Category Archives: Geração “à rasca”

Em tempos apelidada de “rasca”, esta geração declara-se hoje “à rasca”.

O Plano B, devolvam……….. tudo!

Saberia ele já, que teria de apresentar um plano B, estaria ele já, com ele na cabeça?

Provavelmente!

Acreditando que sim, foi certamente com grande sentido de Estado que se proferiram tais palavras, para os mais distraídos um recado do tamanho do mundo, não fosse ele considerado independente mas com informação privilegiada.

Vejam lá a lata do puto, dirão os catedráticos no partidarismo, académicos de hemiciclo, doutorados em legislaturas, honoris causa em coloração sectária.

Todos fazemos ofertas nos peditórios Nacionais para os mais diversos fins, sempre conscientes que estaremos a ajudar alguém em piores condições que as nossas, mas sempre no anonimato, ele optou por divulgar amplamente a sua beneficência, acho bem, afinal fartos de falsas modéstias andamos todos nós.

Dado o mote a nível particular com enorme sentido de solidariedade perante alguém que outrora prestou ajuda na sua formação, deixando transparecer o verdadeiro sentimento que mesmo sabendo que esse alguém, esbanjou inabilmente durante longos períodos, não poderá ficar sem ser restituído dos valores intrinsecamente adiantados.

o buraco

Bofetada de luva branca, bem ao seu estilo considerando que a educação que devia ser garantida e gratuita para todos, terá de ser vista como um aplicação e como em qualquer outra, o investidor tem o direito de ser ressarcido.

Aos outros porém, a quem ele no seu subconsciente considera eventualmente usurpadores, podem mesmo não ser pedidas devoluções do financiamento da sua formação, até porque a mais importante não é a académica mas sim a da personalidade, carácter e  princípios.

Consciência generalizada de que existem dois mundos, o que já passou e o futuro devem então ser separados, equacionando um desígnio para o futuro, mas este dependente do outro, o passado.

Mandam os cânones do direito que se faça tudo para não lesar o cliente, ora esse cliente eramos todos nós, mas todos, não só eles, os outros, catedráticos em finanças públicas, deveriam ter sabido gerir, ainda os ligados á engenharia deveriam ter sido expeditos em cálculo matemático. Facto é que uns deixaram o cliente ser encarcerado, outros geriram nocivamente juntando-se a esses quem não memorizou a tabuada.

Aproveitando a altura de devoluções impostas e não voluntárias, como a de devolver trabalhadores á inatividade, devolver subsídios para que lhes sejam no virar da esquina novamente entregues como mais uma devolução forçada, pode ele resolver de uma vez por todas estas questões, protegendo-se na obrigatoriedade da apresentação dum plano B e impor voluntariamente mais algumas… aproveitando para simultaneamente devolver a democracia.

Quem sabe mesmo se o autor de palavras de tal grandeza pode contar com a ajuda de outro mencionado já em finais do século passado, como um dos “Global Leaders for Tomorrow” considerado mesmo um “Political Star”.

A metodologia deve ser simples, como a simplicidade aplicada na taxação dos impostos, sempre numa escalada sem fim. Todos os intervenientes na governação fazem prova de rendimentos e bens, o Estado só tem de cobrar, não os custos da educação que lhes proporcionou, pois é pessoa de bem, mas sim os valores implicados aos período em que exerceram funções governativas.

Se durante as ultimas décadas cavaram tamanha lacuna, devem ser os próprios maioritariamente a responder por ela, sem esquecer os sorvedouros partidários e até os subvencionados, seguindo-lhe o repto, devolvendo, com retroativos e ajuste cambial para os mais antigos. Basta contabilizar as últimas três décadas e as contas seriam fáceis de fazer, daria pr’aí, mais que muito dinheiro, rios dele, uns biliões de euros.

A enormidade das necessidades é tal que estaremos a falar de “peanuts”, mas moralizava e lá diz o ditado “grão a grão…”

devolução

Ainda podes mudar de esquina!

Geralmente ainda com o escrutínio fresco, o poder da mente força- a tentando alterar a condição que nos levou a tal façanha, instigando a alterar a belo preceito o que lhes parecer mais oportuno, respeitando as diretrizes coloridas e de poderes instalados, foi isto que te aconteceu, mas a tua imaturidade politica deixou-te desprotegido.

Podia até cingir-me ao “Bardamerda, caladinho”, mas eras capaz de perceber a coisa só pela metade, obrigando-me por isso de ser mais longo.

Já devias ter aprendido que existem atitudes inadequadas, mas ainda não tens a escola da vida, vê lá que já te apelidam de mentiroso, troca-tintas, sendo estas as expressões mais lisonjeiras, porque até já de galdério foste rotulado.

Sabes, a convivência com o mundo real dá-nos uma escola sem igual, és novo e sabemos que ainda não tiveste essa oportunidade embora oesquina afirmes, caso contrário tinhas aprendido com a vox populi, que “Galdéria não arma estrilho, muda de esquina”

Basta olhares para o teu lado, mas não só, para veres como os que mudaram estão bem de vida, alguns tiveram até tempo de preparar a mudança, mas provavelmente tu não irás ter…

Tens recebido bastantes concelhos, daqueles indirectos para nem todos perceberem, ainda recentemente te disseram que faltam cabelos brancos nos governantes, ora vê lá onde está actualmente um que os tem todos brancos, sabes, aquilo dos pelos púbicos foi só para distrair.

