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O G20, terá acordado publicitar, (entenda-se gratuitamente) sistematicamente a lista dos países que não fazem o que é preciso para abandonar um comportamento inadmissível, traduzido para os mais distraídos, os paraísos fiscais.
Para estarem actualizados, em cada cimeira irá ser divulgada a relação de países que são ou têm dentro deles, locais paradisíacos. Uma boa acção por parte dos donos do Mundo, mas paralelamente uma ferramenta destinada a baralhar.
Falta saber se constará da listagem a georreferenciação, útil para os ilustres das Nações desenvolvidas, decorrem já negociações para que esteja disponível para as mais variadas aplicações informáticas, quanto aos outros terão de procurar nos velhinhos atlas de folhas já amareladas pelo tempo que passaram nos sótãos.
Isto sim é solidariedade, o tempo é dinheiro e saber em primeira mão onde se encontram os locais onde o numerário pode ser ocultado da cobiça alheia é fundamental.
Até agora gastavam-se fortunas com gabinetes de advogados e especialistas na matéria, para que estes analisassem á lupa as leis, garantindo os melhores locais onde os gigantescos montantes poderiam descansar tranquilamente, doravante para ficar esclarecido basta marcarem presença na cimeira.
O dever da informação impõe-se, aqui ficam os participantes com lugar já garantido na competição, os chamados locais seguros.
Estão no campeonato, porque não adoptaram o quadro jurídico, Antígua e Barbuda, Barbados, Botswana, Brunei, Panamá, Seychelles, Trinidad e Tobago, Uruguai e Vanuatu.
Á fase de eliminatórias porque ainda não se qualificaram como países que aceitaram este quadro, estão a Suíça e o Liechtenstein. Jersey terá lugar honorário, pelo seu desempenho.
Um dos presentes na cimeira afirmou mesmo que há três anos tinha ameaçado deixar os demais ao desamparo se esta lista não fosse gerada, não estaria porventura disposto a fazer má figura por às escuras sobre o assunto.
Quiçá brevemente estará disponível no “ao leme” um kit com o “Modus Operandi” se ainda existirem vertebrados com maquias a transferir, certamente terá um atlas pois somos mais dados á aventura.
O Português mais importante do Mundo
Corre o rumor que o Português mais influente no mundo, terá desta feita comprometido a sua imparcialidade em prol de um motivo patriótico. A sua discreta acção de bastidores terá permitido o agendamento da visita do chefe de estado Português, Prof. Aníbal Cavaco Silva à Casa Branca no próximo dia 9 de Novembro deste ano.
A agenda de trabalhos não foi revelada, mas são conhecidas as preocupações do presidente norte-americano Barack Obama com o futuro da zona franca da Madeira, com as filas de espera nos pastéis de Belém e com o assoreamento da Ria Formosa, mesmo em frente à casa onde o democrata John Carry por vezes passa férias.
Preocupações obviamente partilhadas pelo seu homólogo Português, o qual tem sobre os temas proferido os seus clássicos avisos.
Está prevista ainda uma sessão fotográfica nos jardins da Casa Branca, durante a qual o presidente Português agraciará Bo, o Cão-de-água Português da família Obama, com a ordem honorífica do Mérito, em reconhecimento da sua abnegação em favor da colectividade Lusitana, nomeadamente a promoção da visita a Washington, DC.
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Heathcliff e Marmaduke
O sucesso está garantido a todo o enredo que tenha como personagens um cão e um gato. Heathcliff & Marmaduke, não são obviamente excepção.
A monotonia em tempos apontada a esta Banda Desenhada, é manifestamente injustificada. Um breve olhar sobre os jornais dos últimos dias confirma em absoluto a sua vitalidade. Vibrante e até apaixonante!
Celebrado o acordo de salvação, com altruísta perdão associado, ao virar a página surge a surpresa: De um lado, Marmaduke, o Grand Danois celebre pelas suas insólitas capacidades caninas. Do outro, o gato rafeiro Heathcliff.
Este último, movido pelo seu instinto felino anuncia um referendo. “Um referendo?” Exclama Marmaduke. Pressiona, avisando “não alteraremos as condições do perdão”.
