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Como cai um Presidente da República?

O Primeiro Ministro de Singapura, Lee Hsien Loong, vai sofrer corte de 36% passando a ganhar 1,33 milhões de euros ano.

O Presidente de Singapura, Tony Tan, vai sofrer corte de 51% no salário passando a ganhar 907 mil euros ano.

Cavaco Silva, Presidente de Portugal, ganha 84 000 € ano.

Hu Jintao, Presidente da China, ganha 14 130 € ano.

Os dois primeiros ganham fortunas mas têm o seu salário indexado a indicadores económicos que são os seus objectivos como gestores da nação. Conseguiram um crescimento do PIB a quase 15% e uma taxa de desemprego a 2%.

O nosso Presidente não ganha para as despesas mas tem a sorte de viver actualmente num país classificado como lixo com muitas oportunidades de recorrer  à coleta de bens deitados fora que podem ser reciclados como por exemplo um banco, parte de uma companhia de electricidade ou uma companhia das águas. Um rendimento extra garantido e bem apreciado.

O Presidente da China à proporção é um miserável, mas capaz de organizar umas poupanças para ir comprando umas pechinchas que um dia há-de voltar a vender banhadas a ouro e cravejadas de diamantes com alta percentagem de chumbo.

Nas últimas eleições presidenciais tinhamos um governo PS a preparar-se para driblar a nação com um conjunto de PECs, um nome diferente para pacotes ou medidas de austeridade. O nosso Presidente assanhou-se e deu indicadores que para um segundo mandato iria ser interventivo e moderador do impacto das medidas na vida dos seus Portugueses não facilitando a vida a José Sócrates. A alternativa era Manuel Alegre, um candidato independente da família socialista, que tinha um discurso mais agressivo e parecia ir chocalhar as águas políticas num momento de pré-crise, ou de crise camuflada, onde qualquer distúrbio poderia empurrar-nos para onde estamos hoje.

Em acréscimo, a tendência das últimas eleições diz que os Portugueses gostam de ver forças políticas distintas nas cadeiras de Primeiro Ministro e de Presidente da República. E assim naturalmente Cavaco Silva ganhou o seu segundo mandato.

Entretanto com o PS a entrar em contradição e a ser forçado à aplicação das medidas necessárias para corrigir as contas, surge um descontentamento social crescente e rapidamente reaprendemos como cai um governo com a concertação dos partidos da oposição que avaliaram ser aquela a hora H para reconquistar as rédeas do poder.

E de repente tudo mudou. Uma guinada à direita, sacudir o capote para a esquerda, fazer o contrário do prometido na campanha eleitoral, a soberania económica de fachada e o caos social instalado. Um retrocesso das condições de vida e do ânimo de viver para milhões. E um Presidente que mudou. Um Presidente que defendia o “deixem-me trabalhar” parece agora gozar com quem trabalha mais por menos. Um Presidente que prometia ser interventivo quanto baste, limita-se a avisar para a inconstitucionalidade e injustiça social de algumas medidas que aprova depois sem o mínimo burburinho, mais não seja que um vetinho estéril para português ver.

Sei que a capacidade de intervenção direta do Presidente é limitada mas os seus discursos podem ser galvanizadores daqueles que estão a ser acossados por medida atrás de medida. Que vinque que o carácter das medidas excepcionais deve ser temporário, que reflita em atos simbólicos as suas críticas prévias sobre as leis que lhe são entregue para aprovação. Parece que a única “força de bloqueio” actualmente em acção é a força das suas mandíbulas cerradas. Temo que tanta ausência de discurso prático o tenha feito perder o discernimento no discurso improvisado. Pior, temo que por improvisação saia o seu pensamento direto sem a censura dos seus acessores de comunicação.

Desculpei os ganhos em bolsa com o BPN, desculpei as giga-jogas com as escrituras da casa na santa terrinha, desculpei os ‘amigos’ envolvidos em casos de corrupção, desculpei um primeiro mandato de mudez mas neste momento não há mais margem de manobra para desculpas a não ser talvez para um Alegre, ou mesmo para um Nobre, que sendo menos politicamente corretos talvez fossem mais socialmente certeiros. Foda-se, pá! Votei em ti, merda! Mea culpa! Mas era para acossares o José Sócrates e não para andares com meninos da família ao colo! E que raio de vícios tens tu que não podem ser sustentados com 10 000 € mês?