De outra esquina longínqua, dizem-te agora que tens de fazer cumprir, vês mais um que optou por mudar, promovido logo na hora da chegada, estará ele a insinuar que haverá num angulo recto um dos lados ainda disponível.

Mesmo que as ditas esquadrias mais próximas estejam ocupadas, não desesperes e podes sempre pedir auxilio aos teus patronos, pode sempre sobrar alguma coisa das subvenções que recebem, para não teres de andar a pão e água.

Alcanças-te em muito pouco tempo, o que outros demoraram a conseguir, armaste estrilho com todos, desde os alcoviteiros aos companheiros de mesa.

Se tivesses essa tal vivência com a plebe, sabias que eles apenas querem beber a espuma que salta das taças e os primeiros mais negócio. Mas pior, conseguiste até colocar os simples mirones contra ti.

Ó santa ignorância, e dizes tu conhecer o País real… queres agora que o espectador contribua com mais algum, apenas para olhar a luxúria, mas sem lhe poder tocar? Mas isso nem na capital das “red lights” acontece!

Consegues tentar fazer o inimaginável, a arraia-miúda também ensina que “ou há moralidade, ou comem todos” e tu estás a fazer é exactamente o contrário.

Podias ter pelo menos escolhido bons livros que muito ensinam, mas até nas leituras foste errático, leste peças de teatro acreditando nelas como se de reais factos se tratassem, mas “… é muito fácil: demita-se o povo, destitua-se o povo e nomeie-se outro”, é pura ficção, podias pelo menos ter optado por leitura militar e ficarias a saber que a primeira coisa que se faz, quando se lança uma granada é resguardar-se, mas tu não, foste logo expor-te num evento mediático.

Se um dia em desespero de causa começares a chorar num canto escuro e te disserem, sai lá da tua zona de conforto e deixa de ser piegas, verás então a tua virilidade afectada e não irás gostar. Percebes agora porque tens de ser comedido.

Já devias saber que as páginas oficiais das redes sociais não podem ser utilizadas como depositário de desabafos, mas isso pouco interessa, porque outros teus conselheiros fizeram o mesmo, vê lá no que deu… “Puft”, a página morreu.

Falta-te tarimba, aquela que te permite andar pelo meio dos pingos da chuva, não tiveste porém tempo de aprender que a economia e a política, para poderem conviver, tem de convidar quem ensine o “modus operandi” do covil.

Podes ter tido mais tempo para acabar o curso, mas falhou qualquer coisa, caso contrário não te precipitavas na metodologia, fazendo divulgações faseadas tentando inibir o constrangimento, deixando as análises aprofundadas para á posteriori.

Um paladino tem de estar bem assessorado, acreditando que as suas qualidades têm as mesmas limitações dos restantes comuns mortais, compreendo que tenhas tido falta desses conselheiros, até porque os melhores que poderias encontrar são os tais…

Percebes agora porque o povo não vai demitir-se, aproveita agora pois ainda podes,

mudar de esquina.

Quo Vadis

Vitor Gaspar

O nosso “Nero Cláudio César Augusto Germânico” ateou fogo à “pacificamente revoltada” sociedade portuguesa. Pretende arrasar a economia. Não por inspiração artística, mas por uma espectral crença em modelos e dogmas. Das cinzas erguer-se-ão pujantes e competitivas empresas de exportação. Essa reconstrução não será financiada pela cunhagem de moedas “ajustadas“. Nero, enganou o povo de Roma. Desvalorizou a moeda. Gaspar não fará uso do mesmo expediente. A Alemanha não deixa. Não será a porção de ouro que será reduzida à função de revestimento da moeda. Nem pensar. Gaspar não engana o povo, desvaloriza-o, mas mantêm o valor da moeda intacto. “Terra queimada” é estratégia útil a quem não quer pagar, não a quem diz querer. Resultou quando o corso Bonaparte tentou invadir a vasta Rússia, e voltou a servir bem o Grande Urso aquando da operação Barbarossa. No nosso caso é contraditório. Pagar é objectivo ou desculpa?

Nero

Nero massacrou assistências com as suas prestações artísticas, desprovidas de sentido do ridículo, ignorando que não detinha um pingo de aptidão artística. Gaspar brinda-nos com a sua excelente dicção, adequada a tradutores simultâneos ou intérpretes de linguagem gestual, mas profundamente desgastante para quem não desiste e assiste. Lamento que por vezes se esqueça do rigor técnico que o caracteriza, como quando aborda as “poupanças nas PPP”. Ignora a relação entre o relevante valor que anuncia e o prazo a que se refere a poupança. A aptidão artística é manifestamente fraca.

