Category Archives: Mentalidade Tuga
Fogos de Artifícios
Faz mais de um mês que não escrevo. Tenho estado a olhar entretido para os fogos de artifícios que invadiram os nossos media. O país está pausado. Nada avança, nada recua, nada se discute, nada se decide. Preciso de me situar. Estou em Portugal e estamos na merda!
Recapitulando, esta história começou há muito tempo com um conjunto de estudiosos das matérias prementes a chegarem-se à frente para solucionar os problemas do país. Progressivamente foram demonstrando afinal não ter estudado assim tão bem os dossiers e, sem tempo a perder, optaram por recorrer ao facilitismo das soluções mais básicas e imediatas, sem análise de riscos nem projecções de impacto a médio-longo prazo.
O seu desrespeito, desprezo e desleixo levam-nos ao vício de formular leis anti-constitucionais, fiando-se no eterno vergar do Tribunal Constitucional às circustâncias da crise. A incompetência é demasiado evidente quando, após o chumbo previsto, não saltam da cartola planos B e C preparados para esta eventualidade. Entretanto durante todo este processo fizeram algum face-lifting, excisando a pustúla que habilmente inflacionaram com vista a um sacríficio para aplacar o descontentamento do povo. Para o seu lugar uma pessoa campeã do consenso que muitos duvidam ser alguém com senso.
E desde esse famoso chumbo que o país está praticamente anestesiado.
A primeira quinzena de Maio foi praticamente ocupada pelos jogos do Benfica. No FDS precedente ao 13 de Maio mais de 50% dos telejornais eram ocupados com Futebol e Fátima. Calhasse de alguma estação ter-se lembrado de juntar o Fado e corríamos o risco de Salazar se reerguer da sua campa com a força da sua fórmula mágica dos 3 Fs.
Também houve tempo para criar uma grande comoção ao obrigar os alunos do 4º ano, tipicamente crianças de 9 anos, a assinar um compromisso de honra em como não usariam telemóveis nos exames. Sinceramente acho que a inversão da ideia ajudaria bastante o país. Obrigar este governo a assinar um compromisso de honra em como usa cábulas e máquinas de calcular científicas quando faz as suas previsões.
De seguida surge a batalha interna sobre a TSU dos pensionistas. Passos Coelho diz que é preciso, Portas diz nunca (“jamais” em Francês) e negoceiam a solução. A medida fica no documento apresentado à Troika como uma hipótese para corte de despesa mas o PSD garante ao CDS que não será aplicada. O CDS finge que não cede, o PSD finge que não é um compromisso, o CDS finge que acredita, a Troika finge que não vê a trapaça para passarmos a 7ª avaliação e continuarmos a fingir que estamos bem e no bom caminho. Só por isto sejam Portugueses e no final finjam que gostam deste post!
Um dos maiores iluminados da nação vê mais além e dá a dica que uma vez que a aprovação ocorreu a 12/13 de Maio obviamente que foi obra da Virgem Maria. Ela já não aparece aos pastorinhos mas ainda faz uns biscates junto de banqueiros, economistas e políticos. Não será esta a tão falada Santíssima Trinidade?
Pouco depois chamam Palhaço ao senhor acima citado. Eu já conhecia a lei. Sou um insultador precavido. Sempre me referi a ele como Presidente. Felizmente como em todas as Leis Portuguesas é possível usar a rotunda para contornar a lei pela direita. A lei pode proibir-nos de chamar Palhaço ao Presidente mas não pode proibir-nos de chamar Presidente a um Palhaço.
Já com o mês na recta final aparece um puto reguila a usar serviços online para, desenrascado, vender umas t-shirts na escola. Qual não é o meu espanto quando é elevado à condição de empreendedor/herói num bate-boca em que afirma que mais vale ganhar o salário mínimo do que estar desempregado. Este é um dos momentos mais assustadores do mês porque revela que a escola do governo já está a surtir efeito. A postura aplaudida não é a de exigir tratamento digno mas sim o de lutar pelo agarrar da migalha maior. Martim, muito boa sorte para a tua Over It e para o teu lema “a ideia de ser superior, de estar em cima”. Espero não vir a assistir à mudança de branding para Game Over It.