Obrigaste-me a aprender como cai um Presidente da República. Aparentemente só é possível a sua destituição via uma de duas formas:

  • Mediante Responsabilidade Criminal com condenação de crime praticado.
  • Por Renúncia feita pelo próprio em mensagem dirigida à Assembleia da República.

A primeira está fora de questão mas esta segunda só depende do próprio. Haja uma suficientemente grande manifestação social para a sua destituição e acredito que sejas homem para o fazer. Pelo menos o Sócrates foi.

Não há pastel…

O governo tenta agora a mensagem positiva, a chamada boa nova. Fraca atenção ao detalhe, ou estratégia deliberada? O raio do logótipo dos pastéis de Belém tem lá escrito “desde 1837”. Na verdade, já em Novembro do ano passado Barack Obama manifestou preocupação sobre a temática do Pastel, ou da falta dele… A revolta dos pastéis de nata está iminente, mas de fazer propaganda não podemos acusar o nosso primeiro. Nem de mau gosto, porque os pastéis são divinais!

Do além chegou-nos também o acordo de concertação social. O Álvaro de pronto falou aos mercados, mas nem tratado por tu os mercados o querem. A empatia não acontece. Contudo, lá ganhou a guerra perdendo a batalha. No movimento sindical não se lê Sun Tzu, nem se aprecia pugilismo… Pena.

Quem terá sido o espertalhão que avançou o isco da meia hora? Terá sido o Relvas, ou foi mesmo obra do Álvaro?…

Os truques do Downsizing

Aumento da taxação de impostos, retenção de subsídios durante dois anos no estado, empresas públicas e similares, aumento das taxas moderadoras sobre serviços de saúde, encerramento de unidades de saúde pouco rentáveis, diminuição de participação em medicamentos, fim das SCUTS, diminuição de montante e/ou prazo de pagamento de reformas e outros tipos de subsidiação (entre outros o do desemprego), privatizações de empresas estatais monopolistas que fornecem serviços básicos à população,  etc. Tudo isto para quê?

Em 2012 aumentam os preços de uma enorme gama de produtos alimentares, com IVA revisto, fala-se de aumentos de pelo menos 4% em gás, electricidade e água e os produtos petrolíferos encontram-se em nova espiral de subida de preços. Somando a isto o aumento do custo com portagens e o aumento das despesas de saúde para quem delas necessite, como quantificar a perda real do poder de compra tendo em conta todas estas variáveis? Para muitos Portugueses o orçamento familiar vai ser alvo de revisão forçada e será preciso escolher se se vai destapar os pés ou a cabeça.

Numa altura caracterizada por desemprego de longa duração a diminuição do período de apoio só irá aumentar o número de desempregados sem subsídio. Com a diminuição de serviços médicos e o aumento das listas de espera, que curiosamente estavam em contracção, quantas pessoas correm risco de vida ou prolongamento de vida sofrível porque os tempos não estão de feição? Quantos pensionistas deixarão de fazer medicação adequada com a reformulação em baixa da reforma e da comparticipação em medicamentos?

E o impacto das SCUTs terá sido bem avaliado? Foi estudada a dinâmica social e profissional dos seus utentes? A maioria não poderá suportar estes custos e voltará às velhinhas nacionais aumentando tempo de deslocação, acidentes e transferindo a despesa de manutenção de estradas para a já tão esburacada Estradas de Portugal. E os concessionários das SCUTs com menos tráfego e necessidades de manutenção terão o seu quinhão garantido com as compensações acordadas com o Estado para o caso do volume de utentes não ser o esperado. É como se pagássemos duas vezes sem ter o benefício da melhor solução de deslocação. Será que esta correlação será feita em análises futuras?

Diria que para um governo frio e calculista apenas o grupo dos desempregados poderá ser problemático. Porque é gente activa que fica sem ocupação, capaz de se indignar e ir para as ruas estrilhar. Os outros, pensionistas e utentes regulares do serviço nacional de saúde, a médio prazo têm grande probabilidade de deixar de fazer número. Afinal com menos 42 mil cirurgias entre Setembro e Novembro de 2011 vs Setembro e Novembro de 2012, diminuição de 20% da actividade cirurgica num ano e o bastonário da Ordem dos Médicos a alertar que se está a acumular mensalmente atrasos de semana e meia nas listas de espera, não devem haver muitos pacientes em espera capazes de sobreviver a tal austeridade. Pelo lado social e familiar é mau mas para os números do OE é coisa para ajudar bastante.

