Category Archives: Teorias da Conspiração
Difamação pura, dura e absurda, sensacionalista sempre que possível, mas genericamente acéfala e desprovida de respeito por credos, espiritualismos, ambientalismos, etc… Enfim, os “ismos” em geral e a parvoíce em particular.
A Conjectura da Maturação
Seria até bom que se pudessem suprimir partes da história, certamente teriam sido feitos muitos retoques, quem sabe até, operações plásticas de forma a transfigurar as atitudes nefastas que marcaram para todo o sempre a humanidade. Inimizades combatidas de arma em punho, tentativas de seriação racial ou mesmo incidentes nucleares não nos orgulham, mas não foram anulados da história, muitas vezes são até dados como exemplo daquilo que não se deve fazer.
Ininterrupto, o calendário alheio a tudo isto não permite que lhe apaguem instantes, consequentemente temos de olhar em frente, mesmo nas ocasiões em que o sol nos encandeia e temos de franzir os olhos. Se há alturas em que cortes com o passado são necessários, esta é uma delas, ficando o que se passou sobejamente docume
ntado.
Ironicamente quem nos “ajuda” não pensa assim, dizendo que é preferível este método de recapitalização, ao invés dos milhões serem directamente para liquidação de dívidas. Segundo eles, assim seria retirada dos balanços das empresas e dos bancos o rasto e a pressão, das opções que foram tomadas no passado.
Décadas a fio, foram cometidos erros crassos e jogos de malandragem (para não chamar outra coisa), que em poucos levaram muitos á situação actual. É sabido que não fomos os únicos, mas com o mal dos outros…
Fruto de débeis chefias, utópicas mas de vistas curtas, hoje as economias cotizadas ao longo de muitos anos estão arrasadas. Uns falsos beneméritos apregoam agora a hipótese de colmatar esses desacertos, mas avisam que terá de ser á maneira deles.
Estes prestamistas evoluídos, fazendo futurologia, optam por não amortizar, para que não se apague história, mas sim emprestar ciclicamente, para que a história se repita, perspectivando já a vénia que alguns lhes vão fazer.
Com uma dívida que se cifra em muitos milhões de euros, irá mais uma vez por ordem de outros injectar-se dinheiro, para que se cumpram padrões, tentando assegurar-se á partida assento nas participadas para mais uns quantos. Previamente estão a preparar o séquito daqueles que rapidamente se fartarão de ao final de cada mês, levar para casa o parco salário de ministro ou secretário de estado.
Talvez equacionem a maturação a quatro anos, para final da legislatura, mas com a efervescência actual dos mercados podem produzir-se prazos mais curtos.
A Competência da Crise
Estou deveras agradecido à crise que germina por este mundo fora.
Havia um conjunto de jarretas resmungões que beliscava o modus operandus do Eden que era a nossa economia e estilo de vida. Eram os comentadores que só sabiam falar mal, do rebenta a bolha, que dirigiam o dedo acusador na direção de culpados que os etiquetavam de senis que só apontam problemas mitológicos sem apresentar soluções utópicas. A vida estava tão boa para tudo e todos que só falaria mal quem estivesse com os pés para a cova e ainda quisesse ter protagonismo antes de se finar. Não eram muito ouvidos porque não tinham espaço mediático e diga-se a verdade porque estava tudo entretido na tal boa vida e era aborrecido procurá-los onde ainda conseguiam espernear. Está bom, não mexe!
Os números dos EBITDAs, liquidez de instrumentos financeiros, facilidade de crédito, indíces de consumo e confiança galopavam desenfreados esmagando qualquer tolo pregador do Armageddon. Em vez de prosperarem e enriquecerem perdiam o tempo a babar saliva. Não eram David contra Golias, eram a formiga Z contra o Hulk.