A sacrossanta Troika avaliou. O Governo garantiu o seu álibi por mais um ano, graças à “benevolente” extensão do prazo. O primeiro memorando não foi negociado em função das necessidades, mas sim em função das eleições Alemãs, em 2013, numa típica e tristemente frequente estratégia de “empurrar com a barriga“, tentando a sorte  de uma eventual (ainda que pouco provável) mudança de fundo na Europa. Abdicar da nossa soberania por mais um ano em troca de nada, absolutamente nada, não resolve a falta de liquidez e garante o rumo do ajustamento incendiário e liquidatário. O actual Governo diz ter conseguido novas metas? Mas quais metas? Aquelas que os Gregos nunca cumpriram mas que nunca os privaram de receber o dinheiro da “ajuda”? Porquê? Porque o dito dinheiro visa respeitar as maturidades dos títulos de divida detidos pela banca (sobretudo Alemã e Francesa), e dessa forma tranquilizar os mercados. Mas como, se os mercados sabem que não há dinheiro no mundo que pague as imparidades do sistema financeiro? É esse conhecimento que explica a “histeria” nos mercados.

Perto do seu fim, Nero disse “Que artista falece comigo!” Que dirá Gaspar?

Até as putas como eu têm sentimentos

Serei o único a sentir-me uma puta gasta com as palavras chegadas da Madeira? Sinto-me como que explorado por um proxeneta que chula ao máximo os descontos do Continente, com esquemas que mais nenhum pelintra conseguiu magicar. Abala-me a realidade de que um pulha suficientemente criativo, que debocha daqueles que dão o cu e sete tostões para ajudar a cuidar e governar de uma parte do nosso território, aparentemente não possa ser derrubado e reduzido à insignificância de que nunca deveria ter saído. Nunca precisa de nós, excepto quando está a arder, ou quando lhe rebentam as águas, resultado do serviço mal feito, com culpa atribuída à bebedeira de noites passadas que a tantas más decisões levou.

É moço desinibido e prá frentex capaz de se deitar com quem mais conveniente lhe seja para a sua sobrevivência. Até tem um gostinho especial se a coisa se der à bruta.

E agora que se descobriu que a maçã dourada do Atlântico também vai um bocadinho para o podre, quer LIBERDADE! E com um simples referendo ter a legitimidade para o executar. Referendo onde os votantes seriam a mesma manada que habilmente conduziu durante décadas. Uma jogada segura. Mais um choradinho inconveniente para ver o que pinga.

Mas ao contrário do que brada aos céus, e aos mares, o Continente injetou muitos milhões naquele pequeno pedaço de terra. Grande parte dele escoado pelo buraco negro galáctico por si gerado. As tetas destas putas não deitam mais leite mas não penses que te vais com as jóias da coroa sem pagares o que deves. Sei que já são décadas de paraíso off-shore mas a mama acabou. E aqui para os lados do Continente estamos mortinhos para te devolver o amor e carinho com que nos brindaste todo este tempo.

Borda d’Alegoria

Ausentei-me por uns tempos. Caminhei pelo Alentejo e desliguei de tudo o que são notícias. Ao segundo dia já não havia crise. Havia o pulsar de um país à medida das possibilidades sem queixumes. Sem o mediatismo do zum-zum constante que ecoa no abismo infernal, do qual nos abeiramos, rapidamente olhamos para os acontecimentos locais simplesmente como modos de vida. Vive-se o que se pode, como se pode, sem pensar no que poderia ou poderá. Como a velhota de 80s que à porta da mercearia disse que ia ao velório do compadre, não me lembra o nome, para ver o compadre, que também não me lembra o nome, porque, pasme-se, achava que o homem não ia durar muito mais e para o ano já não estava entre nós. Mas como pode ela estar tão confiante que estará entre nós!?

Voltei para a cidade. Ouvi o circo mediático mas já imune à sua anestesia. Que se foda, pá. Se não morrer hei-de sobreviver de alguma forma até ter de matar quem de direito se preciso fôr. Caia lá esta merda toda para ver se é tão mau como predizem os que não souberam ler o passado para salvaguardar o presente.

Capa do Almanaque Borda d'Água 2013

E eis que no meio da contínua tempestade e desgraça social, política e económica vislumbro um vendedor do Borda d’Água que tentava vender o almanaque a um pai com uma filha pequena, que o ignorou, e para quem ficou a olhar enquanto dizia: “Se faz favor, posso-lhe fazer uma pergunta? Se faz favor…” Predispus-me à sua frente como cliente. Olhou para mim atónito. Não me abordou. Disse-lhe eu que queria um, por favor. Desconfiado passou-mo para a mão. Passei-lhe os 2 € sem que me dirigisse a palavra. Quando me inclinei para seguir o meu caminho ganha coragem e pergunta-me se não lhe posso arranjar um emprego. Fez-me sentir desajeitado por não ser um patrão… apesar de ser verdade, ao contrário de algumas vezes em que digo sem remorsos não ter moeda. Respondi-lhe que trabalhava por conta de outrem e não podia dar empregos, nem conhecia quem os estivesse a dar. Senti-me estúpido.

Refugiei-me no Borda d’Água e olhando para a capa diria que até aqui temos um Sr. Dr., como que a dizer que estudou muito, com sapiência divina para prever com exactidão todos os acontecimentos naturais, astronómicos e meteorológicos com influência  sobre o nosso querido Portugal. (há 2013!)

