Um Gesto Estrondoso
Por mais obvia a evidência, por mais clarividente a prova, duvidamos sempre da virtude Lusitana. Subestimamos, inexplicavelmente, as qualidades e envergadura moral de todos os nossos compatriotas, especialmente dos altos dignitários da nação. Incompreensível! Esta constatação autocrítica exulta o dever patriótico do exorcismo, por isso, reincido na denúncia deste complexo de inferioridade.
Interpelo todos os Compatriotas, simpatizantes, turistas e amigos da Lusofonia: Nunca duvidem da influência da nação Lusitana no mundo. Os factos permitem-me poupar nas palavras. Passemos aos exemplos: Desenvolvendo a sua prestigiada magistratura de influência, el Rey “considera a morte de Mandela o acontecimento mais marcante de sempre“. Alguns, nitidamente mal-intencionados, precipitaram-se ao concluir: Se a morte foi o momento mais marcante, a vida e obra não interessam ao supremo tecnocrata. Discordo desta interpretação. É tendenciosa e antí-dinástica. Ignoremos.
A coerência, a verticalidade, o elevado sentido de missão deste nosso estadista de eleição é prova inequívoca da sua virtude, mas dado o ancestral cepticismo, avanço mais um irrefutável exemplo: A cerimónia de homenagem a Nelson Mandela foi ensombrada pela polémica em torno da prestação do interprete de linguagem gestual, de seu nome Thamsanga Jantjie. O interprete diz-se qualificado, mas subitamente afectado por um enfermidade do foro psicológico.
Surdos de todo o mundo manifestaram a sua revolta, pois não compreenderam nenhuma das intervenções, com uma única excepção:
Qual primus inter pares, o nosso monarca foi o único líder mundial a quem o interprete gestual não se atreveu a boicotar o discurso. Gesticulou com precisão milimétrica, a mensagem passou na integra. Foi um gesto estrondoso!
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Posted on Dezembro 13, 2013, in Ideias para o País, Mentalidade Tuga, Teorias da Conspiração and tagged Humor, Politica, Portugal. Bookmark the permalink. 5 comentários.


Gostei do elogio do mais insigne entre os insignes, talvez só ultrapassado em grandeza (da vacuidade) pelo nosso ilustríssimo PM
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Muito devemos a este presidente. A história vai fazer-lhe justiça, e este tipo de parvoeira mentirosa não serve para nada, não interessa a ninguém.
Muito nos honra com a sua anónima frontalidade. Obrigado pelo contributo. Permita contudo que discorde da classificação “mentirosa”: uma vez que o PR não discursou na cerimónia em causa, não é falso afirmar que a interpretação gestual foi rigorosa.
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