos’. Pelo menos criar uma rede de atalhos locais entre produtores e consumidores iria dinamizar produção e trazer justiça à sua comercialização. Hoje as grandes superfícies são a única grande solução para escoar produtos e a não existência massiva dessa oferta noutros locais concorrenciais só ajudam a reforçar ainda mais essa realidade.
  • Eléctricas – é a fonte de energia mais utilizada, é obtida a partir da exploração de recursos naturais e é um bem essencial que deveria ser garantido a quem não tenha rendimento para garantir o funcionamento de 1 TV, 1 Frigorífico e iluminação nocturna desde o pôr-do-sol às 00h;
  • Petrolíferas – ainda a maior fonte energética utilizada para alimentar a locomoção de meios de transporte;
  • Águas – essencial à agricultura e à vida, elemento fundamental de acções de saneamento e limpeza, obtida a partir da exploração de recursos naturais e é um bem essencial que deveria ser garantido a quem não tenha rendimento para garantir cozinhados e higiene mínima aceitável;
  • Banca – ter um NIB é elemento essencial a muitas acções do quotidiano, desde a procura de emprego, pagamento ou recebimento de contas ou impostos e deveria ser garantida a existência de uma conta a custo zero a cada cidadão e sem comissões pelo menos para cidadãos com rendimento abaixo de determinado valor;
  • Educação – um sistema de ensino público deve continuar a existir com a maior abragência e qualidade possível com taxas de gratuitas a um valor justo em função dos rendimentos;
  • Saúde – o SNS deve continuar a existir com a maior abragência e qualidade possível com taxas de gratuitas a um valor justo em função dos rendimentos;
  • Transportes – deveria existir uma rede de transportes públicos (não interessa se rodoviária, ferroviária, marítima, aérea ou mista) a garantir a ligação da maior parte possível do território com preços gratuitos a um valor justo em função dos rendimentos;
  • Comunicações – garantir serviço mínimo de distribuição postal, TV, internet e telefone. O envio de correspondência, 4 canais, largura de banda de 2 Mbits e possuir telefone fixo deveriam ser uma base gratuita para os portugueses sem rendimentos e daí para frente ter custos e níveis de serviço justos. Não existe operadora que dê resposta a quem queira apenas os canais portugueses e/ou internet por exemplo. A base mínima de serviço triple pay anda sensivelmente nos 40 € / mês após período promocional da adesão. Os clientes são hoje obrigados a um tudo ou nada conformando-se com a falta de opções.

E assim teríamos um Estado regulador através da concorrência saudável que garantiria os serviços mínimos com custo justo a quem com eles se satisfaça. Uma acção de regulação passaria não por fiscalização e sugestão mas por real política comercial mais ou menos agressiva em função da tendência de preços e relação com consumidores vigente em determinado sector. Um combate aos cartéis utilizando a sua linguagem e as suas armas.

Garantido o essencial para ter uma sociedade mais justa e equalitária deixemos aos empreendedores o complementar dos serviços básicos com o criar e fornecer outros bens e serviços inovadores ou especializados. Ao longo do tempo podem ser encerradas e criadas novas empresas estatais à medida que desaparecem e surgem bens e serviços considerados essenciais.

O Estado Corporativo estaria então omnipresente na economia de primeira necessidade sem ser monopolista nem um concorrente agressivo em busca de conquista de maior fatia de mercado.  Tudo isto com plena separação de poderes entre a acção governativa e a gestão empresarial destas empresas.

Um desafio para uma revolução futura?

Corporate World: State of Power 2014

Compreensão da Confiança dos Mercados

Recentemente ouvi na rádio alguém ligado ao governo a malhar nos assinantes do famoso Manifesto dos 70 dizendo que emitem opinião sem ter conhecimento aprofundado sobre os problemas do país. Mais recentemente ouvi Durão Barroso em entrevista a dizer que o manifesto foi um erro crasso que veio fragilizar a posição de Portugal nos mercados.

