Monthly Archives: Novembro 2011

A Competência da Crise

Estou deveras agradecido à crise que germina por este mundo fora.

Havia um conjunto de jarretas resmungões que beliscava o modus operandus do Eden que era a nossa economia e estilo de vida. Eram os comentadores que só sabiam falar mal, do rebenta a bolha, que dirigiam o dedo acusador na direção de culpados que os etiquetavam de senis que só apontam problemas mitológicos sem apresentar soluções utópicas. A vida estava tão boa para tudo e todos que só falaria mal quem estivesse com os pés para a cova e ainda quisesse ter protagonismo antes de se finar. Não eram muito ouvidos porque não tinham espaço mediático e diga-se a verdade porque estava tudo entretido na tal boa vida e era aborrecido procurá-los onde ainda conseguiam espernear. Está bom, não mexe!

Os números dos EBITDAs, liquidez de instrumentos financeiros, facilidade de crédito, indíces de consumo e confiança galopavam desenfreados esmagando qualquer tolo pregador do Armageddon. Em vez de prosperarem e enriquecerem perdiam o tempo a babar saliva. Não eram David contra Golias, eram a formiga Z contra o Hulk.

Estalou a crise e entramos num mundos às avessas. Afinal a tradução de Credit Default Swap era um género de Dona Branca e a solução generalizada para pagar empréstimos milionários é fazer novo empréstimo com juros mais altos à data da liquidação em modo ciclo recursivo infinito. De repente soubemos que não há analistas de risco competentes, a fiscalização de esquemas financeiros confia na boa índole dos agentes financeiros e está isenta de culpa no cartório, os bons gestores de empresas públicas ou público-privadas que através de investimentos arrojados faziam crescer as suas empresas pensavam estar a jogar monopólio num tabuleiro com impressora de notas à descrição, os autarcas abrem buracos financeiros para manter as estradas em condições de serem devidamente arrastadas pelas águas de chuvas torrenciais e por aí a fora. A competência desta crise foi apontar a incompetência das cabeças iluminadas que demonstraram ser antes ilusionistas de grande gabarito.

Melhor do que isso a crise trouxe ao de cima a incompetência do jornalismo. Porque nós, os simplórios do povo, até podemos não dispôr de tempo ou interesse em investigar indícios de actividade ilícita e mastigar números e relatórios públicos para perceber que algo está mal. Mas essa classe é paga para tal e tem o dever de nos informar e de trazer ao de cima as questões fulcrais mesmo que fraturantes, incómodas e contra-corrente. Os media que hoje nos bombardeiam com a crise apocalíptica, e as medidas biblícas a que teremos de nos submeter se quisermos sobreviver, nada fizeram para a denunciar e antecipar quando ainda estava no berço. Mesmo quando nas suas fileiras já tinham vozes que apontavam para um futuro catastrófico. Uns media interessados na verdade, e independentes, não ocultariam o que se passou e o que está a acontecer com a Wikileaks, alvo de sufoco financeiro e jurídico que tenta forçar o seu desaparecimento. Pelo contrário, patrocinariam essa entidade, colaborando no apurar de verdades e no denunciar das injustiças e saques a mando de interesses ocultos por parte de bandos ligados a marionetas incompetentes colocadas estrategicamente em cadeiras de poder.

A competência desta crise foi também criar uma sopa de instabilidade social onde muitos deixam de ter tudo a perder. De onde potencialmente pessoas honestas e competentes poderão passar a ter interesse pela participação direta e ativa na política e quem sabe voltar a endireitar o mundo.

É por isso que apesar de tudo sou obrigado a dizer agradecido: Heil Troika!

Os aficionados e a lide

euro voandoAnunciada que está a intenção da Alemanha aliviar a carga fiscal dos Germânicos, talvez agora se comece a perceber como algumas coisas funcionam.

Basta recuar na história e relembrar que o BCE, criado por todos nós, cidadãos da União Europeia, na proporção da riqueza de cada país, onde mesmo os que não aderiram ao Euro foram participantes, tinha por função ajudar toda a Europa. Em boa verdade com uma contribuição maioritária da Alemanha, inerente á sua posição em relação aos demais.

