Category Archives: Deriva

Nem só da arte de marear se faz rumo, por vezes é a deriva que nos leva a bom porto.

Noticiários comuns

Gears machine machinery machines man-made wallpaperA engrenagem estatal aquece os motores preparando o seu arranque após um longo período de férias, as reformas não ajudam e há novas peças que aparentam ainda não ter encontrado o seu lugar e função, surgem, recorrentes e renovadas, queixas de cortes de apoios, falta de pessoal, falta de qualidade de serviço, falta de respeito, em educação, saúde, justiça, etc, o mirrar do estado social, o emperrar da máquina estatal.

Mom Scraps With Her Son’s Classmate On His School Bus  Posted on September 20, 2012 byA geração que cresceu sem a liberdade da rua, porque segundo seus pais, arruaceiros dos seus tempos, estes tempos são outros, mais perigosos para crianças até 14 anos ou mais, organizam agora meets que se revelam cursos demasiado intensivos do que é crescer nas ruas. Os caseiros desconfortam-se com a presença na rua de pessoas que nunca deixariam entrar em casa, quiçá que não permitem mesmo entrar nas suas escolas  e condomínios privados, por raízes sócio-culturais, linhagem familiar ou simples poder financeiro.

Two Butterfly Dark ColoringAnúncios oníricos sobre um abençoado Novo Banco, com um novo começo, com os mesmos 600 balcões, os mesmos 2 milhões de clientes, os mesmos 6 mil colaboradores e, como que por magia, novíssimos 5 mil milhões de euros que dão uma nova oportunidade de todos voltarem a ser felizes.

Banhos gelados com um mediatismo superior a tudo o resto que se vai passando de tal forma que neste post inverto a tendência e apenas lhes dedico esta linha. Ao futebol, entradas e saídas nacionais e internacionais, jogos de nova época, dão e faço igual tratamento.

Lá fora as coisas não andam melhor, pelo menos as que nos contam, com um mundo tão grande e parece que depois do Game Over à Palestina só dá conflito de perder a cabeça pelo Estado Islâmico, guerra fria entre Europa e Rússia pela recém-amada Ucrânia, e surto de Ébola quase, quase, mundial que certamente justificará em breve um programa internacional de armazenagem de vacinas assim que a primeira esteja testada e aprovada.

Ah! Não esquecer uns laivos da luta da Itália contra a invasão de hordas desesperadas vindas do Norte de África. Gasta 9 milhões de euros por mês nessa brincadeira! Mais de 100 milhões de euros anuais num jogo do rato e do gato e do volta à casa de partida. Um louco pensaria talvez em com esse dinheiro realizar investimentos geradores de emprego e riqueza distribuída nos países de origem dos imigrantes? Felizmente a matéria é dada de forma a conter quaisquer loucuras e a saga continua.

Se a nível nacional não há indícios de melhoras a verdade é que a nível internacional existem ingredientes suficientes para, num deslize, eclodir uma guerra ou uma epidemia mundial, ou quem sabe um seu binómio. E no meio de toda a triste displicência, esta iminência acaba por ser um raio de esperança, pois o passado corrobora que, para fomentar a união de esforços e povos a nível mundial, para ganhar a coragem e resolução de enfrentar a tempestade colhendo mais tarde a bonança, não há melhor causa comum do que uma evidente e enorme vala comum.

Jewish mass grave near Zolochiv, west Ukraine

 

 

 

 

 

Perder a Cabeça

1Na terra da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, comemora-se hoje a Festa da Federação, feriado nacional que celebra a tomada da Bastilha. Uma data histórica, um marco civilizacional! Faz hoje 225 anos que os oprimidos assumiram o papel de opressores. Lembrei-me do destino daquela que um dia recomendou os brioches como sucedâneo do pão: Maria Antonia Josepha Johanna von Habsburg-Lothringen de baptismo, Marie-Antoinette ou simplesmente Maria Antónia, Arquiduquesa da Áustria, e por casamento Rainha de França. Inocente e pura, também brincava aos pobrezinhos. Pouco mais de 3 anos depois da tomada da Bastilha, foi a vez de os pobrezinhos brincarem aos monarcas. Usaram a invenção genialmente simples do doutor Zé-Inácio, a guilhotina. 2Foi uma festa! Gostaram tanto que mais tarde decidiram usa-la até entre eles. Os carrascos tiveram a oportunidade de testar pessoalmente o seu anterior instrumento de trabalho. Foi uma grande confusão, uma grande partida que o destino lhes pregou. Não terá sido a primeira, nem por certo a ultima vez que o destino fez das suas.

