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Alforriar, para conseguir Aforrar
A convivência com o papel-moeda é salutar e quanto mais cedo se incutir essa parceria nos mais novos melhor. Lembrem-se das horas passadas a jogar o célebre jogo do Monopólio com notas coloridas que se trocavam por casas e hotéis, tudo mudou e hoje esse mesmo jogo vem com uma máquina de ler cartões de crédito, retirando-nos a sensação de riqueza, já não guardamos debaixo das propriedades o maço do dinheiro, tornando-se muito inferior a sensação de perda.
Estando infinitamente provado que os hábitos dos adultos são o fruto da sua vivência enquanto crianças, no âmbito financeiro não é diferente. Urge por isso ensinar a poupar, tornando essa demonstração aliciante para os mais novos, o mealheiro deverá ser transparente e não como o porquinho que nós tivemos, para que se tenha a real motivação para o crescimento das economias.
Somos hoje netos de gentes de mãos calejadas, porventura sem tradição literária, os chamados incultos, mas com a escola da vida onde as aulas lhes foram administradas pela geada do campo e pelo calor das searas, mesmo assim, conseguiram aprender entre muitas outras coisas uma palavra que entretanto entrou em desuso, “aforrar”.
Quando eles nos diziam que tinham de fazer uma casinha para a reforma, quereriam porventura exprimir muito mais, mas fruto da inseparável irreverência juvenil teremos desvalorizado o assunto, mesmo quando nos ensinavam provérbios como “Pai rico, filho nobre, neto pobre”, proferido de um jeito que só eles sabem, não demos a devida atenção.
Somos hoje esses netos, e anos a fio essa palavra não entrou no nosso vocabulário, nem na escola, onde devem ensinar além da leitura e da matemática muitas outras coisas, nem fora dela. Os ciclos da história repetem-se e teremos forçosamente de iniciar mais um. Os jovens são sabedores já hoje do que lhes vai acontecer amanhã, por isso temos que dar início a essa tarefa, quanto mais cedo melhor.
Um Estado Social pensado num período específico e com dados ao tempo, com uma conjugação infindável de variáveis e projecções futuras baseadas em elementos que não se vieram a concretizar, um consumismo desmedido que nos foi incutido por um marketing violento, tiveram como resultado uma perca gradual e silenciosa de valores, monetários e consequentemente sociais. Alforriar os hábitos de consumo enraizados será uma tarefa difícil, mas iremos demonstrar que “grão a grão, enche a galinha o papo”.
Ainda recentemente divulgado que foi um estudo do ISCTE, demonstrou que os Portugueses estão insatisfeitos com os seus níveis de poupança, pois bem, o Banco de Portugal poderia lançar uma campanha Nacional sobre a poupança direccionada aos mais jovens, mandando o Alex e a Ana às escolas oferecer um livro educativo com o título:
Terminal de Declaração Automática
Há tantos tubarões e baleias no aquário que ninguém dá conta da arraia-míuda.
No meio das medidas de austeridade mais diretas e abrangentes há uma que não interessou muito ao público em geral e está agora a ser usada como importante batalha a vencer, para marcar presença e permitir à oposição sonhar que ainda vive e tem influência em tudo o que se está a passar. O belo do aumento do IVA sobre a Hotelaria e Restauração.
São só os setores onde tradicionalmente ocorre o maior volume da chamada economia paralela. É o mundo dos “Quer fatura?” que é como quem diz “Temos mesmo de declarar o consumo que acabou de fazer, incluindo o a taxa de IVA indicada no recibo, ou dá para mandarmos isto para a conta da contabilidade paralela?”. Não tenho pena nenhuma de que os “Quer fatura?” sejam forçados a pagar a fatura e passem a ser os “Tem aqui a fatura.” Mas a verdade é que isto apenas os assusta porque pode afugentar clientes que não estão dispostos a pagar mais pelos serviços ou produtos oferecidos. Porque em termos de economia paralela não há aqui nenhum combate à fraude, evasão e fuga de impostos. É mais um punhado de areia para os olhos da Troika e de quem anda a dormir.
