Author Archives: Nuno Faria

Gira-gira giro Portugal

20 de Janeiro e nada. 20 dias de 2014 em que praticamente só se falou de intempéries, de morte e consagração no futebol. Eis que quando as nuvens se dissipavam,  parecendo haver abertura para voltar a anunciar e discutir as medidas políticas em curso, sai da cartola um referendo que volta a armar a tenda do circo mediático. Os spin doctors têm tido uma vida tranquila, com os eventos ‘cortina de fumo’ a eclodirem naturalmente, bastando agora atirar esta granada co-adoptada para queimar mais uns dias preciosos.

Ponderei abordar o tema do asqueroso pantanão nacional acabando por preferir cingir-me ao espremer de algumas das notícias mais levezinhas de 2014.

Arnaut na Goldman Sachs e Gaspar no FMI, é de certa forma assustador porque os ratos só abandonam o navio quando este deixa de ter provisões ou quando o naufrágio está iminente. Não me preocupa tanto que tenham passado para o covil dos vilões da crise, alerta-me para provavelmente não existirem mais jóais da coroa que mereçam a cobiça dos grandes players mundiais e que justifiquem a permanência de testas de ferro para grandes operações financeiras infiltradas.

Reduzir escolaridade obrigatória para o 9º ano vs 4 em cada 10 jovens sem dinheiro para estudar, a Juventude Popular podia ser a esperança de melhores políticos e assume-se como mais do mesmo ou pior. Acredito que para a despesa do estado retirar 3 anos de ensino obrigatório seria um corte simpático, por opção própria de jovens inconscientes, quiçá mesmo encorajados para tal porque o desemprego está repleto de diplomados. O ensino superior tornou-se inacessível para muitos e se não se pode nivelar por cima nivela-se por baixo, certo? Imagino que para os novos patrões, de vários sectores em Portugal, nove anos de escolaridade seja um indíce bastante satisfatório tendo em conta a média de escolaridade no seu território.

Temo que existam visionários a fazer contas, afinal já exportámos grande parte da mão de obra qualificada, outra parte significativa está desempregada e o mercado não terá capacidade da sua absorção tão cedo. Logo não se perde nada se as próximas gerações forem menos qualificadas. Alguém para quem um baixo salário seja uma benção, que saiba sobretudo consumir sem temores, sem consciência nem capacidade aritmética, uma nova manada ainda mais fácil de domesticar mediante futebol e lixo televisivo. Uma legião de clientes perfeitos para a nova economia emergente.

Miró’s quadros bónitos! Pela módica quantia de 35 M leve estas obras no valor de 150 M! Que este governo não quer saber da cultura já não é novidade sendo que aqui é simplesmente escandaloso aceitar tal desvalorização nos activos aceites para resolução do caso BPN.  O povo está-se cagando, até parece que os quadros valem a estátua do Eusébio, cujo corpo o governo sabiamente anuiu em transladar para o panteão nacional ASAP. Ao estilo popularucho.

Por fim até os escândalos amorosos de chefes de estado de outros países ocupam grande parte dos nossos media. Ainda por cima de um país tão liberal no que toca ao amour. Talvez faça sentido se considerarmos que a austeridade, tão em voga, foi sobretudo explorada e desenvolvida em França pelo Marquês de Sade. O que me apoquenta neste caso é que não me lembro na democracia Portuguesa de escândalos amorosos envolvendo governantes em funções. Será isso mais uma demonstração da fraqueza da nossa democracia e sociedade? Ou serão eles tão desinteressantes e obscenos ao ponto de nem surgirem candidatas a amantes reais ou interesseiras deslumbradas pelo poder? Outra hipótese plausível é que desde sempre os nossos políticos mal-interpretem a resposta “isso são brincadeiras de crianças“, que é dada pelos representantes de outros estados quando por eles questionados em privado “Isto de governar no vosso país dá para engatar gajas?”

E assim vai girando o nosso país nas mãos dos garotos.

Carta de Natal de Pedro Passos Coelho

Estamos praticamente no dia da consoada de Natal. Tendo em conta as circunstâncias até me sinto um pouco culpado por estar hoje de férias numa altura em que o país precisa de muito trabalho. Certamente que o nosso primeiro ministro nem tempo teve para escrever a cartinha ao Pai Natal, correndo sérios riscos de não ter prenda no sapatinho. À boleia do espírito de Natal decidi à última da hora escrever uma carta em seu nome e proporcionar-lhe, amanhã, uma inesperada surpresa.

Querido Pai Natal, para começar peço desculpa por tratar-te por esta má tradução do teu nome, Santa Claus, espero que compreendas, foi para não dar uma carga negativa ao teu nome, uma vez que nós portugueses consideramos que não há cláusulas santas no mundo. Nem as da constituição!

O meu nome é Pedro Passos Coelho, não te deixes enganar pelo apelido porque nada tenho a ver com o coelhinho da Páscoa nem com a distribuição de pães ázimos. Para ser sincero por minha causa há muita gente a comer o pão que o diabo amassou…

À primeira vista sei que pareço um menino que só faz más acções, mas estou seguro que tu saberás discernir a qualidade dos frutos do meu trabalho que serão colhidos no futuro. Afinal o estrume é parte essencial da agricultura e alguém tem que arregaçar as mangas e baixar as calças para o produzir!

Quero também avisar-te que, por aqui, este ano alguns dos meninos não comeram a sopa porque não havia, pelo que evita penalizá-los por isso. Talvez não dar prendas a meninos que não bebam um copo de água?

Posto isto vamos ao que interessa. Passo a fazer a encomenda das prendas que muito me aprazeria encontrar no sapatinho com a tua assinatura. Sei que não me podes dar todas, pelo que te digo porque preciso de cada uma delas, confio na tua sapiência, sei que vais decidir bem quais devo receber este ano.