Quando uma pessoa está há demasiado tempo sem ter oportunidade de produzir começa a ficar irrequieta e capaz de se mobilizar, sobretudo porque não tem nada a perder para além de um certo anonimato. Talvez por isso o governo tenha emitido fortes sinais de que para os próximos tempos o melhor é mesmo emigrar, procurar soluções no exterior. Com um certo paternalismo, é certo, mas com o sincero desejo de que desta forma consigam diminuir despesas com estes ‘fardos’ e ao mesmo tempo manter uma certa aparência de satisfação e paz social.

Os empregados esses têm que se manter com juízo, comer o pão que o diabo amassa, tal é a pressão causada pelos largos milhares disponíveis para ocupar o seu lugar, ainda por cima a melhor preço, e a falta de outras opções. Dois anos sem subsídio são suficientes para criar esquecimento de que alguma vez existiram e gerar conformidade com as necessidades dos novos tempos.  E as horas de produtividade exigidas a mais hão-de vir de algum lado nem que seja das horas dedicadas à esfera familiar, social e pessoal. Talvez a mitológica, famosa e atribulada vida vestibular existente em ambientes hospitalares se comece a extender a outras áreas de actividade.

Os trabalhadores Portugueses assemelham-se neste momento a Lemmings enfileirados a caminho da falésia com a secreta esperança que após o sacrifício do pelotão da frente se chegue à conclusão que o equilibrio no ecossistema está restabelecido e afinal o seu sacrifício pode ser evitado. RIP e obrigado aos menos afortunados.

Mas o pior ainda há-de estar para vir. O SOS China é uma bóia de salvação para o curto prazo mas sendo-lhes concedido suficiente poder de decisão, a médio prazo existe o real perigo substituição de fornecedores e da invasão de uma mão-de-obra barata não tão qualificada, não tão sindicalizada nem ciente dos seus direitos, mas que cumpre prazos e dá brilho aos orçamentos de obras.

Para o estado tudo vai bem. Menos despesas diretas com as SCUT, menos despesa com subsidição de desemprego (com menos inscritos nos centros de emprego), menos despesa com saúde (com transferência de muitos utentes em fila de espera para as estatísticas de óbitos), menos despesa com pensionistas, menos empresas públicas (inclusive as mais rentáveis e base de serviços essenciais à população) , na globalidade um gigantesco downsizing de sucesso para o livro de contas de 2012 e 2013.

Para os Portugueses em geral não se sabe bem. Vão encaixando downsizing atrás de downsizing aparentemente sem sentir grande necessidade para um achocalhante uprising capaz de retribuir um pouco da austeridade.

PS – Resisti ao ímpeto de aplicar downsizing ao tamanho deste post porque considerei que todos os parágrafos produzidos tinham direito à publicação independentemente de terem maior ou menor ROI em termos de leitura.

O Êxodo

Exausto com a abundante e infundada crítica ao filantrópico e mais que avisado conselho à nação, decidi agir. Movo-me, não em defesa do novo messias, nem tão pouco do apóstolo de Alarcão que o antecedeu na doutrina do Êxodo. Enalteço o conteúdo e borrifo-me na forma. A fuga dos Lusos da Europa é uma inevitabilidade e tem fundamento histórico. Quais judeus em fuga do Egipto e da escravatura. A analogia é tão óbvia quanto alucinada.

Não compreenderemos o Êxodo, sem abordar a Génesis da Europa Moderna. Tudo começou em 1948, na urbe que celebra a criança que despudoradamente urina ao vento, Bruxelas. Em 1951, desta feita em Paris, foram tratados o carvão e o aço. A Comunidade nasce em 1957 na cidade eterna, Roma. A fusão ocorreu no regresso a Bruxelas, em 1965. Até aqui, tudo bem, estávamos fora.

Em 1986, um ano após a adesão de Portugal, foi assinado o Acto Único Europeu em Haia e no Luxemburgo. Animados com os fundos estruturais, não ligamos. Aparentemente, já nesta altura a Holanda era um destino desejado. De Maastricht em 1992, partimos para a loucura de Amesterdão em 1997. Falamos, comentamos, mas na verdade continuamos a não ligar. Jorrava, logo, tudo corria de feição. Dividir para reinar foi o lema em Nice em 2001. Novo século, novos membros. Menos, mas ainda jorrava. Eis que chega o sétimo dia e ao invés do descanço, reunimos as hostes em Lisboa. Diz-se desse dia que foi porreiro, pá. Mas não foi, não foi mesmo nada porreiro. Não reparamos na altura, e em boa verdade só agora alguns de nós desconfiam.