Estalou a crise e entramos num mundos às avessas. Afinal a tradução de Credit Default Swap era um género de Dona Branca e a solução generalizada para pagar empréstimos milionários é fazer novo empréstimo com juros mais altos à data da liquidação em modo ciclo recursivo infinito. De repente soubemos que não há analistas de risco competentes, a fiscalização de esquemas financeiros confia na boa índole dos agentes financeiros e está isenta de culpa no cartório, os bons gestores de empresas públicas ou público-privadas que através de investimentos arrojados faziam crescer as suas empresas pensavam estar a jogar monopólio num tabuleiro com impressora de notas à descrição, os autarcas abrem buracos financeiros para manter as estradas em condições de serem devidamente arrastadas pelas águas de chuvas torrenciais e por aí a fora. A competência desta crise foi apontar a incompetência das cabeças iluminadas que demonstraram ser antes ilusionistas de grande gabarito.
Melhor do que isso a crise trouxe ao de cima a incompetência do jornalismo. Porque nós, os simplórios do povo, até podemos não dispôr de tempo ou interesse em investigar indícios de actividade ilícita e mastigar números e relatórios públicos para perceber que algo está mal. Mas essa classe é paga para tal e tem o dever de nos informar e de trazer ao de cima as questões fulcrais mesmo que fraturantes, incómodas e contra-corrente. Os media que hoje nos bombardeiam com a crise apocalíptica, e as medidas biblícas a que teremos de nos submeter se quisermos sobreviver, nada fizeram para a denunciar e antecipar quando ainda estava no berço. Mesmo quando nas suas fileiras já tinham vozes que apontavam para um futuro catastrófico. Uns media interessados na verdade, e independentes, não ocultariam o que se passou e o que está a acontecer com a Wikileaks, alvo de sufoco financeiro e jurídico que tenta forçar o seu desaparecimento. Pelo contrário, patrocinariam essa entidade, colaborando no apurar de verdades e no denunciar das injustiças e saques a mando de interesses ocultos por parte de bandos ligados a marionetas incompetentes colocadas estrategicamente em cadeiras de poder.
A competência desta crise foi também criar uma sopa de instabilidade social onde muitos deixam de ter tudo a perder. De onde potencialmente pessoas honestas e competentes poderão passar a ter interesse pela participação direta e ativa na política e quem sabe voltar a endireitar o mundo.
É por isso que apesar de tudo sou obrigado a dizer agradecido: Heil Troika!
Os aficionados e a lide
Anunciada que está a intenção da Alemanha aliviar a carga fiscal dos Germânicos, talvez agora se comece a perceber como algumas coisas funcionam.
Basta recuar na história e relembrar que o BCE, criado por todos nós, cidadãos da União Europeia, na proporção da riqueza de cada país, onde mesmo os que não aderiram ao Euro foram participantes, tinha por função ajudar toda a Europa. Em boa verdade com uma contribuição maioritária da Alemanha, inerente á sua posição em relação aos demais.
Existe ainda muita gente que não percebeu, porque é que se foram enviados capitais para o Banco Central Europeu, quando precisamos deles, temos de recorrer a outros bancos. Sabendo que esses que por sua vez vão á fonte do banco central, ou seja vão buscar o nosso dinheiro para nos emprestar taxando-o para ganhar com isso.
Nem Steve Wynn se terá lembrado duma ideia destas, quando inaugurou o Bellagio. O famoso casino do Ocean’s Eleven.
Com umas agências de rating á mistura, dando o seu contributo para majorar essas taxas, baixando as classificações dos países, tentando proporcionar maiores ganhos aos accionistas das instituições envolvidas no processo, deu num descalabro que já obrigou a perdoar metade da divida da Grécia.
Ora os que mais contribuíram, mas que por sinal esperariam ser os que mais ganhariam, estão descontentes pois são eles também participantes dos bancos que agora perderam e muito, do seu capital.
Apesar de não ser possível, pelo menos para já, quase dois terços dos Alemães já tencionavam aderir ao modelo de referendo para questões relacionadas com a moeda única, e com pressões arteriais altas há que tentar acalmar os ânimos. Os donos da praça tentam desta forma que as barreiras não sejam transpostas.