Se o estado quer mesmo obter mais retorno através de IVA, e não apenas do relativo à Hotelaria e Restauração, tem de se focar em combater a economia paralela ainda existente. Pensando, inovando e tirando ideias da algibeira tão descabidas como o Terminal de Declaração Automática. Não interessa se seria um novo terminal ou se seria um software a viver em todos os TPA (terminais de pagamento automático) já omnipresentes em todos os estabelecimentos comerciais. O que interessa é que com esse simples dispositivo, ligado aos sistemas centrais de impostos, cada consumidor poderia exigir imediatamente a declaração do seu consumo para efeitos de garantia da sua taxação. Simples, fácil, usando por exemplo o cartão do cidadão.
Neste momento nós, os consumidores, queremos afugentar a crise para dentro do buraco de onde saiu. E para tal não nos importamos de ser fiscais, de obrigar os “Quer fatura?” a declarar o que já deviam declarar desde sempre. E como prémio deêm-nos algumas benesses como uma percentagem de desconto no IRS sobre a maquia que obrigámos os nossos fornecedores a declarar. Paguem-nos por fazermos o trabalho do Estado mesmo depois de lhe pagarmos através dos nossos impostos para o exercer proativamente e com competência.
Acefalia do “Já”
Os mercados não são sensatos. Ou são? Sê-lo-ão os investidores? E o comum dos mortais, o consumidor e contribuinte? Naturalmente todas as respostas são negativas. Digo naturalmente porque não ser sensato é uma característica do ser humano, cuja origem é biológica. Estranho? Nem por isso. Quando a hipótese não é imediata, reflectimos. Se existir um horizonte temporal instantâneo, reagimos. Chamo a isto a Acefalia do “Já”. Manifesta-se em todos aspectos do quotidiano, sendo particularmente nefasto quando o objecto de decisão é o dinheiro: Perante a hipótese da oferta de cinquenta euros já, ou cem euros daqui a uma semana, a esmagadora maioria opta pelos cinquenta já. No entanto, entre cinquenta euros daqui a uma semana, ou cem daqui a um mês, todos optamos por esperar pelo maior ganho. Qual o motivo para esta diferença de comportamento?
Tudo tem origem no nosso código genético. Toda a célula viva tem como missão primordial a manutenção dos parâmetros necessários à existência da própria vida. Tal explica a razão pela qual os seres unicelulares “sabem” quais as acções que devem desenvolver para se manterem vivos, mesmo sem consciência ou cérebro, aparentam raciocinar, o que obviamente não fazem. Reagem. Como tal, o meio é igualmente decisivo. Ironicamente, designamos a nossa envolvente por Pressão Social.
Dotado de consciência, o ser humano é curiosamente mais reactivo que reflectivo. Tendemos a criticar, rejeitar ou condenar tudo o que é simplesmente diferente ou estranho, sem que no fundo tenhamos sobre tal reflectido. O comportamento das crianças à mesa é disto bom exemplo: “não quero, não gosto”; “mas nunca provaste; “pois não, mas não gosto”…
A verdade é que como adultos não somos muito diferentes. Reagimos mais do que agimos com base em reflexão. Daí a publicidade. Ajuda-nos a reagir, a minimizar o raciocínio. Confesso que sou apreciador de toda a publicidade a detergentes, champôs ou pastas de dentes. Na verdade gosto de não ter que reflectir sobre eles. Prefiro reagir. Por esta preguiça, estou disposto a pagar um pouco mais do que o mínimo possível, ou até mesmo comprar um produto inferior ao mesmo preço. São opções. De importância vital para uns, profundamente indiferente para outros, em comum apenas o “Já”.
Somos maus a decidir a curtíssimo prazo. Seremos bons a decidir a médio ou longo prazo. Infelizmente, também não. À acefalia do “já” acresce outra característica humana, a incapacidade de prever o que nos fará felizes. Resolvemos comprando tudo o que nos proporcione conforto e bem-estar. Consumir tornou-se de facto um vicio, que sabemos nefasto, mas reincidimos por falta de melhor solução. Não identificamos as causas do vazio, limitamo-nos a enche-lo. Somos igualmente maus a descrever o que nos fez felizes no passado.