  • Conjunto de Gazuas – porque constantemente estou a deparar-me com portas cerradas que obrigam a grande desgaste negocial para abrir. Com um instrumento especializado poderei arrombá-las sem pudor, poupando tempo e esforço.
  • Tribunal Constitucional da Playmobil – sou um coleccionador inveterado e é a única coisa que me falta colocar no baú! Já lá tenho os polícias, os bombeiros, os médicos, os enfermeiros, os funcionários públicos e até mesmo os raríssimos engenheiros de construção naval já estão a caminho!
  • Amolador de Lâminas – encontrei uma machete no sotão, do tempo do meu avô, e às primeiras golpadas percebi que a dita está completamente cega. Em vez de desferir golpes certeiros só dá quicadas. Ainda tenho esperança de a recuperar mas preciso de instrumentos especializados. Por agora está a marinar num alguidar de coca-cola para retirar a ferrugem.
  • Globo Mapa Mundo – pois é… por incrível que pareça de momento não tenho um globo à mão! O que causa enorme transtorno uma vez que ando a receber cartas insultuosas de todos os cantos do mundo. Gosto de lhes chamar os conselhos da diáspora Portuguesa! Adoraria marcar no globo de onde são enviadas as cartas, só que o globo que tinha foi despedaçado pelo meu MNE e Vice que o disputavam ao planear o seu roteiro de viagens de diplomacia internacional. Apesar do alarido dá gosto ver estas ganas de querer fazer!
  • Dicionário da Língua dos Pês – às vezes, quando me querem ensinar o meu trabalho, a gentalha da oposição e da contestação social mete-se a gozar comigo PPPs isto, PPPs aquilo, FDP para aqui, FDP para ali, e não percebo um boi do que falam. Faz parte das minhas funções descer ao seu nível, responder-lhes na mesma linguagem, e reconheço que preciso de ajuda para tal.
  • Um Bom Tacho – comecei por fazer um refogado em lume brando que a meio, por falta de pachorra da minha parte, decidi transitar para uma panela de pressão. Agora está tudo alarmado a apitar e temo que possa mesmo explodir antes de estar no ponto que pretendo. Precavendo-me contra o facto pedia-te, se possível, um bom tacho onde possa continuar a fazer os meus temperos gourmet. O Ângelo, meu mentor de caldinhos do passado, parece já não ter equipamento que me possa dispensar. 😦

E pronto! Não quero abusar! Espero que consigas pelo menos um ou dois destes presentes para o meu sapatinho. Ia ser tão bom para mim… Se não conseguires nada disto na tua fábrica aconselho-te a troca de fornecedor chinês para alemão. Diz que vais da minha parte sff.

Por fim um pequeno aviso. Não tentes fazer swaps dessas prendas com outra coisa qualquer. Isso vai dar porcaria, fala a voz da experiência.

Tudo de bom para ti. Espero que tenhas uma boa noite. Podes vir com as renas todas que aquela história de só puderes ter duas foi uma brincadeira de mau gosto.

Abraço deste teu crente

Pedro Passos Coelho

PS – onde estás a ser tributado a nível de impostos? Já ouviste falar do Golden Residence Permit? Fala comigo!

E com este post desejo um feliz e divertido Natal para todos! HO HO HO

Aguiar Branco, Estaleiro ao Fundo

Viana do Castelo está a agitar as águas. Novamente Aguiar Branco em grande forma no centro da polémica. Estranho a pressa em desfazer-se dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC). Justifica com condicionantes europeias que obrigam à circunstância. Já o presidente da câmara de Viana do Castelo deu hoje uma entrevista revelando ter falado com o comissário europeu para a concorrência e que este, embaraçado, lhe confessou não ter tido qualquer contato da parte do governo português sobre o tema.

A pressa é tal que se levantam dúvidas sobre a capacidade do vencedor da subconcessão em levar o estaleiro a bom porto. Por outro lado o vencedor  traça um futuro brilhante e risonho aos ENVC sob a sua gestão.  A Martifer garante ter garantias de contratos regulares e resolver o problema do Lusitânia imediatamente. Devem ter especialistas com fortes conhecimentos na área da advocacia, capazes de deitar por terra a argumentação utilizada para cancelamento do contrato, desatando o nó em falta nos nós da velocidade! Se assim for os estaleiros podem ser a bóia de salvação da Martifer e vice-versa! O mundo pode ser um local maravilhoso.

Os trabalhadores, indignados, gritam por injeção dos milhões previstos para a liquidação, sob a forma de investimento a fim de modernizar os meios de produção. Segundo eles a empresa tem viabilidade e só não estão a produzir mais porque a gestão assim não o quis ao longo dos anos.

Nem me vou colocar a fazer contas sobre se o Estado é beneficiado ou prejudicado, tendo em conta os valores envolvidos e as consequências em termos sociais que terão de ser amparadas pelo Estado. Agora aquilo que rapidamente me vem à memória, apenas derivado de leituras corriqueiras de revistas de informação, é o seguinte:

Tudo isto são fortes indicadores de que o sector naval estará em crescimento, não só em volume de navios como em envergadura dos mesmos e frequência de uso. Será inevitável o aumento de encomendas de construção a nível mundial bem como a procura de serviços de manutenção. (Falem com o nosso país irmão! Pode ser que caiam umas migalhas como sucedeu com nuestros hermanos.)

Portugal tem todas as condições, em termos de localização dos seus portos, para ser uma opção privilegiada na contratação destes tipos de serviços. Para tal apenas teremos de ter capacidade instalada disponível e know-how adequado. Ou seja, os ENVC não são uma pedra no sapato mas sim uma pérola para o futuro a médio prazo. Por exemplo caiu por terra o argumento que os ENVC assegurariam à Marinha de Guerra Portuguesa a capacidade instalada desactivada no Arsenal do Alfeite. Agora a Armada não tem capacidade, nem autonomia, transformando-se num cliente seguro a longo prazo.

Dá-me a sensação que nos últimos anos andaram a embaçar a pérola para ser vendida como bugiganga em condições vantajosas para o comprador. É inegável o valor e potencial dos estaleiros em si. O questionável será certamente a gestão dos mesmos ao longo destas décadas. Com muita influência política.