Existe ainda muita gente que não percebeu, porque é que se foram enviados capitais para o Banco Central Europeu, quando precisamos deles, temos de recorrer a outros bancos. Sabendo que esses que por sua vez vão á fonte do banco central, ou seja vão buscar o nosso dinheiro para nos emprestar taxando-o para ganhar com isso.

Nem Steve Wynn se terá lembrado duma ideia destas, quando inaugurou o Bellagio. O famoso casino do Ocean’s Eleven.Bellagio

Com umas agências de rating á mistura, dando o seu contributo para majorar essas taxas, baixando as classificações dos países, tentando proporcionar maiores ganhos aos accionistas das instituições envolvidas no processo, deu num descalabro que já obrigou a perdoar metade da divida da Grécia.

Ora os que mais contribuíram, mas que por sinal esperariam ser os que mais ganhariam, estão descontentes pois são eles também participantes dos bancos que agora perderam e muito, do seu capital.

Apesar de não ser possível, pelo menos para já, quase dois terços dos Alemães já tencionavam aderir ao modelo de referendo para questões relacionadas com a moeda única, e com pressões arteriais altas há que tentar acalmar os ânimos. Os donos da praça tentam desta forma que as barreiras não sejam transpostas.

Para esta epopeia serão precisos verdadeiros forcados habituados às lides, que enfrentam o bicho de frente, os aficionados não aplaudem mais artistas sem formação tauromáquica, que tentam apenas as pegas de cernelha deixando o animal, embora mais lento, seguir o seu caminho.Pega de Cernelha - Link Cortesia para uso de imagem

Versão para iPod, iPad e iPhone

offshoreO G20, terá acordado publicitar, (entenda-se gratuitamente) sistematicamente a lista dos países que não fazem o que é preciso para abandonar um comportamento inadmissível, traduzido para os mais distraídos, os paraísos fiscais.

Para estarem actualizados, em cada cimeira irá ser divulgada a relação de países que são ou têm dentro deles, locais paradisíacos. Uma boa acção por parte dos donos do Mundo, mas paralelamente uma ferramenta destinada a baralhar.

Falta saber se constará da listagem a georreferenciação, útil para os ilustres das Nações desenvolvidas, decorrem já negociações para que esteja disponível para as mais variadas aplicações informáticas, quanto aos outros terão de procurar nos velhinhos atlas de folhas já amareladas pelo tempo que passaram nos sótãos.

Isto sim é solidariedade, o tempo é dinheiro e saber em primeira mão onde se encontram os locais onde o numerário pode ser ocultado da cobiça alheia é fundamental.

Até agora gastavam-se fortunas com gabinetes de advogados e especialistas na matéria, para que estes analisassem á lupa as leis, garantindo os melhores locais onde os gigantescos montantes poderiam descansar tranquilamente, doravante para ficar esclarecido basta marcarem presença na cimeira.

O dever da informação impõe-se, aqui ficam os participantes com lugar já garantido na competição, os chamados locais seguros.Trinidad Tobago

Estão no campeonato, porque não adoptaram o quadro jurídico, Antígua e Barbuda, Barbados, Botswana, Brunei, Panamá, Seychelles, Trinidad e Tobago, Uruguai e Vanuatu.

Á fase de eliminatórias porque ainda não se qualificaram como países que aceitaram este quadro, estão a Suíça e o Liechtenstein. Jersey terá lugar honorário, pelo seu desempenho.

Um dos presentes na cimeira afirmou mesmo que há três anos tinha ameaçado deixar os demais ao desamparo se esta lista não fosse gerada, não estaria porventura disposto a fazer má figura por às escuras sobre o assunto.

Quiçá brevemente estará disponível no “ao leme” um kit com o “Modus Operandi” se ainda existirem vertebrados com maquias a transferir, certamente terá um atlas pois somos mais dados á aventura.

O Português mais importante do Mundo

Corre o rumor que o Português mais influente no mundo, terá desta feita comprometido a sua imparcialidade em prol de um motivo patriótico. A sua discreta acção de bastidores terá permitido o agendamento da visita do chefe de estado Português, Prof. Aníbal Cavaco Silva à Casa Branca no próximo dia 9 de Novembro deste ano.

A agenda de trabalhos não foi revelada, mas são conhecidas as preocupações do presidente norte-americano Barack Obama com o futuro da zona franca da Madeira, com as filas de espera nos pastéis de Belém e com o assoreamento da Ria Formosa, mesmo em frente à casa onde o democrata John Carry por vezes passa férias.

