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Sensações e controlo climático
Um evento climático extremo é um fenómeno meteorológico ou climático, que se afasta significativamente da média histórica e atinge limites extremos na distribuição estatística (frequentemente ocorrendo apenas em 5% ou menos do tempo).
Cientificamente é uma anormalidade normal. Mediaticamente é o culminar da acção do homem, a consolidação do aquecimento global em curso, perigo extremo, causa de mortandande.
Para quem acompanhe notícias generalistas o tema do Super El Niño, com efeitos como os que estamos agora a sentir, já era debatido o ano passado. Super El Niños são fenómenos raros, com apenas uma mão cheia de ocorrências devidamente documentadas, e tipicamente conduzem ao quebrar de máximos de temperaturas registadas.
É relevante ter em conta que o registo científico de temperaturas no território continental é relativamente recente, veja-se abaixo um quadro de artigo no Público em 2022, onde se demonstra que a data mais baixa de início de registo contínuo de temperaturas é 1941 (em Coimbra e Beja), sendo que a maior parte teve início a partir dos anos 80. Num planeta com milhões de anos, numa nação com mais de 800 anos de história, temos apenas décadas de informação científica fiável para servir de base de comparação.

Nas TVs reina novamente o alarmismo puro, o não saia de casa a não ser que seja mesmo preciso, o fecho preventivo de espaços de lazer, a anulação de eventos ao ar livre, configurando-se uma suave indução ao confinamento climático com hábil narrativa de salvaguarda do bem-estar geral. Como gostam de nos ter em casa sossegados entregues às vicissitudes multimedia numa bela, dócil e crente egrégora.
Usa-se infografia trabalhada para, sem mentir, manipular a percepção geral de que a Europa está a arder e a roçar limites da inabitabilidade. Passam-se imagens e partilhas do que se vive nos pontos críticos, extrapolando-o como se fosse o vívido em todo o território.
E para climax final usa-se o número das mortes excessivas atribuídas ao calor. Diz-se que talvez vinte mil óbitos causados pela onda de calor na Europa. Ora estes números normalmente são calculados também através de desvios ocorridos no período, face à média dos anos passados. O que quer dizer que realmente algo terá acontecido para que a população seja mais afectada por anomalias climáticas, correlação não é causalidade. Pergunto-me se não existirá a possibilidade de que algo tenha degradado os naturais mecanismos de defesa e regulação do corpo humano, ao ponto de já não aguentar lidar com estas flutuações temporárias e simplesmente colapsar. Um estudo sério deveria ser feito sobre os óbitos para agrupamento de mortes em grupos similares de condições de saúdee hábitos de vida, a fim de verificar o que se passa e melhor prevenir futuras situações.
A nível político preparam-se os programas e investimentos para mitigar futuras ondas de calor. Será uma alavanca importante para canalizar fundos e mundos para novos sectores industriais e infra-estruturas com total aceitação das populações afectadas e desorientadas pelo impacto. Tal é a importância de informar as pessoas que instituições internacionais como o World Economic Forum investem forte na difusão de toda esta preocupação e resolução. É importante que todos reconheçam o problema e soluções apresentadas por si.

Apagada a TV, largado o computador, resta o mundo real. Lides que precisam ser feitas, com ou sem suor. Depois de se sentir o bafo o corpo ajusta-se, ajudado por uma mente forte e resoluta. Vivo no mundo rural, vejo e converso com agricultores de 80 anos que passaram uma vida inteira a labutar de sol a sol, ainda o fazendo hoje, mesmo nestes dias de calor “extremo”. Partilham histórias da sua juventude, de dias esporádicos ainda piores em termos de calor, de como mesmo no Verão faziam fogueiras no chão para cozinhar quando embrenhados em herdades a tirar cortiça ou lidar com o gado. O controlo e cuidado com o fogo era senso comum e sem burocracias iam-se limpando terrenos. Não têm memória de haver tantos fogos como nos últimos tempos. Não têm receio do que o dia oferece, adaptam-se, sendo sábios em resguardar-se e proteger o que é seu e de todos.
A principal diferença? Regem-se pelos elementos, pela sua experiência, intuição e observação. Ouvem mas retrucam e ignoram o que não joga a bota com a perdigota. E com isso vivem felizes e contentes, inspirando quem com eles se cruza a não se deixar condicionar por imposição de interpretações externas da realidade observada.
Resumindo este vai ser um ano fora dos padrões climatéricos normais a nível mundial, com agravamento no resto do ano, não estando a existir honestidade na narrativa mediática sobre a causa dos efeitos sentidos. Estejamos atentos para exageros e abusos de autoridade no controlo da percepção pública e condicionamento de comportamentos e movimentos. Prescindamos da falsa condescedência e exijamos honestidade intelectual por parte dos meios de comunicação e governantes.


