Category Archives: Escárnio e mal-dizer

Saraivada

Há quase 27 anos, a revista “Semana Ilustrada” – um pasquim da época, fez capa com um escândalo protagonizado pelo arquitecto Tomás Taveira, figura que pelo carácter e obra nunca fora consensual, mas cuja intensa actividade laboral no escritório das Amoreiras se imortalizou. Quem nunca ouviu as sinceras palavras do arquitecto? Frases como “isto aqui está um inferno” ou “ai menina kookai” permanecem até hoje na nossa memória colectiva. Um raríssimo caso de longevidade num país onde qualquer discurso ou promessa eleitoral são rapidamente esquecidos. Talvez a solução para baixar a abstenção passe por recrutar mais arquitectos para a política, quem sabe…

Na falta de políticos licenciados em arquitectura, talvez os jornalistas com essa formação possam contribuir. Não há muitos, mas um em particular, José António Saraiva, tem vindo a dar o seu contributo, quer escrevendo, quer dirigindo importantes semanários. No auto-intitulado “Hipermercado da informação” foi director durante mais de 20 anos, lugar que mais tarde assumiu no concorrente directo até ao final do ano passado. Ao todo, três décadas a dirigir os principais jornais nacionais! Dirá isto mais sobre quem os detêm do que propriamente sobre o próprio.

Finda a carreira jornalística, e por certo procurando contribuir para ampliar a participação eleitoral dos seus concidadãos, o arquitecto Saraiva decidiu criar de uma assentada uma saraivada de novas “meninas kookai”. Lançará para a semana um livrito sobre a vida íntima dos políticos com quem conviveu, episódios que nunca teve oportunidade de contar, logo a nós, compatriotas que adoramos a devassa da vida privada.

saraivada

Regente Agrícola

A sátira de hoje é sobre a desilusão manifestada pelo regente agrícola que preside ao Eurogrupo, o indivíduo cujo impronunciável nome é Dijsselbloem. Rapaz católico nascido em terra protestante, é um tipo importante! Ele assim pensa. Preside ao encontro mensal e informal dos Ministros das Finanças dos países do euro, reunião à qual alguém teve a original ideia de atribuir um nome próprio, como se de uma instituição, que não é, se tratasse. Mensalmente, aqueles que gerem o destino financeiro dos países do euro reúnem sob o comando de um especialista em agricultura, mas não é por isso que lhes chamam nabos…

Após as tradicionais ameaças, desta feita sem sequer disfarçar a chantagem, afirmou que a submissão nacional o levaria a intervir de forma benevolente. A tirada aparentemente paternalista foi apenas mais uma manifestação de soberba. Por isso lhe inchou o ego. Mas a desilusão não se deveu apenas à vaidade, deveu-se sobretudo à sua inabalável ideologia, à sua profunda crença no modelo de negócio e de gestão da virtuosa Vereenigde Oostindische Compagnie, empreendimento que entre nós ficou conhecido como a Companhia Holandesa das Índias Orientais. Estudioso destas coisas da economia agrária, tem particular admiração pela condução do negócio das especiarias no inicio do sec XVII nas longínquas ilhas Molucas. A cultura que mais o fascina é a do Cravo-da-índia, daí recorrer a métodos semelhantes aos de então. Parece porém, que este valiosíssimo intelectual tem vindo a cavar a sua própria cova. Não é suposto haver espaço para veleidades dos nativos…

MestreAgricola

Dão-se Alvíssaras

A detalhada, profunda e rigorosa investigação jornalística ao denominado “escândalo” dos “Panamá Papers” decorre com normalidade. Pelo menos até prova em contrário… Aguardemos, afinal, se chegámos ao Verão sem novidades de relevo, podemos perfeitamente esperar mais uns tempos. Pelo menos até à mudança da estação. Por certo que mais dia, menos dia, mais semana menos mês, importantes conclusões serão noticiadas, sem precipitações ou sensacionalismos, como é salutar! Entre nós não há acusações infundadas, nem processos de intenção, nem pensar. Credo! Tanto Pokémon para caçar, tanto disparate para noticiar, porquê antecipar?

Decididamente, não há pressa. A curiosidade inicial perdeu-se, dispersou-se por outros temas, é verdade, mas pelo sim, pelo não, ou na falta de motivo válido, talvez por palermice e infantilidade, possamos, quiçá, lançar uma campanha lá para o Natal, um apelo aos investigadores para emergirem, respirarem um pouco de ar puro e connosco partilharem o fardo, o tenebroso peso do conhecimento à tanto tempo sob reserva. Aqui deixo a ideia, dêem-se alvíssaras a quem conseguir fazer chegar alguma informação, por pouca ou escassa que seja, ao Ministério Público.