Pelo que, tendo em conta a pechincha que é ter dois ou três administradores dos ENVC, recomendaria talvez um volte-face surpreendente em que o estado roubaria à Martifer os dois ou três gestores que já desenharam a solução milagrosa e ficava o assunto arrumado. Desde que parte da solução não passe por esquemas manhosos como por exemplo:

  1. Despedir todos os trabalhadores dos ENVC e extinguir os mesmos;
  2. Criar nova empresa para recomeçar com registo limpo e realizar processo de recrutamento de 1/3 dos trabalhadores despedidos, beneficiando da concorrência directa de pessoas com o know-how necessário, desperadas e desorientadas pela perspectiva de perder emprego, estando mais receptivas à baixa considerável de salários;
  3. Beneficiar das várias condições de incentivo ao emprego ao recrutar colaboradores que se enquadram nos cenários definidos.

Porque isto para além de um excelente acto de gestão, engenharia financeira e reestruturação de recursos humanos seria um escandaloso cambalacho e chulanço aos parcos apoios sociais do estado.

E isso é coisa que o nosso governo certamente classificaria de intolerável, CERTO?

Parapolítica de fusão

Dá cada vez mais dó assistir ao desgaste constante que os media e os parceiros sociais fazem aos nossos governantes com capacidades especiais. Há que respeitar os seus diferentes timings e horizontes mais amplos que os dos humanos mais comuns. Chegámos ao ponto de ter de ser uma  sapiente best-seller a alertar-nos para a necessidade de sermos mais tolerantes para com eles, que tanto trabalham para nosso bem. Afinal, apesar das nossas diferenças no nosso âmago eles e nós somos o mesmo.

Erros do Âmago

E assim debrucei-me sobre estas medidas especiais, saídas das cabeças dos actuais parapolíticos, muito mais receptivo às suas boas intenções e resultados projectados. Apesar do ruído causado pelas machetadas que desbravam o caminho e pela azia causada, entre-portas, pelo mau chá Macaense julgo que consegui vislumbrar o toque de Midas dos nossos governantes! E consegui-o sem deixar crescer a barba por aí além, coisa que reconhecidamente garante ganhos imediatos de inteligência, respeito e maturidade, como todos sabemos via os recentes briefings.

Portugal tem as medidas correctas aplicadas sendo a única lacuna o facto de ainda estarem a ser pensadas como parcelas isoladas! Basta, através de um elaborado processo de fusão, potenciá-las e fortalecê-las, permitindo ao Estado poupanças na ordem dos milhares de milhões de euros! Sim, é isso mesmo! É muito fácil!

Vamos a factos rápidos relativos a Portugal

Euro House on FireMais de mil milhões de euros gastos mensalmente em prestações sociais. Grandes despesas sem qualidade de vida para milhões de cidadãos. E apesar de tudo as prestações sociais são um dos principais alvos de cortes porque são uma das fatias com impacto imediato nas continhas a apresentar à Troika.

Aos desempregados que não recebem subsídio, perto do meio milhão, o governo tem indicado a porta de saída do país. Apenas com um “Adeus e boa sorte!” porque infelizmente nem para um queijinho as contas dão.

Ao mesmo tempo viraram a agulha do investimento para as exportações! Na sua visão sem consumo interno há que, entre outras coisas, diminuir o custo da mão de obra activa para tornar os nossos produtos e serviços mais atractivos no exterior. PMEs ficam para segundo plano, vamos por agora ajudar as grandes empresas a projectar-se no exterior!

Vistas de forma isolada parecem medidas de retrocesso e ultrajantes, só que combinadas podem ser a solução para recuperação meteórica! Basta exportarmos os nossos pensionistas e desempregados!

Enjoy Living AbroadÉ tão óbvio que até eu me envergonho de só agora ter visto a luz ao fundo do túnel com tanta clareza! E ela é emitida da panóplia de países onde viver com 5 dólares por dia é considerado confortável. Os países onde o limiar de pobreza é delimitado pelo valor de 2 dólares por dia. Ou seja, pela módica quantia de 3,73 € por dia (5 dólares ao câmbio de hoje), 115 € por mês teríamos os cidadãos portugueses mais necessitados a viver confortavelmente no exterior.

De certeza que conseguimos voos baratos porque alguns desses países são já donos das maiores empresas nacionais e podem puxar uns cordelinhos. Vêem aviões carregados de mão de obra barata deslocalizada e vão os nossos fragilizados de encontro a uma vida de classe média. Com um bocado de sorte uns conseguirão emprego e conseguiremos produzir produtos “Made in Asia by Portuguese”. É sempre a ganhar. Refazendo as contas acima bastariam uns 460 milhões de euros, incluindo subsidios aos quase meio milhão de desempregados que de momento nada recebem. Uma poupança directa de mais de 60%! Aos quais podem ser acrescentados poupanças em despesas de saúde e educação porque a população não está cá!

A parapolítica tem um enorme potencial, basta-lhe aplicação de técnicas avançadas de fusão.

Talvez depois deste post muitos Portugueses possam ter a vida digna que merecem em países onde se podem dar ao luxo de terminar cada dia com um final feliz.

Chinese Police Thwarted - Happy Endings Not Illegal

Pensões, pensos rápidos e pensos higiénicos

Maioria das pensões de reforma só chega para pagar a casaPensões, não se tem falado de outra coisa ultimamente. De tal forma que me debrucei sobre o assunto ao ponto de ler em detalhe como é calculada a reforma e fazer uma leitura rápida sobre um estudo mais denso sobre o assunto. Enquadrando quem também não conhece em detalhe o nosso sistema de pensões, sem exactidão matemática absoluta, temos fundamentalmente o seguinte:

  • A partir de 1993 a famosa Taxa Social Única fixa-se nos 35,5% de descontos para a segurança social, cabendo 11% ao empregado e 24,5% ao empregador;
  • Para descontos até 2001 a Remuneração de Referência corresponde à média dos 140 salários dos 10 melhores anos dos últimos 15 anos;
  • Para descontos após 2002 a Remuneração de Referência corresponde à média de todos os salários com descontos de contribuição social;
  • A idade de reforma é de 65 anos;
  • A reforma é possível aos 55 anos para quem tenha pelo menos 30 anos de contribuições com uma penalização de sensivelmente 4,5% ao ano;
  • A reforma é possível aos 70 anos para quem tenha pelo menos 40 anos de contribuições com um bónus de 10% ao ano;
  • O valor mínimo de reforma para quem tenha pelo menos 40 anos de contribuições é de 89% do salário mínimo nacional  (hoje são 565,83 € brutos o que dá uma reforma mínima de 503 €);
  • O valor mínimo de reforma é de 300 € sendo completada até esse valor através de um montante denominado de “Complemento Solidário para Idosos”;
  • O sistema está pensado tendo como referência a esperança média de vida dos Portugueses que está perto dos 80 anos, o que corresponde ao pagamento de 14 pensões por ano durante 15 anos.