Pus-me a pensar e realmente reconheço que conhecimento sobre a situação real é algo que não é partilhado com os portugueses. E coloquei-me no lugar de um investidor internacional. Afinal se actualmente estão com indíces de confiança no investimento da nossa dívida equiparados aos de 2009 é porque a análise puramente lógica, racional e fria dos números, nos permite tirar conclusões positivas e optimistas sobre o nosso futuro.

Sendo assim compilei aqui uma série de indicadores que espero virem a trazer algum esclarecimento sobre a lógica dos mercados face ao investimento na dívida de Portugal. Comparei a informação disponível à data das boas taxas de juro em dois períodos no tempo.

Indicador 2010/01 2014/03 Observações
Juros Dívida a 5 anos <3% <3% Revelador do mesmo nível de confiança no investimento na nossa dívida pública.
Dívida Pública em % PIB 78,8% 130% Um aumento estrondoso do nosso endividamento que nos torna mais dependentes e ‘submissos’ a credores.
Dívida Pública 132 747,3 M€ 204 252,3 M€ 51 pontos percentuais acima são +72 mil milhões de euros em dívida
População Residente 10 568 247 10 514 844 Menos 54 mil pessoas? Os mais de 200 mil emigrantes ainda contam?
População Activa 5 582 700 5 389 400 Ok, aqui está em linha com números de emigração! Bom trabalho nesta contagem!
População Empregada 5 054 100 4 978 200 Talvez fosse bom definir o que é um emprego? Só em 2013 contabilizavam-se menos 229 mil postos de trabalho.
Taxa de Desemprego 9,5% 16,3% Quase o dobro em termos oficiais. Juntando os ‘desencorajados’ e o real ainda é pior!
População Desempregada 528 600 875 900 Sem pudor podemos falar de 1 MILHÂO de desempregados!
Receita IRS 8 950,9 M€ 9 085,5 M€ Menos postos de trabalho e mais receita de IRS? O governo só pode estar a fazer qualquer coisa bem…
Número de Empresas 1 198 781 1 062 782 Por artes mágicas desapareceram mais de 135 mil empresas em quatro anos. Magia negra?
Receita IRC 4 540,3 M€ 4 280,5 M€ Uma perda de mais de 1 900 € por falência.
Emigração ??? 121 418 Sem números de 2009 é ainda mais corajoso o incentivo ao desconhecido: a emigração.
Nascimentos 99 941 89 841 Menos bocas, menos consumo, menos despesa.
Idosos
por cada 100 jovens
118 130 Calma, o corte contínuo e progressivo de pensões poderá ajudar a corrigir isto.
Despesa com
Administração Pública
83 874,4 M€ 78 243,8 M€ 5 mil milhões de euros a menos de despesas sendo que 2 mil milhões resultam dos cortes em pensões e salários da função pública.
Salário Mínimo 450 € 485 € Boa boa, uma evolução de 5 € ao ano. Quase que dá para absorver um dia do aumento dos custos em transportes, energia e bens de primeira necessidade.
Taxa Risco Pobreza
(antes de transferências sociais)
43,4% 45,4% Ok, mantemos uma certa uniformidade com quase metade da população portuguesa no limear da pobreza se não tiver qualquer apoio social.
Taxa Risco Pobreza
(após transferências sociais)
17,9% 17,9% Boa, neste indicador não andámos para trás! Graças a Deus que muitos pobres potenciais emigraram em massa!
Consumo Privado 110 546,8 M€ 111 954,7 M€ Apesar de tudo gastámos mais dinheiro! Nada como um aumento do custo de vida para polir um indicador económico.
Volume de Negócios do Retalho da SONAE em Portugal 1 132,6 M€ 3 415,0 M€ Mesmo em tempos de crise ainda há quem saiba fazer a ordenha!
Volume de Negócios do Retalho da Jerónimo Martins em Portugal 2 193,6 M€ 3 250,0 M€ A crise tem pelo menos duas boas ordenhas!

