Author Archives: Nuno Faria

Desilusão à Canhota

Numa altura em que o feitiço se vira contra o feiticeiro e seus aliados, esperemos que do big bang surja a exploração de novas vias, convém não deixar ao esquecimento o caldo da poção mágica nacional.

A meu ver o Largo do Rato pariu uma colina. Um assento de baixa altitude, sem a solidez da visão possibilitada por maior altitude que permitisse o alargar em muito o horizonte vislumbrado. Nitidamente BE e PCP voltam a baquear, ao invés de ousar subir o degrau que se colocou à sua frente para ascender um patamar na participação activa nas futuras decisões políticas.

Este acordo não passa de um projecto de estabilidade, de um auto de fé, na crença mútua de que ambos os lados cederão o suficiente para que o outro continue a cumprir o seu papel. Na prática deixará o PS refém de um contínuo debate político, dentro de sedes, negociando a pré-aprovação de cada orçamento e cada medida com maior impacto na sociedade. BE e PCP assumem não querer dar a cara por um governo do qual serão a sombra inequívoca.

Já no passado me desapontaram quando se ausentaram das reuniões de preparação do programa da Troika e agora parece estarem a repetir a dose. Pergunto-me se querem ser vistos como o antídoto porque raio temem assim tanto o convívio com as víboras? Muito me aprazeria tê-los ‘infiltrados’ no governo confiando na sua capacidade de detectar, divulgar, e corrigir anomalias de sistema. Desta forma vejo-os agora como padecendo de uma certa cobardia, demasiado confortáveis na sua posição de críticos e delatores dos erros de outrem, quiçá tementes de segurar parte das rédeas e de perder os renovados votos de confiança.

Vejo em tudo isto apenas uma certa continuidade de um calculado e partidário jogo político. O PS julgará que BE e PCP não poderão esticar demasiado a corda pois se o fizerem, e por isso cair o seu governo, a factura política ser-lhe-ás demasiado alta com hipotética transferência de votos para o PS. BE e PCP por sua vez pensarão o inverso, que o PS não se poderá colar em demasia à rota delineada pela Troika e pelo anterior governo PSD-CDS, caso contrário terão plena justificação para deixar cair o governo PS, reforçando a sua própria idoneidade, e assim penalizar o aldrabão PS nas próximas eleições colhendo uma boa parte dos seus eleitores. A PàF já vaticinou este cenário e espera também vir a poder rentabilizá-lo em termos de votos alegando evidente irresponsabilidade da união de esquerda.

Lamento, mas esta não é de todo a solução à esquerda que esperaria e que me daria alguma esperança de uma verdadeira mudança. Ao ponto de até eu vir a ser condescendente para com Cavaco Silva se este decidir não acreditar neste formato de governação.

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FIMFA: Infiltração na Governação

Estava-se mesmo a ver que isto ia acontecer.

Neste momento joga-se o tudo ou nada num legitimidade da indigitação de um governo de continuidade desta coligação vs golpe de secretaria de um homem com ambição desmedida para ser primeiro-ministro.

Por princípio, e por tudo o que representam em termos de passado, não votei em nenhum dos dois partidos mais votados mas não posso ficar indiferente às opções de governação para as quais António Costa parece estar disponível. Esta disponibilidade para um casamento com BE e/ou CDU demonstra que, ao contrário da minha percepção inicial, António Costa pode realmente não ser mais um fantoche do sistema. Um homem do sistema jamais correria o risco de infiltrar a ‘extrema-esquerda’ e os ‘comunas’ no circuito de informações e decisões privilegiadas do estado. Um homem do sistema não cometeria a loucura de colocar em risco o sistema através de uma injecção de gente aguerrida com ideais e convicções de justiça e igualdade, gente com a mania da transparência que pode mandar por terra a opacidade que tanto tempo levou a contruir, gente capaz de colocar em causa as competências das nomeações certeiras em cargos cimeiros de agentes de confiança.

António Costa é um homem inteligente e ciente do que implica uma aliança mais à esquerda. Neste momento está debaixo de fogo, sob a pressão opressora do sistema, inclusive a partir do interior do seu próprio partido. Não creio que esteja a fazer bluff pois qualquer repentina simpatia pela PàF e o PS corre o risco de fazer PUF!

