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Recentemente o nosso primeiro ministro afirmou que os nossos problemas demográficos apenas podem ser resolvidos recorrendo à imigração. Faz algum sentido. Escusamos de tentar resolver a todo o gás as causas que levam os Portugueses a ter poucos ou nenhuns filhos ou mesmo a emigrar.

Certamente que algures no mundo existirá população para quem este Portugal será uma grande melhoria do seu nível de vida. Pessoas habituadas ao trabalho incerto, capazes de receber o salário mínimo nacional e mesmo assim enviar uma grande quantidade de remessas para o seu país de origem, habituadas a viver na periferia, confortáveis com a circulação em meios de transporte à pinha, para quem a simples existência de um sistema de educação e de um sistema de saúde é benesse suficiente independentemente das suas condições, pessoas para quem a corrupção ao mais alto nível seja a tal ponto familiar que nem se apoquentem com isso, concentrando-se em (sobre)viver as suas existências, dando graças a uma qualquer entidade divina por neste território escaparem à exploração, miséria ou morte que os assolaria no seu país.

Deveria ser fácil mas aparentemente está complicado trabalhar a retenção e a conquista de população imigrante que depois de contacto com a nossa realidade rapidamente emigra para outro país.

Querem ver que estamos mesmo mal!? Se não conseguirmos reter a classe trabalhadora teremos de optar por ceder o melhor de Portugal para convencer gente abastada de fora a instalar-se confortavelmente com vista para o mar? Sim, porque colocá-los no interior florestal poderá ser demasiado perigoso, é um ambiente ardente com que apenas os locais saberão lidar em condições.

Se ceder o melhor que temos é o que é preciso assim o faremos com todo o gosto, pois mais importante que os Portugueses são os indicadores deste ‘nosso’ Portugal à beira-mar plantado.


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About Nuno Faria

Nascido em 1977, informático por formação, vegano por convicção, permacultor por transformação. Desde cedo que observo e escuto atentamente, remoo pensamento até por fim verbalizar a minha opinião e entendimento, integrando o que faz sentido do que é argumentado por quem de mim discorda. Não sei como aconteceu mas quando dei por mim escrevia sobre temas polémicos, tentando encontrar e percorrer o tão difícil caminho do meio, procurando fomentar o pensamento crítico, o livre-arbítrio e a abertura de coração e consciência. Partilho o que ressoa procurando encorajar e propagar a transmissão de informação pertinente e valores construtivos e compassivos.

Posted on Maio 9, 2018, in Escárnio e mal-dizer. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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