Da forma como está desenhado o sistema de pensões deveria ser autosustentável. Os 40 anos de contribuição garantiriam os 15 anos de pensões no período pós-reforma. No entanto há dois problemas que o fragilizam e fazem com que as contribuições de hoje, ao invés de estarem a garantir o pagamento de pensões dos seus contribuintes, estão na verdade a ser usadas para garantir o pagamento das pensões actuais.

O primeiro problema é a juventude do sistema em si. Em 1993 quando definida a contribuição de 35,5% já tinhamos décadas de aplicação de outros regimes contributivo que não era nem uniformes, nem universais. O resultado foi que milhões de pensionistas se reformassem ao abrigo dos novos critérios sem terem contribuído em volume suficiente para compensar os gastos futuros com pensões. Ou seja, só no período democrático, de 1974 a 2001, há muitos pensionistas reformados ao abrigo de antigos métodos de cálculo que representam ‘prejuízo’ para o estado uma vez que o volume de contribuições realizado a nível individual não cobre os gastos com a sua pensão individual.  As preocupações sociais foram colocadas à frente da sustentabilidade económica do sistema a longo prazo.

O segundo problema foi a exploração das falhas nos sistemas vingentes até 2001. Um sistema que privilegiava os melhores 140 salários do final da vida contributiva.  Onde patrões e trabalhadores chegavam a acordar uma gestão salarial em que nos últimos anos de carreira existia um aumento significativo para garantir uma melhor reforma. Um sistema onde quem fugisse a uma longa carreira contributiva, ou recebesse uma parcela não tributada, teria garantida uma pensão mínima que apesar de pequena é confortável para muitos. Com a ‘agravante’ de que a esperança média de vida tem aumentado a bom ritmo aumentando potencialmente os anos de exposição a prejuízo no pagamento de pensões.

Agora que temos quase 3 milhões de pensionistas, com a grande maioria a ter beneficiado dos cálculos tendo em conta os melhores 10 anos dos últimos 15 e muitos sem carreira contributiva significativa a beneficiar dos valores mínimos de pensão, o sistema está a dar o berro e daí começarem a surgir as impopulares taxas e cortes sobre pensões. São os chamados pensos rápidos para tentar remediar a situação a curto-prazo.

Algarve participa nas manifestações «Que se lixe a Troika» que alastram pelo paísAs vozes indignadas gritam que nas pensões não se toca! Que se devem respeitar as regras do jogo na altura! Que se devem é acabar com as reformas dos políticos. Até eu me sinto tentado a dizer o mesmo. Só que na verdade sou da geração que corre o risco de não ter pensão depois de décadas a contribuir para financiar os erros do passado. Acabei por me inclinar para uma solução ao estilo penso higiénico que provocará sangramento mas garantirá a correcção necessária para um novo ciclo sustentável.

  1. Recálculo Imediato de Todas as Pensões: facilmente se percebe que há muitas pensões inflaccionadas não sendo justo para os contribuintes actuais suportar esse ónus. O recálculo das pensões existentes, tendo em conta toda a carreira contributiva e não apenas os melhores 10 anos dos últimos 15, e a actual esperança média de vida, iria baixar consideravelmente o valor de muita das pensões actuais. Com impacto progressivo nos casos com maior diferencial para tentar minimizar danos sociais avaliando condicionantes como ter ou não ter habitação própria.
  2. Criar Conta Corrente de Pensão: mais importante do que a idade de reforma é o valor de reforma para garantir um final de vida condigno. Há trabalhadores que têm a sua vida pessoal resolvida, em termos de liquidação de dívidas e realização profissional, aos 50s ou mesmo 40s, estando dispostos a auferir menores rendimentos ganhando mais tempo para si.  Cada contribuinte deveria ter uma conta corrente em que teria o valor de referência da pensão que iria receber se se reformasse no momento. Desde que esse valor atingisse o valor da reforma mínima 300 € poderia ser accionada a reforma. Esta medida daria mais flexibilidade para a decisão de reformas antecipadas porque a pessoa toma a opção considerando que com o rendimento de pensão actual já teria uma vida plenamente satisfatória. Em adenda sempre que este valor fosse superior a 300 € o contribuinte poderia activar receber como rendimento o remanescente se se encontrasse numa condição de desemprego de longa duração.
  3. Reformados e Vida Activa Profissional: um pensionista não deve competir com os trabalhadores no activo, devendo ser-lhe vedada actividade profissional remunerada por conta de outrém. Até porque, tendo em conta o rendimento que já aufere, a concorrência seria desleal podendo baixar os seus custos. Se se quer manter activo profissionalmente não se reforma. Se deseja aplicar os seus conhecimentos não faltarão entidades de cariz social que deles poderão beneficiar em regime de voluntariado. Este ponto é fulcral tendo em conta a flexibilidade dada pelo o ponto 2.
  4. O Fundo de Pensões é um Depósito Seguro: os fundos de pensões não podem ser utilizados em planos de investimento arriscados que potenciem qualquer tipo de perda. Este é um fundo de garantia que não tem de gerar riqueza, apenas ser utilizado para cumprir com o pagamento de pensões presentes e futuras.
  5. Os Descontos são Património Pessoal: o valor acumulado dos descontos efectuados são património do contribuinte e em caso de morte antecipada devem simplesmente ser tratados com um valor total deixado como herança aos herdeiros legítimos.

