Category Archives: Clássicos do Cinema
Os grandes filmes, vastos cenários, apaixonantes narrativas, personagens e finais felizes! Sem esquecer os efeitos especiais…
O Aeroplano
Porque nem todos os grandes clássicos do cinema são tragédias e porque nem todas as comédias tem graça, recordamos hoje uma das maiores paródias de todos os tempos – O Aeroplano. Foi estreado em 1980 mas mantém-se em cena até aos nossos dias. Provavelmente um dos mais notáveis exemplos da comédia absurda e do humor negro, relata-nos a emocionante viagem de uma aeronave, metáfora para companhia aérea de bandeira, afectada por um severo caso de intoxicação alimentar. O problema foram os tomates! Ou a falta deles. Certo é que a rambóia é completa e as cenas caricatas sucedem-se a um ritmo alucinante. Acaba por ser fácil adjectivar o argumento: despropositado, incongruente, irracional, contraditório e insensato. Na prática, acaba por satirizar todo um sector, o da aviação civil. Viva a regulação, saudável e intendente. Sobretudo imparcial!
O filme fez o seu trajecto até aos nossos dias, sendo lentamente revelados segredos e pormenores da sua produção. Ficámos há dias a saber, em época de contenção orçamental e de grande rigor na gestão dos dinheiros públicos, que houve aumentos na direcção do regulador. Apenas 150%, mas houve. Tudo legal e com a vantagem de ninguém ter responsabilidade. Pagámos aos ministros das finanças e da economia para nomearem outras pessoas, as quais de graça e sem regalias tomaram as decisões. Não é bom? É excelente! Nada lava mais branco que uma “comissão de vencimentos”. Coincidência, ou talvez não, foi a posterior aprovação da venda da TAP. Resumindo e concluído, quem manda é o boneco, dito piloto automático…
Dune
Agora que a campanha começou, digamos, oficialmente, pareceu-me apropriado recordar o filme “Dune”. Baseado no livro de ficção científica de Frank Patrick Herbert, “Dune” é um clássico do cinema do século passado, uma enorme salganhada de efeitos mais ou menos especiais, uma estória de predestinação misturada com audácia e ímpeto. Embora o enredo seja o de uma monarquia, a analogia com a nossa república é no mínimo pertinente. Há um imperador que afinal não manda nada, subjugado e temente a um poder maior – um bicho esquisito que vive num aquário de secção oblonga e que se faz acompanhar por gente tão ranhosa e repulsiva como incompreensível no seu dialecto materno. Os leitores que se recordam do filme compreenderão o que descrevo, aos outros bastará a descrição menos surreal e mais sucinta da organização que dá pelo nome de União Europeia. Ou seja, tudo gira em torno da Especiaria, essa maravilhosa substância que faz girar o Universo. É incrível a assertividade da narrativa deste grande clássico de 1984 com o sistema de criação monetária actual. A metáfora dos Vermes resulta em pleno.
Esta obra-prima do mestre do surrealismo, o realizador David Lynch, é sofisticada na forma, mas simplicíssima nos processos: Os bons trajam ao estilo prussiano, os maus têm borbulhas. Os títulos nobiliárquicos também ajudam: Do lado da virtude o Duque e o seu herdeiro, do lado da infâmia o Barão e seus sobrinhos, um deles famoso por em tempos entoar o poema policial intitulado “De Do Do Do, De Da Da Da”.
Resumido, os maus partem com o desejo de voltar, os bons chegam com o desejo de mudar. Entre os que vão e os que chegam, estão os nativos, os senhores da situação. Muito embora não pareçam, são eles e elas os verdadeiros protagonistas. Todos, mas todos sem excepção são independentes! Não se sabe muito bem de quê ou quem, mas parece ser esse o estatuto preferido. É o caso da governanta Maria de Ninguém Independente.
Se o leitor entretanto se perdeu, não se preocupe, a culpa não é sua… Lembre-se, é o surrealismo.
