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Por mais absurda a ideia acreditamos nela e no País!
Acefalia do “Já”
Os mercados não são sensatos. Ou são? Sê-lo-ão os investidores? E o comum dos mortais, o consumidor e contribuinte? Naturalmente todas as respostas são negativas. Digo naturalmente porque não ser sensato é uma característica do ser humano, cuja origem é biológica. Estranho? Nem por isso. Quando a hipótese não é imediata, reflectimos. Se existir um horizonte temporal instantâneo, reagimos. Chamo a isto a Acefalia do “Já”. Manifesta-se em todos aspectos do quotidiano, sendo particularmente nefasto quando o objecto de decisão é o dinheiro: Perante a hipótese da oferta de cinquenta euros já, ou cem euros daqui a uma semana, a esmagadora maioria opta pelos cinquenta já. No entanto, entre cinquenta euros daqui a uma semana, ou cem daqui a um mês, todos optamos por esperar pelo maior ganho. Qual o motivo para esta diferença de comportamento?
Tudo tem origem no nosso código genético. Toda a célula viva tem como missão primordial a manutenção dos parâmetros necessários à existência da própria vida. Tal explica a razão pela qual os seres unicelulares “sabem” quais as acções que devem desenvolver para se manterem vivos, mesmo sem consciência ou cérebro, aparentam raciocinar, o que obviamente não fazem. Reagem. Como tal, o meio é igualmente decisivo. Ironicamente, designamos a nossa envolvente por Pressão Social.
Dotado de consciência, o ser humano é curiosamente mais reactivo que reflectivo. Tendemos a criticar, rejeitar ou condenar tudo o que é simplesmente diferente ou estranho, sem que no fundo tenhamos sobre tal reflectido. O comportamento das crianças à mesa é disto bom exemplo: “não quero, não gosto”; “mas nunca provaste; “pois não, mas não gosto”…
A verdade é que como adultos não somos muito diferentes. Reagimos mais do que agimos com base em reflexão. Daí a publicidade. Ajuda-nos a reagir, a minimizar o raciocínio. Confesso que sou apreciador de toda a publicidade a detergentes, champôs ou pastas de dentes. Na verdade gosto de não ter que reflectir sobre eles. Prefiro reagir. Por esta preguiça, estou disposto a pagar um pouco mais do que o mínimo possível, ou até mesmo comprar um produto inferior ao mesmo preço. São opções. De importância vital para uns, profundamente indiferente para outros, em comum apenas o “Já”.
Somos maus a decidir a curtíssimo prazo. Seremos bons a decidir a médio ou longo prazo. Infelizmente, também não. À acefalia do “já” acresce outra característica humana, a incapacidade de prever o que nos fará felizes. Resolvemos comprando tudo o que nos proporcione conforto e bem-estar. Consumir tornou-se de facto um vicio, que sabemos nefasto, mas reincidimos por falta de melhor solução. Não identificamos as causas do vazio, limitamo-nos a enche-lo. Somos igualmente maus a descrever o que nos fez felizes no passado.
Na conjectura actual, aberta a caça às culpas e culpados, julgo imprescindível o raciocínio em detrimento da reacção. Acredito que não será preciso ir muito longe para encontrar o maior dos culpados: Todos e cada um de nós. Vamos contudo ser sugestionados, qual publicidade a detergente da louça, a condenar o regime democrático. Na verdade assistimos já hoje à capitulação de líderes eleitos democraticamente. Aceitamos, sem raciocinar, que tal é a melhor opção. Porquê? Porque negamos qualquer culpa no que se passa, porque negligenciamos a acefalia do “já” e porque continuamos a ignorar que o conforto proporcionado pelos bens de consumo, não nos trará verdadeira felicidade.
O problema não está no regime democrático, mas sim nas pessoas. Acredito que cada um de nós, uma vez ciente destes factos, fará melhor que reagir. Terá menos preguiça em raciocinar, e finalmente envolver-se na construção de uma sociedade com valores centrados no ser e não no ter, ou seja, uma sociedade menos fútil, materialista e egocêntrica do que a actual.
Esmola aos Ricos
A Europa pediu esmola às economias emergentes. Estas, claro está, mandaram-na passear. Surpreendida, a matriarca de pronto vaticinou uma recuperação com a duração de uma década. Sem negócio da China, nem ouro do Brasil, o súper-marco está em apuros. Tal como muitos europeus, os germânicos não perceberam a quem confiaram o seu rumo. Terão pensado que o pedido foi feito em nome do mal comportado Sul. Como estão enganados. Não compreendem a situação da poderosa Alemanha. A desgraça a Sul tem ocupado o espaço mediático, e a sua ancestral soberba moral tem feito o resto. Os indisciplinados merecem ser punidos, pensam.