António Costa sabe perfeitamente que o BE e CDU não aparentam ser ‘domesticáveis’ e terá de estar preparado para levar uma ou outra mordidela na mão com que pensa alimentá-los. Por outro lado terá ali os seus cães de caça ferozes, feras que poderá soltar sempre que conveniente para farejar e sacrificar alguns dos interesses instalados no nosso delicado ecossistema. Mais não seja para fazer alguma limpeza à casa sem sujar as mãos do PS directamente.

Apesar de não necessariamente voluntária, ou expectável à partida, esta seria uma cabal prova de uma mudança de mentalidade e de acção política. Algo que certamente seria muito bem recebido pelos mais de 50% de eleitores portugueses votantes que escolheram uma viragem à esquerda.

Claro que posso estar enganado, talvez o BE e CDU, uma vez infiltrados no sistema, sejam na verdade seduzidos por este e se tornem novas máfias a quem é ofertado um quinhão exclusivo da exploração de Portugal. Caso isso aconteça nas próximas eleições lá teremos de dar mais ouvidos, e quiçá oportunidade de execução literal das suas ideias, aos que os tratam por putedo e gritam sem pudor “Morte aos Traidores!”

Espero sinceramente que em breve se faça história política e que no final de todo este jogo de sedução e traição não se revele somente como mais uma fantochada inconsequente.

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O Voto Útil

O voto útil não é temente à projecção de cenários catastróficos.

O voto útil não é permeável à influência de sondagens manhosas.

O voto útil é sereno.

O voto útil é voluntário.

O voto útil é corajoso.

O voto útil não é fiel. A esquerdas, a direitas, a partidos nem a personalidades.

O voto útil tem memória.

O voto útil não premeia culpados.

O voto útil é feito em consciência. Do estado da sua vida pessoal, do estado da vida dos que lhe são próximos, do estado da vida dos demais.

O voto útil é altruísta.

O voto útil muda o destino do país.

O voto útil é uma simples cruz certeira. Arma derradeira contra a tríade do voto cego, voto egoísta e voto do compadrio.

O voto útil é uma espécie rara, em vias de extinção.

O voto útil é o meu.

E o seu?

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Quando o sonho comandava a vida

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Sondagens recentes dão números na ordem dos 40% à PàF e dos 30% ao PS, parece que os últimos 40 anos não foram suficientes para que os portugueses façam uma análise imparcial e objectiva às suas políticas. Como se o cenário actual não fosse um resultado directo delas. Como se esses governantes, coitadinhos, tivessem feito o melhor que se podia perante as condições existentes.

Apesar de tudo estas sondagens têm o seu quê de interesse.

  1. A abstenção é tratada exactamente pelo seu peso político, zero, e nem merece menção no estudo;
  2. Dão a entender que votar nos 2x principais candidatos é, apesar de tudo, o mais sensato empurrando os indecisos para o seguir da manada;
  3. Deixam no ar a ideia de que a decisão, sobre a quem vamos entregar a responsabilidade de governação nos próximos 4x anos, é uma coisa volátil, ao ponto de se alterar significativamente de dia para dia, como se fosse esta ou aquela nova gaffe / revelação, que transitasse assim a opinião de alguém que hoje se diz apoiante ou oposição do partido X. Terão também as intenções de votos se tornado um acto irrevogável?
  4. A serem um retrato fiel do resultado das eleições ao momento então o medo de ?algo? pior seria o grande responsável pela preferência por um austero mas estável e conhecido mal menor. Assim pior não fica, não é?

Lembro-me de em criança me ser repetido o mote “as crianças de hoje são o futuro do nosso amanhã” e agora, vendo como as coisas estão, adulto que sou, tenho de reconhecer que algo falhou pelo caminho. O que terá acontecido ao sistema que pega em crianças cheias de potencial e as transforma em adultos que não sabem sequer entender a linguagem política, fazer uma análise de números, perceber o impacto de leis e orçamento do estado nas suas vidas? Perceber que o estado são elas, elas são o estado, e os governantes facínoras e/ou medíocres não são mais do que um reflexo do seu povo?
O pior de tudo é algures pelo caminho conseguirem a aniquilação da capacidade de sonhar, do ser destemido, do acreditar que bons ventos virão, do pôr os interesses comuns à frente de interesses pessoais. Foramos todos crianças e provavelmente ainda teríamos sonhos pelos quais lutaríamos com todas as nossas forças numa tentativa da sua concretização. Como por exemplo:

  • Vivermos centrados na felicidade colectiva e não num egoísmo materialista! #1 #2 #3
  • Banir todo o tipo de caça! #1
  • Dar casa a todas pessoas sem abrigo! #1
  • Viver de forma sustentável e usar apenas fontes de energia limpas e renováveis! #1 #2 #3
  • Sermos governados por pessoas justas e íntegras! #1 #2

Infelizmente somos agora Portugueses adultos, bem cientes da realidade possível, com medo dos demónios e bichos-papões que habitam nos caminhos alternativos à continuidade. Ironicamente, vista de  fora, a nossa segura realidade é interpretada como uma divertida fantasia surreal.