Folheei-o e tem uma grande lacuna. Não fala nem uma única vez em relvas. Toda a gente sabe que Portugal tem o clima e condições apropriadas para a produção de relvas. Temos relvas específicas que se desenvolvem em terrenos onde se meta muita água e onde seja abundante o estrume e o lodo. Misturando-se esses elementos, num grande caldeirão, obtém-se a poção mágica que dá força e vigor a essas relvas. O pasto é imenso e pode sustentar muitos bois que a mantêm rente. Suficiente para se perceber que existe, insuficiente para estorvar as movimentações aleatórias e desorientadas dos líderes da manada. Depois de algum tempo de sustento os bois ficam bem nutridos e partem para os seus tachos respectivos. E as relvas crescem sem ninguém para as comer. Porque o meter água, o lodo e o estrume não param de jorrar. Chegando ao ponto em que passam o ponto de pasto e se tornam altas e vigorosas formando uma barreira viçosa e nebulosa. Nesse ponto quem dela cuidou já não se arrisca a cortá-las. Porque sabem perfeitamente que o que se esconde por debaixo será revelado se as relvas se forem.

Certamente que esta falha poderá ser corrigida nas próximas edições do almanaque. Já na contra-capa encontrei um texto que resumidamente diz que de 2013 não podemos esperar grandes melhoras. Excepto em duas linhas que nos relembram que a esperança deve sempre ser a última a morrer. Mais descansado no FDS, para descomprimir, fui cortar a relva.

Novas oportunidades ou os cinco minutos de fama.

Numa das minhas incursões desastradas a um centro comercial, dou por mim estarrecido e estupefacto ao ver uma dezena e meia… talvez mais, de senhoras entre os quinze e os cinquenta anos, avolumadas junto a uma loja, estranho ver uma quantidade significativa de pessoas generosamente alinhadas e perfiladas, como se de algo estivessem á espera.

Primeiramente, numa veloz fracção de segundo pensei… Mais uma promoção daquelas que o marketing fez o favor de preparar e bem, ou os resultados não estariam á vista, mas aquela visão de relance fez-me fixar algo de estranho, mas comum a todas as presentes.

Tinham realmente mais que um pressuposto que as unia, sem com certeza se terem cruzado na vida antes, tinham um adereço comum, muito provavelmente prévia e cautelosamente preparado, todas empunhavam um curriculum vitae.

Estava portanto a assistir a poucos metros, a uma sessão no mínimo sui generis, pondo simples desempregadas á merce de penetrantes olhares indiscretos, simultaneamente com empregadores sujeitos a comentários algo desenquadrados.

Senti-me ali como um condutor viajando por uma qualquer autoestrada, que se depara com um aglomerado desajustado de peões imóveis, quando deveriam todos estar em circulação, mesmo que com velocidades díspares, mercê do objectivo final da viagem, ver montras para ocupar o tempo ou analisar o produto para depois o adquirir.

Parei por uns instantes, com a finalidade de, como uma máquina, fazer parar o tempo e ter a certeza do que estava a presenciar, efectivamente estas humildes criaturas, algumas com um olhar tão incrédulo quanto o meu, sentindo-se invadidas pelas expressões de quem tinham de se desviar, formavam uma fila em volta de um daqueles sofás utilizados para ver quem passa, saborear o gelado que se comprou numa área de serviço da mesma via rápida, ou tão somente, esperar alguém que foi numa rapidinha fazer uma compra.

Mantinham uma distancia, sem que precisassem de nenhum dístico dizendo, “aguarde aqui a sua vez”, era mais ao estilo de barreira psicológica, para não interferir com a actividade nem perturbar as já mais que pasmadas candidatas.

Faziam-se ali mesmo, no sofá do meio da avenida, entrevistas de emprego, num ambiente cosmopolita pois então, que isto do desemprego é mesmo uma oportunidade, permitindo aos candidatos conhecerem métodos inovadores, oferecendo-lhes de imediato a preparação para as condições de trabalho sobre pressão, começando desde o primeiro minuto de contacto com uma eventual entidade patronal a perceber que nos dias de hoje, tudo corre ao minuto e á vista de todos.

Entendo que desta forma a entrevistadora se aperceba imediatamente das mais valias da candidata, ou não fosse a função pretendida a de empregada de balcão, daí talvez esta primeira forma de abordagem, confrontando estas pessoas com uma exposição mediática ao primeiro momento, permitindo-lhes assim os tais “cinco minutos de fama”.

A isto podem também chamar de empreendedorismo, pois inovar é preciso e emprego é coisa que hoje em dia faz efectivamente, falta a muita gente.

Contrariando todas as práticas de seleção e métodos de entrevistas, de quem se quer concentrado no que vai dizer e atenção de quem está a ouvir, podendo mesmo por em causa ambas as partes, o candidato por nervosismo e o empregador por má análise, eventualmente perdendo quer uma, quer outra, uma fulcral parceria lucrativa.

A sociedade gestora daquele centro comercial, que certamente controlará até ao mais ínfimo pormenor toda a logística e operacionalidade das lojas, deve ser felicitada por apoiar tamanho evento, pois deu o seu contributo para a dinamização da economia local, não tendo cobrado, penso eu, aluguer do espaço.

25 de Abril nas Cabeças dos Portugueses

O 25 de Abril pôs fim a uma ditadura opressora. Antes do 25 de Abril passava-se fome e imperava a lei da rolha. O 25 de Abril pôs fim à guerra colonial. O 25 de Abril foi o parto da democracia em Portugal. A democracia é um regime de governo em que o poder de tomar importantes decisões políticas está com os cidadãos (povo), direta ou indiretamente, por meio de representantes eleitos.