Um povo que valoriza o trabalho, o rigor e a disciplina não pode pensar de outra forma. Porém, a competitividade dos produtos alemães não resulta apenas da qualidade do trabalho. O risco está presente, e em grandes proporções. De um ponto de vista financeiro, o investimento no desenvolvimento de novos produtos é muito arriscado. O principal mérito da Industria alemã é a sua capacidade de inovar. O anterior deve tornar-se obsoleto face ao novo. É este conteúdo inovador que gera o desejo de compra. Quando um novo produto substitui outro em fim de ciclo de vida, o tempo para amortização do investimento no seu desenvolvimento será menor. Atendendo a que o seu custo de desenvolvimento foi significativamente maior, o risco financeiro cresceu de forma exponencial.
Quando comparado com o produto que substitui, cada novo produto terá que vender mais e em menos tempo, para permitir a recuperação do montante investido no seu desenvolvimento, com o necessário lucro. Parte significativa deste lucro será reinvestido em novos produtos, por sua vez mais caros de desenvolver, e os quais estarão à venda durante um período de tempo ainda mais curto. O ciclo repete-se indefinidamente. Este sucesso sobre o tabuleiro da competitividade é mérito da gestão alemã, a qual tem sem dúvida o engenho necessário para conjugar capitais, recursos humanos e meios de produção.
Contudo, a prosperidade da indústria alemã não se deve apenas ao conteúdo inovador dos seus produtos, mas também à exportação de capitais, com os quais o mundo lhes compra os óptimos produtos que fabricam, com juros. Tal coloca-os numa condição de risco inversamente proposicional ao prazo. Mínimo a curto prazo, máximo a médio longo prazo. Ao contrário do que nos é dito, a vaga de austeridade não visa o longo, mas sim o curto prazo. Manter o status quo é o único objectivo. Simplesmente impossível.
O virtuoso povo alemão parece alianado destes factos. Talvez por isso não pretenda desvalorizar a moeda unica, nem tão pouco por em causa o 123º artigo do tratado “porreiro pá” de Lisboa. Há que os ilucidar, de os alertar. Opto por um formato informal, a chamada abordagem por “tu”:
Se te dever uns quantos euros e não tiver dinheiro para te pagar, preocupado, não durmo. Se a divida for de uns milhares de euros, preocupados, nenhum de nós dorme. Mas quando a divida são muitos milhões de euros, quem não dorme és tu!
Um Dízimo da Responsabilidade
Tenho pena. Tenho pena do Vitor Gaspar, do Passos Coelho, do Sócrates e de todos os outros que arcam com todas as culpas dos orçamentos e PECs. Na verdade a culpa é nossa, dos eleitores, que nos deixamos levar pelas melodias de Hamelin tão bem executadas pelas suas máquinas de marketing e propaganda. Nada seria mais justo do que ter a capacidade de assumir diretamente parte da culpa, e da malapata, dos orçamentos de estado.
Como é meu apanágio não choro apenas para derramar lágrimas ao solo. Olhando para as poças salínicas vi que transformaram o chão em barro. Enchi a mão e joguei-o à parede para ver o que pegava. E o resultado é surpreendente. Segundo as borras na parede é possível aliviar a carga da culpa, que atola os nossos governantes, se fosse dada a autonomia, a quem assim o entendesse, para a distribuição de 10% do seu IRS. E para aumentar a parada podia ser dada essa benesse apenas a quem exercesse o seu direito de voto!
No final da declaração de IRS teríamos uma lista com as rubricas de Orçamento (Finanças, Saúde, Educação e Ciência, Solidariedade e Segurança Social, Defesa Nacional, Justiça, Agricultura, Cultura,etc) passíveis de serem afectas. Cada um dos eleitores que disseram presentes poderiam distribuir 100% de 10% do seu IRS, numa única ou em múltiplas rubricas. Isto sim seria um verdadeiro Orçamento Participativo com empenho cívico.