Heathcliff justifica-se e classifica a iniciativa como preventiva, dando como prova a antecipação da substituição das chefias militares. Ao que parece, o golpe militar é temido no seu domicílio.
Marmaduke confessa-se surpreendido, pois tinha como adquirida a perca de soberania doméstica de Heathcliff.
Perigosa presunção, que a todos deixa em suspense até ao próximo livro, “O Ultimato da torneira fechada”.
Não o perca, até porque não pode!
Procurando a “Agulha de Marear”
Decorria já longa a faina do arrasto, nesta época ordenados por uma pretensa a lobo-do-mar ao estilo Capitão Haddock, os embarcadiços audazes esperavam encher porões com todos os tipos de peixe que pudessem apanhar nesta técnica que traz tudo na malha. Nestas correntes mesmo as espécies que ninguém aprecia têm a sua experiencia de vida, nadando como de salmões na época da desova se tratassem.
A Longas milhas dum porto seguro, com ventos contrários, o inesperado acontece, soa o alarme e algo ainda desconhecido vai enfraquecendo os comandos da embarcação. Reunida de emergência a tripulação afecta á ponte, conseguem adivinhar um problema no sistema hidráulico.
Capitã e seu imediato ordenam para que se estanque a fuga, remetem a função aos oficias de máquinas para que dêem fim ao incidente. Entretanto pairavam já á deriva, á mercê da ondulação agitada.
A cadeia de comando na secção do convés funcionou na perfeição, pensavam já na rápida continuidade da viagem, mas surge precipitado o mecânico de bordo qual Super Mário, informando que apenas dispõe de pequenos artefactos destinados às fugas.
Sempre se disse que, “quem vai ao mar avia-se em terra” mas para surpresa dos anfitriões, esta viagem antevia forçosamente uma história diferente. Decide-se então reunir toda a tripulação com a intenção de saberem qual a melhor solução, mas esta já nada quer além de continuar a sua labuta.
Incrédulos mas ainda sedentos do seu quinhão no final da faina, quase provocam um motim, as vozes dividem-se e as culpas multiplicam-se, a solução porém não tem fim á vista porque antes de zarpar não foram tidas as devidas cautelas.
O lubrificante que faz girar a engrenagem está a derramar-se, foi esquecida a manutenção e ele não chega ao seu destino, para que tudo funcione.
Numa tentativa de escapar á humilhação e às prováveis destituições, oficial e seu imediato, tentam estancar a fuga, sentindo os olhares atentos da tripulação, sabedores que nas artes de marear, esquecimentos destes podem dar direito a serem arrastados para o fundo.
Toda a restante frota mais nervosa que nunca, pede aos comandantes que exortem no sentido de conseguirem uma real união, em que todos arregacem as mangas.
Em terra firme está toda uma indústria esperançosa que a apanha resista, podendo assim ter mais uns tempos de alimento.
Um Dízimo da Responsabilidade
Tenho pena. Tenho pena do Vitor Gaspar, do Passos Coelho, do Sócrates e de todos os outros que arcam com todas as culpas dos orçamentos e PECs. Na verdade a culpa é nossa, dos eleitores, que nos deixamos levar pelas melodias de Hamelin tão bem executadas pelas suas máquinas de marketing e propaganda. Nada seria mais justo do que ter a capacidade de assumir diretamente parte da culpa, e da malapata, dos orçamentos de estado.
Como é meu apanágio não choro apenas para derramar lágrimas ao solo. Olhando para as poças salínicas vi que transformaram o chão em barro. Enchi a mão e joguei-o à parede para ver o que pegava. E o resultado é surpreendente. Segundo as borras na parede é possível aliviar a carga da culpa, que atola os nossos governantes, se fosse dada a autonomia, a quem assim o entendesse, para a distribuição de 10% do seu IRS. E para aumentar a parada podia ser dada essa benesse apenas a quem exercesse o seu direito de voto!
No final da declaração de IRS teríamos uma lista com as rubricas de Orçamento (Finanças, Saúde, Educação e Ciência, Solidariedade e Segurança Social, Defesa Nacional, Justiça, Agricultura, Cultura,etc) passíveis de serem afectas. Cada um dos eleitores que disseram presentes poderiam distribuir 100% de 10% do seu IRS, numa única ou em múltiplas rubricas. Isto sim seria um verdadeiro Orçamento Participativo com empenho cívico.