Preocupações obviamente partilhadas pelo seu homólogo Português, o qual tem sobre os temas proferido os seus clássicos avisos.

Está prevista ainda uma sessão fotográfica nos jardins da Casa Branca, durante a qual o presidente Português agraciará Bo, o Cão-de-água Português da família Obama, com a ordem honorífica do Mérito, em reconhecimento da sua abnegação em favor da colectividade Lusitana, nomeadamente a promoção da visita a Washington, DC.

Compostagem ou Incineração

Reciclar

Todos nós o fazemos uns mais que outros, embora o tema reciclagem tenha entrado no nosso vocabulário há poucos anos tem ganho bastantes adeptos que se preocupam, escolhendo os recipientes certos para cada tipo de lixo.

A triagem doméstica demorará certamente a ser exemplar, todavia já não precisamos de dizer aos nossos herdeiros qual a cor certa do “reciclómetro”a utilizar.

Em tempos idos os detritos eram colocados quase directamente nas lixeiras e mais tarde em aterros sanitários, alguns dos quais até deram jardins onde hoje crescem árvores e se pode passear ou praticar jogging.

Existe porem uns dejectos para os quais mesmo a incinerarão se torna inútil, a sua queima não produz qualquer energia, antes pelo contrário provoca uma necessidade de nova produção e em grande escala. Uma estirpe em que a alta temperatura não resultará para a sua reciclagem, entulho que é empacotado utilizando métodos contabilísticos e posteriormente colocado a circular embalado em caixas coloridas com um grande laçarote, aliciando quem o queira guardar, garantindo que a sua energia é de “giga watts”.

Esta combustão turbulenta tem os seus próprios gases, uma vez que são compostos por substâncias tóxicas, certamente vão pairar na atmosfera durante muitos anos, asfixiando até que se descubra formas para os filtrar.

GasesSe a mãe natureza for nossa amiga, avizinham-se mais verões com dias longos do que gélidos invernos, não precisaremos portanto de tanta energia para o aquecimento ou iluminação, caso contrário teremos mesmo que voltar a tempos ancestrais em que os povos se aqueciam com fogueiras.

Os geradores estão hoje no limiar da potência, alguns dos seus fogueiros vaticinam uma franca hipótese de terem que lhes atirar ainda mais combustível, para que não se apaguem de vez.

Apregoam-se agora revitalizações com inertes, muitos deles vindos do próprio processo, pois a ordem é de conflagrar.Forno

Heathcliff e Marmaduke

O sucesso está garantido a todo o enredo que tenha como personagens um cão e um gato. Heathcliff & Marmaduke, não são obviamente excepção.

A monotonia em tempos apontada a esta Banda Desenhada, é manifestamente injustificada. Um breve olhar sobre os jornais dos últimos dias confirma em absoluto a sua vitalidade.  Vibrante e até apaixonante!

Referendo Grego ao Perdão da Divida

Referendo

Celebrado o acordo de salvação, com altruísta perdão associado, ao virar a página surge a surpresa: De um lado, Marmaduke, o Grand Danois celebre pelas suas insólitas capacidades caninas. Do outro, o gato rafeiro Heathcliff.

Este último, movido pelo seu instinto felino anuncia um referendo. “Um referendo?” Exclama Marmaduke. Pressiona, avisando “não alteraremos as condições do perdão”.

Heathcliff justifica-se e classifica a iniciativa como preventiva, dando como prova a antecipação da substituição das chefias militares. Ao que parece, o golpe militar é temido no seu domicílio.

Marmaduke confessa-se surpreendido, pois tinha como adquirida a perca de soberania doméstica de Heathcliff.

Perigosa presunção, que a todos deixa em suspense até ao próximo livro, “O Ultimato da torneira fechada”.

Não o perca, até porque não pode!

Procurando a “Agulha de Marear”

Decorria já longa a faina do arrasto, nesta época ordenados por uma pretensa a lobo-do-mar ao estilo Capitão Haddock, os embarcadiços audazes esperavam encher porões com todos os tipos de peixe que pudessem apanhar nesta técnica que traz tudo na malha. Nestas correntes mesmo as espécies que ninguém aprecia têm a sua experiencia de vida, nadando como de salmões na época da desova se tratassem.