Houve ainda tempo para agitar as águas com a questão da co-adopção que vai afectar um número infímo de casais homossexuais mas foi capaz de gerar uma polémica estéril antes do tempo já que ainda terá de retornar ao parlamento para nova apreciação. Vi o bastonário Marinho Pinto com tal dureza de corpo e mente que a polícia deveria substituir os bastões por bastonários. São muito melhores dissuasores de comportamentos e pensamentos antagónicos aos nossos.
O mês acaba com Victor Gaspar a mostrar o seu lado humano e confessar que tem sofrido bastante com a tragédia do seu Benfica. Finalmente está descoberto o ponto fraco deste Colosso das finanças. Só peço a Jesus que o também meu clube perca com cabazadas todos os jogos da próxima época, numa derradeira tentativa de pôr fim à imortalidade deste super-ministro via uma morte por desgosto atroz.
Posto tudo isto, não há dúvidas que Portugal está assolado por um colossal fogo de artifício, cujos flashs e explosões lançam um denso nevoeiro que nos tolda os sentidos e nos impede de ver, ouvir e gritar por “Terra à Vista!”.
Aparentemente as águas estão calmas mas o que nos espera depois do nevoeiro dissipar?
A Tourada
A 7ª corrida de avaliação será, à semelhança das anteriores, decisiva. Na tribuna a troika. À sombra, o delegado Etíope, ao sol os delegados Europeus. As corridas de avaliação são exclusivamente para turistas estrangeiros. Os veraneantes locais estarão na arena, entre barreiras e no curro, isto é, no seu devido lugar. Não faltarão Cortesias e Brindes à praça. Aplausos, chapéus e flores para os artistas, sal nas feridas para o touro.
O cartaz promete uma noite de triunfo. A tribuna aplaudirá de pé, a banda tocará o passo doble. Será um sucesso. Em Portugal não se matam touros na arena, mas cortar-se-ão orelhas. Tendo sobrevivido às 6 corridas anteriores, um único e magnífico exemplar da ganadaria Lusitana, um Almalho de seu nome “Povo”, será lidado por todos os artistas em cartaz: Dois cavaleiros, suas quadrilhas; dois grupos de forcados amadores; um picador e a estrela da corrida, o matador de touros Victor Gaspar, el Verdugo. Brindar-nos-á com os seus lances de muleta, ora Afarolado, ora Ajudado. A Faena habitual, sem Chicuelinas. Cortará um Rabo, e sairá em ombros. Na recolha, “Povo” acompanhará os Cabrestos. Aos turistas diremos que são vacas. Um dia quererão mugi-las. Nesse dia, sorriremos.
The Matrix
Pedro Morpheus aceitou o destino que lhe fora revelado por Angela Oracle: Seria ele a encontrar o escolhido. Ao leme do hovercraft “Nebuchadnezzar”, Morpheus manobrava pelos esgotos em busca do salvador. A tripulação partilhava o empenho do seu comandante.
Contudo, Álvaro Cypher vivia descontente. Conhecia a verdade, mas sonhava voltar à ignorância. Trinity Portas, sorria em silêncio. Após uma longa busca, Morpheus encontrou Franquelim Neo, o predestinado. Cypher viu então a oportunidade para se pirar e exclamou: “a escolha é minha, o homem até ajudou a desmascarar o enredo insular”. Morpheus de pronto partilhou a responsabilidade na escolha, fazendo aquilo que dissera nunca fazer, comentar trocas de subalternos. Mas o momento era festivo, por isso abriu uma excepção.
Agora sim, empreenderemos à séria. Nada, nem ninguém deterá o avanço dos salvadores de Zion. José, o Arquitecto não contesta, não questiona. Contempla a sua obra. Está tudo bem. Fica-nos a importante lição de Manuel, o rapaz da colher. “Não tentes dobrar a colher, isso é impossível. Tenta antes compreender a verdade: a colher não existe”.