Desta forma distribuiamos ao povo 10% da culpa e apenas correríamos o risco de ser enganados em 90% do orçamento do país. Claro que sem os magalhães, e a sua famosa inteligência artificial capaz de nos conduzir à Venezuela utilizando navios made in Portugal via acordos por cumprir perpetuamente renovados, teremos de voltar a recorrer a métodos de cálculo arcaicos para definir as parcelas que queremos para cada rubrica. Poderemos falhar e escolher as rubricas que menos falta fazem desenvolver em Portugal. Poderemos apostar na Cultura quando são a Educação e Saúde que precisavam dos nossos 10% por inteiro. Não faz mal. Daremos mais valor a quem erra hoje 100% a nosso mandato, pegaremos numa cadeira e enfrentaremos o castigo de peito feito com a certeza de desta vez termos realmente participado no encher do balde de merda.
Back to the Future IV
Mais de duas décadas após o ultimo filme da trilogia “Back to the Future”, foi recentemente anunciado o quarto filme da saga.
Aquela que será a última sequela, antes da próxima, explora mais uma vez a fraternal relação entre o genial cientista do tempo, o Doutor Emmett Lathrop Brown e o seu voluntarioso amigo Marty McFly.
Desta feita, ‘Doc’ regressa à actualidade com notícias de 2014. Com ele traz importantes dados do futuro. Entre outros factos científicos, a descoberta que o ano tem 12 meses. Tão só e apenas.
Enquanto McFly se debate com as tabelas de retenção na fonte concebidas para 14 vencimentos, ´Doc’ pede que não se confundam as coisas. Temporárias são apenas as tabelas, tudo o resto é definitivo.
Marty sabe no seu íntimo que a majoração da retenção de IRS esperada para a função pública em 2012 não é acidental. Nada como minimizar a perca de receita provocada pelo corte na despesa.
Sem que seja necessário perguntar ao seu amigo ‘Doc’, sabe que as tabelas serão revistas em breve, e oportunamente aplicáveis também ao sector privado.
A ficha foi desligada da tomada, a todos sem excepção.
Ainda sem data de estreia, será seguramente um êxito de bilheteira. As previsões de vendas em merchandising e home cinema (DVD e Blu-Ray) são igualmente animadoras.
Trabalhar mais por menos ou Trabalhar melhor por menos?
Diz que a crise para ser resolvida precisa de mais liquidez, de mais consumo e mais produtividade. Os nossos governantes desdobram-se em overtime e diretas, trabalhando dezenas de horas por dia, para encontrar as medidas austeras tão necessárias para a nossa salvação.
E no meio de todas essas noites mal dormidas chegaram à brilhante conclusão de que para aumentar a produtividade é essencial evoluir das 35 horas semanais para as 40 horas semanais. 35 horas semanais são apenas 7 horas por dia. Para quem se gaba frequentemente de trabalhar 10, 12, 14 ou mais horas por dia, em prol do bem comum este é até um número ofensivo. Vai daí surgiu a ideia luminosa de somar apenas +1 horinha por dia ao sacrificio de cada um.
Vá, vá, só mais uma e os ganhos são enormes. A produtividade vai crescer tal como se pretende e depois há de se resolver o problema do consumo.
Afinal que outras formas existem de mostrar serviço depois de brincar com a taxação até ao limite do aceitável? Apesar de totalmente solidário com todas as medidas apresentadas que seguramente nos vão fazer seguir em frente, seja nesta legislatura, seja numa próxima que anule muito do que está a ser feito nesta, não pude deixar de reflectir em soluções alternativas.
Como tenho tempo para isso? Simples. Uso aquela fatia de tempo que nem é considerado horário de vida profissional, nem horário de vida pessoal. Aquelas duas horinhas que levo a chegar de casa ao trabalho e vice-versa. Que transformam as 7 horas de trabalho em 9 e as futuras 8 em 10. São as chamadas horas do limbo que só servem para queimar tempo de trabalho e tempo de vida pessoal. Horas inimputáveis, onde tudo o que acontece não tem registo passível de consulta futura, que os elementos do círculo social consideram pertencentes ao horário do foro laboral e os elementos do círculo profissional consideram pertencer ao horário do foro pessoal.