Desta forma distribuiamos ao povo 10% da culpa e apenas correríamos o risco de ser enganados em 90% do orçamento do país. Claro que sem os magalhães, e a sua famosa inteligência artificial capaz de nos conduzir à Venezuela utilizando navios made in Portugal via acordos por cumprir perpetuamente renovados, teremos de voltar a recorrer a métodos de cálculo arcaicos para definir as parcelas que queremos para cada rubrica. Poderemos falhar e escolher as rubricas que menos falta fazem desenvolver em Portugal. Poderemos apostar na Cultura quando são a Educação e Saúde que precisavam dos nossos 10% por inteiro. Não faz mal. Daremos mais valor a quem erra hoje 100% a nosso mandato, pegaremos numa cadeira e enfrentaremos o castigo de peito feito com a certeza de desta vez termos realmente participado no encher do balde de merda.
Trabalhar mais por menos ou Trabalhar melhor por menos?
Diz que a crise para ser resolvida precisa de mais liquidez, de mais consumo e mais produtividade. Os nossos governantes desdobram-se em overtime e diretas, trabalhando dezenas de horas por dia, para encontrar as medidas austeras tão necessárias para a nossa salvação.
E no meio de todas essas noites mal dormidas chegaram à brilhante conclusão de que para aumentar a produtividade é essencial evoluir das 35 horas semanais para as 40 horas semanais. 35 horas semanais são apenas 7 horas por dia. Para quem se gaba frequentemente de trabalhar 10, 12, 14 ou mais horas por dia, em prol do bem comum este é até um número ofensivo. Vai daí surgiu a ideia luminosa de somar apenas +1 horinha por dia ao sacrificio de cada um.
Vá, vá, só mais uma e os ganhos são enormes. A produtividade vai crescer tal como se pretende e depois há de se resolver o problema do consumo.
Afinal que outras formas existem de mostrar serviço depois de brincar com a taxação até ao limite do aceitável? Apesar de totalmente solidário com todas as medidas apresentadas que seguramente nos vão fazer seguir em frente, seja nesta legislatura, seja numa próxima que anule muito do que está a ser feito nesta, não pude deixar de reflectir em soluções alternativas.
Como tenho tempo para isso? Simples. Uso aquela fatia de tempo que nem é considerado horário de vida profissional, nem horário de vida pessoal. Aquelas duas horinhas que levo a chegar de casa ao trabalho e vice-versa. Que transformam as 7 horas de trabalho em 9 e as futuras 8 em 10. São as chamadas horas do limbo que só servem para queimar tempo de trabalho e tempo de vida pessoal. Horas inimputáveis, onde tudo o que acontece não tem registo passível de consulta futura, que os elementos do círculo social consideram pertencentes ao horário do foro laboral e os elementos do círculo profissional consideram pertencer ao horário do foro pessoal.
Senhores do governo ide buscar as calculadoras, ou os abácos, com que mais gostais de trabalhar na matemática orgásmica que leva à flutuação cósmica dos nossos indíces económicos. Singrai comigo por estes números:
- 12% Taxa de Desemprego = Mais de 600 000 Desempregados
- 99,7% das Empresas são PME = Mais de 300 000 com média de 8 colaboradores cada.
As empresas querem mais produtividade mas não querem mais custos. Logo a ideia do aumento de ‘apenas’ mais uma hora por dia sem reflexo na folha salarial é algo que encaixa na perfeição do ponto de vista de uma gestão focada em números. Para o trabalhador em si o aumento dessa hora de trabalho não lhe traz qualquer benefício directo vindo até complicar a sua vida pessoal pois terá de reajustar horários para coisas mundanas como largar e apanhar miudos na escola, apanhar transportes, fazer as compras de mercearia, preparar jantar, etc. Fait-divers é certo, sem impacto no plano económico e mapas a entregar à Troika e Bruxelas.
Há quem diga que esta é uma medida cega que não tem em conta os níveis de felicidade e motivação das pessoas e que não terá os resultados esperados. Falam de um tal de índice de felicidade, um conceito terceiro mundista criado por gente parva que acredita na realização pessoal e espiritualidade para atingir a felicidade. Mas quem é que pode acreditar que a curva de produção de um individuo desce a partir de determinado número de horas de laboração e que a prazo esse ser humano está condenado à infelicidade pessoal e social devido aos laços que é obrigado a cortar para manter esse ritmo intenso de trabalho?