Assim foi a Génesis. Desprovida de valores democráticos e de genuína representatividade das populações. Aos tristes exemplos dos referendos “até à resposta certa”, acrescem agora as nomeações de novas equipas executivas em Itália e na Grécia. O momento é de acção, não de eleição. Avassalador: voltamos aos métodos medievais. Tal como na idade das trevas, o medo é usado como arma de submissão, a cultura clássica é erradicada e toda a reflexão é relegada para o estatuto de luxo supérfluo.

Entre todas as inconvenientes actividades humanas, a reflexão é sem duvida a menos oportuna. Exactamente por isso, imprescindivel! Façamo-lo então: Todos os dias, pelo menos cinco milhões de euros saem de Portugal, pelo que o Êxodo de capitais é um sucesso. O Êxodo de ex-primeiros-ministros é igualmente um sucesso. Só cá ficaram dois, um dos quais é Presidente da Republica. Concedo, este Êxodo é apenas um sucesso parcial, mas amplamente compensado pelo Êxodo das sedes fiscais das holdings, o que não sendo novidade, goza agora de grande notoriedade mediática. Aparentemente, e desta feita, constitui crime de lesa-pátria. Será que toda esta cidadania participativa e atenta questiona a frequência desta prática? E as suas causas?

Sejamos francos: O conselho é bom, pois os mandamentos só se aplicam a quem fica!

Deferência também fica bem

De bandejaNa já de difícil compreensão tabela de categorias laborais, adicionam agora o “Chega-me isso”. Classe a ser incluída nos quadros de remuneração superior, daqueles que dão direito a ajudas de custo e viagens em executiva, porque a intenção hoje não é a exclusão mas sim de obediência.

Uma retrospectiva feita á memória não muito longínqua, lembra casos de mudança unilateral de condições de trabalho, que pelos mais diversos motivos era anunciada uma “promoção” para funções algo estranhas como conferir Diários da República, sublinhar itens em outro qualquer jornal, ou mesmo transladar o arquivo morto para outro túmulo.

Chamavam-lhes na altura os zombies, pessoas colocadas numa secretária despovoada do mais ínfimo artefacto para assim os pressionar ao abandono de funções ou mesmo á demência.

Inadequadamente imputando á generalidade dos nativos, despesismos galopantes e continuados, com juros piores que os de uma dona também presente na nossa memória, tenta agora uma outra dona acompanhada de um galanteador inventar formas para que se cumpra rigorosamente o plano mas com controlo absoluto, temendo uma recessão interna que lhe trás triste memória.

Essa nova categoria já tem dado o seu contributo para alguns dossiês internos, se não, foi o deu a entender. Uns quantos com valor e créditos mais ou menos firmados foram indigitados para, nada!

Às decisões já tomadas era apenas necessário juntar um condimento de honestidade e estudo para iludir os mais incautos.

Para que se almeje mais auxílio aos países necessitados, terá de ser transmitido poder a quem ajuda, isto traduzido para as leis laborais nada mais é que indexar uns quantos intervenientes internos em, mangas-de-alpaca.As contas

Num sentido puro de equidade e constantes melhorias de condições de trabalho, os indigitados para a função terão na sua maioria direito a viatura de serviço e uns quantos ajudantes, mas na realidade não farão mais que chegar os papeis a quem nos quer, já com escritório montado, controlar.

Os que nos “prestam assistência” optam, por tentar dominar tudo e todos de forma que se entenda quem manda, vigiando de perto a eficácia do esperado retorno.

Não é inédito recorrer a este tipo de ajudas e inevitavelmente novamente cumpriremos, salvo se o tiro lhes sair pela culatra, mas ficava-lhes bem algum apreço, não só por quem lhes entrega os escritos mas por todos nós, os que pagamos.Cortesia

欢迎葡萄牙 – Investir na Educação para salvar o Turismo

A Europa está a bater no fundo e nem o turismo parece ser bóia de salvação em tempo de pregação da poupança. Esta dependência total da Europa é muito bonita quando o iceberg não se avista. Mas agora que encalhamos, e o sacana parece capaz de resistir até ao problema do aquecimento global, está na hora de pensar além fronteiras.