Para esta epopeia serão precisos verdadeiros forcados habituados às lides, que enfrentam o bicho de frente, os aficionados não aplaudem mais artistas sem formação tauromáquica, que tentam apenas as pegas de cernelha deixando o animal, embora mais lento, seguir o seu caminho.
Versão para iPod, iPad e iPhone
O G20, terá acordado publicitar, (entenda-se gratuitamente) sistematicamente a lista dos países que não fazem o que é preciso para abandonar um comportamento inadmissível, traduzido para os mais distraídos, os paraísos fiscais.
Para estarem actualizados, em cada cimeira irá ser divulgada a relação de países que são ou têm dentro deles, locais paradisíacos. Uma boa acção por parte dos donos do Mundo, mas paralelamente uma ferramenta destinada a baralhar.
Falta saber se constará da listagem a georreferenciação, útil para os ilustres das Nações desenvolvidas, decorrem já negociações para que esteja disponível para as mais variadas aplicações informáticas, quanto aos outros terão de procurar nos velhinhos atlas de folhas já amareladas pelo tempo que passaram nos sótãos.
Isto sim é solidariedade, o tempo é dinheiro e saber em primeira mão onde se encontram os locais onde o numerário pode ser ocultado da cobiça alheia é fundamental.
Até agora gastavam-se fortunas com gabinetes de advogados e especialistas na matéria, para que estes analisassem á lupa as leis, garantindo os melhores locais onde os gigantescos montantes poderiam descansar tranquilamente, doravante para ficar esclarecido basta marcarem presença na cimeira.
O dever da informação impõe-se, aqui ficam os participantes com lugar já garantido na competição, os chamados locais seguros.
Estão no campeonato, porque não adoptaram o quadro jurídico, Antígua e Barbuda, Barbados, Botswana, Brunei, Panamá, Seychelles, Trinidad e Tobago, Uruguai e Vanuatu.
Á fase de eliminatórias porque ainda não se qualificaram como países que aceitaram este quadro, estão a Suíça e o Liechtenstein. Jersey terá lugar honorário, pelo seu desempenho.
Um dos presentes na cimeira afirmou mesmo que há três anos tinha ameaçado deixar os demais ao desamparo se esta lista não fosse gerada, não estaria porventura disposto a fazer má figura por às escuras sobre o assunto.
Quiçá brevemente estará disponível no “ao leme” um kit com o “Modus Operandi” se ainda existirem vertebrados com maquias a transferir, certamente terá um atlas pois somos mais dados á aventura.
O Português mais importante do Mundo
Corre o rumor que o Português mais influente no mundo, terá desta feita comprometido a sua imparcialidade em prol de um motivo patriótico. A sua discreta acção de bastidores terá permitido o agendamento da visita do chefe de estado Português, Prof. Aníbal Cavaco Silva à Casa Branca no próximo dia 9 de Novembro deste ano.
A agenda de trabalhos não foi revelada, mas são conhecidas as preocupações do presidente norte-americano Barack Obama com o futuro da zona franca da Madeira, com as filas de espera nos pastéis de Belém e com o assoreamento da Ria Formosa, mesmo em frente à casa onde o democrata John Carry por vezes passa férias.
Preocupações obviamente partilhadas pelo seu homólogo Português, o qual tem sobre os temas proferido os seus clássicos avisos.
Está prevista ainda uma sessão fotográfica nos jardins da Casa Branca, durante a qual o presidente Português agraciará Bo, o Cão-de-água Português da família Obama, com a ordem honorífica do Mérito, em reconhecimento da sua abnegação em favor da colectividade Lusitana, nomeadamente a promoção da visita a Washington, DC.