A menos que tudo não tenha passado de um embuste, de um truque de entretenimento, um falso escape à indignação com a liberdade oferecida aos capitais. Será? Façamos o teste, analisemos o que mudou desde então, desde do momento em que estoirou a bronca, o dia da revelação! Há legislação nova? Novos meios ao dispor das autoridades, ou está tudo na mesma? Também aí se dão alvíssaras! Alguém nos diga qual foi a evolução.

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Aldeia Cósmica

Partiu de Cabo Canaveral a bordo de um potente foguetão Atlas V. Após quase 5 anos de viagem, a sonda Juno chegou finalmente à orbita do gigante gasoso, o Planeta Júpiter. O maior planeta do sistema solar e nosso maior protector, recebeu a sonda Juno com um estrondoso e arrepiante rosnar – O som do vento solar ao chocar com a magnetosfera de Júpiter, segundo explicaram os cientistas. Prodigioso! A nossa “cobertura de rede” alarga no Cosmos. Parece que lentamente a ficção cientifica se vai transformando em realidade do quotidiano. Vivemos tempos extraordinários, presenciamos momentos únicos da história da nossa espécie. O Cosmos é o nosso novo horizonte.

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De volta à Terra, constatamos que apesar da nacionalidade norte-americana da sonda Juno, é à União Europeia que cabe liderar o planeta. É verdade, apenas a comissão europeia e apenas ela parece ter acesso aos grandes líderes da galáxia, quiçá do universo, e com eles pode até trocar ideias sobre os mais mundanos dos temas, como sejam as eventuais sanções aos modestos países Ibéricos, ou sobre o divórcio do Reino Unido da União Europeia. Para o provar, Jean Claude Juncker afirmou ontem que os líderes de vários planetas lhe manifestaram profunda preocupação com as consequências do brexit.

Os mal-intencionados dizem hoje que se tratou de um lapso, um eventual resultado da inabalável crença do presidente da comissão europeia nas propriedades hidratantes da bebida tradicional da Caledónia, mas eu discordo. Acredito que ele está mesmo em contacto, ligado ao mais alto nível da liderança cósmica…

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Preparada para este referendo hoje?

Em dia de referendo decisivo para o futuro de seus súbitos, sua alteza real, a Rainha Isabel II foi passear de manhãzinha. Foi abordada por um repórter que sem a reverência que lhe é devida perguntou de forma impertinente: “Preparada para este referendo hoje?”. Magnânima, sua majestade simplesmente sorriu e acenou. Disse tudo. A monarca com o reinado mais longo da história britânica está nitidamente preparada! O critério editorial do género sensacionalista é registo banal e antigo entre os anglo-saxónicos. A população gosta, a coroa aceita. Sabe lidar com o fenómeno sem perder dignidade. Muito britânico! Apesar da sua ascendência germânica e da legitimidade hereditária, a rainha sabe que a verdadeira soberania reside nos cidadãos. Age em claro contraste com a soberba típica da união tecnocrática que hoje será sufragada.

Quanto a prognósticos, aposto no empate. Sabemos que a vitória é possível empatando. No fim, avançam para a fase seguinte, nenhum favoritismo será lembrado e tudo será perdoado. Poderá até ser uma forma de salvar a face e assim evitar o regresso de outras pretensões separatistas. Confesso que palpito a contragosto. Gostava de um resultado claro e contundente. Prefiro a ruptura. Creio contudo, que este meu desejo não será atendido pelos britânicos que hoje votam. A eles e apenas a eles compete a decisão. Seja qual for o resultado, será democrático, qualquer que seja o desfecho, a eles, cidadãos da Grã-Bretanha, a questão foi colocada, a opção ponderada e a decisão tomada. A nós por cá, ninguém nos perguntará nada!