Se isso fosse verdade, e estivesse provado por estudos laborais científicos pioneiros e estrategicamente ignorados, então o caminho a tomar seria completamente o inverso. Seria o de aumentar a produtividade e o emprego através da redução do horário de trabalho. Em vez de 35 horas semanais de trabalho teríamos apenas 30 horas que poderiam ser executadas em 5 dias de 6 horas ou 4 dias de 7 horas e meia. Num assolo de justiça social e profissional essa redução seria acompanhada por uma redução salarial do equivalente a 20 horas de trabalho, sensivelmente a remuneração de 3 dias úteis de trabalho, que seja.
Com isto conseguir-se-ia contribuir para a manutenção da sanidade mental, vigor e motivação dos trabalhadores portugueses, mesmo debaixo do fogo da taxação extra-ordinária, e permitir aos empresários, com devidas medidas de apoio, a contratação de mais um colaborador por cada 6 para compensar as horas de produtividade direta ‘perdidas’. Assim de rajada esta loucura utópica permitiria:
- A criação de dezenas a centenas de milhares de postos de trabalhos sem aumento dos custos directos para os empregadores (300 000 PMEs * 8 Colaboradores / 6 = número máximo de empregos gerados para absorver diminuição de horas);
- Aumentar os índices de consumo em função da renovada distribuição de rendimentos pela maior população activa;
- A adopção de semana de 4 dias de trabalho (que poderiam ser diferentes 2ª a 5ª para uns e 3ª a 6ª para outros) iria aliviar o número de acidentes na estrada, a emissão de CO2 e necessidades de manutenção das principais estradas que teriam uma carga de utilização menor;
- Redução do Absentismo e Aumento da Produtividade devido ao aumento da motivação e níveis de concentração;
- Aumento do Retorno da Taxação sobre Consumo e de IRS;
- Alívio Segurança Social com diminuição do Desemprego;
- Dar aos Portugueses a oportunidade de experimentar um novo estilo de vida com mais tempo para si e para os seus e ocupar os novos tempos livres para fazer algo do seu gosto pessoal que alivie a carga negativa da crise social e financeira e contribua para melhorar a sua saúde física e mental.
Tenho a perfeita noção de que esta não é uma solução blindada porque para os casos de administradores que acumulam funções em dezenas de empresas a perda desta hora poderia significar o descalabro em várias delas. Não faz sentido que as empresas sejam privadas do meio dia, ou mesmo dia integral, mensal que estes administradores investem na sua boa condução. Pelo que talvez para os administradores de empresas realmente deva ser aprovado o aumento de horas para quiçá conseguirem mesmo gerir centenas de empresas em simultâneo.
Por outro lado é uma incógnita que reacção teriam os Portugueses a esta quebra de horário e de rendimento. Estão tão habituados a ter apenas a quebra de rendimentos sem benesse social ou pessoal que há o risco de serem gerados graves distúrbios sociais senão mesmo a tão temida guerra social preconizada por muitos agentes políticos. Fomos educados ao longo do tempo para apertar o cinto e/ou baixar as calcinhas com mais ou menos choradinho. Isto é um género de troca de calças por calções que nem é carne nem peixe. Não saberiam se é bom ou é mau por isso o melhor seria partir para a violência por via da dúvida.
Estas são ideias progressistas que claramente só podem sair da cabeça de pessoas com tempo a mais para pensar em vez de estarem simplesmente a trabalhar. Espero que os nossos governantes continuem as suas jornadas de dezenas de horas diárias de laboração e não tenham tempo para ler estes disparates pois só assim chegámos até aqui e chegaremos lá longe ao fundo do túnel mais dia menos dia. Quero também relembrá-los que o limite máximo de horário semanal na União Europeia é de 48 horas pelo que se é para aumentar ainda têm bastante folga. Que sejamos primeiro num dos índices de actividade a nível europeu! Seja como os que mais trabalham ou como os que menos trabalham. Pelo menos no papel. Isso encher-nos-ia de um orgulho e felicidade imensa que seria meio caminho para vencer esta crise que nos assola.
“Dictadura” Democrática
Com o modesto propósito de tudo solucionar, propomos a Dictadura. Desde já alertamos quanto à diferença para Ditadura. Não propomos um regime autoritário, nem fazemos trocadilhos com acordo ortográfico. É Latim.
Na Republica Romana, o Dictator era nomeado pelo poder executivo, com o aval do senado. Esta magistratura extraordinária tinha de facto uma base democrática, e visava enfrentar adversidades igualmente extraordinárias, como crises económicas ou ameaças militares.
A presente proposta difere do modelo Romano num pequeno detalhe. Dictador não será uma pessoa, será um acto, o Voto. Tornar-se-ia obrigatório, por forma a estabelecer um princípio de equidade entre direitos e deveres dos cidadãos, isto é, a garantia de direitos estará condicionada ao cumprimento de deveres, nomeadamente Votar.