Olhando para os dados mais recentes relativos ao turismo, retirados do INE,  vemos que a grande massa turística é proveniente de Espanha, Reino Unido, França e Alemanha. Juntos representam mais de 60% das entradas e receitas do turismo.

Ora os dois primeiros já estão sob regime de austeridade, o terceiro anda um bocado aos papéis a ver se percebe se está abaixo ou acima da linha de água, e o último por uma questão de pudor e rigor não poderá tão cedo vir aproveitar-se da pobreza e austeridade que nos aconselha a impôr para os próximos tempos.

Posto isto quem tem vontade e dinheiro para nos visitar, desfrutar dos nossos recursos, sentir o nosso life style, largando uma nota simpática que permita fazer do turismo uma âncora de emprego e dividendos? Essa é a questão que pode ser a nossa salvação. Afinal Portugal representa apenas 1,5% a 2% da Quota de Turismo Mundial. É ainda daquelas raras quotas em que estamos autorizados a investir para crescer não sendo subsidiados se nada fizermos para isso!

Mais alguns números interessantes para a tomada de decisão:

  • 180 Milhões de falantes de Alemão;
  • 220 Milhões de falantes de Francês;
  • 250 Milhões de falantes de Português;
  • 500 Milhões de falantes de Espanhol;
  • 1 000 Milhões de falantes de Mandarim;
  • 500 Milhões a 1 900 Milhões de falantes de Inglês;

Portugueses somos nós, Espanhol portunhol desenrasca e nasce connosco e o Inglês é uma necessidade obrigatória já colmatada no nosso sistema de ensino. Boa, já temos uma resposta aceitável para um mercado potencial de uns milhares de milhões sem grande esforço. Valerá a pena investir no ensino de Francês e Alemão sendo que particularmente estes últimos dominam também o Inglês?

A Ásia, em particular a China, é uma potência emergente com mercado crescente e sedento de visitar a Europa. Há países mais apetecíveis que o nosso para visitar? Sim, claro. Mas recentemente visitei a Ásia e sentimo-nos completamente desorientados em zonas onde só se fala e escreve Mandarim. É difícil perceber e fazermo-nos perceber sendo até por vezes impeditivo ou limitativo da nossa mobilidade e sustentabilidade. Isto é o que sentem também os turistas desses países quando visitam a Europa sem dominar o Inglês. É por isso que viajam em grupos, com guias de carne e osso e rotas bem definidas. Não desfrutam de uma visita em verdadeira liberdade.

É aqui que podemos fazer a diferença, em 10 a 20 anos, se começarmos já a assumir o pelotão da frente. Tornemos o Mandarim uma língua de ensino obrigatório, pelo menos para estudantes na área de actividades turísticas, e traduzamos as placas públicas das principais zonas turísticas para terem orientações em Português, Inglês e Mandarim. Tornemos as nossas ruas navegáveis por orientais sem necessidade de constante acompanhamento. Vamos brindá-los com algumas conversas de ocasião na sua língua. Tornemo-nos nos perfeitos anfitriões para falantes de Mandarim e em pouco tempo seremos inundados por eles e salvos pelos seus Yuan. Por cada sorriso registado na câmara e postado numa rede social asiática com um “Uau! Eles aqui compreendem-nos! E são tão giros!”  temos milhares de novos clientes a fazer booking no próximo minuto. Dica Bónus: aproveitar as próximas décadas de regime transitório de Macau para a China, onde ainda temos uma presença marcante, para divulgar e semear a nossa recém-adquirida capacidade linguística e dizer-lhes que temos muito mais do que casinos por muito menos.

Além de que eles já são donos de parte de nós e um dia poderemos ter de saber dizer “Yes, boss!” em Mandarim. Eu já ficaria contente se num futuro risonho uma minha netinha entrasse numa qualquer loja chinesa e dissesse “Mãos no ar! Isto é um assalto!” sem correr o risco de não se fazer entender. Sempre se poupava um tiro. Sim, um futuro risonho porque é bom sinal sonhar que ainda se podem sustentar mais duas gerações.