Duodécimo de Actualidade
Cumprimos a meta nominal do défice, voltámos aos mercados e ficámos a saber que a victoria é nossa, é produto do nosso esforço. Quando o “futebolês” entra no léxico governativo, quando o marcador do golo enjeita com falsa modéstia o protagonismo, há confusão no balneário.
Está para breve a chicotada psicológica. Até lá, o grupo está unido, empenhado na preparação do próximo embate, ávido por dar o seu contributo à equipa. Pois…
Concluída a época de saldos, nenhuma venda foi ainda concretizada. A companhia aérea por falta de garantias bancárias, a televisão publica pelas adversas condições de mercado, e imagine-se a ironia na anunciada venda da ANA: Gaspar está na mão de Jardim. O disciplinador à mercê do despesista. Tão trágico que chega a ser divertido.

Mais um “não assunto”. O magnânimo Optimist, senhor de muita pose, mas desprovido de pensamento próprio, dá largas à sua soberba: Remodelações de secretários de estado é tema sem envergadura, sem dignidade quanto baste para merecer o seu comentário. Um prodígio!
Do outro lado da barricada, a completa barracada. A carcaça está lá, mas a prazo. A média anuncia um facto e seu contrário. Em que ficamos? Na mesma. Nada disto interessa, nada disto conta. A festa prossegue, valha-nos o havaiano na Nazaré. Somos notícia no mundo. O maior vagalho é nosso. Por mais paupérrimo o país, é vicio que nunca perderemos, a mania das grandezas. Afinal, não há razão para tristezas, animem-se meus caros, 2013 será o melhor ano dos próximos 5. Dúvidas?

Não se esqueçam de se absterem nas próximas eleições! Por certo que governança e oposição tremerão com medo…
Saldos Anónimos

Sóbrios estão os Lusos. Trocámos a nacional euforia da compra, pela globalizada disciplina da venda. Está tudo em Saldo.
Contemplamos a contagem decrescente para a entrada em vigor do vertiginoso orçamento de estado para 2013.
Anónimos, ajustamos.

Ébria está a República. Privatiza a RTP, a TAP e a ANA. Quais presentes de última hora, as decisões seriam desembrulhadas com a máxima descrição.
O insuspeito método “até à última” tranquilizaria os veraneantes. A serenidade dos turistas foi contudo perturbada pelo cristalino anúncio de sua iminência da equivalência, a imaculada consciência.
Deu bandeira, transpareceu alívio. Compreendemos que está feito. Quem vier atrás que feche a porta.
Anónimos, acatamos a providência.
Sound bites de Passos Coelho
Só hoje pude ouvir na íntegra a última entrevista do nosso PM Pedro Passos Coelho. Independentemente do que disse há que reconhecer que está em grande forma física e mental aparecendo com um ar saudável, enérgico e aguerrido. Defensor convicto das ideias do governo e do rumo que quer dar ao país. Aguentou-se bem durante uma hora e saiu quase incólume da entrevista.
Alguns comentários leves aqueles que foram para mim dos principais argumentos apresentados.
Este orçamento é garantia de que continuaremos a executar com sucesso o nosso programa de ajustamento
Esta frase demonstra claramente qual o seu conceito de sucesso para o estado de uma nação. A aceitação dos mercados acima do bem-estar social. Pena que muitos cidadãos portugueses não possam ter assistido a este discurso porque de momento não conseguem suportar a despesa da luz, água e/ou gás (galeria de fotografias obrigatória!). Ficariam deveras consolados em saber que o seu sacrifício nos conduziu a todos a este patamar de sucesso.
Endividámos-nos ao ritmo de 10% da riqueza gerada ao ano e sofremos um duro embate com a realidade em 2011. Parte da riqueza que tinhamos era uma riqueza fictícia.
Se olhar em redor do seu cículo político e empresarial irá reparar que a maioria das riquezas continuam reais. O que se tornou fictício foi o padrão de vida de uma classe média e média alta. Que estão bem longe do patamar da riqueza. Quem decidiu e geriu esses 10% acima das nossas posses aparentemente continua bem na vida.