Para além de uma mudança de mentalidades, permitirá a aplicação de um princípio de proporcionalidade entre legitimidade e poder de decisão dos eleitos, ou seja, abstenção, votos nulos ou brancos implicam cadeiras vazias no parlamento. Os governos assim formados teriam a sua acção limitada à sua capacidade de mobilização dos votantes.
Colocam-se então duas questões: 1) O voto obrigatório representa perca de liberdades, como o direito à indignação? 2) A estagnação não seria o resultado da sucessão de governos “interinos”?
Cada cidadão pode manifestar a sua indignação votando em branco (ou mesmo nulo), responsabilizando cada um com a opção tomada. Estamos a assumir as consequências dos actos dos governos que elegemos, mesmo quando nos abstemos, pois a omissão do dever de voto tem como consequência a formação de maiorias não proposicionais. Independentemente de nos termos abstido ou não, estamos todos a pagar a crise. Perdemos soberania, logo perdemos liberdade. A culpa é nossa. Quem o nega perpétua as causas dos problemas que vivemos.
Quanto ao perigo de estagnação por acção de governo sem verdadeiro poder executivo, julgamos um mal necessário. Face ao resultado da governação dos últimos trinta anos, seria na realidade uma vantagem, sobretudo porque teria impedido a serventia a clientelas. Se por um lado, os cidadãos são chamados a assumir os custos dos erros de governação, então os governos devem assumir os custos dos erros de avaliação dos cidadãos.
A “Dictadura” Democrática, ou voto obrigatório, promoverá a mais relevante das mudanças, a das mentalidades. Sem ela não abandonaremos a actual lógica bipolar, ou o tradicional lamento e indignação inconsequente.
A oportunidade – Won’t Snitch Bank
A Banca suíça está debaixo de fogo. A fuga ao fisco é crime grave nos Estados Unidos da América. A administração Obama, ameaçou retirar a licença ao maior banco Suíço, caso este não entregasse informação requerida pelo fisco Norte-Americano. Os princípios Helvéticos colidiram com os seus próprios interesses.
De um lado, mais de um terço da actividade do banco, do outro o sigilo bancário. Resultado, o banco entregou os nomes de cidadãos americanos suspeitos de fuga aos impostos (+de 200). Animada pelo sucesso da chantagem, a administração Obama, fez nova exigência: Os nomes de todos os americanos titulares de contas na suíça (+50.000). Os suíços cederam novamente.
Esta imperdoável falha, da outrora infalível hipocrisia Helvética, constitui a maior e melhor oportunidade para a descapitalizada banca nacional. Ajudemos os honestos cidadãos americanos na sua legítima fuga ao fisco. Aproveitemos a oportunidade para lançar a maior ofensiva da Banca Portuguesa em terras do tio Sam, através de um programa de rápida expansão da rede de balcões e de uma aguerrida campanha publicitária sob uma única marca, o WSB – Won’t Snitch Bank.
Obviamente sediada na zona franca da Madeira, esta joint venture da banca nacional será o motor para a recapitalização do nosso sector financeiro, e consequentemente viabilizar a continuidade do modelo de desenvolvimento suportado no crédito. Republica, Grandes, pequenas e médias empresas, autarquias e até os clubes de futebol voltarão à rotina abruptamente interrompido pela troika. Basta fazer justiça à nova marca, i.e., manter a nossa ancestral tradição de não delatar quem nos ajuda.
Pensamos, mas temos vergonha de dizer…
À boa maneira Lusitana a ordem do dia, a dita actualidade, é riquíssima em controvérsia. Contudo, há sintonia de opinião: “nem sim, nem não, muito antes pelo contrário” é conclusão unânime. Motivada por acefalia generalizada, dirão os mais cépticos. Discordamos. Ao cidadão Luso não falta espírito crítico, capacidade de análise ou cultura de exigência. É medo, dirão os mais crentes (adeptos de uma boa conspiração). Refutamos. A nossa história prova que somos destemidos.
O que se passa afinal? É apenas uma questão de comunicação, de boa educação, de moral cristã, mas sobretudo, por vergonha. Numa palavra: Timidez. Esta explica todos os fenómenos de aparente marasmo na nossa sociedade.