Na conjectura actual, aberta a caça às culpas e culpados, julgo imprescindível o raciocínio em detrimento da reacção. Acredito que não será preciso ir muito longe para encontrar o maior dos culpados: Todos e cada um de nós. Vamos contudo ser sugestionados, qual publicidade a detergente da louça, a condenar o regime democrático. Na verdade assistimos já hoje à capitulação de líderes eleitos democraticamente. Aceitamos, sem raciocinar, que tal é a melhor opção. Porquê? Porque negamos qualquer culpa no que se passa, porque negligenciamos a acefalia do “já” e porque continuamos a ignorar que o conforto proporcionado pelos bens de consumo, não nos trará verdadeira felicidade.
O problema não está no regime democrático, mas sim nas pessoas. Acredito que cada um de nós, uma vez ciente destes factos, fará melhor que reagir. Terá menos preguiça em raciocinar, e finalmente envolver-se na construção de uma sociedade com valores centrados no ser e não no ter, ou seja, uma sociedade menos fútil, materialista e egocêntrica do que a actual.
A Conjectura da Maturação
Seria até bom que se pudessem suprimir partes da história, certamente teriam sido feitos muitos retoques, quem sabe até, operações plásticas de forma a transfigurar as atitudes nefastas que marcaram para todo o sempre a humanidade. Inimizades combatidas de arma em punho, tentativas de seriação racial ou mesmo incidentes nucleares não nos orgulham, mas não foram anulados da história, muitas vezes são até dados como exemplo daquilo que não se deve fazer.
Ininterrupto, o calendário alheio a tudo isto não permite que lhe apaguem instantes, consequentemente temos de olhar em frente, mesmo nas ocasiões em que o sol nos encandeia e temos de franzir os olhos. Se há alturas em que cortes com o passado são necessários, esta é uma delas, ficando o que se passou sobejamente docume
ntado.
Ironicamente quem nos “ajuda” não pensa assim, dizendo que é preferível este método de recapitalização, ao invés dos milhões serem directamente para liquidação de dívidas. Segundo eles, assim seria retirada dos balanços das empresas e dos bancos o rasto e a pressão, das opções que foram tomadas no passado.
Décadas a fio, foram cometidos erros crassos e jogos de malandragem (para não chamar outra coisa), que em poucos levaram muitos á situação actual. É sabido que não fomos os únicos, mas com o mal dos outros…
Fruto de débeis chefias, utópicas mas de vistas curtas, hoje as economias cotizadas ao longo de muitos anos estão arrasadas. Uns falsos beneméritos apregoam agora a hipótese de colmatar esses desacertos, mas avisam que terá de ser á maneira deles.
Estes prestamistas evoluídos, fazendo futurologia, optam por não amortizar, para que não se apague história, mas sim emprestar ciclicamente, para que a história se repita, perspectivando já a vénia que alguns lhes vão fazer.
Com uma dívida que se cifra em muitos milhões de euros, irá mais uma vez por ordem de outros injectar-se dinheiro, para que se cumpram padrões, tentando assegurar-se á partida assento nas participadas para mais uns quantos. Previamente estão a preparar o séquito daqueles que rapidamente se fartarão de ao final de cada mês, levar para casa o parco salário de ministro ou secretário de estado.
Talvez equacionem a maturação a quatro anos, para final da legislatura, mas com a efervescência actual dos mercados podem produzir-se prazos mais curtos.
A casa dos Segredos
Mais uma vez se repete o reality show, onde os concorrentes atarefados tentam que ninguém descubra o real motivo da sua presença.
Entre lutas de almofadas e folgas esgrimem-se argumentos para cativar possíveis apoios e simpatizantes. O que nos é dado a ver por entre os buracos da fechadura é complexo e descodificar não é para os concorrentes, estariam a dar pistas sobre os segredos que pretendem eles bem guardados.
Formam grupos aliados sem nunca levantarem totalmente o véu sobre as suas mais íntimas ambições. A maioria assinou o contrato de imagem com a produção, por isso terá de cumprir o que os respectivos realizadores ditam, enquanto os outros em minoria tentam baralhar o jogo.