Em 2012 tivemos uma surpresa orçamental. (…) Não é um erro de previsão. Quando fazemos previsões partimos de uma observação do passado e de uma realidade presente (…) Eu tenho noção da realidade (…) A cada trimestre corrigem-se as previsões para refletir as mudanças.
E de quantos trimestres é que precisas até perceber que foi a aplicação das acções para chegar às previsões falhadas do governo que provocaram as mudanças no trimestre anterior?
O programa de ajustamento que temos é com a Troika! Não é com a OCDE! Se o FMI, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu dizem que estamos no bom caminho temos de acreditar no que dizem. Eles têm muito interesse em que lhes paguemos a dívida.
Isto foi em resposta às análise de instituições internacionais não relacionadas com a Troika que estimam que as medidas em curso vão agravar a crise em Portugal. Acredito que a Troika tenha todo o interesse em que paguemos a dívida, sem esquecer os juros. Mas até agora não parecem muito preocupados com o nível de prioridade do pagamento da dívida versus impacto social na vida do país. Assim de repente parece-me que essa tarefa deveria caber ao nosso governo. Há dívida e há pessoas. Quem zela por quem nesta parceria?
Em 2013 invertemos para 70% na receita e 30% na despesa o peso do controlo orçamental. Em 2014 queremos atingir o patamar da resolução através de 2 terços em cortes na despesa. (jornalista pergunta se isso significa que os aumentos de impostos e cortes nas pensões são só para 2013) Não, não foi isso que eu disse!”
Parabens Pedro. Conseguiste não dar uma falsa esperança que só poderia ser corroborada daqui a um ano. No passado disseste que em 2012 já estaríamos de saída da crise mas agora sabemos que até 2015 estaremos de castigo.
Estamos a atingir o ponto de equilibrio entre as importações e exportações.
O que liga bem com a fantástica capacidade de previsão do governo. Este foi um facto que surgiu organicamente sem ninguém perceber como, a par do enorme aumento do desemprego. Este fulgor nas exportações foi prontamente cavalgado como uma grande façanha do governo e tornada bandeira da propaganda interna. Claro que reforçaram o apoio às exportações sabendo reagir com inteligência. Reagir, não prever, não planear nem estimular segundo programa do governo. Simplesmente deu sorte. Será esse o segredo? Não ser alvo de medidas correctivas do governo?
70% das despesas do estado são com salários e prestações sociais.
O que quer dizer que se querem que até 2013 2 terços da consolidação orçamental seja fruto do estancar de gastos pelo menos 30% vão ter de incidir sobre estes itens que afetam directamente a vida de milhares…
Nós temos uma constituição que trata o esforço do lado da Educação de uma forma diferente do lado da Saúde. Isso dá-nos margem de liberdade na área de educação para um sistema de financiamento mais repartido.
Para além da nebulosa que lança sobre o que pode acontecer na área da Educação esta é uma afirmação que demonstra o carácter do nosso Primeiro Ministro. Um Primeiro Ministro que identifica debilidades da Constituição Portuguesa numa área fundamental como é a Educação e se prontifica a explorar essas falhas para poder deturpar o conceito de uma Educação igual para todos, se isso significar corte significativo de despesas. Esta afirmação na recta final assusta-me pois apresenta uma mentalidade de chico-esperto explorador do sistema a seu favor ao invés de alguém que se prontifica a melhorar o sistema quando encontra uma falha. Uma pessoa com este tipo de mentalidade corre o risco de se rodear de gente perigosa, gente perita em circundar leis e regulamentos, gente com ligações perigosas a associações obscuras que colocam os lucros à frente de tudo e todos, gente que se preocupa em aparentar saber sem o saber, gente bajuladora que não se importa de ser testa de ferro para experimentações em larga escala.