E assim, derrotados pelo terror de poder vir a ter uma vida ainda pior, deixámos de ter a capacidade de ser comandados pelo sonho de poder vir a ter uma vida melhor.

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Anti-Zombies #5: Armageddon Apolítico

Afinal que consequências práticas teria o ressuscitar de todos estes zombies inócuos?

Assumindo que os votos recuperados não seriam distribuídos pelos partidos da alternância ‘democrática’ dos últimos 40 anos, responsáveis pela maléfica proliferação de zombies, o mais provável cenário de final de votação seria o da incapacidade de formação de governo por parte de um único partido ou de uma coligação bi-partidária.

Só existiriam três cenários.

1) a conversação multi-partidária para a criação de um ‘governo de salvação nacional’ (finalmente a concretização do sonho do nosso PR);

2) a marcação de novas eleições, isto tendo em conta as vincadas incompatibilidades já manifestadas por vários dos líderes políticos com presença no nosso parlamento. Novo ciclo de eleições completamente diferente, com debates que reflectissem o novo peso político de cada partido, recentrados em linguagem simples e objectiva, verdade política, honestidade intelectual e realidade social, onde não existiriam quaisquer certezas quanto ao resultado final das votações;

3) a força dos ex-zombies provoca um terramoto político e delega em novos partidos e novas caras a responsabilidade da governação.

Seja como fôr nada seria como dantes. Seria a ruptura total para com o sistema vigente. Uma demonstração de coragem do povo português e punição directa dos responsáveis pelo estado da nação, começando pelo actual PR que ao invés de um final de mandato sereno teria de gerir todo este caos político e social.

A meu ver, ao contrário do ensaio sobre a lucidez de José Saramago, é a votação massiva que pode forçar a mudança do sistema. A nulidade só tem até hoje servido para o branqueamento e legitimação das decisões delapidares de património, cultura e sociedade.

Por tudo isto, pelo bem do nosso futuro, declaro aberta a temporada de caça aos zombies.

Boa sorte e boa pontaria!

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Anti-Zombies #4: diáspora

Uma das maiores falanges de zombies, engordada recentemente, é enganadora quanto ao seu verdadeiro peso e força, pois lá diz o ditado que longe da vista, longe do coração. Só que há muito sangue luso a pulsar no coração desta diáspora! Se não sucumbirem à ratoeira da transformação em zombie estes PORTUGUESES adquiriram o distanciamento necessário e contacto com outras culturas, sociedades e políticas que lhes permite ter uma avaliação diferente do nível de democracia, sociedade e governação em Portugal.

Muito útil seria a votação em massa destes Portugueses emigrantes, mesmo os que saiem com ideia de não voltar estão destinados à lusitana saudade, pelo que os destinos de Portugal, apesar de não os afectarem no imediato, farão o seu impacto no momento do retorno.

Existem mecanismos para o recenseamento e voto no estrangeiro, que no entanto devem ser exercidos com muita cautela! Isto porque por vezes o zombie pode ser criado por aberrantes alquimias contra a vontade do próprio.

Se algo correr mal o último recurso anti-zombie será uma visita forçada a Portugal para um misto do matar de saudades e do exercer do direito de voto.

Mais uma vez um país interessado na defesa da sua democracia poderia tomar medidas que estimulassem o voto dos seus emigrantes, como por exemplo no período envolvente às eleições levar a TAP a promover campanhas de voos a preços low-cost a partir das capitais dos principais países de emigração. Para que a diáspora, que não activou os mecanismos de voto à distância, considere juntar o útil ao agradável, visitando o seu país e família  exercendo ao mesmo tempo o seu direito de voto.

Como seria estonteante a adesão massiva dos nossos emigrados, apanhando de surpresa os políticos que se fiam no quem está fora não racha lenha.