Estas medidas iriam baixar no imediato o valor total de pensões pagas, introduzindo uma justiça retroactiva, dinamizar o mercado de trabalho, pois permitiria reformas antecipadas flexibilizando opções de vida pessoais e abrindo mais vagas no mercado de trabalho, e garantir aos contribuintes o pagamento de pensões e que as suas poupanças são deixadas aos seus herdeiros em caso de óbito antes de esgotar o valor total dos seus descontos acumulados.

Digerir o estado das pensões em Portugal não é fácil pelo que em adenda só vos posso aconselhar a cuidar da vossa saúde com

Cevada Pensal 100% de cevada 200g

Quem quer ser cobridor?

Aaaaaah, obrigado Tribunal Constitucional por lutares pela verdadeira democracia! Por muito que nos custe a democracia tem de ser defendida através da melhoria da formação e cultura dos eleitores e não com restrições às candidaturas. A corrupção e ditaduras locais não se combatem com este tipo de leis, meramente forçam a troca de caras.

O problema é termos eleitores com conhecimento de actos lesivos a continuar a votar em quem os pratica porque até dão umas cenouras jeitosas. Os eleitores devem ter a possibilidade de ser governados por quem decidam mesmo que isso os deixe na merda por mais quatro anos. O importante é que em cada eleição estejam aptos a votar melhor. Trabalhemos para isso!

E nem de propósito em Setembro temos a decorrer campanhas autárquicas de lés a lés de Portugal, já não bastavam os incêndios. Só que este ano não será feita cobertura mediática televisiva. Menos um acontecimento importante que os muitos milhares de utentes da inovadora e óptima TDT não vão conseguir ver o que só vem reforçar a equidade  do serviço televisivo entre os Portugueses!

O que dizer destes períodos de campanhas eleitorais? Basicamente são o soltar das infernais máquinas de propaganda partidária. São aplicadas as mais actuais e agressivas táticas de Marketing e Comunicação com uma certeza quase absoluta: a vitória não se garante pelo conteúdo mas sim pela imagem e pelo número de brindes ofertados! E que prazer! E que alegria! De encher os bolsos e os aparadores dos mais variados brindes de encher o olho e a alma. Se tudo correr bem apesar da despesa a eleição da fava está garantida e a factura será paga por todos.

Cada vez mais os votos compram-se por quem dá a maior festa, o maior banquete, o maior fogo de vista, iscos de uma presença em comícios e actos de campanha. Os pequenos partidos e movimentos emergentes não conseguem competir com esta parafernália do entretenimento por forma a ter algum espaço mediático para serem ouvidos.

Isto sim é algo que deve ser combatido, esta monopolização da atenção dos eleitores, jogada com dinheiro verdadeiro, com quase todas as casas do jogo real excepto a carta “Vá para a prisão” e as próprias instalações da prisão. A bem da democracia os garrotes e as rédeas devem ser aqui aplicados para tentar garantir o ouvir da voz de todos os candidatos e todas as ideias. Forçar os eleitores a conhecer outros pontos de vista e desintoxicá-los-los do seu fanatismo político moldado pelas barreiras ao conhecimento total. Com boa ressaca se possível!

Como? Como quiserem sendo que para não me atirarem que apontar problemas é fácil, resolvê-los é que é complicado, deixo aqui minha proposta para tentar melhorar a qualidade e volume dos votos. Os pontos principais a explorar são:

  • Em cada comício / evento partidário deveria passar a ser obrigatório o convite a todas as restantes forças políticas que teriam direito a um tempo de antena de 10 minutos cada um imediatamente antes do discurso final por parte do partido organizador do evento;
  • Seriam realizados eventos pagos pelo erário público, em espaços públicos, onde cada força política exporia os seus argumentos com tempo de antena proporcional ao do seu actual peso político com duração mínima de 10 minutos. No final existiria tempo para questões e respostas entre público e oradores. Estes eventos públicos seriam gravados e colocados em formato digital online.
  • A expensa do erário público no final da campanha seria elaborada uma publicação impressa onde cada força política teria duas páginas para apresentar conclusões e argumentos finais. Seria distribuída gratuitamente nas caixas de correio dos eleitores para maximizar o contacto deste com todos os pontos de vista e soluções apresentadas.

Desta forma existiria uma maior garantia das várias mensagens chegarem aos eleitores e o erário público estaria a financiar uma campanha com maior grau de equilibrio de forças sendo que os gastos seriam atenuados por diminuição de subvenções públicas para financiamento directo dos partidos políticos e obtenção de sponsors locais que iriam ficar positivamente associados ao esclarecimento da população e combate ao caciquismo.

Isto não é utópico e é muito mais justo e pró-democrático do que leis que procuram levar à extinção todo e qualquer tipo de dinossauros independentemente da sua natureza escandalosamente predatória ou não. Afinal não será a paisagem do tempo dos dinossauros também aquela que é representada no Éden?

Com as verdades nos enganam

Graças às polémicas recentes descobrimos que, para além do swinging, também o  swapping é uma actividade underground secretamente praticada por muitos portugueses. Praticá-lo na sombra, confinado aos limites de uma redoma obscura, é muito mais satisfatório e relaxante pois é uma actividade liberal altamente complexa de entender e pouco aceite pela opinião pública. No entanto o swapping é fácil de explicar. Basta ir ao casino jogar na roleta, apostar tudo num intervalo de números, vá digamos que uns 5 das 38 casas possíveis, a que chamamos “as nossas taxas”. Se a bola branca sair noutra taxa pagamos o valor da aposta que deixámos em cima da mesa acrescida de juros estupidamente altos que permitem ao casino continuar a lucrar, em prestações austeras, mesmo que não tenhamos condições de voltar a ir jogo.

Swept Under The RugOs nossos noticiários e comentadores políticos pegaram nessas bolas brancas da roleta e transformaram-nas numas leves bolas de ping-pong que batem e rebatem de um lado para o outro. De tal forma que me parece que o que está a acontecer é na verdade um sweeping. De dinheiro dos contribuintes, de culpa de banqueiros e autarcas envolvidos, de responsabilidades políticas da ética e da moral.