Star Wars – O Regresso de Jedi
Como o tempo voa! Hoje, véspera da grande estreia do sétimo episódio da saga Star Wars, vamos recordar o apoteótico Regresso de Jedi, aquele que nasceu predestinado a trazer o equilíbro de volta à Força. Esta criança prodígio, de seu nome Anakin Rebelo de Sousa, desde cedo revelou os seus talentos e aptidões cognitivas, anos-luz à frente da mediocridade reinante por estes lados da galáxia. Docente brilhante, catedrático há décadas, foi desde sempre profissionalmente multifacetado.
Jornalista rebelde, nem o patrão poupou, deu-lhe um vaipe explicou. Mesmo assim chegou a director do hipermercado da informação. Porém, todo este potencial, todo este brilhantismo na análise foi gorado pela acção. Anakin foi tentado pelo lado negro e cedeu. Abandonou o jornalismo porque o partido chamou. Nascera Darth Martelo, o terrível Sith. Sem igual no improviso, recebeu o embaixador da Pérsia em cuecas. Resultou. Lançou-se à conquista de eleições, mas perdeu. Até foi a banhos, mas não adiantou. Recolheu, depois voltou. Inventou, exigiu e ganhou no partido. Depois comeu sopa de alho-porro e saiu. Muito duelo travou, com astúcia esgrimiu, com agilidade o Sabre de Luz brandiu, mas nada. Na verdade nunca ganhou uma eleição. Justiça lhe seja feita, o tacho preteriu. Da universidade nunca saiu. Inquestionável mérito, tem profissão, é professor, não é carreirista.
Darth Martelo nunca foi homem para um e um só trabalho. No seu brilhantismo exigiu sempre mais de si próprio. Abraçou então a nobre e digna função de comentador. Como sempre, não evitou polémicas, mas é o melhor, indiscutivelmente o melhor de todos quantos entre nós se ocupam a explicar exactamente aquilo que devemos pensar. Quem não reconhece a sua famosa interjeição respiratória, qual piloto de caça, qual mergulhador das profundezas? Com inteligência faz a diferença, mas a sua derradeira arma é a criatividade. É de uma agilidade mental alucinante. Perfeitamente compreensível esta necessidade de uma mente brilhante de se entreter. Convenhamos, não é fácil evitar o tédio, sobretudo entre nós.
Assim foi, ano após ano, semanalmente, Darth Martelo prosseguiu no comentário, metodicamente pregando cada prego. Mas como nunca pregou prego sem estopa, uma vez consolidada a construção, anunciou o Regresso do Jedi. Candidata-se! Morte ao Sith, eis de volta o bom e justo Anakin Rebelo de Sousa, pronto ao sacrifício de presidir à República. Será desta que ele ganha uma eleição? Até parece mero formalismo. Na verdade comporta-se como se tratasse de uma nomeação…

Austin Powers

Parece uma paródia aos enredos dos filmes com agentes secretos, mas na verdade a galhofa é outra. Chama-se Libra. Quer dizer, chama-se soberania e dela nunca os Britânicos abdicaram. Os bifes sabem da poda, são experimentados na coisa. Soberania é com eles, seja para subjugar a dos outros, seja para garantir a deles. Mesmo quando perderam, tiveram sempre engenho e arte para salvaguardar qualquer coisinha. Goste-se ou não, o velho império britânico marcou tanto a história que ainda hoje faz parte do nosso presente. A Commonwealth aí está para o provar.
Repugna-me a subserviência, pelo que também não clamo pela velha aliança, mas confesso que me soa bem este “Yeah baby”. Aquilo que manifestamente me agrada é o exemplo, mesmo quando parece bluff, mesmo quando nem sequer simpatizo com o actual inquilino do nº 10, o Austin Powers. Entre os seus, há quem diga: “É só isso?“. Não sendo tudo, é infinitamente mais que o nada que os países ex-soberanos se atrevem a exigir.