Somos por isso forçados muitas vezes a recorrer aos especialistas nas matérias, mas também aí é tarefa árdua, pois a sua maioria faz interligações virtuais difíceis de entender.
Combinações e ajustamentos de parte a parte, geralmente previstos para que as concubinas mantenham o seu negócio, usando até um vocabulário de vernáculo, é costume dizer que “profissional que se preze não arma estrilho, muda de esquina”.
Talvez devido á malha urbana, na nossa história recente temos presenciado várias mudanças de esquina, convenhamos que o ângulo de uma qualquer rua na Quinta do Lago está a milhas de distância, dos mesmos 90 graus mas na Brandoa.
As votações porém não evoluíram, não é permitido o televoto ou SMS com um custo de €0,60 mais IVA, a autoria de exclusão mantém-se nos telespectadores, mas somente quando lhes derem oportunidade. Quando as luzes estiverem apagadas e a emissão passar para outros estúdios, e o custo for sobejamente maior.
Entretanto no meio dos espectadores começam a manifestar-se os há muito ocultos sniper’s de outrora, dizem que estão nos limites, tentam fazer pontaria aos patos bravos, mas as mãos já tremulas não ajudam, hoje a pontaria necessária é mais de caneta, não ao estilo de Chacal. Se da próxima vez forem mudados nos boletins, os eternos quadrados para círculos talvez o resultado possa mais certeiro.
A Competência da Crise
Estou deveras agradecido à crise que germina por este mundo fora.
Havia um conjunto de jarretas resmungões que beliscava o modus operandus do Eden que era a nossa economia e estilo de vida. Eram os comentadores que só sabiam falar mal, do rebenta a bolha, que dirigiam o dedo acusador na direção de culpados que os etiquetavam de senis que só apontam problemas mitológicos sem apresentar soluções utópicas. A vida estava tão boa para tudo e todos que só falaria mal quem estivesse com os pés para a cova e ainda quisesse ter protagonismo antes de se finar. Não eram muito ouvidos porque não tinham espaço mediático e diga-se a verdade porque estava tudo entretido na tal boa vida e era aborrecido procurá-los onde ainda conseguiam espernear. Está bom, não mexe!
Os números dos EBITDAs, liquidez de instrumentos financeiros, facilidade de crédito, indíces de consumo e confiança galopavam desenfreados esmagando qualquer tolo pregador do Armageddon. Em vez de prosperarem e enriquecerem perdiam o tempo a babar saliva. Não eram David contra Golias, eram a formiga Z contra o Hulk.
Estalou a crise e entramos num mundos às avessas. Afinal a tradução de Credit Default Swap era um género de Dona Branca e a solução generalizada para pagar empréstimos milionários é fazer novo empréstimo com juros mais altos à data da liquidação em modo ciclo recursivo infinito. De repente soubemos que não há analistas de risco competentes, a fiscalização de esquemas financeiros confia na boa índole dos agentes financeiros e está isenta de culpa no cartório, os bons gestores de empresas públicas ou público-privadas que através de investimentos arrojados faziam crescer as suas empresas pensavam estar a jogar monopólio num tabuleiro com impressora de notas à descrição, os autarcas abrem buracos financeiros para manter as estradas em condições de serem devidamente arrastadas pelas águas de chuvas torrenciais e por aí a fora. A competência desta crise foi apontar a incompetência das cabeças iluminadas que demonstraram ser antes ilusionistas de grande gabarito.
Melhor do que isso a crise trouxe ao de cima a incompetência do jornalismo. Porque nós, os simplórios do povo, até podemos não dispôr de tempo ou interesse em investigar indícios de actividade ilícita e mastigar números e relatórios públicos para perceber que algo está mal. Mas essa classe é paga para tal e tem o dever de nos informar e de trazer ao de cima as questões fulcrais mesmo que fraturantes, incómodas e contra-corrente. Os media que hoje nos bombardeiam com a crise apocalíptica, e as medidas biblícas a que teremos de nos submeter se quisermos sobreviver, nada fizeram para a denunciar e antecipar quando ainda estava no berço. Mesmo quando nas suas fileiras já tinham vozes que apontavam para um futuro catastrófico. Uns media interessados na verdade, e independentes, não ocultariam o que se passou e o que está a acontecer com a Wikileaks, alvo de sufoco financeiro e jurídico que tenta forçar o seu desaparecimento. Pelo contrário, patrocinariam essa entidade, colaborando no apurar de verdades e no denunciar das injustiças e saques a mando de interesses ocultos por parte de bandos ligados a marionetas incompetentes colocadas estrategicamente em cadeiras de poder.