No olho do furacão encontra-se Maria Luís Albuquerque que mentiu, omitiu ou esqueceu-se de pormenores do processo em que esteve envolvida nos últimos anos. E a bronca deu-se mesmo antes de ser nomeada para Ministra das Finanças. Colocando em Cavaco Silva o peso da decisão de aceitar ou não a nomeação. E o nosso Presidente diz que tem de acreditar nas informações dadas pelo nosso Primeiro-Ministro.

SAUL - NÃO PERMITAM QUE SUAS DÚVIDAS E ANSIEDADES OS DESANIMEM OU ALARMEME fiquei a pensar nas crenças recentes do Presidente.

Cavaco Silva não acreditou na reformulação que alarga o poder do CDS.

Cavaco Silva acreditou que era possível um governo tri-partidário de salvação nacional.

Cavaco Silva acredita na reformulação que alarga o poder do CDS.

No passado Cavaco Silva acreditou nas dicas que lhe foram dadas para a compra e venda de acções do BPN.

Por acaso do destino nesta última deu-se bem mas a sua crença no actual governo é uma incógnita. O começo está turbulento, com denúncias do envolvimento de alguns dos novos nomeados em vários processos que são a origem do actual pântano onde Portugal está atolado. E mais uma vez o nosso Primeiro Ministro e o nosso Presidente acreditam. Na honestidade, na isenção, no carácter e nas capacidades dessas pessoas.  Esta crença parece-me mais uma fezada inconsciente do que uma decisão informada.

Send your kids to Spy Skool this half term Pessoalmente não percebo esta falta de informação. Para que serve afinal um SIS? Não terá o SIS uma ficha de informação pública e confidencial sobre cada um dos membros do governo? Não será facultada ao Primeiro Ministro e ao Presidente essa ficha para cada potencial nomeado, a fim de perceber ao pormenor a sua teia de influências, lobbies, interesses e social? Não é necessário recolher a informação de forma menos própria basta fazer um levantamento exaustivo do percurso profissional, filiações, rede familiar e social.

O terrorismo político e económico deve ser combatido de igual forma às restantes formas de terrorismo! Têm o potencial de causarem danos catastróficos para o país, com o agravante de o praticarem de forma camuflada mediante a assinatura contratos ruinosos que se afiguram como verdadeiras bombas relógio com anos de latência e décadas de impacto.

Se o nosso SIS não tiver capacidade, ou coragem, para fazer o que tem de ser feito para manter a integridade do nosso país, a todos os níveis, não devemos ter vergonha de pedir auxílio aos nossos amigos americanos que aparentemente sabem tudo sobre todos. Afinal nós por eles acreditámos que o Snowden estaria a bordo do avião de Evo Morales com a mesma veemência com que acreditámos que não existiam prisioneiros a caminho de Guantánamo a fazer escala nos Açores. Ficar-lhes-ia barato agradar-nos com o perfil completo de alguns dos nossos ministros e sua equipa.

Finalizando, o futuro de Portugal está intimamente ligado ao acreditar de Pedro Passos Coelho e de Cavaco Silva que se vão baralhando com a quantidade de verdades disponíveis.

Os Portugueses esses suspiram. Afinal em quem podem eles ainda acreditar?

Reconhecimento aos políticos de alta-competição

Num momento em que Portugal se orgulha com os feitos atléticos de alguns desportistas portugueses pareceu-me oportuno relembrar que existem louvores a reconhecer noutras áreas de actividade, particularmente na política de alta competição. Tal como os atletas de alta competição muitos dos políticos dedicam-se à sua causa com sacrifício social, familiar e pessoal. Pertencer às Jotas, servir os aparelhos, é deveras exigente, apesar de a longo prazo poder ser recompensador. Às vezes é preciso descurar os estudos para dar resposta às solicitações dos grandes barões que dominam as portas de entrada e de saída da ribalta. Tal como no desporto milhares o tentam mas apenas alguns demonstram o empenho e talento necessário para exercer continuamente a sofrida actividade política. Isto pode ser demonstrado rapidamente com algumas analogias.

Michelle Brito comenta vitória históricaMichelle Larcher de Brito, os seus pais emigraram quando tinha apenas 9 anos para que pudesse obter a melhor formação possível como tenista de alta competição. É conhecida pelos gritos que solta ao aplicar a sua força e concentração no batimento da bola. Michelle beneficiou claramente dos conselhos dados por este governo. Uma vida de emigrante foi a garantia do seu sucesso.

Muitos políticos assumem cargos governativos e devido à sua falta de experiência, ou capacidade, exercem as suas funções de uma forma que origina nas ruas gritos similares na maioria da população portuguesa. Acabam por ser forçados a demitir-se. Os mais jovens emigram para melhorar a sua formação em política e governação. Voltam melhores e mais fortes para cargos que lhes conferem ainda mais poder onde a tradicional cortiça das instalações os isola dos gritos das ruas passando a ouvir apenas os seus vitoriosos “UHU! Voltei e ganhei!”.

João Garcia, o primeiro português a alcançar o cume das 14 montanhas mais altas do Mundo João Garcia demonstrou que os portugueses têm capacidade de adaptação a ambientes gélidos e austeros conquistando o cume de 14  das maiores montanhas do mundo. Perdeu nesse feito parte do nariz e cerca de oito falanges das mãos, ficando apenas intactos os seus polegares.

Actualmente os nossos políticos debatem-se com a frieza dos números e o ambiente criado pelas políticas de austeridade. Também eles tentam escalar os obstáculos colocados pela enorme montanha que é a pirâmide etária Portuguesa. Felizmente não necessitam de se limitar ao uso dos comuns equipamentos de escalada. Têm a capacidade de inovar e  aplicam doses certas de desincentivo à natalidade, aumento de desemprego nas camadas jovens, baixa de salários, incentivo à emigração e cortes na saúde e apoio social. Estão assim a conseguir moldar a pirâmide etária por forma a que esta se transforme numa confortável e sustentável escadaria. Isto sem perda de falanges, talvez uns quantos anéis, utilizando apenas os polegares para dizer que está tudo bem ao longo do caminho. Ao fazê-lo é também normal perderem a sua cara. Felizmente os grandes políticos desenvolvem várias faces pelo que o sacrifício é apenas momentâneo e em breve nova face estará pronta para voltar a ser dada e aceite.