Vamos a caminho das 4 décadas de democracia em Portugal. Nesses 38 anos surgiram dezenas de partidos. E a cadeira do poder foi tomada sobretudo por dois partidos políticos. PS e PSD. Por vezes com uma muleta de um outro partido sendo a mais frequente a muleta CDS/PP. Em 38 anos de democracia temos sensivelmente 18 anos geridos por PS e 18 anos geridos por PSD. UAU! TKO!

Portugal teve a sorte de entrar na União Europeia. De receber milhares de milhões de euros de apoios ao desenvolvimento. Que foi realmente muito apoiado. Só que o dinheiro foi também desbaratado a uma escala magnânima. Milhares de milhões de desperdícios em desvios mais ou menos claros. Só que vivia-se bem! Corrijo! Vivia-se MUITA BEM! E o povo comia, bubia, ria e cantava. Dava para todos. Para mostrar trabalho e para roubar. Que se lixe.

Em Oeiras e na Madeira, alvos de maior turbulência mediática e escarafunchar de cambalachos, vive-se assim descaradamente há décadas sem que o povo se indigne. São os focos de atenção perfeitos. Não só servem de manobra de diversão como não provocam danos reais aos visados que se mantêm em funções alegremente e com júbilo dos seus eleitores.

Só que agora a torneira fechou, a fachada ruiu, os media são megafones de lobbies políticos e económicos, o sector energético é privado, as águas de Portugal hão-de ser, as estradas edificadas não são baratas de usufruir, a educação pública não tem condições para todos, a saúde tornou-se um simples centro de custos, o emprego precário é uma benção dos deuses e temos velhos e desempregados a mais que corroem a sustentabilidade da segurança social. Décadas de crescimento contínuo do nível de vida desabam em apenas um ou dois anos. Volta-se a ter fome. Pode-se conversar em ajuntamentos públicos mas não há alegria nas conversas. Volta-se a não ter esperança. Instiga-se os que estão mal a emigrarem. Culpa-se a classe política.

A nossa democracia está uma merda. Mas a culpa não é dos partidos. Esses são apenas os testas de ferro, representantes dos cidadãos que os elegem. Nunca faltaram vias alternativas. Só que as coisas estavam bem apesar de sabermos que roubavam. Estamos comodistas e temerários de seguir por ângulos que não os da Direita, Centro ou Esquerda.  Já lá vai o tempo em que armazenávamos provisões nos porões, soltávamos as velas e olhando para terra, num primeiro fôlego de saudade, nos deixávamos levar pelos ventos sem saber onde iríamos parar e o que iríamos descobrir. E a ousadia de enfrentarmos exércitos vizinhos mais numerosos nem que à força de pazadas de padeiro? Seremos capazes de reconhecer e reagir a exércitos inimigos internos que precisem de igual tratamento? Ou estaremos já formatados por décadas de facilitismo e boa-ventura?

Agora temos medo e vergonha. Vergonha de ousar votar em desconhecidos sem um CV bem elaborado e sem o amparo de avalanches de referência em canais de media. Temos preguiça de procurar informação noutros canais que não a TV, rádio e jornais que montam as suas hábeis campanhas de condicionamento de pensamentos e opiniões. Assustam-nos discursos disruptores e fraturantes que apressadamente catalogamos como utópicos para nos serenar a consciência e justificar a não adesão e não lutar por aqueles ideiais.

Somos COBARDES por não ir votar ou votar em branco. Ambos são levar ao colo os moços do costume.

A próxima revolução não tem de ser na rua nem no parlamento.

Tem de ser na nossa cabeça tacanha.

Se não nos identificamos com nenhum dos partidos só temos duas opções. Ou infiltrarmo-nos na política e tentar fazer passar a nossa visão ou escolher aqueles com que mais nos identifiquemos mesmo que isso não aconteçaa a 100%. A democracia veio pôr fim à ditadura mas é curioso que não exista governo que se assuma capaz de governar em condições sem ter maioria absoluta. Se não a teve por algo foi. E tê-la alavancada em 40% de taxa de abstenção é uma mentira só possível por quem contibui para essa percentagem.

Democracia é participação.

Não usufruir dela é demonstrar-se confortável com uma qualquer ditadura que não passa apenas por uma forma de regime político como se verifica nos dias de hoje.

25 de Abril todos os dias! Até às próximas eleições…

PPP Lusitânia

cunard_logo_2950No início da Século XX, a famosa Cunard Line perdia a hegemonia comercial na rota transatlântica. Para além das companhias Alemãs, a entrada do magnata JP Morgan  no negócio, motivou a fusão de vários concorrentes de menor dimensão, criando um gigante no sector. Sem meios financeiros, a privada Cunard estava impossibilitada de responder à altura das circunstâncias. É neste contexto que em 1904, o governo britânico decide apoiar a Cunard. Em época de preparação para aquela que viria a ser a primeira guerra mundial, o governo de sua majestade viu com bons olhos a possibilidade de no futuro requisitar novos e rápidos transatlânticos. Nascera uma Parceria Público Privada (PPP). Materializou-se no desenvolvimento e construção de novos navios, o primeiro dos quais foi providencialmente baptizado em memória da antiga província Romana, a Lusitânia.