Senhores do governo ide buscar as calculadoras, ou os abácos, com que mais gostais de trabalhar na matemática orgásmica que leva à flutuação cósmica dos nossos indíces económicos. Singrai comigo por estes números:
- 12% Taxa de Desemprego = Mais de 600 000 Desempregados
- 99,7% das Empresas são PME = Mais de 300 000 com média de 8 colaboradores cada.
As empresas querem mais produtividade mas não querem mais custos. Logo a ideia do aumento de ‘apenas’ mais uma hora por dia sem reflexo na folha salarial é algo que encaixa na perfeição do ponto de vista de uma gestão focada em números. Para o trabalhador em si o aumento dessa hora de trabalho não lhe traz qualquer benefício directo vindo até complicar a sua vida pessoal pois terá de reajustar horários para coisas mundanas como largar e apanhar miudos na escola, apanhar transportes, fazer as compras de mercearia, preparar jantar, etc. Fait-divers é certo, sem impacto no plano económico e mapas a entregar à Troika e Bruxelas.
Há quem diga que esta é uma medida cega que não tem em conta os níveis de felicidade e motivação das pessoas e que não terá os resultados esperados. Falam de um tal de índice de felicidade, um conceito terceiro mundista criado por gente parva que acredita na realização pessoal e espiritualidade para atingir a felicidade. Mas quem é que pode acreditar que a curva de produção de um individuo desce a partir de determinado número de horas de laboração e que a prazo esse ser humano está condenado à infelicidade pessoal e social devido aos laços que é obrigado a cortar para manter esse ritmo intenso de trabalho?
Se isso fosse verdade, e estivesse provado por estudos laborais científicos pioneiros e estrategicamente ignorados, então o caminho a tomar seria completamente o inverso. Seria o de aumentar a produtividade e o emprego através da redução do horário de trabalho. Em vez de 35 horas semanais de trabalho teríamos apenas 30 horas que poderiam ser executadas em 5 dias de 6 horas ou 4 dias de 7 horas e meia. Num assolo de justiça social e profissional essa redução seria acompanhada por uma redução salarial do equivalente a 20 horas de trabalho, sensivelmente a remuneração de 3 dias úteis de trabalho, que seja.
Com isto conseguir-se-ia contribuir para a manutenção da sanidade mental, vigor e motivação dos trabalhadores portugueses, mesmo debaixo do fogo da taxação extra-ordinária, e permitir aos empresários, com devidas medidas de apoio, a contratação de mais um colaborador por cada 6 para compensar as horas de produtividade direta ‘perdidas’. Assim de rajada esta loucura utópica permitiria:
- A criação de dezenas a centenas de milhares de postos de trabalhos sem aumento dos custos directos para os empregadores (300 000 PMEs * 8 Colaboradores / 6 = número máximo de empregos gerados para absorver diminuição de horas);
- Aumentar os índices de consumo em função da renovada distribuição de rendimentos pela maior população activa;
- A adopção de semana de 4 dias de trabalho (que poderiam ser diferentes 2ª a 5ª para uns e 3ª a 6ª para outros) iria aliviar o número de acidentes na estrada, a emissão de CO2 e necessidades de manutenção das principais estradas que teriam uma carga de utilização menor;
- Redução do Absentismo e Aumento da Produtividade devido ao aumento da motivação e níveis de concentração;
- Aumento do Retorno da Taxação sobre Consumo e de IRS;
- Alívio Segurança Social com diminuição do Desemprego;
- Dar aos Portugueses a oportunidade de experimentar um novo estilo de vida com mais tempo para si e para os seus e ocupar os novos tempos livres para fazer algo do seu gosto pessoal que alivie a carga negativa da crise social e financeira e contribua para melhorar a sua saúde física e mental.