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Anti-Zombies #3: estudantes, migrados, doentes e reclusos

Há zombies com mais azar do que outros. Uns palmilham centenas de Km, só encontrando sustento muito longe do ponto de partida a que chamam de casa, outros estão debilitados fisicamente com dificuldades de locomoção, outros há que de tão mau comportamento em vida estão confinados a 4x paredes privados de liberdade.

Pois para cada um dos casos existe a fantástica possibilidade de voto antecipado e em alguns casos mesmo voto à distância. O que quer dizer que na prática, a distância ou condicionantes que impeçam a deslocação, apesar de obstáculos não são necessariamente bloqueadores do exercício de voto! Havendo vontade sempre é menos uma desculpa para se tornar mais um zombie inútil!

Também há aqueles que se desculpam pelo facto de estarem recenseados na freguesia onde cresceram, apesar de já viverem há décadas numa outra freguesia após saída de casa para vida indepente. A esses há que revelar que basta alterar a morada do cartão de cidadão para comodamente passarem a votar num local perto de si.

Mesmo assim há os que realmente estão deslocados temporariamente. Por isso, tendo em conta os altos níveis de abstencionismo,  diria que em prol da democracia se poderiam tomar medidas pró-voto como por exemplo:

  • abolição de portagens no FDS das eleições;
  • abolição ou redução drástica de custos de transportes inter-regionais no FDS das eleições (comboios e expressos);
  • obrigatoriedade de pelo menos um evento de campanha eleitoral em cada prisão do país com representação de todos os partidos a votos;
  • permitir o voto presencial em freguesias distintas que seria canalizado por via postal para a freguesia de recenseamento;

Desta forma o factor custo deixaria de ser uma barreira, como é hoje em dia para muita gente trabalhadora, permitindo a fusão entre o cumprir do seu dever de eleitor e uma visita barata à sua zona e aos seus.

Já o evento nas prisões faria parte de um processo de verdadeira inclusão, uma vez que os reclusos não tem facilidade de acesso a meios informativos, ajudando as prisões a cumprir com a sua missão de re-habilitação e re-integração.

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Anti-Zombies #2: os fantasmas

Fantasmas são todos aqueles que estão muito além do alcance das máquinas de propaganda e engodo do período de campanha eleitoral. Alguns deles foram zombies e continuam a estar-se a lixar para o governo do novo reino onde se encontram, outros foram acérrimos defensores da democracia, conquista ainda da sua época, e são agora almas penadas. Todos estes fantasmas vinculados a uma semi-existência terrena pelo constar do seu nome nos cadernos eleitorais.

Especulo que uma das razões para tal situação possa ter sido o frenesim de destruição do lápis azul ter também levado à extinção inadvertida dos meios correctores, como as únicas borrachas especiais capazes de apagar nomes de defuntos dos cadernos eleitorais.

Temos assim mais de um milhão de eleitores fantasmas que juntos representam no imediato cerca de 10% de abstenção. Fica aqui este alerta aos zombies ainda possuidores de um corpo, de que ao sê-lo poderão ter um sentimento de pertença de grupo, de comportamento de manada rebelde, que na verdade é etéreo apesar de ter implicações nefastas que se manifestam no mundo físico.

É realmente muito estranho que não existam mecanismos ágeis e automáticos para secar as listas eleitorais já que não só pode desvirtuar os números de abstenção como pode dar azo a uma utilização de documentos falsos para exercício de votos indevidos. Sem pensar muito porque não retirar imediatamente o direito de voto a todos aqueles que não se apresentem a votos em duas eleições legislativas? Quem quisesse voltar a ter direito de voto faria novo recenseamento. Quem estivesse morto poderia seguir viagem para o seu último destino.

Não existe risco de prejuízo para ninguém, afinal ser zombie ou fantasma equivale a uma certa não existência apesar de materializada num peculiar tipo de ser.

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Anti-Zombies #1 – Genesis

zombie |zômbì|
(palavra inglesa)
substantivo de dois géneros
mesmo que morto-vivo
Plural: zombies
mor·to·-vi·vo
substantivo masculino
1. [Ocultismo] Cadáver que se crê ter voltado à vida por meios mágicos.
2. Indivíduo com aspecto de moribundo.
3. Indivíduo apático, sem ânimo ou capacidade de reacção.
Plural: mortos-vivos

Bem-vindos a Setembro, bem-vindos à campanha eleitoral, bem-vindos à nossa democracia.
Espero que as férias tenham sido excelentes para todos sem pensar em política nem nas agruras da vida causadas pela governação dos últimos anos.