Curioso como os indicadores atenuam e mascaram por completo a realidade social vivida e sentida pela população.
Desperta-me particularmente curiosidade o facto de empresas como a SONAE e Jerónimo Martins aumentarem os lucros nas suas redes de distribuição Continente e Pingo Doce. Isto porque quem frequenta os seus espaços comerciais vê com frequência as pessoas a fazer as suas escolhas em função do preço e não da qualidade do produto. O que me leva a especular que os portugueses andam a pagar menos, para comer pior, com lucros maiores para quem aparentemente ‘facilita’ a aquisição com custo mínimo de mercado. E os seus fornecedores? Poderão gabar-se de tal aumento de volume de negócios?

Para concluir olhando para a informação, fácil e publicamente disponível, um investidor atento a pormenores poderia resumir a análise de Portugal em início de 2014 vs Portugal em início de 2010 com 3 chavões 1) o Portugal de hoje está mais endividado, 2) com menos consumo (diminuição de poder de compra e menos consumidores devido a cortes, desemprego e emigração) e 3) com um estado mais fragilizado que terá de cortar apoio social à quase metade da população que ainda se mantém no limiar da pobreza.

Se em início de 2010 com os dados disponíveis os investidores projectavam um cenário optimista, hoje com os dados em cima da mesa o cenário não pode de todo ser idêntico ao idealizado na altura. Ou seja, um investidor na divida pública Portuguesa só pode estar a borrifar-se para os indicadores sócio-económicos do nosso país. ‘Provavelmente’ existem factores externos que anulam a necessidade de valorizar estes números. Caso contrário a única explicação alternativa possível seria uma hipotética manipulação das taxas de juro, à medida das necessidades da manutenção de estabilidade de um sistema político e económico que vive no ponto de equílibrio entre o retirar a máxima rendibilidade das dificuldades de um país e o garantir da sustentabilidade do mesmo.

Será que estas variáveis podem explicar o inexplicável?

2010/01 2014/03
Próximas Eleições Europeias Junho de 2014 Junho de 2014
Peso de Portugal na Coerência da Europa Residual Crítico
Maior Responsável por Governação no último triénio Governo Português Troika
Portugal = Bandeira da Aplicação de
Fórmulas Austeras de Gestão Governamental
Não Sim

Resumindo as baixas taxas de juro nada têm a ver com a melhoria da vida em Portugal mas sim com a garantia de que a teta para estes lados pode continuar a jorrar, mesmo que com um caudal mais fraquito. “It’s all about money”, tal como comprovado pela tentativa de recompra da dívida para baixar despesas com juros futuros que ficou aquém das expectativas porque os seus detentores preferem aguardar pela colecta dos juros contratualizados à data da sua compra do que antecipar uma receita mais baixa. O seu lema?

 

“Estamos cá para ajudar(-nos)”

No Spend Update, Interest Rates, Rich People And Money

Sites e Artigos de Referência:
Juros da dívida a cinco e dez anos estreiam novos mínimos do início de 2010
Dívida pública portuguesa deve superar os 130% do PIB em 2014
Juros da dívida a cinco e dez anos estreiam novos mínimos do início de 2010
Volume de negócios da Sonae cresce 6% em 2009
Lucro da Sonae SGPS atinge 319 milhões de euros em 2013
Grupo Jerónimo Martins divulga Vendas 2009
Vendas da Jerónimo Martins deverão ter crescido 11,8% em 2013
Guia de perguntas e respostas para acompanhar os juros da dívidaHá 4,5 milhões de pobres
PORDATA

Portugal, país más grande que qualquer outro

Portugal, país más grande que qualquer outro
hoje e sempre será a mais altíssima e mais viçosa folha de Outono
Seus terrenos pantanosos, pretensamente estéreis
são na verdade mui férteis, neles germinando multi-variados tributos onerosos
Tão necessários à sobrevivência da mais alta finesse
A única capaz de garantir a navegação na maionese

Foi-se o tempo em que, fracos, caíamos como Tordos
Agora voamos! Emigramos mais ou menos tortos
Trocámos o mandar da toalha ao chão pelo bilhete de avião
Operamos a mudança com vuuuuuuuuuuuuuuuum em vez de PUM PUM PUM!