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Artur Virgílio

Após conturbados processos de privatização e posterior renacionalização, a TAP está finalmente a renovar a sua frota. No longo curso, não contará com modernices ou excentricidades do tipo Airbus A350, nada disso! Eficiência é a palavra de ordem. A aposta será em material com provas dadas. Já chegou o primeiro, um Airbus A330-243. Anteriormente registado como PR-AIY (AZUL Linhas Aéreas Brasileiras), e antes disso como VH-XFA (Virgin Blue/Virgin Australia), que por sua vez foi precedido pelo registo A6-EAB (Emirates Airline) e que ainda assim não foi o primeiro, pois no século passado, a 25 de Outubro de 2000, aquando do voo inaugural, foi registado pelo fabricante como F-WWKB.  É novo, como atesta o Curriculum Vitae da aeronave. Em breve chegará outra com idade e trajecto semelhante, já registada CS-TOT, mas deixemos os atrasos para outra ocasião…

Foquemo-nos no novo avião, aquele que já chegou. Embora tenha praticamente o dobro da idade média dos restantes catorze A330 da frota da TAP, é o único que ainda não foi baptizado. Tradicionalmente, os aviões da TAP são baptizados em homenagem a grandes personalidades da nossa história. Mesmo sem nome, coube ao novo avião a grande honra de inaugurar a nova rota para Boston, com o presidente da TAP a bordo e tudo. A chegada foi apoteótica mas parece que o regresso se atrasou. Quanto ao nome para baptismo, julgo que a personalidade cujo perfil e obra mais se adequa à novíssima aeronave, bem como às circunstâncias da companhia, é a de Artur Virgílio Alves dos Reis.

Artur-Virgilio

Nada a Temer

Até à estreia da selecção no Europeu de Futebol, a nação estará num imperturbável estado de graça. Grande é a esperança! Défice só em polémica, daquela boa e inconsequente. Apenas uma pequena diferença de opinião quanto às necessidades de capitalização do banco público e a reedição do convite à emigração dos docentes, parecem trazer algum sal a estes dias insonsos. Somente a constituição do onze para mais logo interessa! O nosso oponente, aquele que por mais de uma vez se bateu pela sua Zona Económica Exclusiva, e pelo direito de nela decidir quem pesca, diz-se preparado. Compreende-se. Não uma, nem duas, mas por três vezes travou a Guerra do Bacalhau, fazendo frente ao nosso velho aliado, vencendo sempre, mesmo quando aos britânicos se juntaram belgas e alemães. Nada ficou em águas de bacalhau, o que significa que connosco tem apenas uma afinidade, o apreço ao fiel amigo.

Perante tamanha tranquilidade, para exercer a minha sátira, sou forçado à travessia transatlântica. Recorro ao contraste. Os nossos irmãos brasileiros estão com o moral em baixo. Foram ontem eliminados da Copa América, prova congénere áquela onde hoje nos estreamos. Com a agravante de o golo que ditou a eliminação ter sido marcado com o braço. Como uma tragédia nunca vem só, a economia mantém a trajectória descendente e o panorama político continua negro. Qualquer ditadura parece inclusiva por comparação. Como grandes importadores da ficção brasileira, não conseguimos imaginar a realidade que por lá se vive. Somos levados a crer que não há nada a Temer…

Nada-a-Temer

Isto está lento, está!

Decididamente, o nosso sistema educativo, público ou privado, necessita de ser revisto e repensado com urgência. É decisivo que o façamos, sob pena de arcarmos com consequências bem mais penosas que as mais recentes e virais polémicas. Bem sei que a tragicomédia é um dos pilares da lusitanidade, mas julgo que o humor negro se quer mais ágil, muito rápido e instantâneo, senão perde-se o gáudio. Haja pelo menos um prazo de validade! Bem sei, e concordo, que quem não se sente não é filho de boa gente, mas quiçá haverá algo mais além do óbvio. Talvez um contexto próprio. Será? Averiguemos com o rigor que o momento e a circunstância exigem. Vamos aos factos.

Passados apenas meia dúzia de anos, uma inaudita entrevista do líder sindical dos roqueiros a um canal de paródia televisiva, despertou uma intempestiva reacção. Não há disco de platina que o proteja, nem longevidade de carreira que o salvaguarde. Nem pensar! O artista que outrora despudoradamente se despiu para ilustrar uma das suas múltiplas obras, está hoje no centro do maior problema inter-regional das últimas décadas. Não haverá nem apelo nem agravo. Já nos bastam os tópicos em fila de espera, tudo aquilo que aguarda processamento colectivo, sejam eles portáteis para as criancinhas ou gorduras do estado. São tantas as prometedoras soluções cujo fracasso tarda em gerar reacções. Curiosa assimetria esta, entre orgulho local e mentira nacional.