Apercebi-me depois desta ideia que tenho de parar com estas teorias conspirativas. Foi certamente apenas uma pequena gaffe. Só para me tranquilizar fui prontamente verificar quais os principais braços direitos do nosso PM para conseguir ter uma noite tranquila com a certeza de que homens honestos e capazes conduzem o destino de Portugal. Certamente gente com extrema capacidade, competência e consciência social.
Um Quarteto Fantástico para a Salvação
Eis que a super-vilã se aproxima para sentir de perto a boa ventura dos seus planos de maquiavélica austeridade e elogiar os seus bons pupilos. Os testas de ferro da sua governação, audaz e punitiva, revelaram-se, para seu gáudio pessoal, capazes executores da guerrilha económica, política e social necessária ao desgaste psicológico e anímico da população. Pré-requisito essencial para a criação das condições que levem à aceitação das mais duras políticas e medidas sob o falso pretexto de serem um mal menor.
Mas nem tudo está perdido. Em momentos de grandes males surgem grandes remédios. Tal como no passado focos de guerrilha levaram à criação de uma unidade militar capaz de combater o terror com terror, sob a nomeclatura maquilhante de contra-guerrilha, é chegado o momento de criar uma unidade de super agentes capazes de lidar com esta complexa ameaça. A capacidade operacional dos seus membros devem suplantar-se à sua formação ética e moral. A Salvação Nacional assim o exige.
A missão é simples: Olho por Olho, Dente por Dente.
1º Passo – O Pinga-Amor: este agente ficará encarregue de seduzir Angela Merkel. Sendo o melhor nas artes do galanteio e romance não terá dificuldades em atrair Merkel até uma pensão no coração de Lisboa. Aí deve inebriá-la com as mais puras e sentidas palavras acompanhadas pelas melhores castas vinícolas. Merkel saberá com ele o que são os prazeres da vida sem preocupações. Aproveitando o sono de recobro de Merkel deve sair do quarto tendo cumprindo a sua parte.
2º Passo – O Trovador: entra no quarto suavemente e vai resgatar melodicamente Merkel do mundo dos sonhos. Por esta altura Merkel estará receptiva, e permissiva, às letras das canções de intervenção deste agente, exímio na arte de dedilhar. Será dada carta branca para que utilize todo o e qualquer meio para garantir a atenção e obter respostas de Merkel. Esta perceberá rapidamente que a boa-vida proporcionada momentos atrás era meramente ilusória, uma armadilha ardilosamente montada, e que agora terá de pagar com juros de mora a sua ingenuidade. Prevê-se que o tratamento de choque seja demais e Merkel entre em estado de incosciência ao encaixar os argumentos de maior peso. Quando isso ocorrer o agente terá cumprido a sua parte da missão e deve abandonar o quarto.
3º Passo – O Massagista: deve recolocar Merkel no leito à disposição. Por esta altura Merkel poderá apresentar alguns traumas e hematomas e é importante serenar-lhe o espírito. Não estamos aqui para a executar mas sim para a ajudar a ultrapassar este momento difícil da sua vida. Massajando-a com óleos naturais, as mãos fortes e mágicas deste agente preparam o corpo e espírito de Merkel para as exigências impostas pelo futuro vindouro. Juntos irão definir o conjunto de objectivos a cumprir, bem como as acções a executar, para garantir uma sã convivência no seio das familias europeias. Este agente é apenas um negociador devendo abandonar o quarto para permitir a Merkel um pequeno período de reflexão antes da tomada da decisão mais importante da sua vida.
4º Passo – O Camareiro: para finalizar a missão este agente selará o acordo em tom de festejo, celebrando a preceito o fim das negociações com vantagens benéficas para ambas as partes. Será responsável pelo plano de avaliações periódicas para garantia do cumprimento do acordo. Cada uma delas encerrada com o jorrar de rios de champagne. Se a qualquer momento a missão não estiver a correr como o esperado tem ordens explícitas para intervir, desenroscando-a como melhor entenda.
Um inesperado e improvável Quarteto Fantástico para a Salvação Nacional de Portugal!