Ventos do Advento

Numa fase conturbada da Europa, em que alguns dos chamados periféricos já recorreram á ajuda financeira, preparam-se outros para lhes seguir as pisadas. Até já as grandes economias do velho continente se vêm a braços com as baixas de rating e escalada de taxas de juros.

GenéricoUm dos corsários tenta ainda resistir imune a toda esta epidemia, restringindo para si os antibióticos, querendo encobrir com uma manta curta a alquimia para a cura, mas a maleita está a chegar-lhe pelos membros inferiores. O microrganismo viaja mais rápido que o previsto ao centro do continente e bafeja quem não pretendia ser incomodado e se sentia isento da situação, apenas querendo tirar dividendos disso.

Nós por cá, alegando factos históricos que por hora não explorarei, temos o costume de dizer que daquela banda, “nem bons ventos nem bons casamentos” e dificilmente estaremos dispostos e reinventar esse dito, mas devemos contemplar o momento.Advento

A poucos dias do inicio do advento, época Natalícia e de oferendas, pode ser que tenhamos algo para nos dar uma ínfima alegria. Com um numero já significativo de companheiros a solicitar vigilância às suas contas e apregoando intenções de pedidos de ajuda, dizendo embora alguns que se tratam de preventivos e não curativos, fará obrigatoriamente mudar o rumo de quem tenta desesperadamente, que a desgraça não lhes entre casa adentro.

Nesta época de preparação não será sensato esperar que a chaminé fique repleta de oferendas, algumas antecipando o festim já chegaram, com o talão agrafado para que saibamos quanto o seu real custo.

Desengane-se quem pense que chegará das bandas da Lapónia, esses querem manter a tradição de presentear apenas aqueles que se portam bem. Virá antes dum centro tecnologicamente avançado e com nome de genérico, alegando ser um medicamento com a mesma substância activa, mas de valor inferior, caso contrário todos os Estados podem levar á falência o laboratório.

Almejemos assim um vento que traga o advento.Bons Ventos

Rain Man – Encontro de irmãos

Que bonitos são os reencontros. Entre irmãos são comoventes. “Rainman” relata-nos a viagem de dois irmãos a bordo do carro do falecido pai. Na bagageira, correctamente acondicionado, viaja o povo Português.

Ao volante segue Charlie Rabbitt, o yupi de Massamá. No lugar do morto, Raymond Rabbitt, o autista. Para traz ficaram as traquinices da infância, as brincadeiras no ATL das “jotas” e as tropelias da adolescência. Rumam agora à salvação… da crise, do euro e das nossas almas! Não têm GPS, nem mapa, mas avançam. Têm Troika.

Estando de acordo quanto ao itinerário, simulam desacordo para entreter. Raymond repete incessantemente que sabe guiar, insiste, reinsiste e persiste que a folga existe. Procura retirar espaço estratégico ao irmão. Charlie nega, diz não haver gasolina, por isso abranda, poupa e evita a pressão sobre o pedal do acelerador. Aguarda pela recta final, mais perto de Eleições. Têm e pede esperança a quem segue na Bagageira, exclama “aguentem“!

Um bom exemplo como um mau roteiro pode arruinar um bom argumento. Especula-se que tal terá precipitado Steven Spielberg a abandonar o projecto a apenas alguns meses do inicio da rodagem. Optou por investir o seu talento noutro projecto, o Indiana Jones e a Última Cruzada. Fez ele bem!

Alforriar, para conseguir Aforrar

MonopolyA convivência com o papel-moeda é salutar e quanto mais cedo se incutir essa parceria nos mais novos melhor. Lembrem-se das horas passadas a jogar o célebre jogo do Monopólio com notas coloridas que se trocavam por casas e hotéis, tudo mudou e hoje esse mesmo jogo vem com uma máquina de ler cartões de crédito, retirando-nos a sensação de riqueza, já não guardamos debaixo das propriedades o maço do dinheiro, tornando-se muito inferior a sensação de perda.

Estando infinitamente provado que os hábitos dos adultos são o fruto da sua vivência enquanto crianças, no âmbito financeiro não é diferente. Urge por isso ensinar a poupar, tornando essa demonstração aliciante para os mais novos, o mealheiro deverá ser transparente e não como o porquinho que nós tivemos, para que se tenha a real motivação para o crescimento das economias.Os ensinamentos

Somos hoje netos de gentes de mãos calejadas, porventura sem tradição literária, os chamados incultos, mas com a escola da vida onde as aulas lhes foram administradas pela geada do campo e pelo calor das searas, mesmo assim, conseguiram aprender entre muitas outras coisas uma palavra que entretanto entrou em desuso, “aforrar”.