Avancemos para a conclusão. Vamos às culpas! Não sei se os supracitados fenómenos sociais são resultantes de compreensão lenta ou de memória curta generalizadas, mas não hesito em responsabilizar o sistema de ensino pelo categórico falhanço – A população não está preparada para este nível de exigência cognitiva. Nem com cábulas vamos além da graçola simples e brejeira sobre a alegada preguiça alentejana. Regionalização pois então… Ou talvez não!

Isto-Estalindo-está

Bovinos Alados

A Nação comemora hoje o seu octingentésimo trigésimo sétimo aniversário, graça da bula “Manifestis Probatum” e de quem a outorgou, o Papa Alexandre III. Parabéns a nós, os portugueses, pitorescos habitantes do Sudoeste Europeu. A festa será rija, especialmente agora que já não há impossíveis! Entre nós, até as vacas tem asas! Eis o símbolo da mudança, do optimismo crónico e por vezes irritante. Na verdade já todos sabíamos que muitas eram sagradas, mas que afinal têm asas é algo absolutamente novo. A tantos outros predicados e virtudes para a atrair turistas, juntam-se agora as maravilhosas imagens das manadas aladas, voando ao por do sol, quais gaivotas leiteiras. Afogar-se-ão ao amarar?

Sem Minotauros, Sereias ou Centauros a mitologia lusitana tem tido no Adamastor a sua personagem central. Ora a pretexto do défice, ora a pretexto dos mercados, é diariamente recordado! O desastre que sempre espreita, a inevitável consequência da soberania hipotecada à obra feita para inglês ver e português votar. Tanto betão, tanto alcatrão que hoje aguarda por utilizador-pagador que lhe dê propósito.

Entre nós basta apresentar uma causa para que todo o efeito se justifique. Assim foi, assim é, manda quem pode, obedece quem deve, pois claro! E a coragem de outrora? A motivação, o ânimo, por onde andam? Adormecidos pelo quotidiano, adiados entre prestações das coisas, úteis ou supérfluas que comprámos. Cada qual no seu bote, ruma ao Cabo das Tormentas, encolhe os ombros e pensa: Paciência, para o mês que vem é que vai ser. Por vezes é…

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André Lava o Jato

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No Brasil o calor continua… mas ainda que soprem ventos quentes Portugal continua pouco animado pelo escaldão brasileiro. Eles gritam, eles sambam, eles rezam, mas eles acima de tudo gamam.

E por falar em Gamar, verbo político também desta nossa nação, sopra o vento quente brasileiro ao PSD de que o director das campanhas de marketing esteja envolvido no Lava Jato.

Não é a primeira vez que o Lava Jato lança uns jatos para Portugal. Foram identificados subornos na construção da barragem Baixo Sabor em Bragança num total de 750 mil euros (coisa pouca numa barragem orçamentada em 680 Milhões) construída em parceira entre o Grupo Lena e a Odebrecht e aprovada pelo nosso Marquês Sócrates.

Marquês Sócrates nega, diz que a Barragem Baixo Sabor não está no sabor do Plano Nacional de Barragens e culpa Durão Barroso pelo Baixo Sabor.

Na Barragem, cujo sabor ascendeu a 680 Milhões, a EDP orgulha-se de já ter investido 10 Milhões e de vir a investir nos 75 anos da concessão mais 60 Milhões, ou seja 933 mil euros por ano, possivelmente em investimento de substituição.

Mas agora o visado é o Director de campanha do PSD, cujo irmão já foi detido para prestar declarações no Brasil, e que agora tem o nome nos jornais: André Lava o Jato. De assinalar que se trata de um vencedor, director das campanhas do PSD desde 2011, conseguiu 2 vitórias para Passos Coelho. É verdade que a vitória do Portugal à Frente foi vencido no parlamento pela Maioria de Esquerda, mas não se pode exigir tudo, afinal o brasileiro André Lava o Jato ainda não é deputado português. Será de Passos Coelho ponderar isso, porque a sua atitude de vitima não o está a ajudar! Mas André Lava o Jato, publicitário, vai continuar a aconselhar Passos Coelho sobre a estratégica política e de comunicação. Mais do que nunca, Passos e o PSD precisam de lavar os jatos esquerdistas desta nação, entregue a um governo bolchevique, apoiado na esquerda radical e nos terroristas dos sindicatos.

É no entanto imprudente avançar com acusações ou sequer investigações. Aquilo no Brasil ferve e os papeis do Panamá incomodam algumas pessoas, e esta coisa de se estar sempre falar em dinheiro e corrupção e principalmente investigar sobre ela tornou-se na União Europeia uma coisa que pode sair cara e até pode dar prisão.

Cisco-de-Passos