O desenvolvimento e construção do RMS Lusitânia fizeram justiça à memória e tradição do nome de baptismo. Foram respeitados os valores e virtudes dos herdeiros de Viriato, a megalomania por exemplo: Com projecto ultramoderno, o novo transatlântico seria motorizado por turbinas a vapor. Tamanha inovação, qual via verde para o atlântico norte, ditou um processo de construção nada ortodoxo. A construção da popa do navio aguardou a conclusão dos desenvolvimentos das revolucionárias motorizações, enquanto a construção da proa prosseguiu a todo o vapor. O método tradicional deu lugar à nossa ancestral metodologia “em cima do joelho”. Qual portagem em scut.

Concluída a construção, múltiplas características imergiam como retumbantes provas da identidade Lusitana: era o maior e melhor navio do mundo, era o mais rápido e o mais faustoso. A decoração da primeira classe (estilo rococó) valeu-lhe a alcunha de Versalhes dos Mares. Menos majestosa, a decoração da segunda classe era ainda assim opulenta. Já na terceira classe, a madeira de pinho polida estava omnipresente, luxo a que os passageiros deste estrato socioeconómico não estavam habituados, pelo que lhe enalteciam a beleza e a comodidade. A todo este estratificado conforto, estava também associada outra característica Lusitana, o defeito de fabrico: a alta velocidade a vibração gerava uma ressonância insuportável nos aposentos de segunda classe. Analisado o problema, encontrada a solução. O defeito foi declarado feitio, merecendo apenas ajustamentos: reforço de estrutura, adendas à decoração e está concluído. O último acto da Lusitanidade no berço não resolveu, mas abafou. Típico.

A viagem inaugural em 1907, decorreu sem glória ou desonra. Mediana sorte, obviamente Lusitana. O nevoeiro não permitiu a velocidade necessária para reclamar a “Blue Riband”, conquista apenas concretizada na segunda viagem transatlântica. O tesouro Britânico pagou, a Cunard explorou, milhares de passageiros usufruíram de rapidez e conforto. Ninguém perdeu. A PPP era um sucesso, ao navio faltava-lhe o Fado.

Com o início da primeira grande guerra, o Almirantado Britânico requisitou o navio em 1914, mas devido ao elevado consumo de combustível, foi devolvido ao uso civil. A PPP estava pela primeira vez em dúvida: tal como hoje por cá, o desvio face ao orçamentado foi uma enorme surpresa! Não obstante, a rota transatlântica foi retomada sob austeridade de meios humanos e materiais, o que amputou 30% da velocidade máxima do navio. Persistia contudo a necessidade de justificar a PPP. Foi por isso, com subtileza e descrição dignas do seu baptismo, que o RMS Lusitania começou a transportar munições no trajecto de Nova Iorque para Liverpool. Foi quanto baste para sobre ele atrair a atenção da troika que se opunha à Grã-Bretanha e seus aliados: o Império Alemão, o Império Austro-Húngaro e o Império Otomano. Sobre este último, julgado moribundo, foi planeado um vigoroso ataque naval ao estreito de Dardanelos.

GrandFleetA convicção de vitória era total entre os aliados. Visando partilhar a glória, a Republica Francesa fez questão em enviar os melhores navios da sua Marinha de Guerra, tentando assim ombrear com a maior e mais poderosa Marinha de Guerra da época, a Royal Navy. Curiosa esta tendência francesa para a grandeza a reboque da potência do momento. Mantém-se até aos dias de hoje. Tragicamente, o prognóstico de facilidade revelou-se um enorme erro de avaliação. Modestas minas navais e a poderosa artilharia Otomana impuseram uma pesadíssima derrota às marinhas aliadas. À derrota naval, seguiu-se o desastroso desembarque de Anzacs a 25 de Abril de 1915 nas colinas de Gallipoli. Falhou o objectivo de neutralizar a artilharia Otomana. A dimensão do desastre traduziu-se em mais de meio milhão de baixas registadas de ambos os lados.

Esta pesada derrota aliada ditou a necessidade de envolver os Estados Unidos da América no conflito, sem o qual a vitória da Grã-Bretanha e seus aliados seria impossível. A forte convicção isolacionista do desejado aliado tornava esta tarefa muito difícil. Ao RMS Lusitânia estava reservado o papel principal neste processo, seria esse o seu Fado. O mérito do plano que concretizou o difícil objectivo, ninguém o reclamou, talvez por vergonha ou pudor, mas especula-se que Winston Churchill terá tido um papel determinante: Quer no montar do isco aos Alemães, quer no posterior branqueamento das responsabilidades do Almirantado Britânico (especialmente necessário após a derrota no Mar Egeu).

Desde o início da primeira grande guerra que a Grã-Bretanha impunha o bloqueio aos portos germânicos. A força dos números oferecia esta hipótese à Royal Navy. Apesar de a Kaiserliche Marine possuir navios tecnologicamente mais avançados que a generalidade dos britânicos, a prudência aconselhava evitar um confronto de larga escala. A alternativa estratégica recaiu sobre o uso de uma arma inovadora à época, o submarino. Actualmente, esta arma furtiva encontra paralelo nas agências de notação financeira, as quais torpedeiam as economias mais débeis causando pesadas baixas na guerra económica. O comportamento humano repete-se. As consequentes tragédias também, infelizmente.