Fiéis à raiz da nossa democracia ainda cravamos
Notas, moedas d’oiro e cobre, muitos centavos cascalhos
Ser bom português não implica cantar um fado
Ser bom português é não dar despesa ao estado

Hoje poucos sabem o que é ter o prazer de viver até morrer
Talvez por isso vos foda a cabeça em tons de escárnio e mal-dizer

Essa cambada de filhos da tuta e meia
Vendem Portugal ao desbarato como quem bons ventos semeia

Quem nos governa?
É merda

Repito

QUEM NOS GOVERNA?
É MERDA!

Merda, merda, MERDA

Sem um pingo de carácter nem espinha dorsal
Merda desnutrida que não alimenta mosca nem besouro
Só capaz de montar um privado arraial
em torno do real e público tesouro

Gaspar a mascote que cá esteve ronronar e vai agora FMIar, é sério, não é trote
Relvas o homem só que nenhum cão quer ver sobre o seu cócó
Manchete o malade de la tête perdido nalguma secreta enquête
Poiares Maduro o literário que nada vale sem o seu fundo comunitário
Aguiar Branco o das forças armadas que busca estaleiro capaz de blindar decisões às forças amadas
Crato o educador de aço, utilizador de balas educadas, revestidas a amianto, na prática do tiro ao prato, não sabendo o que fazer com os cacos do seu estilhaço
Portas e seus mercados, mestre da distribuição de recados
Passos Coelho o unificador, está para a boa esperança como o famigerado Adamastor
Cavaco em agonia, o erradicador do cheiro a sovaco, saudosista da sua própria antagonia

N outras cousas ao estilo BPN
Alto! Banqueiros não! Assim reza a prescrição

Quem nos desgoverna?
Profissionais da política
Arautos da chama Olímpica
Executores de pancadas paralíticas
Gente semítica, raquítica, Excel analítica

Portugal, país más grande que qualquer outro
Queira o seu povo matar o polvo
Coragem ou viagem
vuuuuuuuuuuuuuuuuuuum

 

Portugal: analogia de um crime

No final de Janeiro assaltaram-me a casa. Foi evento de estreia.
Como não há muito a fazer acabo por digerir a coisa fazendo um exercício de analogia entre o sucedido e o cenário em Portugal.

Os sinais eram evidentes. Assaltos a casas em redor durante semanas. Apesar de tudo nunca coloquei em causa também eu ser um alvo possível. Até porque tenho três cães de guarda. Tinha algum dinheiro em casa que estava na primeira gaveta da cómoda do quarto sem qualquer tipo de camuflagem.

Os ladrões aproveitaram um dia de intempérie, com muita turbulência e chuva torrencial, para executarem o roubo. Dominaram os cães à pedrada e com spray atordoante. Tentaram arrombar a porta até que rapidamente detectaram uma janela com trinco avariado, entraram, foram directos ao quarto, encontraram o dinheiro e sairam sem mais demora. Um trabalho limpo e rápido sem grandes desarrumos.

Ao chegar a casa tinha vizinhos / testemunhas que viram tudo quando a chuva amainou. Estavam três no meu terreno, dois no carro de apoio à fuga, aparentemente ciganos. Um vizinho que por eles passou lado a lado disse-me que eram assim escuros, com um ar de deliquentes, pensou serem amigos meus que estaria a receber em casa.

Chamei a polícia, na minha zona sou servido pela GNR, e chega um grupo de agentes que posteriormente chama a brigada de investigação pois haviam indícios que podiam ajudar numa investigação em curso. Quando dei por mim tinha 5 polícias em mini-comício no corredor discutindo o roubo das suas condições feito pelo estado e a necessidade de agir com manifestações de larga escala.

Posteriormente os investigadores foram falar com todos os vizinhos / testemunhas e qual não é o meu espanto quando quase todos os relatos minuciosos sobre a forma de agir e aspecto dos ladrões se reduzem a uns “não vi muito bem porque estava ao longe”, por vezes com testemunhos precedidos de um “não me envolva no processo que não quero ter nada a ver com isso! Não quero perder tempo nem gastar dinheiro para ir a tribunal!”. Um dos vizinhos que tinha passado pelo carro dos ladrões disse que não podia deslocar-se ao posto da GNR no dia seguinte para olhar para umas viaturas porque era desempregado e não podia suportar a deslocação.