A Longas milhas dum porto seguro, com ventos contrários, o inesperado acontece, soa o alarme e algo ainda desconhecido vai enfraquecendo os comandos da embarcação. Reunida de emergência a tripulação afecta á ponte, conseguem adivinhar um problema no sistema hidráulico.

Capitã e seu imediato ordenam para que se estanque a fuga, remetem a função aos oficias de máquinas para que dêem fim ao incidente. Entretanto pairavam já á deriva, á mercê da ondulação agitada.

Super Mário

A cadeia de comando na secção do convés funcionou na perfeição, pensavam já na rápida continuidade da viagem, mas  surge precipitado o mecânico de bordo qual Super Mário, informando que apenas dispõe de pequenos artefactos destinados às fugas.

Sempre se disse que, “quem vai ao mar avia-se em terra” mas para surpresa dos anfitriões, esta viagem antevia forçosamente uma história diferente. Decide-se então reunir toda a tripulação com a intenção de saberem qual a melhor solução, mas esta já nada quer além de continuar a sua labuta.

Incrédulos mas ainda sedentos do seu quinhão no final da faina, quase provocam um motim, as vozes dividem-se e as culpas multiplicam-se, a solução porém não tem fim á vista porque antes de zarpar não foram tidas as devidas cautelas.

O lubrificante que faz girar a engrenagem está a derramar-se, foi esquecida a manutenção e ele não chega ao seu destino, para que tudo funcione.

Numa tentativa de escapar á humilhação e às prováveis destituições, oficial e seu imediato, tentam estancar a fuga, sentindo os olhares atentos da tripulação, sabedores que nas artes de marear, esquecimentos destes podem dar direito a serem arrastados para o fundo.

A rede que tudo levaToda a restante frota mais nervosa que nunca, pede aos comandantes que exortem no sentido de conseguirem uma real união, em que todos arregacem as mangas.

Em terra firme está toda uma indústria esperançosa que a apanha resista, podendo assim ter mais uns tempos de alimento.

Um Dízimo da Responsabilidade

Tenho pena. Tenho pena do Vitor Gaspar, do Passos Coelho, do Sócrates e de todos os outros que arcam com todas as culpas dos orçamentos e PECs. Na verdade a culpa é nossa, dos eleitores, que nos deixamos levar pelas melodias de Hamelin tão bem executadas pelas suas máquinas de marketing e propaganda. Nada seria mais justo do que ter a capacidade de assumir diretamente parte da culpa, e da malapata, dos orçamentos de estado.

Como é meu apanágio não choro apenas para derramar lágrimas ao solo. Olhando para as poças salínicas vi que transformaram o chão em barro. Enchi a mão e joguei-o à parede para ver o que pegava. E o resultado é surpreendente. Segundo as borras na parede é possível aliviar a carga da culpa, que atola os nossos governantes, se fosse dada a autonomia, a quem assim o entendesse, para  a distribuição de 10% do seu IRS. E para aumentar a parada podia ser dada essa benesse apenas a quem exercesse o seu direito de voto!

No final da declaração de IRS teríamos uma lista com as rubricas de Orçamento (Finanças, Saúde, Educação e Ciência, Solidariedade e Segurança Social, Defesa Nacional, Justiça, Agricultura, Cultura,etc) passíveis de serem afectas.  Cada um dos eleitores que disseram presentes poderiam distribuir 100% de 10% do seu IRS, numa única ou em múltiplas rubricas. Isto sim seria um verdadeiro Orçamento Participativo com empenho cívico.

Desta forma distribuiamos ao povo 10% da culpa e apenas correríamos o risco de ser enganados em 90% do orçamento do país. Claro que sem os magalhães, e a sua famosa inteligência artificial capaz de nos conduzir à Venezuela utilizando navios made in Portugal via acordos por cumprir perpetuamente renovados, teremos de voltar a recorrer a métodos de cálculo arcaicos para definir as parcelas que queremos para cada rubrica. Poderemos falhar e escolher as rubricas que menos falta fazem desenvolver em Portugal. Poderemos apostar na Cultura quando são a Educação e Saúde que precisavam dos nossos 10% por inteiro. Não faz mal. Daremos mais valor a quem erra hoje 100% a nosso mandato, pegaremos numa cadeira e enfrentaremos o castigo de peito feito com a certeza de desta vez termos realmente participado no encher do balde de merda.