Com efeito, após mais de duzentas travessias do Atlântico Norte, o RMS Lusitânia partiria uma última vez da doca da Cunard Line em Nova Iorque a 1 de Maio de 1915, sob o comando do Comodoro William Thomas Turner, com 1959 pessoas a bordo. Entre eles, muitos americanos que ignoraram o anúncio publicado pela embaixada imperial Alemã nos Jornais nova-iorquinos, o qual alertava os cidadãos americanos para os perigos de viajar a bordo de navios britânicos. Peões no xadrez da guerra, que valeram por Rei, Rainha, Bispos, Cavalos e Torres.

Efectivamente, a 7 de Maio de 1915, o isco foi mordido pelo submarino U-20, sob o comando de Walther Schwieger lançou um único torpedo sobre o RMS Lusitânia, que ao largo da costa Irlandesa se afundou em apenas dezoito minutos. Mil e duzentas pessoas perderam a vida. As causas e seus argumentos foram esgrimidos entre os intervenientes, com reciprocidade na atribuição de culpa, mas o facto relevante prevaleceu: Os EUA entraram no conflito ao lado da Grã-Bretanha e seus aliados, entre os quais estava a jovem Republica Portuguesa e a sua apetrechada Armada.

Os acontecimentos relatados demonstram que a globalização tem mais de um século. Nada é estanque, ou isento de consequências noutras latitudes. Ao colapso da banca de investimento Americana, seguiu-se a crise financeira na Europa. De pouco serviu a esta declarar-se imune ao colapso Americano. Meras palavras. A frota aliada que atacou o estreito de Dardanelos era à época tão infalível como o sistema financeiro mundial o é hoje. Os bancos de investimento americanos podem ser “demasiado grandes para falhar”, mas a verdade é que falharam de forma tão trágica como a frota aliada no Mar Egeu. Agora, como então, as populações não previram o efeito, da mesma forma que ainda não compreendem as causas. De forma premeditada, ou mero aproveitamento da oportunidade, o RMS Lusitânia foi instrumentalizado, e sua tragédia explorada no recrutamento para a guerra. Enganam-se aqueles que acreditam que este tipo de propaganda não existe nos dias de hoje. É simplesmente mais sofisticada.

O combustível hoje aumentou! – Lado B da Vida

Já não há pachorra para as notícias agressivas sobre todas as medidas opressoras da confiança, optimismo e felicidade. Por isso hoje para variar comento o aumento dos combustíveis de forma ligeira, irónica e bem-disposta. No final deste artigo não vão perceber a gravidade da situação mas ao menos terão um rasgado sorriso que dará férias à cara sorumbática plantada pelos normais noticiários.

 

Preço dos Combustíveis = Retorno das charrettes?

Depois de um burro ter vencido um Ferrari numa corrida no IC-19 em hora de ponta eis que agora começa a ser mais barato sustentar um cavalo do que um automóvel. O mercado de carroças e equídeos prepara-se para a procura que se avizinha.

Perguntámos a Paula Bobone o que acharia do retorno das charrettes e dos cavalos ao que nos respondeu:

– “Não deixaria de trazer um certo glamour às ruas de Portugal e o revivalismo está na moda. Poderiam alimentá-los apenas a arranjos florais para que os seus cócós perfumassem a cidade.”

Já José Castelo Branco foi mais comedido dizendo:

– “Seguramente algo que envolva cavalos e a minha pessoa tem que envolver também uns charrettes porque para acontecer eu teria que estar drogado, D-R-O-G-A-D-O, para não me lembrar de nada do que se passou naquela quinta com o garanhão  chamado Frota.”

 

Empresas de Transportes preocupadas com nível da Matemática em Portugal

Com o novo aumento dos preços, e o perigo do retorno das charrettes, as empresas de transportes desafiam os Portugueses em acções de marketing com problemas matemáticos de nível básico como:
“Se encher o depósito custa 70 € e gasta dois depósitos por mês no percurso casa-trabalho. Quanto gasta por mês? É mais caro ou mais barato do que o passe de transportes de 50 € por mês? E se adicionar o custo do parqueamento?”

Para espanto dos marketeers a grande maioria dos Portugueses não consegue encontrar as variáveis nem fazer as contas e não chega a qualquer resultado. Por este motivo as empresas de transportes exigem mais e melhor Matemática ao Ministério de Educação.

 

Governo cria condições para baixar preços de combustíveis

Derivado à falta de orçamento para investir em políticas de educação o governo,  preocupado com a situação no mercado pretrolífero e o grande impacto social dos preços dos combustíveis, reuniu de emergência com as petrolíferas e gasolineiras nacionais para concertar esforços no sentido de proporcionar períodos de baixa de preços que aliviem os Portugueses.

A negociação não foi pacífica mas chegou-se ao consenso e a partir de agora os preços dos combustíveis terão 10 casas decimais. Hoje o preço poderá estar a 1,6999999999 mas amanhã poderá estar a 1,6999999998 e no dia seguinte a 1,6999999997 e assim sucessivamente até que progressivamente os preços normalizem para valores razoáveis.