Do outro lado, isto é, deste lado, do lado dos subjugados à soberba de quem manda sem ser eleito, nada. Nem piam. Não me refiro aos nossos, pois estão ocupados, entretidos com as emoções do momento. Uns babam com o entusiasmo de chegarem ao pote, enquanto os outros espumam de raiva por o terem perdido. O mundo que se lixe, pois claro. Acho muito bem! Relevante é o silêncio da prepotência que governa a União Europeia, seja lá isso o que isso for hoje em dia. Tudo quanto se ouve é um apropriado, mas irrelevante “Oh… behave”.

Star Wars – Lobot da Costa
Abordo hoje uma das três personagens em ascensão no novo elenco. Tal como qualquer outra personagem da saga Star Wars, por mais breve que seja a sua aparição, está destinada à imortalidade. Pelo menos neste mundo do faz de conta que é a sétima arte. Julgo ser o caso do solícito Fernando Lobot da Costa. Foi até aqui um destacado gestor subalterno na mina de exploração de gás no gigante da flatulência, o planeta Bespin. Será finalmente ministro. Diga-se, já merecia.
Outrora um mero técnico do sangue, alvo de uma bem-sucedida lobotomia, evoluiu até ao grande líder que hoje é. Um condutor de massas, um politico, um estadista. Cresceu. Está desde então apto a reagir ao premir de um simples botão do controlo remoto. Voluntarioso como nenhum outro, Lobot actua de forma breve, mas eficaz.
Foi do alto da Cidade das Nuvens que contemplou os demais e conclui não ter visto nenhuma das desgraças descritas pelos seus pares. Nada disso. Contundente atirou: “O que nós vimos foram pessoas bem instaladas”. Lobot não tem visão raio-X, mas vê mais além. Sem pieguice e muita determinação, tem o mérito da competência e por isso foi promovido. Ainda bem. Tratar-nos-á da saúde como ninguém.
Star Wars – Chewbacca de Sousa
O Natal aproxima-se e com ele chegará o sétimo filme da saga. Urge portanto regressar à apresentação das personagens, especialmente aos mais novos, já nascidos neste século.
Cronologicamente, a primeira aparição desta personagem foi numa acção de salvamento, safando o pêlo a Yoda aquando da Vingança dos Sith. Oportunamente regressarei a outros feitos desta personagem, por ora, avante.
Nascido em Kashyyyk, o planeta dos Wookiees, este metalúrgico e exímio piloto chamado Jerónimo Chewbacca de Sousa, há muito que conduz a nave onde os perigosos revolucionários, vindos da orla exterior, rumam à capital do Império para a arrasar. Tenham medo, eles estão a chegar!
Ignóbil, inescrupuloso e confesso opositor dos omnipresentes mercados, provoca sentimentos contraditórios: Ódio e empatia. Até entre opositores desperta simpatia, mas não se deixem enganar pela aparência de peluche, ele é perigosíssimo. Muito embora os seus adversários digam que as suas projecções vocais são incompreensíveis, ele consegue passar mensagem pela emoção. Faz da autenticidade uma arma. Cuidado!
Entre os seus, é carinhosamente chamado de camarada Chewie. Muito embora leais entre si, os Wookiee são uma ameaça terrível. É sabido que a sua dieta põe em causa a estabilidade do Império Galáctico, especialmente ao pequeno-almoço. O Imperador já avisou, democracia sim, mas há limites. Fujamos enquanto é tempo!
Star Wars – Salacious B. Crumb
A principal característica da saga Star Wars é a sofisticação dos efeitos especiais. Mas na verdade são os pequenos detalhes que tornam o todo mais verosímil. Algumas mega produções são por vezes descredibilizadas por pequenas falhas de guarda-roupa ou de adereços. São precisamente estes últimos que fazem a diferença nos filmes de ficção científica. Credibilizam a narrativa e dão cor ao enredo.