Tenho a perfeita noção de que esta não é uma solução blindada porque para os casos de administradores que acumulam funções em dezenas de empresas a perda desta hora poderia significar o descalabro em várias delas. Não faz sentido que as empresas sejam privadas do meio dia, ou mesmo dia integral, mensal que estes administradores investem na sua boa condução. Pelo que talvez para os administradores de empresas realmente deva ser aprovado o aumento de horas para quiçá conseguirem mesmo gerir centenas de empresas em simultâneo.
Por outro lado é uma incógnita que reacção teriam os Portugueses a esta quebra de horário e de rendimento. Estão tão habituados a ter apenas a quebra de rendimentos sem benesse social ou pessoal que há o risco de serem gerados graves distúrbios sociais senão mesmo a tão temida guerra social preconizada por muitos agentes políticos. Fomos educados ao longo do tempo para apertar o cinto e/ou baixar as calcinhas com mais ou menos choradinho. Isto é um género de troca de calças por calções que nem é carne nem peixe. Não saberiam se é bom ou é mau por isso o melhor seria partir para a violência por via da dúvida.
Estas são ideias progressistas que claramente só podem sair da cabeça de pessoas com tempo a mais para pensar em vez de estarem simplesmente a trabalhar. Espero que os nossos governantes continuem as suas jornadas de dezenas de horas diárias de laboração e não tenham tempo para ler estes disparates pois só assim chegámos até aqui e chegaremos lá longe ao fundo do túnel mais dia menos dia. Quero também relembrá-los que o limite máximo de horário semanal na União Europeia é de 48 horas pelo que se é para aumentar ainda têm bastante folga. Que sejamos primeiro num dos índices de actividade a nível europeu! Seja como os que mais trabalham ou como os que menos trabalham. Pelo menos no papel. Isso encher-nos-ia de um orgulho e felicidade imensa que seria meio caminho para vencer esta crise que nos assola.
“Dictadura” Democrática
Com o modesto propósito de tudo solucionar, propomos a Dictadura. Desde já alertamos quanto à diferença para Ditadura. Não propomos um regime autoritário, nem fazemos trocadilhos com acordo ortográfico. É Latim.
Na Republica Romana, o Dictator era nomeado pelo poder executivo, com o aval do senado. Esta magistratura extraordinária tinha de facto uma base democrática, e visava enfrentar adversidades igualmente extraordinárias, como crises económicas ou ameaças militares.
A presente proposta difere do modelo Romano num pequeno detalhe. Dictador não será uma pessoa, será um acto, o Voto. Tornar-se-ia obrigatório, por forma a estabelecer um princípio de equidade entre direitos e deveres dos cidadãos, isto é, a garantia de direitos estará condicionada ao cumprimento de deveres, nomeadamente Votar.

Para além de uma mudança de mentalidades, permitirá a aplicação de um princípio de proporcionalidade entre legitimidade e poder de decisão dos eleitos, ou seja, abstenção, votos nulos ou brancos implicam cadeiras vazias no parlamento. Os governos assim formados teriam a sua acção limitada à sua capacidade de mobilização dos votantes.
Colocam-se então duas questões: 1) O voto obrigatório representa perca de liberdades, como o direito à indignação? 2) A estagnação não seria o resultado da sucessão de governos “interinos”?
Cada cidadão pode manifestar a sua indignação votando em branco (ou mesmo nulo), responsabilizando cada um com a opção tomada. Estamos a assumir as consequências dos actos dos governos que elegemos, mesmo quando nos abstemos, pois a omissão do dever de voto tem como consequência a formação de maiorias não proposicionais. Independentemente de nos termos abstido ou não, estamos todos a pagar a crise. Perdemos soberania, logo perdemos liberdade. A culpa é nossa. Quem o nega perpétua as causas dos problemas que vivemos.
Quanto ao perigo de estagnação por acção de governo sem verdadeiro poder executivo, julgamos um mal necessário. Face ao resultado da governação dos últimos trinta anos, seria na realidade uma vantagem, sobretudo porque teria impedido a serventia a clientelas. Se por um lado, os cidadãos são chamados a assumir os custos dos erros de governação, então os governos devem assumir os custos dos erros de avaliação dos cidadãos.