PS – poderá também chegar hoje a Portugal aquele que seria o general perfeito para coordenar esta missão impossível. Reconhecido estratega com perspicácia e sagacidade acima da média e certamente disponível para ajudar Portugal para lavar os seus pecados. Coincidência? Ou o plano já estará em marcha? A ver vamos…
O Plano B, devolvam……….. tudo!
Saberia ele já, que teria de apresentar um plano B, estaria ele já, com ele na cabeça?
Provavelmente!
Acreditando que sim, foi certamente com grande sentido de Estado que se proferiram tais palavras, para os mais distraídos um recado do tamanho do mundo, não fosse ele considerado independente mas com informação privilegiada.
Vejam lá a lata do puto, dirão os catedráticos no partidarismo, académicos de hemiciclo, doutorados em legislaturas, honoris causa em coloração sectária.
Todos fazemos ofertas nos peditórios Nacionais para os mais diversos fins, sempre conscientes que estaremos a ajudar alguém em piores condições que as nossas, mas sempre no anonimato, ele optou por divulgar amplamente a sua beneficência, acho bem, afinal fartos de falsas modéstias andamos todos nós.
Dado o mote a nível particular com enorme sentido de solidariedade perante alguém que outrora prestou ajuda na sua formação, deixando transparecer o verdadeiro sentimento que mesmo sabendo que esse alguém, esbanjou inabilmente durante longos períodos, não poderá ficar sem ser restituído dos valores intrinsecamente adiantados.
Bofetada de luva branca, bem ao seu estilo considerando que a educação que devia ser garantida e gratuita para todos, terá de ser vista como um aplicação e como em qualquer outra, o investidor tem o direito de ser ressarcido.
Aos outros porém, a quem ele no seu subconsciente considera eventualmente usurpadores, podem mesmo não ser pedidas devoluções do financiamento da sua formação, até porque a mais importante não é a académica mas sim a da personalidade, carácter e princípios.
Consciência generalizada de que existem dois mundos, o que já passou e o futuro devem então ser separados, equacionando um desígnio para o futuro, mas este dependente do outro, o passado.
Mandam os cânones do direito que se faça tudo para não lesar o cliente, ora esse cliente eramos todos nós, mas todos, não só eles, os outros, catedráticos em finanças públicas, deveriam ter sabido gerir, ainda os ligados á engenharia deveriam ter sido expeditos em cálculo matemático. Facto é que uns deixaram o cliente ser encarcerado, outros geriram nocivamente juntando-se a esses quem não memorizou a tabuada.
Aproveitando a altura de devoluções impostas e não voluntárias, como a de devolver trabalhadores á inatividade, devolver subsídios para que lhes sejam no virar da esquina novamente entregues como mais uma devolução forçada, pode ele resolver de uma vez por todas estas questões, protegendo-se na obrigatoriedade da apresentação dum plano B e impor voluntariamente mais algumas… aproveitando para simultaneamente devolver a democracia.
Quem sabe mesmo se o autor de palavras de tal grandeza pode contar com a ajuda de outro mencionado já em finais do século passado, como um dos “Global Leaders for Tomorrow” considerado mesmo um “Political Star”.
A metodologia deve ser simples, como a simplicidade aplicada na taxação dos impostos, sempre numa escalada sem fim. Todos os intervenientes na governação fazem prova de rendimentos e bens, o Estado só tem de cobrar, não os custos da educação que lhes proporcionou, pois é pessoa de bem, mas sim os valores implicados aos período em que exerceram funções governativas.
Se durante as ultimas décadas cavaram tamanha lacuna, devem ser os próprios maioritariamente a responder por ela, sem esquecer os sorvedouros partidários e até os subvencionados, seguindo-lhe o repto, devolvendo, com retroativos e ajuste cambial para os mais antigos. Basta contabilizar as últimas três décadas e as contas seriam fáceis de fazer, daria pr’aí, mais que muito dinheiro, rios dele, uns biliões de euros.