A competência desta crise foi também criar uma sopa de instabilidade social onde muitos deixam de ter tudo a perder. De onde potencialmente pessoas honestas e competentes poderão passar a ter interesse pela participação direta e ativa na política e quem sabe voltar a endireitar o mundo.
É por isso que apesar de tudo sou obrigado a dizer agradecido: Heil Troika!
Os aficionados e a lide
Anunciada que está a intenção da Alemanha aliviar a carga fiscal dos Germânicos, talvez agora se comece a perceber como algumas coisas funcionam.
Basta recuar na história e relembrar que o BCE, criado por todos nós, cidadãos da União Europeia, na proporção da riqueza de cada país, onde mesmo os que não aderiram ao Euro foram participantes, tinha por função ajudar toda a Europa. Em boa verdade com uma contribuição maioritária da Alemanha, inerente á sua posição em relação aos demais.
Existe ainda muita gente que não percebeu, porque é que se foram enviados capitais para o Banco Central Europeu, quando precisamos deles, temos de recorrer a outros bancos. Sabendo que esses que por sua vez vão á fonte do banco central, ou seja vão buscar o nosso dinheiro para nos emprestar taxando-o para ganhar com isso.
Nem Steve Wynn se terá lembrado duma ideia destas, quando inaugurou o Bellagio. O famoso casino do Ocean’s Eleven.
Com umas agências de rating á mistura, dando o seu contributo para majorar essas taxas, baixando as classificações dos países, tentando proporcionar maiores ganhos aos accionistas das instituições envolvidas no processo, deu num descalabro que já obrigou a perdoar metade da divida da Grécia.
Ora os que mais contribuíram, mas que por sinal esperariam ser os que mais ganhariam, estão descontentes pois são eles também participantes dos bancos que agora perderam e muito, do seu capital.
Apesar de não ser possível, pelo menos para já, quase dois terços dos Alemães já tencionavam aderir ao modelo de referendo para questões relacionadas com a moeda única, e com pressões arteriais altas há que tentar acalmar os ânimos. Os donos da praça tentam desta forma que as barreiras não sejam transpostas.
Para esta epopeia serão precisos verdadeiros forcados habituados às lides, que enfrentam o bicho de frente, os aficionados não aplaudem mais artistas sem formação tauromáquica, que tentam apenas as pegas de cernelha deixando o animal, embora mais lento, seguir o seu caminho.
Versão para iPod, iPad e iPhone
O G20, terá acordado publicitar, (entenda-se gratuitamente) sistematicamente a lista dos países que não fazem o que é preciso para abandonar um comportamento inadmissível, traduzido para os mais distraídos, os paraísos fiscais.
Para estarem actualizados, em cada cimeira irá ser divulgada a relação de países que são ou têm dentro deles, locais paradisíacos. Uma boa acção por parte dos donos do Mundo, mas paralelamente uma ferramenta destinada a baralhar.
Falta saber se constará da listagem a georreferenciação, útil para os ilustres das Nações desenvolvidas, decorrem já negociações para que esteja disponível para as mais variadas aplicações informáticas, quanto aos outros terão de procurar nos velhinhos atlas de folhas já amareladas pelo tempo que passaram nos sótãos.
Isto sim é solidariedade, o tempo é dinheiro e saber em primeira mão onde se encontram os locais onde o numerário pode ser ocultado da cobiça alheia é fundamental.
Até agora gastavam-se fortunas com gabinetes de advogados e especialistas na matéria, para que estes analisassem á lupa as leis, garantindo os melhores locais onde os gigantescos montantes poderiam descansar tranquilamente, doravante para ficar esclarecido basta marcarem presença na cimeira.