Sem prejuízo de num futuro próximo regressarmos às personagens, vamos hoje apresentar um pequeno grande detalhe desta saga, um adereço, um animal de estimação, um bichinho-come-cascas – o malvado Salacious Bruno Crumb. Muito embora o seu desprezível papel se resuma a brevíssimos segundos de aparição ao longo de toda a saga, não é parvo. Surge quase sempre rodeado de caras bonitas. A qualidade de manipulação deste adereço é lendária. Chega a parecer de carne e osso, graças a uma natural e muito fluida linguagem corporal. Ficará para sempre famoso pela assertividade das suas conclusivas no Twitter…
Star Wars – Droid C3PO
Porque dos pequenos também reza a história, chegou hoje a vez do primeiro dos Droids. A personagem em si pouco acresce aos destinos da Galáxia, não fora ele um mero Droid de protocolo. Tantas vezes desprezado, Jorge C3PO Xavier de seu nome, entende que o entretenimento é uma forma de cultura. Talvez por isso desempenhe tantas vezes a importante missão de oferecer algum humor ao enredo.
Este robot humanóide adora desafios, por isso aceitou o cargo de secretário. É tradutor, domina mais de 6 milhões de formas de comunicação. Assume portanto a importante missão de traduzir os desígnios dos sacrossantos mercados a quem de direito, à cultura lusitana. Nação recente de um planeta longínquo, nem 9 séculos de existência. Coisa pouca, nada que justifique o custo de um Ministério da Cultura. Ele aceita. Concorda com tudo que o amo lhe ordene, não contesta, não discute. Reabriu museus e rentabilizou acervos. Uma máquina!
Star Wars – Princesa Rebelde
Senhora de um dos mais emblemáticos e inconfundíveis penteados da indústria cinematográfica, a personagem de hoje é a líder da resistência ao Império Galáctico. Outrora fragmentada na Força, a resistência rebelde uniu-se e em bloco conseguiu entrar na Assembleia da República. Por lá andam há uns anos, sempre do contra. Liderados pela Princesa Leia Martins. a Aliança ganhou novo folgo, uma nova Força. Natural de Alderaan, a Princesa Rebelde foi subestimada por todos os Siths e Jedis.
Face à devastação provocada pela Estrela da Morte no planeta Grécia, previa-se o desaparecimento da Aliança Rebelde, mas o bloco reforçou-se. Talvez seja o fim da alternância, mas mesmo que seja apenas o início de uma nova alternância, refresca o panorama, renova o ar. Quando nada muda, até a ilusão do render das moscas agrada aos nativos rebeldes.
Parece que quem quer resistir não se importa com os credores e não teme o fulminante raio da Estrela da Morte. Que se lixem os levantamentos! Abaixo o Império. Pelo menos assim disse na campanha. Faltou explicar aos nativos que só a Autarcia pode substituir a alternativa única. Estranho quando os extremos ideológicos se tocam, mas resistir é sempre romântico.
Star Wars – Imperador de Naboo
Dando sequência à apresentação das principais personagens da saga Star Wars, dedico hoje algumas linhas a Palpatine, o despretensioso político que um dia foi a Buarcos comer Raia Pitau e aproveitou a ocasião para fazer a rodagem à sua pequena nave espacial de modelo BX. Quis então o destino iniciar a sua ascensão ao topo do aparelho de estado de Naboo. Deixaram-no trabalhar, escavacou a influência dos Jedis e fez-se chefe supremo do Império Galáctico.
Os nativos, embora o critiquem, gostam dele. De outra forma não o teriam eleito e reeleito tantas vezes. Ele, o mais poderoso dos Siths, faz do silêncio a sua maior arma. Todos o temem pois a qualquer um pode matar de tédio quando bota discurso. Assim fará hoje. Dir-nos-á tudo quanto já tinha decidido sobre o nosso futuro, mas que ontem lamentavelmente não teve tempo para nos contar. A galáxia dá-lhe muito que fazer, mas o Imperador nunca esquecerá as suas origens. É um Naboo perfeito.