A ligeira discrepância nas contas da Região Autónoma da Madeira, é disto bom exemplo. Se por um lado, alguns mal-intencionados se precipitam a condenar, os responsáveis da nação teimam em não o fazer. Porquê? Pasme-se, por Timidez. Falta coragem para assumir o pensamento, e sobra vergonha em reconhecer o obvio: O Governo Nacional devia substituir o Governo Regional da Madeira, e vice-versa.
Queremos alertar para o erro de recrutamento, o qual não será corrigido sem vencermos a timidez. Digamos o que em consciência pensamos: Desejamos ordem e rigor nas contas da Madeira, e por esse motivo pensamos que a austeridade deve ser aplicada. A equipa perfeita para este fim, é obviamente a do actual Governo Nacional.
Por outro lado, não deixamos de sentir simpatia pela irreverência do eterno líder Madeirense. Na verdade, fez aquilo que nem nós, nem o governo nacional conseguimos fazer: Fingir que não há Troika. Reconheça-se, é preciso coragem, e claro, descaramento. Tais características sobejam à equipa que Governou a Madeira, o que a torna na mais desejada (em segredo) para dirigir a Nação Lusitana.
É isto que por timidez ninguém diz, mas todos pensam: A Madeira deve ser metida na ordem, mas o Governo Central devia fazer à Troika, o que a Madeira fez ao País.
Fénix – 1ª Solução Infalível
Apresentamos aqui a nossa primeira ideia para o país. Vamos conciliar o impossível: Cumprir o plano da troika e simultaneamente fazer renascer das cinzas todos os grandes projectos de obras públicas.
Como o vamos fazer? Cancelamos todos os projectos megalómanos como: Novo Aeroporto, Nova Ponte sobre o Tejo, Ligação TGV Lisboa-Madrid, etc.
E depois? Depois pegamos em todos os estudos de retorno de investimento que suportaram as decisões de avançar e somamos as vantagens. Mas como se os vamos cancelar? Aí é que está, não vamos!
Confuso? Na realidade é simples: Não fazemos os investimentos, mas contabilizamos todos os seus benefícios.
No processo, ajudamos os Estaleiros Navais de Viana do Castelo, a Mota-Engil, a Lusoponte, a Brisa, a Refer, a CP, a banca, todas as pequenas e médias empresas sem excepção e até a Transtejo! Garantimos Emprego e desenvolvemos know-how nacional.
Vamos ainda pacificar a guerra norte/sul, pois esta solução é flexível o suficiente para satisfazer todos os bairrismos lusitanos, e até mesmo os complexos de interioridade.
Mas qual é a ideia afinal? Pois a ideia é genialmente simples: Vamos comprar um Porta-Aviões em Leasing. Nem é preciso fazer estudos. É muito mais barato que todas as obras públicas, mas ainda assim permite operacionalizar todas as suas vantagens. Fénix será o seu nome.
Construído em Viana do Castelo, como viagem inaugural fará uma digressão nacional faustosa, mas no mais rigoroso respeito pelo contribuinte. Este ao sentir-se envolvido, mobilizar-se-á ainda mais para novos sacrifícios. Cumpridas todas as etapas da digressão, rumará ao vale do Tejo para entrar ao serviço do País e do Mundo. Aí, assumira funções como Aeroporto da OTA e Aeroporto de Alcochete (Portela+2), nova ponte sobre o Tejo e interface logístico com a linha de TGV que estava previsto morrer na praia. Poderá ainda, em dias de maior afluência, reforçar a oferta da Transtejo. A todos os benefícios óbvios, devemos acrescentar a merecida compensação a todos os que honestamente especularam com os terrenos em torno da OTA. Até as injustiças criadas ao cancelar esta obra serão corrigidas.
Em termos de coesão nacional, e sempre que se verificarem desacatos bairristas, Fénix rumará por mar aos locais dos tumultos com missão de apaziguar as hostes. Se tal não se verificar de imediato, bombardeia-se as ditas para que Fénix possa regressar rapidamente às suas funções. Se algum desacato ocorrer no interior, Fénix rumará a montante de rios e seus afluentes, podendo no processo proporcionar às suas tripulações lindíssimos passeios turísticos.
Fénix é sem qualquer dúvida a solução infalível de que o Reino necessita e merece. O número de soluções inovadoras e valências complementares é tal que não nos atrevemos a tentar enumerar nesta ocasião. Oportunamente o faremos.
Todos os contributos à nossa causa serão bem-vindos, mesmo daqueles que a ela se opõem.

