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Compostagem ou Incineração
Todos nós o fazemos uns mais que outros, embora o tema reciclagem tenha entrado no nosso vocabulário há poucos anos tem ganho bastantes adeptos que se preocupam, escolhendo os recipientes certos para cada tipo de lixo.
A triagem doméstica demorará certamente a ser exemplar, todavia já não precisamos de dizer aos nossos herdeiros qual a cor certa do “reciclómetro”a utilizar.
Em tempos idos os detritos eram colocados quase directamente nas lixeiras e mais tarde em aterros sanitários, alguns dos quais até deram jardins onde hoje crescem árvores e se pode passear ou praticar jogging.
Existe porem uns dejectos para os quais mesmo a incinerarão se torna inútil, a sua queima não produz qualquer energia, antes pelo contrário provoca uma necessidade de nova produção e em grande escala. Uma estirpe em que a alta temperatura não resultará para a sua reciclagem, entulho que é empacotado utilizando métodos contabilísticos e posteriormente colocado a circular embalado em caixas coloridas com um grande laçarote, aliciando quem o queira guardar, garantindo que a sua energia é de “giga watts”.
Esta combustão turbulenta tem os seus próprios gases, uma vez que são compostos por substâncias tóxicas, certamente vão pairar na atmosfera durante muitos anos, asfixiando até que se descubra formas para os filtrar.
Se a mãe natureza for nossa amiga, avizinham-se mais verões com dias longos do que gélidos invernos, não precisaremos portanto de tanta energia para o aquecimento ou iluminação, caso contrário teremos mesmo que voltar a tempos ancestrais em que os povos se aqueciam com fogueiras.
Os geradores estão hoje no limiar da potência, alguns dos seus fogueiros vaticinam uma franca hipótese de terem que lhes atirar ainda mais combustível, para que não se apaguem de vez.
Apregoam-se agora revitalizações com inertes, muitos deles vindos do próprio processo, pois a ordem é de conflagrar.
Procurando a “Agulha de Marear”
Decorria já longa a faina do arrasto, nesta época ordenados por uma pretensa a lobo-do-mar ao estilo Capitão Haddock, os embarcadiços audazes esperavam encher porões com todos os tipos de peixe que pudessem apanhar nesta técnica que traz tudo na malha. Nestas correntes mesmo as espécies que ninguém aprecia têm a sua experiencia de vida, nadando como de salmões na época da desova se tratassem.
A Longas milhas dum porto seguro, com ventos contrários, o inesperado acontece, soa o alarme e algo ainda desconhecido vai enfraquecendo os comandos da embarcação. Reunida de emergência a tripulação afecta á ponte, conseguem adivinhar um problema no sistema hidráulico.
Capitã e seu imediato ordenam para que se estanque a fuga, remetem a função aos oficias de máquinas para que dêem fim ao incidente. Entretanto pairavam já á deriva, á mercê da ondulação agitada.
A cadeia de comando na secção do convés funcionou na perfeição, pensavam já na rápida continuidade da viagem, mas surge precipitado o mecânico de bordo qual Super Mário, informando que apenas dispõe de pequenos artefactos destinados às fugas.
Sempre se disse que, “quem vai ao mar avia-se em terra” mas para surpresa dos anfitriões, esta viagem antevia forçosamente uma história diferente. Decide-se então reunir toda a tripulação com a intenção de saberem qual a melhor solução, mas esta já nada quer além de continuar a sua labuta.
Incrédulos mas ainda sedentos do seu quinhão no final da faina, quase provocam um motim, as vozes dividem-se e as culpas multiplicam-se, a solução porém não tem fim á vista porque antes de zarpar não foram tidas as devidas cautelas.
O lubrificante que faz girar a engrenagem está a derramar-se, foi esquecida a manutenção e ele não chega ao seu destino, para que tudo funcione.
Numa tentativa de escapar á humilhação e às prováveis destituições, oficial e seu imediato, tentam estancar a fuga, sentindo os olhares atentos da tripulação, sabedores que nas artes de marear, esquecimentos destes podem dar direito a serem arrastados para o fundo.
