Arquivos de sites

O “enorme” problema da fuga de quadros…

A justificação recorrente para a desproporcional diferença entre a remuneração de chefias e chefiados é a inqualificável frase feita “temos que evitar a fuga de quadros para o estrangeiro”. Porquê Inqualificável? Vejamos. Christine Lagarde, foi por diversas Christine Lagardevezes Ministra de França (Economia, Finanças Industria; Agricultura e Pescas; Comercio Internacional). Actualmente como CEO do FMI, aufere menos de 20.000€/mês. Provavelmente a frágil economia Francesa não consegue pagar tanto como o FMI…

Atendendo às circunstâncias, ao grau de exigência e responsabilidade do cargo exercido por Lagarde, o qual é nitidamente inferior ao assumido por qualquer “boy”, entendemos que é nossa obrigação deixar fugir os talentos.

Geração “à rasca”

 

Portugal tem que ser altruísta.

Em nome de um bem-estar globalizado devemos deixar “fugir” todos os talentos (quais gurus) da Gestão Lusitana.

Em nome da contenção devemos contentar-nos com talentos mais baratos e ceder os nossos ao mundo! Este, merece melhor, e nós não merecemos os génios que temos.

 

Vantagens:

1) Poupamos, pois os gestores do sector empresarial do estado ganham bem mais do que o CEO do FMI.

2) O mundo será muito melhor. A qualidade da gestão Lusa terá resultados muito diferentes dos verificados na Pátria, simplesmente porque toda a responsabilidade da situação actual é obviamente de todos os desgraçados que irresponsavelmente se endividaram muito para além das suas capacidades. A competitividade e saúde financeira de todo o nosso tecido empresarial é o cartão-de-visita do gestor Luso… o que estraga tudo, é o “Tuga”, que é jovem e não pensa.

3) Equidade e justiça social. Obviamente que o Tuga ao verificar que afinal a sua chefia aufere apenas doze vezes mais do que a media nacional, tranquiliza-se, mobiliza-se e trabalha melhor. Afinal de contas, os génios ganhavam para além de vinte vezes mais.

Por tudo isto, e muito mais (mas fica para outra vez), apelamos:

Deixem-nos fugir!

Deixem-nos fugir…

Se o Navio Escola falasse…

Albert Leo Schlageter

Nasci na Alemanha em 1937 (Hamburgo), pelo que tive sorte com a qualidade de construção (Blohm+Voss). A dita sorte faltou-me logo no dia do baptismo. Deram-me o nome de “Albert Leo Schlageter” (herói alemão, nascido e fuzilado num bosque perto de Düsseldorf). À boa maneira Germânica, vivi uma vida saudável e disciplinada até ao final da 2ª Guerra Mundial.

Em 1945 fui capturado pelos EUA. Por lá fiquei a ganhar pó até que em 1948, fui adquirido pelo Brasil numa venda de garagem. Velejei rumo a Sul, desta feita respondendo pelo nome “Guanabara”, o qual mantive durante 13 anos. Foi giro. O clima do Rio era porreiro e a comida também.

Em 1961, Portugal reconheceu o meu valor e comprou o meu “passe”. Nunca esquecerei este reconhecimento… Não é todos os dias que alguém paga 30 vezes mais do que eu tinha custado ao Brasil!

N.R.P. Sagres (A520)

No início de 1962 recebi o nome que hoje tenho, N.R.P Sagres III, o qual orgulhosamente ostento em honra do meu patrono, o Infante D. Henrique.

Em quase meio século ao serviço da Armada, fui por certo exemplo inspirador para os responsáveis políticos da nação a que sirvo: O processo de aquisição dos novos submarinos, é boa prova deste carácter inspirador.

É nítida a observação do meu trajecto de vida: Não acredito na mera coincidência entre a minha qualidade de construção e a dos novos submarinos. A minha captura em tenra idade encontra igualmente paralelo quer no preço, quer nos prémios pagos aos intermediários, olheiros, agentes desportivos e especialistas que ajudaram quem vendeu e quem comprou.