O dever da informação impõe-se, aqui ficam os participantes com lugar já garantido na competição, os chamados locais seguros.
Estão no campeonato, porque não adoptaram o quadro jurídico, Antígua e Barbuda, Barbados, Botswana, Brunei, Panamá, Seychelles, Trinidad e Tobago, Uruguai e Vanuatu.
Á fase de eliminatórias porque ainda não se qualificaram como países que aceitaram este quadro, estão a Suíça e o Liechtenstein. Jersey terá lugar honorário, pelo seu desempenho.
Um dos presentes na cimeira afirmou mesmo que há três anos tinha ameaçado deixar os demais ao desamparo se esta lista não fosse gerada, não estaria porventura disposto a fazer má figura por às escuras sobre o assunto.
Quiçá brevemente estará disponível no “ao leme” um kit com o “Modus Operandi” se ainda existirem vertebrados com maquias a transferir, certamente terá um atlas pois somos mais dados á aventura.
Compostagem ou Incineração
Todos nós o fazemos uns mais que outros, embora o tema reciclagem tenha entrado no nosso vocabulário há poucos anos tem ganho bastantes adeptos que se preocupam, escolhendo os recipientes certos para cada tipo de lixo.
A triagem doméstica demorará certamente a ser exemplar, todavia já não precisamos de dizer aos nossos herdeiros qual a cor certa do “reciclómetro”a utilizar.
Em tempos idos os detritos eram colocados quase directamente nas lixeiras e mais tarde em aterros sanitários, alguns dos quais até deram jardins onde hoje crescem árvores e se pode passear ou praticar jogging.
Existe porem uns dejectos para os quais mesmo a incinerarão se torna inútil, a sua queima não produz qualquer energia, antes pelo contrário provoca uma necessidade de nova produção e em grande escala. Uma estirpe em que a alta temperatura não resultará para a sua reciclagem, entulho que é empacotado utilizando métodos contabilísticos e posteriormente colocado a circular embalado em caixas coloridas com um grande laçarote, aliciando quem o queira guardar, garantindo que a sua energia é de “giga watts”.
Esta combustão turbulenta tem os seus próprios gases, uma vez que são compostos por substâncias tóxicas, certamente vão pairar na atmosfera durante muitos anos, asfixiando até que se descubra formas para os filtrar.
Se a mãe natureza for nossa amiga, avizinham-se mais verões com dias longos do que gélidos invernos, não precisaremos portanto de tanta energia para o aquecimento ou iluminação, caso contrário teremos mesmo que voltar a tempos ancestrais em que os povos se aqueciam com fogueiras.
Os geradores estão hoje no limiar da potência, alguns dos seus fogueiros vaticinam uma franca hipótese de terem que lhes atirar ainda mais combustível, para que não se apaguem de vez.
Apregoam-se agora revitalizações com inertes, muitos deles vindos do próprio processo, pois a ordem é de conflagrar.
Heathcliff e Marmaduke
O sucesso está garantido a todo o enredo que tenha como personagens um cão e um gato. Heathcliff & Marmaduke, não são obviamente excepção.
A monotonia em tempos apontada a esta Banda Desenhada, é manifestamente injustificada. Um breve olhar sobre os jornais dos últimos dias confirma em absoluto a sua vitalidade. Vibrante e até apaixonante!
Celebrado o acordo de salvação, com altruísta perdão associado, ao virar a página surge a surpresa: De um lado, Marmaduke, o Grand Danois celebre pelas suas insólitas capacidades caninas. Do outro, o gato rafeiro Heathcliff.
Este último, movido pelo seu instinto felino anuncia um referendo. “Um referendo?” Exclama Marmaduke. Pressiona, avisando “não alteraremos as condições do perdão”.
Heathcliff justifica-se e classifica a iniciativa como preventiva, dando como prova a antecipação da substituição das chefias militares. Ao que parece, o golpe militar é temido no seu domicílio.
Marmaduke confessa-se surpreendido, pois tinha como adquirida a perca de soberania doméstica de Heathcliff.
Perigosa presunção, que a todos deixa em suspense até ao próximo livro, “O Ultimato da torneira fechada”.
Não o perca, até porque não pode!