Quando eles nos diziam que tinham de fazer uma casinha para a reforma, quereriam porventura exprimir muito mais, mas fruto da inseparável irreverência juvenil teremos desvalorizado o assunto, mesmo quando nos ensinavam provérbios como “Pai rico, filho nobre, neto pobre”, proferido de um jeito que só eles sabem, não demos a devida atenção.

Somos hoje esses netos, e anos a fio essa palavra não entrou no nosso vocabulário, nem na escola, onde devem ensinar além da leitura e da matemática muitas outras coisas, nem fora dela. Os ciclos da história repetem-se e teremos forçosamente de iniciar mais um. Os jovens são sabedores já hoje do que lhes vai acontecer amanhã, por isso temos que dar início a essa tarefa, quanto mais cedo melhor.

Um Estado Social pensado num período específico e com dados ao tempo, com uma conjugação infindável de variáveis e projecções futuras baseadas em elementos que não se vieram a concretizar, um consumismo desmedido que nos foi incutido por um marketing violento, tiveram como resultado uma perca gradual e silenciosa de valores, monetários e consequentemente sociais. Alforriar os hábitos de consumo enraizados será uma tarefa difícil, mas iremos demonstrar que “grão a grão, enche a galinha o papo”.

Ainda recentemente divulgado que foi um estudo do ISCTE, demonstrou que os Portugueses estão insatisfeitos com os seus níveis de poupança, pois bem, o Banco de Portugal poderia lançar uma campanha Nacional sobre a poupança direccionada aos mais jovens, mandando o Alex e a Ana às escolas oferecer um livro educativo com o título:

“O comer e o poupar, tudo vai de começar”.Mealheiro

Terminal de Declaração Automática

Há tantos tubarões e baleias no aquário que ninguém dá conta da arraia-míuda.

No meio das medidas de austeridade mais diretas e abrangentes há uma que não interessou muito ao público em geral e está agora a ser usada como importante batalha a vencer, para marcar presença e permitir à oposição sonhar que ainda vive e tem influência em tudo o que se está a passar. O belo do aumento do IVA sobre a Hotelaria e Restauração.

São só os setores onde tradicionalmente ocorre o maior volume da chamada economia paralela. É o mundo dos “Quer fatura?” que é como quem diz “Temos mesmo de declarar o consumo que acabou de fazer, incluindo o a taxa de IVA indicada no recibo, ou dá para mandarmos isto para a conta da contabilidade paralela?”. Não tenho pena nenhuma de que os “Quer fatura?” sejam forçados a pagar a fatura e passem a ser os “Tem aqui a fatura.” Mas a verdade é que isto apenas os assusta porque pode afugentar clientes que não estão dispostos a pagar mais pelos serviços ou produtos oferecidos. Porque em termos de economia paralela não há aqui nenhum combate à fraude, evasão e fuga de impostos. É mais um punhado de areia para os olhos da Troika e de quem anda a dormir.

Se o estado quer mesmo obter mais retorno através de IVA, e não apenas do relativo à Hotelaria e Restauração, tem de se focar em combater a economia paralela ainda existente. Pensando, inovando e tirando ideias da algibeira tão descabidas como o Terminal de Declaração Automática. Não interessa se seria um novo terminal ou se seria um software a viver em todos os TPA (terminais de pagamento automático) já omnipresentes em todos os estabelecimentos comerciais. O que interessa é que com esse simples dispositivo, ligado aos sistemas centrais de impostos, cada consumidor poderia exigir imediatamente a declaração do seu consumo para efeitos de garantia da sua taxação. Simples, fácil, usando por exemplo o cartão do cidadão.

Neste momento nós, os consumidores, queremos afugentar a crise para dentro do buraco de onde saiu. E para tal não nos importamos de ser fiscais, de obrigar os “Quer fatura?” a declarar o que já deviam declarar desde sempre. E como prémio deêm-nos algumas benesses como uma percentagem de desconto no IRS sobre a maquia que obrigámos os nossos fornecedores a declarar. Paguem-nos por fazermos o trabalho do Estado mesmo depois de lhe pagarmos através dos nossos impostos para o exercer proativamente e com competência.