Estes últimos, os especialistas, são-no de pleno direito e as suas credenciais tão imaculadas como imaculado é o talento alemão para o Samba, ou o Brasileiro para o estrito cumprimento de procedimentos (virtude naturalmente herdada do colonizador).

À data só lamento que a nação germânica não tenha ainda aprendido a fabricar Porta-Aviões.

Já teria pelo menos um a meu lado. Afinal, a idade não perdoa e os meus 84 anos reclamam por companhia.

Talvez me façam a vontade por altura do meu centenário…

(Texto actualizado a 30-10-2021)

A pesca da Palmeta

A cota de pesca de palmeta no mar do norte atribuída ao Reino excede a capacidade da frota pesqueira. A traineira lusa há muito que deixou de ser referência tecnológica e/ou de ecoeficiência.

A vasta frota pesqueira do Reino de Portugal

Quanto às tripulações, quais desclassificados seres, pouco a nada haverá a dizer. Pobres analfabetos, entram a bordo em busca do pecaminoso prémio por desempenho. Já sobre o Mestre de traineira, ainda que pouco, algo haverá a dizer. É o chefe, é o líder. Sem ele, não há pesca. Nem muita nem pouca, não há! Sentado ao leme, na ponte, assume a responsabilidade de zelar pela embarcação, pelos resultados e até mesmo pela vida da tripulação.

Subindo na hierarquia, o armador, ou dono da traineira é por vezes o Mestre da sua própria embarcação. Quando assim é, está a bordo, partilha riscos e proveitos, e não vê pecado nos prémios por desempenho. Sabe que cada membro da tripulação com ele partilha risco, e por mais desclassificada a pessoa, merece o seu prémio, pois esta exposição ao inesperado é em si uma forma de empenho, um vinculo para com todos a bordo.

E quando o armador não é o Mestre e não está a bordo? Pois bem, nestes casos, a preocupação maior é a eficiência do custo. As variáveis a bordo são secundárias em relação às variáveis em terra. Significa que o custo do Gasóleo dita ajustes “inevitáveis”.

Como fazê-lo nestes casos? Investindo ou cortando?

Investir: melhorias na embarcação, visando a redução do consumo; em meios de detecção de pescado, aumentando a eficácia por dia no mar, e consequentemente reduzindo custos operacionais; na formação e melhoria de procedimentos das tripulações; Não, nenhuma é considerada. Porquê? Porque obrigam a assumir risco! A solução óbvia é cortar, e fazê-lo onde é mais fácil, ou seja, nos prémios por desempenho. Afinal a remuneração do Mestre é intocável. Já os prémios de quem partilha risco, são apetecíveis por tão fáceis de cortar.

O corte é indolor para este tipo de armador, pois ignora por completo o que significa embarcar. Quando navega, só faz por recreio e apenas em dias especialmente escolhidos para o efeito. Julga-se conhecedor de uma realidade sobre a qual não compreende (nem imagina) como está dependente da coragem, ímpeto e empenho de Mestres e tripulações. Tem ainda um aliado inesperado: a rude moral lusitana, a qual atribui um estranho valor pecaminoso ao prémio por desempenho, como se este do demónio emana-se. Ao trabalho não devemos associar desempenho, vontade ou resultados. Não, a Lusa moral diz-nos que o importante é nivelar por baixo, diz que não só não se deve premiar o desempenho, como tudo deve ser feito para proteger a abstinência e a mediocridade.

Minimiza-se o risco, cortando proveitos a quem o está preparado para assumir e partilhar o dito risco. Cumpre-se desta forma o objectivo de curto prazo, relativizando os impactos de médio ou longo prazo: quando a remuneração da Tripulação é exclusivamente dependente dos factores que esta não controla, como o preço do gasóleo, resigna-se, acomoda-se e dedica-se à fé, e não ao trabalho. Os Mestres reformam-se sem transmitir o saber, por não existir a quem transmitir.

De tanto risco conter, nenhum ficou para correr! A frota degrada-se, perde irremediavelmente a competitividade. O Armador muda de negócio…

O Bacalhau dos Pobres

A Palmeta agradece!