A “Dictadura” Democrática, ou voto obrigatório, promoverá a mais relevante das mudanças, a das mentalidades. Sem ela não abandonaremos a actual lógica bipolar, ou o tradicional lamento e indignação inconsequente.
Meia Prenda – O Natal Ortodoxo
A imprensa alemã noticiou ontem a antecipação do Natal Ortodoxo.
A medida tem vindo a ser estudada em Paris e Berlim, por governos e bancos. A mais recente cimeira Franco-Alemã terá proporcionado um dos mais acalorados encontros entre líderes.
Alegadamente, o enternecedor momento terá facilitado a tomada de decisão. Ele quis, ela deixou, aconteceu.
Compete agora à banca encontrar forma de se animar do mesmo espírito. Perdoar é a mais nobre das atitudes Cristãs, mas ancestrais diferenças entre Católicos, Protestantes e Ortodoxos impõem limites a um possível perdão de divida. Cinquenta por cento será o objectivo.

As negociações estão já em curso. Ao leme da banca está, inevitavelmente, um imparcial suíço. Presidente do IIF – Institute of International Finance e director executivo do Deutsche Bank,
Josef Ackermann tem sobre os ombros a desvalorização da divida publica Grega. Falha-nos São Nicolau, patrono dos marinheiros e pai-natal Grego. O anúncio do Natal Ortodoxo, está “apenas” dependente das negociações do modelo de recapitalização da banca.
Após severo regime de ajustamento, dieta forçada e muito exercício físico, a população Grega ensaia já os seus tradicionais cânticos Natalícios, as “Kalanda”. Desvalorizado o trabalho, ajustada a economia, recebem agora o prémio do seu esforço, a prenda, o perdão de metade da divida. É justo, metade do rendimento, metade da divida. Tradicionalmente, entre os helenos, a troca de presentes ocorre no primeiro dia de cada ano.
Coincidência, ou talvez não, entre os Lusos não se cantam as “Janeiras”. Debate-se a oportunidade de uma similar prenda. Com o ajustamento no seu início, a perca de rendimento de quem trabalha ainda não foi a necessária. A par com o anúncio do Orçamento para 2012, a sólida promessa de não cortar mais nenhum subsídio. Esta inabalável garantia determina que a nossa prenda não poderá chegar antes do Natal de 2013. Pena, será que 20% não chegava?
A Bitola
A Bitola Ibérica foi criada com o objectivo de evitar novas invasões Francesas da Península. Durante a segunda guerra mundial, a rede ferroviária Ibérica voltou a afastar eventuais pretensões de ocupação Nazi.
Um inesperado aliado da Península, o Almirante Canaris, líder da Abwehr (Secreta Militar Nazi), foi determinante ao alertar para as limitações logísticas que a rede ferroviária Ibérica impunha à guerra relâmpago. A Velocidade Elevada, era já nesta altura, decisiva. Não a Alta, mas sim a Elevada. De ascendência transalpina, Wilhelm Franz Canaris julgava-se descendente Grego.
Talvez por isso tenha conspirado contra o regime nazi. Apesar de já se encontrar preso, Canaris foi acusado de estar envolvido no célebre atentado de 20 de Julho de 1944 contra a vida de Hitler, na Toca do lobo. Foi executado pelo reich perto do fim da guerra.
Outrora isolada por opção estratégica, a Península abraçou agora a Europa com convicção. Os potenciais invasores são actualmente os maiores aliados e parceiros de negócio. O avanço não é bélico, é desejado e monetário. Que bom foi obter dinheiro fácil e aparentemente barato. Que alegria imensa vivemos. Afinal, Canaris só atrapalhou, atrasou o maravilhoso progresso. Provavelmente mereceu morrer estrangulado. Se não tem interferido, não estaríamos a viver este brevíssimo período de austeridade. A crise teria sido superada com o Plano Marshall. Tudo estaria resolvido, e nem a Madeira se tinha portado mal.
Decidida que está a questão do TGV, perdão, da Velocidade Elevada, tranquilizados que estamos após o anúncio do orçamento para 2012, é hoje óbvio que o caminho é de ferro e a Bitola Grega.