Toda a restante frota mais nervosa que nunca, pede aos comandantes que exortem no sentido de conseguirem uma real união, em que todos arregacem as mangas.
Em terra firme está toda uma indústria esperançosa que a apanha resista, podendo assim ter mais uns tempos de alimento.
Os Cortelhos e a Tosquia
Foi no Neolítico, ou Período da Pedra Polida, que segundo consta se iniciou a prática do pastoreio, pensa-se mesmo que está directamente ligado á alteração de hábitos e costumes, iniciando-se o sedentarismo e a agricultura.
Técnica ancestral, conseguiu chegar aos dias de hoje, embora em vias de extinção e com dificuldades diferentes pois naquele período muito provavelmente estaríamos a falar do início da domesticação dos animais, com a evolução do seu código genético, serão hoje mais fáceis de domar, ou não.
Ao longo da história foram muitos os pastores que ficaram célebres uns por motivos melhores que outros, certamente não estamos a falar dos que acompanham o gado, estimando-o e aproveitando muitas vezes para contemplar a natureza enquanto as suas cabeças se alimentam das verduras ou bebem dos riachos com águas frescas como as neblinas matinais que dão uma cor rosada aos do ofício.
Criaturas que passam os dias suportando as intempéries que lhes marcam não só o físico mas também a alma, com rugas vincadas onde o contraste entre a aliteracia e a compreensão da natureza são notórias, aspecto robusto mas ao mesmo tempo ingénuo, para quem as leis que contam são as que a mãe natureza legisla sem consulta prévia, quase incontornáveis.
Ao estilo eremita fazem, muitas vezes com as próprias mãos os seus refúgios, geralmente de forma circular, em terras Lusas há-os com vários nomes entre os quais Cortelhos. Certamente que não existirá ligação entre estes e o hemiciclo a não ser a sua forma geométrica. Coincidência ou não, é nele que se abrigam outros pastores, não tanto das agruras da natureza mas sim de quem querem domar ou dominar, provavelmente por medo que de quando em vez lhes possam tocar com as hastes, ou mesmo feri-los na integridade com as suas investidas.
Esses pastores sabem, não por ter escutado a natureza, mas porque são letrados e lhes foi ensinado na carteira da escola que já o Tiberius Claudius Nero Cæsar, dizia que “Um bom pastor deve tosquiar as suas ovelhas, mas não esfolá-las”.
Serão os actuais pastores, antes talhantes disfarçados, quais maus tosquiadores a quem lhes foi retirada a hipótese de apenas ficarem com a lã, pelo menos é o que aparentam.
O abrigo além de protecção dá-lhes uma possibilidade única de pensar, maquiavelicamente como retirar a última camada de pele,quando o sol abrisse e voltassem á vida campestre, é velos hoje deitados no alto da ladeira desfrutando a paisagem verdejante apreciando, lá ao fundo no caminho, as cabeças que insistem continuam a pensar ser deles, a passar nos contadores electrónicos, oferecendo ainda que involuntariamente mais um pouco da sua já seca pele. Os agora tísicos olham-nos de soslaio e recordam os tempos cada vez mais longínquos em que se alimentaram da erva do monte.
Terá o rebanho, a sabedoria e poder para os mandarem para o exílio, á semelhança do que aconteceu com o Tiberius, não para Rodes mas para o Degredo.
Histórias recentes dizem que muitos esfolados quase moribundos lutam, para que lhes retirem apenas a lã, sabendo que podem ficar somente com uma fina camada para conseguirem suportar as intempéries da vida, contudo deparam-se muitas vezes com as portas dos Cortelhos fechadas.
Os guardadores de rebanhos, como também são chamados, podem porém ter a certeza que como escrevia Alberto Caeiro pelas mãos de Fernando Pessoa;
Todo o mal do mundo vem de nos importarmos, uns com os outros,
Quer para fazer bem, quer para fazer mal.”