Portugal consegue duas medalhas e nove finais nos Europeus juniores de canoagemNa canoagem os portugueses estão a dar cartas demonstrando a sua capacidade inata para navegar águas turbulentas com remadas rápidas, seguras e esforçadas.

Os políticos portugueses há décadas que tentam manter Portugal à tona, estimulando a população a remar, remar, remar enquanto eles tentam pensar, pensar, pensar. O barco está sempre a meter água mas até ver o engenho das braçadeiras políticas e financeiras tem permitido iludir a população de que o seu esforço vale a pena e de que é essencial dar folga aos pensadores.

A Death Valley ultra-marathonMais recentemente Carlos Sá realizou um grande feito ao vencer a ultramaratona de Badwater. Um feito enorme! Aparentemente fora do alcance para um normal ser humano. Contudo ele acreditou e esgotando todos os seus recursos físicos atingiu o fim a que se propôs. Tudo isto só foi possível devido ao apoio de uma equipa médica pronta para lhe garantir a sofrida recuperação física já que no final da prova o seu organismo estava tão esgotado que rejeitava a ingestão de alimentos. A morte seria certa.

Também o Portugal democrático fez uma ultramaratona espantosa melhorando meteoricamente em praticamente todos os indicadores que definem um país desenvolvido. Claro que esgotámos recursos acima da nossa capacidade produtiva mas neste momento estamos a ter o merecido apoio da Troika com vista à nossa recuperação. Se os nossos esforçados políticos conseguirem cumprir a receita médica certamente que um dia estaremos prontos para nova ultramaratona. Diz que dói e que é sofrível mas o que arde cura!

Para finalizar, tal como para a maioria dos atletas de alta competição, existem ciclos de preparação de 4 anos para as provas decisivas que garantem os louros do pódio. Nesse período há que gerir esforços, timings, solicitações e opções para melhoria de rendimento. O stress físico e psicológico é uma constante até ao dia em que é feita a contagem de votos e um novo ciclo se inicia.

A principal diferença para com o desporto é que infelizmente na política só interessa quem ganha e mesmo assim muito poucos querem participar.

Contagem dos votos… no AVENTAR

Não Pagamos! A análise de risco é um risco

Está confirmado! Pior do que ser um fdp é ser pai de uma PPP! Só no sector rodoviário o buraco pode chegar aos 9 mil milhões de euros. As PPP são mecanismos complexos e algo opacos em que é difícil perceber se é ou não vantajoso para o Estado um corte abrupto de despesas com as PPP, ou mesmo a sua privatização. Duas das maiores justificações para as derrapagens são a ausência de estudos, que suportassem a decisão de as concretizar, e a inflação das estimativas para os volumes de utilização e/ou níveis de serviço necessários a garantir.

Temos entidades privadas que, ingenuamente e num acto de fé, acreditaram piamente nos números facultados pelo Estado (não confundir com encomendados) para justificar a necessidade e viabilidade o investimento de milhares de milhões de Euros. O Estado não age com um driver lucrativo, procura sim o progresso e desenvolvimento do país.

Muitas vezes até não terá em funções governativas, e decisivas, as pessoas com as melhores capacidades. Já as entidades privadas só pretendem uma coisa: o lucro, se possível com garantia de mama a longo prazo.

São essas entidades que têm a obrigação de contratar os melhores gestores, os melhores analistas de risco, os melhores estrategas, que lhes permitam apostar o seu capital em apostas seguras e viáveis. O preço de um bom gestor é alto. Bons gestores são caros mas compensam o investimento. Um bom gestor não seria ludibriado por estudos adulterados, um bom gestor saberia analisar os factores de risco crítico e blindar o projecto contra decisões amadoras de governantes menos capazes ou mesmo menos honestos. Ao confirmar-se a conivência de grandes gestores com grandes incompetências governamentais fico com a ideia de que há muitos gestores caros simplesmente porque o preço da alma está upa upa.

Para ajudar à festa temos advogados e consultores que dançam em negociações das PPPs entre a defesa dos interesses do Estado e a defesa de entidades privadas, elementos pertencentes a antigos governos que ao sair passam a exercer altos cargos nas entidades que beneficiaram de grandes PPPs com rendimento garantido por décadas.

Tudo isto cheira mal porque está podre.

Está na altura dos gestores perceberem que nós compreendemos que não fizeram bem o seu trabalho e que a sua análise de risco ‘ignorou’ um risco que pode fazê-los perder muito dinheiro. O risco de surgirem governantes com níveis de ética, honestidade e justiça que os levem a anular ou renegociar brutalmente as PPPs lesivas para o Estado actualmente em curso. O facto dos antigos governantes, decisores, serem mestres nas artes da fantasia e da fábula não significa que todo um povo deva ser perpetuamente prejudicado porque os gestores de entidades privadas fingiram acreditar nas histórias das carochinas.

Está na altura de sermos sérios. Custe o que custar. Doa a quem doer.

O mesmo se aplica aos credores internacionais. Outro embuste com rating AAA. Os milhares de milhões de euros que nos foram emprestados no passado, e de cujos juros somos agora reféns, podem ser usados como chicote em vez de garrote estrangulador. Porque quem nos emprestou o dinheiro nunca fez uma análise de risco apurada para perceber 1) que vão fazer com tanto dinheiro!? 2) vão ser capazes de nos pagar de volta?

Aparentemente os casos denunciados de corrupção, desvios, esbanjamento foram meros fait divers. Os nossos credores só se preocuparam em garantir que parte do empréstimo fosse devolvido quase de imediato, em negócios de contra-partidas, e em que continuássemos com dependência externa em vários sectores. Desde que sejamos bons pagadores o dinheiro pode jorrar.

Quando no cenário actual o não pagamento dos juros de dívida poderia ser um grande elemento de estabilidade porque não exigi-lo para podermos pensar em mais do que pôr o pão na mesa? Um período de carência, de um ou dois anos, em que nem pagávamos dívida nem recebíamos mais empréstimos. Uma reflexão sobre tudo o que foi mal feito. Uma reestruturação tranquila que não se assemelhe a tiros no escuro, a soluções não estudadas, a amputações desesperadas para evitar  septicemia e hemorragias maiores. O fim deste tapar de buracos com medo do risco sistémico que uma entidade possa ter sem considerar o risco sistémico que é ter milhões de portugueses sem poder de compra nem apoio social.