Muitos anos antes, em Viena de Áustria, era ainda Maria Antónia uma criança, senhora sua mãe recebeu a visita de Leopold e dos seus dois filhos pródigos, Maria Anna Walburga Ignatia e Joannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus. Este ultimo, excitado com a oportunuidade de maravilhar a realeza com a sua prestação artística, terá tropeçado e caído. Maria Antónia levantou-se da sua cadeira e ajudou-o a levantar-se. Grato, mas ousado e destemido retorquiu “é muito gentil, quando crescer casar-me-ei consigo”. Todos sorriram, para grande alivio do pai da criança que hoje conhecemos como Wolfgang Amadeus Mozart. Foi o destino.

Apesar de ter trabalhado arduamente deste a infância até às vésperas da sua morte, Wolfgang morreu pobre. Deixou inacabado o seu magistral Réquiem. Nunca o ouviu, pois o seu funeral foi simples. Como qualquer pobre, foi lançado numa vala comum, sem cerimónia. Parece que o destino nos está sempre a pregar partidas, mas não deixa de ser desconcertante imaginar quão mais doce a vida poderia ter sido para Wolfgang Amadeus e Maria Antónia, se esta tem aceite o impertinente convite de casamento. Wolfgang poderia ter vivido mais anos, mas poderia não ter composto de forma tão intensa como o fez e consequentemente o mundo seria hoje muito mais pobre. Maria Antónia, por sua vez, poderia ter partilhado o destino do proponente, as desventuras e a pobreza, mas nunca teria perdido a cabeça…

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Melodia Carnavalesca

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Os meninos do coro começaram por cancelar o Carnaval. Não podia, não devia, a finança não queria. Assim foi na letra, mas a musica é bem diferente. Nunca o Entrudo foi tão celebrado entre nós. Foi até antecipado. Tudo começou pelo lançamento do um livro sobre o quotidiano de um bobo durante a sua estadia na corte. Rigoletto que em português se diz Vítor, mas não Hugo, brindou a Pedro com uma melodia de fazer inveja a Verdi. Opera buffa, é certo, mas teve o seu lugar na agenda mediática. Surpresa, não se ouviu pateada. Dá que pensar.

Ao primeiro andamento, seguiu-se um triunfal cortejo de carnaval. Andante ma non troppo: Na falta de um sambódromo, decorreu na Rua das Portas de Santo Antão. Comovente na espontaneidade, nem pareceu coreografado. No coliseu, o comentador e homónimo de presidente do conselho sobe à tribuna. Enverga a camisola de candidato. É uma mascara que não resulta, está gasta, mas os comentados aplaudem a Serenata. Enfim, peripécias típicas de época. Eis que surge o grande líder, mascarado de primeiro violino. Já o bobo lhe reconhecera grandes qualidades cénicas para a condução da charanga no aquecimento, mas nada fazia prever o Adagio sostenuto: brindou a audiência com o anúncio do ousado regresso de sua eminência da equivalência, a imaculada consciência.  Voltou, pleno de força anímica e muito samba no pé. Largo ou Grave? Não se ouve. O silêncio também conta. Ainda hoje não ardeu.

Presto: a escola de samba rival responde, anunciando o regresso do coelhinho da pascoa. Digam lá que não estamos sempre em festa? Prestissimo, alguém declama “Só este modo de comunicar em 101 tweets já é todo um programa”. Viral? Ninguém os viu. Será censura? Negativo, há liberdade de expressão.

Vivace: “Não pagamos!”. Fala quem pode, os demais nem piam. Pausa.

Rondó: O dueto para o consenso. Vem aí mais ajuda, pois claro! Adagio: Não obstante as divergências insanáveis entre irmãos, a maestria demonstra afecto. Brinda a orquestra com a sua performance. Toca a oitava sonata para piano do seu conterrâneo, Op. 13, a “Patetica”. Adagio cantabileApoiar-nos-á, seja qual for a decisão que sobre nós vier a tomar. Andantino: Após as eleições europeias, o baile de carnaval prosseguirá der Klang der Walzer.