A enormidade das necessidades é tal que estaremos a falar de “peanuts”, mas moralizava e lá diz o ditado “grão a grão…”
O regresso do RUMPELSTILTSKIN
Insistentemente adormecidos pela fábula que nos iam contando, teimávamos em manter a conta com saldo positivo, pedindo cada vez mais palha a passando noites em claro até á exaustão. Acontece que o duende foi-se vangloriando e aos poucos desvendando o seu nome. O ignorante foi descoberto e… Caput! Zangou-se, desapareceu e não mais haveria a fértil prestidigitação.
Assim diz a fábula dos irmãos Grimm onde tudo se torna possível, transportando-nos para um conto de fadas, de gnomos, de duendes, enfim de magia. Mas só nelas funciona assim.
Eis se não quando, surge saltitante por entre a obscura floresta de gabinetes salvaguardo já por outros mestres em produzir ilusões o Rumpelstiltskin, informando vagarosamente para que todos percebam que não tendo voltado atrás, reconsiderou, afinal saberem o seu nome não tem assim grande importância, podendo dar-lhe até notoriedade.
Ironicamente, bem ao seu estilo desvendará como se tornará novamente possível, transformar mais palha em ouro.
Vivêssemos nós num conto de fadas e tudo seria diferente, infelizmente a realidade é outra, nem uma dúzia de duendes nos salvará devido á quantidade de palha necessária.
Por mais noites que as filhas casadoiras do reino passassem a fiar na sua companhia, não iriam conseguir o tão almejado matrimónio, pois deixou apenas de ser o rei a ter de ser sustentado. A emergente fidalguia está sedenta e nem todas as planícies douradas do nosso Alentejo juntas chagariam para satisfazer as suas necessidades.
O escoadouro do vil metal é de tal forma gigantesco que por mais que se inventem novas medidas extractivas, não serão alternativa por um único motivo, o cultivo.
A seara está a secar, fruto de insolações constantes e de um sistema de irrigação outrora de grande capacidade utilizado somente para encharcar restritos canteiros, substituído posteriormente por um inábil sistema de gotejamento.
Inteligentemente o mágico indica a alguns, cultivos mais agrestes ao estilo de Trás os Montes, adestrando os que teimam em não se “pirar” optando antes por manter a sobrevivência junto às suas raízes, ocultando porém que por lá existem zonas onde, “são nove meses de inverno e três de inferno”.
A cooptação involuntária certamente continuará mas como já elucidado noutra fábula, são precisas cautelas, não vá matar-se a galinha dos ovos de ouro.
Chega de brincar à democracia e às revoluções
Enquadramento
Um homem comunica ao seu filho que durante os próximos anos não lhe poderá dar a mesada e que terá de recorrer ao partir do seu mealheiro para equilibrar as contas de casa. O filho verbaliza, sem poupar calão, contra o acto e seu autor, revoltado com a injustiça de que é alvo. O pai não lhe disse que todos os ossos de ambos estão penhorados ao bando de agiotas que lhes emprestam o dinheiro necessário para garantir o pão, água e luz. O filho indigna-se. Porque não corta o pai nos vícios, das putas e vinho verde, em vez de lhe reduzir o seu poder de compra? Olha para a sua roupa de marca, consolas de jogos e outros gadjets da moda, oferecidos pelo seu pai em forma de compensação pela conduta menos própria. Terá de os vender para garantir liquidez? Voltar ao marasmo de antes, sem esses mimos?
A realidade é que o pai precisa de dinheiro em caixa para garantir no imediato a integridade dos 412 ossos e não da poupança amealhada no prazo de 1 a 2 anos com o fim dos gastos que sustentam os seus vícios.
O filho poderia ter impedido este momento. Bastaria que na altura em que se apercebeu dos comportamentos impróprios tivesse confrontado o seu pai com essa pouca-vergonha e recusado veementemente ser comprado com ofertas de lavagem de consciência. Provavelmente não teria metade dos bens de hoje mas também não teria chegado até este ponto. Agora o filho não conhece o cenário completo e o pai procura protegê-lo do impacto de saber que corre sério perigo de vida caso não se recorram a duras e injustas medidas de austeridade. Aguentará o filho conhecer a verdade? Será capaz de lidar diretamente com os implacavéis agiotas que financiaram o seu estilo de vida?