Apelando ao misticismo os devotos devem invocar que se opte pelo mal, mas unicamente com a finalidade de fazer o bem.
Muhammad Ali – O “spin doctor”
A pretexto da crise das dívidas soberanas, observámos as técnicas e estratégias de comunicação da generalidade dos líderes. Constamos que todos sem excepção cumprem com grande rigor as recomendações, os fundamentos, de Cassius Marcellus Clay Jr, concretamente: “Float like a butterfly, sting like a bee” (“Flutuar como uma borboleta, picar como uma abelha”).
Em que consiste? Pois bem, são três os fundamentos básicos: 1) Mexer muito as mãos; 2) Prometer muito; 3) Esquivar para se manter de pé. Liberal ou Progressista, a dinâmica é igualmente simples: Se destro, insiste no directo de esquerda. Quando é a direita que insiste, boxa um canhoto.
A técnica mantém hoje os níveis de eficácia da pré-história. Como é possível? Já todos sabemos que a insistência de golpes com um punho visa apenas baixar a guarda, para então com o outro punho, pleno de potência, desferir o derradeiro golpe.
Todos o sabemos no entanto funciona! Porquê? Numa palavra, incómoda. Incómoda-nos a agressão repetida. Por mais devastadora a consequência, não resistimos a baixar a guarda. Como que dizemos, já chega. Irónico, pois quando parece ter chegado o limite da resistência, dela é exigido mais.
A questão que se impõe à data é saber se a recente revelação das contas da colonia ultramarina da Madeira foi um golpe de esquerda, na expectativa de com isso esconder o verdadeiro golpe com a direita, ou se pelo contrário foi já ele proprio o golpe final?
Pensamos, mas temos vergonha de dizer…
À boa maneira Lusitana a ordem do dia, a dita actualidade, é riquíssima em controvérsia. Contudo, há sintonia de opinião: “nem sim, nem não, muito antes pelo contrário” é conclusão unânime. Motivada por acefalia generalizada, dirão os mais cépticos. Discordamos. Ao cidadão Luso não falta espírito crítico, capacidade de análise ou cultura de exigência. É medo, dirão os mais crentes (adeptos de uma boa conspiração). Refutamos. A nossa história prova que somos destemidos.
O que se passa afinal? É apenas uma questão de comunicação, de boa educação, de moral cristã, mas sobretudo, por vergonha. Numa palavra: Timidez. Esta explica todos os fenómenos de aparente marasmo na nossa sociedade.
A ligeira discrepância nas contas da Região Autónoma da Madeira, é disto bom exemplo. Se por um lado, alguns mal-intencionados se precipitam a condenar, os responsáveis da nação teimam em não o fazer. Porquê? Pasme-se, por Timidez. Falta coragem para assumir o pensamento, e sobra vergonha em reconhecer o obvio: O Governo Nacional devia substituir o Governo Regional da Madeira, e vice-versa.
Queremos alertar para o erro de recrutamento, o qual não será corrigido sem vencermos a timidez. Digamos o que em consciência pensamos: Desejamos ordem e rigor nas contas da Madeira, e por esse motivo pensamos que a austeridade deve ser aplicada. A equipa perfeita para este fim, é obviamente a do actual Governo Nacional.
Por outro lado, não deixamos de sentir simpatia pela irreverência do eterno líder Madeirense. Na verdade, fez aquilo que nem nós, nem o governo nacional conseguimos fazer: Fingir que não há Troika. Reconheça-se, é preciso coragem, e claro, descaramento. Tais características sobejam à equipa que Governou a Madeira, o que a torna na mais desejada (em segredo) para dirigir a Nação Lusitana.
É isto que por timidez ninguém diz, mas todos pensam: A Madeira deve ser metida na ordem, mas o Governo Central devia fazer à Troika, o que a Madeira fez ao País.








