Category Archives: Ancora
Crucial instrumento náutico. Permite fixar navios em posições sob fundos rochosos, lodosos ou arenosos. Geralmente fabricada em metal, é constituída por uma haste principal. Numa das extremidades são ligados os braços pontiagudos para penetração no fundo ou fixação sob rochas. Na extremidade oposta da haste, o arnete permite a fixação da amarra que liga a âncora ao navio.
Lançar âncora ou ancorar firma o navio, permitindo-lhe persisitir em bom porto, evitando navegar quando as condições em alto-mar são propícias ao naufrágio.
25 de Abril nas Cabeças dos Portugueses
O 25 de Abril pôs fim a uma ditadura opressora. Antes do 25 de Abril passava-se fome e imperava a lei da rolha. O 25 de Abril pôs fim à guerra colonial. O 25 de Abril foi o parto da democracia em Portugal. A democracia é um regime de governo em que o poder de tomar importantes decisões políticas está com os cidadãos (povo), direta ou indiretamente, por meio de representantes eleitos.
Vamos a caminho das 4 décadas de democracia em Portugal. Nesses 38 anos surgiram dezenas de partidos. E a cadeira do poder foi tomada sobretudo por dois partidos políticos. PS e PSD. Por vezes com uma muleta de um outro partido sendo a mais frequente a muleta CDS/PP. Em 38 anos de democracia temos sensivelmente 18 anos geridos por PS e 18 anos geridos por PSD. UAU! TKO!
Portugal teve a sorte de entrar na União Europeia. De receber milhares de milhões de euros de apoios ao desenvolvimento. Que foi realmente muito apoiado. Só que o dinheiro foi também desbaratado a uma escala magnânima. Milhares de milhões de desperdícios em desvios mais ou menos claros. Só que vivia-se bem! Corrijo! Vivia-se MUITA BEM! E o povo comia, bubia, ria e cantava. Dava para todos. Para mostrar trabalho e para roubar. Que se lixe.
Em Oeiras e na Madeira, alvos de maior turbulência mediática e escarafunchar de cambalachos, vive-se assim descaradamente há décadas sem que o povo se indigne. São os focos de atenção perfeitos. Não só servem de manobra de diversão como não provocam danos reais aos visados que se mantêm em funções alegremente e com júbilo dos seus eleitores.
Só que agora a torneira fechou, a fachada ruiu, os media são megafones de lobbies políticos e económicos, o sector energético é privado, as águas de Portugal hão-de ser, as estradas edificadas não são baratas de usufruir, a educação pública não tem condições para todos, a saúde tornou-se um simples centro de custos, o emprego precário é uma benção dos deuses e temos velhos e desempregados a mais que corroem a sustentabilidade da segurança social. Décadas de crescimento contínuo do nível de vida desabam em apenas um ou dois anos. Volta-se a ter fome. Pode-se conversar em ajuntamentos públicos mas não há alegria nas conversas. Volta-se a não ter esperança. Instiga-se os que estão mal a emigrarem. Culpa-se a classe política.
A nossa democracia está uma merda. Mas a culpa não é dos partidos. Esses são apenas os testas de ferro, representantes dos cidadãos que os elegem. Nunca faltaram vias alternativas. Só que as coisas estavam bem apesar de sabermos que roubavam. Estamos comodistas e temerários de seguir por ângulos que não os da Direita, Centro ou Esquerda. Já lá vai o tempo em que armazenávamos provisões nos porões, soltávamos as velas e olhando para terra, num primeiro fôlego de saudade, nos deixávamos levar pelos ventos sem saber onde iríamos parar e o que iríamos descobrir. E a ousadia de enfrentarmos exércitos vizinhos mais numerosos nem que à força de pazadas de padeiro? Seremos capazes de reconhecer e reagir a exércitos inimigos internos que precisem de igual tratamento? Ou estaremos já formatados por décadas de facilitismo e boa-ventura?
Agora temos medo e vergonha. Vergonha de ousar votar em desconhecidos sem um CV bem elaborado e sem o amparo de avalanches de referência em canais de media. Temos preguiça de procurar informação noutros canais que não a TV, rádio e jornais que montam as suas hábeis campanhas de condicionamento de pensamentos e opiniões. Assustam-nos discursos disruptores e fraturantes que apressadamente catalogamos como utópicos para nos serenar a consciência e justificar a não adesão e não lutar por aqueles ideiais.
Somos COBARDES por não ir votar ou votar em branco. Ambos são levar ao colo os moços do costume.
A próxima revolução não tem de ser na rua nem no parlamento.
Tem de ser na nossa cabeça tacanha.
Se não nos identificamos com nenhum dos partidos só temos duas opções. Ou infiltrarmo-nos na política e tentar fazer passar a nossa visão ou escolher aqueles com que mais nos identifiquemos mesmo que isso não aconteçaa a 100%. A democracia veio pôr fim à ditadura mas é curioso que não exista governo que se assuma capaz de governar em condições sem ter maioria absoluta. Se não a teve por algo foi. E tê-la alavancada em 40% de taxa de abstenção é uma mentira só possível por quem contibui para essa percentagem.