Não sei bem que vos diga…
Olho para as manifestações recentes e admito que é bonito de se ver tanta gente junta, unida, a demonstrar a sua insatisfação com estado da nação. Só que é notório que tirando os genéricos impropérios, dirigidos ao inimigo comum, não há um consenso, ou sequer ideias concretas, para apresentar soluções de pagamento da factura. O cerne da questão é “não nos venham ao bolso”. Mas isso não chega. Se o dinheiro não vier daqui virá de onde? Teremos todos noção que estamos falidos de momento? Se não houver injeção de dinheiro do exterior o país fará simplesmente KAPUT. Precisamos de tempo para construir a alternativa e infelizmente esse tempo é comprado e bem caro.
Não há um conhecimento público total de todas as variáveis envolvidas nesta crise e no nosso endividamento, pelo que podemos estar a chamar “FILHOS DA PUTA! CABRÕES!” a quem talvez não o mereça na sua plenitude. Sim, há-os aos potes naquela classe mas também é certo e sabido que quando o barco vai ao fundo as ratazanas são das primeiras a abandonar o barco. Poderão haver por ali algumas pessoas bem intencionadas mas mal assessoradas, mal informadas ou simplesmente manietadas. Se soubessemos toda a história ainda nos tornávamos amigos de algumas delas. Sei que é estranho pensar isto mas também são pessoas.
… mas ainda falta algo …
Lamento mas não sou crente na insurreição da nação. Um pico não é suficiente para me fazer mudar de ideias. Estamos longe de sentir a cidadania em pleno e de estarmos verdadeiramente unidos na luta por direitos e justiça social. Porquê só agora esta manifestação?
Em início de 2011 mais de meio milhão de desempregados não teriam merecido de imediato um aviso à navegação?
Em início de 2012 o corte de subsídios no sector público não seria mais do que justificativo?
Parece que não. Em 2011 os empregados no público e privado não sentiram as dores dos desempregados. Em 2012 com o anúncio dos cortes de subsídios no sector público muitos dos trabalhadores no privado até manifestaram um certo “Sim, senhora. É cortar na gordura do estado que essa gente não faz nada!”.
E agora na recta final de 2012, quando apenas está a ser feita uma sondagem à capacidade de encaixe dos Portugueses dos males que aí vêm, com a perspectiva de cortes brutais de rendimentos nos privados subitamente os desempregados são pessoas, os funcionários públicos são pessoas, somos todos pessoas, PORTUGUESES IRMÃOS!
De repente não interessa de que classe e sector és. Bora para a rua que agora já toca a todos e assim não se aguenta!
… muito fácil de concretizar.
Gostaria que a coragem, determinação, paixão e insurgência dos Portugueses não surgisse apenas em ambientes onde surgem fenómenos de massa (manifestações, concertos, estádios de futebol). Aí, com as costas quentes qualquer peido se transforma num trovão valente. A revolução à séria dar-se-ia se fossemos tudo isso quando estamos sozinhos, em discussão com as vozes na nossa cabeça, uma caneta na mão e um boletim de voto à frente. Aí sim. Confrontados com “o que faço com esta merda!?” e ponderando tudo o que temos a perder e ganhar em função do quadrado a cruzar.
Até hoje temos sido uns grande cobardes. Em mais de 30 anos de democracia apenas oscilamos entre duas forças políticas que em conjunto nos trouxeram até aqui. Ao longo deste tempo tivemos conhecimento de casos de corrupção, de favorecimentos lesivos ao estado e identificámos pessoas muito compententes a enriquecer sem tornar o país mais rico. E tudo isto aconteceu em alternância de períodos rosa ou laranja.
Teremos agora a capacidade de ouvir e arriscar apostar noutras caras, noutras ideias, noutras forças políticas? Ou na altura da verdade continuará a maioria a jogar pelo Seguro?