Eis que é chegado o momento de fazer a diferença. Sim, é verdade, chegou aquela altura em que realmente contamos  e podemos mudar o rumo do país. Ai estão elas! As fresquinhas e apetitosas legislativas de 2015!

Que relação tem esta reentré bloguista, e celebração, com a definição de zombies que a precede? Simples. Desde sensivelmente 2010 que realmente (sobre)viver é um terror para muita gente, aqui e ali se foi verificando muita acefalia, quer da parte de governantes, quer da parte de governados.

É este o princípio básico de um zombie, um ser moribundo, sem cérebro, que necessita do cérebro dos outros para continuar a existir. Assim são todos aqueles que não exercem o seu direito de voto. Os INCONSEQUENTES Zombies Abstencionistas e Zombies Nulos/Brancos. Que na prática delegam nos outros as decisões com impacto directo nas suas vidas.

Este movimento anti-zombies é uma medida preventiva contra os zombies eleitorais que pensam estar a marcar uma posição quando na verdade estão apenas a colocar mais um prego no seu, peço desculpa, no nosso, caixão.

Uma vez que o voto não é obrigatório procurarei também sugerir medidas e apresentar argumentos que possam estimular o cumprimento do nosso dever cívico, sobretudo em alturas como a actual. O primeiro de todos é o facto de existirem bem mais partidos do que aqueles que já exerceram governação ou se encontrama actualmente no parlamento. Ao invés de sucumbir ao estado zombie pode começar por ter a coragem de retirar poder aos grandes e dar espaço aos pequenos.

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As 50 Sombras de Grey

Visualizadas as entrevistas recentes é surpreendente, mesmo impressionante, a forma com que Pedro Passos Coelho surge a enfrentar as questões que lhe são colocadas. Com um vigor, discurso e postura transmissores de uma certeza e confiança apenas capazes de ser desmontadas por quem esteja devidamente informado e preparado. O que tendo em conta o perfil do nosso eleitorado se traduz num risco real de reeleição!

Numa analogia rápida e contemporânea Passos Coelho está para Mr. Grey como o eleitorado está para Mrs Robison. Este último desconfia que o primeiro aplique métodos não ortodoxos, até dolorosos, para atingir a felicidade e apesar de todas as evidências sucumbe ao seu encanto e carisma, assumindo o risco  de um ou outro excessso.

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Também recentemente tivemos um Paulo Portas muito humilde e agradecido por nele acreditarem, satisfeito com o seu trabalho de bastidores que potenciou a economia portuguesa e definiu limites aos caprichos de Mr. Grey. Paulo Portas foi de certo modo a safeword mais eficaz que quaisquer greves, manifestações ou alarido em redes sociais.

E mesmo, mesmo, fresquinho o nosso PR também entrou ao barulho sendo que neste caso, como se fosse possível outro papel, Cavaco Silva foi o conservador defensor os bons costumes da posição do missionário que tanto prazer lhe deu no passado.

António Costa por sua vez está claramente numa fase de definição e preparação da estratégia e discursos a assumir tendo perdido muito do fulgor de outrora. O António Costa de hoje é capaz de não ser suficiente para abalar a coligação, até porque pertence a uma força política que também tem alguns pés de barro que lhe dificultam o firmamento.

Todos cumprem o papel esperado neste posicionamento na pista de tartan, excepto Cavaco Silva. Que ao invés de apontar baterias à abstenção, galvanizando os portugueses para exercer o seu voto em consciência e liberdade democrática, decide condicionar o jogo à partida, reduzindo os concorrentes aos do costume, fazendo figas para que um deles consiga uma maioria absoluta ou em último caso para que ambos os três formem a tão desejada coesão nacional. A mim parece-me um contra-senso tendo em conta que a democracia servirá exactamente para acabar com toda e qualquer forma de absolutismo.

Em breve entraremos todos na silly season para depois sermos chamados à definição do rumo que queremos dar ao nosso Portugal. A escolha não vai ser fácil, existirão muitos logros e cortinas de fumo que impedirão o conhecer de certas vias. Espero no final ter a coragem e discernimento para ser um mexilhão livre ao invés de uma Mrs. Robison agrilhoada.

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