Danos Colaterais

Longe vão os tempos das cargas de cavalaria, das barragens de artilharia, das trincheiras e dos danos colaterais. Hoje, tudo é sofisticado e preciso, numa palavra, certeiro. Só alvos legítimos são abatidos. Reconfortante, não é?

Que sorte! Que asséptico é o nosso tempo. Ou será que não? Bem, nos países ditos civilizados existem entidades reguladoras, cheias de recursos e sapiência, que nos salvaguardam e protegem da cruel beligerância. Nos outros, ditos não civilizados, nem tanto. Aí, nesses locais onde o escrúpulo não impera, qualquer altercação conduz ao caos.

Esperem. Talvez eu tenha o GPS avariado. Dizem-me que deflagrou uma arma de destruição massiva e que todos vamos ser chamados a pagar a reconstrução. Será? Mas não havia uma reserva que resolvia tudo? Pois… Mas há uma verba da amiga troika. Sei, é de borla, grátis. Tranquilizem-se. Ainda vale metade.

O caldo lá vai reduzindo, o sabor apura e o requintado aroma vai sendo reconhecido por todos. Mesmo pelos olfactos menos sensíveis!

Imagem "roubada" a Nuno Roby Amorim

Imagem “roubada” a Nuno Roby Amorim


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About Gonçalo Moura da Silva

... um homem ao Leme. "A minha alma é uma orquestra oculta; não sei que instrumentos tangem e rangem, cordas e harpas, timbales e tambores. Só me conheço como sinfonia. "

Posted on Julho 31, 2014, in Ideias para o País. Bookmark the permalink. 2 comentários.

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