No relatório da GNR, que fui assinar no FDS seguinte, relatavam que tinha sido assaltado por dois indíviduos segundo relato de vizinha que não pôde ser identificada. Quando coloquei em causa o relato, uma vez que eram cinco e que só não identificaram quem não quiseram, lembraram-se que tinha lá estado a brigada de investigação logo não fazia mal a discrepância. Eles só têm de relatar as coisas mais ou menos como aconteceram. Os investigadores é que são os especialistas. Além do mais se forem apanhados, e seguirem para tribunal, são soltos antes sequer do agente acabar de preencher a papelada protocular.

O que tem isto a ver com Portugal?

Este relato transpira o tradicional ser Português. A vida corre-nos bem porque raio nos devemos preocupar com os sinais de degradação do ‘ecossistema’ que ocorrem em nosso redor? Tal como aconteceu na era de bonança em que o crescendo generalizado das condições de vida nos cegou para a hecatombe que haveria de vir.

As nossas mais valias são por vezes desbaratadas estando à mão de semear daqueles que as cobiçam secretamente, aguardando a oportunidade ideal para as tomar facilmente. Ao estilo das recentes privatizações. Aparentemente a culpa é dos políticos e decisores locais, no entanto os beneficiários são organizações mundiais organizadas peritas em pilhagem legal.

Em teoria as nossas forças armadas estão de prontidão preparados para o que der e vier. No entanto há o real risco de o equipamento ser inadequado, desiludindo quando posto à prova por uma situação real.

Tal como nós, os com pele mais ‘tonificada’, os políticos são todos iguais, todos a mesma escumalha. E desta forma preferimos não participar em actos eleitorais, ao invés de arriscar dar oportunidade a ideias menos usuais defendidas por outros políticos. Ironicamente com o voto em branco ou abstenção acabam por dar ainda mais força aos partidos históricos da nossa democracia.

“Não me pagam para isto!” Um clássico para justificar o laxismo e a incúria. Entra-se em pescada de rabo na boca. No imediato não se trabalha o que se deve porque não nos pagam o que é justo, no longo prazo dá-se o vice-versa e a razão perdeu-se pelo meio. Até nas manifestações há filhos e enteados e aparentemente a indignação de uns suplanta-se à de outros.

Os portugueses são lestos a exigir justiça ao mesmo tempo que vemos, toleramos e compactuamos com injustiças. Todos prestamos e usufruimos dos nossos pequenos compadrios, sem ponderar que independentemente do valor do favor estamos a minar os alicerces da imparcialidade e igualdade.  Aparentemente a justiça dá demasiado trabalho, demasiadas dores de cabeça, tendo muito pouco retorno. Pelo que nos damos por contentes em ladrar e rosnar enquanto o saque trespassa.

Nós olhamos mas não vemos, temos os dados todos ao nosso dispôr mas não pensamos nem planeamos. Fiamo-nos nos especialistas internacionais que disso se ocupam a tempo inteiro. Homens zelosos pela manutenção da democracia e soberania em cada estado membro, desde que os números o permitam.

Dá para concluir alguma coisa desta confusão?

A solução para ambas as situações começa a caminhar para o sujar de mãos. Se queremos tirar os bandidos do poleiro talvez a solução seja um tiro certeiro. Diferentes pessoas de diferentes meios e diferentes classes sociais cada vez mais expressam o seu desabafo em forma de

“Isto só lá vai quando alguns gatunos aparecerem esticados no meio da rua…”

O que quer dizer que o sistema poderá voltar-se contra ele próprio. Apesar de artilhado para desencorajar os mais audazes ele começa a fraquejar. Se as forças de protecção têm meios cada vez mais inadequados, se todos embrutecemos iguais, se as testemunhas caminham para cegas, surdas e mudas desinteressadas, se não vale a pena planear o futuro martirizando-nos com a austeridade presente, em breve surgirá alguém, anónimo, invisível, sem nada a perder que num acesso espontâneo de loucura, transfigurada de clareza iluminada, deixe um ou dois estendidos no meio da rua.

E talvez aí todos vejamos o quão estamos errados.

alienation & revolution