Democracia é participação.
Não usufruir dela é demonstrar-se confortável com uma qualquer ditadura que não passa apenas por uma forma de regime político como se verifica nos dias de hoje.
25 de Abril todos os dias! Até às próximas eleições…
Nomeação do 1º Lord do Almirantado
A polémica instalou-se no Reino.Se as orientações provem do ministério do mar, e apenas dele, a bondade e mais-valia do novo modelo de gestão é questionada: “se não existe necessidade de conciliar interesses, se a cadeia de comando é simples e as ordens claras, porquê ampliar o almirantado e porquê nomear um 1º lord?”
Julgamos óbvias as respostas:
1) A resposta à primeira questão, concretamente porquê nomear mais Almirantes em tempo de crise orçamental e financeira é que tal decorre da complexa rede de Ancoras e correntes em toda a frota, pelo que o princípio “todos seremos poucos e toda a ajuda é bem-vinda” se aplica na perfeição. Em breve ficará inequivocamente provada a eficiência deste subtil aumento de custo.
2) Se o Reino tem dois soberanos, Rei e Rainha em coligação (excepto colonias ultramarinas), o Almirantado será ajudado pela função conciliadora do 1º Lord. Não obstante a cadeia de comando simples e directa, reportando directamente ao Ministro do Mar em questões de gestão de frota, é relevante para o reino a atenção ao detalhe na venda de todas as embarcações de recreio que a Armanda está comprometida a alienar.
Viva o Reino, a Armada e o Almirantado!
A pesca da Palmeta
A cota de pesca de palmeta no mar do norte atribuída ao Reino excede a capacidade da frota pesqueira. A traineira lusa há muito que deixou de ser referência tecnológica e/ou de ecoeficiência.
Quanto às tripulações, quais desclassificados seres, pouco a nada haverá a dizer. Pobres analfabetos, entram a bordo em busca do pecaminoso prémio por desempenho. Já sobre o Mestre de traineira, ainda que pouco, algo haverá a dizer. É o chefe, é o líder. Sem ele, não há pesca. Nem muita nem pouca, não há! Sentado ao leme, na ponte, assume a responsabilidade de zelar pela embarcação, pelos resultados e até mesmo pela vida da tripulação.
Subindo na hierarquia, o armador, ou dono da traineira é por vezes o Mestre da sua própria embarcação. Quando assim é, está a bordo, partilha riscos e proveitos, e não vê pecado nos prémios por desempenho. Sabe que cada membro da tripulação com ele partilha risco, e por mais desclassificada a pessoa, merece o seu prémio, pois esta exposição ao inesperado é em si uma forma de empenho, um vinculo para com todos a bordo.
E quando o armador não é o Mestre e não está a bordo? Pois bem, nestes casos, a preocupação maior é a eficiência do custo. As variáveis a bordo são secundárias em relação às variáveis em terra. Significa que o custo do Gasóleo dita ajustes “inevitáveis”.
Como fazê-lo nestes casos? Investindo ou cortando?
Investir: melhorias na embarcação, visando a redução do consumo; em meios de detecção de pescado, aumentando a eficácia por dia no mar, e consequentemente reduzindo custos operacionais; na formação e melhoria de procedimentos das tripulações; Não, nenhuma é considerada. Porquê? Porque obrigam a assumir risco! A solução óbvia é cortar, e fazê-lo onde é mais fácil, ou seja, nos prémios por desempenho. Afinal a remuneração do Mestre é intocável. Já os prémios de quem partilha risco, são apetecíveis por tão fáceis de cortar.
O corte é indolor para este tipo de armador, pois ignora por completo o que significa embarcar. Quando navega, só faz por recreio e apenas em dias especialmente escolhidos para o efeito. Julga-se conhecedor de uma realidade sobre a qual não compreende (nem imagina) como está dependente da coragem, ímpeto e empenho de Mestres e tripulações. Tem ainda um aliado inesperado: a rude moral lusitana, a qual atribui um estranho valor pecaminoso ao prémio por desempenho, como se este do demónio emana-se. Ao trabalho não devemos associar desempenho, vontade ou resultados. Não, a Lusa moral diz-nos que o importante é nivelar por baixo, diz que não só não se deve premiar o desempenho, como tudo deve ser feito para proteger a abstinência e a mediocridade.
Minimiza-se o risco, cortando proveitos a quem o está preparado para assumir e partilhar o dito risco. Cumpre-se desta forma o objectivo de curto prazo, relativizando os impactos de médio ou longo prazo: quando a remuneração da Tripulação é exclusivamente dependente dos factores que esta não controla, como o preço do gasóleo, resigna-se, acomoda-se e dedica-se à fé, e não ao trabalho. Os Mestres reformam-se sem transmitir o saber, por não existir a quem transmitir.
De tanto risco conter, nenhum ficou para correr! A frota degrada-se, perde irremediavelmente a competitividade. O Armador muda de negócio…
A Palmeta agradece!