A Europa aplaude atitude do governo e pondera criação da moeda de 0,0000000001 € para facilitar trocos.

 

Victor Gaspar critica aumento dos combustiveis em Portugal

Apesar do desafio de fazer projeções de receitas exatas à décima casa decimal o Ministro das Finanças está indignado com o novo aumento dos combustíveis. Isto porque inviabilizam a subida do ISP e IVA que em conjunto representam apenas pouco mais de 50% do preço da gasolina.

Segundo planos do próprio os Portugueses são capazes de ser austerizados até aos 1,999 € por litro desde que 80% desse valor fosse para os cofres do estado. É incompreensível que cheguemos em breve a esse valor devido a ação das petrolíferas e não à ação direta do governo. Depois da Troika deveria ser o governo e não o sector privado a gerir a economia nacional. “E agora aumento o quê?” disse um desapontado Victor Gaspar.

 

Comunidade de Xuning protesta contra aumento dos combustiveis

Já não bastava a crise a limitar a capacidade de evolução contínua dos nossos veículos motorizados e eis que agora o aumento de combustíveis condiciona também a liberdade de expressão na comunicação via raters, roncos e vibratos de tubos de escape.

Um peidinho ou bufa motorizada está ao preço do ouro e não há quem consiga manter a contínua demonstração sonora das capacidades da sua máquina.

O Xuning silencioso não é Xuning. É meio caminho andado para a degradação desta forma de arte para o estatuto de decoração pirosa só ao alcance de alguns bimbos sem tusto

 

 

Se esboçaste um sorriso que seja faz um like pá. É de borla! (por enquanto)

Bacalhaus e Submarinos

Nascido “Elite”, ao bacalhau dedicado, dos Lusos foi o primeiro no arrasto. Decorria o ano de 1909. A Europa vivia dias de “Paz Armada”, um eufemismo para a corrida às armas. Não entrámos. Fomos à pesca por arrasto.

Em 1914, morto o arquiduque Francisco Ferdinando, precipitou-se a Guerra, das grandes a primeira. Entramos desta feita. Como nunca fomos piegas, não lamentámos a falta de preparação para a beligerância: do arrastão de pesca, fizemos um navio de patrulha oceânica. Para tal bastou à Armada requisitar a sofisticada embarcação ao seu dono, a Parceria Geral de Pescarias Lda. Engenho quanto baste, está feito: Canhão à proa, outro à popa. Óptimo. Não mexe.

Rebaptizado “NRP Augusto de Castilho”, assumiu funções como escoltador oceânico. Até ao derradeiro ano das hostilidades, 1918, o arrastão convertido em navio de guerra deu uso às suas armas. Atacou submarinos alemães, tendo registado importantes vitórias, obrigando por duas vezes o inimigo a submergir e partir em retirada.

Tal bravura não passou despercebida ao Almirantado da Kaiserliche Marine. O insolente navio Lusitano seria punido. A “missão” foi confiada a Lothar von Arnauld de la Perière, o às dos ases. Com ascendência Francesa, natural da (hoje) Polónia, Lothar era contudo bisneto de um General Prussiano, tendo dele herdado o inflexível código de conduta. Ao melhor comandante de submarinos de todos os tempos, foi confiado o comando do U-139. Simplesmente o maior e melhor submarido construido à data.

Navio de Transporte São Miguel

O inevitável embate ocorre a 14 de Outubro de 1918 (um mês antes do armistício de Novembro do mesmo ano). Em defesa do Vapor “N/T S. Miguel“, sob o comando do primeiro-tenente José Botelho de Carvalho Araújo, o “NRP Augusto de Castilho” atacou o “U-139“, acto com o qual garantiu a oportunidade de fuga do navio mercante. Contudo fatal. O combate vitimou o comandante e cinco elementos da guarnição. O caos resultante ditou a rendição e consequente ordem para abandonar o navio. Antes de ser desferido o golpe final, entrou em acção o código de conduta dos homens do mar. Aos sobreviventes, foi permitido regressar a bordo e resgatar botes salva-vidas nos quais chegaram à ilha que deu nome ao navio mercante por eles salvo, São Miguel. Esta benevolente iniciativa do comandante Lothar la Perière, foi certamente inspirada pela tradição militar prussiana. A ele, a minha sincera homenagem, pois ao seu gesto devo a minha modesta existência: Entre os sobreviventes que chegaram aos Açores a 19 de Outubro de 1918, estava o 2º Sargento Enfermeiro Acácio Alves de Moura, meu bisavô (ainda solteiro), avô materno de quem meus filhos são netos, senhor meu pai.

Observada a história, explicada a ligação pessoal, constato a analogia deste passado com o futuro da minha prole. Não é que um século depois continuarão à mercê do carácter Germânico? E se no lugar de um integro e vertical Prussiano nos calha um “Schettino” que por lá tenham por engano?

Incontornável é também o eterno desacerto Lusitano: Em 1909 necessitávamos de Navios de Guerra, mas compramos Navios de Pesca, os quais por necessidade convertemos em alvos para submarinos Alemães. Paradoxalmente, necessitamos hoje de Navios de Pesca, mas comprámos submarinos Alemães. Teremos nós o engenho necessário para inovar a arma o suficiente para com ela pescar por arrasto?