O confuso mundo cor-de-rosa

falta-de-principios

2016 tem-me deixado demasiado confuso, quase incapaz de processar factos para formar opiniões seguras.

Ainda na ressaca de 2015 o futuro parecia um pouco mais risonho, mas de imediato surgem sinais contraditórios com a maior fonte de energia do planeta a tornar-se mais barata e apetecível, o suficiente para que governos gulosos cavalguem a onda das maiores margens de lucro, ao invés de potenciar o desenvolvimento exponencial de um parque automóvel assente numa rede eléctrica robusta e fiável. É então que me lembro que esta é conversa global antiga com pelo menos 20 anos de meu testemunho. E fico confuso como conversa e medidas com mais de 20 anos podem ser consideradas uma novidade refrescante, um novo começo.

O fantasma dos bancos recentemente desaparecidos assombram-me também com frequência. Levam-me a suspeitar ser impossível a separação entre gestão e governação nestes casos catastróficos e eis que, quando começo a recuperar a confiança nos nossos políticos e reguladores, é a própria comissão europeia que nos dá um golpe de machadada. Acusam-nos de não sermos nem íntegros nem transparentes, atrevem-se a sugerir-nos medidas fáceis de combate à corrupção. E fico confuso como nos aventuramos na imprevisível rota da austeridade, sem demonstração de resultados prévios, e nos coibimos de nos lançarmos no combate à corrupção com medidas demonstradas eficazes noutros países.

E é quando penso obter refúgio noutras paragens que me deparo com os refugiados Sírios. Primeiro deveríamos acolhê-los a todo o gás para pouco depois se fecharem fronteiras, se baixarem níveis de hospitalidade e se controlarem as notícias de ‘má publicidade’ aos refugiados. De uma crise humanitária urgente passou a assunto corriqueiro, hipoteticamente controlado qb ou quiçá mesmo desaparecido. E fico confuso, perco o genuíno sentimento de solidariedade, tão habilmente cultivado pelos media, e volto ao meu velho eu, mais cru, mais beligerante, mais prático.

É ao recomeçar a pintar de cinza os cenários cor-de-rosa apresentados que percebo a falta que me faz o professor Marcelo Rebelo de Sousa de domingo à noite, para me sugerir literatura da sarjeta que me mantenha entretido e alheado da verdadeira sarjeta.

sarjeta


Discover more from ao Leme

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Desconhecida's avatar

About Nuno Faria

Nascido em 1977, informático por formação, vegano por convicção, permacultor por transformação. Desde cedo que observo e escuto atentamente, remoo pensamento até por fim verbalizar a minha opinião e entendimento, integrando o que faz sentido do que é argumentado por quem de mim discorda. Não sei como aconteceu mas quando dei por mim escrevia sobre temas polémicos, tentando encontrar e percorrer o tão difícil caminho do meio, procurando fomentar o pensamento crítico, o livre-arbítrio e a abertura de coração e consciência. Partilho o que ressoa procurando encorajar e propagar a transmissão de informação pertinente e valores construtivos e compassivos.

Posted on Fevereiro 12, 2016, in Deriva, Escárnio e mal-dizer and tagged . Bookmark the permalink. 1 Comentário.

Deixe um comentário