Ironicamente um simples não pagamos pode ser o caminho para voltarmos a ser honestos, íntegros e justos.

PS – este post deu-me tamanhas securas que vou beber um copo de água enquanto posso!

Fogos de Artifícios

Faz mais de um mês que não escrevo. Tenho estado a olhar entretido para os fogos de artifícios que invadiram os nossos media. O país está pausado. Nada avança, nada recua, nada se discute, nada se decide. Preciso de me situar. Estou em Portugal e estamos na merda!

Recapitulando, esta história começou há muito tempo com um conjunto de estudiosos das matérias prementes a chegarem-se à frente para solucionar os problemas do país. Progressivamente foram demonstrando afinal não ter estudado assim tão bem os dossiers e, sem tempo a perder,  optaram por recorrer ao facilitismo das soluções mais básicas e imediatas, sem análise de riscos nem projecções de impacto a médio-longo prazo.

O seu desrespeito, desprezo e desleixo levam-nos ao vício de formular leis anti-constitucionais, fiando-se no eterno vergar do Tribunal Constitucional às circustâncias da crise. A incompetência é demasiado evidente quando, após o chumbo previsto, não saltam da cartola planos B e C preparados para esta eventualidade. Entretanto durante todo este processo fizeram algum face-lifting, excisando a pustúla que habilmente inflacionaram com vista a um sacríficio para aplacar o descontentamento do povo. Para o seu lugar uma pessoa campeã do consenso que muitos duvidam ser alguém com senso.

E desde esse famoso chumbo que o país está praticamente anestesiado.

Salazar

A primeira quinzena de Maio foi praticamente ocupada pelos jogos  do Benfica. No FDS precedente ao 13 de Maio mais de 50% dos telejornais eram ocupados com Futebol e Fátima. Calhasse de alguma estação ter-se lembrado de juntar o Fado e corríamos o risco de Salazar se reerguer da sua campa com a força da sua fórmula mágica dos 3 Fs.

American Preppers NetworkTambém houve tempo para criar uma grande comoção ao obrigar os alunos do 4º ano, tipicamente crianças de 9 anos, a assinar um compromisso de honra em como não usariam telemóveis nos exames. Sinceramente acho que a inversão da ideia ajudaria bastante o país. Obrigar este governo a assinar um compromisso de honra em como usa cábulas e máquinas de calcular científicas quando faz as suas previsões.

Pinóquio Paulo PortasDe seguida surge a batalha interna sobre a TSU dos pensionistas. Passos Coelho diz que é preciso, Portas diz nunca (“jamais” em Francês) e negoceiam a solução. A medida fica no documento apresentado à Troika como uma hipótese para corte de despesa mas o PSD garante ao CDS que não será aplicada. O CDS finge que não cede, o PSD finge que não é um compromisso, o CDS finge que acredita, a Troika finge que não vê a trapaça para passarmos a 7ª avaliação e continuarmos a fingir que estamos bem e no bom caminho. Só por isto sejam Portugueses e no final finjam que gostam deste post!

Cavaco “palhaço”: Miguel Sousa Tavares admite ter sido excessivo em relação a Cavaco Um dos maiores iluminados da nação vê mais além e dá a dica que uma vez que a aprovação ocorreu a 12/13 de Maio obviamente que foi obra da Virgem Maria. Ela já não aparece aos pastorinhos mas ainda faz uns biscates junto de banqueiros, economistas e políticos. Não será esta a tão falada Santíssima Trinidade?

Pouco depois chamam Palhaço ao senhor acima citado. Eu já conhecia a lei. Sou um insultador precavido. Sempre me referi a ele como Presidente. Felizmente como em todas as Leis Portuguesas é possível usar a rotunda para contornar a lei pela direita. A lei pode proibir-nos de chamar Palhaço ao Presidente mas não pode proibir-nos de chamar Presidente a um Palhaço.

Um brilhante exemplo de empreendedorismo, de um aluno dos Salesianos do EstorilJá com o mês na recta final aparece um puto reguila a usar serviços online para, desenrascado, vender umas t-shirts na escola. Qual não é o meu espanto quando é elevado à condição de empreendedor/herói num bate-boca em que afirma que mais vale ganhar o salário mínimo do que estar desempregado. Este é um dos momentos mais assustadores do mês porque revela que a escola do governo já está a surtir efeito. A postura aplaudida não é a de exigir tratamento digno mas sim o de lutar pelo agarrar da migalha maior. Martim, muito boa sorte para a tua Over It e para o teu lema “a ideia de ser superior, de estar em cima”. Espero não vir a assistir à mudança de branding para Game Over It.

Advogados estagiários acusam Marinho Pinto de Houve ainda tempo para agitar as águas com a questão da co-adopção que vai afectar um número infímo de casais homossexuais mas foi capaz de gerar uma polémica estéril antes do tempo já que ainda terá de retornar ao parlamento para nova apreciação. Vi o bastonário Marinho Pinto com tal dureza de corpo e mente que a polícia deveria substituir os bastões por bastonários. São muito melhores dissuasores de comportamentos e pensamentos antagónicos aos nossos.

Vitor Gaspar External contributorO mês acaba com Victor Gaspar a mostrar o seu lado humano e confessar que tem sofrido bastante com a tragédia do seu Benfica. Finalmente está descoberto o ponto fraco deste Colosso das finanças. Só peço a Jesus que o também meu clube perca com cabazadas todos os jogos da próxima época, numa derradeira tentativa de pôr fim à imortalidade deste super-ministro via uma morte por desgosto atroz.

Posto tudo isto, não há dúvidas que Portugal está assolado por um colossal fogo de artifício, cujos flashs e explosões lançam um denso nevoeiro que nos tolda os sentidos e nos impede de ver, ouvir e gritar por “Terra à Vista!”.

Aparentemente as águas estão calmas mas o que nos espera depois do nevoeiro dissipar?

What is Bonfire Night?